Manuel Bandeira: “Tão Brasil!”
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Vozes No Conto De Machado De Assis Sobre Um Incêndio Em Montevidéu / Voices in Machado De Assis’S Short Story About a Fire in Montevideo
Vozes no conto de Machado de Assis sobre um incêndio em Montevidéu / Voices in Machado de Assis’s Short Story about a Fire in Montevideo Luiz Gonzaga Marchezan RESUMO Na reflexão dialógica sobre a enunciação, Voloshinov enfatiza sua porção subentendida como aquela que é comum a um grupo social e que, portanto, não precisa ser explicitada. Dessa maneira, o autor observa a possibilidade de o enunciador, ao acrescentar, justapor, situações de memória no tempo e no espaço narrados, conjugar percepções acerca da existência em matéria de ficção; vinculá-las a entonações que estreitam ainda mais a interlocução entre as coisas vividas e o enunciado. Diante disso, analisamos, pelo ângulo dialógico, o conto Um incêndio, de Machado de Assis, motivado por notícia de um incêndio ocorrido em região portuária de Montevidéu, que lhe deu o engenheiro Abel Ferreira de Matos, que, por sua vez, ouvira do menino Manuel Bandeira. PALAVRAS-CHAVE: Literatura brasileira; Conto; Dialogismo; Entonação ABSTRACT In his dialogical reflection on utterance, Voloshinov emphasizes that its implied component is the one that is common to a social group and does not need thus to be explicit. In that manner, the author observes that when adding, juxtaposing memory situations in reported time and space, it is possible for the enunciator to coordinate perceptions concerning existence in fiction and to relate them to intonations that increasingly narrow the interlocution between things lived and utterances. In view of that, we analyze the short story Um incêndio [A Fire] by Machado de Assis based on a dialogical perspective. This short story was motivated by the news of a fire that had occurred in a port area of Montevideo. -
Arquivos Pessoais Fronteiras
ARQUIVOS PESSOAIS FRONTEIRAS JOSÉ FRANCISCO GUELFI CAMPOS (ORGANIZADOR) ARQUIVOS PESSOAIS FRONTEIRAS Eventus, 6 ARQUIVOS PESSOAIS FRONTEIRAS JOSÉ FRANCISCO GUELFI CAMPOS (ORGANIZADOR) Associação de Arquivistas de São Paulo 2020 ASSOCIAÇÃO DE ARQUIVISTAS DE SÃO PAULO Av. Prof. Lineu Prestes, 338, Sala N. Cidade Universitária, São Paulo (SP) 05508-000 (11) 3091-3795 www.arqsp.org.br Presidente Ana Célia Navarro de Andrade Vice-presidente Clarissa Moreira dos Santos Schmidt Secretária Camilla Campoi de Sobral Tesoureira Raquel Oliveira Melo Comissão editorial Ana Maria de Almeida Camargo (coordenadora), Heloísa Liberalli Bellotto, Johanna Wilhelmina Smit Copyright (C) 2020, dos autores Permitida a reprodução, desde que citada a fonte A revisão é de responsabilidade dos autores SUMÁRIO Apresentação 12 Arquivos entre fronteiras 14 José Francisco Guelfi Campos I - Reflexões A propósito do respeito aos fundos 25 Vitor Serejo Ferreira Batista O caso do arquivo pessoal de Júlia Lopes de Almeida: uma reflexão sobre a aplicação do princípio de respeito aos fundos 49 Lorena dos Santos Silva e Clarissa Moreira dos Santos Schmidt A análise da aplicação do princípio da ordem original em arquivos de pessoas de escritoras 72 Bárbara Moreira da Silva Arquivo Rodrigo Octavio da Academia Brasileira de Letras: as fronteiras do público e do privado em um arquivo pessoal 94 Gabriel Andrade Magalhães do Vabo Contexto arquivístico na aquisição de arquivos pessoais: a doação do acervo do Visconde de Cairu ao Archivo Público do Império 109 Cleice de Souza Menezes -
Impregnado De Eternidade. O Recife Em Manuel Bandeira
DOI: 10.5433/1984-3356.2016v9n18p325 Impregnado de eternidade. O Recife em Manuel Bandeira. Impregnated with eternity. Recife in Manuel Bandeira’s poetry Flávio Weinstein Teixeira 1 RESUMO Neste artigo procuro argumentar em torno da feitura e, de maneira lateral, do modo como foram lidos os poemas de Manuel Bandeira que tomam o Recife por matéria poética (Evocação do Recife; Minha Terra; Recife). Pelo prisma da feitura, o que procuro demonstrar é que Bandeira partilhava de uma concepção de cultura que conferia elevado valor ético-estético às manifestações e formas tradicionais constitutivas da arte e cultura nacional. Daí sua fácil assimilação por parte de uma intelligentsia pernambucana, que, por sua vez, fixou uma leitura “regionalista” desses poemas, tornando-os exemplares de determinada concepção que situava num passado idealizado as referências de um modo de vida que estava a se perder. Palavras-chave: Manuel Bandeira. Recife. Tradição Cultural. Regionalismo. ABSTRACT In this article I discuss three Manuel Bandeira’s poems about Recife (Evocação do Recife; Minha Terra; Recife) both under making view and the reading view. Through the prism of making view, I try to show that Bandeira shared a conception of culture that gave high ethical and aesthetic value to the traditional forms constitutive of the Brazilian art and culture. Hence their easy assimilation by a Pernambuco intelligentsia, which set a "regionalist" reading of these poems, turning them examples of a perception that placed in an idealized past references to a way of life that was to be lost. 2 Keyword: Manuel Bandeira. Recife. Cultural Tradition. Regionalism. 1 Professor do Departamento e Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). -
Tuguês Ricardo Severo
DA A RTE COMO CIVILIZAÇÃO E OUTRAS LIÇÕES DA RENASCENÇA BRASILEIRA: RICARDO S EVERO E A ARTE TRADICIONAL NO BRASIL (1914) Rafael Alves Pinto Júnior* [email protected] R#$%&': Este texto tem como objetivo analisar a atuação do engenheiro por- tuguês Ricardo Severo (1869-1940) a partir de sua conferência sobre a Arte Tradicional no Brasil , realizada na Sociedade de Cultura Artística em 1914 em São Paulo: catalisando o movimento neocolonial no Brasil. A in5uência intelectual de Severo indubitavelmente foi maior que sua ação pro7ssional, desencadeando um intenso debate em torno da questão da nacionalidade e do papel da obra de arte – notadamente a arquitetura – como um elemento civilizatório e identitário. P<=<>?<$-C@<>#: arquitetura neocolonial, identidade cultural, civilização. Tenho que invocar-vos esses tempos de outr’ora; e receio que não seja este o ambiente próprio em que perpassa o echo de melodias musicais e a sedução das moderníssimas toilettes que enfeitam essa assemblea. Tenho que antepor ao vosso espírito de hoje o espírito do passado, e pedir-vos de toda a vossa justa admiração por tudo quanto é grandiosamente bom e bello, algum pouco de piedoso amor para o que foi, por simples e humilde, egualmente bello e bom. Ricardo Severo. (SEVERO, 1916, p.38). 20 de Julho de 1914. A mais 7na 5or da intelectualidade e da alta sociedade paulistana reuniu-se para mais um evento de brilho. Desde 1912 - no ápice do primeiro período de industrialização em São Paulo - um grupo * Doutor em História pela UFG. Professor do IFG/Jataí. Recebido em 02 de junho de 2010. -
FIGURAS DE LINGUAGEM No Elevador Penso Na Roça, Na Roça
FIGURAS DE LINGUAGEM No elevador penso na roça, na roça penso no elevador. (Carlos Drummond) A roda anda e desanda, e não pode parar. Jazem no fundo, as culpas: morrem os justos, no ar. (Cecília Meireles) Ganhei (perdi) meu dia. E baixa a coisa fria também chamada noite, e o frio ao frio em bruma se entrelaça, num suspiro. (Carlos Drummond) Minh’alma é triste como a flor que morre Pendida à beira do riacho ingrato; (Casimiro de Abreu) Minh’alma é triste como o grito agudo Das arapongas no sertão deserto; (Casimiro de Abreu) Minha alma corcunda como a avenida São João... (Mário de Andrade) Sua voz quando ela canta me lembra um pássaro mas não um pássaro cantando: lembra um pássaro voando (Ferreira Gullar) 2 Dir-se-ia, quando aparece dançando por siguiriyas , que com a imagem do fogo inteira se identifica. (João Cabral) Apenas de vez em quando O ruído de um bonde Cortava o silêncio Como um túnel. (Manuel Bandeira) O tempo cobre o chão de verde manto Que já coberto foi de neve fria. (Luís de Camões) E agora, José? Sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro, seu terno de vidro, sua incoerência, seu ódio – e agora? (Carlos Drummond) Ai, palavras, ai, palavras, sois de vento, ides no vento, (Cecília Meireles) 3 Risco nesse papel praia, em sua brancura crítica, (João Cabral) o silêncio paciente vagaroso se infiltra, (João Cabral) Eu permaneci, com as bagagens da vida (Guimarães Rosa) Não leio mais, não posso, que este tempo a mim distribuído cai do ramo e azuleja o chão varrido, chão tão limpo de ambição que minha só leitura é ler o chão. -
Menores E ___---, Loucos Em Direito Criminal
Menores e _____----, Loucos em Direito Criminal Tobias Barreto Wis^ í* i .?;«£ '•'•? «sis -íâi Senado Federal Senador José Sarney, Presidente Senador Paulo Paim, 1° Vice-Presidente Senador Eduardo Siqueira Campos, 2° Vice-Presidente Senador Romeu Tuma, 1° Secretário Senador Alberto Silva, 2° Secretário Senador Heráclito Fortes, 3° Secretário Senador Sérgio Zambiasi, 4° Secretário Senador João Alberto Souza, Suplente Senador Serys Slhessarenko, Suplente Senador Geraldo Mesquita Júnior, Suplente Senador Marcelo Crivella, Suplente Sufferior Tribunal de Justiça Ministro Nilson Vital Naves, Presidente Ministro Edson Carvalho Vidigal, Vice-Presidente Ministro Antônio de Pádua Ribeiro Ministro Luiz Carlos Fontes de Alencar, Diretor da Revista Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira Ministro Raphael de Barros Monteiro Filho Ministro Francisco Peçanha Martins Ministro Humberto Gomes de Barros Ministro Francisco César Asfor Rocha, Coordenador-Geral da Justiça Federal Ministro Ruy Rosado de Aguiar Júnior Ministro Vicente Leal de Araújo Ministro Ari Pargendler Ministro José Augusto Delgado Ministro José Arnaldo da Fonseca Ministro Fernando Gonçalves Ministro Carlos Alberto Menezes Direito Ministro Felix Fischer Ministro Aldir Guimarães Passarinho Júnior Ministro Gilson Langaro Dipp Ministro Hamilton Carvalhido Ministro Jorge Tadeo Flaquer Scartezzini Ministra Eliana Calmon Alves Ministro Paulo Benjamin Fragoso Gallotti Ministro Francisco Cândido de Melo Falcão Neto Ministro Domingos FranciuUi Netto Ministra Fátima Nancy Andrighi Ministro Sebastião -
Revista Brasileira
Revista Brasileira o Fase VII Outubro-Novembro-Dezembro 2004 Ano XI N 41 Esta a glória que fica, eleva, honra e consola. Machado de Assis ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS 2004 REVISTA BRASILEIRA Diretoria Presidente: Ivan Junqueira Diretor Secretário-Geral: Evanildo Bechara João de Scantimburgo Primeira-Secretária: Ana Maria Machado Segundo-Secretário: Marcos Vinicius Vilaça Conselho editorial Diretor-Tesoureiro: Cícero Sandroni Miguel Reale, Carlos Nejar, Arnaldo Niskier, Oscar Dias Corrêa Membros efetivos Affonso Arinos de Mello Franco, Produção editorial e Revisão Alberto da Costa e Silva, Alberto Nair Dametto Venancio Filho, Alfredo Bosi, Ana Maria Machado, Antonio Carlos Assistente editorial Secchin, Antonio Olinto, Ariano Monique Cordeiro Figueiredo Mendes Suassuna, Arnaldo Niskier, Candido Mendes de Almeida, Carlos Heitor Cony, Carlos Nejar, Projeto gráfico Celso Furtado, Cícero Sandroni, Victor Burton Eduardo Portella, Evanildo Cavalcante Bechara, Evaristo de Moraes Filho, Editoração eletrônica Pe. Fernando Bastos de Ávila, Estúdio Castellani Ivan Junqueira, Ivo Pitanguy, João de Scantimburgo, João Ubaldo ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS Ribeiro, José Murilo de Carvalho, Av. Presidente Wilson, 203 – 4o andar José Sarney, Josué Montello, Lêdo Ivo, Rio de Janeiro – RJ – CEP 20030-021 Lygia Fagundes Telles, Marco Maciel, Telefones: Geral: (0xx21) 3974-2500 Marcos Vinicios Vilaça, Miguel Reale, Setor de Publicações: (0xx21) 3974-2525 Moacyr Scliar, Murilo Melo Filho, Fax: (0xx21) 2220.6695 Nélida Piñon, Oscar Dias Corrêa, E-mail: [email protected] Paulo Coelho, Sábato Magaldi, Sergio site: http://www.academia.org.br Corrêa da Costa, Sergio Paulo Rouanet, Tarcísio Padilha, Zélia Gattai. As colaborações são solicitadas. Sumário Editorial JOÃO DE SCANTIMBURGO Questão social, caso de polícia? . 5 PROSA MIGUEL REALE Teoria do ser e perspectiva . -
Juliet Attwater
View metadata, citation and similar papers at core.ac.uk brought to you by CORE provided by Repositório Institucional da UFSC UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CENTRO DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTUDOS DE TRADUÇÃO Juliet Attwater TRANSLATING BRAZILIAN POETRY: A BLUEPRINT FOR A DISSENTING CANON AND CROSS-CULTURAL ANTHOLOGY Tese submetida ao Programa de Estudos de Traduçao da Universidade Federal de Santa Catarina para a obtenção do Grau de Doutora em Estudos deTradução. Orientador: Prof. Dr. Walter Carlos Costa Co-orientador: Prof. Paulo Henriques Britto. Florianópolis 2011 ii Catalogação fonte pela Biblioteca Universitáriada Universidade Federal de Santa Catarina A886t Attwater, Juliet Translating brazilian poetry [tese] : a blueprint for a dissenting canon and cross-cultural anthology / Juliet Attwater ; orientador, Walter Carlos Costa. - Florianópolis, SC, 2011. 246p.: grafs., tabs. Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Comunicação e Expressão. Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução. Inclui referências 1. Tradução e interpretação. 2. Poesia brasileira - História e crítica. 3. Cânones da literatura. 4. Antologias. I. Costa, Walter Carlos. II. Universidade Federal de Santa Catarina. Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução. III. Título. CDU 801=03 iii iv v For Olívia Cloud and Louie Sky vi vii AGRADECIMENTOS With thanks to my parents for everything, to Magdalen for her friendship, love and constant support, to Walter and Paulo for their astounding professorial qualities and even more astounding patience, to Luana for being in the same boat and beating me to it, and to my late husband for sharing his love of his native country with me – wherever he is now I hope he is at peace. -
Brazilian Literature and Culture
Yale Portuguese Studies in Portuguese language, literatures, and cultures YALE SUMMER SESSIONS 2016 PORT S-352 Introduction to Brazil: A Cultural History Conducted in English at Yale and Portuguese in Brazil MEETS from May 30- June 17 MWTh 1:30-3:30 p.m. at Yale, HGS117; Paraty TBA; June 27 – July 22 MW 1:00-3:00 at IBEU Ipanema, Rio de Janeiro Professor: K. David Jackson DEPARTMENT OF SPANISH AND PORTUGUESE <[email protected]> Tel. 432-7608 -- 82-90 Wall Street, Room 224 Description This course provides a comprehensive introduction to Brazil’s regions and cultural history, to Brazil’s unique place in the Americas, and to its place in the world of Portuguese language. It presents major topics in the panorama of Brazilian cultural history and civilization from 1500 to the present through readings on regions, cultures, peoples, and arts, including the architects of Brazil’s national cultural identity, its chronological development, and modern self-description. Topics include discovery and rediscovery of Brazil, baroque architecture, romanticism and empire, regionalism, immigration, urbanization, and modernization. The main texts draw on a cultural history of Brazil through selected writings by major authors and scholars. The course features an individual creative project on the student’s experience in Brazil to be presented in Portuguese during the final two classes. Requirements No absences allowed in YSS. Two objective tests during weeks 3 and 6 (40%) covering important names, documents, and events from the readings. Preparation and oral participation in each class discussion required (20%). Each student will prepare an original project on a specific interest in Brazil, coordinated with the professor (25%), presented in class on July 20. -
Versões Modernistas Do Mito Da Democracia Racial Em Movimento Estudo Sobre As Trajetórias E As Obras De Menotti Del Picchia E Cassiano Ricardo Até 1945
Ilustração da capa: A Inauguração do Brasil em 1927, óleo sobre tela de Menotti Del Picchia, Itapira (SP), Casa de Menotti Del Picchia. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ANTROPOLOGIA SOCIAL MARIA JOSÉ CAMPOS VERSÕES MODERNISTAS DO MITO DA DEMOCRACIA RACIAL EM MOVIMENTO ESTUDO SOBRE AS TRAJETÓRIAS E AS OBRAS DE MENOTTI DEL PICCHIA E CASSIANO RICARDO ATÉ 1945 São Paulo 2007 MARIA JOSÉ CAMPOS VERSÕES MODERNISTAS DO MITO DA DEMOCRACIA RACIAL EM MOVIMENTO ESTUDO SOBRE AS TRAJETÓRIAS E AS OBRAS DE MENOTTI DEL PICCHIA E CASSIANO RICARDO ATÉ 1945 Tese de doutoramento apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Antropologia Social da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Orientadora: Prof. Dra. Lilia Moritz Schwarcz Universidade de São Paulo Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas São Paulo 2007 Para meus pais AGRADECIMENTOS A todas as pessoas e instituições que contribuíram para a realização deste trabalho.* * Esta pesquisa foi financiada pela CAPES durante três anos. RESUMO O objetivo deste trabalho é analisar a constituição de um discurso em torno do ideário da democracia racial brasileira no pensamento de dois autores modernistas: Menotti Del Picchia e Cassiano Ricardo. A constatação da presença de tal concepção no pensamento de autores cujas obras tiveram repercussões anteriores aos escritos de Gilberto Freyre permite aprofundar a discussão sobre o assim chamado “mito da democracia racial” no Brasil. Esta tese procura estudar esse ideário, evidenciando, a um só tempo, a sua difusão entre vários autores, a polissemia decorrente do uso plural da expressão democracia racial e a impossibilidade de atribuir sua origem a uma autoria específica. -
A Experimentação Poética De Bandeira
A EXPERIMENTACAO POÉTICA DE BANDEIRA GILBERTO MENDONÇA TELES (PUC-RJ e UFRJ) Não se trata de experimentalismo, e sim de experimentação. O primeiro termo, pela força atualizadora do sufixo, denota lo- go a idéia de acontecimento histórico-literário, ao passo que o segundo põe 'ênfase no processo verbal e a sua significação ultrapassa continuamente a idéia de tempo para se tornar ine- rente ao ato mesmo de produção de toda poesia. A experimen- tação, sendo parte do processo de enunciação, de produção do texto poético, é sempre um estado de espirito de rebeldia em face da língua e da tradição literária: situa-se não exatamen- te dentro dos sistemas lingtistico e retórico, mas à margem deles, para, ao mesmo tempo, repeti-los e transformá-los. A ex- perimentação é portanto uma vasta figura de retórica agindo positivamente em todos os níveis do discurso, em todos os sen- tidos da criação literária. Assim, o poeta que se contenta com o fácil, com a primei- ra imagem, que não a submete a uma análise critica implir.:ita, de modo a verificar, no horizonte de sua cultura literária, o seu grau de originalidade, pode até ser tido como um bom poe- ta, mas dificilmente passa ã posteridade como um artista, co- mo um senhor absoluto da linguagem. A arte pressupõe virtuosi- 37 dade e escolha, está centrada nos princípios da experimenta- ção e da seleção, assim como estes procedimentos pressupõem a esfera da competência, do saber cultural e técnico do artis- ta, principalmente do poeta que imprime uma alta organização à linguagem do poema, valorizando os seus "pequenos nadas" que se eletrizam no sentido da poesia. -
Cronologia De Heron De Alencar Entrevistas
ANEXO A-1: Cronologia de Heron de Alencar ANEXO A-2: Entrevistas (retirados da versão final) ANEXO A-3: Notas diversas em periódicos sobre Heron de Alencar ANEXO A-4: Seleção: Textos de HA em A Tarde utilizados nesta dissertação 1 1 - - A A Cronologia o o x x e e n n A A Conheci Heron em Brasília, quando organizávamos a Universidade do Distrito Federal. Juntos colaborávamos nessa obra esplêndida que marcou um momento decisivo do ensino em nosso país, quebrando velhas rotinas, preconceitos e normas superadas; abrindo para a Universidade um campo novo, atualizado e flexível, capaz de atender a todas as solicitações da vida brasileira. Recordo seu entusiasmo e a convicção com que lutava pelas reformas indispensáveis, e a clareza com que defendia seus pontos-de-vista, baseados em muitos anos de estudo e saber. E o fazia dentro de uma linha política progressista, visando a grandeza de nossa pátria, sua independência econômica e política... NIEMEYER, Oscar. O irmão Heron. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 27 jan. 1972. 1 CRONOLOGIA DE HERON DE ALENCAR 1921 - Nasce Francisco Heron de Alencar em Crato, Ceará, Brasil, a 8 de novembro. 1931 - Ingressa no curso primário do Colégio Nogueira - Grupo Escolar de Fortaleza. 1932 - Ingressa no curso secundário do Educandário Cearense. 1933 - Cursa o 1º semestre no Lyceu do Ceará e o 2º semestre estuda no Ginásio da Bahia. 1934 - Estudante do Ginásio do Recife. 1935 - Volta à Bahia para o Bacharelado em Ciências e Letras do Ginásio Carneiro Ribeiro. 1937 - Vai ao Rio de Janeiro para o Pré- Universitário do Colégio Freycinet.