UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA

INSTITUTO SUPERIOR DE AGRONOMIA

QUALIDADE DA PAISAGEM E FITODIVERSIDADE CONTRIBUTO PARA O ORDENAMENTO E GESTÃO DE ÁREAS COSTEIRAS DE ELEVADO VALOR NATURAL

TESE APRESENTADA PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE DOUTOR EM ARQUITECTURA PAISAGISTA

Orientador: Doutor Javier Loidi Arregui

Co-orientador: Doutor Luís Paulo Ribeiro

Co-orientador: Doutor José Carlos Costa

JÚRI

Presidente: Reitor da Universidade Técnica de Lisboa

Vogais: Doutor Javier José Loidi Arregui, professor catedrático da Universidade do País Basco, Espanha;

Doutor Carlos Silva Neto, professor associado do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa;

Doutora Maria Cristina da Fonseca Ataíde Castel-Branco, professora associada do Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa;

Doutor José Carlos Augusta da Costa, professor associado do Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa;

Doutora Teresa Dulce Portela Marques, professora auxiliar da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto;

Doutor Luís Paulo Almeida Faria Ribeiro, professor auxiliar do Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa.

PEDRO MIGUEL RAMOS ARSÉNIO

Lisboa

2011

UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA

INSTITUTO SUPERIOR DE AGRONOMIA

QUALIDADE DA PAISAGEM E FITODIVERSIDADE CONTRIBUTO PARA O ORDENAMENTO E GESTÃO DE ÁREAS COSTEIRAS DE ELEVADO VALOR NATURAL

TESE APRESENTADA PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE DOUTOR EM ARQUITECTURA PAISAGISTA

Orientador: Doutor Javier Loidi Arregui

Co-orientador: Doutor Luís Paulo Ribeiro

Co-orientador: Doutor José Carlos Costa

JÚRI

Presidente: Reitor da Universidade Técnica de Lisboa

Vogais: Doutor Javier José Loidi Arregui, professor catedrático da Universidade do País Basco, Espanha;

Doutor Carlos Silva Neto, professor associado do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa;

Doutora Maria Cristina da Fonseca Ataíde Castel-Branco, professora associada do Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa;

Doutor José Carlos Augusta da Costa, professor associado do Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa;

Doutora Teresa Dulce Portela Marques, professora auxiliar da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto;

Doutor Luís Paulo Almeida Faria Ribeiro, professor auxiliar do Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa.

PEDRO MIGUEL RAMOS ARSÉNIO

Lisboa

2011

RESUMO

A presente tese pretende discutir metodologias de ordenamento e gestão da paisagem, em particular no contexto das áreas costeiras de elevado valor natural e paisagístico. Nela se discutem conceitos, aplicam metodologias de avaliação da paisagem e se propõem novas formas de delinear estratégias de planeamento e gestão visando conciliar as actividades humanas com a conservação e gestão sustentável dos recursos naturais e de ordenamento e gestão da paisagem. Em concreto: a) é discutido o conceito de paisagem com recurso à abordagem ontológica; b) são estudados métodos de avaliação de qualidade visual da paisagem; c) é discutida a utilidade da Fitossociologia como ferramenta útil ao estudo e avaliação da qualidade ecológica da paisagem; d) são aplicadas ao litoral do Sudoeste Alentejano metodologias de avaliação da qualidade visual, bem como de qualidade ecológica da paisagem. Como principais resultados obtiveram-se: d.1) o modelo espacial de qualidade visual da paisagem do Sudoeste Alentejano; d.2) o modelo espacial da qualidade ecológica (ou natural) baseado na caracterização detalhada da flora e vegetação do Sudoeste Alentejano; e) são discutidas estratégias de ordenamento e gestão da paisagem que garantam a salvaguarda dos valores naturais em presença, num quadro de desenvolvimento económico consentâneo com a preservação da identidade cultural da região e da qualidade visual da paisagem.

Palavras-chave: Paisagem, Ontologia, Percepção, Q-Sort, Qualidade Ecológica, Qualidade Visual, Fitossociologia, Cartografia de Vegetação, Gestão da paisagem, Ordenamento do Território.

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ABSTRACT

This thesis aims to discuss the planning and landscape management methodologies, particularly in the context of high natural value coastal areas. It discusses concepts, applies landscape assessment methodologies and proposes innovative ways to formalize planning and management strategies aimed at reconciling human activities with the conservation and sustainable management of natural resources. Specifically, this thesis: a) discusses the concept of landscape using an ontological approach; b) studies how to assess landscape visual quality; c) investigates the usefulness of Phytosociology as a tool for studying and assessing landscape’s ecological quality; d) applies the studied assessment methodologies, both in visual and in ecological landscape quality, to the Southwest Alentejo coastal area. The main results of these applications are: d.1) a spatially explicit model of Southwest Alentejo’s landscapes visual quality; d.2) a spatially explicit model of the study area’s ecological value, based on a thorough description of its flora and vegetation; e) some planning and management strategies are discussed, as means of insuring the preservation of the study area’s landscape qualities and cultural identity within a context of economic development.

Keywords: Landscape, Ontology, Perception, Q-Sort, Ecological Quality, Visual Quality, Phytosociology, Vegetation Mapping, Landscape Change, Landscape Planning and Management.

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ÍNDICE

1 INTRODUÇÃO ...... 1 1.1 JUSTIFICAÇÃO E OBJECTIVOS ...... 2 1.2 ESTRUTURA DO DOCUMENTO ...... 3 2 SISTEMATIZAÇÃO DE CONCEITOS E REVISÃO BIBLIOGRÁFICA...... 5 2.1 O CONCEITO DE PAISAGEM – DISCUSSÃO COM RECURSO À ABORDAGEM ONTOLÓGICA ...... 5 2.1.1 As ontologias como ferramentas de organização de conhecimento ...... 9 2.1.2 Mapas conceptuais ...... 12 2.1.3 Componentes da Paisagem ...... 16 2.1.4 Síntese ...... 24 2.2 A QUALIDADE VISUAL DA PAISAGEM ...... 27 2.2.1 Preferência versus percepção da paisagem ...... 27 2.2.1.1 Preferência como fenómeno interno ao observador ...... 28 2.2.1.2 A percepção como fenómeno externo ao observador ...... 32 2.2.2 A qualidade visual da paisagem e o seu estudo ...... 33 2.2.3 Síntese ...... 43 2.3 A FITOSSOCIOLOGIA E A SUA UTILIDADE COMO FERRAMENTA DE ESTUDO E GESTÃO DA PAISAGEM ...... 44 2.3.1 Sobre a utilidade da Fitossociologia no estudo da Fitodiversidade ...... 47 2.3.2 Sobre a utilidade da Fitossociologia no estudo da dinâmica das fitocenoses ...... 51 2.3.3 Sobre a utilidade da Fitossociologia no estudo da distribuição espacial das fitocenoses ...... 55 2.3.4 Síntese ...... 57 3 QUALIDADE VISUAL DA PAISAGEM DO SUDOESTE ALENTEJANO ...... 61 3.1 INTRODUÇÃO ...... 61 3.2 ESTUDO DA QUALIDADE VISUAL DA PAISAGEM COM RECURSO À METODOLOGIA Q-SORT ...... 61 3.3 ANÁLISE ESTATÍSTICA DOS DADOS ...... 69 3.3.1 Relação entre qualidade visual da paisagem e procura para recreio ...... 70 3.3.2 Análise inferencial (Regressão linear) ...... 71 3.3.3 Análise TWINSPAN ...... 74 3.4 PREPARAÇÃO DA CARTOGRAFIA RELATIVA AOS FACTORES CONSIDERADOS ...... 81

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3.4.1 Visibilidade para massas de água ...... 82 3.4.2 Formas de Relevo ...... 86 3.4.3 Densidade da cobertura vegetal ...... 89 3.4.4 Estrutura da cobertura vegetal ...... 91 3.4.5 Visibilidade para elementos de património construído ...... 93 3.4.6 Carácter tradicional da paisagem ...... 96 3.5 CARTA DE QUALIDADE VISUAL DA PAISAGEM DO SUDOESTE ALENTEJANO ...... 97 4 A PAISAGEM VEGETAL DO SUDOESTE ALENTEJANO ...... 103 4.1 INTRODUÇÃO ...... 103 4.2 GEOLOGIA E MORFOLOGIA ...... 104 4.2.1 Considerações gerais ...... 104 4.2.2 A Peneplanície Alentejana e o maciço marginal (serras de Grândola e Cercal) ...... 104 4.2.3 A plataforma litoral ...... 106 4.2.4 Coberturas arenosas, (praias, dunas recentes e antigas) ...... 107 4.2.5 As arribas litorais ...... 109 4.2.6 A circulação hidrológica e as escorrências permanentes de água nas arribas xistosas ...... 111 4.3 CLIMATOLOGIA E BIOCLIMATOLOGIA ...... 114 4.3.1 Clima regional ...... 114 4.3.2 Bioclima ...... 115 4.4 BIOGEOGRAFIA ...... 119 4.4.1 Província Lusitano-Andaluza Litoral ...... 120 4.4.2 Província Mediterrânica Ibérica Ocidental ...... 122 4.5 CARACTERIZAÇÃO DA VEGETAÇÃO NATURAL E SEMINATURAL DA ÁREA EM ESTUDO ...... 123 4.5.1 Flora ...... 123 4.5.2 Vegetação ...... 131 4.5.2.1 Localidades estudadas ...... 132 4.5.2.2 Correspondência entre sintáxones e os habitat NATURA 2000...... 150 4.6 SÍNTESE DA PAISAGEM VEGETAL DO SUDOESTE ALENTEJANO – SÉRIES, GEOSSÉRIES E GEOPERMASSÉRIES DE VEGETAÇÃO ...... 156 4.6.1 Séries de vegetação climatófilas ...... 157 4.6.1.1 Viburno tini-Oleo sylvestris sigmetum ...... 157 4.6.1.2 Asparago aphylli-Querco suberis sigmetum ...... 158 4.6.1.3 Oleo sylvestris-Querco suberis sigmetum ...... 159 4.6.1.4 Lavandulo viridis-Querco suberis sigmetum ...... 161 4.6.1.5 Ulici welwitschiani-Querco broteroi sigmetum ...... 162

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4.6.2 Complexos de vegetação ripícola e outros tipos de vegetação aquática (geosséries higrófilas e aquáticas) ...... 164 4.6.2.1 Cabeceiras de linhas de água ...... 165 4.6.2.2 Bosques paludosos ...... 165 4.6.2.3 Ribeiras não torrenciais, de águas lóticas e tendencialmente oligotróficas ...... 166 4.6.2.4 Outra vegetação aquatica ou helofítica ...... 169 4.6.3 Vegetação costeira (complexos de vegetação e geopermasséries costeiras, ou halogeopermasséries) ...... 173 4.6.3.1 Complexo de vegetação dunar ...... 173 4.6.3.2 Geopermassérie das arribas (Querco cocciferae-Junipero turbinatae geopermasigmetum) ...... 174 4.6.3.3 Geopermassérie halófila de sapal ...... 176 4.7 QUALIDADE ECOLÓGICA DA PAISAGEM DO SUDOESTE ALENTEJANO ...... 180 4.7.1 Aspectos metodológicos da abordagem cartográfica ...... 180 4.7.1.1 Sistema de Referência ...... 181 4.7.1.2 Âmbito geográfico ...... 182 4.7.1.3 Legenda das unidades cartografadas ...... 184 4.7.2 Avaliação da qualidade ecológica pelo método de Loidi (2008) ...... 184 4.7.2.1 Critérios fundamentais: ...... 185 4.7.2.2 Critérios complementares: ...... 188 4.7.2.3 Índices de qualidade ecológica: Valor Biológico (B) e Interesse para Conservação (CI) ...... 189 4.7.3 Evolução histórica recente da paisagem do Sudoeste Alentejano ...... 194 4.7.3.1 Relatos históricos da paisagem – o exemplo do Dicionário Geográfico (1758) ...... 195 4.7.3.2 Situação pré-revolução industrial: Carta de Pery (1893) ... 198 4.7.3.3 O período do modelo Químico-Mecânico: Cobertura aerofotográfica USAF (1958) ...... 202 4.7.3.4 A paisagem actual: cobertura aerofotográfica digital IGP (2005) ...... 206 4.8 VARIAÇÃO ESPACIOTEMPORAL DO VALOR ECOLÓGICO NO PERÍODO 1958-2005 ...... 216 5 RELAÇÕES ENTRE QUALIDADE VISUAL, QUALIDADE ECOLÓGICA E FITODIVERSIDADE DO SUDOESTE ALENTEJANO – CONTRIBUTO PARA O ORDENAMENTO E GESTÃO DE ÁREAS COSTEIRAS DE ELEVADO VALOR NATURAL E PAISAGÍSTICO ...... 227 5.1 QUESTÕES RELEVANTES IDENTIFICADAS PELO ESTUDO DE CASO ...... 227 5.2 IMPORTANCIA DA DEFINIÇÃO DE PROPOSTAS DE INTERVENÇÃO ...... 231

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6 CONCLUSÕES E PROPOSTA DE TRABALHOS FUTUROS ...... 239 BIBLIOGRAFIA ...... 245 ANEXOS ...... 273 ANEXO I ...... 275 ANEXO II...... 283 ANEXO III ...... 335

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ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1 – Estrutura da tese...... 4 Figura 2 – Representação hipotética de uma paisagem do período Devónico Inferior (408-390 M.a.) elaborada por M. Parrish (Department of Paleobiology, Smithsonian Institute), apud Hueber (2001)...... 8 Figura 3 – Representação (teórica) gráfica da ontologia de paisagem proposta por Lepczyk, Lortie & Anderson (2008) ...... 12 Figura 4 – Mapa conceptual da componente física da paisagem...... 18 Figura 5 – Mapa conceptual da componente biológica da paisagem ...... 20 Figura 6 – Mapa conceptual da componente cultural da paisagem...... 21 Figura 7 – Mapa conceptual do conceito de paisagem...... 23 Figura 8 – Representação do conceito gráfico de paisagem apresentada por Steiner (2000), frequentemente designado por “the layer cake model”...... 24 Figura 9 – Modelo de interpretação da resposta afectiva/emocional a um ambiente natural (Ulrich 1983)...... 28 Figura 10 – Representação da proporção relativa da informação sensorial que aflui instantaneamente ao cérebro humano e da fracção desta que é processada de forma consciente, de acordo com Nørretranders (1999). Fonte da imagem: Introworks (2010) ...... 30 Figura 11 – Representação gráfica do conceito de percepção directa de paisagem...... 32 Figura 12 – Representação gráfica do conceito de percepção indirecta de paisagem...... 33 Figura 13 – Serviços prestados pelos ecossistemas, segundo o quadro de referência estabelecido no Millennium Ecosystem Assessment (Pereira et al. 2010)...... 42 Figura 14 – Modelo teórico do processo de sucessão ecológica, com base numa tipologia ecofisionómica de comunidades vegetais (Aguiar, inéd.) ...... 52 Figura 15 – Correlação espacial entre formas simples de relevo, unidades fundamentais da carta de morfologia da paisagem (Magalhães et al. 2007; Magalhães 2001) e unidades fundamentais da Fitossociologia Dinâmico-Catenal...... 59 Figura 16 – Modelo de alteração da paisagem para a criação de futuros alternativos (Steinitz 2003). Extraído de (Dangermond 2010) ...... 60 Figura 17 – O farol do cabo Sardão, um elemento do património construído com grande valor enquanto ‘landmark’ da região. Foto do autor. .66 Figura 18 – Disposição das fotografias segundo uma matriz rectangular de 10 colunas por cinco linhas, considerando a distribuição forçada das fotografias pelas diferentes classes de qualidade visual (Extraída de Mendes (2010))...... 68

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Figura 19 – Registo fotográfico de alguns dos inquéritos efectuados...... 69 Figura 20 – Representação da função de regressão exponencial encontrada entre o valor da qualidade visual média de cada fotografia e a frequência com que esta foi seleccionada para utilização no âmbito de actividades de recreio...... 70 Figura 21 – Gráfico P-P dos resíduos relativamente à regressão obtida...... 72 Figura 22 – Análise de componentes principais dos factores considerados na apreciação da qualidade visual da paisagem...... 73 Figura 23 – Tabela simplificada dos resultados da classificação executada pelo TWINSPAN...... 75 Figura 24 – Grupo de fotografias A: fotografias 14, 20 e 21 dispostas da esquerda para a direita, respectivamente (ordem de acordo com a tabela ordenada TWINSPAN)...... 76 Figura 25 – Grupo de fotografias C: fotografias 30, 44, 45, 46, 48, 50 e 49 ordenadas da esquerda para a direita e de cima para baixo, respectivamente (ordem de acordo com a tabela ordenada TWINSPAN)...... 77 Figura 26 – Caracterização dos grupos gerados pela classificação TWINSPAN, por género...... 77 Figura 27 – Caracterização dos grupos gerados pela classificação TWINSPAN, por nacionalidade...... 78 Figura 28 – Caracterização dos grupos gerados pela classificação TWINSPAN, por estatuto de residência...... 78 Figura 29 – Caracterização dos grupos gerados pela classificação TWINSPAN, por nível de instrução...... 79 Figura 30 – Caracterização dos grupos gerados pela classificação TWINSPAN, por escalão etário...... 80 Figura 31 – Caracterização dos grupos gerados pela classificação TWINSPAN, por proveniência...... 81 Figura 32 – Tipos de visibilidade considerados na análise de visibilidade para massas de água...... 83 Figura 33 – Modelo teórico de análise de visibilidade...... 83 Figura 34 – Carta de visibilidade (potencial) para massas de água (escala 1 / 400 000)...... 85 Figura 35 – Carta de formas de relevo (escala 1 / 400 000)...... 88 Figura 36 – Carta de densidade da cobertura vegetal (escala 1 / 400 000)...... 91 Figura 37 – Carta de estrutura da cobertura vegetal (escala 1 / 400 000)...... 93 Figura 38 – Carta de visibilidade para elementos de património construído (escala 1 / 400 000)...... 95 Figura 39 – Carta do carácter tradicional da paisagem (escala 1 / 400 000). .. 97

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Figura 40 – Troço de costa a norte de Milfontes, constituído por uma faixa de terreno suavemente inclinado para ocidente, favorecendo a visibilidade para o mar. Foto do autor...... 99 Figura 41 – Laranjais de produção intensiva na localidade de Malavado. Foto do autor...... 100 Figura 42 – Carta de qualidade visual da paisagem do Sudoeste Alentejano (escala 1 / 400 000)...... 101 Figura 43 – As regiões estruturais do sul de Portugal segundo Ribeiro et al. (1979)...... 105 Figura 44 – Carta Geológica do sul de Portugal segundo Feio (1983)...... 107 Figura 45 – Esquema teórico do processo de transporte das partículas arenosas da faixa litoral para o interior, ocorrido durante os períodos frios e secos do Quaternário...... 108 Figura 46 – Geopermasigmetum psamófilo e permasigmetum rupícola das arribas areníticas...... 110 Figura 47 – Comunidades vegetais associadas respectivamente às dunas holocénicas recentes, arribas xistosas com escorrência permanente de água, dunas e coberturas arenosas antigas, dunas consolidadas e depósitos mio-plio-quaternários, segundo a designação utilizada por Ramos (1990)...... 112 Figura 48 – Esquema de circulação hidrológica que permite a formação das “microcascatas” permanentemente alimentadas nas arribas xistosas do Alentejo litoral...... 113 Figura 49 – Gráficos termopluviométricos das estações mais representativas da área em estudo...... 115 Figura 50 – Termotipos dominantes no sul de Portugal segundo a classificação de Rivas-Martínez (2005). Extraído de: Mesquita (2009)...... 117 Figura 51 – Ombrotipos dominantes no sul de Portugal segundo a classificação de RIVAS-MARTÍNEZ (2005). Extraído de: Mesquita (2009)...... 118 Figura 52 – Carta biogeográfica da área estudada. Adaptado de Costa et al. (1998)...... 120 Figura 53 – Espectro fisionómico da flora do Sudoeste Alentejano...... 125 Figura 54 – Plantago almogravensis, endemismo lusitano de distribuição muito localizada. Foto do autor ...... 127 Figura 55 – Chaenorhinum serpyllifolium subsp. lusitanicum, endemismo lusitano...... 128 Figura 56 – Drosophyllum lusitanicum, um endemismo ibero-mauritânico de singular valor científico (planta carnívora) e beleza. Fotos do autor...... 129 Figura 57 – Localidades em estudo...... 132

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Figura 58 – Esquema de uma catena de vegetação na Serra do Cercal (Monte do Sodo), na encosta exposta a Noroeste...... 134 Figura 59 – Mosaico de comunidades vegetais no Vale da Ribeira da Azenha (Corgo dos Aivados)...... 138 Figura 60 – Geopermasigmetum do sapal de Vila Nova de Milfontes próximo da Praia das Furnas...... 139 Figura 61 – Mosaico de comunidades vegetais típico das arribas do Sudoeste Alentejano, com escorrência permanente de água...... 143 Figura 62 – Clissérie topográfica de vegetação no vale da “Ribeira da Cascata”, próximo da Praia das Furnas (Vila Nova de Milfontes)...... 147 Figura 63 – Sucessão das comunidades vegetais do litoral para o interior até ao contacto com a arriba xistosa na Praia das Furnas (Vila Nova de Milfontes)...... 150 Figura 64 – Cobertura vegetal actual de Monte Chãos, no qual se observa a total destruição da vegetação natural e sua substituição por culturas agrícolas e comunidades nitrófilas associadas. Foto do autor...... 158 Figura 65 – Contactos catenais da série tempori-higrófila Ulici welwitschiani- Querco broteroi sigmetum...... 163 Figura 66 – Bosque de Salix atrocinerea (borrazeira-negra) do sítio da cascata, Milfontes. Foto do autor...... 166 Figura 67 – Geossérie ripícola com amial e freixial, na ribeira do Torgal (junto à ponte do Sol Posto). Foto do autor...... 168 Figura 68 – Furnas, a sul de Milfontes, é um dos locais em que a vegetação dunar se encontra em melhor estado de conservação em toda a costa do Sudoeste Alentejano. Foto do autor...... 174 Figura 69 – Comunidades de Adiantum capillus-veneris, nas áreas de exsurgência de água doce. Foto do autor...... 175 Figura 70 – Comunidades de Cistus palhinhae no topo das arribas do Sudoeste Alentejano. Foto do autor ...... 176 Figura 71 – Perspectiva de uma zona de sapal baixo, nas margens do rio Mira. Foto do autor...... 177 Figura 72 – Limonietum lanceolati, comunidade de sapal alto recentemente descrita a partir de inventários efectuados na foz do rio Mira...... 178 Figura 73 – Esboço da carta de séries e geopermasséries de vegetação do Sudoeste Alentejano (escala 1 / 400 000)...... 179 Figura 74 – Sectores em estudo na análise da qualidade ecológica das comunidades vegetais e sua variação espaciotemporal...... 182 Figura 75 – Tipos de raridade das comunidades vegetais de acordo com Izco (1998)...... 187 Figura 76 – Cartografia da cobertura do solo no Sector 1 (Sines), à data de 1893...... 200

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Figura 77 – Cartografia da cobertura do solo no Sector 2 (Milfontes), à data de 1893...... 200 Figura 78 – Cartografia da cobertura do solo no Sector 3 (Cavaleiro), à data de 1893...... 200 Figura 79 – Mosaico de fotografias aéreas de 1958 correspondentes ao sector 3 (Cavaleiro), com indicação das áreas úteis consideradas na fotointerpretação...... 204 Figura 80 – Cartografia da cobertura do solo no Sector 1 (Sines), à data de 1958...... 205 Figura 81 – Cartografia da cobertura do solo no Sector 2 (Milfontes), à data de 1958...... 205 Figura 82 – Cartografia da cobertura do solo no Sector 3 (Cavaleiro), à data de 1958...... 205 Figura 83 – Cartografia da cobertura do solo no Sector 1 (Sines), à data de 2005...... 209 Figura 84 – Cartografia da cobertura do solo no Sector 2 (Milfontes), à data de 2005...... 209 Figura 85 – Cartografia da cobertura do solo no Sector 3 (Cavaleiro), à data de 2005...... 209 Figura 86 – Evolução da distribuição relativa das classes de cobertura de solo no Sector 1...... 212 Figura 87 – Evolução da distribuição relativa das classes de cobertura de solo no Sector 2...... 213 Figura 88 – Evolução da distribuição relativa das classes de cobertura de solo no Sector 3...... 214 Figura 89 – A prática da agricultura extensiva de sequeiro pode gerar elevado impacte na cobertura vegetal natural...... 215 Figura 90 – Zonamento adoptado no estudo da variação espaciotemporal do valor ecológico, para os sectores 1 (em cima), 2 (ao meio) e 3 (em baixo)...... 217 Figura 91 – Evolução do valor biológico médio entre 1958 e 2005 no Sector 1, de acordo com o zonamento proposto...... 219 Figura 92 – Evolução do valor de interesse para conservação médio entre 1958 e 2005 no Sector 1, de acordo com o zonamento proposto. . 219 Figura 93 – Evolução do valor biológico médio entre 1958 e 2005 no Sector 2, de acordo com o zonamento proposto...... 220 Figura 94 – Evolução do valor de interesse para conservação médio entre 1958 e 2005 no Sector 2, de acordo com o zonamento proposto. 220 Figura 95 – Evolução do valor biológico médio entre 1958 e 2005 no Sector 3, de acordo com o zonamento proposto...... 221 Figura 96 – Evolução do valor de interesse para conservação médio entre 1958 e 2005 no Sector 3, de acordo com o zonamento proposto. 221

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Figura 97 – Instalação de eucaliptais na serra de São Luís, com recurso a maquinaria pesada...... 222 Figura 98 – Sebe de pinheiros-bravos em declínio provocado pela doença da murchidão dos pinheiros, resultante da infecção do lenho pelo nemátodo Bursaphelenchus xylophilus. Foto do Autor...... 223 Figura 99 – Actividade agrícola intensiva da plataforma litoral alentejana. Foto do Autor...... 224 Figura 100 – Tarefas fundamentais a desenvolver no âmbito do planeamento sustentável da paisagem...... 232 Figura 101 – Estratégias de gestão propostas com vista à gestão simultânea da qualidade ecológica e da qualidade da paisagem do Sudoeste Alentejano...... 234

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ÍNDICE DE QUADROS Quadro 1 – Caracterização dos inquiridos amostrados, por proveniência e género...... 67 Quadro 2 – Sumário do valor explicativo da regressão efectuada...... 71 Quadro 3 – Resultados das análises de correlação (factores considerados isoladamente) e regressão linear efectuada...... 72 Quadro 4 – Resultados da análise de variância efectuada, considerando as inter-relações entre factores e fotografias...... 74 Quadro 5 – Classificação atribuída no âmbito da análise de visibilidade para massas de água...... 84 Quadro 6 – Correspondência entre a classificação das formas de relevo de Hammond (1954; 1964a; 1964b) e a classificação utilizada no âmbito do presente estudo de qualidade visual da paisagem...... 87 Quadro 7 – Tabela de conversão do valor de NDVI no sistema de classificação utilizado na carta de densidade de coberto vegetal do Sudoeste Alentejano...... 90 Quadro 8 – Conversão das classes de cobertura do solo COS 2007 em classes de estrutura fisionómica da vegetação...... 92 Quadro 9 – Classificação atribuída no âmbito da análise de visibilidade para elementos de património construído...... 94 Quadro 10 – Conversão das classes de cobertura do solo COS 2007 quanto ao carácter tradicional da paisagem...... 96 Quadro 11 – Valores dos Índices bioclimáticos calculados para algumas das estações inseridas na área de estudo (Mesquita, 2005)...... 118 Quadro 12 – Correspondência entre unidades fitossociológicas (sintáxones) presentes na área de estudo e os habitat da Rede NATURA 2000. 151 Quadro 13 – Caracterização das séries de vegetação higrófilas que integram as galerias ripícolas do Sudoeste Alentejano...... 170 Quadro 14 – Caracterização das permasséries aquáticas associadas ao leito menor e margens das linhas de água do Sudoeste Alentejano...... 171 Quadro 15 – Caracterização da permassérie das lagoas oligotróficas higroturfosas (Habitat 3110 da Rede Natura 2000)...... 172 Quadro 16 – Caracterização da permassérie dos charcos temporários mediterrânicos (Habitat 3170* da Rede Natura 2000)...... 172 Quadro 17 – Valores atribuídos aos diversos critérios e índices, para cada tipo de cobertura de solo utilizado...... 191 Quadro 18 – Síntese das alterações das percentagens de ocupação das diversas classes de cobertura de solo verificadas ao longo das três épocas de observação e em relação aos três sectores em estudo...... 211 Quadro 19 – Análise quantitativa da variação da qualidade ecológica entre os períodos de 1958 e 2005...... 218

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Quadro 20 – Conjunto de medidas de gestão que visam a protecção simultânea das qualidades ecológica e visual da paisagem do Sudoeste Alentejano...... 236

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AGRADECIMENTOS

Aos meus orientadores, Prof. Javier Loidi, Prof. José Carlos Costa e Prof. Luís Paulo Ribeiro agradeço a sábia orientação, disponibilidade e paciência sempre demonstradas.

Aos professores, técnicos, funcionários e colaboradores do Herbário João de Carvalho e Vasconcellos um sentido agradecimento pelos já longos anos de convivência e pelo muito que com todos aprendi.

Um agradecimento especial também para os professores Francisco Rego e Manuela Neves pela inestimável ajuda no tratamento estatístico dos dados.

A todos os docentes do ISA, por todo o apoio e simpatia, em especial aos colegas da ex-SAAP (Secção Autónoma de Arquitectura Paisagista), pela franca colaboração e entreajuda. Agradeço ainda a todos os colegas docentes do programa doutoral em Arquitectura Paisagista e Ecologia Urbana (LINK), em particular à Prof.ª Cristina Castel-Branco e restantes membros da sua comissão coordenadora, Prof.ª Teresa Andresen, Prof.ª Helena Freitas e Prof. Carl Steinitz, a confiança que em mim depositaram bem como as experiências proporcionadas pela participação na docência de tão interessante programa doutoral.

To Prof. Carl Steinitz, for all the inspirational talks, educational experiences and fruitful collaboration. It was a priviledge to work under your coordination, namely in the visual landscape quality studies carried out during the 2009 curricular year of the LINK Doctoral Programme in Landscape Architecture and Urban Ecology.

To Prof. Jusock Koh, for allowing me the opportunity of experiencing three months stay within one most notorious landscape architecture faculty groups in Europe, from Wageningen University. My gratitude extends, naturally, to the head of faculty, Prof. Adri van den Brink, and the colleagues Rudi van Etteger, Sven Stremke, Ingrid Duchhart, Marlies Brinkhuijsen, Paul Roncken, Renee de Waal and Sandra Lenzholzer.

Á Universidade Técnica de Lisboa, na pessoa do Magnífico Reitor, Prof. Ramôa Ribeiro, pela concessão da bolsa de curta duração que possibilitou a

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minha estadia de três meses na Universidade de Wageningen, uma experiência enriquecedora tanto a nível pessoal como profissional.

Ao Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB, I.P.), designadamente aos técnicos que responderam aos inquéritos sobre qualidade visual da paisagem, agradecendo também à Dr.ª Maria de Jesus Fernandes, Directora-Adjunta Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Litoral de Lisboa e Oeste a permissão concedida para a sua realização.

A todos os colegas e amigos que no campo na faculdade ou por qualquer outro lado, através de apaixonadas discussões e permuta de informação, contribuíram para a minha formação científica deixo também a minha gratidão. Ao Tiago Monteiro Henriques, Patrícia González, Jorge Capelo e Sandra Mesquita, Carlos Neto, bem como aos inabaláveis amigos Pedro Araújo e Nuno Guerra, um agradecimento especial.

Agradeço também a todos os meus alunos, com quem tenho aprendido muito, em particular à Ana Mendes, à Maria João Maurício e ao Luís Monteiro.

A meus sogros e cunhada um sentido agradecimento pelo apoio familiar (e logístico), em especial durante as minhas muitas e por vezes longas ausências.

Aos meus pais e à minha irmã, cunhado e sobrinhas, muito obrigado pelo carinho, apoio e paciência.

Á Teresa, meu esteio em dias bons e maus, e aos meus filhos Laura e António agradeço do fundo do coração o vosso amor incondicional, pedindo perdão pelas minhas muitas ausências e indisposições. Acima de tudo obrigado por encherem a minha vida de luz e cor.

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LISTA DE SIGLAS, LATINISMOS E ABREVIATURAS UTILIZADAS apud – em [num autor], citado por (latim) cf. – conferir, comparar (do latim conferre) com. pess. – comunicação pessoal

COS – Carta de Ocupação do Solo (série cartográfica elaborada pelo Instituto Geográfico Português) i.e. – isto é (do latim id est) ibidem – no mesmo lugar (latim)

ICNB – Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, I. P. idem – o mesmo (latim)

M.a. – Milhões de anos

MDE – Modelo digital de elevação m.s.l. – acima no nível médio das águas do mar (da expressão anglo-saxónica [above] mean sea level) s.l. – em sentido amplo (do latim sensu lato) s.str. – em sentido estrito (do latim sensu stricto)

SIC – Sítio de Interesse Comunitário (estatuto decorrente da aplicação da Directiva n.º 92/43/CEE do Conselho, de 21 de Maio de 1992, relativa à preservação dos habitat naturais e da fauna e da flora selvagens) spp. – espécies (plural; do latim species) subsp. – subespécie (do latim subspecies) t.a. – tradução do autor v.g. – vértice geodésico var. – variedade (do latim varietas) vd. – ver (do latim vide)

ZPE – Zona de Protecção Especial (estatuto decorrente da aplicação das Directivas n.ºs 79/409/CEE, do Conselho, de 2 de Abril, e 92/43/CEE do Conselho, de 21 de Maio de 1992, relativas à conservação das aves selvagens e à preservação dos habitat naturais e da fauna e da flora selvagens, respectivamente)

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1 INTRODUÇÃO

A paisagem constitui o suporte de todas a actividades humanas. Deste modo, é imperativo para a sobrevivência e bem-estar da humanidade que entre esta e a paisagem se estabeleça uma relação de cumplicidade e respeito, fundamentada em valores éticos e no conhecimento dos mecanismos que regem o funcionamento dos ecossistemas naturais e as respostas destes às intervenções antrópicas. Por outro lado, o arquitecto paisagista intervém sobre um bem público – a paisagem – cuja leitura é complexa e nem sempre consensual. A presente tese pretende também contribuir para melhorar a comunicação entre os diversos grupos profissionais envolvidos no ordenamento e gestão da paisagem, discutindo conceitos, aplicando e aperfeiçoando metodologias, integrando áreas de conhecimento aparentemente desconexas na convicção que daí possam resultar formas mais eficientes e eticamente recomendáveis de planear a paisagem.

Assim as questões científicas fundamentais abordadas neste estudo serão:

1. Como se pode avaliar a qualidade visual da paisagem e quais os factores determinantes nessa avaliação?

2. Pode uma análise fitossociológica detalhada da cobertura vegetal da paisagem constituir uma fonte de informação necessária e suficiente para a apreciação da qualidade ecológica dessa paisagem?

3. Em que medida existem relações entre a qualidade visual da paisagem e a sua qualidade ecológica?

4. Pode a adopção de estratégias adequadas de ordenamento e gestão da paisagem favorecer simultaneamente a qualidade visual e a conservação do valor ecológico e fitodiversidade das paisagens?

Para poder dar resposta a estas questões haverá então que clarificar alguns conceitos e preparar um estudo de caso a partir do qual seja possível obter informação que permita investigar as questões acima apresentadas. Consequentemente os trabalhos desenvolvidos do âmbito desta tese incluem:

ƒ Reflexão sobre o conceito de paisagem;

ƒ Revisão bibliográfica sobre as metodologias de avaliação da qualidade visual da paisagem;

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ƒ Revisão bibliográfica sobre a ciência fitossociológica e a sua utilidade no estudo da paisagem, em particular no que se refere à avaliação da qualidade ecológica das paisagens e à conservação da diversidade biológica das plantas vasculares;

ƒ Aplicação de metodologias de avaliação da qualidade da paisagem ao Sudoeste Alentejano, visando obter modelos espacialmente explícitos da sua qualidade visual e também da sua qualidade ecológica. Para tal será também necessário caracterizar a região em estudo quanto a alguns factores físicos, bióticos e culturais da paisagem que influenciam directamente a sua qualidade visual, bem como elaborar uma síntese da paisagem vegetal da região de acordo com o modelo fitossociológico.

ƒ Por fim, são discutidas estratégias de ordenamento e gestão da paisagem que garantam a salvaguarda dos valores naturais e paisagísticos (ou da qualidade visual da paisagem) em presença, num quadro de desenvolvimento económico consentâneo com a preservação da identidade cultural da região.

1.1 JUSTIFICAÇÃO E OBJECTIVOS

O autor da presente tese pretendeu com este trabalho explorar áreas de conhecimento aparentemente desconexas, mas que apresentam como elemento comum o seu objecto de estudo primordial: a paisagem. Trata-se pois de um estudo em que o objectivo fundamental não é o de desenvolver novas metodologias de análise da qualidade da paisagem, mas o de utilizar os resultados das aplicações efectuadas para investigar questões científicas relevantes para o ordenamento e gestão da paisagem, tal como foi enunciado no subcapítulo anterior.

Foi também intenção do autor aproximar as áreas em que trabalha, por um lado na docência, por outro na investigação científica, pois a experiência obtida no âmbito de ambas as actividades colocou em evidência a necessidade de tirar melhor partido dos modelos de interpretação da paisagem a partir do estudo da sua cobertura vegetal e também de melhorar a comunicação entre os diversos grupos de interessados no recurso paisagem, quer estes sejam a população local, os representantes da administração local e central ou ainda os turistas e população urbana da região. Adicionalmente,

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é também fulcral para a correcta gestão da paisagem que os referidos grupos de interessados discutam com base nos mesmos conceitos, partilhem a mesma visão no que se refere ao funcionamento da paisagem e participem de modo informado e responsável no estabelecimento de directrizes de gestão eficientes, justas e adequadas à realidade.

Finalmente, sobre a escolha da área de estudo, esta fundamenta-se em vários factores:

Desde logo pelo facto do troço de litoral atlântico e meridional português constituir uma área de paisagens esteticamente apelativas, nas quais se reconhecem ainda valores naturais e culturais de excepcional qualidade, constituindo um precioso património nacional. Também porque nessa área se apresenta ainda como muito susceptíveis à existência de tensões entre os interesses do desenvolvimento socioeconómico e os da conservação do património natural, na convicção de que é possível concertar ambas as perspectivas numa estratégia integrada. Na perspectiva mais concreta da geobotânica, porque apesar da existência de numerosos estudos sobre a área, esta informação se apresentava ainda bastante fragmentada, sendo útil poder reunir, integrar e apresentar essa informação de forma sistematizada, acessível e actualizada.

1.2 ESTRUTURA DO DOCUMENTO

A presente tese apresenta-se organizada em seis partes, materializadas nos seis grandes capítulos apresentados (Figura 1).

No primeiro capítulo encontram-se as peças introdutórias do estudo, apresentando as questões científicas que se pretende estudar e fundamentando as escolhas no que respeita às metodologias estudadas e à selecção da área de estudo.

No segundo capítulo são apresentados os resultados da revisão bibliográfica efectuada, repartida pelas duas grandes áreas do conhecimento abordadas, nomeadamente o estudo da qualidade ecológica e o estudo da qualidade visual da paisagem. Estes capítulos permitirão ao leitor ter uma ideia concreta do estado da arte do conhecimento nas referidas áreas de conhecimento.

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Os capítulos terceiro e quarto correspondem à fase das aplicações metodológicas ao estudo da paisagem. Nestes capítulos apresentam-se estudos concretos recorrendo a metodologias robustas de avaliação da qualidade da paisagem, tanto na perspectiva da qualidade visual com na perspectiva da qualidade ecológica.

No quinto capítulo é feito o encontro entre as duas abordagens, explorando os modos de integrar as análises anteriormente referidas nos procedimentos de planeamento e gestão da paisagem.

Finalmente, no sexto capítulo são discutidas as principais conclusões obtidas e enunciadas algumas das possibilidades de desenvolvimento de trabalhos futuros de investigação, no seguimento da presente tese.

1 - INTRODUÇÃO

2 - SISTEMATIZAÇÃO DE CONCEITOS E REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

• O CONCEITO DE PAISAGEM – DISCUSSÃO COM RECURSO À ABORDAGEM ONTOLÓGICA

• A FITOSSOCIOLOGIA E A SUA UTILIDADE • A QUALIDADE VISUAL DA PAISAGEM COMO FERRAMENTA DE ESTUDO E GESTÃO DA PAISAGEM

3 - QUALIDADE VISUAL DA PAISAGEM 4 - A PAISAGEM VEGETAL DO DO SUDOESTE ALENTEJANO SUDOESTE ALENTEJANO

• ESTUDO DA QUALIDADE VISUAL DA • SÍNTESE DA PAISAGEM VEGETAL DO PAISAGEM COM RECURSO À SUDOESTE ALENTEJANO METODOLOGIA Q-SORT • QUALIDADE ECOLÓGICA DA • CARTA DE QUALIDADE VISUAL DA PAISAGEM DO SUDOESTE ALENTEJANO PAISAGEM DO SUDOESTE ALENTEJANO

5 - RELAÇÕES ENTRE QUALIDADE VISUAL E FITODIVERSIDADE DO SUDOESTE ALENTEJANO – CONTRIBUTO PARA O ORDENAMENTO E GESTÃO DE ÁREAS COSTEIRAS DE ELEVADO VALOR NATURAL E PAISAGÍSTICO

• QUESTÕES RELEVANTES IDENTIFICADAS PELO ESTUDO DE CASO

• IMPORTANCIA DA DEFINIÇÃO DE PROPOSTAS DE INTERVENÇÃO

6 - CONCLUSÕES E PROPOSTA DE TRABALHOS FUTUROS

Figura 1 – Estrutura da tese.

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2 SISTEMATIZAÇÃO DE CONCEITOS E REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

A actual definição da profissão de arquitecto paisagista estabelece que “o Arquitecto Paisagista investiga e intervém no planeamento, concepção e gestão do ambiente exterior, tanto dentro como fora de espaços construídos, visando a sua conservação e desenvolvimento sustentável.” (t.a.) (International Federation of Landscape Architects (IFLA) 2003, p. 1). A organização responsável pela definição acima transcrita estabelece ainda que ao arquitecto paisagista compete, entre outras actividades, realizar avaliações de qualidade da paisagem, quer na perspectiva ambiental (i.e., ecológica) quer na perspectiva visual, com vista ao desenvolvimento de políticas de gestão ou projectos de desenvolvimento1. Consequentemente, ao arquitecto paisagista é exigido o domínio de uma vasta gama de conceitos nos quais se incluem, antes de mais, o próprio conceito de ‘paisagem’, mas também conceitos relacionados com a ‘qualidade visual da paisagem’ e a ‘qualidade ecológica da paisagem’, cuja discussão se apresentará nos capítulos 2.1, 2.2 e 2.3, respectivamente. A discussão apresentada pretende ainda contribuir para o estudo interdisciplinar da paisagem, facilitando a comunicação entre diversas áreas de conhecimento (sem prejuízo da especificidade científica e metodológica de cada disciplina), na convicção de que daí resultará mais e melhor conhecimento, logo, mais e melhor ciência.

2.1 O CONCEITO DE PAISAGEM – DISCUSSÃO COM RECURSO À ABORDAGEM ONTOLÓGICA

“Landscape is at once an old and pleasant word in common speech and a technical term in special professions. As (…) [people] become more conscious of and concerned about their visible surroundings – their environment – it is going to crop up more frequently in both realms of conversation and it may be useful occasionally to consider a difficulty that almost inevitably arises as soon as we attempt to communicate beyond very narrow professional circles.” (Meinig 1979, p. 33)

1 De acordo com o especificado na alínea f) da lista de competências profissionais do arquitecto paisagista, enunciada no referido documento.

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A questão levantada por Meinig no texto acima reproduzido afecta não apenas o diálogo entre leigos e grupos de profissionais especializados, mas também entre distintos círculos profissionais: tradicionalmente, o conceito de paisagem tem sido apropriado pelas diferentes áreas do conhecimento (Arte, Filosofia, Geografia, Ecologia e Arquitectura Paisagista) tomando distintos significados e sem nunca existir uma preocupação de procurar um significado consensual sobre o termo2. Meinig defende que esta questão sempre existirá e que se deve ao facto de que a paisagem existe “não apenas à nossa frente, mas também nas nossas mentes”, querendo com essa afirmação evidenciar que o conceito de paisagem é um conceito marcado pela cultura e experiência de cada um de nós. Para ilustrar a diversidade de versões de um mesmo cenário que podem resultar dessa ‘observação enviesada pela cultura’3, o autor apresenta de forma sistematizada dez formas diferentes de interpretar uma paisagem: 1. A paisagem como Natureza: assim entendida por aqueles para quem a obra humana não é comparável ao meio natural, primário, fundamental, dominante, persistente; 2. A paisagem como Habitat: para quem vê no planeta a sua casa e o seu sustento, que há que explorar, ‘domesticando’; 3. A paisagem como Artefacto: para quem vê em cada lugar a marca da mão humana, mesmo nos lugares mais remotos, afectados pelos processos de ‘alteração global’ em curso; 4. A paisagem como um Sistema: para os que vêm o ambiente como um imenso e intrincado ‘sistema de sistemas’; 5. A paisagem como [um] Problema: para quem olha para o planeta e vê, sobretudo, os danos ambientais produzidos e a forma como esses danos nos afectam, ou virão a afectar; 6. A paisagem como [fonte de] Riqueza: para quem vê em todas as coisas um valor monetário, um recurso a explorar com o objectivo de obter lucro;

2 A mesma discussão foi suscitada por Farina & Hong (2004), no caso da Ecologia da Paisagem.

3 Entenda-se por ‘cultura’ a complexa trama de experiências pessoais e profissionais inerente a cada indivíduo.

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7. A paisagem como Ideologia: [ou Produto Ideológico]: para os que, observando a paisagem, reconhecem os símbolos, a filosofia e a expressão das relações sociais e da governança dos Povos; 8. A paisagem como História: para quem vê na paisagem a expressão cumulativa da passagem do tempo, dos processos naturais e das intervenções antrópicas; 9. A paisagem como Lugar: para quem vê em cada paisagem uma peça individual de um grande e infinitamente variado mosaico global; 10. A paisagem como [Entidade] Estética: para quem busca em cada cenário ou experiência de um lugar a sua ‘qualidade artística’, prestando atenção à composição, cor, harmonia, textura, tensão ou simetria dos seus elementos.

A Arquitectura Paisagista é uma profissão de charneira, trabalhando na intersecção das diversas áreas do conhecimento científico (Caldeira Cabral 1993), mediando a comunicação entre os técnicos e o público, intervindo na paisagem com objectivos estéticos, técnicos e de conservação dos recursos naturais. Daí que seja imperativo obter uma definição operativa de paisagem, que facilite o diálogo entre os grupos de profissionais envolvidos no ordenamento e gestão do território, que possa também servir para melhorar a comunicação entre estes e o público em geral. O presente capítulo procurará atingir esse objectivo, baseando-se numa abordagem ontológica ao conceito.

A abordagem etimológica do conceito e da forma como o seu significado evoluiu no tempo pode ser encontrada no corpus nacional e internacional das escolas de Arquitectura Paisagista, pela mão de várias gerações de Arquitectos Paisagistas (Andresen 1992; Caldeira Cabral 1993; Telles 1994; Magalhães 2001; Barreiros 2005; Magalhães 2007; Magalhães et al. 2007; Batista 2009; Nunes 2010; Mendes 2010).

Consequentemente, mais do que fazer uma abordagem clássica ao estudo do conceito, importa restringir o seu âmbito, buscando maior objectividade através da redução à sua realidade material, isto é, excluindo do âmbito desta discussão o fenómeno da percepção da paisagem. Esta questão será tratada no Capítulo 2.2.1.2.

Tomar-se-á como ponto de partida a seguinte premissa: a Paisagem é uma entidade autónoma, com existência própria e independente da

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existência de um observador. Existem argumentos de natureza lógica e filosófica para suportar esta afirmação:

1. de um ponto de vista lógico, admitindo que da paisagem fazem parte os elementos que se materializam na superfície física do lugar, ou seja, no caso da Terra, a geosfera, hidrosfera e atmosfera e que o aspecto actual da referida superfície física resulta da interacção (ao longo de várias centenas de milhões de anos) desses constituintes, então teremos de admitir que antes da existência de qualquer forma de vida inteligente (um observador, portanto) já existiria ‘uma paisagem’ (Figura 2), independentemente das diferenças que possam existir entre essa paisagem e a actual. O mesmo raciocínio é também aplicável à biosfera;

Figura 2 – Representação hipotética de uma paisagem do período Devónico Inferior (408-390 M.a.) elaborada por M. Parrish (Department of Paleobiology, Smithsonian Institute), apud Hueber (2001). As estruturas colunares representam indivíduos de megafungos lenhosos atribuídos ao género Prototaxites (família Prototaxaceae, classe Basidiomycota, reino Fungi), os maiores e mais altos elementos da flora (s.l.) terrestre do período Devoniano (Hueber 2001), entretanto extintos.

2. por outro lado, de um ponto de vista filosófico4, há uma clara separação entre o objecto e a sua apreciação estética. Esta premissa é claramente exposta por Lothian (1999):

4 Mais precisamente no âmbito da corrente filosófica que tem por objeto o estudo da natureza do belo e que se designa por «Estética».

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“Aesthetics has been a subject of philosophy since at least the time of Socrates (469-399 B.C.). Up to the 18th century the focus of inquiry was beauty but following the invention of the term aesthetics by the German philosopher, Alexander Baumgarten in about 1750, philosophy broadened its inquiry to encompass this more inclusive term. Philosophers distinguish between the aesthetic object, the aesthetic recipient and the aesthetic experience. The aesthetic object is that which stimulates an experience in the recipient. Landscape is but one of many aesthetic objects which philosophy has considered. Regarding human interaction with aesthetic objects, whether music, art, sculpture, human faces, architecture, poetry, or landscapes, philosophers have sought to identify the common principles which operate and which determine the nature of the aesthetic experience.” (Lothian 1999, p. 181)

Analisada esta perspectiva, reforça-se também a convicção de que o fenómeno da percepção é um processo externo ao conceito de paisagem, pelo que o conceito de paisagem deve omitir referências à forma como a paisagem é percepcionada, bem como evitar considerar a paisagem de uma perspectiva meramente cénica, ou visual (e.g. “landscape is (...) the appearance of the land” (Brabyn 2009, p. 301); “Extensão de terreno abarcada pelo campo de visão constituindo um quadro panorâmico” (Casteleiro 2001, p. 2717)).

Circunscrito o âmbito do conceito, buscou-se uma metodologia que permitisse discutir de forma objectiva o seu significado. Optou-se pelo uso da abordagem ontológica, opção que não sendo inédita (vd. Lepczyk, Lortie & Anderson (2008)) se afigura como promissora pela forma como organiza e apresenta o conhecimento, relaciona conceitos afins e permite inferir características não explícitas no conceito visado mas transmitidas a partir de entidades com que este se relaciona de forma hierárquica. Para melhor se compreender a referida abordagem, apresenta-se no próximo capítulo uma reflexão sobre os aspectos mais relevantes da abordagem ontológica.

2.1.1 As ontologias como ferramentas de organização de conhecimento

“Ontology is a formal way of representing knowledge in which concepts are described both by their meaning and their relationship to each other.” (Bard & Rhee 2004, p. 213)

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O conceito de «ontologia» tem sido frequentemente investigado nas últimas décadas, nomeadamente no âmbito da investigação científica em Sistemas Periciais5, no entanto o termo não é exclusivo desta área de conhecimento pelo que se apresenta um conjunto de outros significados para o termo publicados por R. Mizoguchi (2003).

1. Do ponto de vista da filosofia, ontologia é “o estudo da existência”. Através dela busca-se explicação para a natureza do ‘ser’, da realidade, da existência dos entes e das questões metafísicas em volta destes.

2. Do ponto de vista da Inteligência Artificial, uma ontologia é definida como "a especificação explícita de uma conceptualização".

3. Do ponto de vista do Raciocínio Baseado em Casos, uma ontologia é definida como "um sistema de conceitos (vocabulário) usado como blocos de construção de um sistema de processamento de informação".

Consequentemente, as ontologias são “acordos sobre conceptualizações consensuais”. Estas constituem quadros de referência que permitem modelar conceitos em domínios de conhecimento (áreas científicas) específicos. De um modo geral, as ontologias consistem de conceitos (‘Entidades’ [ou ‘Indivíduos’], que se podem organizar em ‘Classes’), relações hierárquicas entre conceitos (do tipo: ‘é-um’ e ‘parte-de’) e outras relações ou axiomas para formalizar as definições e relações.

Para ilustrar o exposto apresenta-se um pequeno exemplo de uma definição ontológica, com base em entidades taxonómicas e relações entre estas (entidades apresentadas em letra maiúscula e relações entre parêntesis):

ÁRVORE > (é-uma) > PLANTA > (é-um) > SER VIVO

SER VIVO > (parte-de) >POPULAÇÃO > (parte-de) >COMUNIDADE

Torna-se evidente que se pode deduzir um conjunto de características a partir desta forma de organizar conhecimento, por exemplo: ‘uma árvore é um ser vivo’, ou ‘uma comunidade contém seres vivos’. Por outro lado, é

5 A área de investigação em Sistemas Periciais procura utilizar sistemas informáticos na representação e resolução de problemas normalmente resolvidos por humanos, utilizando conhecimento expresso por peritos no assunto (Jackson 1998).

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igualmente útil a informação obtida pela não verificação das relações estabelecidas entre conceitos: ‘um ser vivo não é uma população’. É de referir que cada um dos conceitos que integra uma ontologia deve também ser devidamente descrito num glossário expressamente construído para o efeito.

Pelo acima exposto o recurso a ontologias para organizar conhecimento e aumentar a objectividade dos conceitos tem vindo a observar-se em muitas áreas de conhecimento. Relativamente à Biologia, Bard & Rhee (2004) identificaram 32 websites contendo ontologias ou recursos para a criação de ontologias naquela área de conhecimento. Como exemplos célebres destas, referem-se os casos do ‘Gene Ontology (GO) Consortium’ [www.geneontology.org] (Ashburner et al. 2000) e do ‘Plant Ontology (PO) Consortium’ [www.plantontology.org] (Jaiswal et al. 2005), os quais se propõem elaborar vocabulários controlados que uniformizem conceitos no âmbito das temáticas sobre as quais incidem. Finalmente, a opção pela abordagem ontológica foi reforçada após a consulta dos trabalhos de Madin et al. (2008), que defendem o uso da abordagem ontológica como forma de vencer a ambiguidade gerada pelo uso transdisciplinar de conceitos ecológicos.

Lepczyk, Lortie & Anderson (2008), que propuseram uma ontologia para o conceito de ‘Paisagem’ (Figura 3), como forma de: a) promover a interacção entre diversas perspectivas ‘ecológicas’ de estudo da paisagem; b) fornecer um esquema inicial para a discussão ontológica do conceito, visando a sua melhoria; c) constituir um quadro de referência para estudos ecológicos à escala da paisagem.

Analisada a ontologia proposta, tornou-se evidente que haveria a possibilidade de propor alterações de modo a torná-la mais próxima da perspectiva da arquitectura paisagista, nomeadamente nos seguintes aspectos:

ƒ Atenuar a predominância da ‘visão biológica’ da paisagem, colocando a par dos conceitos relativos à sua componente biótica outros conceitos, nomeadamente os que dizem respeito à sua componente abiótica e também às alterações antrópicas da paisagem. Embora alguns termos relevantes para a presente questão estejam presentes na ontologia em causa (e.g. ‘climate’, ‘abiotic properties’, ou ‘land use’), eles encontram-se descritos

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como ‘propriedades inerentes’ aos conceitos apresentados. Entende-se que estes também devem ser formalizados como conceitos;

ƒ Por outro lado, discorda-se da inclusão do conceito de ‘sampling protocol’ nesta ontologia pois considera-se que este deve ser identificado como um procedimento (de estudo da paisagem) e não como um conceito relativo a uma entidade relevante e necessária para a representação ontológica da paisagem.

Figura 3 – Representação (teórica) gráfica da ontologia de paisagem proposta por Lepczyk, Lortie & Anderson (2008)

2.1.2 Mapas conceptuais

No seguimento da opção pela abordagem ontológica, foi iniciada a pesquisa de ferramentas de suporte à construção de ontologias, aplicáveis às ciências ecológicas e da vida. Apesar da diversidade de oferta de aplicativos (vide Bard & Rhee (2004)), foi feita a opção de formalização do conceito de paisagem utilizando um software de criação de ‘Mapas Conceptuais’. Um «mapa conceptual» pode ser considerado como um precursor de uma ontologia dado que opera num nível superior de abstracção e que, trabalhando com o mesmo tipo de entidades fundamentais [i.e., conceitos e relações], gera representações gráficas que explicitam conhecimento. Para tal, foi utilizado o aplicativo CMap Tools 5.04, do Institute for Human & Machine Cognition

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(IHMC), o qual pode gerar outputs no formato OWL, um formato standard para representação formal de conhecimento e para comunicação entre sistemas informáticos distintos [i.e., um standard ontológico].

Novak & Cañas (2008) caracterizam o processo de criação de mapas conceptuais do seguinte modo:

“(…) concepts and propositions are the building blocks for knowledge in any domain. We can use the analogy that concepts are like the atoms of matter and propositions are like the molecules of matter. There are only around 100 different kinds of atoms, and these make up an infinite number of different kinds of molecules. There are now about 460,000 words in the English language (most of which are concept labels), and these can be combined to form an infinite number of propositions. (…) As people create and observe new or existing objects or events, the creative people will continue to create new concepts and new knowledge. Creating new methods of observing or recording events usually opens up new opportunities for new knowledge creation.” (Novak & Cañas 2008, p. 11)

A opção pelo uso dos mapas conceptuais foi também tomada com o intuito de não incorrer em erros correntemente apontados a ontologias elaboradas no âmbito das ciências biológicas ou ecológicas, tais como os apontados por Soldatova & King (2005). Neste trabalho os autores tomaram para estudo de caso o ‘Microarray Gene Expression Society (MGED) Ontology’ [http://mged.sourceforge.net/ontologies/index.php] (Whetzel et al. 2006) de modo a poder enunciar alguns erros comuns na elaboração de ontologias, designadamente:

1. Existência de classes incorrectamente caracterizadas: todos os membros de uma classe devem partilhar pelo menos uma ‘propriedade intrínseca’, o que nem sempre acontece;

2. Uso desaconselhável do mesmo nome em diferentes níveis hierárquicos: a utilização de uma subclasse com o nome de ‘Indivíduo’ gera confusão entre elementos desta subclasse e o conceito de indivíduo da própria ontologia;

3. Alguns conceitos parecem ter nomes incorrectamente atribuídos: o nome de um conceito incluído na classe ‘Tipos de experiencias’ inclui o

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termo ‘Comentário’, que por sua vez corresponde a uma outra classe da ontologia. Tal situação gera confusões desnecessárias;

4. Alguns conceitos parecem ter nomes inapropriados: utilizar nomes claramente provenientes do jargão de outras áreas de conhecimento científico, difícil de compreender ou incompreensível para os não iniciados, é também desaconselhável. Assim, termos como ‘Package’ (proveniente da gíria informática) não deve constar numa ontologia do domínio das ciências biológicas;

5. Existência de classes com nomes incorrectamente atribuídos: é incorrecto atribuir a designação de ‘Protocolo’ a fenómenos que são, claramente, processos físicos [problema que pode estar relacionado com o erro enunciado no ponto 3];

6. Existência de definições pouco claras: algumas definições indicam, de forma abusiva ou incorrecta, igualdade entre conceitos (e.g. "Uma experiência é, frequentemente, uma publicação") ou descrevem uma classe ou indivíduo de duas ou mais formas, sem que estas sejam compatíveis uma com a outra.

7. Confusão entre conceitos e procedimentos: a apresentação de procedimentos informáticos (e.g. ligação a outras ontologias através de um ou mais conceitos comuns) sob a forma de classe é incorrecta;

8. Erro na distinção entre classe e indivíduo: erros que podem dificultar o raciocínio e a compreensão dos conceitos envolvidos [erros possivelmente relacionados com os enunciados nos pontos 1 e 5];

9. Herança múltipla de conceitos: o facto de alguns indivíduos poderem pertencer a mais de uma classe (o que pode, de facto, acontecer) pode causar a herança de características mutuamente exclusivas. Tais situações devem ser devidamente previstas e acauteladas, caso contrário resultam em ambiguidade ou impossibilidade;

10. Relações entre conceitos mal definidas: de um total de 109 relações explicitadas, cerca de 104 começam por ‘tem-‘, o que quer dizer que estas poderiam ser modeladas por apenas duas relações, a saber: ‘parte-de’ e ‘propriedade-de’. A drástica redução de relações a explicitar na ontologia

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levaria sem dúvida a ganhos de eficiência e compreensibilidade consideráveis;

11. Distinção pouco clara entre o uso das relações ‘é-uma’ e ‘parte-de’: é incorrecto utilizar um subtipo (ou subclasse) de uma classe como um exemplo dessa classe, pois esta deve ser considerada antes como ‘parte- de’.

Consequentemente a opção de discutir o conceito de paisagem com recurso à abordagem ontológica, designadamente pelo uso de mapas conceptuais é fundamentada pelo seguinte conjunto de razões:

ƒ Possibilidade de criação de representações gráficas do conceito e suas relações com conceitos afins: a abordagem gráfica constitui um meio de comunicação eficaz, quer para interpretar como para expressar informação complexa (Gordin, Edelson & Gomez 1996);

ƒ Dispensa de conhecimentos técnicos em Sistemas Periciais: o uso de sistemas de representação de conhecimento em linguagem natural e utilizando interfaces amigáveis para utilizadores não especializados permite alargar o fórum de discussão, pois a participação de qualquer profissional não está dependente da detenção de conhecimentos em informática nem do domínio de qualquer tipo de jargão técnico;

ƒ Menor exigência em completude e consistência: como se pode depreender do trabalho de Soldatova & King (2005) uma escolha de software demasiado ambiciosa pode gerar resultados pouco satisfatórios e exigir um nível de conhecimentos técnicos difícil de alcançar. Será pois aconselhável optar por aplicações mais simples na fase inicial de desenvolvimento da ontologia, mantendo a perspectiva de migração para soluções mais sofisticadas em fases subsequentes.

Uma vez seleccionado o software, foi possível passar à fase de esboço da referida ontologia. Os outputs gerados nesta fase do estudo serão apresentados no próximo capítulo, ilustrando as diversas componentes do conceito de paisagem.

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2.1.3 Componentes da Paisagem

São inúmeras as definições de paisagem que se podem obter através de pesquisa bibliográfica, tanto na área científica da Arquitectura Paisagista como em áreas científicas afins. Na área da Ecologia da Paisagem as definições enfatizam a característica da complexidade espacial, sem entrar em detalhe quanto às componentes da mesma:

“A landscape is a kilometers-wide area over which local ecosystems recur.” (Forman 1995, p. 19–20)

‘‘Landscape: Area that is spatially heterogeneous in a least one factor of interest.’’ (Turner, Gardner & O’Neill 2001, p. 3)

No entanto podem também ser encontradas definições em que, de forma mais ou menos explícita, se considera já a existência de interacção ‘Homem- Paisagem’, da qual resulta a componente cultural da paisagem:

‘‘(...) the term ‘landscape’ conjures up different images to different people. The prevalent view, however, is that landscapes are the arenas in which humans interact with their environments on a kilometers-wide scale.’’ (Wiens & Milne 1989, p. 87)

Já no que se refere à Arquitectura Paisagista, as diversas definições apresentam recorrentemente referências às componentes natural e cultural da paisagem, em contínua inter-relação.

“A expressão visual decorrente da disposição e inter-relação entre componentes naturais e de influência humana, ao longo do tempo, numa determinada área do território.” (Barreiros 2005, p. 15)

“O resultado material de todos os processos (naturais e sociais) que ocorrem num determinado sítio.” (Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas s.d.)

“A paisagem é um sistema dinâmico, onde os diferentes factores naturais interagem e evoluem em conjunto, determinando e sendo determinados pela estrutura global, o que resulta numa configuração particular, nomeadamente de relevo, coberto vegetal, uso do solo e povoamento, que

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lhe confere uma certa unidade e à qual corresponde um determinado carácter.” (Cancela d’Abreu, Correia & Oliveira 2004, p. I:32)

“A Paisagem é a figuração da biosfera e resulta da acção complexa do homem e todos os seres vivos – plantas e animais – em equilíbrio com os factores físicos do ambiente.” (Caldeira Cabral 2001, p. 1294)

Salienta-se ainda que em alguns casos a componente natural da paisagem é separada em duas componentes, física (ou abiótica) e biótica, respectivamente. Reconhecendo a pertinência dessa distinção, considera-se que na definição de paisagem devem constar referências às componentes física, biótica e cultural, as quais se passa a caracterizar de uma perspectiva ontológica:

Componente física da paisagem – Considerando a história geológica da Terra pode afirmar-se que, numa perspectiva cronológica, todas as paisagens se iniciam pela sua componente física. Nesta se reúnem os elementos inertes que constituem a superfície da crusta terrestre (substrato geológico + solo + hidrosfera + atmosfera), os quais se encontram representados no mapa conceptual apresentado na Figura 4.

O conceito de «substrato geológico» refere-se genericamente à rocha sólida subjacente ao solo ou a qualquer outro tipo de cobertura superficial não consolidada, tal como as grandes massas de água (McGraw-Hill 2002a, p. 43)6. Por coerência com o conceito de solo adoptado, fica excluída a fracção rochosa que integra o solo (e.g. afloramentos rochosos).

Relativamente ao conceito de «solo», adopta-se a definição do IUSS Working Group WRB. (2006, p. 8) segundo o qual, solo é “qualquer material a menos de 2 m de profundidade da superfície terrestre e que está em contacto com a atmosfera, excluindo os organismos vivos, as áreas cobertas com gelo permanente não recoberto por outro material, e os corpos de água mais profundos que 2 m7” (t.a.). A definição adoptada inclui rocha contínua (à superfície, i.e., os

6 Entrada no idioma original: bedrock.

7 Tomando como nível de referência o nível de baixa-mar.

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afloramentos rochosos), solos urbanos pavimentados, solos de áreas industriais, solos de cavernas, assim como os solos subaquáticos, podendo ser interpretada como ‘a epiderme da terra’ (idem, ibidem).

Figura 4 – Mapa conceptual da componente física da paisagem.

A «hidrosfera» compreende a totalidade da água distribuída pela superfície terrestre, incluindo a fracção que se encontra no estado gasoso, dispersa na atmosfera (McGraw-Hill 2002b, p. 170).

A «atmosfera» corresponde à envolvente gasosa do planeta, composta por azoto (78%), oxigénio (20%) e muitos outros gases, em pequenas proporções, incluindo os gases raros e o dióxido de carbono (Gaspar 2004). Este elemento é especialmente importante pois é em grande parte responsável pelo regime climático da terra. De acordo com Peixoto (1989):

“Na acepção geral, o clima é a síntese do tempo e a nossa expectação sobre as condições meteorológicas futuras. (...) Para compreender os mecanismos e os processos físicos responsáveis pelo clima, é necessário, primeiro, ter uma ideia clara das características, da estrutura e do comportamento do clima. Como a atmosfera é um sistema termo-hidrodinâmico, deve ser caracterizada pela sua composição, pelo seu estado termodinâmico, especificado pelas variáveis termodinâmicas (temperatura, pressão, densidade, etc.), e pelo seu estado mecânico (velocidades, acelerações, etc.). Uma descrição completa do estado da atmosfera deveria ainda incluir

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outras variáveis, como a nebulosidade, a precipitação, a distribuição da energia, etc., que afectam o comportamento de larga escala da atmosfera. Tradicionalmente os elementos do clima mais importantes são a temperatura e a precipitação. É com base nestes elementos que se faz a classificação dos climas da Terra.” (Peixoto 1989, p. 18)

A interacção contínua dos referidos elementos está na base do processo ao qual de atribui a designação de «Dinâmica Geomorfológica», da qual resultam as formas de relevo que constituem um dos aspectos mais perceptíveis da componente física da paisagem.

Componente biótica da paisagem – Sobre a componente física da paisagem instala-se o conjunto de todos os seres vivos constituindo a componente biótica da paisagem, a qual é designada por alguns autores como «biocenose» e cujo mapa conceptual se apresenta na Figura 5. Segundo Looijen & van Andel (1999) entende-se por biocenose “o conjunto de organismos de diversos ‘phyla’ ou ‘classes’ taxonómicos(as), que co-ocorrem no espaço e no tempo” (t.a.). Esta definição torna claro que a componente biótica da paisagem corresponde a um conjunto de comunidades, dado que, seguindo os mesmos autores, uma comunidade corresponde ao “conjunto de organismos de um mesmo ‘phylum’ ou ‘classe’ taxonómico(a), que co-ocorrem no espaço e no tempo”(idem, ibidem). Pode mesmo considerar-se que o conceito de comunidade é sinónimo no conceito de «taxocenose»8 proposto por Hutchinson (1978). .

Por «população» entende-se:

"um grupo de indivíduos da mesma espécie, vivendo numa área de tamanho suficiente para permitir comportamentos de dispersão e de migração normais, e em que as mudanças na população são em grande parte determinadas pela dinâmica entre natalidade e mortalidade." (Turchin 2003, p. 19)

Finalmente, relativamente ao conceito de «espécie», este é um conceito difícil e polémico (de Queiroz 2007; de Queiroz 2005; Wilkins 2006).

8 ‘Taxocene’, no idioma original, ou ‘Taxocoenosis’ apud van der Maarel (van der Maarel 2005).

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Optando por evitar participar na discussão do conceito de espécie formulado com base em aspectos da biologia reprodutiva (vd. de Queiroz (2005)) optou- se por um conceito mais pragmático de espécie (designado por ‘conceito cínico de espécie’9 ou ‘conceito taxonómico de espécie’10), segundo o qual uma espécie corresponde a “Qualquer conjunto de organismos a que um taxonomista competente preferir chamar espécie” (t.a.) (Kitcher 1984, p. 308).

Figura 5 – Mapa conceptual da componente biológica da paisagem

Apesar de pouco objectivo, o conceito evidencia a sua natureza abstrata, salientando que a definição de uma espécie se constrói com base em conjuntos de espécimes considerados por um taxonomista como ‘pertencentes a uma espécie’, com base na sua afinidade (morfológica ou filogenética) e na suposição de que essa similaridade será mantida pelos seus descendentes próximos (Wilkins 2006).

Salienta-se que também esta componente da paisagem, com excepção das paisagens desérticas, influencia fortemente a percepção da paisagem, em particular a sua componente vegetal.

9 apud Kitcher (1984).

10 apud Wilkins (2006).

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Componente cultural da paisagem – Já no período Holocénico surge uma nova componente na paisagem, à qual alguns autores atribuíram a designação de «Noosfera» (Zonneveld 1989; Vernadsky 2005), cujo mapa conceptual se apresenta na Figura 6. Por componente cultural da paisagem entende-se todas as modificações produzidas por mão humana sobre a paisagem prístina, nas quais se incluem os usos do solo e as estruturas antrópicas (i.e., construídas pelo Homem). O «uso do solo» é uma descrição de como as pessoas usam a terra: Fisher, Comber & Wadsworth (2005) salientam que se deve distinguir com clareza o ‘uso do solo’, da ‘cobertura do solo’.

Figura 6 – Mapa conceptual da componente cultural da paisagem.

Para os referidos autores a cobertura do solo é determinada pela observação directa, enquanto o uso da terra exige uma interpretação socioeconómica das actividades que têm lugar naquela superfície. Consequentemente a cobertura do solo é essencial para o desenvolvimento de modelos físicos do ambiente (climáticos e hidrológicos), mas não é tão útil para a maioria dos objectivos de planeamento e gestão (das actividades humanas ou dos recursos naturais), onde o uso é o fenómeno em questão.

Relativamente ao conceito de «infraestrutura», a sua definição não é trivial. A definição adoptada define infra-estruturas como “edificações ou sistemas que servem determinado país, cidade ou área [geográfica], tais como sistemas de transportes ou de telecomunicações, instalações de produção de energia ou escolas.”

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(t.a.) (Webster’s Dictionary 2006). A definição apresentada engloba edifícios, redes de transportes (rodovias, ferrovias e outras infra-estruturas associadas tais como pontes e túneis) e redes de serviços (para abastecimento eléctrico, de água, de combustíveis líquidos ou para telecomunicações). A tipificação destas estruturas estará sempre dependente da escala de observação e do contexto geográfico da área em estudo, no entanto, indica-se como exemplo o caso do sistema de classificação EUNIS (vd. Secção J em Davies, Moss & Hill (2004)) que propõe um sistema de classificação para estruturas construídas, industriais ou outros tipos de estruturas artificiais11. Farina (2010) salienta a forma como esta componente da paisagem se constitui como um elemento de elevado impacte visual:

“Human use of land creates mosaics, and this seems the most visible human footprint associated with linear elements like roads and railways.” (Farina 2010, p. 67).

Torna-se pois evidente que a componente cultural da paisagem pode ter também um forte impacte na percepção da mesma, mesmo quando esta não é preponderante no que respeita à proporção de área ocupada, ou seja, mesmo quando a ‘matriz da paisagem’12 é natural.

Como foi afirmado anteriormente, a ideia de que a paisagem resulta da conjunção, num dado momento e local, destas três componentes pode ser encontrada em muitas definições de paisagem, por vezes de forma mais explícita, noutras vezes de forma implícita. O mapa conceptual de paisagem que resulta da discussão apresentada neste capítulo é apresentado na Figura 7.

11 No seu idioma original, tais estruturas são chamadas de habitat, o que é manifestamente incorrecto, como se poderá perceber de forma intuitiva. Uma justificação fundamentada sobre a incorrecção do uso de tal designação pode ser encontrada em Monteiro-Henriques (2010, p. 48), em nota de rodapé.

12 Sensu Forman (1995).

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Figura 7 – Mapa conceptual do conceito de paisagem.

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A explicitação gráfica do conceito de paisagem também não é inédita: partindo da metodologia proposta por McHarg, Steiner (2000) apresentou no seu livro “The living landscape” uma representação do conceito de paisagem como o resultado da sobreposição (ao longo do tempo) de camadas organizadas, num primeiro nível, de acordo com as componentes aqui referidas (Figura 8).

Figura 8 – Representação do conceito gráfico de paisagem apresentada por Steiner (2000), frequentemente designado por “the layer cake model”.

2.1.4 Síntese

De acordo com o apresentado no capítulo anterior, procede-se então à apresentação de uma ‘definição operacional de paisagem’, segundo a qual «paisagem» é o resultado das complexas dinâmicas espaciotemporais que se estabelecem entre as componentes física, biótica e cultural de um dado espaço geográfico.

Para além das características explícitas na definição, referem-se em seguida um conjunto de características inferidas pela análise ontológica do conceito.

O conceito de paisagem não é sinónimo de ecossistema, pois este último corresponde a uma entidade abstrata que, apesar de reunir todas as componentes associadas à paisagem, é desprovida de um território concreto, tal como o explicita Farina (2010):

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“Ecosystem is a term that can be applied to all (spaceless) mechanisms that operate in nature, and can be considered the functional framework. Functions and relationships, flow of energy and material, food chains are some of the distinctive processes connected with the ecosystem concept. The landscape framework couples functioning with the space in which such functioning operates. As a consequence, the landscape framework is inclusive of the ecosystem framework.” (Farina 2010, p. 22)

Apesar de ser uma entidade concreta, esta não tem limites definidos, pois as suas componentes tão pouco os têm. Tomando o exemplo da componente biótica da paisagem, poderemos reconhecer o limite geográfico do espaço ocupado pelas populações ou comunidades13, mas passando ao nível da biocenose, à qual corresponde o conjunto de todas as comunidades, esta ocupará (virtualmente) toda a superfície planetária. Isto não nega a possibilidade de definir unidades discretas a partir do estudo da paisagem, mas apenas que este exercício é indissociável dos objectivos dessa delimitação, i.e., a delimitação de entidades discretas de paisagem faz-se sempre em função de objectivos concretos. São exemplos de definição de limites físicos na paisagem os conceitos de unidade de paisagem associados à intelecção sistematizada da paisagem e utilizados com frequência do âmbito da Arquitectura Paisagista, os exercícios de delimitação de áreas com homogeneidade ecológica (para determinada escala de observação e definindo os factores ecológicos a considerar), de delimitação de bacias visuais, de bacias hidrográficas, ou ainda de delimitação de séries e geosséries de vegetação, paisagens culturais, etc.

Partindo da análise ontológica do conceito de paisagem pode igualmente esboçar-se14 um sistema de classificação das paisagens (actuais), de acordo com o qual existirão (nos primeiros níveis hierárquicos):

13 O estudo da distribuição (consequentemente, dos limites das áreas de distribuição) de espécies, populações ou comunidades designa-se por «corologia».

14 Como esboço que é, a presente tipologia não pretende apresentar uma tipologia completa e consistente, mas apenas demonstrar a potencialidade da sua criação. Admite-se pois que a tipologia apresentada se encontra incompleta e possivelmente mais desenvolvida em alguns ‘subtipos’ do que noutros.

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1. Paisagens culturais – paisagens nas quais componente cultural é predominante (presença evidente de estruturas antrópicas, usos socioeconómicos do solo predominantes);

1.1. Paisagens culturais desérticas – paisagens culturais em cuja componente biótica é muito escassa, ou não é perceptível;

1.1.1. Xéricas (e.g. Petra (paisagem relicta); Pirâmides de Gizé);

1.1.2. De alta montanha (e.g. La Rinconada15);

1.1.3. (...);

1.2. Paisagens culturais não desérticas – paisagens culturais em cuja componente biótica é evidente. A uma parte significativa deste tipo de paisagens, com excepção das paisagens urbano- industriais, corresponde ao conceito de ‘human ecosystem’, proposto por Lyle (1999);

1.2.1. Tradicionais de montanha (e.g. Machu Pichu (paisagem relicta); Paisagens das áreas de pastorícia transumante de montanha);

1.2.2. Tradicionais de terras baixas (e.g. montado, lezíria);

1.2.3. Urbano-industriais (e.g. áreas florestais de produção (florestas monoespecíficas, equiénias, de crescimento rápido), culturas agrícolas intensivas (estufas, etc.), áreas sociais (cidades), áreas tecnológico-industriais (polígonos industriais));

1.2.4. (...);

2. Paisagens naturais – paisagens sem componente cultural predominante (presença pontual de estruturas antrópicas, ausência (ou apenas vestígios) de usos socioeconómicos do solo);

2.1. Paisagens desérticas – paisagens naturais nas quais a componente biótica é muito escassa, não é perceptível ou não existe;

15 Cidade mineira das montanhas do Peru (a uma altitude de 5100 m m.s.l.).

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2.1.1. Polares (e.g. Antárctida);

2.1.2. Xéricas (e.g. Sahara);

2.1.3. De alta montanha (e.g. topo do Deserto de Atacama);

2.2. Paisagens naturais não desérticas – paisagens naturais nas quais a componente biótica é evidente;

2.2.1. Estepes e pradarias (e.g. Planalto da Mongólia);

2.2.2. Savanas (e.g. Parque Nacional Kruger [Bushveld]);

2.2.3. Matagais mediterrânicos (e.g. Córsega; chaparral californiano);

2.2.4. Florestas temperadas (e.g. Florestas do Cáucaso)

2.2.5. Florestas tropicais prístinas (e.g. Floresta do Amazonas);

2.2.6. (...);

Em conclusão, considera-se que a opção pela apresentação de um conceito de paisagem por via da abordagem ontológica se revela adequada e cumpre os objectivos inicialmente propostos, dado que foi possível formular uma definição mais consensual, objectiva, fundamentada e de cuja análise resultam propriedades úteis, tanto para a investigação científica como para a melhoria dos estudos aplicados, em particular na área da arquitectura paisagista.

2.2 A QUALIDADE VISUAL DA PAISAGEM

2.2.1 Preferência versus percepção da paisagem

O conceito de percepção apresenta, tal como o conceito de paisagem, múltiplos sentidos, pelo que se revela útil também neste caso tentar aprofundar com objectividade o seu significado. Desta forma, importa separar claramente os conceitos de preferência e percepção, frequentemente tomados como sinónimos.

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2.2.1.1 Preferência como fenómeno interno ao observador

No que respeita ao estudo da preferência da paisagem, as interpretações apresentadas são fortemente influenciadas pelo trabalho de Ulrich (1983) no âmbito do qual se apresenta um ‘modelo de interpretação da resposta afectiva/emocional a um ambiente natural’ (t.a.), cuja representação gráfica se apresenta na Figura 9.

Figura 9 – Modelo de interpretação da resposta afectiva/emocional a um ambiente natural (Ulrich 1983).

O referido modelo descreve o quadro de referência através do qual decorre o fenómeno, a partir do qual se discutem as seguintes questões:

ƒ A preferência é influenciada pelo estado afectivo/emotivo inicial do observador;

ƒ Numa primeira fase a resposta resulta essencialmente da informação captada pelos sentidos, com preponderância para a informação visual, de acordo com a qual este atravessa uma fase

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de reacção afectiva inicial, determinando uma reacção primária de apreciação positiva (o observador gosta do ambiente a que se encontra exposto) ou negativa (o observador não gosta do ambiente a que se encontra exposto);

ƒ Numa segunda fase a sua reacção afectiva inicial é modificada pela racionalização da experiência, na qual é determinante a cultura do observador. Atinge-se assim uma fase de reacção afectiva ‘pós-cognitiva’ (ou racional), a qual irá determinar o comportamento do observador (exploração, procura de refúgio, fuga, etc.).

Consequentemente, chama-se a atenção para as seguintes questões levantadas pelo referido trabalho:

No que respeita à percepção instantânea da paisagem, o sentido da visão assume um papel preponderante. O autor salienta que este não é o único sentido a receber estímulo e que a percepção da paisagem é multimodal (não se restringindo ao sentido da visão), mas que a virtual ausência de estudos científicos sobre a resposta afectiva (e estética) a estímulos olfactivos, auditivos ou de outro tipo impossibilita a sua consideração no âmbito do estudo desenvolvido. Vários estudos subsequentes suportam a teoria de Ulrich, apresentando-se em seguida uma síntese dos trabalhos considerados mais relevantes no esclarecimento das questões acima abordadas.

De acordo com Nørretranders (1999), se for feita a quantificação da informação que aflui a cada instante ao cérebro humano e se equiparar esse fluxo de informação à largura de banda utilizada por um computador para comunicar com o exterior, a qual estipulou ser de cerca de 12 Megabits por segundo (Mbits/s), verificar-se-á que cerca de 10 Mbits/s correspondem a informação visual, ao passo que o sentido do tacto envia cerca de um décimo deste valor (i.e., 1 Mbits/s), valor equivalente à soma dos estímulos enviados pelos restantes três sentidos (Figura 10). Igualmente interessante é o facto do mesmo autor prosseguir, salientando que do total desta informação, apenas 10-40 bits/s são objectivamente utilizados para formar o estado de consciência, ou seja, reforça-se a noção de que há uma distinção clara entre a existência de um estado pré-consciente (eminentemente sensorial, instantâneo e que utilizada muita informação visual) e um estado consciente (eminentemente racional, bastante mais lento, que utiliza muito menos

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informação e em que a proporção de informação visual utilizada é drasticamente reduzida, de forma a incorporar maior proporção de outros tipos de informação sensorial (tacto, olfacto, audição e paladar).

Figura 10 – Representação da proporção relativa da informação sensorial que aflui instantaneamente ao cérebro humano e da fracção desta que é processada de forma consciente, de acordo com Nørretranders (1999). Fonte da imagem: Introworks (2010)

Sobre o efeito do ruído na paisagem, verifica-se que: a) a combinação da informação visual da paisagem e do seu ‘perfil acústico emergente’16 aumenta a percepção e compreensão da natureza (Matsinos et al. 2008); b) as apreciações sobre a qualidade estética da paisagem com recurso simultâneo a sons naturais e imagens são consistentes com as apreciações relativas apenas à paisagem visual (Carles, Barrio & de Lucio 1999); c) apenas quando se comparam apreciações estéticas de paisagens utilizando binómios ‘imagem-som’ contendo sons naturais (por exemplo, com registo sonoro do canto de pássaros, ou das águas correntes de um riacho), em contraste com um segundo conjunto de binómios ‘imagem-som’ que utilizam as mesmas imagens e sons urbanos (por exemplo, com registo sonoro do tráfego aéreo, rodoviário, etc.) as apreciações do segundo conjunto de binómios são consistentemente penalizadas, sugerindo que o barulho das actividades humanas em espaço urbano interfere na qualidade

16 No idioma inglês é frequentemente utilizado o neologismo ‘soundscape’ para designar este conceito.

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da experiência do visitante e até mesmo na percepção estética das paisagens (Mace, Bell & Loomis 1999).

No que se refere à interferência do sentido do olfacto na apreciação da qualidade estética das paisagens, a literatura é ainda mais escassa. No entanto, de acordo com Dann & Jacobsen (2003), o sentido geral da interpretação deste fenómeno é bastante semelhante ao anterior. Tomando como ponto de partida uma revisão à ‘literatura de viagem’ publicada em 65 obras (publicadas ao longo dos últimos três séculos), os autores sustentam que as descrições das ‘paisagens odoríferas’17 não urbanas tendem a ser descritas de forma mais favorável do que as ‘paisagens odoríferas’ urbanas, tomando essas descrições como indicativas (e correlacionadas com) da apreciação estética dos ambientes rural e urbano. Como corolário desta investigação, pensando nos potenciais benefícios repercutidos na indústria turística pela apreciação estética das paisagens, os autores afirmam:

“(...) if taking the city into the countryside is impractical or undesirable, then aromatically, at least, bringing the countryside into the city is an avenue worth pursuing.” (Dann & Jacobsen 2003, p. 17)

O modelo de percepção sugere também que na fase final (i.e., racional, ou pós-cognitiva) do processo de apreciação estética será mais difícil obter apreciações estéticas consensuais dado que estas serão sempre fortemente influenciadas pela experiência passada e cultura de cada observador. No entanto, ao nível da reacção afectiva inicial, a qual depende fortemente da componente visual da paisagem, a possibilidade de sucesso na obtenção de um padrão universal de resposta parece viável. Daí que, doravante, será apenas tratada a questão da qualidade visual das paisagens, a qual não corresponde à totalidade da experiência estética (multimodal) da paisagem, mas corresponde a uma parte significativa desta. Será apresentada no Capítulo 2.3 uma metodologia que pretende obter, de forma objectiva, repetível e espacialmente explícita, um padrão explicativo da variabilidade da apreciação da paisagem e dos factores que nela interferem.

17 ‘Smellscapes’, no idioma original.

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2.2.1.2 A percepção como fenómeno externo ao observador

A percepção pode ser vista como um fenómeno externo ao observador. No que respeita a este capítulo, apresenta-se uma interpretação própria do fenómeno, também feita com recurso a mapas conceptuais. Assim, são propostas duas modalidades de percepção, designadas por ‘percepção directa’ e percepção indirecta’ da paisagem.

Por «percepção directa da paisagem» entende-se o fenómeno de contemplação in situ da paisagem, por um ou vários observadores, inevitavelmente de forma multimodal [i.e., multissensorial] e em interacção directa com o ambiente que o(s) rodeia (Figura 11). A este tipo de percepção alguns autores atribuem a designação de ‘experiência imersiva’ (Jallouli & Moreau 2009) ou ‘simultaneous perception’ (Hiss 1990).

Figura 11 – Representação gráfica do conceito de percepção directa de paisagem.

Por «percepção indirecta da paisagem» entende-se o fenómeno de contemplação de uma representação de paisagem, por um ou vários observadores, sem que exista interacção directa com o ambiente que os rodeia (Figura 12).

Importa pois definir o que se entende por «representação de paisagem», a qual corresponde ao registo, num qualquer suporte (fotográfico, videográfico, sonoro, textual, gráfico, etc.) de características de uma paisagem e que permitem a um observador familiarizar-se (parcialmente) com essa paisagem, sem que exista interacção directa entre ambos (Figura 12).

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Figura 12 – Representação gráfica do conceito de percepção indirecta de paisagem.

Torna-se evidente que o observador pode assumir um de três papéis no processo de percepção externa da paisagem: a) pode tomar, de forma passiva, o papel de observador directo (i.e., colocando-se em contacto directo com a paisagem); b) pode também assumir o papel, igualmente passivo, de observador indirecto (i.e., familiarizando-se de forma indirecta e parcial com uma paisagem, expressas numa sua representação); c) pode intervir de forma activa, gerando uma representação da paisagem. Neste último caso pode ainda suceder que o observador opte por utilizar um sensor para efectuar a dita representação da paisagem (e.g. câmara fotográfica ou de vídeo), o qual no limite poderá ser dotado de alguma autonomia e proceder ao registo das características da paisagem de forma iterativa e sem requerer a presença do operador humano (e.g. sensor digital multi-espectral em plataforma orbital, ou seja, um satélite de observação da terra).

2.2.2 A qualidade visual da paisagem e o seu estudo

O estudo da qualidade visual da paisagem constitui, no que respeita à investigação científica, uma área de grande actividade pelo menos desde o final da década de 1960. O seu advento está correlacionado com a publicação, em especial no Reino Unido e nos Estados Unidos da América (EUA), de alguns diplomas legais de carácter ambiental dirigidos à salvaguarda de valores associados à qualidade visual (ou cénica) da paisagem. São exemplos

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de tais diplomas o Water Resources Planning Act, aprovado nos EUA em 1965 (Fabos 1971), o National Environmental Policy Act (NEPA), aprovado nos EUA em 1969 (Daniel & Vinning 1983) e o Countryside Act, aprovado no Reino Unido em 1968 (Zube, Sell & Taylor 1982).

O historial das quatro décadas e meia de investigação nesta área do conhecimento científico foi apresentado em diversos artigos de revisão entretanto publicados, nos quais se destacam os de Fabos (1971), Zube, Sell & Taylor (1982), Daniel & Vinning (1983), Dearden (1984) e de Zube, Simcox & Law (1987). Mais recentemente, Ward Thompson & Travlou (2009) prepararam um relatório de revisão sobre o tema, tomando como ponto de partida a revisão preparada cerca de uma década antes por Ward Thompson & Boyd (1998). No que se refere a publicações nacionais, referem-se os trabalhos de Andresen (1992), Saraiva (1999), Barreiros (2005) e Mendes (2010), nos quais se podem também encontrar capítulos de revisão sobre o tema. Finalmente, importa também citar o trabalho de Arbogast (2005), o qual constitui uma extensa e completa lista bibliográfica de publicações sobre gestão de recursos visuais, reunindo mais de 700 referências sobre livros, artigos científicos e páginas de Internet, dispersos pelo período de tempo compreendido entre 1912 e 2004.

Dada a complexidade e abrangência do tema da apreciação da qualidade visual da paisagem, a presente revisão bibliográfica será repartida em três blocos, de forma a poder abarcar de forma estruturada as principais questões em discussão: autoria, metodologia e questões emergentes.

No que se refere à autoria existem duas grandes correntes de opinião, divergentes no que respeita a quem devem ser os autores das apreciações de qualidade visual da paisagem.

A primeira corrente de opinião defende que as apreciações da qualidade visual da paisagem devem ser efectuadas por técnicos com formação estética e/ou ecológica (vd. Gobster et al. (2007)), fundamentando-se no ponto de vista filosófico estabelecido pela argumentação de Carlson (1977) que defende a existência de uma correlação significativa entre a avaliação da qualidade visual da paisagem e sua qualidade ambiental, existindo portanto a necessidade de conhecimento profundo dos recursos que estão na base dessa qualidade. Nesta corrente, na qual se enquadram McHarg (McHarg 1992), Zube (1970), Fabos (1979) e também Sousa da Câmara (1986), a

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questão da avaliação da qualidade visual da paisagem encontra-se subordinada à questão de gestão global dos recursos. Nesta corrente de opinião encontram-se também os autores para os quais é importante considerar uma escala absoluta de qualidade visual da paisagem, de acordo com a qual se conseguiria obter um mapa de qualidade visual de paisagem para uma região ou país, sendo estes comparáveis entre si. A grande finalidade dos estudos efectuados desta forma é pois a obtenção do mapa final de qualidade visual da paisagem. Exemplos de tais abordagens podem ser consultados tanto em estudos mais antigos, elaborados sem recurso aos modernos sistemas de informação geográfica (SIG) (Fines 1968), como em estudos mais recentes, nos quais os SIG desempenham um papel central no processo (Vizzari 2011). Há ainda que referir alguns estudos em que se faz a comparação entre apreciações feitas por grupos de especialistas e apreciações feitas por grupos de leigos, sendo detectadas diferenças significativas nos valores atribuídos às mesmas paisagens pelos distintos grupos (Vouligny, Domon & Ruiz 2009; Dearden 1984).

A segunda corrente de opinião defende que os estudos de qualidade visual da paisagem devem utilizar a opinião do público no processo de apreciação da qualidade visual da paisagem. Esta posição é suportada do ponto de vista filosófico pela posição defendida por Lothian (1999), de acordo com o qual, “a [escala de] beleza encontra-se nos olhos do observador” (t.a.), pelo que este deve ser perscrutado. Para esta corrente de opinião a produção de um mapa de qualidade visual de paisagem constitui um subproduto opcional e não a finalidade do estudo, considerando que a finalidade primeira de tais estudos consiste em perceber qual a sensibilidade do público relativamente à beleza relativa de determinado conjunto de paisagens (Lindemann-Matthies et al. 2010), ou ainda de aspectos particulares dessas paisagens decorrentes de diferentes estratégias de gestão (Ford et al. 2009; Tyrvaiinen, Silvennoinen & Kolehmainen 2003; Misgav & Amir 2001; Ribe 1999) ou de propostas alternativas de intervenção na paisagem (Sullivan & Lovell 2006; Steinitz 1990). Nota-se pois que, em especial nos estudos publicados a partir da década de 1990, o processo de avaliação da qualidade visual da paisagem passa a constituir uma ferramenta adicional no processo de apoio à tomada de decisão na gestão do território, influenciando o modo como se intervém na paisagem (Nassauer 1995; Nassauer 2004).

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No que se refere à metodologia, adopta-se a estrutura e conteúdo apresentado na revisão efectuada por Daniel e Vinning (1983), de acordo com os quais há cinco abordagens distintas para a avaliação da qualidade visual da paisagem, caracterizando cada uma delas quanto à sua fiabilidade, sensibilidade, validade e utilidade:

ƒ Abordagem ecológica: a abordagem ecológica é normalmente levada a cabo por um especialista (ou conjunto de especialistas) com formação em ecologia ou ciências biológicas. Consequentemente, atribui frequentemente demasiado peso à característica da ‘naturalidade’, penalizando quaisquer sinais de intervenção humana na paisagem. Quanto à sua fiabilidade e sensibilidade desta abordagem, estas dependem em boa parte da coerência e precisão do observador [especializado] encarregue da sua execução, mas apresenta a vantagem de permitir a validação a posteriori por um outro avaliador (ou conjunto de avaliadores) independente(s). Por outro lado, dado que não há garantias de que a intervenção humana não possa contribuir positivamente para a qualidade da paisagem, pelo que a validade da abordagem pode ser posta em causa nestas condições. Apesar disso, nas situações em que a exigência de elevados valores de naturalidade na paisagem seja um objectivo, esta abordagem pode ser considerada útil e desejável;

ƒ Abordagem estética [formal]: esta é, segundo os autores, uma das abordagens mais utilizadas na análise da qualidade visual da paisagem. A abordagem estética considera que a qualidade reside nas características formais (i.e., em elementos como composição, textura, cor e disposição espacial de estruturas lineares e pontuais), independentemente do contexto cultural dos observadores, da escala de observação e do grau de naturalidade/artificialidade da paisagem em causa. Defende-se também que este tipo de avaliação deve ser conduzido por observadores com formação específica para o efeito (i.e., por técnicos especializados). No entanto, a subjectividade de alguns conceitos utilizados nas avaliações efectuadas de acordo com esta abordagem (e.g. mistério, contraste, unidade, harmonia, complexidade) dificulta a avaliação objectiva da fiabilidade e

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sensibilidade do método. A validade desta abordagem é discutida por Daniel e Vinning (1983), que se questionam se a consideração estrita de aspectos formais (estrutura e composição) da paisagem poderá capturar “todos os aspectos esteticamente relevantes” dessa mesma paisagem, sendo apresentadas referências de estudos que concluem em qualquer dos dois sentidos (vd. Arthur (1977) e Buhyoff et al. (1978), por exemplo). Apesar disso, os autores salientam que o facto de esta ser uma das abordagens mais frequentes na avaliação da qualidade da paisagem sugere que a comunidade de investigadores e técnicos responsáveis pela elaboração desses estudos reconhece a utilidade da mesma;

ƒ Abordagem psicofísica: a abordagem psicofísica de avaliação da qualidade da paisagem pretende averiguar a existência de relações matemáticas entre algumas características da paisagem e a medida de apreciação resultante da percepção dessas paisagens por um conjunto de observadores. Por outras palavras, o objectivo desta abordagem é obter uma interpretação (precisa e objectiva) do padrão de qualidade visual da paisagem com base em apreciações expressas pelo público, relacionando-as com características visualmente detectáveis (e.g. forma do relevo, estrutura da vegetação, presença de estruturas construídas, etc.), identificadas como ‘factores’. Para tal os inquiridos são expostos a um conjunto de estímulos visuais (e.g. fotografias coloridas, projecção de diapositivos (Nassauer 1983; Ribe 1999; Tyrvaiinen, Silvennoinen & Kolehmainen 2003) ou de vídeo (Morgan 1999)) representativos das paisagens de uma região, os quais devem ser ordenados ao longo de uma escala [ordinal] de qualidade visual. Considerado um conjunto de características físicas, bióticas, estéticas (ou de outra natureza) representadas em cada imagem exibida, será possível inferir, através de técnicas estatísticas (de ordenação e/ou classificação), relações matemáticas entre as características consideradas e o valor qualidade visual atribuído a cada imagem pelo grupo (ou grupos) de inquiridos. Dada a natureza estatística das análises efectuadas, fica assegurada a fiabilidade da abordagem psicofísica, a qual tem sido testada por diversos autores (Hull IV & Buhyoff 1984; Palmer 2000; Palmer

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& Hoffman 2001), desde que cumpridos os pressupostos estabelecidos para cada procedimento estatístico utilizado (dimensão mínima da amostra, tipo de escala utilizada, distribuição forçada ou livre, etc.). Quanto à utilidade do método, Daniel e Vinning (1983) defendem que no curto prazo a sua utilidade é limitada, dado que ainda não há consenso quanto ao número e natureza das características das imagens (i.e., factores) a utilizar mas uma vez que esse consenso seja atingido então a abordagem revelar-se-á de grande utilidade pois será possível produzir zonamentos de qualidade visual de paisagem a partir de dados inventariados periodicamente, sem a necessidade de efectuar inquéritos;

ƒ Abordagem psicológica: a abordagem psicológica utiliza como indicadores de qualidade visual de paisagem as sensações e atitudes suscitadas pelas paisagens em todos aqueles que as visitam, habitam ou simplesmente as observam. Diversos autores apontam como obra seminal desta abordagem o livro de Kaplan & Kaplan (1989) intitulado “The experience of nature: a psychological perspective”. Consequentemente, o foco da presente discussão está na reacção afectiva (inicial ou pós-cognitiva) que se produz em cada indivíduo que experiencia determinado ambiente, partindo da premissa inicial que sustenta que as paisagens de elevada qualidade visual suscitam no observador sensações positivamente conotadas (conforto, segurança, liberdade, descontracção, alegria), ao passo que as paisagens de reduzida qualidade visual suscitam sensações negativamente conotadas (medo, hesitação, insegurança, tensão, desconfiança). Tipicamente, as reacções de cada inquirido são registadas sobre um leque diverso de escalas ordinais de reacção afectiva (e.g. nível de segurança sentido, utilizando um número restrito de classes entre “muito inseguro” e “muito seguro”)18 ou, alternativamente, utilizando outros métodos de análise tais como a «análise semântica diferencial» de Osgood, Suci & Tannenbaum (1971). Este último tipo de análise foi também utilizado por Shafer &

18 Estas escalas correspondem a variantes da escala de Likert (1932).

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Richards (1974) para comparar as reacções entre observação directa da paisagem e observação indirecta da paisagem (utilizando fotografias coloridas ou projecção de diapositivos coloridos), tendo concluído que quando as representações da paisagem (fotografias ou diapositivos, no caso) ilustram adequadamente a variabilidade dos ambientes naturais e artificiais, a medição da resposta obtida pela ‘análise semântica diferencial’ em ambas as situações é bastante similar, validando deste modo o uso da técnica fotográfica em estudos de avaliação da qualidade visual da paisagem. Estas conclusões foram também verificadas por Nassauer (1983) e Stewart et al. (1984).

ƒ Abordagem fenomenológica: esta abordagem coloca ainda mais ênfase na componente individual e subjectiva das reacções, expectativas e interpretações pessoais de cada observador, dado que conceptualiza a percepção da paisagem como “um encontro íntimo entre o observador e o ambiente em seu redor” (t.a.) (Daniel & Vinning 1983, p. 72) e não procede ao tratamento estatístico dos dados, ou os submete a algum outro tipo de análise de fiabilidade. Apesar de ser frequentemente utilizado para a ordenação de conjuntos restritos de paisagens de acordo com escalas relativas de excelência visual (i.e., na pesquisa do ‘sublime’ nas paisagens), a sua incorporação em estudos de gestão do território não é habitual. Como já foi referido, esta abordagem dá grande ênfase à sensibilidade em detrimento da fiabilidade. Consequentemente, os autores consideram a abordagem fenomenológica excessivamente sensível para que seja útil no processo de planeamento e gestão da paisagem, tanto mais que apenas uma pequena fracção da variabilidade nas apreciações expressas poderá ser atribuída a variações na paisagem, sendo a fracção dominante atribuída à individualidade interpretativa de cada observador.

Em síntese, Daniel e Vinning (1983) sustentam que as abordagens baseadas em conhecimento pericial (i.e., as abordagens ecológica e estética formal) não são as mais adequadas para elaborar estudos sobre a qualidade visual da paisagem dado que se verifica a existência de discrepâncias significativas entre a apreciação feita por técnicos com formação especializada. Lothian

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(1999) vai ainda mais longe, afirmando que as abordagens suportadas pelo ‘paradigma objectivista’ de análise da qualidade da paisagem (de acordo com o qual “a beleza é uma característica intrínseca da paisagem”19), são essencialmente subjectivas e não consensuais ao passo que as abordagens suportadas pelo ‘paradigma subjectivista’ (de acordo com o qual “a beleza reside no olhar do observador”20) são essencialmente objectivas e pressupõem a obtenção de critérios consensuais através de métodos rigorosos, replicáveis e suportados por quadros de referência teóricos. Também a abordagem fenomenológica é considerada pelos supracitados autores como desadequada, embora por razões muito distintas das anteriores (que se prendem fundamentalmente com a subjectividade e complexidade da informação recolhida), o que dificulta o seu tratamento subsequente, designadamente por métodos estatísticos. Consequentemente, apesar de os autores citados considerarem que nenhuma das abordagens responde cabalmente às exigências de fiabilidade, sensibilidade, validade e utilidade exigidas a priori, consideram que as abordagens psicológica e psicofísica se revelam mais robustas e indicadas para a prossecução de estudos de qualidade visual de paisagem, sugerindo mesmo que uma fusão criteriosa das duas abordagens poderá vir a revelar-se a melhor abordagem possível.

Finalmente, no que respeita às questões emergentes na investigação científica relacionada com o estudo da qualidade visual da paisagem, a revisão da produção científica produzida desde 2000 até à actualidade em revistas indexadas no ISI Web of KnowledgeSM permite concluir que:

ƒ Existe um aumento de publicações sobre o tema na área geográfica da Europa (Arriaza et al. 2004; Cañas, Ayuga & Ayuga 2009; de la Fuente de Val, Atauri & de Lucio 2006; Dramstad et al. 2006; Fyhri, Jacobsen & Tømmervik 2009; Jallouli & Moreau 2009; Junker & Buchecker 2008; Lafortezza et al. 2008; Lindemann-Matthies et al. 2010; Lindemann-Matthies, Junge & Matthies 2010; Matsinos et al. 2008; Ozguner & Kendle 2006; Sevenant & Antrop 2010; Soliva & Hunziker 2009; Surová & Pinto-correia 2008; Tveit 2009; Tyrvaiinen, Silvennoinen &

19 (Lothian 1999, p. 180).

20 (idem, ibidem).

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Kolehmainen 2003; van den Berg & Koole 2006; Vouligny, Domon & Ruiz 2009; van den Berg & Koole 2006), bem como nos Próximo e Médio Oriente (Ayad 2005; Bulut & Yilmaz 2008; Misgav & Amir 2001; Misgav 2000; Acar et al. 2006). No caso do espaço europeu, este fenómeno deverá, em parte, estar correlacionado com o surgimento, em 2005, da Convenção Europeia da Paisagem, segundo a qual os estados membros são instados a “estabelecer procedimentos para a participação do público, das autoridades locais e autoridades regionais, e de outros intervenientes interessados na definição e implementação das políticas da paisagem”21.

ƒ A investigação já não incide nas questões metodológicas que dominaram o debate ao longo das décadas de 1980 e 1990, no decurso das quais se discutia a validade do uso de fotografias em estudos sobre qualidade visual da paisagem (vd. Coeterier (1983), Nassauer (1983) ou Hull IV & Stewart (1992), por exemplo), ou a sua validade e fiabilidade (vd. Hull IV & Buhyoff (1984), ou Palmer (2000) e Palmer & Hoffman (2001), já nos primeiros anos da década de 2000). Actualmente a discussão metodológica centra-se na utilidade do uso das novas tecnologias de informação, designadamente em dois aspectos: elaboração de questionários online (Bishop & Miller 2007; Ode et al. 2009; Ozguner & Kendle 2006; Pfluger, Rackham & Larned 2010) e utilização de simulações digitais de paisagem enquanto estímulo visual (Lange & Hehl-Lange 2005; Bishop & Rohrmann 2003; Lafortezza et al. 2008).

ƒ Parte significativa dos estudos consultados procura tirar partido da informação resultante da avaliação da qualidade visual da paisagem com base na preferência expressa pelo público, de forma a melhorar as estratégias de gestão do território ou a garantir uma melhor aceitação das estratégias de gestão

21 Alínea c) do Art.º 5º da Convenção Europeia da Paisagem, concluída a 20 de Outubro de 2000 em Florença pelos estados-membros do Conselho da Europa, aprovada por Portugal pelo Decreto n.º 04/2005, de 14 de Fevereiro, ratificada a 29 de Março de 2005 (apud Aviso n.º 260/2005, da mesma data) e entrado em vigor a 1 de Julho de 2005.

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(delineadas pela administração) por parte da opinião pública. Exemplos de tais estudos podem sem encontrados em estudos elaborados em contexto rural (Junker & Buchecker 2008; Ozguner & Kendle 2006; Pfluger, Rackham & Larned 2010; Lindemann-Matthies et al. 2010) e também urbano (Yang et al. 2009; Sullivan & Lovell 2006; Tyrvaiinen, Silvennoinen & Kolehmainen 2003; Lafortezza et al. 2008). Esta situação denota uma certa mudança de atitude nos planeadores, actualmente mais atentos à opinião pública, a qual se tornou também mais exigente e crítica à medida que foi passando a ver a paisagem, através dos ecossistemas em presença, como uma entidade provedora de serviços ambientais (de suporte, produção e regulação) e também de serviços culturais, determinantes para a promoção do bem-estar humano (Figura 13), tal como vem enunciado na avaliação portuguesa do Millennium Ecosystem Assessment (Pereira et al. 2010).

Produção Regulação Culturais Bens produzidos ou Benefícios obtidos da Benefícios não aprovisionados pelos regulação dos materiais obtidos dos ecossistemas processos de ecossistemas ecossistema •alimento • espiritual •águadoce • regulação do clima •recreacional •lenha • regulação de doenças •estético •fibra • regulação de cheias •inspiracional • bioquímicos • destoxificação • educacional • recursos genéticos • simbólico

Suporte Serviços necessários para a produção de todos os outros serviços •Formaçãodo solo • Ciclos dos nutrientes • Produtividade primária Biodiversidade

Figura 13 – Serviços prestados pelos ecossistemas, segundo o quadro de referência estabelecido no Millennium Ecosystem Assessment (Pereira et al. 2010).

Esta questão encontra-se no cerne do paradigma de ‘paisagem multifuncional’, muito defendido na actualidade.

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ƒ Por fim, emergem ainda questões mais específicas, que se prendem com o impacte visual gerado por tipos específicos de estruturas como sejam aerogeradores (Bishop 2002; Lothian 2008) ou também como a observação da paisagem a partir de estruturas lineares como sejam as rodovias (Clay & Smidt 2004; Eby & Molnar 2002).

2.2.3 Síntese

A avaliação da qualidade cénica das paisagens tem sido alvo de investigação científica desde a década de 1960, em particular nos países anglo-saxónicos. A revisão bibliográfica efectuada distingue recorrentemente duas abordagens diferentes: a abordagem baseada em sistemas de avaliação criados por especialistas e a abordagem baseada na preferência expressa pelo público (ou sectores específicos deste).

Desde o início do presente século assistiu-se ao ressurgimento da investigação nesta matéria, bem como à sua expansão aos países europeus e do Próximo Oriente, com especial ênfase nas abordagens baseadas na preferência expressa pelo público.

Este fenómeno foi essencialmente motivado pelo seguinte conjunto de razões:

1. a mudança de paradigma de uso dos espaços produtivos (florestais e agrícolas) e também não produtivos (naturais), da monofuncionalidade para a multifuncionalidade, expandindo a noção de uso recreativo a toda a paisagem rural (Buijs, Pedroli & Luginbühl 2006);

2. o reconhecimento do valor da paisagem, num contexto socioeconómico e político de abrandamento da função produtiva de algumas terras (seguindo as actuais orientações da PAC) e de incentivo à prestação de outros tipos de serviços ambientais (conservação dos recursos solo e água, sequestro de carbono, combate à perda de biodiversidade, contribuição para o bem-estar físico e psíquico das populações) (Maulan, Mohd. Shariff & Miller 2006; Stoate et al. 2009);

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3. o surgimento da Convenção Europeia da Paisagem, através da qual os estados signatários são instados a estabelecer e aplicar políticas da(s) paisagem(s), visando a sua protecção, gestão e ordenamento, bem como a promover a crescente participação do público, das autoridades locais e regionais e de outros intervenientes interessados na definição e implementação das medidas anteriormente mencionadas (Steinitz & Muñoz Criado 2009).

As abordagens de uso mais generalizado na actualidade são as que exploram o modelo psicofísico de interpretação do conceito de qualidade visual da paisagem, com base na preferência expressa pelo público.

2.3 A FITOSSOCIOLOGIA E A SUA UTILIDADE COMO FERRAMENTA DE ESTUDO E GESTÃO DA PAISAGEM

dominate the biosphere. Plants feed all of humanity. They provide food and shelter for nearly all wildlife, and even regulate the climate. More than 99.9% of the biomass on Earth is plants, (…), of which 30% to 50% are at risk of extinction (…). That we understand and appreciate plants is an imperative for human survival.” (Keddy 2005, p. 145)

A «Geobotânica» é uma ciência ecológica que estuda a relação entre a vida vegetal e o ambiente terrestre, tanto na geobiosfera – fitocenoses22 terrestres – como na hidrobiosfera – fitocenoses aquáticas – (Rivas-Martínez 2007). Uma das suas disciplinas, ou ciências básicas, é a «Fitossociologia» (a par da Taxonomia Vegetal, da Bioclimatologia e da Biogeografia), através da qual se procura classificar e ordenar as fitocenoses num sistema hierárquico. Divide- se, normalmente, em três níveis de estudo (de crescente complexidade, gerada pela consideração da dinâmica temporal e dos gradientes ambientais existentes a diversas escalas espaciais): A Fitossociologia s.str., a Fitossociologia Dinâmica e a Fitossociologia Dinâmico-Catenal (idem, ibidem).

22 i.e., comunidades vegetais.

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O conhecimento dos fundamentos desta provecta ciência23 pode obter-se pela consulta de um elevado número de publicações, tanto em língua portuguesa (Capelo 2003; Aguiar 2000; Capelo 2007; Monteiro-Henriques 2010) como noutras línguas ocidentais, com destaque para a língua inglesa (Braun-Blanquet 1965; Rivas-Martínez 2005; Rivas-Martínez 2007), francesa (Géhu 2006a; Géhu & Rivas-Martínez 1981) e espanhola (Alcaraz 1996; Alcaraz 1999; Asensi 1996; Rivas-Martínez 2007; Rivas-Martínez 1996). A presente revisão pretende apresentar alguns dos conceitos fundamentais da ciência fitossociológica de modo a tornar evidente a utilidade e adequabilidade do uso da Fitossociologia enquanto ferramenta de gestão do território (fundamentalmente no caso dos territórios não urbanos), tanto por arquitectos paisagistas como por técnicos com várias outras formações académicas. A opinião anteriormente proferida não é recente, tendo já sido mencionada por outros autores, o que atesta a sua importância na área da Arquitectura Paisagista. Já em 1950 Caldeira Cabral defendia o mesmo ponto de vista, tal como se pode atestar na passagem constante do texto da 1.ª lição proferida aos alunos do curso livre de Arquitectura Paisagista desse ano:

“Igualmente indispensável se nos afigura a fitossociologia não só porque, trabalhando sempre com conjuntos de espécies, temos de ter uma noção das suas possibilidades de vida em comum, mas porque nos dá indicações preciosas sobre as possibilidades da paisagem e sobre o sentido da sua evolução.” (Caldeira Cabral 1993, p. 43)

Esta afirmação de Caldeira Cabral reflecte a sua sabedoria, a actualidade dos seus conhecimentos científicos e também o facto da sua formação em arquitectura paisagista ter sido obtida na Alemanha, entre 1936 e 1939 (Andresen 2001), em pleno período de consolidação e difusão da Escola de Fitossociologia Moderna ou Sigmatista24, que decorreu entre 1930 e 1945 (Géhu 2010) e no qual participaram ilustres botânicos alemães como sejam

23 Relativamente à evolução e história desta ciência centenária, vd. Géhu (2010).

24 A designação é uma clara alusão à Station Internationale de Géobotanique Méditerranéenne et Alpine, instituição bem conhecida pelo seu acrónimo «S.I.G.M.A.», que sob a carismática liderança do Dr. Josias Braun-Blanquet foi a instituição no âmbito da qual surgiram os trabalhos que impulsionaram a ciência fitossociológica no meio académico e científico de então.

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Reinhold Tüxen (então presidente da Comissão Nacional Alemã de Fitossociologia) e também Heinz Ellenberg.

De igual modo se podem recolher referências à utilidade da fitossociologia nos estudos da paisagem por parte de alguns dos mais reputados arquitectos paisagistas norte-americanos: McHarg (1992) menciona que no seu trabalho de 1967 relativo à elaboração de um plano de paisagem para a cidade de Washington25, se socorreu do conceito de ‘associação vegetal’ como conceito fundamental para explicitar as mudanças que ocorrem ao nível do coberto vegetal natural ou seminatural da região, as quais resultam de processos de adaptação às alterações das condições ambientais de cada local. O autor defende mesmo que o conjunto das associações vegetais resultante desta análise deve constituir a ‘paleta’ de comunidades a utilizar por todos os profissionais envolvidos no desenho da paisagem, ou na gestão da mesma. Também Lyle (1999) escreveu no seu livro “Design for Human Ecosystems” (originalmente publicado em 1985) que de entre os sistemas de classificação das comunidades vegetais o da escola do Dr. Josias Braun-Blanquet, era dos mais utilizados, baseando os critérios de classificação em medidas relativas de abundância de cobertura, sociabilidade, fertilidade, frequência e fidelidade, permitindo identificar as combinações de espécies que constantemente aparecem juntos em determinada posição de um ou vários gradientes ambientais. De igual modo, reconhecia a importância prática do sistema por este constituir uma sólida base conceptual para a concepção de ‘ecossistemas humanos’ estáveis e sustentáveis.

Torna-se pois evidente que a utilização sustentável da paisagem implica, na perspectiva de uma vasta gama de técnicos gestores do território nos quais se incluem os arquitectos paisagistas, o conhecimento profundo e cientificamente fundamentado da sua cobertura vegetal. Exemplos de estudos nos quais essa preocupação é evidente são frequentes, em particular em estudos sobre planeamento e gestão à escala municipal (Magalhães et al. 2007) ou mais especificamente em estudos de ordenamento e gestão de áreas protegidas (Ribeiro et al. 2002; Ribeiro et al. 2003). São aspectos particularmente relevantes neste contexto o conhecimento da estrutura, composição florística, sinecologia e comportamento perante a perturbação

25 O referido plano designou-se, no idioma original, “A Comprehensive Landscape Plan for Washington D.C.”

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(antrópica ou natural) das comunidades vegetais. Dado que é precisamente este o âmbito do conhecimento no qual opera a Fitossociologia, esta revela- se como uma ferramenta de grande utilidade no estudo, mas também no apoio à gestão da paisagem, em especial em contextos não urbanos.

2.3.1 Sobre a utilidade da Fitossociologia no estudo da Fitodiversidade

O conceito de «diversidade biológica», ou «biodiversidade», encontra-se definido no Artigo 2º da Convenção sobre a Diversidade Biológica26, segundo o qual:

“Diversidade Biológica significa a variabilidade entre os organismos vivos de todas as origens, incluindo, inter alia, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos dos quais fazem parte; compreende a diversidade dentro de cada espécie, entre as espécies e dos ecossistemas” (Decreto-Lei n.º 21/93 (D.R. I Série), de 21 de Junho, 3369)

Constata-se que o conceito se reveste de grande amplitude, abarcando diversos níveis de complexidade, o que dificulta a sua compreensão. No entanto, defende-se que todos os humanos terão uma ideia (pelo menos intuitiva) do significado do conceito e de que este é actualmente, considerado um dos critérios primordiais na definição de áreas prioritárias para a conservação da natureza, frequentemente apoiados na premissa de que áreas com elevada diversidade biológica merecem maiores esforços para a sua conservação (Loidi 2004). Por outro lado, dado que a ciência fitossociológica estuda apenas uma parte da componente biológica do meio – a parte respeitante ao Reino Vegetal, ou seja, à vegetação – estaremos na prática a referir-nos a uma parte da diversidade biológica dos ecossistemas, a qual se poderá designar por «fitodiversidade».

No que respeita à sua aplicação existem diversas linhas de investigação bastante activas, designadamente no que respeita a: diversidade de

26 A Convenção sobre a Diversidade Biológica foi adoptada, em 20 de Maio de 1992, pelo Comité Intergovernamental de Negociação, instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas, e aberta à assinatura em 5 de Junho de 1992, na Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento, tendo sido ratificada por Portugal através do Decreto-Lei n.º 21/93, de 21 de Junho, e entrado em vigor a 21 de Março de 1994.

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interpretações do conceito e de abordagens para a sua quantificação (Araújo 1998; Moreno 2001; Loidi 2004); perda de biodiversidade por alteração das condições ambientais, por acção antrópica ou por combinação de ambas (Fernández-González, Loidi & Moreno Saiz 2005; McNeely et al. 1995; Millennium Ecosystem Assessment 2005; Proença et al. 2009); formulação de estratégias para mitigar as perdas de biodiversidade, em especial as provocadas por acção antrópica (Comissão das Comunidades Europeias 2006; Novacek & Cleland 2001).

Sobre as diversas abordagens para a quantificação da biodiversidade (e por analogia, da fitodiversidade), considera-se que o conceito de diversidade tem sido associado a dois componentes distintos: riqueza e equitabilidade (Araújo 1998; Loidi 2004). Araújo (1998) defende que a preferência entre as duas abordagens varia consoante o peso que se pretende conferir a espécies raras e comuns, referindo que riqueza e equitabilidade representam dois extremos do mesmo conceito, dando a primeira medida mais peso relativo às espécies raras e a segunda maior ponderação às espécies comuns. Também Loidi (2004) salienta a complementaridade entre as duas estratégias de quantificação e, partindo da sistematização proposta por Whittaker (1972) para a caracterização da diversidade a diversas escalas espaciais, enuncia diversos tipos de diversidade (neste caso conotados com o conceito de riqueza específica), considerando os seguintes níveis: «Diversidade Alfa» (α-diversidade) – a diversidade associada a uma dada comunidade (ou unidade de amostragem); «Diversidade Beta» (β-diversidade) – a diversidade associada a um mosaico de comunidades; «Diversidade Gama» (γ-diversidade) – a diversidade associada a uma região, dentro da qual alguns autores incluem ainda: «Diversidade Delta» (δ-diversidade) – a diversidade associada a complexos de paisagens (grandes amplitudes territoriais, ou geográficas); «Diversidade Ómega» (ω-diversidade) – a diversidade associada à totalidade do planeta.

Sobre o nível de complexidade a que o estudo da diversidade vegetal por via da Fitossociologia se efectua, este ocorre em simultâneo a dois níveis: ao nível das espécies e ao nível das comunidades. Ao nível das espécies, dado

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que no cerne da metodologia fitossociológica está o procedimento de elaboração de inventários fitossociológicos, no decurso dos quais se elaboram listagens dos táxones (ao nível mínimo de discriminação taxonómica da espécie, mas considerando com frequência níveis taxonómicos infra-específicos) e se registam os respectivos coeficientes de abundância-dominância, a par de um conjunto de outras informações sobre a área inventariada, como sejam a sua dimensão, caracterização estrutural da comunidade e variáveis de habitat e de paisagem (Capelo 2003). Será também evidente que a Fitossociologia estuda a diversidade vegetal ao nível das comunidades, dado que são este o seu objecto de estudo. Saliente-se que Monteiro-Henriques (2010), reflectindo sobre o conceito de nicho ecológico e suas características27, deduziu que os nichos das comunidades vegetais são menores e mais homogéneos do que os nichos das entidades a outros níveis de complexidade (sejam estes o nível espécies ou o das séries ou mosaicos de vegetação). Esta característica confere ao nível das comunidades vegetais elevado poder discriminativo no que respeita à tipificação de indivíduos e respectiva caracterização ecológica. Finalmente, coloca-se ainda o problema das lacunas de conhecimento, designadamente ao nível do conhecimento taxonómico: uma parte bastante significativa da diversidade da vida na Terra permanece desconhecida. De acordo com Heywood & Watson (1995), as estimativas para o número total de espécies varia entre os improváveis valores de 3,6 milhões a 100 milhões, sendo o valor mais plausível da ordem dos dez milhões. Destas, apenas cerca de 1,5 a 1,8 milhões foram descritas pela ciência (Wilson 2003). Mesmo os organismos mais complexos esperam por uma contabilidade exacta. No que se refere às plantas vasculares, um dos grupos preferidos dos naturalistas durante séculos, estas não devem atingir as 300 000 espécies descritas, sendo que a cada ano 2000 novas espécies são adicionadas à lista mundial do International Names Index (IPNI) (idem, ibidem). No caso dos animais, a situação foi recentemente retratada por Carbayo & Marques (2011), através da seguinte afirmação:

27 Por analogia com o conceito de nicho realizado de uma espécie, tal como enunciado por Hutchinson (1957), o nicho realizado de uma associação foi definido por Monteiro-Henriques (2010) como um hipervolume teórico n-dimensional que contém a nuvem de pontos cujas coordenadas são os valores medidos para cada uma das n variáveis ambientais consideradas. A este hipervolume o autor chamou ‘sin- habitat’.

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“(…) the main immediate obstacle to cataloging animal diversity is undoubtedly the small and inadequate number of proficient taxonomists (the ‘taxonomic impediment’). At the current rate (average of 16,000 species per year), the present generation of trained taxonomists would take around 360 years to fully catalogue world animal diversity. Increasing the number of working taxonomists would take a significant amount of time because it takes a long time to train and develop taxonomists.” (Carbayo & Marques 2011, p. 155)

No caso da fitossociologia, o panorama será um pouco mais animador: no quadro da Península Ibérica, a checklist das comunidades vegetais até ao nível da associação preparada por Rivas-Martínez et al. (2001) enumera mais de 2500 associações para o território peninsular. A lista nacional de sintáxones, cuja preparação está em curso sob a orientação de J. C. Costa, totaliza 755 associações, repartidas por 236 alianças, 114 ordens e 64 classes (J.C. Costa, com. pess.). Ainda que esta lista possa crescer um pouco nos próximos anos, estará seguramente menos incompleta que as listas de espécies relativas à maioria dos grupos de seres vivos28. Conclui-se assim, analisando os atributos da informação fitossociológica, a sua representatividade e completude, que é possível não apenas estimar índices de diversidade biológica (fitodiversidade) com base nessa informação, mas fazê-lo em diversas escalas espaciais, tomando em consideração os conceitos e unidades hierárquicas geradas pela Fitossociologia. Como exemplos, referem-se os estudos de cartografia de séries de vegetação elaborados a diversas escalas e âmbitos geográficos, desde os estudos de caracterização de todo o espaço europeu (Bohn & Neuhäusl 2000), aos estudos de âmbito nacional (Blasi 2010; Rivas-Martínez 1987; Rivas-Martínez 2007; Lawesson 2004), passando pelo âmbito territorial das regiões autónomas espanholas (Loidi & Báscones 2006; Loidi et al. 2009) e finalizando em estudos locais, à escala de uma área protegida (Costa, Espírito-Santo & Arsénio 2010) ou de um município (Lousã et al. 2005; Lousã et al. 2006). Para além de enunciar as séries de vegetação presentes nos territórios estudados, estes trabalhos caracterizam de forma aprofundada cada unidade tipificada, incluindo a sua corologia, enquadramento

28 Atente-se, por exemplo, nas estatísticas globais, segundo as quais a taxa total de organismos vivos já descritos varia entre 2% e 50%, com um valor mais plausível à volta dos 20%. E quanto mais pequenos os organismos, pior o cenário.

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bioclimático e biogeográfico, conteúdo florístico (com referência a espécies indicadoras, diferenciais e também as espécies com interesse para conservação), os usos do solo característicos para cada série e o seu estado de conservação.

2.3.2 Sobre a utilidade da Fitossociologia no estudo da dinâmica das fitocenoses

Foi nas décadas de 1970-1980 que se produziu a evolução da Fitossociologia clássica (ou Sigmatista) para a Fitossociologia Dinâmica (ou Paisagista), a qual tem como conceito central a «série de vegetação» (Géhu & Rivas- Martínez 1981; Rivas-Martínez 1976), conceito este que se encontra estreitamente associado ao de «sucessão ecológica» (Clements 1916; Clements 1928). Através do conceito de ‘sucessão ecológica’ reconhece-se que a componente vegetal da biosfera é dotada de dinamismo, o qual ocorre numa escala temporal da ordem de séculos (ou pelo menos de largos decénios) e que, fruto desse mesmo dinamismo, é possível detectar mudanças nas comunidades vegetais que ocorrem num território (em certa medida)29 ecologicamente homogéneo, nomeadamente ao nível da estrutura, composição florística e abundância relativa das espécies vegetais em presença. Essa lenta evolução decorre percorrendo ‘patamares [ou estádios] metaestáveis’ correspondentes a distintas comunidades (identificáveis pela metodologia fitossociológica clássica). A transição entre esses patamares é determinada por um complexo conjunto de mecanismos ditos ‘de sucessão’, com origem natural ou antrópica, que podem produzir alterações no sentido do aumento da complexidade estrutural, da biomassa e da riqueza específica, conduzindo à saturação cenótica do cenótopo30 (mecanismos de sucessão progressiva), ou do seu decréscimo (mecanismos de sucessão regressiva) (vd., por exemplo, Capelo (2003) ou Loidi (2009)). Ao conjunto das fitocenoses

29 Naturalmente, as relações que se estabelecem entre biosfera e geosfera determinam também o comportamento dinâmico da geosfera, ou seja, haverá sempre alguma alteração do contexto ecológico do espaço em questão, nomeadamente em termos de desenvolvimento pedogenético, e condições higrométricas, microclimáticas, etc., ainda assim, dentro de certos intervalos de variação, esse território poderá ser considerado ecologicamente homogéneo.

30 A avaliação da saturação cenótica pode ser efectuada pela razão entre a produtividade primária da fitocenose e os seus gastos energéticos em respiração. Nas fitocenoses ‘saturadas’, essa razão tenderá para o valor um, sendo este comportamento típico dos bosques naturais bem desenvolvidos.

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que podem ser encontradas em espaços tesselares afins (i.e. ecologicamente similares), que se encontram relacionadas entre si por mecanismos de sucessão (Figura 14), dá-se o nome de ‘Série de Vegetação’ (Rivas-Martínez 2007). Neste conjunto encontram-se tanto a fitocenose que corresponde ao estado final da sucessão, designada por «etapa madura» ou «cabeça de série», como as que correspondem aos estados iniciais e intermédios do processo de sucessão, também designadas por «etapas subseriais».

Dominant plant life form

Meso- Slow growing Climactic Fast growing secondary forest secondary -phanerophytes forests forests Micro- Heliophyllous tall -phanerophytes communities

Nano- Low scrub -phanerophytes communities

Chamaephytic Chamaephytic Chamaephytes succulent shruby communities communities

Hemi- Loose soils Oligotrophic and/or Mesotrophic perennial pioneer perennial perennial -cryptophytes grasslands grasslands grasslands

Therophytic Annual Therophytes succulent forb/grass communities communities

Primary productivity (ordinal scale)

Figura 14 – Modelo teórico do processo de sucessão ecológica, com base numa tipologia ecofisionómica de comunidades vegetais (Aguiar, inéd.)

A série de vegetação constitui a unidade teórica fundamental da Fitossociologia Dinâmica, resultando da união de uma tessela (espaço geográfico de ocorrência da série) com o seu «habitat» (espaço abstracto multidimensional do conjunto dos factores ecológicos, ocupado pela série) e com o conjunto de comunidades, associadas entre si pelos processos de sucessão, que ocupam esses espaços (comunidades subseriais + respectiva ‘cabeça de série’). Por tal razão, para nomear correctamente uma série de vegetação, importa mencionar não apenas o seu nome (de acordo com o código internacional de Nomenclatura Fitossociológica (Weber, Moravec & Theurillat 2000)), mas também as suas características ecológicas e geográficas mais importantes através de uma frase que indique ordenadamente: âmbito biogeográfico, carácter bioclimático, afinidades edáficas, assim como a espécie dominante na associação denominada ‘cabeça de série’ (Rivas- Martínez 2007). No sentido estrito, o nome de uma série de vegetação corresponde ao nome da associação que constitui a ‘cabeça de série’, à qual se substitui o sufixo -etum pelo sufixo -eto, seguido do epíteto sigmetum.

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No estádio final da sucessão – em condições ecológicas médias para determinado contexto climático e sobre solos zonais – atinge-se a fase final da sucessão ecológica, a qual se caracteriza pela existência de comunidades vegetais no estado máximo de maturidade ecológica (máximo de biomassa e diferenciação estrutural) designadas por «comunidade clímax» ou «vegetação climácica». Com base nos trabalhos de Rivas-Martínez (1976) e Capelo (2003), apresenta-se uma síntese dos principais conceitos relacionados com a noção de ‘clímax’.

ƒ «Clímax climatófilo»: último estágio da vegetação que se desenvolve sobre solos que retêm apenas água da chuva (i.e., perfazendo a capacidade de campo do solo e drenando a água restante), profundos e sem excesso de iões fitotóxicos, mantendo- se em equilíbrio com o macrobioclima regional. Em termos fisiográficos, correspondem às situações planas ou de meia encosta («euclimatopos», apud Capelo (2003)).

ƒ «Clímax (edafófilo) edafoxerófilo»: último estágio da vegetação que se desenvolve no âmbito climático anteriormente referido mas em situações fisiográficas em que se verifica a redução da espessura de solo vivo (cristas ou paredes rochosas, por exemplo), o que resulta numa reduzida capacidade de retenção da água proveniente da precipitação. Nestes biótopos desenvolvem-se comunidades com menores necessidades em água (comunidades xerofíticas). A secura anormal tem portanto origem nas condições topográficas e de solo.

ƒ «Clímax (edafófilo) edafo-higrófilo»: último estágio da vegetação que se desenvolve sobre solos pedogeneticamente evoluídos, mas em fundos de vale ou bacias endorreicas com drenagem hídrica deficiente. Nestas situações existe um excesso de água de origem freática que se soma à água proveniente da precipitação. Correspondem, por exemplo, às florestas de galeria ripícola, as quais foram anteriormente também designadas por Subclímax (Rivas-Martínez 1976).

ƒ «Clímax paraclimácico»: último estágio da vegetação que se desenvolve sobre solos oligotróficos (i.e., muito pobres em nutrientes minerais) (Tüxen 1956; Rivas-Martínez 1976). Géhu

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(2006b) afirma que alguns autores franceses utilizaram, de forma errada, o termo ‘paraclimácico’ para se referirem a comunidades resultantes de perturbações humanas de longa duração, mas que esse não é o sentido original do termo, devendo evitar utilizar-se no referido caso.

ƒ «Clímax disclimácico»: apesar do conceito de clímax de Clements (1936) não ser o mesmo dos autores europeus (vd. Capelo (2003)), o conceito de disclímax tem sido utilizado indistintamente para designar comunidades sucessionalmente evoluídas, distintas do clímax, que resultam de processos de perturbação recorrentes e frequentemente (mas não obrigatoriamente) associados a actividades humanas. São exemplo deste tipo de vegetação as formações pirófilas, i.e., adaptadas à passagem frequente de fogos, que por essa causa se estabelecem com grande dominância e resiliência, constituindo um ‘impasse sucessional’ difícil de suplantar.

Um conceito adicional que importa discutir é o de «permassérie de vegetação». Este conceito corresponde a uma versão particular de série de vegetação, normalmente associada a um contexto ecológico muito localizado e específico31 («microtessela», ou «permatessela»), no qual a sucessão em direcção ao clímax se viu bloqueada numa etapa perene geralmente mal estratificada e pobre em estágios subseriais não anuais (Rivas-Martínez 2005). Este é o caso de vários locais com contextos climáticos particulares (territórios polares, hiperdesertos, topos de altas montanhas) ou situações geomorfológicas muito específicas (cristas rochosas, paredes ou escarpados rochosos e respectivas fissuras, dunas móveis, arribas costeiras, turfeiras, margens de rios, margens de lagos e charcos, nascentes, sapais e charcos temporários). Nestas condições, além das comunidades constituídas por espécies anuais efémeras e outras que possam estabelecer-se temporariamente em zonas abertas ou degradadas, apenas a comunidade perene original pode subsistir, reorganizando-se de forma cíclica e permanente (idem, ibidem).

31 De acordo com Loidi et al. (2009, p. 79), a especificidade ecológica das permatesselas decorre da existência no local de (pelo menos) um factor limitante do desenvolvimento vegetal, ou seja, indutor de stress. São exemplos desses factores a elevada salinidade, a higromorfia ou o vento excessivo.

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2.3.3 Sobre a utilidade da Fitossociologia no estudo da distribuição espacial das fitocenoses

Naturalmente, o dinamismo temporal não constitui o único processo que determina a existência de mosaicos de fitocenoses na paisagem. Esse mosaico, evidente em diversas escalas de observação, é também determinado pela heterogeneidade natural da geosfera, resultante da combinação de condições particulares de Geologia/Geomorfologia, Litologia/Pedologia e Clima. Como tal, existe uma diversificada paleta de combinações de elementos e de processos geológicos, a qual actualmente se designa por «geodiversidade», que constitui a ‘fundação’ de qualquer contexto ecológico. A vegetação (inter)relaciona-se com essa realidade, resultando assim num novo nível de complexidade a que é necessário atender no momento de ‘ler a paisagem vegetal32’ e dela obter um conjunto valioso e diversificado de informação sobre a mesma.

As «geosséries de vegetação», as quais se identificam pelo epíteto geosigmetum, constituem a unidade básica e objecto de estudo da Fitossociologia Dinâmico-Catenal. Para tal importa discernir, ainda que sinteticamente, um conjunto de situações ecológicas particularmente importantes para a distribuição espacial das fitocenoses. Considerando a macroescala, salientam-se a existência de gradientes ecológicos, fundamentalmente de natureza climática, que influenciam a distribuição da vegetação à escala global: os «gradientes altitudinais» e os «gradientes latitudinais». São estes os gradientes os que justificam as alterações observáveis na vegetação, à medida que se percorre um continente no sentido N-S, ou se sobe uma montanha33, respectivamente. Consequentemente, porque cada série de vegetação tem uma circunscrição bioclimática própria, estas estarão dispostas ao longo dos gradientes climáticos altitudinais e latitudinais, formando «andares de vegetação». A

32 Sem prejuízo de outras definições mais complexas e objectivas de ‘paisagem vegetal’ existentes (vd. Capelo (2003)) o termo será utilizado neste texto tomando o significado de ‘mosaico de comunidades vegetais (de origem natural, seminatural ou antrópica) que num deternimado instante recobrem a superfície de uma dada paisagem’.

33 O gradiente altitudinal é mais evidente que o latitudinal pois, atentando apenas na temperatura, por cada 100 m de ascensão ao longo da vertente de uma montanha produz-se uma descida de temperatura de

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uma sequência de pisos de vegetação, dispostos ao longo de um gradiente climático (altitudinal ou latitudinal), dá-se o nome de «catena clisserial» ou «geossérie clisserial».

Há também que referir a existência de um segundo tipo de catena de vegetação cuja observação é patente a outra escala de observação (a mesoescala): a «catena topográfica», ou «geossérie topográfica». Refere-se este conceito ao zonamento que se produz ao longo do modelo topográfico (ou geomorfológico) genérico, do tipo ‘cabeço-encosta-vertente-vale’ e que se encontra fortemente relacionado com um conjunto de gradientes edáficos observáveis no modelo. Rivas-Martínez (2007) refere-se aos referidos gradientes, discutindo as suas principais características, nos seguintes termos:

“Tal marco topográfico elemental de referencia [a catena topográfica] permite destacar los tres aspectos geomorfológicos más generales de cualquier catena completa. Las estaciones más xéricas coinciden con las crestas o zonas abruptas, las más húmedas o higrófilas siempre se hallan en valles, depresiones o surgencias de agua, en tanto que las situadas entre ambas, las mesofíticas, y submesofíticas, corresponden a lo que denominamos ladera poco inclinada o piedemonte. El agua de lluvia por gravedad tiende a desplazarse hacia los valles tanto por escorrentía como por percolación, creando con ello una secuencia de humedad creciente en los suelos por aporte oblicuo. Al mismo tiempo, la erosión hídrica debida a la lluvia favorece la disgregación y arrastre de partículas y solutos hacia abajo, lo que hace incrementar el espesor y trofia de los suelos hacia los piedemonte y los valles.

En el marco elemental descrito -que naturalmente se puede diversificar mucho según sea la escabrosidad del relieve, la litología y composición de los suelos- es donde se ubican armónicamente las comunidades vegetales y donde se producen los fenómenos sucesionales y catenales tendentes a equilibrar el biosistema. La distribución de la vegetación en el modelo general ‘cresta-ladera-piedemonte-valle’, va desde la más resistente a la xericidad, que ocupa las crestas y los suelos más secos (series edafoxerófilas), a la más exigente en humedad que se sitúa en los valles y depresiones

cerca de 0.65º C. Para obter semelhante descida na temperatura média ao longo de um trajecto N-S, será necessário percorrer uma distância de cerca de 100 km (Alcaraz 1999).

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adyacentes a los ríos y a las capas freáticas superficiales, que suelen anegar temporalmente los suelos (series edafohigrófilas), quedando la intermedia en aquellos espacios más acordes con lo estrictamente aportado por las lluvias a lo largo del año o con un incremento estacional moderado de agua en suelo durante las épocas de lluvia (series climatófilas: submesofíticas, mesofíticas y temporihigrófilas).” (Rivas-Martínez 2007, p. 81)

Fica patente nesta descrição o conjunto de factores edáficos cuja variação determina a alteração da vegetação e cujo gradiente se encontra correlacionado com a posição topográfica dentro do modelo descrito: higromorfia, grau de trofia e profundidade do solo. Neste aspecto, o modelo é de resto bastante semelhante (e possivelmente inspirado) no modelo de ‘Catena de Solo’ proposto por Milne (1935).

Por analogia com o exposto no que se refere às séries e permasséries de vegetação, importa referir a existência de versões particulares de geosséries, às quais se atribui o nome de ‘Geopermassérie de vegetação’34, a qual se refere a uma catena de permasséries dispostas ao longo de um marcado gradiente ecológico decorrente de situações topográficas ou edáficas específicas, geralmente expressas à microescala, tais como paredes e escarpas rochosas, rochedos litorais batidos pelo mar, sapais, campos dunares, turfeiras, margens de lagoas, etc.

2.3.4 Síntese

A Fitossociologia Dinâmico-Catenal constitui uma ferramenta de grande utilidade para os Arquitectos Paisagistas (e demais gestores do território), dado que o estudo das comunidades vegetais através desta ciência permite:

ƒ inferir a geodiversidade do território, bem como a sua diversidade climática;

34 Este conceito, outrora conhecido pelo termo microgeosigmetum, tem sido alvo de grande discussão, nomeadamente porque apenas admitia permasséries (ou microsigmeta) i.e., séries constituídas por uma única comunidade permanente na série, o que deixava de fora alguns ‘complexos de vegetação’ que, ocupando microtesselas de elevada especificidade ecológica, continham séries não climatófilas com mais de uma comunidade permanente. Consequentemente, alguns autores sugerem que se abdique do conceito de geopermassérie, utilizando em todas as situações a designação de geossérie (vd. Alcaraz (1996) ou Monteiro-Henriques (2010), por exemplo) .

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ƒ conhecer a diversidade do património natural vegetal, o qual constitui a maior parte da biomassa presente na paisagem, é responsável pela sua produtividade primária e presta serviços ambientais e sociais de indiscutível relevância;

ƒ perceber as relações de dinamismo que se estabelecem entre as comunidades vegetais presentes, independentemente da origem da força motriz (natural ou antrópica), facilitando a análise retrospectiva (e também prospectiva) da evolução da paisagem;

ƒ perceber a influência dos factores ecológicos que determinam o arranjo espacial dos mosaicos de comunidades na paisagem. Tal característica é fulcral para a interpretação do funcionamento da paisagem, da qual depende o seu uso sustentável;

ƒ relacionar todo o conhecimento obtido com outras abordagens ao estudo da paisagem. A título de exemplo, refere-se a total compatibilidade entre o zonamento decorrente da análise fitossociológica (catenal) da paisagem, quando comparada com o zonamento obtido pela análise da morfologia da paisagem proposta por Magalhães (2001; Magalhães et al. 2007) (Figura 15).

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Figura 15 – Correlação espacial entre formas simples de relevo, unidades fundamentais da carta de morfologia da paisagem (Magalhães et al. 2007; Magalhães 2001) e unidades fundamentais da Fitossociologia Dinâmico-Catenal. I – Formas simples de relevo; II – Unidades fundamentais da carta de morfologia da paisagem; III – Unidades fundamentais da Fitossociologia Dinâmico-Catenal.

Pelas razões acima apontadas, a Fitossociologia Dinâmico-Catenal é, no contexto na gestão do espaço rural, um excepcional modelo de explicação/antevisão das alterações produzidas no coberto vegetal, quer por causas naturais, quer por causas antrópicas.

No âmbito do planeamento ambiental a utilização de modelos reveste-se de grande importância, tal como o evidencia a metodologia proposta por Steinitz (2003), a qual estabelece um quadro de referência para a realização de estudos de gestão da paisagem à escala regional. A referida metodologia defende o estabelecimento de cenários de gestão alternativos como forma de apoio à tomada de decisões, considerando os impactes ecológicos e económicos mais significativos (Figura 16).

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Figura 16 – Modelo de alteração da paisagem para a criação de futuros alternativos (Steinitz 2003). Extraído de (Dangermond 2010)

Para tal o conhecimento pericial dos diversos especialistas envolvidos torna- se determinante na correcta previsão dos padrões de alteração da paisagem, com base em diferentes conjuntos de hipóteses sobre a quantidade e o tipo de pressões que a região enfrenta no médio prazo, de acordo com distintas estratégias e políticas de desenvolvimento e conservação. No que se refere à modelação das alterações no coberto vegetal (i.e., à utilização de um ‘vegetation change model’) o recurso à fitossociologia paisagista afigura-se não apenas como possível mas também recomendável.

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3 QUALIDADE VISUAL DA PAISAGEM DO SUDOESTE ALENTEJANO

"Belo não é ‘o gosto pessoal’, é ‘todos os gostos pessoais’." (Almada Negreiros 1982, p. 250)

3.1 INTRODUÇÃO

No presente capítulo será desenvolvido um estudo da qualidade visual da paisagem do Sudoeste Alentejano recorrendo a uma metodologia psicofísica, que permitirá obter um modelo espacialmente explícito da qualidade visual da paisagem tendo por base as apreciações expressas pelo público. O dito estudo utilizará como estímulo um conjunto de fotografias coloridas representativas das paisagens da área em estudo, as quais serão ordenadas ao longo de uma escala ordinal de qualidade visual. A partir da informação obtida deste modo será então possível elaborar, através de análise inferencial, um modelo matemático capaz de produzir uma interpretação genérica do padrão de preferência expresso pelo conjunto dos indivíduos inquiridos, em função de um conjunto de características físicas, bióticas e culturais da paisagem, de modo a permitir a sua tradução num mapa final de qualidade visual da paisagem.

Assim sendo, o procedimento metodológico adoptado consistirá na sequência acoplada dos seguintes procedimentos: Avaliação Q-Sort + Regressão linear + Álgebra de mapas.

Chama-se a atenção para o facto de uma parte do conjunto de dados utilizado, bem como uma parte da metodologia empregue no estudo, terem sido já apresentados por Mendes (2010), no âmbito da dissertação de mestrado apresentada e cuja orientação foi assegurada pelo autor do presente capítulo.

3.2 ESTUDO DA QUALIDADE VISUAL DA PAISAGEM COM RECURSO À METODOLOGIA Q-SORT

A metodologia «Q-Sort» foi uma metodologia de análise factorial invertida proposta originalmente por Stephenson (1953) para a avaliação psicológica da personalidade humana, apresentando-se como um método matemático alternativo aos até então existentes para lidar com a subjectividade da

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opinião do público (Block 1961; Pitt & Zube 1979; ten Klooster, Visser & de Jong 2008). Vários autores reconheceram também a aptidão da metodologia em resolver problemas complexos de classificação de subgrupos, de acordo com um conjunto de características intrínsecas partilhadas por elementos de um mesmo subgrupo (vd. ten Klooster, Visser & de Jong (2008, p. 513)). Pitt & Zube (1979) propuseram a sua utilização como método psicométrico de avaliação da qualidade visual da paisagem, colocando em evidência a validade, fiabilidade e utilidade do método.

Desde então vários autores têm utilizado com sucesso o método, confirmando a sua utilidade e facilidade de implementação, bem como a qualidade e objectividade dos resultados obtidos (vd. Dearden (1984), Swaffield & Fairweather (1996), Steinitz (1990), Misgav (2000), Fairweather & Swaffield (2001), Palmer (2004) e Steinitz & Muñoz Criado (2009)).

De acordo com ten Klooster, Visser & de Jong (2008) o método Q-Sort é implementado em quatro etapas:

1. Recolha de informação relevante no âmbito do tema a tratar, com vista à preparação do inquérito;

2. Selecção e preparação dos itens a utilizar no inquérito (Q-sample) e estruturação do mesmo. Nesta fase os dois aspectos considerados cruciais para a estruturação do inquérito são o número de itens a utilizar e o esquema de distribuição forçada a utilizar. Relativamente ao esquema de distribuição forçada, geralmente representativo da distribuição normal, é necessário decidir quantas classes de valor serão utilizadas e qual o número de itens a atribuir em cada classe. Também na fase de preparação da Q-sample se procede à formulação de hipóteses a testar (na fase de análise dos dados) com base num conjunto de factores considerado;

3. Ordenação dos itens de inquérito de acordo com o esquema de distribuição forçada adoptado (Q-sort), tarefa executada por cada um dos indivíduos amostrados;

4. Análise dos dados.

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Nas análises Q-sort à qualidade visual da paisagem os itens de inquérito utilizados com mais frequência são as fotografias de paisagem35 coloridas. Vários foram os estudos que investigaram a validade da sua utilização como substitutos da experiência directa (imersiva) da paisagem, verificando-se a existência de um consenso relativamente generalizado quanto à aceitação da sua utilização em estudos sobre apreciação da qualidade visual da paisagem (Shafer & Richards 1974; Nassauer 1983; Hull IV & Stewart 1992), com óbvias vantagens no que respeita à redução de custos e tempo de execução dos inquéritos. Consequentemente foi realizado na área de estudo, no período de 2009-2010, mais de um milhar de fotografias de paisagem com vista á constituição de um fundo de imagens a partir das quais se pudesse formar a Q-sample a utilizar no estudo. As referidas imagens foram obtidas tentando cumprir um conjunto de regras que permitisse a constituição de uma amostra relativamente homogénea e desprovida de características que pudessem influenciar negativamente o estudo, constituindo ruído indesejável na fase de análise numérica dos dados. Assim, o seguinte conjunto de regras foi estabelecido:

ƒ Orientação e altura do horizonte: todas as fotografias foram obtidas com orientação horizontal, fixando sempre que possível a linha do horizonte na transição entre o primeiro e o segundo terço da imagem, a contar do topo;

ƒ Distância focal: todas as fotografias foram obtidas utilizando distâncias focais entre 35 e 90 mm;

ƒ Sazonalidade: apenas foram utilizadas fotografias obtidas durante os meses de Março, Abril ou Maio dos anos 2009 e 2010;

ƒ Condições atmosféricas: foi dada prioridade às imagens obtidas em dias de céu limpo. Apenas quando não foi possível escolher fotografias com céu limpo se recorreu a fotografias com céu nublado, o que acabou por acontecer em 40% das imagens. As condições de nebulosidade admitidas foram, ainda assim, consideradas como indicativas de boas condições meteorológicas,

35 i.e., fotografias terrestres oblíquas, em posição horizontal e com baixas distâncias focais.

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não sendo admitidas na Q-sample quaisquer fotografias representativas de condições atmosféricas adversas;

ƒ Conteúdo: as fotografias seleccionadas partilham similaridades no que respeita à ausência de pessoas (com excepção de duas fotos em contexto urbano, mas nas quais a presença das figuras humanas é pouco perceptível), à ausência de animais ou campos floridos evidentes e ao preenchimento do primeiro plano da imagem (na medida do possível) com apenas um tipo de cobertura do solo, a qual deveria encontra-se à meia distância e não apenas na área de vizinhança das primeiras dezenas de metros;

Relativamente ao estabelecimento das hipóteses a testar no âmbito da análise da qualidade visual da paisagem, considerou-se que a explicação da preferência do público deveria basear-se em aspectos relativos às três componentes da paisagem: física, biótica e cultural. Esta questão, que já tinha sido identificada por Daniel & Vinning (1983) e Fairweather & Swaffield (2001), vai ao encontro da discussão apresentada no Capítulo 2.1.3. Assim, foram seleccionados como factores determinantes para a apreciação da qualidade da paisagem dois factores relativos à componente física da paisagem (‘visibilidade para as massas de água’ e ‘formas do relevo’, respectivamente), dois factores relativos à componente biótica da paisagem (‘densidade de cobertura vegetal’ e ‘estrutura fisionómica da vegetação’) e também dois factores relativos à componente cultural da paisagem (‘visibilidade para elementos de património construído’ e ‘carácter tradicional da paisagem’). Os referidos factores foram considerados sob a forma de gradientes, de modo a poderem ser representados por variáveis ordinais e deste modo poderem integrar a análise de regressão linear subsequente. Em termos práticos, a inclusão dos factores acima referidos é traduzida no seguinte conjunto de hipóteses, a testar estatisticamente:

1. Visibilidade para massas de água: a qualidade visual da paisagem é tanto mais elevada quanto maior e mais próxima for a presença de planos de água no campo visual considerado. Resultados semelhantes foram obtidos em numerosos estudos (Ulrich 1983; Steinitz 1990; Gülez 1996; Steinitz & Muñoz Criado 2009);

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2. Formas de Relevo: a qualidade visual da paisagem está positivamente correlacionada com valores crescentes de movimentação das formas do relevo, i.e., a preferência do público é mais elevada em situações de relevo mais movimentado (Steinitz 1990);

3. Densidade de cobertura vegetal: a qualidade visual da paisagem é superior em situações de maior cobertura vegetal, i.e., quanto mais ‘verdes’ forem as paisagens, maior a sua qualidade visual (Smardon 1988);

4. Estrutura fisionómica da vegetação: a qualidade visual da paisagem encontra-se inversamente correlacionada com a estrutura predominante no coberto vegetal (Bulut & Yilmaz 2008). Considera- se que esta hipótese se fundamenta em algumas das características apontadas, entre outros, por Ulrich (1986) a paisagens naturais (‘não espectaculares’, como o próprio salienta) que recebem boa apreciação pela opinião pública. Este factor estará decerto co- associado a outras características como sejam a facilidade de progressão dentro da paisagem e também a maior profundidade do campo de visão, as quais constituem também critérios com algum peso na avaliação efectuada por cada inquirido;

5. Visibilidade para elementos de património construído: à semelhança da hipótese de visibilidade para a água, postula-se que a visibilidade para elementos de património construído (e.g. moinhos, capelas, fortificações) contribui positivamente para a qualidade visual da paisagem (Arriaza et al. 2004), sendo que há uma variação positiva com a diminuição da distância e consequentemente com o aumento da preponderância do elemento de património no campo visual da fotografia. Nesta situação os elementos construídos assumem a condição de ‘landmark’, com valor enquanto ícone (Figura 17) e destacando-se claramente de outras intervenções antrópicas na paisagem (e.g. antena de telecomunicações ou canal de rega).

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Figura 17 – O farol do cabo Sardão, um elemento do património construído com grande valor enquanto ‘landmark’ da região. Foto do autor.

6. Carácter tradicional da paisagem: a qualidade visual da paisagem é superior quando o tipo de cobertura do solo em presença é interpretado como uma paisagem tradicional na região em estudo. A interpretação deste factor, embora algo subjectiva, reveste-se de alguma importância no actual contexto europeu no qual se assiste ao ressurgir da discussão sobre a preservação de ‘paisagens tradicionais’ (Vos & Meekes 1999; Pinto-Correia 2000; Antrop 2005).

Uma vez finalizada a fase de escolha das fotos para constituição da amostra (Q-sample), num total de 50 fotografias, passou-se à fase de execução dos inquéritos.

O conjunto dos indivíduos amostrados totaliza 300 pessoas, dos quais 41% (123 indivíduos) são do sexo masculino e os restantes 59% (177 indivíduos) do sexo feminino. O perfil de cada inquirido foi ainda aprofundado com informação relativa ao escalão etário (de acordo com as classes utilizadas pelo INE), o nível de instrução (considerando os níveis básico, secundário e superior de ensino), estatuto de residência (considerando residentes, visitantes ou nenhum dos anteriores) e nacionalidade (considerando portugueses versus estrangeiros).

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Os inquéritos decorreram parcialmente (80% do total, totalizando 240 inquéritos) no local de estudo, mas também foram feitos alguns inquéritos nas instalações do ICNB de algumas áreas protegidas da região da Grande Lisboa (10%, totalizando 30 inquéritos) e igual quantidade de inquéritos foram feitos da Universidade de Wageningen (Holanda) a estudantes do segundo ano da licenciatura em Arquitectura Paisagista (vd. Quadro 1). Os inquéritos efectuados nas localidades da área de estudo e em Wageningen foram levados a cabo no período de Março a Maio de 2010 e os inquéritos aos técnicos e vigilantes do ICNB foram efectuados no período de Setembro a Outubro do mesmo ano.

Quadro 1 – Caracterização dos inquiridos amostrados, por proveniência e género. Proveniência Total Homens Mulheres Almograve 15 6 9 Milfontes 65 25 40 Odemira 77 31 46 Porto Covo 37 17 20 Zambujeira 26 11 15 São Teotónio 20 8 12 ICNB (PNA, PNSAC, 30 16 14 PNSC, PPAFCC, RNES) Wageningen (NL) 30 9 21 Total 300 123 177

A cada um dos inquiridos foi entregue o conjunto de 50 fotografias representativas das paisagens da área de estudo, ordenado de forma aleatória, pedindo que levasse a cabo o seguinte conjunto de tarefas:

1. Por favor, ordene o seguinte conjunto de fotografias ao longo de uma escala ordinal de qualidade visual de paisagem. Na referida escala a classe mais elevada, associada ao valor 5 (e à cor verde escura), corresponde a uma paisagem de qualidade visual muito elevada, a classe associada ao valor 4 (cor verde clara) corresponde a uma paisagem de qualidade visual elevada, o valor 3 (cor amarela) a qualidade visual media, o valor 2 (cor laranja) a qualidade visual baixa e o valor 1 (cor vermelha) a uma qualidade visual muito baixa. Em cada categoria de qualidade visual anteriormente referida deverá constar um número fixo de fotografias o qual é de 5, 10, 20, 10

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e 5, respectivamente, sendo que dentro de cada categoria não há distinção de valor entre fotografias;

2. Seguidamente, assinale por favor as três paisagens que, de acordo com o seu critério pessoal, gostaria de utilizar para realização de ‘actividades de recreio’36.

Por uma questão prática de optimização da organização das fotografias sobre uma mesa de dimensão média, o sistema de distribuição forçada pelas cinco classes de qualidade visual foi transformado numa matriz de 10 colunas, com 5 fotografias por coluna (vd. Figura 18).

Figura 18 – Disposição das fotografias segundo uma matriz rectangular de 10 colunas por cinco linhas, considerando a distribuição forçada das fotografias pelas diferentes classes de qualidade visual (Extraída de Mendes (2010)).

Os inquéritos não tinham qualquer limitação quanto ao tempo disponível, sendo que em média estes foram completados em cerca de 20±5 minutos (Figura 19).

Os dados resultantes de cada inquérito eram então registados numa folha de cálculo, a partir da qual se prepararam os inputs para a fase de análise numérica subsequente. Do referido tratamento de dados resultaram duas matrizes:

1. A matriz dos inquéritos, na qual se apresentam os scores atribuídos por cada inquirido a cada fotografia, seguidos da identificação das fotos eleitas para recreio e dos dados de caracterização do inquirido;

2. A matriz das fotografias, na qual cada fotografia se encontra caracterizada pelo valor médio dos scores atribuídos pelos 300

36 Não era especificada qualquer actividade de recreio, deixando ao critério do inquirido essa escolha.

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entrevistados, seguido do valor da frequência de selecção da fotografia para recreio e dos valores atribuídos aos factores considerados determinantes para a apreciação da qualidade visual das paisagens representadas.

Figura 19 – Registo fotográfico de alguns dos inquéritos efectuados.

No capítulo seguinte serão apresentados os resultados da análise numérica executada e discutidas as suas implicações no estudo da qualidade visual das paisagens do Sudoeste Alentejano.

3.3 ANÁLISE ESTATÍSTICA DOS DADOS

A análise numérica foi efectuada recorrendo ao software IBM® SPSS® Statistics, versão 19. Os procedimentos efectuados repartiram-se por três fases:

1. numa primeira fase são investigadas as relações entre a qualidade visual da paisagem e a sua procura para recreio. Para tal será pesquisada a existência de uma relação proporcional directa entre as respostas globalmente apresentadas às duas tarefas anteriormente solicitadas a cada inquirido;

69

2. em segundo lugar foi efectuada uma regressão linear da qualidade visual da paisagem, considerando os factores determinantes para a sua apreciação anteriormente enunciados;

3. finalmente, foi estudada com maior detalhe a relação entre as classificações atribuídas a cada fotografia e o perfil dos inquiridos, com vista ao estabelecimento de grupos de indivíduos cujo comportamento na apreciação da qualidade visual da paisagem pudesse estar correlacionado com algumas características do perfil dos inquiridos.

3.3.1 Relação entre qualidade visual da paisagem e procura para recreio

A correlação entre a qualidade visual média de cada fotografia e a frequência com que essas fotografias foram seleccionadas para utilização no âmbito de actividades de recreio é estatisticamente significativa (R2=0.809; P>0.05). A Figura 20 ilustra a relação exponencial encontrada entre os valores anteriormente referidos.

Figura 20 – Representação da função de regressão exponencial encontrada entre o valor da qualidade visual média de cada fotografia e a frequência com que esta foi seleccionada para utilização no âmbito de actividades de recreio.

70

Os resultados apresentados permitem pressupor que, como seria espectável, que as paisagens de maior qualidade visual serão as mais susceptíveis à procura para recreio, o que constituirá uma fonte de pressão antrópica considerável.

3.3.2 Análise inferencial (Regressão linear)

Conforme foi discutido no Capítulo 2.2.2 a avaliação da qualidade da paisagem através da abordagem psicofísica pretende averiguar a existência de relações matemáticas entre algumas características da paisagem e a medida de apreciação dessas paisagens produzida por um conjunto de observadores. Esta relação é usualmente investigada efectuando uma análise de regressão linear, tomando como variável dependente a qualidade visual média de cada fotografia e como variáveis dependentes os factores determinantes para a apreciação da qualidade da paisagem anteriormente discutidos.

A regressão efectuada não excluiu qualquer variável independente (foi portanto utilizado o método ‘Enter’), pois considera-se que por coerência com a definição de paisagem apresentada é importante considerar factores relativos às suas três componentes. O modelo gerado pela regressão apresenta um elevado valor explicativo (Quadro 2). A distribuição dos coeficientes pelas variáveis independentes (ou explicativas) é apresentado no Quadro 3, no qual de pode também verificar que, apesar da sua baixa correlação de algumas dessas variáveis quando consideradas individualmente, todas se revelam estatisticamente significativas (P<0.05), o que indicia a existência de relações complexas entre as diversas variáveis.

Quadro 2 – Sumário do valor explicativo da regressão efectuada. Modelo R R2 R2 ajustado 1 .901a .812 .786 Variável dependente: Média Variáveis independentes: (Constante), Visibilidade para massas de água, Carácter tradicional da paisagem, Formas de relevo, Visibilidade para património construído, Estrutura fisionómica da vegetação e Densidade de cobertura vegetal

Da análise do Quadro 3 pode também constatar-se que os factores que mais contribuem para a qualidade visual da paisagem são a existência de visibilidade para massas de água, seguido do carácter tradicional da paisagem. Do mesmo modo é também perceptível que os factores que contribuem de forma menos significativa para a qualidade visual da

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paisagem são as duas variáveis associadas à componente biológica da paisagem.

Quadro 3 – Resultados das análises de correlação (factores considerados isoladamente) e regressão linear efectuada. Variável dependente: Média Análise de correlação Regressão linear (factores isolados) Correlação Significância Coeficiente Significância (Constante) - 1.088 .000

Visibilidade para .700 .000 .229 .000 massas de água Carácter tradicional da .778 .000 .157 .013 paisagem Formas de relevo .367 .004 .104 .007 Visibilidade para património .361 .005 .100 .026 construído Estrutura fisionómica da -.017 .454 .113 .019 vegetação Densidade de -.034 .408 .095 .037 cobertura vegetal

O gráfico P-P analisa o comportamento dos resíduos relativamente à função de regressão obtida como forma de assegurar a normalidade dos dados e desse modo verificar que os pressupostos da metodologia da regressão linear não foram violados (Figura 21).

Figura 21 – Gráfico P-P dos resíduos relativamente à regressão obtida.

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Finalmente, para preparação da análise de variância a efectuar, foi efectuada uma análise de componentes principais das características constantes no perfil dos inquiridos. O objectivo desta análise foi perceber o comportamento das diversas características e a existência de inter-relações entre elas, dado que através da análise de componentes principais é produzido um arranjo espacial das características em que estas aparecem próximas se correspondem a inquéritos similares e afastadas entre si se correspondem a apreciações dissemelhantes. Consequentemente, o facto das características ‘Nível de instrução’, Estatuto de residência’ e ‘Nacionalidade’ aparecerem próximas umas das outras e dispostas no extremo do eixo 1 do espaço geométrico resultante, em claro contraste com as características ‘Escalão Etário’ e ‘Género’ as quais se encontram bem separadas ao longo do eixo 2, permite pressupor a existência de relações entre as características anteriormente referidas. Na prática, a relação dessas características corresponderá ao «perfil cultural» de cada inquirido. 1.0 1.0 Escalão etário

Nível de instrução

Estatuto de residência

Score 0.0 0.5 0.0 0.5

Nacionalidade

Componente 2 Componente Género -0.5 -0.5 -1.0 -1.0

-1.0 -0.5 0.0 0.5 1.0 Componente 1

Figura 22 – Análise de componentes principais dos factores considerados na apreciação da qualidade visual da paisagem.

Consequentemente, a análise de variância efectuada considerou apenas as interacções que se anteviram na análise de componentes principais efectuada, a saber: interacções Foto * Idade, Foto * Género e Foto * Nacionalidade * Estatuto * Instrução. Os resultados da análise de variância efectuada são apresentados no Quadro 4.

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Quadro 4 – Resultados da análise de variância efectuada, considerando as inter- relações entre factores e fotografias.

Variável dependente: Média Origem de variação Soma de Graus de Quadrado F Significância quadrados liberdade médio

Foto 643.354 49 13.130 16.449 .000

Foto * Idade 299.864 150 1.999 2.504 .000

Foto * Género 94.453 50 1.889 2.367 .000

Foto * Nacionalidade 952.528 600 1.588 1.989 .000 * Estatuto * Instrução

Resíduo 11294.899 14150 .798

Total 18000.000 14999

Os resultados obtidos permitem concluir que há diferenças estatisticamente significativas (P>0.05) nas apreciações de qualidade visual da paisagem produzidas, em função do escalão etário, do género e também do perfil cultural dos inquiridos. Como forma de aprofundar um pouco mais estas conclusões optou-se pela realização de uma classificação divisiva, recorrendo ao aplicativo WinTWINS (TWINSPAN for Windows) versão 2.3, da qual se dá conta no capítulo seguinte.

3.3.3 Análise TWINSPAN

O algoritmo do método de classificação divisiva TWINSPAN (Two Way INdicator SPecies ANalysis) foi desenvolvido por Hill (1979) com o objectivo de constituir um método numérico de classificação de dados de vegetação (inventários), através do qual se parte de uma matriz de inventários-por- espécies e se obtém uma tabela ordenada nos dois sentidos (i.e., o algoritmo procede à classificação dicotómica simultânea dos inventários e também das espécies, com base no refinamento progressivo de um único eixo de análise de correspondências (CA)) (vd. Capelo (2003), ou Capelo (2007)). A possibilidade de interpretação ecológica da classificação produzida, à qual o programa associa um conjunto de espécies diferenciais para cada grupo, tornou TWINSPAN num dos programas mais utilizados em ecologia de comunidades (Capelo 2003; Jongman, Braak & Tongeren 1995). A descrição detalhada do método de classificação pode ser consultada em Capelo (2007).

74

Na presente análise foi preparada uma matriz de dados em que as linhas correspondem fotografias e as colunas a inquéritos. Ao cruzamento de uma determinada linha x por uma coluna y corresponde a apreciação dada pelo inquirido que respondeu ao inquérito y sobre a fotografia x o que, por analogia do conceito de pseudo-espécie no caso da aplicação às comunidades vegetais, corresponde a uma pseudo-score da qualidade visual da paisagem.

Os resultados da análise produzida levaram à segregação de três grupos de fotografias, aos quais corresponderam apreciações diferenciadas por quatro grupos distintos de utilizadores, conforme sintetizado na Figura 23.

4.00 3.80 3.60 3.40 3.20 3.00 2.80 2.60 2.40 2.20 2.00 Grupo I Grupo II Grupo III Grupo IV

Gr. Fotog. A 3.57 3.11 2.48 2.56 Gr. Fotog. B 3.06 3.12 3.02 2.89 Gr. Fotog. C 2.44 2.29 3.12 3.80

Figura 23 – Tabela simplificada dos resultados da classificação executada pelo TWINSPAN. Grupo de fotografias A: fotografias 14, 20 e 21 (ordem de acordo com a tabela ordenada TWINSPAN. Total: 3 fotografias); Grupo de fotografias B: fotografias 10, 15, 24, 32, 34, 37, 40, 42, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 11, 12, 13, 18, 19, 22, 23, 25, 26, 28, 29, 31, 33, 35, 36, 38, 39, 41, 43, 47, 9, 16, 17, 27 (ordem de acordo com a tabela ordenada TWINSPAN. Total: 40 fotografias); Grupo de fotografias C: fotografias 30, 44, 45, 46, 48, 50, 49 (ordem de acordo com a tabela ordenada TWINSPAN. Total: 7 fotografias); Grupo de inquéritos I: inquéritos 211, 213, 292, 295, 296, 298, 299, 16, 31, 73, 108, 115, 118, 135, 212, 219, 241, 243, 244, 245, 251, 252, 256, 258, 259, 260, 264, 271, 272, 273, 275, 278, 279, 284, 285, 288, 290, 294, 300, 46, 104, 111, 112, 129, 171, 10, 18, 25, 34, 43, 59, 60, 66, 83, 94, 105, 110, 121, 122, 140, 141, 149, 172, 178, 208, 216, 217, 234, 248, 254, 257, 261, 263, 265, 266, 268, 274, 280, 287, 293 (ordem de acordo com a tabela ordenada TWINSPAN. Total: 80 inquéritos); Grupo de inquéritos II: inquéritos 4, 5, 15, 20, 21, 22, 28, 29, 45, 48, 61, 84, 95, 99, 107, 117, 119, 127, 137, 165, 181, 182, 202, 215, 220, 237, 249, 250, 289, 6, 8, 11, 36, 113, 123, 168, 170, 201, 277, 282, 1, 14, 27, 32, 44, 47, 68, 79, 85, 87, 89, 90, 91, 92, 93, 97, 116, 120, 126, 130, 138, 139, 153, 167, 175, 176, 195, 199, 225, 236, 240, 242, 269, 270, 286, 291, 297, 2, 9, 56, 71, 75, 136, 177, 209 (ordem de acordo com a tabela ordenada TWINSPAN. Total: 85 inquéritos);

75

Grupo de inquéritos III: inquéritos 7, 12, 17, 30, 35, 37, 38, 39, 41, 42, 52, 64, 70, 72, 76, 77, 78, 80, 96, 101, 102, 103, 128, 133, 143, 144, 145, 146, 155, 158, 159, 160, 161, 162, 163, 166, 169, 173, 174, 193, 194, 200, 204, 206, 214, 224, 235, 246, 247, 255, 281, 19, 23, 33, 40, 53, 54, 55, 57, 58, 62, 67, 74, 106, 124, 125, 131, 132, 134, 150, 151, 152, 179, 185, 186, 198, 203, 205, 221, 226, 228, 229, 233, 238, 253, 267, 13, 24, 26, 50, 51, 65, 81, 86, 88, 100, 114, 148, 154, 156, 157, 189, 191, 196, 197, 207, 222, 223, 239, 82, 98, 164, 184, 227 (ordem de acordo com a tabela ordenada TWINSPAN. Total: 114 inquéritos); Grupo de inquéritos IV: inquéritos 142, 210, 230, 231, 232, 180, 262, 49, 63, 69, 109, 147, 190, 192, 3, 183, 187, 188, 218, 276, 283 (ordem de acordo com a tabela ordenada TWINSPAN. Total: 21 inquéritos).

O grupo de fotografias A corresponde a um grupo de três fotografias apresentando características de elevada naturalidade e ausência de infra- estruturas antrópicas, sendo também evidente em duas delas o franco desenvolvimento da cobertura vegetal, gerando uma textura pouco uniforme e frequentemente interpretada como ‘terreno de difícil progressão’ (Figura 24).

Figura 24 – Grupo de fotografias A: fotografias 14, 20 e 21 dispostas da esquerda para a direita, respectivamente (ordem de acordo com a tabela ordenada TWINSPAN).

O grupo de fotografias B corresponde a 80% da Q-sample, necessariamente mais heterogéneo que os restantes grupos e por tal motivo mais difícil de caracterizar, no entanto é possível afirmar que nesse grupo de fotografias se encontram todas as fotografias com vista para massas de água, bem como todas as fotografias representando usos agrícolas e florestas de produção.

O grupo de fotografias C é constituído por sete fotografias de evidentes características urbanas e periurbanas (Figura 25).

Avançando para a interpretação das características de perfil associadas a cada um dos grupos, foram analisada a constituição de cada grupo no que respeita ao género (Figura 26), nacionalidade (Figura 27), estatuto de residência (Figura 28), nível de instrução (Figura 29), escalão etário (Figura 30) e proveniência dos inquiridos (Figura 31).

76

Figura 25 – Grupo de fotografias C: fotografias 30, 44, 45, 46, 48, 50 e 49 ordenadas da esquerda para a direita e de cima para baixo, respectivamente (ordem de acordo com a tabela ordenada TWINSPAN).

No que respeita ao género, apesar da análise de variância detectar diferenças estatisticamente significativas na apreciação da qualidade de paisagem entre homens e mulheres, não são detectáveis variações assinaláveis na distribuição por géneros dos grupos formados pela análise TWINSPAN (Figura 26).

Grupos por género

1.00

0.90

0.80

0.70 Mulheres 0.60 Homens 0.50

0.40

0.30

0.20

0.10

0.00 Grupo I Grupo II Grupo III Grupo IV

Figura 26 – Caracterização dos grupos gerados pela classificação TWINSPAN, por género.

77

De igual modo, também no que respeita à nacionalidade não é perceptível um padrão específico na relação entre a proporção de portugueses e estrangeiros e os grupos gerados pela classificação (Figura 27).

Grupos por nacionalidade

1.00

0.90

0.80

0.70 Estrangeiros 0.60 Portugueses 0.50

0.40

0.30

0.20

0.10

0.00 Grupo I Grupo II Grupo III Grupo IV

Figura 27 – Caracterização dos grupos gerados pela classificação TWINSPAN, por nacionalidade.

No que respeita ao estatuto de residência nota-se uma certa preponderância de indivíduos não residentes no Grupo I (totalizando 62% dos inquiridos, contra menos de 40% nos restantes grupos) (Figura 28).

Grupos por estatuto de residência

1.00

0.90

0.80 Não residentes 0.70 nem visitantes 0.60 Visitantes

0.50

0.40 Residentes

0.30

0.20

0.10

0.00 Grupo I Grupo II Grupo III Grupo IV

Figura 28 – Caracterização dos grupos gerados pela classificação TWINSPAN, por estatuto de residência.

78

Relativamente ao nível de instrução é bem patente a progressão da proporção de inquiridos com menor nível de instrução à medida que se passa do Grupo I para o Grupo IV. Torna-se evidente que os indivíduos com maior nível de instrução são mais susceptíveis de apreciar paisagens com elevado grau de naturalidade ao passo que os indivíduos com menor nível de instrução são menos penalizadores das paisagens urbanas e periurbanas (Figura 29).

Grupos por nível de instrução

1.00

0.90

0.80

Ensino superior 0.70

0.60 Ensino 0.50 secundário

0.40 Ensino básico 0.30

0.20

0.10

0.00 Grupo I Grupo II Grupo III Grupo IV

Figura 29 – Caracterização dos grupos gerados pela classificação TWINSPAN, por nível de instrução.

Tendência também digna de registo é a apresentada relativamente à distribuição dos inquiridos por escalão etário em cada grupo: no Grupo I existe um claro predomínio dos dois escalões etários centrais pois os indivíduos de idade compreendida entre 15 e 64 anos totalizam 98%, enquanto no Grupo IV os mesmos dois escalões etários correspondem a apenas 38% dos inquiridos (Figura 30).

Finalmente, em coerência com a informação relativa ao nível de instrução, também relativamente à proveniência se nota uma diferença assinalável: cerca de 50% dos inquiridos englobados no Grupo I são técnicos do ICNB e estudantes de Arquitectura Paisagista holandeses, ou seja, inquiridos com formação técnica em ecologia e botânica, ambientalmente motivados, enquanto nos restantes grupos 85% ou mais dos inquiridos não apresentam as mesmas características de formação técnica e motivação ambiental (Figura 31).

79

Grupos por escalão etário

1.00

0.90

0.80 65 ou mais 0.70 anos

0.60 25-64 anos

0.50 15-24 anos 0.40

0.30 14 anos ou menos 0.20

0.10

0.00 Grupo I Grupo II Grupo III Grupo IV

Figura 30 – Caracterização dos grupos gerados pela classificação TWINSPAN, por escalão etário.

Sintetizando, considera-se evidente a existência de fortes indícios de que o contexto cultural exerce uma certa influência sobre a apreciação da qualidade visual da paisagem. Por um lado a formação em ecologia e a motivação ambiental dos técnicos do ICNB e dos alunos de Arquitectura Paisagista implica uma maior preferência por paisagens de elevada naturalidade, mesmo quando as paisagens em causa não são familiares ao inquirido, uma tendência que parece também extensível aos escalões etários mais baixos37, independentemente do nível de instrução. Estas tendências foram também identificadas por outros autores como Dearden (1984), ou mais recentemente Buijs, Pedroli & Luginbühl (2006). Por outro lado, os inquiridos dos escalões etários mais elevados e nível de instrução mais baixos tendem a subvalorizar as paisagens mais naturais e sobrevalorizar as paisagens de características mais urbanas. A interpretação atribuída a este comportamento é a de que esta sobrevalorização está associada a um grupo de indivíduos que assistiu à transição entre uma sociedade profundamente rural e economicamente subdesenvolvida para a realidade dos últimos 40 anos, nos quais a sociedade portuguesa experimentou uma considerável melhoria da qualidade média de vida, fenómeno que ocorreu em simultâneo

37 Em concreto a afirmação refere-se ao conjunto dos dois escalões etários mais baixos, i.e., aos inquiridos com 24 anos, ou menos.

80

com o franco desenvolvimento urbanístico da região (e restante território costeiro nacional).

Grupos por proveniência

1.00

0.90 Técnicos e 0.80 vigilantes do ICNB 0.70

0.60 Estudantes do ensino superior 0.50 (Wageningen, NL) 0.40

0.30 População local

0.20

0.10

0.00 Grupo I Grupo II Grupo III Grupo IV

Figura 31 – Caracterização dos grupos gerados pela classificação TWINSPAN, por proveniência.

3.4 PREPARAÇÃO DA CARTOGRAFIA RELATIVA AOS FACTORES CONSIDERADOS

A preparação da cartografia relativa aos factores considerados na avaliação da qualidade visual da paisagem do Sudoeste Alentejano foi executada utilizando o software ArcGISTM 9.3, produzido pela ESRI®. As fontes de informação utilizadas, bem como os procedimentos executados encontram- se devidamente descriminados nos subcapítulos seguintes.

Para garantir a compatibilidade dos resultados da análise em curso com os resultados da análise sobre qualidade ecológica a efectuar no Capítulo 4.7, toda a informação cartográfica produzida no presente Capítulo adoptará o sistema de coordenadas Hayford-Gauss Datum 73 (HGDt73), pelas razões apontadas no Capítulo 4.7.1.1.

81

3.4.1 Visibilidade para massas de água

Para a elaboração da carta de visibilidade para massas de água foi utilizado um modelo digital de elevação (MDE) derivado da missão SRTM38, o qual foi melhorado por Gonçalves (2009), procedendo ao preenchimento dos pixel vazios com TIN e à conversão para coordenadas ETRS89-PTTM06 com pixel de 80 metros (reamostragem bilinear). O referido nível de informação foi adicionalmente sujeito às seguintes operações de preparação: a) projecção do sistema de coordenadas ETRS89 para o sistema de coordenadas HGDt73 utilizando o método das grelhas39 (Gonçalves 2009); b) reamostragem para uma resolução espacial de 26,67 m (i.e., um terço da resolução original) pelo método do vizinho mais próximo. Foram ainda utilizados os seguintes níveis de informação, sendo que sempre que necessário foi efectuada a projecção para o sistema de coordenadas HGDt73: CAOP 2009 (Instituto Geográfico Português 2009), para obtenção de um tema vectorial com a linha de costa da área em estudo; COS 2007 (Instituto Geográfico Português 2011) para obtenção de um tema vectorial com os planos de água; tema vectorial dos principais cursos de água da área em estudo, criado por vectorização manual a partir da cartas topográficas militares (série M888, à escala 1/25000).

Todas as análises de visibilidade executadas utilizaram como superfície de referência (vd. Figura 33) o MDE acima referido, sem considerar quaisquer objectos ou tipos de cobertura de solo. Trata-se portanto de análises de visibilidade potencial, as quais podem não corresponder à realidade dado que a existência de infra-estruturas (edifícios ou outras estruturas com grande volumetria) ou de determinados usos, por exemplo do tipo florestal, podem comprometer a análise efectuada. Tais problemas poderão futuramente ser mitigados pela utilização de modelos digitais de superfície (i.e., terreno + objectos à superfície) tais como os já produzidos por levantamentos LIDAR

38 A Shuttle Radar Topography Mission (SRTM) foi uma missão conduzida pela National Aeronautics and Space Administration (NASA) com o untuito de realizar o levantamento altimétrico da superfície terrestre continental entre os paralelos 60º Norte e 58º Sul. Durante 11 dias do mês de Fevereiro de 2000, o vaivém espacial Endeavour orbitou a Terra a uma altitude de 233 km (completando 159 orbitas), obtendo por interferometria radar um modelo digital de elevação com uma precisão horizontal de 3 segundos de arco (~90 m) e precisão vertical de 1 m (Sousa, Nery & Matos 2006).

39 A operacionalização deste método pode ser consultado na página da Internet localizada no endereço http://www.fc.up.pt/pessoas/jagoncal/coordenadas/index_pt.htm (consultada em; 2010-03-20), elaborada pelo supracitado autor.

82

(vd. Ahlberg (2004), por exemplo) ou de radar de abertura sintética (SAR) (vd. Moreira (2004), por exemplo). Uma explicação dos diferentes tipos de visibilidade considerados na presente análise é apresentada na Figura 32.

D

B E C outros planos de água A rio praia

Figura 32 – Tipos de visibilidade considerados na análise de visibilidade para massas de água. A – Visibilidade para a praia; B – Visibilidade para o mar (de curta distância); C – Visibilidade para o rio; D – Visibilidade para o mar (de longa distância); E – Visibilidade para outros planos de água.

O modelo de análise de visibilidade utiliza como inputs um conjunto de pontos, efectuando a análise da sua bacia de exposição visual perante uma superfície de referência (Figura 33), sendo que o ponto de observação pode estar localizado acima da superfície de referência (para tal o software utiliza o parâmetro OFFSETA, que tipicamente assume um valor constante correspondente à altura dos olhos)40 tal como o local a observar pode apresentar uma altura que deve também ser considerada (cujo valor corresponde ao parâmetro OFFSETB)41.

Ponto de observação

OFFSETB OFFSETA

Superfície de referência

Figura 33 – Modelo teórico de análise de visibilidade.

40 No presente estudo o valor adoptado foi de 1,55 m.

41 Uma vez que neste caso se trata de planos de água, esse valor foi considerado nulo.

83

Tirando partido da característica da intervisibilidade (i.e., se A avista B, então B avista A) foram preparadas as seguintes análises:

1. Visibilidade para a praia: análise da bacia de exposição visual de pontos dispostos ao longo de uma linha de costa simplificada (e colocada 50m para oeste da linha de costa oficial fornecida pela CAOP), com um afastamento de 250 m entre si;

2. Visibilidade para o mar: análise da bacia de exposição visual de pontos dispostos ao longo de uma linha de costa simplificada (e colocada 1000m para oeste da linha de costa oficial fornecida pela CAOP), com um afastamento de 1000 m entre si;

3. Visibilidade para o rio: análise da bacia de exposição visual de pontos dispostos ao longo do eixo dos leitos do rio Mira e Ribeira de Seixe, com um afastamento de 250 m entre si;

4. Visibilidade para outros planos de água: análise da bacia de exposição visual de pontos correspondentes aos centróides dos diversos planos de águas interiores (excepto rio Mira e ribeira de Seixe, contemplados no ponto anterior) definidos por albufeiras, lagoas e pegos, etc.

Consequentemente, apresenta-se no Quadro 5 o sistema de classificação atribuído no âmbito da análise de visibilidade para massas de água.

Quadro 5 – Classificação atribuída no âmbito da análise de visibilidade para massas de água.

Tipo de visibilidade (potencial) para massas de água Classificação

Visibilidade para a praia (distância máxima de 1 km) 5

Visibilidade de curta distância para o mar ou rio (distância máxima 4 de 1 km)

Visibilidade de longa distância para o mar ou rio (distância entre 1 e 3 5 km)

Visibilidade para outras massas de água (distância máxima de 1 km) 2

Sem visibilidade para massas de água 1

84

A carta de visibilidade (potencial) para massas de água resultante é apresentada na Figura 34.

Figura 34 – Carta de visibilidade (potencial) para massas de água (escala 1 / 400 000). 5 – Visibilidade para a praia (distância máxima de 1 km); 4 – Visibilidade de curta distância para o mar ou rio (distância máxima de 1 km); 3 – Visibilidade de longa distância para o mar ou rio (distância entre 1 e 5 km); 2–Visibilidade para outras massas de água (distância máxima de 1 km); 1 – Sem visibilidade para massas de água.

85

3.4.2 Formas de Relevo

Para a criação da carta de formas de relevo foi igualmente utilizado o MDE referido no ponto anterior.

A utilização da classificação de formas de relevo no estudo e classificação da paisagem foi um procedimento adoptado com sucesso por Brabyn (1996; 2009). Este autor utiliza o sistema de classificação das formas de relevo42 desenvolvido por Hammond (1954; 1964a; 1964b) e cuja implementação em SIG foi proposta por Morgan & Lesh (2005), como desenvolvimento dos trabalhos de Dikau (1989) e Dikau, Brabb & Mark (1991). Em Portugal o modelo proposto por Morgan & Lesh (2005) foi implementado com ligeiras adaptações e testado por Mendes (2010), sob orientação do autor do presente capítulo.

Descrevendo o sistema de classificação das formas de relevo de Hammond de forma bastante sintética, este processa-se em três fases distintas:

1. Identificação e classificação da taxa de aplanação das superfícies em função da prevalência de áreas com baixo declive (o limiar adoptado no presente estudo foi de 4% de declive) dentro de determinada área de vizinhança, a qual é determinada em função da escala do estudo e da resolução espacial da superfície de referência utilizada (no presente estudo foi escolhida uma área circular com um raio equivalente a 15 pixel (~400 m);

2. Identificação e classificação genérica do acidentado do terreno, em função da amplitude de variação da altitude (i.e., o desnível máximo), dentro da área de vizinhança referida no ponto 1. As classes de desnível utilizadas foram: 0-30 m; 30-90 m; 90-150 m e mais de 150 m, respectivamente));

3. Identificação e classificação da curvatura do local, considerando a diferença entre a cota do local e a cota média da área de vizinhança referida no ponto 1.

A implementação do modelo acima descrito tem como output uma layer digital matricial (no formato ESRI Grid) no qual cada área de características

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distintas se encontra identificada por um código numérico de 3 dígitos e de acordo com o qual as classificações obtidas nos passos 1, 2 e 3 correspondem aos algarismos das centenas, dezenas e unidades, respectivamente. No Quadro 6 apresenta-se a correspondência entre as classificações das formas de relevo obtidas pelo método de Hammond (1954; 1964a; 1964b), acrescida da respectiva interpretação quanto à tipologia de modelado de relevo a que estas correspondem, bem como a classificação utilizada no âmbito do presente estudo de qualidade visual da paisagem.

Quadro 6 – Correspondência entre a classificação das formas de relevo de Hammond (1954; 1964a; 1964b) e a classificação utilizada no âmbito do presente estudo de qualidade visual da paisagem.

Classificação das Tipologia de modelado de relevo Classificação formas de relevo de Hammond (códigos resultantes)

431, 432, 433, 434, 5 Relevo movimentado 441, 442, 443 e 444

213, 214, 223, 224, 4

313, 314, 323, 324, Relevo movimentado a ondulado 333, 334, 411, 412,

413, 414, 423 e 424

421 e 422 Relevo ondulado 3

233, 311, 312, 321, 2 Relevo ondulado suave 322, 331 e 332

111, 112, 113, 114, 1

121, 122, 123, 124, Relevo ondulado suave a muito suave 211, 212, 221, 222,

231 e 232

42 Landform classification, no idioma original.

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A carta de formas de relevo resultante é apresentada na Figura 35.

Figura 35 – Carta de formas de relevo (escala 1 / 400 000). 5 – Relevo movimentado; 4 – Relevo movimentado a ondulado; 3 – Relevo ondulado; 2 – Relevo ondulado suave; 1 – Relevo ondulado suave a muito suave.

88

3.4.3 Densidade da cobertura vegetal

Para a preparação da carta de densidade de cobertura vegetal foi utilizada uma imagem multiespectral LANDSAT5 TM43 adquirida no dia 25 de Abril de 2010 (data que é consistente com a data de aquisição das fotografias terrestres oblíquas da Q-sample utilizada do inquérito à qualidade visual da paisagem) e da qual foram utilizadas as bandas 3 e 4, correspondentes aos intervalos de comprimento de onda da radiação electromagnética compreendidos entre (0.63 – 0.69 µm)44 e (0.76 – 0.90 µm)45, respectivamente.

Com as referidas imagens foi calculado o índice NDVI (normalized difference vegetation index)46, o qual apresenta uma forte correlação com a densidade de cobertura vegetal do local (Lillesand & Kiefer 1999).

Ao resultado do cálculo do índice NDVI foram então efectuadas as seguintes operações, de forma a compatibilizar a layer digital matricial com as restantes layers utilizados do estudo em curso:

1. Projecção para o sistema de coordenadas HGDt73, pelo método de Bursa-Wolf (7 parâmetros);

2. Reamostragem para a resolução espacial do MDE (26,67 m de pixel), com alinhamento dos pixel pela mesma layer;

3. Reclassificação dos valores de NDVI, de acordo com o expresso no Quadro 7.

Dado que o referido índice é apontado como um índice robusto e que é pouco modificado tanto pela correcção radiométrica das imagens como pela variabilidade introduzida pelas características fisiográficas do terreno (declive e exposição), tais correcções não foram efectuadas, dado que o

43 Imagem gentilmente disponibilizada pelo U.S. Geological Survey, através do portal Glovis (http://glovis.usgs.gov).

44 Correspondente à radiação visível na região do vermelho.

45 Correspondente à área da radiação não visível na região do infravermelho próximo.

46 O cálculo do índice NDVI é feito de acordo com a seguinte fórmula:

NDVI = (bvermelho – binfravermelho próximo) / (bvermelho + binfravermelho próximo)

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objectivo era utilizar o índice como forma simplificada (mas com valor heurístico) para representar espacialmente a densidade de cobertura vegetal da região do Sudoeste Alentejano. Recorda-se que o factor que se pretende representar tem sobretudo a ver com a ‘quantidade de verde’47 que determinada paisagem apresenta. A conversão dos valores do índice NDVI num gradiente de densidade (ou ‘quantidade de verde’) do coberto vegetal foi efectuada de acordo com os valores apresentados no Quadro 7.

Quadro 7 – Tabela de conversão do valor de NDVI no sistema de classificação utilizado na carta de densidade de coberto vegetal do Sudoeste Alentejano.

Valor do índice NDVI Classe de densidade da cobertura Classificação vegetal

0.6 a 1 Muito elevada 5

0.4 a 0.6 Elevada 4

0.25 a 0.4 Média 3

0 a 0.25 Baixa 2

-1 a 0 Muito baixa 1

A carta de densidade de cobertura vegetal do Sudoeste Alentejano obtida é apresentada na Figura 36.

47 O termo anglo-saxónico ‘landscape greenness’ é frequentemente encontrado na literatura científica nesta área de investigação, mas dado que a sua tradução literal para português não resulta numa expressão sintética e facilmente compreensível optou-se por designar o factor em causa por ‘densidade de coberto vegetal’, dada a semelhança na interpretação visual de ambos os conceitos.

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Figura 36 – Carta de densidade da cobertura vegetal (escala 1 / 400 000). 5 – Densidade do coberto vegetal muito elevada; 4 – Densidade do coberto vegetal elevada; 3 – Densidade do coberto vegetal média; 2 – Densidade do coberto vegetal baixa; 1 – Densidade do coberto vegetal muito baixa ou nula.

3.4.4 Estrutura da cobertura vegetal

Para a carta de estrutura da cobertura vegetal do Sudoeste Alentejano foi efectuada uma interpretação da estrutura fisionómica das classes de cobertura do solo presentes na COS 2007, nível 2. Tal procedimento

91

constitui uma forma bastante simplificada de abordar o problema, pelo que se poderá optar futuramente por abordagens mais consistentes com a realidade no terreno, as quais poderão passar, como referido no capítulo 3.4.1, pela utilização de informação de base procedente de levantamentos LIDAR ou SAR, desde que se conheça a sua existência e os custos de aquisição da dita informação o permitam.

A conversão das classes de cobertura do solo COS 2007 em classes de estrutura fisionómica da vegetação foi efectuada de acordo com os valores apresentados no Quadro 8.

Quadro 8 – Conversão das classes de cobertura do solo COS 2007 em classes de estrutura fisionómica da vegetação. Legenda COS 2007 (nível 2) Classe de estrutura Classificação fisionómica da vegetação Tecido urbano; Áreas de extracção de inertes, áreas de deposição de resíduos e estaleiros de construção; Vegetação muito esparsa ou Espaços verdes urbanos, inexistente; Relvados e 5 equipamentos desportivos, pequenos jardins urbanos. culturais e de lazer, e zonas históricas; Zonas descobertas e com pouca vegetação Indústria, comércio e transportes; Pastagens, prados e vegetação Pastagens permanentes; anual espontânea; Sapais e 4 Zonas húmidas litorais; margens de açudes e lagoas Zonas húmidas interiores Áreas agrícolas heterogéneas; Terrenos cultivados e mosaicos 3 Culturas temporárias de policultura e edificado Culturas permanentes; Culturas permanentes; Florestas abertas e vegetação Matagais e matos; Florestas 2 arbustiva e herbácea abertas Florestas Florestas densas 1

Relembra-se ainda que este factor, de acordo com a interpretação efectuada aos resultados do inquérito, que é também suportada por alguma literatura (Rabinowitz & Coughlin 1970; Ulrich 1977; Ulrich 1986), estará fortemente correlacionado com a avaliação da facilidade de progressão no terreno.

A supracitada layer digital vectorial foi então convertida para o formato matricial, com a resolução espacial do MDE (26,67 m de pixel), com alinhamento dos pixel pela mesma layer. A carta de estrutura da cobertura vegetal do Sudoeste Alentejano obtida é apresentada na Figura 37.

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Figura 37 – Carta de estrutura da cobertura vegetal (escala 1 / 400 000). 5 – Vegetação muito esparsa ou inexistente, relvados e pequenos jardins urbanos; 4 – Pastagens, prados e vegetação anual espontânea, sapais e margens de açudes e lagoas; 3 – Terrenos cultivados e mosaicos de policultura e edificado; 2 – Culturas permanentes, matagais e matos, florestas abertas; 1 – Florestas densas.

3.4.5 Visibilidade para elementos de património construído

A carta de visibilidade para elementos de património construído é preparada de forma bastante semelhante à carta de visibilidade para massas de água. Os

93

inputs utilizados foram o MDE anteriormente referido e uma layer digital vectorial (de pontos) representando a localização de um conjunto de elementos construídos, tais como igrejas, capelas, faróis, fortificações, azenhas e moinhos, ou outras edificações com valor patrimonial, obtida por digitalização manual a partir da carta topográfica militar (série M888, à escala 1 / 25 000) e projectada para o sistema de coordenadas HGDt73.

Para cada elemento de património construído foi determinada a sua bacia de exposição visual (potencial), tendo em consideração a altura das edificações em causa (parâmetro OFFSETA, variando em função da altura de cada edificação) e a altura dos olhos do observador (parâmetro OFFSETB, que foi mantido a 1,55 m). As distâncias consideradas na análise de visibilidade foram as mesmas utilizadas no caso das massas de água, i.e., menos de 1 km, entre 1 e 2 km e entre 2 e 5 km. A partir dos 5 km de distância considerou-se que o elemento construído de esbate no plano visual de fundo, deixando de ser um factor relevante. De igual modo, considerou-se que a visibilidade para elementos do património construído em contexto urbano deveria apresentar valores inferiores à mesma situação em contexto não urbano. Assim, as classificações atribuídas ao factor em consideração são apresentadas no Quadro 9.

Quadro 9 – Classificação atribuída no âmbito da análise de visibilidade para elementos de património construído.

Tipo de visibilidade (potencial) para elementos de património Classificação construído

Visibilidade para elementos de património construído em meio não 5 urbano (distância máxima de 1 km)

Visibilidade para elementos de património construído em meio 4 urbano (distância máxima de 1 km)

Visibilidade para elementos de património construído (distância 3 entre 1 e 2 km)

Visibilidade para elementos de património construído (distância 2 entre 2 e 5 km)

Sem visibilidade para elementos de património construído 1

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A carta de visibilidade para elementos de património construído do Sudoeste Alentejano é apresentada na Figura 38.

Figura 38 – Carta de visibilidade para elementos de património construído (escala 1 / 400 000). 5 – Visibilidade para elementos de património construído em meio não urbano (distância máxima de 1 km); 4 – Visibilidade para elementos de património construído em meio urbano (distância máxima de 1 km); 3 – Visibilidade para elementos de património construído (distância entre 1 e 2 km); 2 – Visibilidade para elementos de património construído (distância entre 2 e 5 km); 1 – Sem visibilidade para elementos de património construído.

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3.4.6 Carácter tradicional da paisagem

A cartografia do carácter tradicional da paisagem do Sudoeste Alentejano utilizou como fonte de informação o COS 2007 (Instituto Geográfico Português 2011), com a legenda correspondente ao nível 2. O Quadro 10 descreve o modo como as classes de cobertura do solo COS 2007 foram convertidas no gradiente referente ao carácter tradicional da paisagem.

Quadro 10 – Conversão das classes de cobertura do solo COS 2007 quanto ao carácter tradicional da paisagem. Legenda COS 2007 (nível 2) Classificação Zonas urbanas históricas Zonas descobertas e com pouca vegetação (adjacentes à faixa 5 costeira) Florestas 4 Zonas húmidas interiores Culturas temporárias Pastagens permanentes 3 Florestas abertas e vegetação arbustiva e herbácea Zonas húmidas litorais Culturas permanentes 2 Áreas agrícolas heterogéneas Tecido urbano Indústria, comércio e transportes Espaços verdes urbanos, equipamentos desportivos, culturais e de 1 lazer (excepto zonas históricas) Áreas de extracção de inertes, áreas de deposição de resíduos e estaleiros de construção

Tal como no caso da estrutura da cobertura vegetal, layer digital vectorial obtida após a classificação foi então convertida para o formato matricial, com a resolução espacial do MDE (26,67 m de pixel), com alinhamento dos pixel pela mesma layer. A Figura 39 apresenta o produto cartográfico gerado, correspondente à Carta do carácter tradicional da paisagem do Sudoeste Alentejano.

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Figura 39 – Carta do carácter tradicional da paisagem (escala 1 / 400 000). 5 – Carácter tradicional da paisagem muito elevado; 4 – Carácter tradicional da paisagem elevado; 3 – Carácter tradicional da paisagem médio; 2 – Carácter tradicional da paisagem baixo; 1 – Carácter tradicional da paisagem muito baixo.

3.5 CARTA DE QUALIDADE VISUAL DA PAISAGEM DO SUDOESTE ALENTEJANO

Uma vez construídas as layers digitais matriciais correspondentes a cada um dos factores considerados na regressão linear efectuada, é chegado o

97

momento de construir, recorrendo à álgebra de mapas, a carta de qualidade visual do Sudoeste Alentejano.

O termo «álgebra de mapas» foi introduzido por Tomlin (1990), referindo-se ao processo de modelação cartográfica no qual dois ou mais mapas referentes ao mesmo espaço geográfico (no formato matricial, também conhecido por raster) são combinados por meio de operações algébricas, sendo que os valores de cada pixel constituem as variáveis da expressão algébrica que será resolvida local-a-local (Burrough & McDonnell 1998; Malczewski 2004). A operação algébrica permitirá então obter o modelo espacialmente explícito da apreciação da qualidade visual da paisagem com base na preferência expressa pelo público, através da implementação da função de regressão linear obtida no capítulo 3.3.2, utilizando como inputs os seis mapas referentes aos factores explicativos anteriormente caracterizados.

Consequentemente, a expressão utilizada foi:

QVP = 1.088 + (0.2291*[Água]) + (0.1572*[Tradicional]) + (0.1131*[Estrutura]) + (0.1039*[Relevo]) + (0.0998*[Património]) + (0.0953*[Densidade]) com QVP – Qualidade Visual da Paisagem; Água – Visibilidade para massas de água; Relevo – Formas do relevo; Densidade – Densidade da cobertura vegetal; Património – Visibilidade para elementos de património construído; Tradicional – Carácter tradicional da paisagem; Estrutura – Estrutura da cobertura vegetal.

A carta de qualidade visual da paisagem do Sudoeste Alentejano é apresentada na Figura 42. Uma análise visual da mesma permite apresentar o seguinte conjunto de conclusões, como síntese do trabalho efectuado:

1. As paisagens de maior qualidade visual encontram-se fortemente correlacionadas com a presença de água. Daí que estas se distribuam de forma contínua ao longo da linha de costa e dos vales das principais linhas de água, designadamente rio Mira e ribeira de Seixe. No que respeita à linha de costa, percebe-se ainda que no troço a norte de Vila Nova de Milfontes a faixa de território com maior qualidade visual estende-se mais para o interior do território, dada a

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suave inclinação do terreno para oeste, o que permite ter boa visibilidade para o mar e por vezes até para a praia, mesmo a alguma distância da costa (Figura 40). Por outro lado, a sul de Milfontes a linha de costa passa a ser predominantemente constituída por arribas rochosas, por vezes com comandos48 de mais de 50m, encimadas por uma plataforma arenosa bastante plana. Essas características reduzem grandemente a faixa de terreno com boas condições de visibilidade para o mar e a praia, factor que imediatamente se repercute na qualidade visual do local. Salienta-se ainda a existência de uma área considerável de terrenos com elevada qualidade visual nas encostas da Serra de São Luís.

Figura 40 – Troço de costa a norte de Milfontes, constituído por uma faixa de terreno suavemente inclinado para ocidente, favorecendo a visibilidade para o mar. Foto do autor.

2. As áreas no ‘miolo’ da plataforma litoral, predominantemente agrícolas, apresentam qualidade visual média, sendo esta positivamente influenciada pela ‘quantidade de verde’ que essa paisagem apresenta, e negativamente afectada pela florestação (vd. áreas florestais nos arredores de Sines), pela proliferação da edificação em espaço rural, por vezes de origem clandestina (vd. localidades como Brunheiras e Galeado), bem como pela presença de culturas permanentes com grande impacte paisagístico como por exemplo os laranjais de produção intensiva (regados e desprovidos de vegetação herbácea no solo) próximos da localidade de Malavado (vd. Figura 41).

48 Altura determinada como a diferença de nível entre a crista da arriba e o nível de base (nível médio das águas do mar).

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Figura 41 – Laranjais de produção intensiva na localidade de Malavado. Foto do autor.

3. As áreas do perímetro industrial de Sines, em particular na Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS), encontram-se na área com maior concentração de territórios com qualidade visual baixa ou muito baixa, o que seria de esperar, mas relembra-se que estas áreas se encontram fora da área de estudo, pelo que não existiam fotos destas instalações industriais na Q-sample que foi submetida a inquérito. Tal resultado demonstra a robustez do modelo obtido, embora este tenha claramente produzido melhores resultados em contexto rural do que em contexto urbano, no qual a complexidade da realidade é muito superior à retratada no modelo, nomeadamente no que respeita às análises de visibilidade efectuadas. Também a utilização apenas do nível 2 da legenda da cartografia COS 2007 pode ter contribuído para uma simplificação exagerada e indesejável do modelo, mas dados os constrangimentos financeiros existentes na elaboração do estudo considera-se que foi atingido um nível bastante aceitável na relação custo/qualidade do modelo.

Em conclusão, pode afirmar-se que a modelação cartográfica da qualidade visual das paisagens constituir uma área de investigação com grande potencial de desenvolvimento, dado o aumento da capacidade de processamento e sofisticação dos SIG tanto no que se refere à componente de Hardware como à componente de Software, bem como ao aumento de oferta de informação de base espacialmente detalhada e com custos de aquisição baixos ou mesmo nulos. Também do lado da literatura científica se assiste a uma crescente disponibilidade da mesma, o que torna possível implementar mais e melhores modelos, de forma informada, objectiva e tirando partido

100

da partilha de experiências e da franca colaboração entre grupos de investigadores. O modelo implementado neste estudo constitui uma primeira abordagem, a qual poderá (e deverá) ser melhorada no futuro, mas que permite já a sua integração com outras abordagens ao estudo da qualidade da paisagem, tal como o que se apresenta no Capítulo 4, da qual poderão resultar interessantes conclusões e propostas para a gestão do território em causa.

Figura 42 – Carta de qualidade visual da paisagem do Sudoeste Alentejano (escala 1 / 400 000).

101

102

4 A PAISAGEM VEGETAL DO SUDOESTE ALENTEJANO49

4.1 INTRODUÇÃO

O território formado pelo Alentejo Litoral e pelo Algarve Ocidental apresenta no conjunto de Portugal continental uma franca originalidade do ponto de vista da sua flora e vegetação. Em toda esta faixa é possível encontrar uma grande quantidade de plantas e comunidades vegetais endémicas deste território (Costa et al. 1998), que justificam o seu elevado valor em matéria de protecção e conservação. Também por esta razão este território tem sido alvo de numerosos estudos geobotânicos (Rivas-Martínez et al. 1990; Mateus 1992; Costa, Espírito-Santo & Lousã 1994; Lima e Santos 1995; Neto et al. 1997; Neto 1997; Neto et al. 2001; Neto 2002; Paiva-Ferreira, Mendes & Neto 2002; Paiva-Ferreira & Pinto-Gomes 2002; Pinto-Gomes et al. 2003; Neto, Capelo & Costa 2004; Neto et al. 2005; Capelo 2007; Quinto- Canas et al. 2010; Vila-Viçosa et al. inéd.), com base nos quais é hoje possível obter uma representação bastante complexa e completa da Flora e Vegetação de todo este importantíssimo território. Esta importância advém da sua grande diversidade geológica, hidrológica, geomorfológica e topoclimática, a qual justifica a diversidade de comunidades vegetais que aí ocorrem. No seu conjunto estas comunidades são a manifestação de uma história geológica e geomorfológica complexa que está associada às orogenias Hercínica e Alpina, à abertura do Atlântico, ao choque das placas Euro-Asiática e Africana, às penetrações do mar próximo da costa (transgressões), à formação da superfície poligénica da Peneplanície Alentejana e às glaciações quaternárias.

No presente capítulo será apresentada uma descrição da paisagem vegetal do Sudoeste Alentejano no troço litoral compreendido entre Sines e Odeceixe, área que corresponde aproximadamente à metade setentrional do Sítio de Importância Comunitária (SIC) da Rede Natura 2000 designado “PTCON0012 – Costa Sudoeste”. O seu ponto mais ocidental corresponde ao cabo Sardão e o ponto mais alto ao vértice geodésico de Santo Isidoro (serra no Cercal, com 372 m de altitude).

49 O presente capítulo constitui, juntamente com os Anexos I, II e III, uma versão unificada, revista e ampliada dos seguintes artigos: (Arsénio et al. 2009; Neto, Arsénio & Costa 2009).

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Do ponto de vista da divisão administrativa do território estudado, este reparte-se pelos concelhos de Sines, Odemira e ainda Santiago do Cacém.

4.2 GEOLOGIA E MORFOLOGIA

4.2.1 Considerações gerais

Segundo Ribeiro et al. (1979), do ponto de vista estrutural o sul de Portugal é dominado por três conjuntos, respectivamente: a Zona Sul-Portuguesa (maioritariamente constituída pelo Baixo Alentejo, com materiais paleozóicos), a Bacia Ceno-Antropozóica do Tejo-Sado (de materiais essencialmente plio-quaternários) e a Bordadura Meridional a que corresponde a quase totalidade do Algarve (materiais predominantemente mesozóicos: Jurássico, Cretácico e Miocénico) (Figura 43).

A maior parte do Baixo Alentejo é dominada pela Meseta Ibérica Sul, constituída por materiais típicos do Maciço Antigo (xistos, grauvaques, quartzitos, dioritos e gabros). Estes materiais, de idades que variam entre o Devónico e o Carbonífero (Paleozóico), sofreram um forte enrugamento durante a orogenia Hercínica ou Varisca (colisão entre os continentes Gondwana e Laurásia) constituindo relevos que lentamente foram erodidos até se constituir a actual Peneplanície Alentejana (Figura 44).

4.2.2 A Peneplanície Alentejana e o maciço marginal (serras de Grândola e Cercal)

A Peneplanície Alentejana é uma unidade geomorfológica que se define por uma extensa plataforma de aplanamento, ondulada devido ao encaixe da rede hidrográfica e a movimentos de rejuvenescimento (Feio 1983). Constitui o elemento fundamental do relevo do Baixo Alentejo e na sua extremidade ocidental é limitada por um conjunto de relevos (Serra de Grândola, com 326 m., do Cercal, com 373 m e de São Luís, com 324 m) que constituem empolamentos da superfície da peneplanície devidos a movimentos tectónicos, formando um conjunto (maciço marginal alongado no sentido Norte-Sul) de cerca de 60 km. Este alinhamento de relevos está separado do mar por uma plataforma litoral (planície litoral). Em termos litológicos, a região é predominantemente constituída por rochas metamórficas não carbonatadas, essencialmente xistos e grauvaques. Assinala-se ainda a ocorrência do Complexo Vulcano-Silicioso do Cercal, uma sequência de

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rochas vulcânicas antigas (com idade escalonada entre o Fameniano e o Viseano Superior (Paleozóico)), correspondendo aos relevos do Cercal e de São Luís. Trata-se de uma unidade estratigráfica heterogénea (e também de espessura variável), com afinidades litológicas com a Faixa Piritosa alentejana, composta por rochas vulcânicas ácidas em cuja matriz predominam o quartzo e a albite (por vezes também o feldspato potássico), com texturas diversas. São conhecidas nesta formação várias áreas de exploração mineira, designadamente de Ferro e Manganês, sendo dignas de registo as da Serra da Mina e Serra do Rosalgar (Oliveira 1984).

Figura 43 – As regiões estruturais do sul de Portugal segundo Ribeiro et al. (1979). 1 – bacia sedimentar terciária e quaternária; 2 – bordadura sedimentar secundária; 3 – cadeia alpina; 4 – soco hercínico; 5 – falha tardi-hercínica; 6 – cavalgamento hercínico.

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4.2.3 A plataforma litoral

Esta plataforma litoral corresponde a uma superfície de aplanamento poligénica, ou plataforma de abrasão marinha, a qual apresenta um comprimento total de mais de 150 km entre a Praia do Pego (Sado) e o Promontório Vicentino (Algarve) e uma largura variável de 5 a 15 km, entre a linha de costa (ou arribas na proximidade desta, quando existam praias) e o primeiro alinhamento de relevos nos quais se incluem as serras de Grândola, do Cercal e, mais a sul, da Vigia e de Monchique (Figura 44). Depois de formada, esta superfície de abrasão foi sujeita a erosão subaérea, com consequente entalhe pela rede hidrográfica, tendo-se posteriormente depositado o extenso Complexo Sedimentar Cenozóico (datado do topo do Terciário e Quaternário). Esta estrutura está pois coberta por uma película de areias e encontra-se longitudinalmente desnivelada de sul para norte50, (geralmente com declives que variam entre 0,5 e 1,5 por cento), o que pode ser comprovado pela análise da sua cota, que varia entre alguns metros, nas imediações de Porto Covo e 150 m ao norte de Sagres (Feio & Daveau 2004; Oliveira 1984). O contacto com o sopé das colinas sublitorais que a marginam por Leste pode suceder de forma diversa: “por vezes, como na área da Serra do Cercal ou em frente de São Teotónio, a superfície termina contra um abrupto; noutros locais como em Odemira, em frente da Bordeira e da Vila do Bispo, passa-se insensivelmente da planície litoral para uma superfície sem depósitos e dissecada pela erosão, que se estende para o interior” (Oliveira 1984, p. 14). Do lado do mar, para Oeste, a plataforma litoral termina em arribas por vezes alterosas sobre o mar ou sobre dunas de areia que se acumularam na base. Estas arribas são, actualmente, interpretadas como estruturais, ou seja, poderão corresponder a escarpas de falha entretanto já recuadas pela acção erosiva do oceano Atlântico. Estas escarpas poderão estar de alguma forma associadas à fracturação do sector mais ocidental da peneplanície do Alentejo e consequente abertura do Atlântico. Ou seja, a peneplanície estender-se-ia muito mais para ocidente do que actualmente sucede.

50 O desnível discutido refere-se ao comportamento geral, longitudinal, da macroestrutura da plataforma litoral ocidental definida por Ramos (1990), sendo que, transversalmente, a plataforma se inclina para Oeste.

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Figura 44 – Carta Geológica do sul de Portugal segundo Feio (1983). 1 – maciço antigo (xistos); 2 – maciço antigo (rochas eruptivas); 3 – maciço eruptivo de Monchique; 4 – rochas eruptivas da bordadura; 5 – bordadura secundária; 6 – calcários lacustres (Oligocénico); 7 – Miocénico marinho; 8 – bacia do Sado e planície litoral (sobretudo Pliocénico); 9 – Rañas (Pliocénico superior continental); 10 – depósitos quaternários.

4.2.4 Coberturas arenosas, (praias, dunas recentes e antigas)

A estrutura sedimentar que cobre a plataforma de abrasão marinha entre as colinas sublitorais de orientação Norte-Sul e o mar apresenta, próximo do litoral, uma cobertura arenosa frequentemente de carácter dunar, a qual corresponde aos materiais de deposição mais recente, formando uma película de reduzida espessura (alcançando, raramente, uma espessura de 20 m, segundo Oliveira et al. (1984)). Estas dunas e coberturas arenosas inserem- se no grande complexo de depósitos de areias antigas, de carácter dunar ou não, formando um conjunto sempre presente no litoral ocidental de Portugal desde Aveiro para sul e apresentam frequentemente uma cor ocre

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devido à presença, embora escassa, de ferro. A podzolização é um fenómeno frequente nos solos que evoluíram sobre estes materiais o que nos remete a sua formação para períodos com uma realidade climática diferente da actual.

As dunas antigas (interiores) distinguem-se das recentes que contactam com a praia pelas comunidades vegetais que as constituem pela coloração das areias (brancas ou acinzentadas nas holocénicas e amareladas ou ocre nas dunas antigas) e pela podzolização com frequente formação de crosta aliótica (surraipa, ou ortstein) nas dunas antigas, processo este que não ocorre nas dunas actuais (Moreira 1985). As dunas antigas têm a sua origem associada aos períodos frios e secos do Quaternário durante os quais os extensos areais litorais surgem como consequência do abaixamento do nível do mar e consequente emersão de uma faixa da antiga plataforma continental, a qual se constituirá como fonte da areia que vai ser mobilizada pelo vento para o interior (Feio & Daveau 2004). A areia movimenta-se nos períodos frios e secos, por efeito do vento e as partículas arenosas deslocam-se sobre uma superfície de deflação constituída pelos arenitos, conglomerados e pelitos das formações plio-plistocénicas já entretanto recortadas pela rede hidrográfica (Figura 45).

Figura 45 – Esquema teórico do processo de transporte das partículas arenosas da faixa litoral para o interior, ocorrido durante os períodos frios e secos do Quaternário.

A areia em movimento para o interior vai encobrir a superfície dos arenitos e, em geral, acompanha a topografia pré-existente. Esporadicamente podem observar-se afloramentos areníticos, que constituem a superfície topográfica

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nos pontos onde a areia não se acumulou ou foi entretanto transportada pelo vento, ou ainda na crista de algumas arribas vivas. Os actuais corredores interdunares não são mais do que antigos valeiros na superfície arenítica do Plio-Plistocénico, entretanto atapetadas por areias eólicas.

4.2.5 As arribas litorais

Para sul da Praia do Pego (Grândola) e até ao Algarve, a costa Ocidental Portuguesa é maioritariamente talhada em arriba. Do ponto de vista litológico essas arribas organizam-se em dois grupos: para norte de Sines dominam as arribas areníticas e a sua instabilidade e abarrancamento devido à erosão subaérea, dificultam muito a instalação da vegetação. As comunidades que aí se conseguem instalar são floristicamente mais pobres do que as das arribas xistosas (Figura 46). Também a diversidade de comunidades vegetais é menor: por exemplo, não se conhecem nesse troço litoral quaisquer comunidades brio-pteridofíticas da Adiantetea51, pois estas só conseguem instalar-se em paredes rochosas relativamente estáveis, que não estejam sujeitas a taxas de recuo significativas como acontece nas arribas areníticas da Costa da Galé (para norte de Sines). Nas arribas areníticas o único vegetal da classe Adiantetea que tem possibilidade de se instalar é o Samolus valerandi, no âmbito das comunidades da classe Molinio- Arrhenatheretea.

Para sul de Sines a estabilidade das arribas é maior e em regra verifica-se uma diferenciação vertical com a definição de dois sectores. O sector mais inferior que, ocupa em geral mais de 50% da altura da arriba, ocupado pelas rochas mais antigas, (sobretudo xistos, quartzitos e filões de quartzo), formando um conjunto duro e relativamente estável onde se desenvolvem pequenas cavidades (half-caves), nas quais se instalam as comunidades da classe Adiantetea (Neto et al. 2007). O sector mais elevado das arribas é, em geral, ocupado por materiais de natureza arenítica (areias, arenitos, conglomerados de fraca coesão) e praias levantadas com seixos rolados, por vezes de grande dimensão (Figura 47). Este conjunto é de idade maioritariamente Quaternária (topo do Terciário e Quaternário) e, se exceptuarmos os arenitos

51 Assinala-se que, de facto, para o troço litoral em causa (Tróia-Sines) não são conhecidas ocorrências das referidas comunidades, no entanto Arsénio (2003) referiu a existência dessas comunidades numa arriba detrítica da Península de Setúbal, a norte do troço litoral anteriormente referido.

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consolidados, apresenta dureza muito menor do que o conjunto anterior, sendo facilmente atacado pela erosão subaérea que lhe imprime uma grande instabilidade e maior grau de abarrancamento. Algumas das formações litológicas que integram este conjunto apresentam um elevado índice de permeabilidade e têm uma importância fundamental na constituição das escorrências de água (Figura 47).

Figura 46 – Geopermasigmetum psamófilo e permasigmetum rupícola das arribas areníticas.

Do ponto de vista litológico, os materiais que afloram no sector inferior da arriba são “predominantemente xistentos, com intercalações de grauvaques, bancadas de quartzitos e, mais raramente calcários, com idade compreendida entre o Devónico e o Carbónico” (Ramos Pereira 1990, p. 35). Estes materiais paleozóicos constituem a parte mais ocidental da Peneplanície Alentejana.

110

Os primeiros materiais a depositar-se sobre o soco paleozóico que constitui a plataforma litoral, são os arenitos vermelhos do Plio-Plistocénico, que constituem a formação dominante, devido à grande extensão que ocupa. Trata-se de um conjunto fundamentalmente arenítico com algumas intercalações conglomeráticas, sem fracção carbonatada, com algum ferro, de fraca coesão geral e elevada permeabilidade. Sobreposta a esta formação aparecem localmente alguns leques aluviais, de carácter torrencial, atribuídos à crise climática semiárida do Vilafranquiano. Sobrepostos a estes materiais, afloram, frequentemente, arenitos e dunas consolidadas com cimento calcário, de elevada dureza, sobre as quais se desenvolve o extenso campo dunar actual (Holocénico) que convive com as gerações de dunas antigas, a maioria das quais formadas nos períodos frios e secos do Würm (Figura 45).

Do ponto de vista hidrogeomorfológico e da vegetação as arribas são dominadas por dois tipos de habitats distintos: 1. áreas com escorrências de água, dominadas por vegetação das classes Adiantetea e Molinio- Arrhenatheretea; 2. áreas secas dominadas por vegetação da classe Crithmo- Limonietea.

4.2.6 A circulação hidrológica e as escorrências permanentes de água nas arribas xistosas

Como se constatou no subcapítulo anterior, a plataforma litoral, talhada no soco paleozóico, encontra-se coberta de materiais que apresentam, em regra, uma elevada permeabilidade. Assim, a quase totalidade da água da chuva que cai sobretudo no Outono e no Inverno, infiltra-se de imediato nas areias dunares e não se verifica, praticamente, escoamento superficial. A água de gravidade migra em profundidade, sem grandes obstáculos, até ao contacto com a superfície da plataforma litoral talhada nas rochas Paleozóicas. A única formação litológica capaz de travar este movimento são os arenitos consolidados, devido à sua compacidade elevada (Figura 47). Contudo estes arenitos constituem uma formação descontínua, para além de que estão fortemente fracturados em blocos, devido à tectónica e portanto a água facilmente penetra através destas fendas. Assim, constitui-se uma extensa toalha freática ao nível da Formação Vermelha, no contacto com o soco paleozóico. Devido à inclinação geral que a plataforma litoral apresenta, para Noroeste, o escoamento geral da água faz-se em direcção ao litoral.

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Figura 47 – Comunidades vegetais associadas respectivamente às dunas holocénicas recentes, arribas xistosas com escorrência permanente de água, dunas e coberturas arenosas antigas, dunas consolidadas e depósitos mio-plio- quaternários, segundo a designação utilizada por Ramos (1990). Comunidades: a – Spergulario rupicolae-Limonietum virgatae; b – Loto cretici- Ammophiletum australis; c – Artemisio crithmifoliae-Armerietum pungentis; d – Herniario algarvicae-Linarietum ficalhoanae; e – Osyrio quadripartitae-Juniperetum turbinatae; f – Thymo camphorati-Stauracanthetum spectabilis; g – Querco cocciferae-Juniperetum turbinatae. Geologia: 1 – Xistos do Paleozóico; 2 – Formação vermelha (arenito de fino a grosseiro, de cor vermelha devido à riqueza em ferro. Na base pode apresentar-se leitos de blocos rolados de quartzito ou grauvaque); 3 – Formação de Aivados- Bugalheira (arenito médio a grosseiro, de cor amarela); 4 – Arenito dunar do Malhão (arenito dunar muito consolidado, com cimento calcário); 5 – Campo dunar não consolidado; 6 – Dunas actuais holocénicas.

Deste modo constitui-se uma escorrência subsuperfícial da água (escorrência hipodérmica) que aproveita os sectores mais deprimidos da morfologia da plataforma talhada nos materiais do Paleozóico (Figura 48). Esta concentração da água nos sectores mais deprimidos (pequenos valeiros subterrâneos) faz-se segundo os mesmos princípios do escoamento superficial da água nas vertentes. No seu movimento para oeste a água encontra as arribas litorais onde forma nascentes de água permanentes,

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situadas em regra entre os materiais da Formação Vermelha e a superfície da plataforma litoral, talhada nos materiais Paleozóicos. O débito nunca é muito elevado, contudo verifica-se uma oscilação do caudal durante o ano (máximo no Inverno e mínimo no Verão). A água escorre, normalmente ao longo da parede e as cascatas não são vulgares, se exceptuarmos as microcascatas que se constituem nas irregularidades da arriba. Estas escorrências permanentes de água durante o Verão são estranhas para um território de clima mediterrânico com longo período de seca e apenas 600- 700 mm de precipitação anual (Daveau 1972). Apesar da fraca precipitação anual a quase totalidade da água da chuva que chega à superfície do solo infiltra-se e a evapotranspiração apresenta um valor baixo. Mesmo no Verão esta água subterrânea não tem possibilidade de chegar à superfície por capilaridade, pois as areias, arenitos, conglomerados e cascalheiras não apresentam microporosidade. Desta forma a alimentação das nascentes é lenta mas constante.

Figura 48 – Esquema de circulação hidrológica que permite a formação das “microcascatas” permanentemente alimentadas nas arribas xistosas do Alentejo litoral. 1 – Escorrência hipodérmica que se realiza nos valeiros definidos na superfície dos xistos do Paleozóico; 2 – Escorrência superficial ao longo das paredes xistosas; 3 – Depósitos discordantes de carácter detrítico de idade mio-plio-plistocénica. O sector mais elevado desta série é constituído pelas dunas antigas, por vezes podzolizadas.

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4.3 CLIMATOLOGIA E BIOCLIMATOLOGIA

4.3.1 Clima regional

O clima da região em estudo (distritos biogeográficos Costeiro Vicentino e Monchiquense) apresenta características mediterrâneas, com uma evidente influência atlântica. A enorme planura da região implica uma quase total ausência de barreiras de condensação da humidade das massas de ar oceânicas. Os territórios correspondentes ao distrito Costeiro Vicentino recebem menos de 600 mm de precipitação anual distribuídos por 70 a 80 dias/ano dos quais 75% ocorrem entre Novembro e Abril. Apenas as serras de Grândola e Cercal ultrapassam os 700 mm de precipitação anual, mas a fraca altitude destas serras não permite o seu funcionamento como importantes barreiras de condensação. Na estação meteorológica de Sines, a média de precipitação anual, no período 1961-90 é de 493.3 mm (Quadro 11), no entanto a variabilidade interanual dos valores da precipitação é acentuada, como se verifica, em regra, nos climas mediterrânicos.

O período seco definido por R (mm) <2T (ºC), nas estações da região estudada (Sines, Zambujeira do Mar, Sagres e Alvalade) apresenta uma duração de cinco meses (de Maio a Setembro), com excepção de Monchique que apresenta um período seco de 4 meses (Maio a Agosto) (Figura 49).

Perante a realidade climática descrita, os nevoeiros estivais que caracterizam os territórios próximos do litoral são muito importantes para as plantas pois fornecem alguma água num período do ano em que estas mais necessitam. Estes nevoeiros estivais, designados de advecção, estão associados às águas frias do litoral ocidental de Portugal continental e portanto ao sistema de upwelling. Este tipo de nevoeiro é especialmente evidente para norte do cabo da Roca (Daveau 1985). Para sul do Tejo verifica-se uma importante descontinuidade na actuação deste fenómeno meteorológico estival. Entre Setúbal e Sines verifica-se uma fraca incidência dos nevoeiros de advecção estivais. Para sul de Sines a sua importância volta a aumentar e regista um máximo no Promontório Vicentino. Assim, o abrigo provocado pela serra da Arrábida não permite a influência dos nevoeiros estivais no distrito Sadense e constitui uma das razões determinantes para as diferenças de flora e de vegetação entre os distritos Sadense e Costeiro Vicentino; este último com uma maior incidência de nevoeiros de advecção estival (Daveau 1985).

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Sines 37°57'N 08°53'W (15 m) Zambujeira 37°30'N 08°45'W (106 m) 1971-1990 15.7C 493 mm 1967-1990 15.1C 587 mm 300 300

C mm C mm

50 100 50 100

40 80 40 80

21.6 25.7

30 60 30 60

20 40 20 40

9.4 6.2

10 20 10 20

0 0 0 0 JFMAMJJASOND JFMAMJJASOND

Sagres 36 59'N 08 57'W (40 m) Caldas de Monchique 37°17'N 08°33'W (203 m) 1961-1990 16.4C 483 mm 1961-1981 17.3C 1880 mm 300 1100

C mm 900 50 100 700

500 40 80

23.4 300 C mm 30 60 50 100

40 80 20 40 30.6 30 60 10.3 20 40 10 20 7.7 10 20

0 0 0 0 JFMAMJJASOND JFMAMJJASOND

Figura 49 – Gráficos termopluviométricos das estações mais representativas da área em estudo.

4.3.2 Bioclima

O clima constitui um dos principais factores naturais condicionadores da distribuição da vegetação na superfície terrestre. Como tal, o conhecimento do clima de uma região ou local é de grande utilidade para a interpretação do coberto vegetal desse território. Nesse sentido, a Classificação Bioclimática da Terra (CBT) que, ao longo das últimas duas décadas, foi desenvolvida por Rivas-Martínez (e assessores)52 tem vindo a revelar-se como

52 A CBT tem vindo a ser desenvolvido em sucessivas aproximações, pelo que se torna difícil apresentar uma lista completa de referências bibliográficas. Destacam-se, por isso, apenas os trabalhos mais significativos ao longo desse desenvolvimento contínuo, como sejam: (Rivas-Martínez 1980; Rivas-

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um sistema de grande poder explicativo no que toca à relação entre clima e vegetação. Nele se conjugam parâmetros termométricos e pluviométricos, de modo a produzir uma classificação ombrotérmica que se adapta à topografia e mesoclima de cada região e simultaneamente apresenta grande poder discriminatório no que respeita à distribuição das suas comunidades vegetais (Loidi et al. 2009).

Segundo Mesquita (2009) a quase totalidade da área litoral para sul do Tejo e até ao Algarve localiza-se dentro do horizonte termomediterrânico superior; exceptuam-se alguns locais de carácter pontual, de maior altitude das Serras da Arrábida e de Grândola que chegam ao horizonte mesomediterrânico inferior e ainda o litoral algarvio que atinge o horizonte termomediterrânico inferior (Figura 50). Os horizontes ômbricos presentes na área estudada estão compreendidos entre o seco inferior e o húmido superior embora o dominante seja o seco superior. O seco ocorre de forma relativamente pontual nos territórios litorais para sul de Sines, especialmente em áreas abrigadas como é o caso do vale do Mira e ainda o Algarve oriental a ocidente de Lagos. O húmido superior ocorre exclusivamente nos pontos mais elevados da Serra de Monchique enquanto nas serras de Grândola e Cercal, de menor altitude, apenas se atinge o sub-húmido superior (Figura 51).

Também Monteiro-Henriques (2010) apresentou mapas bioclimáticos para Portugal continental e não se verificam grandes discrepâncias entre estes resultados e os anteriormente referidos. Deste estudo ressalta um outro aspecto bastante pertinente e que não é estudado com frequência: a oscilação dos pisos bioclimáticos devida à variabilidade interanual da precipitação (dentro da série temporal que é utilizada para o cálculo dos índices bioclimáticos), a qual se reflecte na variação espacial (altitudinal ou latitudinal) dos limites dos horizontes ômbricos presentes na região. Tal oscilação é, no caso da área em estudo e em particular ao longo do alinhamento de relevos das serras do Cercal e São Luís, bastante assinalável: refere-se o exemplo do topo do monte de São Domingos (onde se localiza o v.g. do mesmo nome), no qual se verifica uma mudança de horizonte ômbrico de Húmido Inferior para Seco Superior, i.e., uma alteração superior

Martínez 1995; Rivas-Martínez 1996; Rivas-Martínez 2007; Rivas-Martínez & Loidi 1999; Rivas-Martínez, Sánchez-Mata & Costa 1999).

116

a um piso ômbrico. A existência da referida variabilidade, mais acentuada em situações de ano seco, constituirá seguramente uma importante fonte de stress ambiental no período estival, funcionando como mecanismo de pressão selectiva sobre as espécies vegetais que ocorrem de forma natural nestas serras. Sugere-se inclusivamente a existência de correlação entre esta condição ambiental e a observação de traços morfológicos recorrentes na flora da região, como sejam a existência de órgãos subterrâneos ou superficiais para armazenamento de água e nutrientes em plantas vivazes (e.g., Urginea maritima (bolbo), Conopodium majus subsp. marizianum (tubérculo), Asphodelus lusitanicus, Serratula monardii e Simethis mattiazzi (rizoma), Scorzonera transtagana (toiça radical tuberosa), Tuberaria lignosa e Euphorbia transtagana (toiça lenhosa)). Este comportamento foi identificado por Walter (2002) em plantas localizadas em climas áridos (incluindo o clima mediterrânico), as quais designou por «plantas efemeróides». Também Blondel et al. (2010) salientam a existência deste grupo de plantas em regiões mediterrânicas, como forma de suportar regimes climáticos adversos, em que coincidem no tempo o período de maior escassez de precipitação e o período de temperaturas mensais médias (e também absolutas) mais elevadas.

Figura 50 – Termotipos dominantes no sul de Portugal segundo a classificação de Rivas-Martínez (2005). Extraído de: Mesquita (2009).

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Figura 51 – Ombrotipos dominantes no sul de Portugal segundo a classificação de RIVAS-MARTÍNEZ (2005). Extraído de: Mesquita (2009).

Quadro 11 – Valores dos Índices bioclimáticos calculados para algumas das estações inseridas na área de estudo (Mesquita, 2005).

Estação Latitude Longitude Itc Io Ios2 Ios3 Iosc4 Tp

Sagres 36º 59’N 08º 57’W 414 2.47 0.10 0.21 0.40 1956

Sines 37°57’N 08°53’W 391 2.60 0.16 0.26 0.63 1896

Zambujeira 37°30’N 08°45’W 367 3.24 0.14 0.36 0.75 1812

Caldas de 37°17’N 08°33’W 397 5.06 0.12 0.44 1.02 2016 Monchique m – média das temperaturas mínimas do mês mais frio do ano M – média das temperaturas máximas do mês mais frio do ano T – temperatura média anual Tmax: temperatura média do mês mais quente do ano Tmin: temperatura média do mês mais frio do ano Ic – Índice de Continentalidade Tmax-Tmin It – Índice de Termicidade (T + m +M) 10 Itc – Índice de Termicidade Compensado It + C, sendo C – compensação da termicidade Ic≤08 => C = 10 (Ic – 8) 18 C = 5 (Ic – 18) 21 C = 15 + 15 (Ic – 21) 28 C = 1250 + 25 (Ic – 28)

118

46 C = 545 + 30 (Ic – 46) Io – Índice Ombrotérmico Anual (Pp / Tp) 10, em que: Tp: temperatura positiva anual: soma das temperaturas médias mensais superiores a 0º C, em décimas de grau. Pp: precipitação positiva anual: soma da precipitação dos meses usados no cálculo de Tp Ios2 – Índice Ombrotérmico do Bimestre de Verão (Pps2 / Tps2) 10, em que: Tps2: soma das temperaturas médias mensais superiores a 0º C dos dois meses mais quentes do trimestre de Verão, em décimas de grau; Pps2: soma da precipitação dos meses usados no cálculo de Pps2 Ios3 – Índice Ombrotérmico do Trimestre de Verão (Pps3 / Tps3) 10, em que: Tps3: soma das temperaturas médias mensais superiores a 0ºC dos três meses mais quentes do trimestre de Verão, em décimas de grau; Pps3: soma da precipitação dos meses usados no cálculo de Pps3 Iosc4 – Índice Ombrotérmico de Verão Compensado (Pps4 / Tps4) 10, em que: Tps4. soma das temperaturas médias mensais superiores a 0º C dos três meses de Verão e do que os antecede, em décimas de grau; Pps4: soma da precipitação dos meses usados no cálculo de Pps4 Tp – temperatura positiva anual: soma das temperaturas médias mensais superiores a 0º C, em décimas de grau

4.4 BIOGEOGRAFIA

O presente capítulo tem como referência o trabalho de Rivas-Martínez (2007) no que respeita à circunscrição geográfica e designação das unidades biogeográficas doravante referidas. Dado que esta obra tem apenas publicada a sua Parte I, a qual não inclui um mapa biogeográfico da Península Ibérica, foi efectuado no âmbito da referida tese um esboço interpretativo desse mesmo mapa, com base na informação constante no volume publicado (designadamente nos seus capítulos 1.2.3b. Tipología biogeográfica de España y Portugal hasta el rango distrital, 1.2.3c. Contenido geográfico de los distritos de España y Portugal e 1.2.3g Tipología biogeográfica de Portugal Continental (Costa et al. 1998)), e que se apresenta no Anexo I. Para a área em estudo verifica-se que não há diferenças de limite entre as unidades biogeográficas das supracitadas obras, mas apenas ligeiras alterações nas designações das ditas unidades, pelo que a caracterização abaixo reproduzida segue o trabalho de Costa et al. (1998).

A área estudada situa-se no sul de Portugal e biogeograficamente está incluída maioritariamente no Distrito Costeiro Vicentino, (Região Mediterrânica; Província Lusitano-Andaluza Litoral; Subprovíncia Gaditano- Algarvia; Sector Algarvio). Apenas as Serras de Grândola e Cercal (s.l., incluindo as serras de São Luís e Odemira) e pertencem ao Distrito Monchiquense (Região Mediterrânica; Província Mediterrânica Ibérica Ocidental, Subprovíncia Luso-Estremadurense; Sector Mariânico- Monchiquense; Subsector Alentejano-Monchiquense (Figura 52).

119

Figura 52 – Carta biogeográfica da área estudada. Adaptado de Costa et al. (1998).

4.4.1 Província Lusitano-Andaluza Litoral

Estende-se desde a Figueira da Foz até Marbella (Málaga) e desenvolve-se sempre numa faixa litoral dominada por formações geológicas do Cenozóico (de idades entre o Terciário e o Quaternário). Neste aspecto este território diferencia-se claramente dos que se situam imediatamente para o interior do continente, dominados por rochas de idade mais antiga (predominantemente xistos). São dominantes as areias, os arenitos e os calcários e uma forte influência do mar, directa (ondulação e salsugem) ou indirecta (nevoeiros estivais, quase ausência de geada e fracas amplitudes térmicas). Segundo Costa et al. (1998, p. 25): “a flora desta Província é rica em elementos paleotropicais lianóides e lauróides de folhas coriáceas (plantas da “durisilva” oceânica pluvial). Esta vegetação antiga, remontando aos paleoambientes tropicais e mediterrânicos pluviestacionais, não tendo sofrido o efeito das glaciações, persiste na Macaronésia (Pruno-Lauretea azoricae)”. Ainda segundo o mesmo autor, o clima ameno fortemente influenciado pelo mar permitiu a permanência destes territórios litorais longe de uma influência

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mais intensa das glaciações Quaternárias. Este facto possibilitou a permanência de elementos terciários paleomediterrânicos em comum com as províncias Canária, Madeirense e Açoriana (e.g. Myrica faya, Convolvulus fernandesii, Cheilanthes guanchica, Polypodium macaronesicum, Woodwardia radicans, etc.) aos quais se juntaram inúmeros elementos mauritânicos e pôntico-índicos.

A sua flora inclui assim, numerosos endemismos de que se podem destacar os seguintes táxones: Arabis sadina, Armeria gaditana, A. macrophylla, A. velutina, Arenaria algarbiensis, Biarum galianii, Brassica barrelieri subsp. oxyrrhina, Cirsium welwitschii, Cistus libanotis, Dianthus broteri subsp. hinoxianus, Erica umbellata var. major, Euphorbia baetica, E. welwitschii, E. transtagana, Fritillaria lusitanica var. stenophylla, Helichrysum picardii subsp. virescens, Herniaria maritima, Juncus valvatus, Leuzea longifolia, Loeflingia tavaresiana, Limonium algarvense, L. diffusum, L. lanceolatum, Linaria lamarckii, L. ficalhoana, Narcissus calcicola, N. gaditanus, N. willkommii, Romulea ramiflora subsp. gaditana, Salvia sclareoides, Scilla odorata, Scrophularia sublyrata, Serratula baetica subsp. lusitanica, Stauracanthus genistoides, S. spectabilis subsp. vicentinus, Thymus albicans, T. mastichina subsp. donyanae, T. carnosus, Ulex airensis, U. subsericeus, U. australis subsp. australis, U. australis subsp. welwitschianus, Verbascum litigiosum. Existem outras espécies que são preferenciais deste território como Armeria pungens, Arthrocnemum macrostachyum, Asparagus albus, A. aphyllus, Bartsia aspera, Carduus meonanthus, Ceratonia siliqua, Cheirolophus sempervirens, Corema album, Deschampsia stricta, Fumana thymifolia, Genista tournefortii, Halimium calycinum, H. halimifolium, Lavandula pedunculata subsp. lusitanica, Limoniastrum monopetalum, Lotus creticus, Nepeta tuberosa, Osyris lanceolata (= O. quadripartita), Quercus faginea subsp. broteroi, Q. lusitanica, Retama monosperma, Stachys germanica subsp. lusitanica, S. ocymastrum, Stauracanthus boivinii, Sideritis hirsuta var. hirtula, Thymus villosus s.l., etc. (Costa et al. 1998).

Também o Distrito Costeiro Vicentino é rico em endemismos, tais como: Chaenorhinum serpyllifolium subsp. lusitanicum, Dittrichia maritima, Herniaria algarvica, Linaria algarviana, Malcolmia littorea var. alyssoides, M. triloba subsp. gracillima, Plantago almogravensis, Stauracanthus spectabilis subsp. spectabilis Thymus camphoratus, Linaria ficalhoana, Iberis contracta subsp. welwitschii, Hyacinthoides vicentina subsp. transtagana, Cistus palhinhae e Limonium lanceolatum.

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Outras espécies de grande importância que ocorrem no território são: Sphagnum auriculatum (tem na praia da Zambujeira a sua posição mais meridional em toda a sua área de distribuição), Asplenium marinum (espécie rara), Carex demissa (espécie rara no território) e Arnica montana subsp. atlantica (rara na área estudada). As comunidades Thymo camphorati- Stauracanthetum spectabilis, Genisto triacanthi-Stauracanthetum spectabilis, Genisto triacanthi-Cistetum palhinhae, Spergulario rupicolae-Limonietum virgati, Didymodon spadicei-Adiantetum capilli-veneris, só se assinalam neste Distrito, no entanto também contribuem para a sua caracterização: Oleo sylvestris- Quercetum suberis, Asparago aphylli-Quercetum suberis, Querco cocciferae- Juniperetum turbinatae, Osyrio quadripartitae-Juniperetum turbinatae, Rubio longifoliae-Corematetum albi, Querco lusitanicae-Stauracanthetum boivinii, Stipo giganteae-Stauracanthetum vicentini, Artemisio crithmifoliae-Armerietum pungentis, Herniario algarvicae-Linarietum ficalhoanae, Geranio purpurei- Galietum minutuli, Inuletum revolutae e Santolinetum impressae.

4.4.2 Província Mediterrânica Ibérica Ocidental

Desta unidade importa apenas caracterizar a subprovíncia Luso- Estremadurense, a qual está intimamente associada a materiais siliciosos de carácter xistoso e granítico. Do ponto de vista geomorfológico os limites desta província são praticamente coincidentes com a Meseta Sul (Peneplanície Alentejana). A Ocidente contacta com as formações detríticas plio-plistocénicas que cobrem a plataforma litoral, já pertencentes à província Lusitano-Andaluza Litoral. Para norte e noroeste contacta com as bacias sedimentares do Tejo e Sado e ainda com o Maciço Calcário Estremenho (Orla Meso-Cenozóica Ocidental). Para sul contacta com os calcários do Barrocal Algarvio (Orla Meso-Cenozóica Algarvia).

Do ponto de vista bioclimático desenvolve-se pelos andares termomediterrânico e mesomediterrânico, sendo este último dominante. A vegetação potencial é dominada por sobreirais, azinhais e mais raramente carvalhais de carvalho-negral nos territórios mais frescos e húmidos.

O Distrito Monchiquense é um território constituído pela Serra de Monchique (de natureza síenitica nos patamares de maior altitude) e serras xistosas (também quartzíticas e metavulcaníticas) e graníticas, em geral de baixa ou média altitude (Grândola, Cercal, S. Luís, Espinhaço de Cão,

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Caldeirão). São endemismos deste território: Centaurea vicentina, C. crocata, Euphorbia monchiquensis, Serratula monardii subsp. algarbiensis e Scorzonera transtagana, sendo ainda de salientar a presença de Bupleurum acutifolium, Cynara algarbiensis, Quercus canariensis, Rhododendron ponticum e Ulex argenteus subsp. argenteus (Costa et al. 1998).

4.5 CARACTERIZAÇÃO DA VEGETAÇÃO NATURAL E SEMINATURAL DA ÁREA EM ESTUDO

4.5.1 Flora

A flora do Sudoeste Alentejano constitui um dos importantes recursos naturais da região dada sua diversidade e originalidade. O elenco florístico apresentado no Anexo III reúne um total de 1164 táxones, dispersos por 115 famílias, das quais 3 famílias contribuem com mais de 100 espécies (Asteraceae, com 149 espécies, correspondentes a 12.55% do total do elenco; Fabaceae, com 114 espécies, correspondentes a 9.60% do total do elenco; Poaceae, com 111 espécies, correspondentes a 9.35% do total do elenco) e quase metade das famílias (55) com apenas uma ou duas espécies.

As fontes de informação consultadas para a elaboração do referido elenco são as referidas no início do Capítulo 4.1. Foi também coligida informação relativa aos exemplares vegetais colhidos na área de estudo e que se encontram depositados no Herbário João de Carvalho e Vasconcellos (LISI), os quais serviram de colecção de referência na resolução de dúvidas com táxones duvidosos.

Para a recolha de informação relativa à caracterização dos táxones (enquadramento taxonómico – divisão, família e género – e tipo fisionómico) foram consultadas as seguintes Floras:

ƒ Flora Ibérica, Plantas Vasculares de la Península Ibérica e Islas Baleares (Castroviejo et al. 1986);

ƒ Nova Flora de Portugal (Franco 1971; 1984; Franco & Rocha Afonso 1994; 1998; 2003);

Na elaboração do elenco florístico incluiu-se para cada táxone (espécie, subespécie ou variedade), a seguinte informação:

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ƒ Divisão – foram apenas consideradas três divisões das plantas vasculares: pteridófitos, gimnospérmicas e angiospérmicas;

ƒ Família – de acordo com as obras acima referidas (dando preferência pela ordem de apresentação);

ƒ Nome Científico – agrupado por género, espécie, subespécie e variedade, devidamente identificado e seguido do classificador ou classificadores;

ƒ Tipo Fisionómico – segundo o critério de Raunkjaer (1934), apresentado por Vasconcellos, Coutinho & Franco (1969);

ƒ Endemismo – Indicação do tipo de endemismo, caso este se verifique. No caso das plantas alóctones a sua origem geográfica vem indicada entre parêntesis rectos53;

ƒ Óptimo Ecológico – designação do sintáxone no âmbito do qual se considera estar a planta em seu óptimo ecológico;

ƒ Estatuto – estatuto de conservação de acordo com diversos documentos, nomeadamente: Directiva Habitats, Convenção de Berna e Convenção de Washington (CITES);

ƒ Observações – lista não exaustiva de sinónimos ou outras indicações julgadas úteis.

Espectro fisionómico

A partir do elenco florístico elaborado, foi estudada a frequência dos tipos fisionómicos de Raunkjaer (Figura 53), de modo a reconhecer os tipos dominantes e estabelecer algumas relações entre os tipos fisionómicos e os ecossistemas presentes na área de estudo.

53 Para o levantamento desta informação foram também consultados, para além das obras anteriormente referidas, os trabalhos de Marchante, Freitas & Marchante (2008) e também de Campos & Herrera (2009).

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Macrofanerófitos, 1, 0.1%

Mesofanerófitos, 19, 1.6% Megafanerófitos, 1, 0.1% Geófitos, 99, 8.5% Microfanerófitos, 28, 2.4%

Helófitos, 34, 2.9% Nanofanerófitos, 69, 5.9%

Hidrófitos, 28, 2.4% Fanerófitos escandentes, 13, 1.1%

Holoparasitos, 3, 0.3%

Caméfitos, 125, 10.7%

Hemicriptófitos, 277, 23.8% Terófitos, 467, 40.1%

Figura 53 – Espectro fisionómico da flora do Sudoeste Alentejano. Na legenda apresentam-se o tipo fisionómico, seguido no número total de táxones e da percentagem relativa ao total do elenco florístico.

A classificação de Raunkjaer dá-nos indicações quanto ao ciclo de vida das plantas bem como quanto à sua estrutura, permitindo inferir, aquando da inventariação de uma formação vegetal, algumas características relacionadas com a ecologia e predominância de certos estádios da sucessão ecológica. Verifica-se que os ecossistemas que se observam no início de um processo de sucessão ecológica (etapas pioneiras) ou em situações de elevado stress ambiental (ambientes salinos, por exemplo) apresentam predominância de terófitos e hemicriptófitos (em algumas situações, como sejam ambientes pedregosos – designados por ambientes casmofíticos – podem também apresentar um elevado número de caméfitos), enquanto as formações que ocorrem na fase mais matura da sucessão (etapas climácicas) apresentam um número substancial de fanerófitos, alguns geófitos (em particular em ambientes de bosques caducifólios) e uma menor predominância de terófitos.

Da análise do espectro fisionómico da Flora da área estudada observa-se um claro predomínio de terófitos com uma percentagem de cerca de 40,1%, seguidos dos hemicriptófitos com cerca de 23,8%, dos caméfitos com 10,7% e geófitos com 8,5%. Os fanerófitos representam um total de 11,3%, ficando os

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restantes tipos representados por cerca de 5,6% do elenco florístico. Estes valores são consistentes com a paisagem vegetal actual da região, não apenas pelo facto de o território apresentar uma extensa linha de costa (e também ambientes estuarinos) nos quais os factores de stress ambiental (vento, salinidade e mobilidade do substrato) apresentam grande preponderância, mas também porque no que respeita à plataforma litoral esta apresenta um historial de utilização longo e intenso (bem patente na análise cartográfica apresentada no Capítulo 4.7.3, do qual resultou uma grande simplificação da paisagem vegetal, e até certo ponto a sua ‘terofitização’ (vd. Barbero et al. (1990)).

No que respeita aos elementos da flora da região com maior valor natural salienta-se a presença de 49 endemismos lusitanos: Adenocarpus anisochilus; Armeria pinifolia; A. rouyana; Asphodelus lusitanicus var. lusitanicus; Avenula hackelii subsp. stenophylla; Campanula primulifolia; Centaurea crocata; C. vicentina; Chaenorhinum serpyllifolium subsp. lusitanicum (Figura 55); Cistus palhinhae (Figura 70B); Daucus halophilus; Diplotaxis vicentina; Dittrichia maritima; D. viscosa subsp. revoluta; Euphorbia monchiquensis; E. transtagana; Herniaria algarvica; H. maritima; Hyacinthoides vicentina subsp. transtagana; H. vicentina subsp. vicentina; Iberis microcarpa subsp. microcarpa; Jonopsidium acaule; Juniperus navicularis; Limonium lanceolatum; Linaria algarviana; L. ficalhoana; Malcolmia alyssoides; M. triloba subsp. gracillima; Myosotis lusitanica; M. retusifolia; Narcissus calcicola; Ononis hackelii; Picris algarbiensis; Plantago almogravensis (Figura 54); Quercus coccifera subsp. rivasmartinezii; Rumex intermedius subsp. lusitanicus; Santolina impressa; Scorzonera transtagana; Scrophularia sublyrata; Serratula alcalae subsp. aristata; S. monardii var. algarbiensis; Sideritis hirsuta var. hirtula; Stauracanthus spectabilis subsp. vicentinus; Thymus camphoratus subsp. camphoratus; T. camphoratus subsp. congestus; T. villosus subsp. villosus; Ulex argenteus; U. australis subsp. welwitschianus e Verbascum litigiosum.

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Figura 54 – Plantago almogravensis, endemismo lusitano de distribuição muito localizada. Foto do autor A – População de Plantago almogravensis; B – Fotografia de indivíduo em antese.

Foram também identificados 78 endemismos ibéricos: Anchusa calcarea; A. undulata subsp. granatensis; A. undulata subsp. undulata; Antirrhinum cirrhigerum; Arenaria algarbiensis; A. conimbricensis; Arnica montana subsp. atlantica; Asphodelus aestivus; Biscutella vicentina; Bupleurum acutifolium; Calendula algarbiensis; C. incana; C. suffruticosa subsp. lusitanica; Centaurea sphaerocephala subsp. polyacantha; Cheirolophus sempervirens; Cistus libanotis; Cochlearia glastifolia; Conopodium majus subsp. marizianum; Corema album; Cynara algarbiensis; Cytisus grandiflorus subsp. cabezudoi; Deschampsia stricta;

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Dianthus broteri subsp. hinoxianus; Diplotaxis virgata; Dipsacus comosus; Echium rosulatum subsp. rosulatum; Elaeoselinum tenuifolium; Eryngium galioides; Erysimum linifolium; Euphorbia boetica; Evax lusitanica; Ferula communis subsp. catalaunica; Fritillaria lusitanica var. lusitanica; Genista hirsuta subsp. algarbiensis; G. hirsuta subsp. hirsuta; G. tournefortii; maderensis subsp. iberica; Helichrysum decumbens; Herniaria scabrida var. unamunoana; Iberis procumbens; I. sampaiana; I. welwitschii; Juncus emmanuelis; J. rugosus; Lavandula luisieri; L. viridis; Linaria lamarckii; L. viscosa; Loeflingia baetica var. tavaresiana; Lotus corniculatus subsp. carpetanus; Nigella papillosa; Picris spinifera; Plantago coronopus subsp. occidentalis; Polygala microphylla; Pterocephalilium diandrum; Pterocephalus intermedius; Pterospartum tridentatum subsp. tridentatum; Ranunculus gregarius; Rhododendron ponticum subsp. baeticum; Romulea ramiflora subsp. gaditana; Rosmarinus palaui; Rumex bucephalophorus subsp. hispanicus; Salix salviifolia subsp. australis; S. salviifolia subsp. salviifolia; Salvia sclareoides; Sanguisorba hybrida; Scilla odorata; Scorzonera baetica; Senecio lopezii; Serratula monardii var. monardii; Silene mellifera subsp. mellifera; S. psammitis subsp. psammitis; Spergularia australis; Stauracanthus genistoides; Teucrium haenseleri; T. lusitanicum; Thymus carnosus e T. mastichina.

Figura 55 – Chaenorhinum serpyllifolium subsp. lusitanicum, endemismo lusitano.

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Finalmente refere-se também a ocorrência de 104 endemismos ibero- -mauritânicos e 9 endemismos europeus (vd. ANEXO III). De entre estes, salientam-se apenas alguns táxones pelo seu interesse científico (e.g. Drosophyllum lusitanicum (Figura 56)) e representatividade no contexto da flora local (e.g. Quercus faginea subsp. broteroi, Quercus lusitanica, Stauracanthus boivinii, Genista triacanthos, entre outras).

Figura 56 – Drosophyllum lusitanicum, um endemismo ibero-mauritânico de singular valor científico (planta carnívora) e beleza. Fotos do autor. A – Detalhe da folha; B – Dípteros capturados pela planta; C – Flor; D – Lepidóptero capturado pela planta.

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Indicam-se ainda as 48 espécies que integram os anexos da Directiva 93/42/CEE e da Convenção de Berna ou que se encontram ao abrigo do estatuto de protecção CITES, que regula o comércio internacional das espécies de fauna e flora selvagens ameaçadas de extinção: Apium repens (Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE; Anexo I da Convenção de Berna); Armeria rouyana (Anexo(s) B-II* e B-IV da Directiva 92/43/CEE; Anexo I da Convenção de Berna); Arnica montana subsp. atlantica (Anexo(s) B-V da Directiva 92/43/CEE); Avenula hackelii subsp. stenophylla (Anexo(s) B- II e B-IV da Directiva 92/43/CEE; Anexo I da Convenção de Berna); Barlia robertiana (Anexo II da Convenção de Washington (CITES)); Biscutella vicentina (Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE); Centaurea vicentina (Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE); Chaenorhinum serpyllifolium subsp. lusitanicum (Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE); Cistus palhinhae (Anexo(s) B-II* e B-IV da Directiva 92/43/CEE); Cymodocea nodosa (Anexo I da Convenção de Berna); Diplotaxis vicentina (Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE); Euphorbia transtagana (Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE); Gennaria diphylla (Anexo II da Convenção de Washington (CITES)); Herniaria algarvica (Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE; Anexo I da Convenção de Berna); Herniaria maritima (Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE; Anexo I da Convenção de Berna); Hyacinthoides vicentina subsp. transtagana (Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE); Hyacinthoides vicentina subsp. vicentina (Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE); Iberis microcarpa subsp. microcarpa (Anexo(s) B-II da Directiva 92/43/CEE); Jonopsidium acaule (Anexo(s) B-II* e B-IV da Directiva 92/43/CEE; Anexo I da Convenção de Berna); Limonium lanceolatum (Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE); Linaria algarviana (Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE; Anexo I da Convenção de Berna); Linaria ficalhoana (Anexo(s) B-II* e B-IV da Directiva 92/43/CEE); Myosotis lusitanica (Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE); Myosotis retusifolia (Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE); Narcissus bulbocodium subsp. bulbocodium (Anexo(s) B-V da Directiva 92/43/CEE); Narcissus bulbocodium subsp. obesus (Anexo(s) B-V da Directiva 92/43/CEE); Narcissus calcicola (Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE); Ononis hackelii (Anexo(s) B-II* e B-IV da Directiva 92/43/CEE); Ophrys apifera (Anexo II da Convenção de Washington (CITES)); Ophrys bombyliflora (Anexo II da Convenção de Washington (CITES)); Ophrys fusca (Anexo II da Convenção de Washington (CITES)); Ophrys scolopax (Anexo II da Convenção de Washington (CITES));

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Orchis morio subsp. morio (Anexo II da Convenção de Washington (CITES)); Pilularia minuta (Anexo I da Convenção de Berna); Plantago almogravensis (Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE); Ruscus aculeatus (Anexo(s) B-V da Directiva 92/43/CEE); Salix salviifolia subsp. australis (Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE); Santolina impressa (Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE); Scilla odorata (Anexo(s) B-IV da Directiva 92/43/CEE; Anexo I da Convenção de Berna); Scrophularia sublyrata (Anexo(s) B-V da Directiva 92/43/CEE); Serapias cordigera (Anexo II da Convenção de Washington (CITES)); Serapias lingua (Anexo II da Convenção de Washington (CITES)); Serapias parviflora (Anexo II da Convenção de Washington (CITES)); Spiranthes aestivalis (Anexo(s) B-IV da Directiva 92/43/CEE); Thymus camphoratus subsp. camphoratus (Anexo(s) B-II* e B-IV da Directiva 92/43/CEE; Anexo I da Convenção de Berna); Thymus carnosus (Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE; Anexo I da Convenção de Berna); Thymus villosus subsp. villosus (Anexo(s) B-IV da Directiva 92/43/CEE) e Verbascum litigiosum (Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE).

4.5.2 Vegetação

A descrição da vegetação de um território tem por base o estudo das comunidades vegetais que integram a vegetação natural, seminatural e sinantrópica da área de estudo, com base nas quais seja possível: a) identificar o conjunto de comunidades características do coberto vegetal da região estudada, quer as que se localizam em estações climatófilas, quer as que se localizam em estações edafófilas. Nestas, distinguem-se usualmente as estações edafo-higrófilas das estações edafoxerófilas; b) interpretar, no contexto dos processos de substituição temporal de comunidades que se designa genericamente por «Sucessão Ecológica», o modo como estas comunidades se relacionam; c) identificar, ampliando a escala de observação, os padrões de adjacência das séries de vegetação de uma região, de acordo com o gradiente altitudinal ou latitudinal da região, aos quais corresponderão clisséries características.

Salienta-se que as três etapas anteriormente enunciadas correspondem aos três níveis de complexidade correntemente reconhecidos no seio da

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Fitossociologia Integrada, ou Fitossociologia Dinâmico-Catenal (Rivas- Martínez 2005; Monteiro-Henriques 2010). Este estudo poderá ser estendido ao estudo das comunidades vegetais de origem antrópica (agrícolas ou florestais), fortemente dependentes da intervenção humana, que ocorrem no território e cujos padrões de ocupação espacial e modelos de exploração se encontram também, frequentemente, correlacionados com os padrões de variação climática, edáfica e biogeográfica do território.

4.5.2.1 Localidades estudadas

Descrevem-se em seguida um conjunto de localidades (Figura 57) nas quais foi possível observar os mosaicos de vegetação natural e seminatural presentes na região em estudo e a partir das quais foi possível elaborar a síntese da vegetação do Sudoeste Alentejano apresentada no Capítulo 4.6.

Figura 57 – Localidades em estudo. 1 – Monte do Sodo (Serra do Cercal); 2 – Corgo dos Aivados (Ribeira da Azenha); 3 – Sapal do rio Mira (por baixo da ponte sobre o Mira, à saída de V.N. de Milfontes); 4 – Praia e arribas entre Ponta da Ilha e Ponta dos Azulejos (Almograve); 5 – Cabo Sardão (Cavaleiro); 6 – Sítio da cascata (V.N. de Milfontes); 7 – Praia das Furnas (V.N. de Milfontes)

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4.5.2.1.1 Localidade 1 – Monte do Sodo (Serra do Cercal, Odemira)

Na encosta com exposição Noroeste, anexa à estrada nacional N390 podemos observar uma catena de vegetação típica das colinas sublitorais do Alentejo ocidental (Grândola, Cercal e São Luís). Como se trata de uma serra de baixa altitude, dominada por solos derivados de xistos, a vegetação potencial é formada por um sobreiral de Lavandulo viridis-Quercetum suberis. No fundo do vale, sobre solos evoluídos e com compensação edáfica é frequente desenvolverem-se carvalhais de Quercus faginea subsp. broteroi. Na localidade estudada estes carvalhais não estão presentes mas sim as respectivas etapas subseriais (silvados, Lonicero hispanicae-Rubetum ulmifolii e urzais, Cisto- Ulicetum minoris), no entanto em alguns locais da serra é possível ainda observar alguns desses carvalhais. Do fundo do vale para o sector mais elevado verifica-se uma diminuição da humidade e da espessura do solo. Devido à exploração agrícola e florestal de que foi alvo a quase totalidade da serra, os sobreirais encontram-se mal conservados quer do ponto de vista estrutural quer do ponto de vista da composição florística. Assim podemos verificar que no estrato arbóreo apenas ocorrem sobreiros e medronheiros contudo nestes sobreirais siliciosos, termomediterrânicos, sub-húmidos a húmidos é frequente a ocorrência de Quercus faginea subsp. broteroi, Q. rotundifolia, Q. rivasmartinezii, Q. pyrenaica, Q. x marianica (Q. canariensis x Q. faginea), Phillyrea latifolia, Ceratonia siliqua, Olea sylvestris.

Caminhando para o topo da encosta observamos as diferentes etapas subseriais do sobreiral (Figura 58):

Sobral de Lavandulo viridis-Quercetum suberis

Em solo profundo derivado de xisto: 250 m m.s.l., NW, 100 m2, 100% de cobertura, características: 5Quercus suber, 2Arbutus unedo, 2Smilax altissima, 1Myrtus communis, 1Rubia longifolia, +Rhamnus alaternus, +Quercus lusitanica, +Lonicera implexa, +Phillyrea angustifolia, +Daphne gnidium, +Asparagus aphyllus, +Carex distachya, +Scilla monophyllus, +Bupleurum acutifolium (dif. subass.), +Centaurea crocata (dif. subass.); companheiras: 1Rubus ulmifolius, +Lonicera hispanica, +Cistus ladanifer, +Erica scoparia, +Cistus salviifolius, +Picris spinifera, +Calamintha baetica, +Cynara algarbiensis.

Medronhais de Cisto popullifolii-Arbutetum unedonis

Em solo derivado de xisto, 260 m m.s.l., NW, 20 m2, 70% de cobertura,

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características: 3Arbutus unedo, 2Phillyrea angustifolia, 2Quercus suber (frut.), 1Smilax aspera, +Rhamnus alaternus, +Erica arborea, +Asparagus aphyllus, +Rubia longifolia, +Pulicaria odora, +Centaurea crocata, +Scilla monophyllus; companheiras: 1Stauracanthus boivinii, +Rubus ulmifolius, +Margotia gummifera, +Conopodium marizianum, +Dactylis hispanica.

Matagal de carvalhiça Centaureo crocatae-Quercetum lusitanicae

Em solo derivado de xisto, 260 m m.s.l., NW, 20 m2, 100% de cobertura, características: 5Quercus lusitanica, 2Bupleurum acutifolium, 1Scilla monophyllus, +Centaurea crocata, +Smilax aspera, +Asparagus aphyllus; companheiras: 1Celtica gigantea, 1Asphodelus lusitanicus, +Erica scoparia, +Cistus ladanifer, +Pterospartum tridentatum, +Conopodium marizianum, +Urginea maritima.

Tojal de tojo bonito Querco lusitanicae-Stauracanthetum boivinii

Em solo erodido derivado de xisto: 260 m m.s.l., NW, 50 m2, 80% de cobertura, características: 3Stauracanthus boivinii, 2Pterospartum tridentatum, 1Erica scoparia; companheiras: 2Quercus lusitanica, 2Lithodora lusitanica, 1Centaurea crocata (dif. ass.), +Lavandula luisieri, +Cistus ladanifer, +Cistus salviifolius, +Pulicaria odora, +Margotia gummifera, +Scilla monophyllus, +Conopodium marizianum, +Dactylis hispanica.

Figura 58 – Esquema de uma catena de vegetação na Serra do Cercal (Monte do Sodo), na encosta exposta a Noroeste.

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Nos locais de maior altitude e de maior degradação do solo (elevada pedregosidade) Euphorbio transtaganae-Celticetum giganteae.

A série climatófila do carvalho cerquinho, embora presente noutros locais da serra, não se observa nesta Localidade. No fundo do vale, junto à estrada observamos etapas de substituição Lonicero hispanicae-Rubetum ulmifolii; Cisto-Ulicetum minoris; Trifolio resupinati-Caricetum chaetophyllae.

4.5.2.1.2 Localidade 2 – Ribeira da Azenha (Corgo dos Aivados)

O Corgo dos Aivados corresponde a um curso de água temporário de orientação Este-Oeste. Está instalado numa fractura que afecta os arenitos consolidados do Malhão e dos Aivados e apresenta entre os sítios do Monte Novo e da Azenha uma dissimetria evidente entre a vertente sul de maior comando e inclinação geral relativamente à vertente norte. No local estudado, precisamente no Monte Novo (vertente norte da ribeira), a plataforma litoral com cobertura arenosa apresenta uma altitude de 50 m enquanto o sector sul apresenta uma altitude de 70 m. Aí podemos observar, nos locais de maior acumulação de areia, um sabinal de Juniperus turbinata fragmentado em mosaico com carrascais/sabinal de Querco cocciferae- Juniperetum turbinatae nos sítios onde os arenitos consolidados do Malhão estão à superfície ou muito próximo dela. Na etapa de substituição dos zimbrais psamófilos observa-se um tomilhal de Thymus camphoratus, com estrato arbóreo de pinheiro-bravo. As acumulações arenosas de maior espessura derivam da degradação superficial do arenito do Malhão misturadas com areias eólicas transportadas a partir do litoral pelo vento.

Ao descer a vertente observamos no sector inicial do caminho, no contacto com a plataforma litoral de topo, as cornijas definidas pelas bancadas duras do arenito consolidado do Malhão. Este arenito está consolidado com cimento calcário que, segundo Ramos Pereira (1990), fica a dever a sua consolidação à fase de pedogénese (sob a influencia da vegetação) a que as areias, depois da sua deposição, foram submetidas. Esta consolidação com cimento calcário justifica o mosaico, por vezes complexo, de vegetação que se observa. Desta forma, nas cornijas calcárias do arenito do Malhão, podemos observar o importante endemismo lusitano Chaenorhinum serpyllifolium subsp. lusitanicum o qual ocorre apenas entre a Praia do Pessegueiro (Porto Covo) e a Praia da Amoreira (Aljezur). Esta planta anual está associada exclusivamente a arenitos consolidados com cimento calcário.

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No forte da Praia do Pessegueiro, nas bancadas de arenito do Malhão muito fracturado em blocos, pode também observar-se esta planta, por vezes com grande dominância. Na superfície destas bancadas de arenitos criam-se pequenas depressões colmatadas com partículas arenosas, transportadas pelo vento. Nestas pequenas depressões ocorrem espécies anuais da aliança própria das dunas litorais semifixas Linarion pedunculatae, como Linaria ficalhoana, Silene littorea, Cutandia maritima, Erodium bipinnatum. Contudo a ecologia destas plantas anuais não deve ser confundida com a do Chaenorhinum lusitanicum pois esta última planta está sempre e exclusivamente associada aos arenitos calcários e nunca às acumulações arenosas, onde a sua presença não ocorre.

Ainda nas cornijas dos arenitos consolidados do Malhão podemos observar outra planta calcicola, Iberis microcarpa, endemismo Português que ocorre no sector Divisório Português e nas arribas calcárias da serra da Arrábida. A presença desta planta nos arenitos consolidados do Malhão aumenta substancialmente para sul a sua área de distribuição que até aqui tinha na Arrábida a sua posição mais meridional. Ainda associada aos afloramentos do arenito do Malhão, mas fora das cornijas, em locais com solo rico em matéria orgânica tipo moder, com inúmeros pedaços de arenito ainda não alterado podemos observar o carrascal/zimbral Querco cocciferae-Juniperetum turbinatae. Esta formação arbustiva constitui um clímax edafoxerófilo e tem como etapa de substituição um tomilhal de Thymus camphoratus subsp. congestus. Nos locais onde se acumula areia com alguma profundidade entram os elementos psamófilos. Estas acumulações arenosas verificam-se em áreas deprimidas com alguma extensão ou em plataformas de fraca inclinação onde as partículas arenosas podem acumular-se com espessura superior a 20 cm. Esta areia provém da destruição dos arenitos consolidados do Malhão à qual se misturam algumas partículas transportadas a partir do topo da plataforma litoral ou a partir das dunas e praias litorais. Estas areias apresentam-se descalcificadas pelo que se verifica aqui a presença dos zimbrais psamófilos de Osyrio quadripartitae-Juniperetum turbinatae e inúmeros elementos característicos de areias (Ononis ramosissima, Helichrysum picardii, Antirrhinum cirrhigerum e Thymus camphoratus) e do mato Thymo camphorati-Stauracanthetum spectabilis.

No fundo do vale, em solos de aluvião depositados pela ribeira, aos quais se mistura areia transportada por gravidade ao longo das vertentes, podemos

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observar o salgueiral Viti viniferae-Salicetum atrocinereae e o respectivo silvado de substituição Lonicero hispanicae-Rubetum ulmifolii (Figura 59).

Sabinal / carrascal de Querco cocciferae-Juniperetum turbinatae

Duna consolidada: 50 m m.s.l., S, 400 m2, 90% de cobertura, características: 3Juniperus turbinata, 3Quercus coccifera, 2Osyris lanceolata, 2Rhamnus oleoides, 2Olea sylvestris, 1Pistacia lentiscus, 1Lonicera implexa, 1Phillyrea angustifolia, 1Coronilla glauca, 1Asparagus acutifolius, +Rhamnus alaternus, +Smilax aspera, +Rubia longifolia, +Antirrhinum cirrhigerum, +Daphne gnidium, +Asparagus aphyllus, +Carex distachya, +Scilla monophyllus, (X)Ephedra fragilis, (X)Quercus rivasmartinezii; companheiras: 1Astragalus lusitanicus, 1Ruta chalepensis, +Ulex welwitschianus, +Cistus crispus, +Rosmarinus officinalis, +Cistus salviifolius, +Stipa gigantea, +Rumex lusitanicus, + Thymus camphoratus subsp. congestus, (X)Dorycnium hirsutum.

Tomilhal de Thymetum congesti

Duna consolidada: 50 m m.s.l., S, 100 m2, 50% de cobertura, características: 2Thymus camphoratus subsp. congestus, 1Halimium calycinum, 1Cistus salviifolius, 1Cistus crispus, 1Astragalus lusitanicus, 1Ruta chalepensis, +Lavandula luisieri, +Ulex welwitschianus, +Helichrysum picardii, +Urginea maritima; companheiras: 2Sedum sediforme, 1Rosmarinus officinalis, +Iberis microcarpa, +Stipa gigantea, +Hyparrhenia sinaica, +Lobularia maritima, +Gladiolus illyricus.

Comunidade de Chaenorhinum serpyllifolium subsp. lusitanicum

Duna consolidada: 50 m m.s.l., S, 10 m2, 10% de cobertura, características: 2Chaenorhinum lusitanicum, 1Asterolinon linum-stellatum, 1Medicago littoralis, +Silene colorata, +Leontodon longirostris, +Plantago bellardii, +Vulpia myuros, +Briza maxima, +Linum striatum, +Trifolium campestre, +Mibora minima; companheiras: +Scorpiurus muricatus, +Lagurus ovatus, +Anagallis arvensis, +Centranthus calcitrapa, +Gladiolus illyricus, +Calendula algarbiensis, +Lobularia maritima.

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Figura 59 – Mosaico de comunidades vegetais no Vale da Ribeira da Azenha (Corgo dos Aivados). 1 – Thymo camphorati-Stauracanthetum spectabilis; 2 – Querco cocciferae-Juniperetum turbinatae; 3 – Comunidade de Chaenorhinum lusitanicum; 4 – Tomilhal de Thymetum congesti; 5 – Osyrio quadripartitae-Juniperetum turbinatae; 6 – Lonicero hispanicae-Rubetum ulmifolii; 7 – Viti viniferae-Salicetum atrocinereae.

4.5.2.1.3 Localidade 3 – Sapal de Vila Nova de Milfontes

O vale do rio Mira apresenta uma clara orientação estrutural. Durante o máximo glaciário a profundidade do vale teria sido bem superior à actual e teria definido um canhão com elevado comando das suas vertentes, principalmente no seu sector mais terminal. Com a transgressão Flandriana o fundo do vale é inundado e os sedimentos vão provocar a sua colmatação gradual. Desta forma desenvolvem-se plataformas lodosas nos locais abrigados. Actualmente estas plataformas lodosas e a vegetação que as coloniza desenvolvem-se numa extensão de 10 km desde a foz para montante. No sector mais terminal o rio apresenta uma orientação Este-Oeste (durante 3,6 km) e neste espaço os sapais de Vila Nova de Milfontes desenvolvem-se na margem esquerda do rio Mira, nas enseadas associadas a pequenos vales estruturais perpendiculares à orientação geral do rio.

Actualmente verifica-se uma diminuição da extensão ocupada pelo sapal, como consequência da subida do nível do mar. A plataforma do sapal alto termina com frequência numa microarriba de erosão onde se verifica o efeito de sapa da ondulação por debaixo da zona radicular das plantas. A quase totalidade do sapal baixo de Spartina maritima que existia há algumas

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décadas atrás, foi destruído devido à erosão e já não existe actualmente. Verifica-se, entretanto, a formação de um novo nível de sapal baixo em posição visivelmente mais baixa do que a anterior. Este novo nível de sapal baixo pode observar-se em grandes extensões e apresenta uma descontinuidade evidente (microarriba) com o nível de sapal alto, o qual continua, actualmente, em erosão. Nas posições mais interiores do sapal verifica-se a entrada de água doce proveniente das ribeiras situadas nas cabeceiras dos pequenos vales que definem as áreas abrigadas onde se instalaram os sapais.

Das posições mais baixas do sapal para o interior, onde os níveis de salinidade são mais baixos, encontramos a seguinte sucessão de permasigmeta (Figura 60): Spartinetum maritimae; Puccinellio ibericae- Sarcocornietum perennis; Halimiono portulacoidis-Sarcocornietum alpini; Cistancho phelypaeae-Sarcocornietum fruticosae; Inulo crithmoidis- Arthrocnemetum macrostachyi; Polygono equisetiformis-Juncetum maritimi; Limonietum lanceolati; Frankenio laevis-Salsoletum vermiculatae; Comunidade de Spartina patens.

Figura 60 – Geopermasigmetum do sapal de Vila Nova de Milfontes próximo da Praia das Furnas. 1 – Spartinetum maritimae; 2 – Puccinellio ibericae-Sarcocornietum perennis, 3 – Halimiono portulacoidis-Sarcocornietum alpini; 4 – Cistancho phelypaeae-Sarcocornietum fruticosae; 5 – Inulo crithmoidis-Arthrocnemetum macrostachyi; 6 – Polygono equisetiformis-Juncetum maritimi; 7 – Limonietum lanceolati; 8 – Frankenio laevis- Salsoletum vermiculatae; 9 – Comunidade de Spartina patens.

4.5.2.1.4 Localidade 4 – Praia de Almograve

Neste local podemos observar a vegetação característica das arribas xistosas com escorrência permanente de água, as comunidades aero-halófilas

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características das arribas secas e ainda as comunidades próprias das dunas antigas sobrepostas à plataforma litoral xistosa.

Nas comunidades dunares observa-se um mosaico de comunidades vegetais dependentes de uma maior ou menor espessura das areias e consequente afastamento da superfície das formações plistocénicas subjacentes. Nas áreas de maior espessura de areias ocorre o sabinal Osyrio quadripartitae- Juniperetum turbinatae com o camarinhal Rubio longifoliae-Corematetum albi como orla natural ou primeira etapa de substituição. Nos locais de menor espessura de areia ocorre o tomilhal/tojal endémico do distrito Costeiro Vicentino Thymo camphorati-Stauracanthetum spectabilis. Nas áreas mais protegidas pode também ocorrer o zimbral Daphno gnidii-Juniperetum navicularis.

Nas arribas marítimas assinala-se a comunidade Spergulario rupicolae- Limonietum virgati onde frequentemente se observa Plantago macrorhiza.

Nas arribas xistosas a escorrência permanente de água permite a existência de comunidades de áreas húmidas, por vezes turfosas. A microtopografia das arribas tem uma importância fundamental na organização espacial das comunidades vegetais das escorrências de água. No conjunto estas comunidades vegetais constituem um permasigmetum muito dependente da exposição, espessura dos microssolos, inclinação e condições de escorrência de água.

Em geral constituem-se 3 tipos de biótopos. a) Na Formação Vermelha, ao nível do contacto com a superfície da plataforma talhada nos materiais Paleozóicos, constituem-se, em geral, as nascentes de água. Nestes locais, as areias apresentam sempre forte humidade e são colonizadas por Juncus acutus e Scirpoides holoschoenus (Holoschoeno- Juncetum acuti) muitas vezes em povoamentos quase puros. b) No tecto e no sector mais interior das fendas e semigrutas (half-caves) existentes nas paredes rochosas, o ensombramento é favorável à colonização pelas comunidades da Adiantetea. c) No sector inferior das semigrutas e microplataformas rochosas na parede da arriba onde o fraco declive origina a acumulação de um microssolo de

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natureza turfosa, colonizada por táxones característicos da classe Scheuchzerio-Caricetea fuscae (Figura 61).

Juncais de Scirpoides holoschoenus

São muito frequentes e apresentam sempre uma composição florística simples, dominada por Scirpoides holoschoenus e Juncus acutus. A sua posição na arriba está dependente da existência de um solo húmido suficientemente profundo. As nascentes de água, no nível das areias da Formação Vermelha, são o único local onde essas condições se manifestam, pois de seguida a água escorre pela arriba e aí os microssolos não têm espessura suficiente para o desenvolvimento da comunidade.

Em alguns locais podem observar-se afloramentos de materiais margosos do Miocénico, no contacto com os xistos do Paleozóico, cobertos pelas areias e arenitos da Formação Vermelha. Nestes casos, as margas podem encontrar-se ensopadas em água e constitui-se um mosaico de Tamarix africana com o juncal. Nestes casos torna-se evidente que a destruição do Polygono equisetiformis-Tamaricetum africanae conduz à instalação do juncal e assim se gera uma microssérie observável nas escorrências das arribas do Sudoeste Alentejano.

Comunidades brio-pteridofíticas

Embora relativamente raras em toda a sua área de distribuição, as comunidades da classe Adiantetea, apresentam uma invulgar abundância nas arribas do Sudoeste Alentejano, como consequência das inúmeras nascentes que aí se constituem. Em regra as comunidades da Adiantetea (Didymodon spadicei-Adiantetum capilli-veneris) colonizam paredes rochosas com escorrência lenta de água rica em cálcio. Face às comunidades continentais, as arribas litorais apresentam um biótopo original, caracterizado pela elevada salinidade das águas de escorrência. Do ponto de vista florístico a diferenciação da comunidade litoral faz-se, no nível vascular através da elevada dominância de Samolus valerandi, associada às águas salobras e no nível briofítico, pela presença de dois musgos; Didymodon spadiceus (única área de ocorrência em Portugal) e Eurhynchium speciosum, espécie pouco vulgar mas que nas arribas do Sudoeste Alentejano é muito frequente.

Para além das espécies referidas, os inventários realizados detectaram, também, companheiras das comunidades da Scheuchzerio-Caricetea fuscae,

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cuja na presença nas comunidades briofíticas da Adiantetea é pouco habitual. A presença destas companheiras é mais evidente nos locais onde a semigruta não é tão evidente, (está mais esbatida) e as plantas transgressivas podem entrar mais facilmente na Adiantetea. No entanto, mesmo nos locais em que as semigrutas e as fendas são mais evidentes, verifica-se sempre a presença de algumas espécies transgressivas, pois a orientação das arribas (geralmente expostas a Poente), permite a sua iluminação pelos raios solares do fim do dia, em que o ângulo de incidência permite a penetração no interior da maioria das fendas e das semigrutas.

Vegetação turfosa

Nas microplataformas ou em sectores menos inclinados da arriba, onde se verifica a possibilidade de acumulação de matéria orgânica, formam-se microssolos permanentemente encharcados. Estes biótopos são colonizados por vegetação da classe Scheuchzerio-Caricetea fuscae que corresponde a versões empobrecidas da comunidade Anagallido tenellae-Juncetum bulbosi, a qual ocorre em algumas depressões interdunares húmidas com solos turfosos, em posição mais interior. Nas arribas, o Anagallido tenellae-Juncetum bulbosi é dominado por Carex demissa, Juncus bulbosus e Anagallis tenella, acompanhada por Leontodon taraxacoides, Leontodon longirostris e Leontodon tuberosus, sempre com grande dominância.

A sobrevivência desta comunidade está dependente da manutenção da escorrência de água, sobretudo durante o Verão. Trata-se de táxones de óptimo Atlântico, mas que migram para sul durante os interestádios de clima húmido da última glaciação (Würm) e que, com a progressiva instalação de condições climáticas tipicamente mediterrânicas, se acantonou a estes locais de permanente humidade. Desta forma podemos designar esta vegetação como relicta.

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Figura 61 – Mosaico de comunidades vegetais típico das arribas do Sudoeste Alentejano, com escorrência permanente de água. 1 – Thymo camphorati-Stauracanthetum spectabilis; 2 – Holoschoeno-Juncetum acuti; 3 – Anagallido tenellae-Juncetum bulbosi; 4 – Didymodon spadicei- Adiantetum capilli-veneris; 5 – Loto cretici-Ammophiletum australis.

4.5.2.1.5 Localidade 5 – Cabo Sardão (Cavaleiro)

Nesta Localidade podemos observar uma pequena plataforma litoral bem conservada (43-47 m), onde está instalado o farol do cabo Sardão. As arribas xistosas registam uma altitude considerável de 40 m sobre o mar pelo que, nos vegetais que colonizam a plataforma litoral são bem evidentes as deformações provocadas pelos ventos dominantes. O campo de dunas antigas situado na plataforma litoral de topo da arriba está sobreposto às formações detríticas do Plio-Plistocénico, apresentando-se descontínuo e de fraca espessura. Desta forma podemos observar um mosaico de comunidades vegetais dependentes da maior ou menor espessura das areias e do maior ou menor afastamento da arriba.

Comunidade aero-halina de arribas litorais Dittrichietum maritimae

A primeira banda de vegetação no topo da arriba em litossolos derivados de xistos ou das formações detríticas plio-plistocénicas é ocupada pela

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comunidade aero-halina dominada pelo endemismo costeiro vicentino Dittrichia maritima:

Matos baixos litorais de Genisto triacanthi-Cistetum palhinhae

Por detrás desta comunidade instala-se um mato em que predomina o endemismo Cistus palhinhae em solos erodidos.

Tojal de Thymo camphorati-Stauracanthetum spectabilis

Nos solos arenosos relativamente mais profundos ocorre um mato de Stauracanthus spectabilis, Corema album, Thymus camphoratus, Halimium alyssoides, etc.

Artemisio crithmifoliae-Armerietum pungentis

Entre as clareiras deste mato observam-se as comunidades dunares camefíticas de dunas semifixas.

Herniario maritimae-Corynephoretum maritimi

Comunidade hemicriptofítica dominada por Corynephorus canescens var. maritimus.

4.5.2.1.6 Localidade 6 – Sítio da cascata (Vila Nova de Milfontes)

A cascata de Vila Nova de Milfontes situa-se na cabeceira de um vale de fundo plano (colmatado), perpendicular ao vale do rio Mira e na sua margem esquerda (próximo da praia das Furnas). Trata-se de um vale estrutural que se desenvolve numa falha de orientação Norte-Sul. O vale apresenta um fundo plano devido à colmatação provocada pelos sedimentos transportados pelo curso de água de carácter temporário e pelos sedimentos do rio Mira sujeito ao efeito das marés neste sector terminal. A transgressão Flandriana ao provocar uma invasão de águas fluvio-marinhas na parte terminal do rio Mira, provocou uma subida no nível de base deste rio a qual teve como consequência uma diminuição da capacidade e da competência das suas águas e deposição da carga sedimentar neste sector terminal. O vale da ribeira da cascata sofreu o mesmo fenómeno e como consequência o seu fundo foi colmatado por sedimentos fluvio-marinhos possivelmente com grande espessura. Na parte terminal de contacto com o rio Mira o vale da ribeira da cascata apresenta a máxima largura com cerca de 160 m. Esta largura vai diminuindo para sul, numa extensão de 365 m, até ao sítio da

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cascata a partir de onde o ribeiro se encaixa definindo um valeiro apertado com vertentes xistosas de elevado comando a leste e a oeste (correspondentes às paredes da falha). Na parte terminal do vale a penetração da água do mar permitiu a instalação de vegetação típica de sapal sobre as plataformas lodosas. A construção da estrada da praia das Furnas modificou toda a circulação hidrológica no sector terminal da ribeira da cascata e o talude da estrada constituiu uma barreira à penetração da água salgada. Desta forma a vegetação dos sapais baixo e alto desapareceram na totalidade e actualmente apenas é possível observar alguns juncais de Juncus acutus, de Juncus maritimus e de Spartina patens.

Deixando a parte terminal do vale e caminhando para sul a influência da toalha freática salgada é nula e desenvolve-se uma vegetação típica de áreas palustres, embora muito degradada pela influência antrópica. Podemos observar as seguintes associações no fundo plano do vale (Figura 62):

Viti viniferae-Salicetum atrocinereae;

Galio palustris-Caricetum lusitanicae;

Typho angustifoliae-Phragmitetum australis.

Nas vertentes do vale da ribeira da cascata podemos observar duas catenas de vegetação consoante nos encontramos no sector mais aberto do vale em situação mais xérica ou nas situações mais interiores onde o vale fecha. Assim podemos observar no sector inicial do vale, próximo da foz da ribeira da cascata, uma vertente inclinada com solos litólicos e coluviossolos derivados de xistos do Paleozóico. A grande percentagem de argilas de forte expansibilidade, derivadas dos xistos argilosos, justifica as propriedades vérticas do solo e consequentemente a vegetação potencial é dominada por um zambujal em cujo sub-bosque é frequente a ocorrência de Osyris lanceolata. O Viburno tini-Oleetum sylvestris desenvolve-se por toda a vertente e aproxima-se da plataforma de topo, situada a uma altitude que varia entre os 30 e 40 m.

Viburno tini-Oleetum sylvestris ephedretosum fragilis

Defronte a Vila Nova de Milfontes (Odemira), coluviossolo profundo argiloso, 5 m m.s.l., W, 200 m2, 100% de cobertura, características: 4Olea sylvestris, 4Pistacia lentiscus, 3Olea sylvestris (frut.), 2Rhamnus alaternus,

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2Ephedra fragilis (dif. subass.), 2Smilax altissima, 2Rubia longifolia, 1Osyris lanceolata (dif. subass.), 1Coronilla glauca, 1Ruscus aculeatus, 1Asparagus aphyllus, 1Acanthus mollis, 1Arum italicum, +Phillyrea angustifolia, +Phillyrea latifolia, +Lonicera implexa, +Hedera iberica, +Tamus communis, +Asplenium onopteris; companheiras: 2Opuntia sp., +Iris foetidissima, +Geranium purpureum, +Oxalis pes-caprae.

A plataforma está atapetada por areias dunares e aí podem observar-se os tojais psamófilos Thymo camphorati-Stauracanthetum spectabilis subseriais dos sobreirais sobre areias Oleo sylvestris-Quercetum suberis. Quando nos deslocamos pelo fundo do vale, para sul, o vale torna-se mais fechado e a menor xericidade justifica o desaparecimento dos zambujais. No seu lugar ocorrem carvalhais de carvalho-cerquinho no sector basal da vertente (comunidade de Osyris lanceolata e Quercus broteroi) que têm como orla loureirais (Vinco difformis-Lauretum nobilis) os quais são muito frequentes em toda a área. Subindo a vertente os cercais em situação claramente edafo- higrófila dão lugar aos sobreirais climatófilos Lavandulo viridis-Quercetum suberis. Os locais de maior inclinação e exposição (normalmente pequenas paredes xistosas muito fissuradas) são ocupados por Picris algarbiensis e Cheirolophus sempervirens (Senecioni lopezii-Cheirolophetum sempervirentis). No sector mais próximo do contacto com a plataforma litoral coberta por areias reaparecem os zambujais próprios das situações mais xéricas de Oleo sylvestris- Quercetum suberis.

Ulici welwitschiani-Quercetum broteroi

Defronte a Vila Nova de Milfontes (Odemira), coluviossolo profundo, 5 m m.s.l., NW, 400 m2, 100% de cobertura, características: 5Quercus broteroi, 5Hedera iberica, 3Laurus nobilis, 3Ruscus aculeatus, 2Smilax altissima, 2Asplenium onopteris, 2Arisarum simorrhinum, 1Quercus x marianica, 1Quercus rivasmartinezii, 1Arbutus unedo, 1Olea sylvestris, 1Phillyrea latifolia, 1Osyris lanceolada, 1Rubia peregrina, 1Carex distachya, +Myrica faya, +Phillyrea angustifolia, +Rhamnus alaternus, +Pistacia lentiscus, +Quercus coccifera, +Euphorbia characias, +Asparagus aphyllus; companheiras: 1Vinca difformis, +Rubus ulmifolius, +Cheirolophus sempervirens, +Teucrium scorodonia, +Brachypodium sylvaticum, +Picris spinifera, +Tamus communis, +Arum italicum, +Silene latifolia, +Smyrnium olusatrum, +Margotia gummifera, +Narcissus calcicola.

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Figura 62 – Clissérie topográfica de vegetação no vale da “Ribeira da Cascata”, próximo da Praia das Furnas (Vila Nova de Milfontes). 1 – Typho angustifoliae-Phragmitetum australis; 2 – Galio palustris-Caricetum lusitanicae, 3 – Viti viniferae-Salicetum atrocinereae; 4 – Lonicero hispanicae-Rubetum ulmifolii; 5 – Vinco difformis-Lauretum nobilis; 6 – Ulici welwitschiani-Quercetum broteroi; 7 – Lavandulo viridis-Quercetum suberis; 8 – Senecioni lopezii-Cheirolophetum sempervirentis.

4.5.2.1.7 Localidade 7 – Praia das Furnas (Vila Nova de Milfontes)

A praia das Furnas situa-se na parte sul da foz do rio Mira claramente numa situação de abrigo criada pelo facto de a arriba litoral, com altitude máxima de 30 m m.s.l., se afastar da costa e apresentar uma orientação Sudoeste- Nordeste. Desta forma quer os sedimentos transportados pela deriva litoral Norte-Sul (normal na costa ocidental Portuguesa), quer os transportados pelo rio Mira, depositam-se em todo este sector de abrigo, desde o início da transgressão Flandriana. A praia cresceu gradualmente até atingir a actual situação de equilíbrio e portanto podemos incluí-la na unidade das areias de deposição recente, claramente pós-Würmianas, que não apresentam fenómenos de podzolização ou ferruginização, como sucede com as capas arenosas e dunas do topo das arribas. Devido ao facto das arribas xistosas se situarem em posição mais interior do que sucede normalmente em toda a costa para sul de Sines, a largura da faixa arenosa correspondente à praia e dunas instáveis, penestabilizadas e estabilizadas é muito maior do que na quase totalidade das praias do Alentejo litoral definidas apenas por um talude arenoso encostado às arribas. Assim podemos observar toda a sucessão

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de comunidades vegetais desde a praia alta com comunidades anuais halonitrófilas de Cakile maritima e vivazes de Elytrigia boreoatlantica até às dunas estabilizadas interiores com Juniperus turbinata.

Salsolo kali-Cakiletum maritimae

A vegetação pioneira instala-se na transição praia média e a praia alta onde a estabilidade temporária de final da Primavera e Verão permite o desenvolvimento de plantas anuais halonitrófilas.

Elytrigietum junceo-boreoatlantici

Ainda na praia alta, nas áreas planas penetradas pelas águas salgadas durante as marés vivas e nas tempestades, aparecem as primeiras comunidades vivazes dominadas por hemicriptófitos e geófitos.

Loto cretici-Ammophiletum australis

Nas pequenas dunas de obstáculo, da praia alta, (nebkas da praia alta) instalam-se as primeiras comunidades vivazes de geófitos e hemicriptófitos muito raramente ou nunca atingidas directamente pela ondulação, mas sujeitas a uma enorme instabilidade do substrato arenoso (mobilidade das areias). Esta vegetação, dominada por Ammophila australis coloniza também as cristas das ondulações da duna branca ou instável, em posição imediatamente para o interior relativamente à superfície da praia alta.

Artemisio crithmifoliae-Armerietum pungentis

Quando caminhamos para o interior a estabilidade das dunas aumenta assim como a termofilia e diminui a acção da salsugem pelo que se criam condições favoráveis à instalação das primeiras comunidades camefíticas (de arbustos baixos), ricas em endemismos. Trata-se da duna cinzenta ou penestabilizada onde as partículas arenosas apenas se movimentam nos corredores ou em pequenas clareiras.

Herniario algarvicae-Linarietum ficalhoanae

Nas clareiras da duna cinzenta, desenvolve-se uma comunidade vegetal dominada exclusivamente por plantas anuais. Apenas durante a Primavera existem condições de humidade e de temperatura favoráveis à germinação destas pequenas plantas efémeras. A germinação das sementes está dependente das condições de temperatura e humidade e portanto o

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desenvolvimento destas comunidades não é o mesmo todos os anos em termos de taxa de cobertura, diversidade de espécies e período de desenvolvimento na Primavera. Nos anos em que a Primavera é particularmente seca estas comunidades podem mesmo não se desenvolver ou então ocorrem de forma muito incipiente. Nos anos em que as chuvas são tardias (na Primavera) podemos observá-los mesmo na entrada do Verão.

Osyrio quadripartitae-Juniperetum turbinatae

Nas posições mais interiores da Praia das Furnas, próximo do contacto com a arriba xistosa desenvolvem-se os zimbrais psamófilos de Juniperus turbinata. Esta formação arbustiva alta ocorre nas áreas mais afastadas da influência do mar em situações de completa estabilidade das areias (duna estabilizada ou duna verde). Trata-se da formação vegetal de maior evolução em todo o ecossistema dunar encontrando-se já numa situação pré-florestal (apresenta estrato herbáceo de sombra e trepadeiras). De todas as comunidades observadas nas areias da Praia das Furnas esta é a única que apresenta lógica serial ou seja, etapas de substituição. Todas as outras comunidades vegetais analisadas definem-se como permasigmetum.

O zimbral encontra-se claramente em situação de recuperação, nos sectores mais interiores do sistema dunar. Nos últimos anos a extensão ocupada por esta comunidade tem aumentado de forma significativa devido à colocação de um passadiço de acesso à praia. Na situação anterior, o facto de as pessoas atravessarem o cordão dunar de forma aleatória com o consequente pisoteio, conduziu a uma degradação muito evidente da vegetação e os zimbrais sofreram uma forte redução. Na actualidade é evidente uma recuperação geral de todas as comunidades vegetais em termos de estrutura, de taxa de cobertura e de composição florística.

Rubio longifoliae-Corematetum albi

Ainda nas posições mais interiores do sistema dunar ocorre o camarinhal como etapa de substituição ou orla natural do zimbral.

Geranio purpurei-Galietum minutuli

O zimbral de Juniperus turbinata, como comunidade pré-florestal que é, apresenta um estrato herbáceo dominado por espécies de sombra, de desenvolvimento primaveril. Este é particularmente evidente nos locais onde

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existe uma franca acumulação de matéria orgânica na superfície do solo. Este estrato herbáceo apresenta uma clara dominância de espécies subnitrófilas como consequência dos animais que frequentam estes espaços, da acumulação de lixos transportados pelo vento e da matéria orgânica fornecida pelo zimbral.

Querco cocciferae-Juniperetum turbinatae

No contacto entre o cordão dunar e a arriba xistosa desenvolvem-se coluviossolos derivados dos materiais que se desprendem por gravidade e acumulam na base da vertente, mas também das coluviões transportados pelas linhas de águas torrenciais que sulcam a parede rochosa. Nestas coluviões, misturadas com alguma areia transportada pelo vento a partir do cordão dunar, desenvolve-se um carrascal/zimbral de Juniperus turbinata e Quercus coccifera o qual ocorre também nas dunas consolidadas do Malhão e Aivados.

Figura 63 – Sucessão das comunidades vegetais do litoral para o interior até ao contacto com a arriba xistosa na Praia das Furnas (Vila Nova de Milfontes).

4.5.2.2 Correspondência entre sintáxones e os habitat NATURA 2000.

Apresenta-se no Quadro 12 a correspondência entre os sintáxones presentes no Sudoeste Alentejano e os habitat listados no Anexo II da Directiva 92/43/CEE, ou seja, no Anexo B-II do Decreto-Lei n.º 49/2005, de 24 de Fevereiro, que efectua a sua transposição para o Direito Interno. Foi essencial para a elaboração deste quadro a consulta das fichas de caracterização dos habitat naturais do Plano Sectorial Rede Natura 2000 (ALFA 2006), a partir das quais se identificaram os códigos dos habitat, bem como os respectivos subtipos nacionais.

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Quadro 12 – Correspondência entre unidades fitossociológicas (sintáxones) presentes na área de estudo e os habitat da Rede NATURA 2000.

Sintáxone Habitat da Rede NATURA 2000

Cymodoceetum nodosae 1110pt2

Zosteretum noltii 1110pt4

(bancos de areia permanentemente cobertos por água do mar pouco 1130pt1 profunda)

1140

(bancos de sedimentos – lodaçais ou areais – intermareais)

Polypogono maritimi-Hordeetum marini 1150pt2*

Salsolo kali-Cakiletum maritimae 1210

Comunidade de Plantago almogravensis

Dittrichietum maritimae 1240

Spergulario rupicolae-Limonietum virgati

Halimiono portulacoidis-Salicornietum ramosissimae 1310pt1

Salicornietum fragilis

Cressetum villosae 1310pt2 1130pt1 Suaedo splendentis-Salsoletum sodae

Parapholido incurvae-Catapodietum marini 1310pt6

Spartinetum maritimae 1320

Limonio vulgaris-Juncetum subulati 1410

151

Quadro 12 (cont.)

Sintáxone Habitat da Rede NATURA 2000

Polygono equisetiformis-Juncetum maritimi 1410

Puccinellio ibericae-Sarcocornietum perennis 1420pt1

Cistancho phelypaeae-Sarcocornietum 1420pt2 fruticosae

Halimiono portulacoidis-Sarcocornietum 1420pt3 alpini 1130pt1 Inulo crithmoidis-Arthrocnemetum 1420pt4 macrostachyi

Cistancho phelypaeae-Suadetum verae 1420pt5

Cynomorio coccinei-Lycietum intricati 1430 Frankenio laevis-Salsoletum vermiculatae

Suaedo splendentis-Salicornietum patulae 1510*

Bolboschoeno compacti-Scirpetum litoralis 1130pt1

Limonietum lanceolati (defende-se a sua filiação no habitat 1130pt1)

Elytrigietum junceo-boreoatlantici 2110

Loto cretici-Ammophiletum australis 2120

Artemisio crithmifoliae-Armerietum 2130pt1* pungentis

Erico umbellatae-Ulicetum welwitschiani 2150pt1*

Irido pseudacori-Polygonetum salicifolii 2190pt1

(apenas em depressões dunares húmidas)

Galio palustris-Caricetum lusitanicae 2190pt2

Typho angustifoliae-Phragmitetum australis 2190pt2

(apenas em depressões dunares

152

Quadro 12 (cont.)

Sintáxone Habitat da Rede NATURA 2000 húmidas)

Polygono equisetiformis-Tamaricetum 2190pt3 africanae (apenas em depressões dunares Typho-Schoenoplectetum tabernaemontani húmidas)

Herniario algarvicae-Linarietum ficalhoanae 2230pt1

Corynephoro macrantheri-Arenarietum 2230pt2 algarbiensis

Osyrio quadripartitae-Juniperetum 2250pt1* turbinatae

Daphno gnidii-Juniperetum navicularis 2250pt2*

Thymetum congesti

Thymo camphorati-Stauracanthetum spectabilis 2260

Thymo capitellati-Stauracanthetum genistoidis

Herniario maritimae-Corynephoretum 2330 maritimi

Junco emmanuelis-Eleocharitetum multicaulis 3110

Scirpo fluitantis-Juncetum heterophylli

Solenopsio laurentiae-Juncetum hybridi 3120

Damasonio alismatis-Crypsietum aculeatae

Gnaphalio-Isolepidetum pseudosetacei 3130pt4

Hyperico humifusi-Cicendietum filiformis

Eryngio corniculati-Preslietum cervinae 3130pt5

Lemnetum minoris 3150

153

Quadro 12 (cont.)

Sintáxone Habitat da Rede NATURA 2000

Lemno-Azolletum filiculoidis 3150

Nymphaeetum albo-luteae (apenas em lagos eutróficos naturais)

Lythro thymifoliae-Crassuletum vaillantii 3170

Loto hispidi-Chaetopogonetum fasciculati (na bordadura de 3120 charcos Pulicario paludosae-Agrostietum pourretii temporários)

Callitricho stagnalis-Ranunculetum saniculifolii 3260

Ranunculetum tripartiti

Xanthio italici-Polygonetum persicariae 3270

Ranunculo scelerati-Paspaletum paspalodis 3290

Cirsio welwitschii-Ericetum ciliaris 4020pt2* Cisto psilosepali-Ericetum lusitanici

Cisto-Ulicetum minoris

Genisto triacanthi-Stauracanthetum 4030pt3 vicentini

Cisto ladaniferi-Ulicetum argentei

Querco lusitanicae-Stauracanthetum 4030pt5 boivinii

Genisto triacanthi-Cistetum palhinhae 5140pt1*

Querco cocciferae-Juniperetum turbinatae 5210pt2

Vinco difformis-Lauretum nobilis 5230pt1

Bupleuro fruticosi-Arbutetum unedonis 5230pt3

Cytisetum cabezudoi 5330pt1

Cisto popullifolii-Arbutetum unedonis 5330pt3

154

Quadro 12 (cont.)

Sintáxone Habitat da Rede NATURA 2000

Centaureo crocatae-Quercetum lusitanicae 5330pt4

Asparago aphylli-Myrtetum communis 5330pt6

Dauco criniti-Hyparrhenietum sinaicae 6220pt3*

Euphorbio trastaganae-Celticetum giganteae 6220pt4*

Cirsio palustris-Juncetum rugosi 6410pt3 Juncetum rugoso-effusi

Galio palustris-Juncetum maritimi 6420 Holoschoeno-Juncetum acuti

Galio aparines-Conietum maculati 6430pt1 Urtico membranaceae-Smyrnietum olusatri

Anagallido tenellae-Juncetum bulbosi 7140pt3

(este habitat não está referenciado para o SIC da Costa Sudoeste. Neste contexto a comunidade é dada como co- ocorrendo com as comunidades dos habitat 3120 da Rede NATURA 2000)

Selaginello denticulatae-Anogrammetum 8220pt3 leptophyllae

Ficario ranunculoidis-Fraxinetum 91B0 angustifoliae

Campanulo primulifoliae-Alnetum 91E0pt1 glutinosae

Viti viniferae-Salicetum atrocinereae 91E0pt3

Polygono equisetiformis-Tamaricetum 2190pt3 africanae 92D0pt1 (quando em depressões dunares húmidas)

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Quadro 12 (cont.)

Sintáxone Habitat da Rede NATURA 2000

Viburno tini-Oleetum sylvestris 9320pt1 ephedretosum fragilis

Ulici welwitschiani-Quercetum broteroi (defende-se a sua filiação no habitat 9240)

Asparago aphylli-Quercetum suberis 6310 9330 Oleo sylvestris-Quercetum suberis (quando em montado) Lavandulo viridis-Quercetum suberis (defende-se a sua filiação no habitat 9330)

Didymodon spadicei-Adiantetum capilli- (a Directiva 92/43/CEE é omissa no que veneris respeita à classe de vegetação Adiantetea. No entanto, dada a importância ecológica e o valor natural da comunidade em causa, defende-se a sua inclusão no habitat 7140pt3 (Turfeiras sublitorais), aplicando a flexibilidade prevista para integração das especificidades regionais, à semelhança do efectuado aquando da inclusão das comunidades da Calendulo lusitanicae- Antirrhinion linkiani (Phagnalo- Rumicetea indurati) no habitat 6110*)

4.6 SÍNTESE DA PAISAGEM VEGETAL DO SUDOESTE ALENTEJANO – SÉRIES, GEOSSÉRIES E GEOPERMASSÉRIES DE VEGETAÇÃO

De acordo com a informação obtida pela revisão bibliográfica (ver referências apresentadas no início do Capítulo 4.1) e confirmada pelo trabalho de campo levado a cabo do âmbito do presente estudo, são caracterizadas as séries, geosséries e geopermasséries de vegetação que ocorrem na área de estudo.

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4.6.1 Séries de vegetação climatófilas

4.6.1.1 Viburno tini-Oleo sylvestris sigmetum

[Série climatófila, termomediterrânica, sub-húmida, de substratos com características vérticas, divisória portuguesa sadense, de zambujais de Olea sylvestris var. sylvestris]

Nos solos com grande percentagem de argilas expansíveis (do tipo da montmorillonite) ocorrem mecanismos vários que resultam em condições indutoras de stress ambiental, bastante adverso à fixação de inúmeras espécies lenhosas54. Os zambujeiros evidenciam-se como espécie bastante adaptada a estas condições ecológicas, passando a dominar o estrato arbóreo nestas áreas. Solos com estas características podem ser observados a nascente de Sines, em Monte Chãos. Esta colina apresenta uma litologia ígnea (gabro- dioritos do maciço subvulcânico de Sines, datados do período Cretácico Superior – 74 M.a. (Inverno et al. 1993)) a partir da qual se desenvolveram solos filiáveis nos grupos dos ‘Barros Castanho-Avermelhados não Calcários’ (de basaltos ou doleritos ou outras rochas eruptivas ou cristalofílicas básicas) e dos ‘Solos Mediterrâneos Pardos, ou Para-Barros’ (de dioritos ou quartzodioritos ou rochas microfaneríticas ou cristalofílicas afins). Em toda a área de estudo, estes solos são os que apresentam clara vocação agrícola. Por tal razão, o local é utilizado para uso agrícola pelo menos desde o período romano (Bombico 2009), o que resultou na total destruição da vegetação natural do local (Figura 64).

54 De acordo com Rivas-Martínez (1987) e também Costa, Capelo & Lousã (1995), nos solos com características vérticas ocorrem dois fenómenos bastante limitantes ao desenvolvimento radicular de uma boa parte das plantas lenhosas: por um lado, durante a época das chuvas, os horizontes superficiais do solo armazenam grandes quantidades de água, criando-se uma situação de higromorfia temporal que potencia situações de asfixia radicular nas plantas menos resistentes a este fenómeno; por outro lado, no período estival, a forte contracção das argilas expansíveis promove a abertura de fendas profundas no solo, que expõem e dessecam o raizame, ao mesmo tempo que se cria uma certa força de tracção que no limite pode levar a ruptura das raízes e conduzir, uma vez mais, à morte do indivíduo vegetal.

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Figura 64 – Cobertura vegetal actual de Monte Chãos, no qual se observa a total destruição da vegetação natural e sua substituição por culturas agrícolas e comunidades nitrófilas associadas. Foto do autor.

Pesquisado o local, apenas puderam ser localizados alguns exemplares de Olea sylvestris, var. sylvestris pelo que a escolha da série de vegetação nesta situação é fundamentalmente orientada pela pesquisa de analogias com outros locais no mesmo contexto biogeográfico. De acordo com Costa, Capelo e Lousã (1995), os zambujais de Viburno tini-Oleetum sylvestris constituem a vegetação climácica dos vertissolos no piso termomediterrânico, sub-húmido, dos distritos Olissiponense, Arrabidense e Sadense, afigurando-se provável a sua presença neste local. As suas etapas seriais são desconhecidas e podem ser referidas apenas a partir da descrição original da série, na qual se referem as comunidades Melico arrectae- Quercetum cocciferae asparagetosum albidi (matagal) (Costa et al. 2004) e Carici depressae-Hyparrhenietum sinaicae (arrelvado vivaz) (Costa et al. 2001).

Como foi já referido, a vegetação de Monte Chãos encontra-se profundamente alterada pelo continuado uso agrícola, o que implica que o estado de conservação desta série é o mais desfavorável de toda a área de estudo.

4.6.1.2 Asparago aphylli-Querco suberis sigmetum

[Série climatófila (pontualmente edafoxerófila), termomediterrânica superior e mesomediterrânica, sub-húmida a húmida (oceânica), acidófila de substratos compactos, lusitano-andalusa-litoral e pontualmente alentejano- monchiquense, de sobreirais de Quercus suber]

Descendo desde os territórios ribatagano-sadenses ao longo das áreas de substratos acidófilos pouco friáveis (arenitos, conglomerados e xistos), os sobreirais da série Asparago aphylli-Querco suberis sigmetum (ou o que deles

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resta, sob a forma de montado) atingem a Serra de Grândola. Da sua degradação (por corte ou arroteia) resulta o medronhal Bupleuro fruticosi- Arbutetum unedonis que por sua vez são substituídos pelos matos Asparago aphylli-Myrtetum communis (fácies húmida), Erico scopariae-Quercetum lusitanicae ulicetosum welwitschiani ou mais raramente Junipero navicularis- Quercetum lusitanicae (fácies seca). Da série faz ainda parte o mato baixo Erico umbellatae-Ulicetum welwitschiani e a orla florestal vivaz Stachyo lusitanicae- Origanetum virentis. As comunidades anuais que ocorrem na sua área de distribuição são Trifolio cherleri-Plantaginetum bellardii e Paronychio cymosae- Pterocephaletum diandri. A vocação destes territórios é florestal, sendo comum a sua utilização em regime de montado ou a sua substituição por essências florestais de crescimento mais rápido, como sejam Pinus pinaster ou Eucalyptus spp. Consequentemente, o estado de conservação desta série é mediano a razoável, em particular na área da serra de Grândola, conhecida pela vocação suberícola.

4.6.1.3 Oleo sylvestris-Querco suberis sigmetum

[Série climatófila, termomediterrânica, seca, sub-húmida a húmida, de substratos siliciosos psamófilos, do sudoeste da Península Ibérica e tingitana, de sobreirais de Quercus suber]

Esta é a série de vegetação que ocupa as áreas em que a plataforma litoral se apresenta coberta por uma película arenosa, atravessando toda a área de estudo no sentido N-S, ao longo da linha de costa, encontrando-se limitado a Este pelos materiais mais antigos do Soco Hercínico. A sua cabeça de série corresponde a sobreirais abertos – Oleo sylvestris-Quercetum suberis – ou a formações remanescentes em montado. Dada a reduzida espessura da película arenosa que recobre a plataforma litoral, considera-se provável que esta formação beneficie nos meses de secura estival de alguma compensação edáfica em humidade (Neto 2002). As suas etapas de substituição incluem o giestal psamófilo Cytisetum cabezudoi (em algumas áreas de ombrótipo seco), Asparago aphylli-Myrtetum communis (em solos arenosos ligeiramente edafo- higrófilos), Thymo camphorati-Stauracanthetum spectabilis, Genisto triacanthi- Stauracanthetum vicentini, Erico umbellatae-Ulicetum welwitschiani e Euphorbio trastaganae-Celticetum giganteae.

No topo das dunas mais secas há a possibilidade desta série contactar com a série (infraflorestal) edafoxerófila Daphno gnidii-Juniperetum navicularis. Na

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área de estudo a presença de Juniperus navicularis é vestigial (conhece-se apenas um indivíduo nas dunas em redor da Lapa das Pombas e exemplares de herbário recolhidos, em 1943, em São Teotónio e Zambujeira), pelo que a descrição desta série edafoxerófila não consta deste capítulo.

Esta série foi sujeita a um regime de perturbação generalizado, longo e intenso, pelo que se torna muito difícil observar áreas com elevado grau de naturalidade. Desconhece-se a existência de sobreirais desta série na área de estudo e mesmo os montados são muito escassos e de reduzida dimensão, embora alguns exemplos possam ser encontrados na área do Monte Novo do Zambujeiro (margem esquerda do rio Mira). A plataforma litoral tem tido, pelo menos desde meados do séc. VXIII, utilizada para a cultura de espécies arvenses de sequeiro (trigo, centeio, cevada e milho) e algumas culturas permanentes onde predominava vinha, embora esta cultura não apresente actualmente expressão digna de registo no território. Mais recentemente surgiram culturas frutícolas (e.g. laranjais) e hortícolas (e.g. legumes vários e também relvados para recintos desportivos, actividade cuja produção assume já uma dimensão económica e uma expressão territorial digna de registo)55, para além de flores de corte lenhosas (e.g. Protea spp., Leucadendron spp., Leucospermum spp.56 e Pittosporum nigra) e algumas plantações florestais (essencialmente pinhais-bravos e eucaliptais), pelo que o seu estado global de conservação é bastante desfavorável. Consequentemente, ocorrem com frequência comunidades nitrófilas, seminitrófilas ou simplesmente companheiras de culturas agrícolas tradicionais na região tais como: Chrysanthemo myconis-Anthemidetum fuscatae, Heliotropio europaei- Amaranthetum albi e Setario verticillatae-Echinochloetum cruris-galli (pousios, culturas cerealíferas, vinhas e pomares, em solos siliciosos, arenosos ou limosos), Setario glaucae-Echinochloetum colonae (comunidades infestantes de culturas de verão, com desenvolvimento estival), Citro-Oxalidetum pedis- caprae (comunidade de infestantes de culturas permanentes de regadio, com o óptimo em citrinos) e também Oryzo sativae-Echinochloetum crus-galli (comunidade de infestantes dos arrozais, outrora abundantes na região).

55 A produção hortícola no concelho de Odemira é um dos grandes motores económicos da região, pelo volume de negócios alcançado (60 Milhões de euros em 2009) e pelo número de trabalhadores que emprega (perto de 2000) (vd. Mestre (2009), Soares (2008) e Teixeira Correia (2010)).

56 apud Leandro, Oliveira e Mexia (s.d.).

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Nas extensas áreas de areais seminitrofilizados (onde nas décadas de 1940- 1960 se desenvolvia alguma agricultura marginal) podem também ser encontradas comunidades da aliança Linario polygalifoliae-Vulpion alopecuroris e ainda, na metade meridional e perto da costa, Inuletum revolutae. A comunidade psamófila anual presente é a Corynephoro macrantheri-Arenarietum algarbiensis.

4.6.1.4 Lavandulo viridis-Querco suberis sigmetum

[Série climatófila, termomediterrânica, sub-húmida a húmida, oceânica, de substratos siliciosos compactos, mariânico-monchiquense, alentejana e aracenense, de sobreirais de Quercus suber]

Esta é a série de vegetação que predomina nas colinas sublitorais do Alentejo ocidental (Serras do Cercal, Brejeira e Espinhaço de Cão, Monchique, Caldeirão e Aracena). Encontra-se encimada pelos sobreirais da associação Lavandulo viridis-Quercetum suberis, os quais se podem observar, pontualmente, nas encostas sobranceiras a algumas ribeiras tributárias do rio Mira, em bom estado de conservação. Este sintáxone recentemente publicado por Quinto-Canas et al. (2010) foi anteriormente interpretado por Neto, Arsénio & Costa (2009) como sendo Teucrio baetici-Quercetum suberis centauretosum crocatae e por Capelo (2007) como Teucrio baetici-Quercetum suberis senecietosum lopezii nom. inv. (Costa, J.C., com. pess.). A série assenta sobre substratos do complexo vulcano-silicioso do Cercal e também sobre os metassedimentos do Maciço Antigo, encerrando também as comunidades Senecio lopezii-Cheirolophetum sempervirentis (orla herbácea vivaz), Cisto popullifolii-Arbutetum unedonis (matagal), Centaureo crocatae-Quercetum lusitanicae (mato baixo), ou Querco lusitanicae-Stauracanthetum boivinii (mato baixo, sobre solos decapitados) e ainda Euphorbio trastaganae-Celticetum giganteae (comunidade de herbáceas vivazes). A comunidade anual mais conspícua é o Trifolio cherleri-Plantaginetum bellardii. Para sul de Odeceixe, nos territórios entre o mar e a base das serras da Brejeira e Espinhaço de Cão, o esteval/tojal Cisto ladaniferi-Ulicetum argentei, que tende a substituir o mato de Stauracanthus boivinii (Capelo 2007). Nas vertentes mais húmidas surge também o tojal Cisto-Ulicetum minoris.

Na área em estudo a maior causa actual de perturbação antrópica tem a ver com a utilização florestal deste território, embora outrora também se pudessem encontrar extensas áreas com uso agrícola. Os distintos regimes de

161

utilização florestal resultam em estados de conservação algo diversos: a transformação dos sobreirais em montados (com pastoreio extensivo do subcoberto) resulta num ecossistema cujo interesse para conservação é significativo, desde que seja mantida uma certa densidade arbórea e se encontrem áreas com alguma naturalidade, por exemplo, nos espaços de declive mais acentuado; a utilização exclusivamente florestal recorrendo à plantação em linha de quercíneas ou pinheiros (sobretudo Pinus pinaster, mas por vezes também de P. pinea) resulta em espaços cujo estado de conservação é menos favorável que o anterior e que apresentam grande vulnerabilidade à ocorrência de fogos florestais, em especial quando a baixa densidade de elementos arbóreos permite a regeneração do subcoberto arbustivo (aumento da biomassa combustível); finalmente, a existência de grandes manchas de eucaliptal plantadas com recurso a técnicas florestais muito agressivas e exigentes em energia (envolvendo plantação em regime de ‘vala-e-cômoro’, subsolagens profundas, mobilizações em terrenos com grande amplitude de declive, e/ou a completa desmatação do solo) representam as áreas cujo estado de conservação se revela muito desfavorável, mantendo, pela natureza combustível das essências florestais utilizadas, elevada susceptibilidade aos fogos florestais.

Dado que no limite ocidental da sua área de distribuição esta série ocupa um terreno profundamente sulcado por um conjunto de ribeiras tributárias do rio Mira e pelo próprio rio Mira, a série ocorre dentro do complexo sistema de vales encaixados em contacto com uma série climatófila, tempori- higrófila co-dominada por sobreiros (Quercus suber) e carvalho-cerquinho (Q. broteroi), a qual será caracterizada em seguida.

4.6.1.5 Ulici welwitschiani-Querco broteroi sigmetum

[Série climatófila, tempori-higrófila, termomediterrânica, seca superior a sub-húmida, oceânica, de substratos neutro-basófilos a básicos, lusitano- andalusa-litoral, de cercais de carvalho-cerquinho com sobreiro].

Na generalidade das vertentes das linhas de água tributárias do rio Mira podem observar-se os bosques mistos de carvalho-cerquinho e sobreiro, aos quais Vila-Viçosa et al. (inéd.) atribuíram o nome Ulici welwitschiani- Quercetum broteroi. Apresenta como comunidades subseriais: Vinco difformis- Lauretum nobilis (orla), Bupleuro fruticosi-Arbutetum unedonis (matagal), Senecioni lopezii-Cheirolophetum sempervirentis (orla herbácea vivaz), Erico

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umbellatae-Ulicetum welwitschiani (mato baixo) e, residualmente, Phlomido lychnitidis-Brachypodietum phoenicoidis (prado vivaz). Também os zambujais observados pontualmente em algumas vertentes do Mira (identificadas por Neto, Arsénio & Costa (2009) como Viburno tini-Oleetum sylvestris ephedretosum fragilis) aparentam ser formações secundárias destes bosques, associadas à existência de bolsas de coluvião profundas e ricas em sedimentos finos, algo expansíveis).

Para além do contacto catenal desta formação tempori-higrófila com a série climatófila adjacente – Lavandulo viridis-Querco suberis sigmetum – estes bosques contactam com frequência directamente com as formações edafo- higrófilas que ocupam as várzeas dos vales abertos, a maioria dos quais se encontram convertidos em pastagens, por corte da vegetação arbórea potencial e pastoreio intensivo (Figura 65).

Figura 65 – Contactos catenais da série tempori-higrófila Ulici welwitschiani- Querco broteroi sigmetum. 1 – Mosaico de juncal e prado vivaz, comunidades subseriais da geossérie ripícola da região; 2 – Carvalhal da série Ulici welwitschiani-Querco broteroi sigmetum; 3 – Mosaico de sobreiral e medronhal da série Lavandulo viridis-Querco suberis sigmetum.

163

Encontram-se ao longo do curso do rio Mira numerosos exemplos desta geossérie em estado de conservação bastante favorável (e.g., na área de Casa Branca), porém é evidente também o avanço das áreas de eucaliptal sobre estas áreas, situação que importa combater dado que estas formações serão das de maior interesse para conservação em toda a área de estudo.

4.6.2 Complexos de vegetação ripícola e outros tipos de vegetação aquática (geosséries higrófilas e aquáticas)

Apresenta-se em seguida uma breve caracterização das geosséries higrófilas (i.e., galerias ripícolas) e geopermasséries associadas a ambientes aquáticos (margens e leitos de linhas de água, lagoas e pegos mesotróficos) e anfíbios (charcos temporários e lagoas oligotróficas em solos arenosos) com ocorrência na área de estudo.

De acordo com Loidi et al. (2009) As geosséries higrófilas incluem todo o conjunto de comunidades vegetais que se desenvolvem na faixa perifluvial, ou seja, nos habitat sob a influência lenta e constante dos processos de erosão, transporte e deposição produzidos pelo fluxo do rio, bem como os submetidos aos poderosos e episódicos eventos de inundação, carreamento de carga sólida (sedimentos e detritos) e soterramento causado por enxurradas. Assim, as geosséries de rios na sua fase madura são compostas de duas séries de vegetação arbórea (ocupando a várzea ou leito de inundação e o leito maior, respectivamente), por vezes acrescidas de uma série arbustiva (geralmente de salgueiros) e um complexo de permasséries helofíticas e aquáticas que ocupam diferentes partes do leito menor e margens do rio, de acordo com a microtopografia deste. Aguiar et al. (1995) estabeleceram uma aproximação tipológica genérica aos ecossistemas ripícolas mediterrânicos de Portugal continental, na qual se apresentaram representações gráficas simplificadas não apenas referentes à situação de máxima complexidade biocenótica (situação clímax), mas também uma representação da vegetação actual (subserial) mais frequentemente observada para cada unidade tipológica descrita e ainda uma representação da situação de máxima ruderalização (resultante da nitrofilização por pastoreio e intervenção humana) das mesmas unidades. Apesar da necessidade de actualização das unidades fitossociológicas utilizadas na referida publicação, esta mantém-se como um instrumento de grande utilidade para os gestores do território, dada a sua grande aplicabilidade à execução de diagnósticos rápidos ao

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estado de conservação da vegetação ripícola mediterrânica e ao estabelecimento de medidas de gestão objectivas, cientificamente fundamentadas e que permitem a gestão activa da cobertura vegetal através da manipulação de alguns dos factores ambientais. No caso das galerias ripícolas do Sudoeste Alentejano, importa discriminar três situações ecológicas que explicam em boa parte a variabilidade das geosséries ripícolas da região (Quadro 13):

4.6.2.1 Cabeceiras de linhas de água

As cabeceiras das linhas de água da área de estudo são locais cujo contexto ecológico é genericamente caracterizado pelo carácter intermitente e sazonal do caudal, apresentando períodos de forte estiagem e cujos leitos apresentam fraco desenvolvimento pedogenético, reduzida espessura e alguma pedregosidade57. Neste contexto a geossérie ripícola é pouco desenvolvida, apresentando como série mais desenvolvida os salgueirais de borrazeira- negra (Viti viniferae-Saliceto atrocinereae sigmetum) ou os tamargais (Polygono equisetiformis-Tamariceto africanae sigmetum). Ambas as séries apresentam como orla um silvado (Lonicero hispanicae-Rubetum ulmifolii) e por corte ou pastoreio transformam-se em juncais (Holoschoeno-Juncetum acuti) aos quais sucede o prado vivaz (Trifolio resupinati-Caricetum chaetophyllae). O conjunto dos permasigmeta aquáticos que acompanham as referidas séries de vegetação e se instalam no leito menor e margens do rio são apresentados no Quadro 14, as quais podem variar de acordo com o contexto ecológico de cada local (velocidade da corrente, existência ou ausência de períodos de dessecação, profundidade e estado trófico da água).

4.6.2.2 Bosques paludosos

Por vezes observam-se na parte terminal das ribeiras tributárias do Mira, em contextos geomorfológicos de fundo de vale plano colmatado por sedimentos e com represamento da água proveniente de montante

57 Esta caracterização é válida sobretudo para as áreas a montante da plataforma litoral, dado que nesta área a cobertura arenosa favorece a rápida infiltração da água, sendo quase inexistentes as pequenas linhas de água. As linhas de água de média dimensão que atravessam esta área têm quase exclusivamente a sua origem no alinhamento de colinas sublitorais que bordeja a plataforma pelo lado Este, drenando o seu caudal para o rio Mira (e.g. Corgo da Ponte, Barranco da Rocha, Ribeira do Vale de Gomes) ou directamente para o mar (e.g. Ribeira de Morgável, Barranco do Queimado, Barranco do Carvalhal).

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(ambiente aquático lêntico) formações de Salix atrocinerea (borrazeira-negra) que se comportam de modo semelhante a pequenos bosques paludosos de Viti viniferae-Salicetum atrocinereae, facto reforçado pela presença de comunidades características deste tipo de situação ecológica (Cirsio welwitschii-Ericetum ciliaris).

Por degradação estas comunidades são substituídas por comunidades de Carex paniculata subsp. lusitanica (Galio palustris-Caricetum lusitanicae). Dada a fertilidade do substrato em que estas comunidades ocorrem (desde que se assegure a sua correcta drenagem), verificou-se em determinados períodos da história recente desta região a conversão de algumas destas áreas em áreas de produção hortofrutícola tradicional, tal como se pode observar no troço médio do Corgo dos Aivados. No entanto, são ainda observáveis pequenas manchas de salgueiral com estas características, como sejam o local da cascata, perto de Milfontes (Figura 66), ou pequenos vales na área do Monte do Zambujeiro.

Figura 66 – Bosque de Salix atrocinerea (borrazeira-negra) do sítio da cascata, Milfontes. Foto do autor.

4.6.2.3 Ribeiras não torrenciais, de águas lóticas e tendencialmente oligotróficas

Nas situações de caudal mais constante, em vales de maiores dimensões, encontra-se a geossérie ripícola no seu estado de maior desenvolvimento

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(Figura 67), no qual se identificam as seguintes séries edafo-higrófilas de vegetação:

No leito de inundação, ou várzea, ocorre a série do freixo (Ficario ranunculoidis-Fraxineto angustifoliae sigmetum) apenas inundada esporadicamente mas que beneficia do afluxo subsuperfícial de água, bem como da presença do freático próximo da superfície. O freixial correspondente ao estádio climácico desta série é acompanhado por uma orla espinhosa ou silvado (Lonicero hispanicae-Rubetum ulmifolii) e substituído, por corte ou pastoreio, numa primeira fase por juncais (Galio palustris-Juncetum maritimi ou Holoschoeno-Juncetum acuti, de acordo com a maior ou menor presença de água à superfície, respectivamente) e estes pelo prado vivaz (Trifolio resupinati-Caricetum chaetophyllae);

No leito menor localiza-se a série do amial (Campanulo primulifoliae-Alneto glutinosae sigmetum), a qual partilha com a série anterior a orla espinhosa e o prado vivaz, mas no âmbito da qual se identificam também as etapas subseriais Cisto psilosepali-Ericetum lusitanici ou Juncetum rugoso-effusi (em solos arenosos, hidromórficos, com pseudogley).

Como já foi referido, integram também a geossérie ripícola as permasséries helófitas e aquáticas que ocorrem no leito menor e margens do curso de água e que se encontram caracterizadas no Quadro 14, de acordo com o contexto ecológico do local.

A observação na área de estudo de galerias ripícolas que reúnam ainda hoje o conjunto das séries de vegetação acima descritas, sem denotar evidente degradação e com uma estrutura ainda próxima da sua situação climácica é rara, no entanto são de referir como situações de excepção os casos da Ribeira do Torgal e da Ribeira de Seixe.

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Figura 67 – Geossérie ripícola com amial e freixial, na ribeira do Torgal (junto à ponte do Sol Posto). Foto do autor.

De forma bastante mais fragmentada, em especial no que respeita à presença de amiais, os quais ficam apenas representados por exemplares pontuais ao longo do curso de água, podem ainda referir-se as ribeiras de Morgável, Monte Novo do Zambujeiro e Barranco do Marmelar. Na maior parte das ribeiras tributárias do Mira as áreas de ocorrência potencial desta geossérie estão convertidas em áreas de pasto, tirando partido da produtividade e aptidão forrageira do prado vivaz de trevo-da-pérsia e carriço (Trifolio resupinati-Caricetum chaetophyllae), em mosaico com os juncais subseriais mencionados (vd. Quadro 13) e extensas comunidades basais dominadas por Cotula coronopifolia nas zonas mais salgadas (i.e., na faixa mais próxima do rio).

Uma referência também para a vegetação das margens de ribeiras muito nitrofilizadas (e campos agrícolas abandonados com alguma humidade edáfica), nas quais se observa com frequência a completa substituição da

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vegetação originalmente presente por canaviais (Arundini donacis- Convolvuletum sepium), cujo desenvolvimento é também favorecido pelo abandono das terras e consequente falta de manutenção dessas áreas.

Salienta-se que no que respeita à caracterização das geosséries ripícolas do Sudoeste Alentejano, não foram feitas referências a galerias ripícolas nas margens do rio Mira, pois sendo este rio salgado até pelo menos Odemira, estaremos em presença de um estreito estuário, nas margens do qual se desenvolvem geosséries de comunidades halofílicas, mas não galerias ripícolas com estrutura arbórea. Deste modo, a caracterização da vegetação das margens do troço terminal do rio Mira é, para além da caracterização das comunidades de sapal apresentada no Capítulo 4.6.3.3, a que consta do Quadro 14 para as zonas de transição entre água salobra e água doce.

4.6.2.4 Outra vegetação aquatica ou helofítica

Finalmente, apresenta-se no Quadro 15 uma breve caracterização das comunidades que integram a geopermassérie das lagoas oligotróficas higroturfosas (Habitat 3110 da Rede Natura 2000) e o mesmo para o Quadro 16 no caso dos charcos temporários mediterrânicos (Habitat prioritário 3170* da Rede Natura 2000). Estes ecossistemas desenvolvem-se fundamentalmente na área da plataforma litoral e constituem áreas de elevado interesse para conservação, pois albergam comunidades animais e vegetais de elevada especificidade ecológica e contribuem para um aumento significativo da β- diversidade da região em que se inserem. Actualmente o estado de conservação destes ecossistemas na área e estudo é bastante desfavorável dado que as práticas agrícolas incorrectas (drenagem, mobilização profunda do solo e pastoreio excessivo) e outras pressões de origem antrópica (expansão urbana, intensificação agrícola, instalação de infra-estruturas) têm vindo a resultar na degradação e mesmo destruição de muitas das áreas em que estes ecossistemas ocorrem (Cruz 2010).

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Quadro 13 – Caracterização das séries de vegetação higrófilas que integram as galerias ripícolas do Sudoeste Alentejano. Várzea, leito maior ou leito Leito menor (ribeiras sem Leito menor (ribeiras Cabeceiras de linhas de de inundação torrencialidade, torrenciais) ou pauis água e ribeiras torrenciais tendencialmente oligotróficos com forte estiagem oligotróficas) Designação Ficario ranunculoidis- Campanulo primulifoliae- Viti viniferae-Saliceto Polygono equisetiformis- da série Fraxineto angustifoliae Alneto glutinosae sigmetum atrocinereae sigmetum Tamariceto africanae sigmetum sigmetum Cabeça de Ficario ranunculoidis- Campanulo primulifoliae- Viti viniferae-Salicetum Polygono equisetiformis- série Fraxinetum angustifoliae Alnetum glutinosae atrocinereae Tamaricetum africanae Orla Lonicero hispanicae-Rubetum ulmifolii Etapas Galio palustris-Juncetum Cisto psilosepali-Ericetum Cirsio palustris-Juncetum Holoschoeno-Juncetum acuti subseriais maritimi (solos arenosos lusitanici rugosi encharcados por água doce) ou ou ou Juncetum rugoso-effusi (solos Cirsio welwitschii-Ericetum Holoschoeno-Juncetum acuti arenosos, hidromórficos, com ciliaris (locais paludosos) (solos cujo lençol freático, pseudogley) ou no Inverno, está a poucos Galio palustris-Caricetum centímetros da superfície lusitanicae (solos (mas mais seco que o compactados com anterior) pseudogley) Prado Trifolio resupinati-Caricetum chaetophyllae (resultante do pastoreio extensivo do Holoschoeno-Juncetum acuti, Galio palustris- vivaz Juncetum maritimi e Juncetum rugoso-effusi)

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Quadro 14 – Caracterização das permasséries aquáticas associadas ao leito menor e margens das linhas de água do Sudoeste Alentejano. Meios eutróficos Meios mesotróficos Meios oligotróficos Com dessecação Typho-Schoenoplectetum Glycerio declinatae-Apietum nodiflori Glycerio declinatae-Eleocharitetum temporária no tabernaemontani palustris final do Verão Sem dessecação, - Typho angustifoliae-Phragmitetum Callitricho stagnalis-Ranunculetum em águas lóticas australis saniculifolii (de corrente - fácies de Scirpus lacustris (solos lenta) grosseiros ou rochosos) - fácies de Typha spp. (remansos de rios em solos limosos) Sem dessecação, Glycerio declinatae-Oenanthetum crocatae águas lóticas (de corrente rápida) Águas lênticas Lemno-Azolletum filiculoidis águas Nymphaeetum albo-luteae Irido pseudacori-Polygonetum salicifolii (lagoas e pegos) paradas ou estagnadas, fortemente + eutrofizadas Typho angustifoliae-Phragmitetum Lemnetum minoris australis - fácies de Phragmites australis (também nas margens das pequenas albufeiras, pois suporta maior dessecação)

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Quadro 15 – Caracterização da permassérie das lagoas oligotróficas higroturfosas (Habitat 3110 da Rede Natura 2000). Zona Central (zona mais profunda, Banda intermédia (zona menos profunda, Banda exterior (período de inundação período de inundação prolongado) período de inundação médio a longo) curto) Scirpo fluitantis-Juncetum heterophylli Junco emmanuelis-Eleocharitetum multicaulis Anagallido tenellae-Juncetum bulbosi (turfeiras baixas planas)

Quadro 16 – Caracterização da permassérie dos charcos temporários mediterrânicos (Habitat 3170* da Rede Natura 2000). Centro (zona mais profunda, com Banda intermédia (zona menos Banda exterior (período de submersão prolongada) profunda, período de inundação inundação curto) longo) Inverno e Inicio da - Hyperico humifusi-Cicendietum - Primavera filiformis Primavera Glycerio declinatae-Eleocharitetum Isoeto setacei-Eryngietum corniculati Loto hispidi-Chaetopogonetum palustris exaculetosum pusillae + fasciculati ou Solenopsio laurentiae-Juncetum + Bolbochoenetosum maritimi (zonas hybridae (charcas mais planas) Junco capitati-Isoetetum hystricis profundas) Fim da Primavera- - Isoeto setacei-Eryngietum corniculati Pulicario paludosae-Agrostietum Verão pourretii

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4.6.3 Vegetação costeira (complexos de vegetação e geopermasséries costeiras, ou halogeopermasséries)

4.6.3.1 Complexo de vegetação dunar

[Complexo de vegetação dunar costeira, lusitano-andaluza litoral, de sabinais-caudados]

Os sistemas dunares constituem um ecossistema litoral cujas características geológicas e geomorfológicas determinam condições de stress muito particulares e limitantes à implantação de vegetação zonal (e.g. salinidade, mobilidade e oligotrofia do substrato, brisas marítimas recorrentes). Consequentemente, estes territórios são colonizados por vegetação altamente adaptada às condições ecológicas existentes, organizando-se numa sucessão de permasséries dispostas ao longo do(s) gradiente(s) ecológicos em presença. São pois identificáveis, no sentido Oeste-Este (i.e., desde a linha de costa e em direcção ao interior), as seguintes permasséries: Salsolo kali- Cakiletum maritimae (praia alta, na faixa de deposição de detritos orgânicos trazidos pelas marés equinociais); Elytrigietum junceo-boreoatlantici (dunas embrionárias); Loto cretici-Ammophiletum australis (cristas das dunas móveis); Artemisio crithmifoliae-Armerietum pungentis (dunas fixadas por caméfitos). No contacto entre esta sucessão de geopermasséries e a vegetação climatófila da região encontra-se a série edafoxerófila de sabina-caudada denominada Osyrio quadripartitae-Junipero turbinatae sigmetum (dunas secundárias semifixas). No âmbito territorial desta série edafoxerófila surge a comunidade Rubio longifoliae-Corematetum albi (orla e etapa de degradação da comunidade anterior). A comunidade anual Geranio purpurei-Galietum minutuli encontra-se também associada a estes espaços (Neto 2002).

Em situações de nitrificação das areias dunares, frequentemente devida a acção humana, surge a comunidade Verbasco litigiosi-Ononidetum ramosissimae e também, pontualmente, Santolinetum impressae (comunidade observada a bordejar o parque de estacionamento das Furnas, a sul de Milfontes).

Estes complexos de vegetação apresentam-se em geral medianamente conservados, embora evidenciem sinais de pressão antrópica (e.g. agricultura, como pode ser observado a norte de Milfontes e na foz do Corgo dos

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Aivados, ou trânsito motorizado ao longo de toda a faixa litoral, em especial ao redor das praias com utilização balnear) (Figura 68).

Figura 68 – Furnas, a sul de Milfontes, é um dos locais em que a vegetação dunar se encontra em melhor estado de conservação em toda a costa do Sudoeste Alentejano. Foto do autor.

4.6.3.2 Geopermassérie das arribas (Querco cocciferae-Junipero turbinatae geopermasigmetum)

[Geopermassérie costeira, aero-halófila e rupícola, lusitano-andaluza litoral, de sabinais-caudados com carrasco]

Em toda a área de estudo as arribas rochosas são revestidas por um conjunto de comunidades permanentes em que domina a formação Querco cocciferae- Juniperetum turbinatae, ou seja um sabinal/carrascal adaptado a condições extremas no que respeita à presença de sal proveniente do spray aero-halino gerado pela agitação marítima e empurrado para o interior por ventos que sopram de forma intensa, predominantemente do mar para o interior. No entanto, há que distinguir duas faciações, em função do tipo de substrato em presença: sobre arenitos duros de origem marinha (frequentemente com cimentos calcários) o sabinal/carrascal é acompanhado pela comunidade permanente Thymetum congesti e pela comunidade anual Herniario algarvicae- Linarietum ficalhoanae chaenorhinetosum lusitanicae; no caso das arribas xistosas as comunidades permanentes em presença são o Dittrichietum maritimae (mato baixo, subnitrófilo) e o Spergulario rupicolae-Limonietum virgati, para além da comunidade anual Parapholido incurvae-Catapodietum marini.

Em condições ecológicas particulares aparecem ainda as comunidades Genisto triacanthi-Cistetum palhinhae (comunidade permanente que ocorre sobre paleo-podzóis decapitados em que afloram os horizontes de surraipa

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dura, ou ortstein) e ainda, pontualmente, a comunidade de Plantago almogravensis (sobre arenitos vermelhos do Pliocénico).

Ao longo da linha de costa (s.str.), também em contextos ecológicos muito específicos, ocorrem duas outras comunidades permanentes: Didymodon spadicei-Adiantetum capilli-veneris (em half-caves, na presença de exsurgências de água doce) (Figura 69) e Asplenietum marini (numa banda próxima da faixa de rebentação das ondas).

Figura 69 – Comunidades de Adiantum capillus-veneris, nas áreas de exsurgência de água doce. Foto do autor. A – Detalhe morfológico da espécie Adiantum capillus-veneris (avenca); B – Half-cave colonizada pela comunidade.

O estado de conservação das formações de arriba é favorável e em alguns locais nota-se mesmo a sua recuperação em áreas outrora ocupadas por agricultura, em especial na área de ocorrência de Cistus palhinhae (= Cistus ladanifer subsp. sulcatus) (Figura 70).

No entanto, na área hoje servida pelas infra-estruturas de regadio do Mira mantém-se alguma pressão no sentido da expansão das áreas agrícolas até bem perto da crista das arribas costeiras, o que constitui uma pressão negativa sobre esta área de elevada β-diversidade.

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Em algumas áreas moderadamente nitrofilizadas (zonas de pesqueiros, por exemplo, nas quais existe deposição de matéria orgânica por acção humana) podem também ocorrer as comunidades permanentes Cynomorio coccinei- Lycietum intricati e Frankenio laevis-Salsoletum vermiculatae.

Figura 70 – Comunidades de Cistus palhinhae no topo das arribas do Sudoeste Alentejano. Foto do autor A – Aspecto fisionómico da comunidade; B – Cistus palhinhae (detalhe morfológico da folha).

4.6.3.3 Geopermassérie halófila de sapal

[Geopermassérie halonitrófila, lusitano-andaluza litoral (a sul do Tejo)58 de sapais em clima mediterrânico]

O estuário do rio Mira alberga um importante ecossistema costeiro, também ele de elevada β-diversidade e que presta numerosos serviços ambientais: o sapal. Nele se encontra, a par da sua especificidade geomorfológica59, um

58 De acordo com Costa et al. (2009a) os sapais a Norte do rio Tejo devem ser considerados como sapais eurosiberianos e não mediterrânicos, pelo que se considera que a presente geopermassérie deve apresentar como limite norte o estuário do rio Tejo.

59 Do ponto de vista geomorfológico, os sapais surgem em zonas estuarinas de águas tranquilas, nas quais predominam processos de sedimentação. O movimento dos sedimentos acontece ao sabor das correntes provocadas pela flutuação de água corrente que flui de e para o mar (prisma de maré), o que favorece a deposição de materiais finos, como limos e argilas.

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complexo mosaico de comunidades vegetais dispostas em bandas paralelas à linha de costa e organizadas ao longo de gradientes ecológicos inter- relacionados (de salinidade, período de submersão, textura, microtopografia, etc.). Assim, observa-se a seguinte sequência de comunidades, desde o leito do rio até ao contacto com a vegetação zonal:

Na faixa constantemente submersa: Cymodoceetum nodosae (presente em fundos arenosos, sempre submersos por águas pouco profundas (3-4 m de profundidade) e com corrente mais ou menos forte); Zosteretum noltii (comunidade monoespecífica de Zostera noltii, de estuários e costas arenosas ou limosas pouco profundas, que ficam a descoberto durante a preia-mar equinocial).

Estas comunidades encontram-se espacialmente separadas das seguintes por lodaçais e areais desprovidos de vegetação vascular.

Na faixa sujeita a submersão bidiária, promovida pelo regime de marés: Spartinetum maritimae; Puccinellio ibericae-Sarcocornietum perennis; Halimiono portulacoidis-Sarcocornietum alpini (comunidade que ocupa a posição mais elevada nesta faixa, em mosaico com Cistancho phelypaeae-Sarcocornietum fruticosae). Ocorrem também as comunidades anuais Salicornietum fragilis (comunidade de fenologia precoce) e Halimiono portulacoidis-Salicornietum ramosissimae.

Figura 71 – Perspectiva de uma zona de sapal baixo, nas margens do rio Mira. Foto do autor.

Na faixa sujeita a submersão bianual, nos períodos de marés equinociais: Inulo crithmoidis-Arthrocnemetum macrostachyi; Limonietum lanceolati (Figura

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72); Cistancho phelypaeae-Suadetum verae (locais nitrofilizados); Polygono equisetiformis-Juncetum maritimi; Frankenio laevis-Salsoletum vermiculatae; Comunidade de Spartina patens. Pode ainda observar-se a comunidade halonitrófila anual, tendencialmente monoespecífica, Cressetum creticae.

Figura 72 – Limonietum lanceolati, comunidade de sapal alto recentemente descrita a partir de inventários efectuados na foz do rio Mira.

Nas áreas de transição entre águas doces e salgadas surge ainda a comunidade Limonio vulgaris-Juncetum subulati, surgindo sobre solos salinos que sofreram uma inundação mais ou menos prolongada por aulas salobras.

Esta longa e complexa sequência de comunidades ocorre nas margens do rio Mira, prolongando-se para o interior por uma dezena de quilómetros, até atingir Odemira. Trata-se do maior e melhor conservado sapal do litoral atlântico, a sul do Sado. Ainda dentro da área de estudo refere-se a foz do rio Odeceixe como a segunda área de ocorrência desta geopermassérie.

Um dos usos tradicionais destas áreas entretanto abandonado, as salinas, constituíam um refúgio para comunidades muito específicas e adaptadas às elevadas concentrações de sal (cloreto de sódio), as quais tendem a desaparecer da região no presente contexto (e.g. Spergulario bocconei- Mesembryanthemetum nodiflori, Polypogono maritimi-Hordeetum marini, Bolboschoeno compacti-Scirpetum litoralis, Damasonio alismatis-Crypsietum aculeatae, Suaedo splendentis-Salsoletum sodae e Suaedo splendentis-

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Salicornietum patulae). Este é um caso emblemático de uma actividade humana promotora de diversidade biológica na região. As ditas salinas, de que se encontrava um exemplo junto à foz do Mira na área do moinho da Asneira, foram entretanto reconvertidas numa piscicultura intensiva.

Um esboço da carta de séries e geopermasséries de vegetação (excepto vegetação ripícola) do Sudoeste Alentejano é apresentado na Figura 73.

Figura 73 – Esboço da carta de séries e geopermasséries de vegetação do Sudoeste Alentejano (escala 1 / 400 000).

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4.7 QUALIDADE ECOLÓGICA DA PAISAGEM DO SUDOESTE ALENTEJANO

O estudo da qualidade ecológica da paisagem do Sudoeste Alentejano será efectuado com base num estudo de cartografia geobotânica. Loidi (2001) defende que a cartografia geobotânica é um método fundamental de inventariação dos habitat terrestres e que a sua elaboração, a par da determinação da qualidade natural (ou ecológica) destes, corresponde ao conjunto de competências mais genuínas e específicas que se podem atribuir ao fitossociólogo. Por outro lado, Pedrotti (2004, p. 1) definiu cartografia geobotânica como “uma área da cartografia temática que se ocupa de interpretar e representar, sob a forma de uma «carta» os fenómenos espaciotemporais que se referem a [aspectos da] flora, vegetação, paisagem vegetal, zonas de vegetação ou unidades fitogeográficas [de um determinado território]“ (t.a.).

Consequente, o presente capítulo visa atingir os seguintes objectivos:

1. Identificar e delimitar as diferentes comunidades vegetais (ou mosaicos de comunidades vegetais) que ocorrem na área de estudo, considerando a sua estrutura, composição florística e contexto ecológico;

2. Estudar a evolução recente da paisagem vegetal do Sudoeste Alentejano, tirando partido de registos históricos, tanto escritos como cartográficos. Será dada especial atenção à existência de informação cartográfica de grande escala60, referida a diferentes períodos da história recente da área de estudo;

3. Avaliar a qualidade ecológica da paisagem em estudo .

4.7.1 Aspectos metodológicos da abordagem cartográfica

A elaboração de quaisquer elementos de informação cartográfica temática implica a consideração de diversos aspectos técnicos associados à produção cartográfica, sobre os quais há que tomar decisões. São discutidos em seguida alguns dos aspectos críticos neste processo.

60 De acordo com o Instituto Geográfico do Exército (2008) por escala grande entende-se uma escala 1 / 50 000, ou superior.

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4.7.1.1 Sistema de Referência

De acordo com o Instituto Geográfico Português (s.d.), o sistema ETRS89 (European Terrestrial Reference System 1989) é o sistema global de referência recomendado pela EUREF (European Reference Frame, subcomissão da IAG – Associação Internacional de Geodesia) para o espaço europeu. Com a popularização dos sistemas de navegação por satélite (GLONASS, Navstar- GPS e, futuramente, GALILEO) a utilização de sistemas de coordenadas baseados num datum global generalizou-se, levando também as instituições produtoras de cartografia a adoptar os referidos sistemas. No caso do território europeu, a agência EuroGeographics recomenda a utilização da projecção cartográfica transversa de Mercator para escalas superiores a 1/500 000 e cónica conforme de Lambert, com dois paralelos de escala conservada, para escalas inferiores a 1/500 000, devendo este sistema substituir completamente os anteriormente usados, que se consideram obsoletos. (s.d.)(s.d.)(2008)(2008)(2008)Constata-se pois que o sistema de referência em vigor em Portugal desde 2006 é o ETRS89, no entanto a cobertura aerofotográfica mais recente (de entre as utilizadas no presente estudo) data de 2005,61 esta apresenta-se ainda ortorrectificada no sistema de coordenadas projectadas vulgarmente conhecido por «Hayford-Gauss Datum 73 (HGDt73)». Assim, dado que o presente estudo pretende apenas delimitar, identificar e quantificar a cobertura vegetal da área de estudo à data da realização das fotografias aéreas, foi conscientemente tomada a decisão de manter o sistema de coordenadas projectadas HGDt73. Alerta-se no entanto para a necessidade de antever e resolver de forma adequada os problemas de integração de informação geográfica com diversas proveniências e baseados em distintos sistemas de referência espacial, em particular nos casos em que o exista o objectivo da manutenção e actualização da informação. Actualmente o problema encontra-se mitigado, dado que se encontram já disponíveis coberturas aerofotográficas nacionais,

61 Os ortofotos utilizados foram adquiridos em 2007 directamente ao IGP, apresentando as seguintes características técnicas: Ortofotos Digitais procedentes no Voo IGP/DGRF (cobertura aerofotográfica completa de Portugal continental), realizadas em 2005; Sistema de Referência –Datum 73; Elipsóide de Referência – Elipsóide de Hayford; Sistema de Coordenadas – Rectangulares, com a Projecção de Gauss- Krüger; Origem das Coordenadas – E=180,598 m; N=-86,990 m, do Ponto Central; Formato – Imagem digital, obtida com câmara fotográfica aérea digital (RGB e Infravermelho Próximo); Resolução Espacial – 0,50 m; Seccionamento – 4 km x 5 km.

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em cor real e infravermelho próximo (RGB+Iv), ortorrectificadas no sistema PT-TM06/ETRS89.

4.7.1.2 Âmbito geográfico

Dadas as características do produto cartográfico pretendido, entre as quais são determinantes o detalhe espacial e a validação da informação por trabalho de campo, a execução do referido estudo de cartografia para toda a área em estudo revela-se inviável, pelo que foi necessário reduzir o âmbito geográfico do estudo, sem no entanto reduzir a variabilidade ecológica do território. Consequentemente, foram definidos dentro da área de estudo 3 sectores a cartografar (Figura 74), com as seguintes características:

Figura 74 – Sectores em estudo na análise da qualidade ecológica das comunidades vegetais e sua variação espaciotemporal.

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Sector 1: Sines

O sector de Sines é delimitado a norte pelo paralelo de coordenada y=- 185 000, a sul pelo paralelo de coordenada y=-195 000, a este pelo meridiano de coordenada x=-52 000 e a oeste pela linha de costa. O território incluído neste sector ocupa parcialmente as cartas topográficas militares (série M888) n.ºs 515-A, 516 e 526 e a sua área terrestre totaliza 10 999.48 ha. Em termos da divisão administrativa oficial de Portugal, reparte-se pelos concelhos de Sines (85.8%) e Santiago do Cacém (14.2%). Apenas o troço costeiro de São Torpes para sul e com uma largura média de cerca de 2 km pertence ao Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, no entanto considerou-se importante estudar esta área por ser aquela em que se verificou nas últimas décadas maiores alterações de paisagem decorrentes de processos de expansão urbana e também da construção de áreas industriais.

Sector 2: Vila Nova de Milfontes

O sector de Milfontes é delimitado a norte pelo paralelo de coordenada y=- 210 000, a sul pelo paralelo de coordenada y=-220 000, a este pelo meridiano de coordenada x=-48 000 e a oeste pela linha de costa. Corresponde à totalidade da área da carta topográfica militar (série M888) N.º 544 e a sua área terrestre totaliza 10 702.38 ha. Em termos da divisão administrativa oficial de Portugal, reparte-se pelos concelhos de Odemira (97.3%) e Santiago do Cacém (2.7%). No decorrer das últimas décadas a paisagem deste sector foi afectada por processos de expansão urbana decorrentes da pressão turística a que esta área se encontra sujeita, mas também a outros fenómenos associados à actividade agrícola e florestal.

Sector 3: Cavaleiro

O sector do Cavaleiro é delimitado a norte pelo paralelo de coordenada y=- 225 000, a sul pelo paralelo de coordenada y=-235 000, a este pelo meridiano de coordenada x=-48 000 e a oeste pela linha de costa. Ocupa parcialmente as cartas topográficas militares (série M888) n.ºs 552 e 560 e a sua área terrestre totaliza 11 615.93 ha. Em termos da divisão administrativa oficial de Portugal, pertence na totalidade ao concelho de Odemira. Esta área é a que menos tem sentido os efeitos da pressão urbanística, mas tem igualmente sido alterada pela actividade agrícola e florestal.

183

4.7.1.3 Legenda das unidades cartografadas

A execução da cartografia de vegetação nos sectores acima descritos requer a ponderação da legenda a utilizar, de modo a permitir a exploração de toda a informação disponível nos elementos cartográficos consultados e assegurar a compatibilidade da informação gerada nas diversas épocas de observação.

Por outro lado, a legenda adoptada utiliza uma tipologia de classes de cobertura de solo e não de usos de solo. A distinção entre estes conceitos é discutida por Fisher, Comber & Wadsworth (2005, p. 89). Segundo os citados autores «uso do solo» é um conceito bastante diferente do de «cobertura do solo», embora os dois estejam indubitavelmente relacionados. A cobertura do solo representa o material físico à superfície da terra. É o material que nós vemos (arrelvados, asfalto, árvores, terra nua, água, etc.) e que interage directamente com a radiação electromagnética, cuja reflectância se regista numa fotografia, numa imagem digital de satélite ou de radar. Uso do solo, pelo contrário, é uma descrição de como as pessoas usam a terra. Usos urbanos e agrícolas são duas das classes mais facilmente reconhecidas num primeiro nível hierárquico de separação. Equipamentos culturais e desportivos e áreas de uso industrial são também tipos de usos do solo.

A legenda utilizada apresenta-se simplificada de modo a ser compatível com os três períodos analisados, encontrando-se estruturada em dois níveis hierárquicos (vd. duas primeiras colunas do Quadro 17). Num primeiro nível encontram-se as classes de cobertura de solo, correspondentes à legenda utilizada no âmbito do capítulo 4.7.3, relativo à evolução recente da cobertura vegetal do Sudoeste Alentejano. No segundo nível hierárquico encontram-se os tipos de cobertura de solo, que aprofundam a legenda do nível anterior no sentido de separar culturas, espécies florestais e discriminar distintos tipos de vegetação natural e seminatural. Esta será a legenda utilizada pelo método de avaliação da qualidade ecológica que se descreve no próximo capítulo e cuja classificação se apresenta no Quadro 17.

4.7.2 Avaliação da qualidade ecológica pelo método de Loidi (2008)

São evidentes as mais-valias obtidas pela utilização de sistemas de avaliação da qualidade ecológica de base fitossociológica em estudos de ordenamento e gestão do território. O detalhe espacial que estes permitem, bem como a caracterização florística, estrutural e ecológica inerente á descrição das

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comunidades vegetais de acordo com o modelo fitossociológico dotam estes sistemas de elevada capacidade preditiva e diagnóstica, à escala da paisagem.

A metodologia utilizada para determinação do valor biológico para conservação das comunidades vegetais cartografadas, bem como o seu interesse para conservação é a de Loidi (2008). Esta constitui um desenvolvimento da metodologia proposta pelo mesmo autor no início da década de 1990 (vd. Sesma & Loidi Arregui (1993) e Loidi (1994)) a qual foi aplicada em estudos de caracterização e gestão territorial, quer em Espanha (García-Baquero & Valle Gutiérrez 1998; Giménez Luque & Gómez Mercado 2001), quer em Portugal (Lomba, Alves & Honrado 2008; Lousã et al. 2005; Lousã et al. 2006). Na sua versão de 1994 a aplicação da referida metodologia pressupõe o cálculo de um índice de ‘interesse para conservação’ a cada parcela delimitada, cujo valor resulta do produto do índice de ‘valor biológico’ da comunidade (ou mosaico de comunidades) pelo ‘coeficiente territorial de necessidade de protecção’. O «valor biológico» é obtido pela soma dos valores atribuídos aos critérios de ‘riqueza florística e/ou fitocenótica’, ‘naturalidade’, ‘raridade’, ‘grau de ameaça’ (natural ou antrópica) e ‘resiliência’. O «coeficiente territorial de necessidade de protecção» corresponde a um factor de ponderação que reforça ou atenua a necessidade de protecção de cada parcela em função da densidade populacional da região em que esta se insere.

Em 2008 o autor reformulou a metodologia, mantendo os critérios originais62 e adicionando um novo conjunto de critérios que representam aspectos particularmente relevantes dos serviços que as comunidades vegetais terrestres prestam a ecossistemas e à sociedade humana e aos quais designou de ‘critérios complementares’. Assim, o sistema utiliza os seguintes critérios:

4.7.2.1 Critérios fundamentais:

ƒ Naturalidade (N);

ƒ Resiliência (P);

ƒ Ameaça (T);

62 Aos cinco critérios utilizados no cálculo do valor biológico das comunidades o autor passou a designá- los de ‘critérios fundamentais’.

185

ƒ Valor florístico / Fitocenótico (F);

ƒ Raridade (R);

Todos os critérios fundamentais assumem uma escala normalizada de valores entre 1 e 10 (vd. Loidi (2008)). Uma breve descrição de cada um deles é apresentada em seguida.

Naturalidade (N): o critério ‘naturalidade’ tenta expressar a extensão da alteração das comunidades devida à actuação humana, compreendendo dois aspectos distintos: por um lado, o empobrecimento e grau de alteração da comunidade e, por outro, a medida em que as comunidades elas próprias resultam e/ou dependem das actividades humanas (Loidi 2008). Este duplo critério permite atribuir elevado valor a comunidades representativas dos estágios de maior maturidade no processo sucessional, mas também a algumas comunidades estruturalmente simples (como sejam algumas comunidades permanentes de facto não perturbadas, como sejam as comunidades dos sistemas dunares costeiros, dos sapais e de alta montanha.

Resiliência (P): este critério, identificado na proposta de 1994 pelo termo ‘substitutividade’63(t.a.), refere-se à capacidade de determinada comunidade se reconstituir após destruição a ocorrência de perturbações, tanto as originadas por causas naturais como as induzidas por actuação humana. Consequentemente, a aplicação do critério baseia-se no pressuposto de que uma comunidade com menor capacidade de regeneração tem maior necessidade de protecção, independentemente do seu valor e/ou originalidade.

Ameaça (T): a atribuição de um valor de ameaça é, como o autor afirma, difícil e por vezes dependente de externalidades, designadamente do contexto socioeconómico da região envolvente (e.g. orientação das políticas agrícolas). Por outro lado, outros factores devem ser considerados na atribuição de valor a este critério (e.g. dificuldade de acesso à comunidade), pelo que a atribuição de valor a este critério requer a opinião dos especialistas detentores do conhecimento pericial necessário ao estabelecimento de prioridades de conservação dentro da respectiva área de estudo.

63 Replaceability, no idioma original.

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Valor Florístico / Fitocenótico (F): este é o critério mais frequentemente utilizado para atribuição de valor para conservação de uma comunidade vegetal (ao qual se junta também com frequência o critério da naturalidade). O consenso é no entanto mais reduzido quanto aos aspectos a considerar para a atribuição deste valor, o que levanta problemas quanto à objectividade na aplicação do referido critério. Em termos gerais, a classificação apresentada é normalmente informada por numerosas perspectivas, incluindo a riqueza florística e complexidade estrutural das comunidades, a sua originalidade e a sensibilidade ao nível das relações bióticas intra- e extra- comunidade.

Raridade (R): a proposta original do autor para atribuição de valor a este critério considera a distância média entre os polígonos ocupados pela mesma comunidade, dividida por classes, em função das quais se atribui um valor de ameaça. Na abordagem de 2008 o autor propõe um critério alternativo que se inspira no trabalho de Izco (1998), no qual se adaptam as sete diferentes tipologias de raridade de Rabinowitz (1981) ao contexto das comunidades vegetais. As referidas tipologias de raridade resultam da consideração simultânea de três características, designadamente a dimensão média dos ‘indivíduos de associação’ considerados, a frequência de ocorrência no contexto geográfico (que determina a ‘raridade geográfica’ de uma comunidade) e a frequência de ocorrência da comunidade no contexto regional (determinando a ‘raridade ecológica’ de uma comunidade) (Figura 75).

Sem raridade geográfica Com raridade geográfica (área de distribuição com + de 5000 km2) (área de distribuição com + de 5000 km2)

Frequente Pouco frequente Frequente Pouco frequente (presente na (presente na região (presente na (presente na região em mais de em menos de 50 região em mais de região em menos 50 quadrículas quadrículas 50 quadrículas de 50 quadrículas quilométricas ) quilométricas ) quilométricas ) quilométricas ) Dimensão média da comunidade

Grande (em média + R1 R4 R5 de 500 m2)

Pequena (em média - R2 R3 R6 R7 de 500 m2)

Figura 75 – Tipos de raridade das comunidades vegetais de acordo com Izco (1998).

187

4.7.2.2 Critérios complementares:

ƒ Coeficiente Territorial de Necessidade de Protecção (E);

ƒ Coeficiente de Retenção de Carbono (RC);

ƒ Coeficiente de Protecção do Solo (S);

ƒ Coeficiente de Protecção dos Recursos Hidrológicos (H).

Coeficiente Territorial de Necessidade de Protecção (E): o coeficiente territorial de necessidade de protecção (E) funciona como um coeficiente de ponderação do valor biológico de uma unidade cartografada em função da densidade populacional da região em que se insere64. A utilização deste coeficiente decorre da necessidade de, independentemente do valor biológico atribuído a cada unidade, se atribuir especial atenção aos ecossistemas mais ameaçados pelas pressões geradas directa e indirectamente pela ocupação humana do território. Tais pressões expressam-se de diversas maneiras, desde a necessidade de dotar os territórios mais densamente habitados das necessárias infra-estruturas (rodoviárias, ferroviárias, de saneamento, comerciais e de recreio), à própria expansão do tecido edificado, considerando também a utilização dos espaços nas imediações dos aglomerados urbanos para actividades recreativas e de lazer e ainda a frequente ocupação de espaços periurbanos por alguma agricultura de subsistência e complementar à economia das famílias das classes económicas menos favorecidas. Os valores a atribuir ao referido coeficiente são função da densidade populacional (expressa em hab/km²) das unidades administrativas sobre as quais se distribui a área de estudo, variando entre 0.5 e 2.5.

Coeficiente de Retenção de Carbono (RC): Este é o primeiro dos três critérios referentes à prestação de serviços ambientais pelos ecossistemas, designadamente de serviços de suporte e de regulação. O objectivo deste critério é atribuir a cada unidade cartografada um factor ponderador de acordo a sua capacidade de retenção de carbono, pelo que as unidades correspondentes a comunidades florestais, quer sejam naturais ou plantadas, são as que recebem pontuação mais elevada dado que se comportam como

64 Na prática, este coeficiente deve ser encarado como um critério de “urgência para protecção” (Loidi, com. pess.)

188

sumidouros de carbono. A escala de valores assumidos pelo critério em causa varia entre 1.0 e 2.0

Coeficiente de Protecção do Solo (S): Neste critério a ponderação é escalonada de acordo com a prestação do ecossistema no que respeita à conservação do solo, considerando em simultâneo a capacidade de retenção de nutrientes e de sedimentos, mas também a forma como o ecossistema favorece o processo de desenvolvimento pedogenético. Daí que as unidades cartografadas possam receber pontuações entre 0.4 e 2.0 de acordo com a densidade de cobertura vegetal e a ocorrência de práticas agrícolas ou florestais que potenciem a perda de solo ou a sua acreção.

Coeficiente de Protecção dos Recursos Hidrológicos (H): Por fim, considera-se ainda o critério referente à protecção do recurso água, considerando a capacidade do ecossistema contribuir para a regulação do ciclo da água, bem como para participar no processo da sua depuração. Também neste caso os valores atribuídos a cada unidade cartografada variam entre 0.4 e 2.0.

4.7.2.3 Índices de qualidade ecológica: Valor Biológico (B) e Interesse para Conservação (CI)

Consequentemente o conjunto dos critérios acima descritos permite calcular os índices de valor biológico e interesse para conservação de cada unidade cartografada, calculados de acordo com as seguintes fórmulas:

Valor Biológico (B): o «valor biológico» (B) de cada comunidade corresponde ao somatório dos valores dos critérios fundamentais anteriormente referidos.

B = N + P + T + F + R

Interesse para Conservação (CI): o produto do valor biológico (B) pelos respectivos coeficientes de necessidade de protecção (E), de retenção de carbono (RC), de protecção do solo (S) e de protecção dos recursos hídricos (H) corresponde ao valor de «interesse para conservação» (CI) de cada comunidade.

CI = B x E x RC x S x H

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Este valor permite elaborar o ranking das formações vegetais cartografadas de acordo com o duplo critério do seu valor biológico mas também do seu maior ou menor interesse para conservação. Deste modo, podem ser estabelecidas prioridades quanto às áreas e formações mais carenciadas de protecção bem como adoptadas medidas de gestão que assegurem simultaneamente a sua subsistência e a manutenção do valor biológico da região.

Os valores atribuídos aos diversos critérios para cada tipo de cobertura de solo utilizado no presente estudo são apresentados no Quadro 17.

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Quadro 17 – Valores atribuídos aos diversos critérios e índices, para cada tipo de cobertura de solo utilizado.

Classe de cobertura de solo Cobertura de solo N P T F R B E* Rc S H CI**

Espaços urbanos 1 1 1 1 0 4 - 1 0.4 0.4 0.6

Equipamentos 0 0 0 0 0 0 - 1 0.4 0.4 0.0 Áreas Sociais Espaços industriais 1 1 1 1 0 4 - 1 0.4 0.4 0.6

Porto 1 1 1 1 0 4 - 1 0.4 0.4 0.6

Pedreiras e areeiros 0 0 0 0 0 0 - 1 0.4 0.4 0.0 Afloramentos rochosos, pedreiras e areeiros Afloramentos rochosos 10 5 1 5 10 31 - 1 1 1 31.0

Aceiro florestal 2 1 3 1 0 7 - 1 0.6 0.9 3.8

Acacial 3 3 2 1 0 9 - 1.4 1 1.1 13.9 Eucaliptais e outra vegetação exótica Eucaliptais 3 3 2 2 0 10 - 1.6 0.6 1.2 11.5

Sebes de eucalipto 3 3 2 2 0 10 - 1.6 0.8 1.2 15.4

Pinhais bravos 3 3 2 2 0 10 - 1.6 1.8 1.5 43.2

Áreas florestais Pinhais bravos com 2 3 2 2 0 9 - 1.6 1.8 1.5 38.9 (não naturais) Pinhais acácia

Sebes de pinheiro-bravo 3 3 2 2 0 10 - 1.6 1.8 1.5 43.2 Pinhais mansos 3 3 2 2 0 10 - 1.6 1.8 1.5 43.2

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Quadro 17 (cont.)

Culturas arvenses, Culturas arvenses, 3 1 3 2 0 9 - 1 0.9 1 8.1 pousios e pastagens pousios e pastagens pobres pobres

Vinhas 2 1 1 1 0 5 - 1.2 0.8 0.9 4.3

Olivais 4 4 3 3 2 16 - 1.2 1 1 19.2 Culturas permanentes Hortofloricultura 2 1 2 1 0 6 - 1.2 0.8 0.9 5.2

Laranjais 1 1 1 1 0 4 - 1 0.6 0.9 2.2 Áreas agrícolas Mosaico de culturas 2 1 2 1 0 6 - 1 0.8 0.9 4.3 Mosaico de culturas hortofrutícolas e hortofrutícolas e edificado edificado Milho 1 1 2 1 0 5 - 1 0.4 0.9 1.8

Charcos temporários 6 5 9 5 9 34 - 1 1 1 34.0

Pastagens higrófilas 4 4 5 3 0 16 - 1 1 1 16.0

Arrozais 3 1 2 1 0 7 - 1 0.8 1 5.6

Cercais e sobreirais 9 8 8 6 6 37 - 1.8 2 1.6 213.1

Vegetação Montado de sobro 7 8 7 10 0 32 - 1.2 1.8 1.5 103.7 natural e seminatural 5 3 2 2 0 12 - 1.4 0.9 1 15.1 Estevais Estevais e outros matos

Estevais de Cistus 10 8 10 5 8 41 - 1.4 0.9 1 51.7

palhinhae

192

Quadro 17 (cont.)

Outros matos 7 6 5 2 6 26 - 1.4 1 1 36.4 Estevais e outros matos

Vegetação de arriba 10 5 10 4 0 29 - 1 0.9 1 26.1 Vegetação rochosa natural e seminatural Vegetação dunar 10 5 10 5 7 37 - 1 0.9 1 33.3 Vegetação dunar 5 2 3 2 0 12 - 1 0.9 1 10.8 Vegetação litoral subnitrófila natural Sistemas húmidos 6 5 9 3 7 30 - 1 1 1 30.0 interdunares

Praias 2 1 10 1 0 14 - 1 1 1 14.0

Vegetação de sapal 10 5 9 4 2 30 - 1 0.9 1 27.0

Açudes e outros planos 2 5 2 3 0 12 - 1 1 1 12.0 Rio Mira e outros planos de água de água

Rio Mira 0 0 0 0 0 0 - 1 1 1 0.0

Salinas 1 1 2 4 7 15 - 1 1 1 15.0 Salinas e aquaculturas Aquaculturas 1 1 1 1 0 4 - 1 1 1 4.0

* – valor variável, função da densidade populacional do local

** – valor de referência, i.e. para (E)=1.0, o que equivale a uma densidade populacional de cerca de 30 hab/m2

193

4.7.3 Evolução histórica recente da paisagem do Sudoeste Alentejano

“A landscape history exposes the evolutionary patterns of a specific landscape by revealing its ecological stages, cultural periods, and keystone processes. Such a history can be a valuable tool as it has the potential to improve description, prediction, and prescription in landscape planning.” (Marcucci 2000, p. 25)

O conhecimento da história de cada paisagem é um passo fundamental para a plena compreensão dessa mesma paisagem. Tal com é exposto por Marcucci (2000), planear (e também gerir) uma paisagem sem conhecer a sua história constitui um acto que oferece poucas garantias de sucesso a longo prazo, pois não é possível sustentar opções de gestão ambiental sem o conhecimento dos processos determinantes para a alteração das paisagens ao longo de múltiplas escalas temporais. No presente caso defende-se que não é possível efectuar o correcto diagnóstico do estado de conservação da paisagem vegetal do Sudoeste Alentejano sem ter em consideração o seu contexto histórico, pelo menos ao longo dos últimos séculos. Para tal, será efectuado o estudo da evolução diacrónica da área de estudo, sobretudo com base na análise de informação corográfica e cartografia agrícola antiga, bem como de duas coberturas aerofotográficas, as quais afortunadamente se referem a períodos da história nacional com distintos contextos socioeconómicos, como se constatará nos capítulos seguintes.

O primeiro período estudado apresenta como ano de referência o ano de 1758. Na sequência do grande terramoto de 1755, é elaborado um inquérito corográfico em todo o reino (vd. capítulo seguinte) que nos permite ter uma ideia bastante precisa de como seria o país de então, não apenas nos grandes centros urbanos mas também nas áreas mais remotas e profundamente rurais. Infelizmente esse registo, conservado até aos dias de hoje nos arquivos da Torre do Tombo, não inclui qualquer registo cartográfico, pelo que a sua representação espacial não é apresentada. Seguidamente estudar-se-á o período centrado em 1893, com base na análise da carta agrícola e corográfica de 1890/1905, série vulgarmente conhecida por «Carta de Pery». Esta série cartográfica, infelizmente incompleta, constitui uma fonte de informação espacialmente detalhada, o que permite analisar os padrões de ocupação das áreas cartografadas e efectuar comparações com épocas subsequentes, no âmbito dos três sectores cartográficos descritos no capítulo

194

4.7.1.2. O terceiro período em estudo corresponde ao ano de 1958, data em que foi efectuada a primeira cobertura aerofotográfica completa do país (efectuada pela USAF – United States Air Force)65 a partir de cujas fotografias foi possível trabalhar com rigor e obter nova representação cartográfica da cobertura do solo para os sectores em estudo. Para o mesmo período existe ainda uma série cartográfica agrícola e florestal à escala 1/25 000, cobrindo cerca de dois terços do país, a qual foi pontualmente consultada para controlo de qualidade da cartografia elaborada. Finalmente, o quarto período em estudo corresponde ao ano de 2005, ao qual corresponde nova cobertura aerofotográfica digital nacional, com base na qual foi elaborada uma terceira e última cobertura cartográfica de uso de solo.

Com base em toda a informação cartográfica produzida foi possível obter uma representação detalhada dos padrões de cobertura do solo e das suas alterações ao longo do tempo, com base na qual foi efectuada a análise quantitativa e qualitativa dessa dinâmica.

4.7.3.1 Relatos históricos da paisagem – o exemplo do Dicionário Geográfico (1758)

O «Dicionário Geográfico de Portugal» do Padre Luís Cardoso, também conhecido por «Memórias Paroquiais de 1758», é uma notável obra que o referido presbítero, da Congregação do Oratório de Lisboa, iniciou em 1732 e da qual se publicaram entre 1747 e 1751, as letras A B e C do primeiro e segundo volumes, tendo o restante material sido perdido no Terramoto de Novembro de 1755 (Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades da Universidade de Évora s.d.). Na sequência deste trágico evento o autor pediu ao Ministro do Reino de então, o Marquês de Pombal, autorização para terminar a obra, a qual foi concedida. Desta forma foi enviado a todos os párocos do reino um questionário de 27 perguntas, para que estes se pronunciassem de forma detalhada sobre ele66.

65 A cobertura aerofotográfica completa para Portugal continental foi executada entre os anos de 1958 e 1960, com escala média de 1/26 000. No que respeita à área do presente estudo, as datas de obtenção dos fotogramas varia entre Maio e Julho de 1958.

66 No que respeita às paróquias da área de estudo, é possível consultar a informação resultante deste inquérito, bem como a lista das perguntas formuladas, quer através de fontes de informação online (Departamento de História da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas s.d.; Centro Interdisciplinar de

195

Da análise das respostas devolvidas pelos párocos das paróquias de Salvador (com 650 habitantes), Santa Maria (490 hab.), São Luís (430 hab.), São Teotónio (1130 hab.), Vila Nova de Milfontes (364 hab.) e também Sines (500 hab.), é possível esboçar a seguinte descrição da paisagem do litoral do Sudoeste Alentejano, à data de 1758:

ƒ A actividade agrícola centrava-se nas culturas de cereal (centeio e cevada nos terrenos menos férteis e elevados, acompanhados de algum trigo e milho grosso nas margens do rio Mira), juntamente com a vinha. São frequentes as referências à parca produção de cereal e à fraca qualidade do vinho, devidas em parte à baixa fertilidade do solo e à escassez de recursos hídricos da região. Adicionalmente, cultivava-se também algum feijão, fava e mais raramente hortaliças.

ƒ Nos espaços silvestres notam-se as referências recorrentes aos matos e aos sobreirais, dos quais se obtinha muita caça (perdizes, coelhos e lebres abundantes mas também javalis). As referências à existência de lobos na região são também recorrentes. A apicultura era já uma actividade com forte presença na região, em especial nas serras sublitorais. Outras espécies arbóreas referidas, mas menos abundantes, incluem as azinheiras e as fruteiras (ameixeiras sobretudo, mas também soromenhos67, macieiras e figueiras).

ƒ O gado era frequente, predominando as cabras e as ovelhas, mas também é referido o gado vacum.

ƒ Finalmente, sobre os recursos hídricos, parece notar-se alguma escassez de água doce, dado que o rio é salgado até Odemira e as referências a fontes são pouco frequentes. Sobre este assunto reproduz-se também uma passagem da resposta enviada pelo pároco de Milfontes, na qual se pode ler:

História, Culturas e Sociedades da Universidade de Évora s.d.), quer em publicações em papel (Quaresma 2006).

67 Espécie de pereira brava de frutos oblongos e doces.

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“Hé esta villa chamada Villa Nova de Milfontes, cuja denominação hé impropria porque nella, nem seus lemites não há fonte alguma de que póssão uzar seus moradores, que não há memoria, que para os seus ministerios uzassem de outra ágoa, senão da de dous possos sitos junto à mesma villa extrahida à mão com corda e enchedouro. Só se hé, porque nas prayas do mar, que lhe fica vizinho, estão perennemente correndo moytos nacidios de bellas e cristalinas ágoas; mas não compoem tão grande numero. (…) Não há tambem na mesma serra, nem junto della, neste destrito fonte alguma de nome, nem inda outra alguma ágoa nativa, mais do que a referida, porque toda hé áspera, seca, e de terra infrutífera; nem tãobem nas suas vizinhanças há ágoa de propriedade alguma, mais que algumas fontes ordinarias para dellas beberem os pobres moradores dos referidos montes, ou cazais.” Resposta do prior da paróquia de Vila Nova de Milfontes, Padre Bento Dias Barreto, apud Quaresma (2006, p. 295 e 303)

Em síntese, a paisagem do século XVIII seria uma paisagem de mosaico agro- florestal com carácter extensivo e matriz predominantemente florestal (de charnecas e sobreirais abertos) na qual as parcelas agrícolas deveriam envolver os escassos povoamentos da região e alguns casais isolados, bem como alguns vales de ribeiras afluentes do rio Mira, em especial os que apresentavam fundo plano e caudais que assegurassem a lavagem dos solos de modo a permitir boas produções agrícolas. As charnecas seriam pastadas por rebanhos mistos de gado caprino e ovino. Quanto aos sobreirais, estes seriam também utilizados como fonte energética, facto do qual nos dá conta o pároco de Salvador, relato de grande valor informativo, pois nele se explica o sistema que deu origem ao espaço agro-florestal seminatural que todos conhecemos pela designação de «montado»:

“Esta villa há nella o direyto dos montados (…) dando o privilégio aos moradores, e vezinhos de dentro da dita villa de não pagarem montado e poderem cortar huma légoa em roda da dita villa a madeyra, que quizerem.” Resposta do prior da paróquia de Salvador, Padre Bartolomeu Lobo, apud Quaresma (2006, p. 252)

197

4.7.3.2 Situação pré-revolução industrial: Carta de Pery (1893)

A carta agrícola e corográfica de 1890/1905 é uma publicação da Direcção Geral da Agricultura, organizada pelo engenheiro militar Gerardo Augusto Pery, tendo sido publicada em folhas de 40 x 50 cm em duas escalas distintas (1 / 50 000 e 1 / 25 000) e de forma bastante fragmentada: são conhecidas 34 cartas na região do Alentejo (1 / 50 000), 4 no Alto Douro (1 / 25 000), 1 na Beira Litoral (1 / 25 000) e duas no Algarve (1 / 25 000). No decorrer deste estudo foram adquiridas ao IGP as imagens digitais das cartas número 186, 194 e 201, correspondentes ao troço litoral alentejano compreendido entre Sines e Odeceixe, no qual os trabalhos de levantamento de campo decorreram entre 1888 e 1990. A publicação das referidas cartas data de 1893.

No presente estudo as referidas cartas foram integradas no ambiente SIG através do seguinte procedimento:

1. Georreferenciação das cartas por pontos de controlo. Para cada carta um conjunto não inferior a 15 pontos de controlo foi utilizado para estabelecimento de correspondência entre as coordenadas locais das imagens das cartas e as coordenadas HGDt73 dos locais seleccionados, de forma a permitir a transformação de coordenadas pelo método do ajustamento por mínimos quadrados e utilizando uma função do tipo afim (polinómio do primeiro grau). Em todos os casos o ajustamento foi aceite apenas em presença de valores de erro medio quadrático inferiores a 20 m;

2. Vectorização dos polígonos referentes à ocupação do solo dentro dos sectores em estudo e atribuição das classes de cobertura de solo respectivas, de acordo com a legenda original;

3. Compatibilização das legendas de cobertura de solo com as das séries cartográficas ulteriores, cuja caracterização se apresenta nos subcapítulos seguintes.

A cartografia da cobertura do solo referente à data de 1890 e para os sectores 1 (Sines), 2 (Vila Nova de Milfontes) e 3 (Cavaleiro) é apresentada na Figura 76, Figura 77 e Figura 78, respectivamente. A quantificação das percentagens de ocupação das diversas classes de cobertura de solo é apresentada no Quadro 18, para todas as épocas estudadas.

198

O estudo da carta agrícola e corográfica de 1890/1905 é de grande relevância para a compreensão da paisagem agrícola alentejana do final do Sec. XIX, pois permite obter um retrato espacialmente explícito da organização do espaço rural, não apenas no que se refere à diversidade e distribuição espacial das culturas agrícolas, mas também da estrutura fundiária das regiões cartografadas, da sua rede viária e também das essências florestais então exploradas. Fraga da Silva (2006) atribui especial importância à referida série cartográfica por esta representar o período anterior à grande extensão da cultura cerealífera, que terá o seu apogeu na primeira metade do Sec. XX.

O período a que se reporta a série cartográfica corresponde também a uma fase em ainda não havia chegado a mecanização agrícola. Reis (1982) assinala 1860 como a data do aparecimento da primeira debulhadora mecânica a vapor no país e 1930 como a data em que a tecnologia se encontra definitivamente implantada. Castro Caldas (1998) relata que nas crónicas da Exposição Agrícola de 1884, decorrida na Real Tapada da Ajuda, se afirma que nesse ano se encontravam em laboração no território nacional apenas três debulhadoras mecânicas a vapor. A motorização da lavoura pela substituição do trabalho humano e da tracção animal por tractores movidos a combustíveis fósseis aparecerá ainda mais tarde, no início da década de 1950 (Lima e Santos 1995).

A população na região era reduzida e à excepção de Sines e Vila Nova de Milfontes concentrava-se em povoações longe da costa. Almograve e Zambujeira praticamente não existiam em 1880, resumindo-se a pequenos montes com três e dois fogos, respectivamente (Quaresma 2006). O crescimento das duas localidades só arrancou a partir de meados do séc. XX dado que em 1911 Almograve era ainda constituído por apenas 7 fogos (totalizando 20 habitantes) e a Zambujeira por 11 fogos (51 habitantes). Na mesma data Vila Nova de Milfontes integrava já 117 fogos (481 habitantes) (idem, ibidem).

199

Figura 76 – Cartografia da cobertura do solo no Sector 1 (Sines), à data de 1893.

Figura 77 – Cartografia da cobertura do solo no Sector 2 (Milfontes), à data de 1893.

Figura 78 – Cartografia da cobertura do solo no Sector 3 (Cavaleiro), à data de 1893.

200

No que respeita à cobertura do solo, a matriz da paisagem do Alentejo litoral era dominada por extensas áreas de charneca68. No caso particular desta primeira época de observação os matos predominantes na plataforma litoral seriam seguramente matos espontâneos da ordem Stauracantho-Halimietalia e no território serrano-monchiquense seriam matagais das alianças Quercion lusitanicae e Stauracanthion boivinii (Capelo et al. 2002), remetendo os estevais para uma fracção provavelmente reduzida do total de matos observados. No entanto, dada a impossibilidade de efectuar com rigor esta separação, optou-se por considerar todos os matos na mesma classe de cobertura de solo, o que implica alguma perda de informação designadamente nas épocas mais recentes.

No caso das culturas agrícolas, predominavam as culturas arvenses, pousios e pastagens pobres, com percentagens de ocupação de solo um pouco acima dos 20% da terrestre total em todos os três sectores estudados. É também de referir a presença pouco expressiva em área de arrozais e também de culturas permanentes, nas quais predomina a vinha. Esta ultima cultura, apesar de pouco expressiva em área (a percentagem total das culturas permanentes consideradas, que na época em causa inclui também alguns olivais, não chega a 0,2% em qualquer dos sectores considerados), detinha algum valor económico e integrava o registo dos produtos comercializados no concelho de Sines durante os Séculos XVIII e XIX (Patrício 2005). No entanto, com o aparecimento do oídio da videira em 1852 (Castro Caldas 1998) e da filoxera a partir de 188069, a produção vinícola que vinha a aumentar no sul de Portugal desde meados do séc. XIX até ao período de 1892-94, decaiu para quase metade dessa produção durante o período de 1898-1901 (Conceição 1991). No Sudoeste Alentejano a cultura da vinha viria a ser praticamente abandonada, mantendo-se até aos dias de hoje com uma presença meramente vestigial e sem significado económico.

Em termos florestais, destaca-se a presença de montados da área de estudo, embora com fraca expressão territorial (sempre abaixo dos 10% da área

68 Na legenda utilizada para compatibilizar as três épocas de observação essa classe de cobertura do solo foi designada ‘estevais e outros matos’, a qual ocupa mais de 60% do território (em qualquer dos três sectores estudados.

69 Apesar do primeiro surto de filoxera no Douro ocorrer em 1863, a praga mantém-se circunscrita até à década de 1880, data a partir da qual começou a alastrar por todo o país (Castro Caldas 1998).

201

terrestre total, em qualquer dos três sectores estudados. Os locais onde estas formações se encontravam coincidiam sobretudo com áreas de cota mais elevada (colinas sublitorais) mas também se podiam observar montados em alguns vales encaixados que atravessam a plataforma litoral. O eucalipto encontrava-se ainda ausente da região 70 e os pinhais praticamente não têm expressão (apenas se regista a sua presença em 0,35% da área terrestre total do sector 2).

4.7.3.3 O período do modelo Químico-Mecânico: Cobertura aerofotográfica USAF (1958)

“Nas últimas décadas do século XIX, arrancava em Portugal um movimento generalizado de expansão da superfície cultivada. que só terminou nos anos cinquenta do nosso século [i.e., década de 1950]. A expansão da superfície cultivada veio acompanhada de um crescimento dos efectivos pecuários, nomeadamente no que se refere aos animais de trabalho.” (Lima e Santos 1995, p. 265)

A situação acima retratada reproduz o contexto subjacente, em boa parte, à drástica alteração da paisagem do Sudoeste Alentejano a que se assiste entre as datas de 1890 e 1958. O incremento da população é notável: no concelho de Odemira a população passa de 16 955 habitantes em 1890 para 43 999 no final da década de 1940 (Quaresma 2006). Ao aumento de população corresponde um aumento da área cultivada muito expressivo, fortemente impulsionado pela Campanha do Trigo de 1929, à qual se soma o Plano de Fomento Agrário de 1949, como forma de dar resposta ao crescimento das necessidades alimentares da população. Por outro lado o crescimento populacional implica também o aumento da força de trabalho, o qual conduz ao crescimento da superfície cultivada e também à construção e melhoria de algumas infra-estruturas como a nova estrada em macadame Milfontes-Cercal e as pontes sobre as ribeiras do Torgal e de Odeceixe, ambas inauguradas em 1936. Também nos espaços urbanos se assiste à melhoria das

70 A data de introdução do eucalipto em portugal não é consensual, sendo apontada por Goes (1962) como sendo 1829, ao passo que Radich (2007) a situa na década de 1850. O registo da sua plantação no litoral alentejano aponta para períodos mais tardios: provavelmente a primeira plantação acontece em 1883 (Mata Nacional de Valverde) e a segunda em 1923 (Herdade da Comporta) (Goes 1962).

202

infra-estruturas e serviços, com a consequente melhoria das condições de vida das populações locais: em 1958 a povoação de Milfontes era já servida por correio (entregas diárias), telegramas e linhas telefónicas (19 números), bem como cinema ao ar livre (Quaresma 2006).

As drásticas alterações promovidas pelo contexto socioeconómico acima descrito encontra-se bem patentes nas fotografias aéreas da cobertura aerofotográfica USAF de 1958, utilizada na análise cartográfica adiante apresentada. Os cartogramas apresentados resultaram da fotointerpretação de 36 fotografias aéreas (negativos a preto e branco digitalizados com elevada resolução) adquiridas ao Instituto Geográfico do Exército (IGEOE) e tratadas em ambiente SIG através da seguinte sequência de procedimentos:

1. Georreferenciação das imagens por pontos de controlo71. Para cada fotografia aérea um conjunto não inferior a 15 pontos de controlo foi utilizado para estabelecimento de correspondência entre as coordenadas locais das fotografias e as coordenadas HGDt73 dos locais seleccionados, de forma a permitir a transformação de coordenadas pelo método do ajustamento por mínimos quadrados. Como referencial do sistema HGDt73 foram utilizados as ortofotografias digitais de 2005, dado que estas se encontram ortorrectificadas e utilizam o sistema de coordenadas pretendido. Nas fotografias referentes à área da plataforma litoral foi utilizada a transformação afim (polinómio do primeiro grau). Excepcionalmente, na impossibilidade de obter valores de precisão aceitáveis pela transformação afim, foram utilizados polinómios do segundo grau, o que veio a ocorrer de forma pontual em algumas fotografias correspondentes às áreas de cota mais elevada. Em todos

71 Chama-se a atenção para o facto da fonte de informação utilizada não ser um produto ortorrectificado. Como tal, as fotografias em causa deveriam ter sido alvo de ortorrectificação, o que não aconteceu pelo seguinte conjunto de razões: a) o IGEOE não fornece os parâmetros da câmara fotográfica (distância focal, localização do ponto principal em relação às marcas fiduciais, e parâmetros de distorção da lente) do voo USAF de 1958, informação essencial para o procedimento de orientação interna das imagens e consequentemente para o processo de ortorrectificação necessário; b) consultada uma empresa prestadora de serviços na área da produção cartografica por estereorestituição, foi possível apurar que existem métodos para efectuar a ortorrectificação das imagens mesmo sem a referida informação, mas o custo referente à prestação de tal serviço revelou-se impossível de suportar no âmbito do presente estudo, pelo que se optou pelo procedimento simplificado acima descrito, tendo sempre em consideração as limitações de exactidão posicional que tal opção acarretou.

203

os casos o ajustamento foi aceite apenas em presença de valores de erro medio quadrático inferiores a 10 m;

2. Vectorização dos polígonos referentes à ocupação do solo dentro da área útil de cada fotografia, previamente determinada (Figura 79);

Figura 79 – Mosaico de fotografias aéreas de 1958 correspondentes ao sector 3 (Cavaleiro), com indicação das áreas úteis consideradas na fotointerpretação.

3. Atribuição das classes de cobertura de solo respectivas, de acordo com a legenda de cobertura de solo comum às restantes séries cartográficas estudadas.

São apresentados os dados referentes à cartografia da cobertura do solo à data de 1958 para o sector 1 (Sines) na Figura 80, para o sector 2 (Vila Nova de Milfontes) na Figura 81 e para o sector 3 (Cavaleiro) na Figura 82. O Quadro 18 sintetiza a evolução das percentagens de ocupação das diversas classes de cobertura de solo, tanto para a época em estudo como para a seguinte e a precedente.

Como é evidente pela observação do quadro e figuras anteriormente enunciadas, entre as datas de 1890 e 1958 assiste-se à dramática inversão das taxas de ocupação entre as classes de cobertura do solo ‘estevais e outros matos’ e ‘culturas arvenses, pousios e pastagens pobres’. Enquanto os valores médios de percentagem da área terrestre total ocupada por estevais e outros matos passam de valores da ordem dos 70% para valores de cerca de 10% no sector 2 e a 1% nos sectores 1 e 3, a percentagem da área terrestre total ocupada por culturas arvenses, pousios e pastagens pobres sobe de valores

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ligeiramente superiores a 20% em todos os sectores para valores a rondar os 70% nos sectores 1 e 2, atingindo quase os 80% no caso do sector 3.

Figura 80 – Cartografia da cobertura do solo no Sector 1 (Sines), à data de 1958.

Figura 81 – Cartografia da cobertura do solo no Sector 2 (Milfontes), à data de 1958.

Figura 82 – Cartografia da cobertura do solo no Sector 3 (Cavaleiro), à data de 1958.

205

A partir do início da década de 1950 assiste-se também à generalização da motorização na actividade agrícola, fenómeno que decerto deu também o seu contributo para o aumento da superfície cultivada na região. Verificam- se também aumentos consideráveis da área social nos sectores 1 e 2, acompanhados de aumentos proporcionais nas áreas de mosaico de culturas hortofrutícolas e edificado (correspondendo ao aumento do número de ‘montes’ existentes no espaço rural, em consonância com o aumento demográfico ocorrido neste período de tempo).

No que diz respeito a culturas agrícolas assiste-se à expansão da área de cultivo dos arrozais, bem como incremento ligeiro das áreas ocupadas por culturas permanentes (sobretudo vinha, e alguns olivais nas áreas mais interiores) e por pastagens higrófilas (nas várzeas do Mira e ribeiras tributárias do seu troço médio).

Finalmente, no que respeita à actividade florestal, o período entre 1890 e 1958 corresponde ao período que se inicia a florestação do território com eucalipto (ainda sem taxas de ocupação assinaláveis), assistindo-se também no sector 1 a um grande incremento da área ocupada por pinhais, essência florestal que não estava registada nesse espaço geográfico à data de 1890, passando a ocupar 10,69% do território em 1958. A súbita e intensa actividade florestal estará possivelmente relacionada com o Plano de Povoamento Florestal de 193872 ou mesmo com os trabalhos de fixação e arborização das dunas do litoral propostos em 1868 e que decorreram ao longo de vários decénios (Rego 2001). Também relativamente às áreas de montado se observa um incremento considerável no sector 1, enquanto nos restantes dois sectores se registam ligeiras diminuições de área.

4.7.3.4 A paisagem actual: cobertura aerofotográfica digital IGP (2005)

A evolução da paisagem Sudoeste Alentejano entre 1958 e 2005 é condicionada por uma longa sucessão de acontecimentos e alterações de

72 “Em 1938, foi aprovado o Plano de Povoamento Florestal, que previa, em 30 anos, arborizar 420.000ha, melhorar 60.000ha de pastagens, constituir reservas naturais e parques nacionais em cerca de 33.500ha (incluindo o Gerês, Montezinho ou a Estrela), estabelecer 125 viveiros, construir 940 casas de guardas e 140 postos de vigia, para além de instalar uma completa rede de infra-estruturas viárias e de telecomunicações.” (Autoridade Florestal Nacional 2006, p. 3553)

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contextos políticos e socioeconómicos que se relacionam entre si de forma complexa. Ao nível das grandes infra-estruturas refere-se a entrada em funcionamento do perímetro de Rega do Mira em 1970, a criação do Gabinete da Área de Sines (GAS) em 1971 e a construção da central termoeléctrica de Sines, terminada em 1985. Com elas vieram novas melhorias na rede rodoviária da região (e.g. a ponte sobre o rio Mira à saída de Milfontes, inaugurada em 1973) o que favoreceu a massificação da procura turística, em especial nas pequenas localidades costeiras a sul de Sines (Porto Covo, Milfontes, Almograve e Zambujeira do Mar) (Quaresma 2006). Por outro lado, dá-se em 1988 a criação da Área de Paisagem Protegida do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina73, acontecimento com o qual se procura promover a protecção e o aproveitamento dos recursos naturais da região, favorecendo o desenvolvimento económico-social e cultural da região de forma equilibrada e protegendo os seus valores naturais, paisagísticos e culturais (artigo 2º do Decreto-Lei n.º 241/88, de 7 de Junho).

No que respeita ao contexto agrícola do país, muito se passa no decorrer do período 1958-2005: atinge-se o apogeu do modelo químico-mecânico (modelo técnico de exploração agrícola assente na substituição do trabalho humano, da tracção animal e dos processos biológicos internos ao agro- ecossistema por inputs mecânicos e químicos externos a este sistema (Lima e Santos 1995), em parte responsável pelas dramáticas alterações na estrutura e composição da paisagem portuguesa de meados do séc. XX, em especial a sul do Tejo; com a entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia em 1985 e subsequentes alterações na política agrícola comunitária, observa- se a intensificação agrícola em alguns locais e o abandono (ou pelo menos a extensificação da produção agrícola) noutros, como forma de servir os múltiplos objectivos de manter o rendimento dos agricultores, melhorar a prestação de serviços ambientais e melhorar a produtividade da actividade agrícola nos terrenos mais aptos. No que respeita à actividade florestal, este é o período da expansão generalizada das áreas de eucaliptal e também de pinhal, também elas fortemente suportadas pela mecanização da actividade, em especial nas fases de instalação e do corte final.

73 A Área de Paisagem Protegida do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina foi criada pelo Decreto-Lei n.º 241/88, de 7 de Junho e mais tarde reclassificada para Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina pelo Decreto Regulamentar n.º 26/95, de 21 de Setembro.

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Para a produção dos elementos cartográficos apresentados utilizaram-se como fontes de informação os ortofotos digitais em cor natural do IGP, procedentes do voo de 2005. Dado que os referidos ortofotos se encontram já no sistema de coordenadas escolhido e prontos a utilizar para efeitos de fotointerpretação, foram simplesmente efectuados os procedimentos básicos de fotointerpretação anteriormente referidos, designadamente:

1. Vectorização dos polígonos referentes à ocupação do solo dentro da área de cada fotografia

2. Atribuição das classes de cobertura de solo respectivas, de acordo com a legenda de cobertura de solo comum às restantes séries cartográficas estudadas.

Os dados referentes à cartografia da cobertura do solo à data de 2005 são apresentados no que respeita ao sector 1 (Sines) na Figura 83, para o sector 2 (Vila Nova de Milfontes) na Figura 84 e para o sector 3 (Cavaleiro) na Figura 85. O estudo quantitativo das percentagens de ocupação das diversas classes de cobertura de solo é sintetizado no Quadro 18.

Em concreto, as principais alterações de cobertura de solo verificadas entre as datas de 1958 e 2005 são:

No que respeita aos usos urbanos assiste-se ao aumento exponencial das áreas sociais, em particular no sector 1, em boa parte por via da criação e desenvolvimento das áreas industriais do Porto de Sines e da Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS), acompanhada pela expansão urbana de Sines de forma a alojar os trabalhadores desses espaços. Como consequência do desenvolvimento urbano e industrial na zona de Sines e arredores, a percentagem área social no sector 1 aumentou quase 30 vezes, no espaço de 50 anos (cifrando-se nos 12,13% em 2005). Também nos sectores 2 e 3 se assiste ao aumento da área social, da ordem das 3 a 6 vezes superior, acompanhada por subidas de valor semelhante por parte das áreas ocupadas por edificações em espaço rural (contabilizadas como áreas de ‘mosaico de culturas hortofrutícolas e edificado’). Assiste-se também ao aparecimento de areeiros e pedreiras em todos os sectores, acompanhados pelo desaparecimento as salinas que tinham sido observadas perto da foz do rio Mira na época de 1958, entretanto convertidas numa aquacultura intensiva.

208

Figura 83 – Cartografia da cobertura do solo no Sector 1 (Sines), à data de 2005.

Figura 84 – Cartografia da cobertura do solo no Sector 2 (Milfontes), à data de 2005.

Figura 85 – Cartografia da cobertura do solo no Sector 3 (Cavaleiro), à data de 2005.

No que se refere a culturas agrícolas as principais alterações são a forte redução das áreas de cultivo de arroz, apenas presente em 2005 do sector 3 (e entretanto também essa área desapareceu), tendo muitas dessas áreas sido convertidas em pastagens higrófilas, bem como uma forte redução da área de

209

culturas arvenses, pousios e pastagens pobres, as quais foram urbanizadas, florestadas (sobretudo nas cotas mais elevadas) ou abandonadas (em especial nas vertentes dos vales encaixados).

Do ponto de vista florestal, observa-se uma subida muito elevada das áreas com floresta de produção (pinhais e eucaliptais) comum a todos os sectores, o aumento das áreas de montado nos sectores 1 e 2 ao passo que se verifica uma descida deste tipo de cobertura do solo no sector 3, ao mesmo tempo que os cercais e sobreirais (entretanto desaparecidos no sector 1) diminuem a sua área no sector 2 e aumentam-na no sector 3.

Quanto à estrutura das diversas parcelas de cobertura de solo, é observável o aumento da complexidade espacial das mesmas, com o aparecimento de numerosas sebes de compartimentação, elementos que não se observavam à data de 1958, na qual a paisagem era bastante mais aberta.

210

Quadro 18 – Síntese das alterações das percentagens de ocupação das diversas classes de cobertura de solo verificadas ao longo das três épocas de observação e em relação aos três sectores em estudo. Sector 1 Sector 2 Sector 3 Classe de cobertura de solo 1893 1958 2005 1893 1958 2005 1893 1958 2005 Áreas sociais 0.12 0.43 12.13 0.03 0.23 1.50 0.00 0.05 0.16 Mosaico de culturas hortofrutícolas e edificado 1.03 1.33 4.19 0.08 0.36 1.81 0.00 0.37 2.86 Culturas arvenses, pousios e pastagens pobres 21.26 67.48 25.46 22.39 69.56 34.09 23.82 79.75 60.93 Culturas permanentes 0.14 0.34 0.04 0.11 0.23 0.42 0.06 0.02 1.75 Pastagens higrófilas 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 1.16 0.00 1.19 1.71 Salinas e aquaculturas 0.00 0.00 0.00 0.00 0.03 0.28 0.00 0.00 0.13 Arrozais 0.64 1.06 0.00 0.04 0.95 0.00 0.00 0.63 1.47 Planos de água 0.00 0.00 0.08 1.73 1.76 1.77 0.43 0.44 0.48 Pedreiras e areeiros 0.00 0.00 1.06 0.00 0.00 0.06 0.00 0.00 0.04 Eucaliptais e outra vegetação exótica 0.00 0.61 19.05 0.00 0.18 32.46 0.00 0.14 10.02 Pinhais 0.00 10.69 16.27 0.35 1.62 4.53 0.00 1.42 2.83 Montados de sobro 7.25 13.57 16.40 3.84 2.45 3.66 6.91 6.36 4.80 Cercais e sobreirais 4.64 0.00 0.00 3.79 7.05 4.73 0.29 4.57 5.94 Estevais e outros matos 63.33 0.22 1.06 65.01 9.44 4.87 67.65 0.83 3.14 Vegetação litoral natural 1.60 4.27 4.25 2.63 6.13 8.66 0.83 4.21 3.74 Unidade: % da área terrestre total ocupada. Os valores a negrito são os considerados mais expressivos das alterações verificadas para cada época, em cada sector considerado.

211

Sintetizando, apresenta-se na Figura 86 a evolução da distribuição relativa das classes de cobertura de solo no sector 1. É evidente a franca diminuição da proporção de estevais e outros matos na transição 1890-1958, em paralelo com a grande expansão da área ocupada por culturas arvenses, pousios e pastagens pobres no mesmo período. Também é visível o aumento dos pinhais e eucaliptais a partir de 1958, bem como o grande incremento de área social no último período de observação (respeitante à expansão urbana de Sines e à criação do Gabinete da Área de Sines), a par do surgimento de uma área também significativa área de pedreiras e areeiros. É ainda de referir o desaparecimento das áreas de arrozal na última época de observação.

100% Vegetação litoral natural

90% Estevais e outros matos

Cercais e sobreirais 80%

Montados de sobro

70% Pinhais

60% Eucaliptais e outra vegetação exótica

Pedreiras e areeiros 50%

Planos de água 40%

Arrozais

30% Culturas permanentes

20% Culturas arvenses, pousios e pastagens pobres

Mosaico de culturas 10% hortofrutícolas e edificado

Áreas sociais

0% 1893 1958 2005

Figura 86 – Evolução da distribuição relativa das classes de cobertura de solo no Sector 1.

212

Da análise da Figura 87, na qual se visualiza a evolução da distribuição relativa das classes de cobertura de solo no Sector 2, é perceptível, a par das dinâmicas do espaço rural generalizáveis a todos os sectores em estudo, a recuperação de algumas áreas de vegetação litoral natural. É também perceptível a substituição das áreas de arrozal por pastagem higrófila, a manutenção de uma parte considerável da área de cercais e sobreirais (em especial dos que se localizam nas vertentes dos vales encaixados) e a subida moderada mas constante da área social e também das áreas de mosaico de culturas hortofrutícolas e edificado, na qual se incluem as áreas de ‘quintinhas’ entretanto surgidas nos arredores de Milfontes.

100% Vegetação litoral natural

Estevais e outros matos 90%

Cercais e sobreirais

80% Montados de sobro

Pinhais 70%

Eucaliptais e outra vegetação exótica 60% Pedreiras e areeiros

Planos de água 50%

Arrozais

40% Salinas e aquaculturas

Pastagens higrófilas 30%

Culturas permanentes

20% Culturas arvenses, pousios e pastagens pobres

Mosaico de culturas 10% hortofrutícolas e edificado

Áreas sociais

0% 1893 1958 2005

Figura 87 – Evolução da distribuição relativa das classes de cobertura de solo no Sector 2.

213

Finalmente, da análise da Figura 88 na qual se apresenta a evolução da distribuição relativa das classes de cobertura de solo no Sector 3, assinala-se a expansão das áreas de cercais e sobreirais (localizadas nas cotas mais elevadas), a duplicação da área de arrozal, que com a chegada da infra- estrutura de regadio do Mira deixou de estar restrita às margens do rio, passando a ser possível também na área da plataforma litoral74.

100% Vegetação litoral natural

Estevais e outros matos 90%

Cercais e sobreirais

80% Montados de sobro

Pinhais 70%

Eucaliptais e outra vegetação exótica 60% Pedreiras e areeiros

Planos de água 50%

Arrozais

40% Salinas e aquaculturas

Pastagens higrófilas 30%

Culturas permanentes

20% Culturas arvenses, pousios e pastagens pobres

Mosaico de culturas 10% hortofrutícolas e edificado

Áreas sociais

0% 1893 1958 2005

Figura 88 – Evolução da distribuição relativa das classes de cobertura de solo no Sector 3.

74 Apesar de poder parecer estranho, este facto é confirmado pela 2ª edição da Carta Topográfica Militar n.º 552 (editada em 1988), na qual se encontram extensas áreas de arrozal nas parcelas adjacentes à rede de canais de rega, sendo que na edição de 2009 da mesma carta as áreas de cultura de arrozal já não estão registadas.

214

É também detectável um incremento das áreas de culturas permanentes na transição entre 1958 e 2005.

Concluindo, os dados apresentados permitem concluir que o período em que se verificou maior grau de perturbação da paisagem, quer em termos da simplificação do mosaico de paisagem como em termos da forte dinâmica regressiva verificada de forma mais ou menos generalizada no coberto vegetal da região, foi o período compreendido entre 1890 e 1958, i.e. a primeira metade do séc. XX, devido à franca expansão do sistema de agricultura extensiva de sequeiro (Figura 89).

Figura 89 – A prática da agricultura extensiva de sequeiro pode gerar elevado impacte na cobertura vegetal natural.

Este facto é corroborado pela evolução da utilização do solo em Portugal continental desde 1867 apresentada por Mendes (2002, p. 101), na qual se indica que o período centrado no ano de 1953 corresponde ao valor máximo de percentagem de terreno nacional continental ocupado por usos agrícolas.

Relativamente ao período de 1858-2005, visto por muitos como o período em que ocorreram as maiores agressões ambientais (e consequentemente à paisagem), nota-se a existência de dinâmicas contrastantes de degradação / recuperação das condições ambientais da região, com reflexos evidentes no mosaico de paisagem da região, as quais serão estudadas com maior detalhe no capítulo seguinte.

215

Finalmente, importa referir que do ponto de vista estrito da preservação da fitodiversidade da região se assinala, em especial no último período estudado, o desaparecimento ou forte decréscimo das áreas ocupadas por alguns tipos de cobertura de solo aos quais se associam um conjunto de comunidades de grande especificidade ecológica e que por isso vêem a sua persistência na região ameaçada. São exemplos desta situação o quase desaparecimento das áreas de arrozal na região (implicando a consequente ameaça de desaparecimento das comunidades vegetais da classe Oryzetea sativae), a conversão das áreas de salinas em aquaculturas, a drenagem e ocupação agrícola de charcos temporários ou ainda a ocupação agrícola (forrageira ou hortofrutícola) das várzeas de algumas ribeiras tributárias do Mira nas quais ocorriam comunidades naturais higrófilas e/ou aquáticas.

4.8 VARIAÇÃO ESPACIOTEMPORAL DO VALOR ECOLÓGICO NO PERÍODO 1958-2005

De acordo com a análise efectuada no capítulo anterior é possível perceber que a variação dos padrões de cobertura do solo é complexa, tanto no espaço como no tempo. Foi então decidido analisar a variação dos índices de qualidade ecológica entre as épocas de 1958 e 2005. Para tal foram discriminadas 4 zonas com base em dois critérios: altitude e acesso a regadio (Figura 90).

Na zona litoral (Zona A) encontra-se a área terrestre abaixo da cota dos 30 m m.s.l., na qual se localiza toda a vegetação litoral natural (sapais, praias e arribas baixas), mas também as povoações litorais e alguns terrenos agrícolas marginais. A zona da plataforma litoral foi separada em duas áreas: a área de sequeiro (Zona B) e a área servida pelo perímetro de Rega do Mira (Zona C). Os terrenos de cota igual ou superior a 90 m m.s.l. foram incluídos na zona da serra (Zona D). O Quadro 19 sintetiza a análise quantitativa da variação da qualidade biológica efectuada, considerando o zonamento referido e os períodos de 1958 e 2005.

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Figura 90 – Zonamento adoptado no estudo da variação espaciotemporal do valor ecológico, para os sectores 1 (em cima), 2 (ao meio) e 3 (em baixo). A – Litoral; B – Plataforma; C – Regadio; D – Serra.

Relativamente à evolução do valor biológico das classes de cobertura do solo no sector 1 (Figura 91), observa-se que este valor desce no litoral, mas sobe ligeiramente nas zonas da plataforma litoral e da serra. Na origem destes

217

comportamentos estarão a expansão urbana de Sines e da área do Porto de Sines e infra-estruturas adjacentes no primeiro caso e a florestação dos terrenos, tanto na plataforma litoral como na serra, no segundo caso. Quanto ao interesse para conservação médio (Figura 92), verifica-se que este sobe em todas as zonas.

Quadro 19 – Análise quantitativa da variação da qualidade ecológica entre os períodos de 1958 e 2005. Número de Dimensão Valor Interesse polígonos média por biológico para a polígono (valor conservação (ha) médio/m2) (valor médio/m2) Sector Zona 1958 2005 1958 2005 1958 2005 1958 2005 Litoral 71 225 22.7 7.8 14.5 12.2 18.7 22.0 Sector Plataforma 255 378 29.2 19.7 11.8 12.0 24.7 34.4 1 Regadio ------Serra 76 99 23.7 18.2 17.3 18.6 43.1 55.4 Litoral 109 176 10.6 6.6 20.4 18.7 41.5 26.9 Sector Plataforma 170 347 32.8 16.1 13.4 12.8 28.5 18.4 2 Regadio 14 81 66.9 11.6 9.4 8.5 9.2 8.4 Serra 87 72 32.5 39.2 16.3 12.5 23.1 17.6 Litoral 112 149 6.8 4.8 21.3 23.9 53.5 44.4 Sector Plataforma 203 423 20.1 9.7 16.1 16.2 36.9 30.9 3 Regadio 162 327 35.2 17.4 9.6 8.9 8.2 6.4 Serra 54 90 19.6 11.7 12.9 13.9 28.8 25.0 Nota: A negrito encontram-se os valores mais elevados entre as duas épocas.

Importa pois perceber porque sobe o interesse para conservação apesar da descida do valor biológico: a subida do interesse para conservação pode acontecer pela subida do valor biológico, pelo aumento da densidade habitacional da região, ou pela melhoria da prestação de serviços ambientais (florestação por exemplo, processo que acarreta a melhoria dos serviços de sequestro de carbono, protecção do solo e dos recursos hídricos). No presente caso a subida deve-se ao efeito cumulativo do aumento da densidade habitacional na região e à melhoria dos serviços ambientais obtida pela conversão de terrenos agrícolas de sequeiro em espaços florestais, com a consequente melhoria nos serviços de sequestro de carbono, conservação da água e do solo.

Quanto ao sector 2, verifica-se que em todas as zonas consideradas houve uma redução do valor biológico médio (Figura 93). As principais causas para esta redução estarão na expansão da área social, tanto na faixa litoral como

218

na plataforma litoral (em particular nas áreas de Brunheiras e Galeado), bem como o aparecimento das manchas de vegetação arbóreo-arbustivas dominadas por espécies exóticas (acaciais) e a redução da área de cercais e sobreirais, algumas delas substituídas por florestas de crescimento rápido, outras transformadas em montados.

Sector 1 - Evolução do valor biológico médio (valor/m2)

50.0

40.0

30.0

20.0

10.0

0.0 Litoral Plataforma Regadio Serra Valor biológico médio (1958) 14.5 11.8 17.3 Valor biológico médio (2005) 12.2 12.0 18.6

Figura 91 – Evolução do valor biológico médio entre 1958 e 2005 no Sector 1, de acordo com o zonamento proposto.

As referidas alterações combinadas com a redução da densidade populacional do concelho em 2005 relativamente a 1958, resultaram na redução do valor médio de interesse para conservação do sector 2 em todas as quatro zonas definidas (Figura 94).

Sector 1 - Evolução do interesse para a conservação médio (valor/m2)

60.0 50.0 40.0 30.0 20.0 10.0 0.0 Litoral Plataforma Regadio Serra Interesse para conservação 18.7 24.7 43.1 médio (1958) Interesse para conservação 22.0 34.4 55.4 médio (2005)

Figura 92 – Evolução do valor de interesse para conservação médio entre 1958 e 2005 no Sector 1, de acordo com o zonamento proposto.

Finalmente, no que respeita ao sector 3, as zonas do litoral e da serra apresentam, em termos médios, uma subida do seu valor biológico,

219

enquanto na zona da plataforma litoral se verifica a sua diminuição nas áreas servidas por regadio, a par da manutenção do seu valor em áreas de sequeiro (Figura 95).

Sector 2 - Evolução do valor biológico médio (valor/m2)

50.0

40.0

30.0

20.0

10.0

0.0 Litoral Plataforma Regadio Serra Valor biológico médio (1958) 20.4 13.4 9.4 16.3 Valor biológico médio (2005) 18.7 12.8 8.5 12.5

Figura 93 – Evolução do valor biológico médio entre 1958 e 2005 no Sector 2, de acordo com o zonamento proposto.

Sector 2 - Evolução do interesse para a conservação médio (valor/m2)

60.0 50.0 40.0 30.0 20.0 10.0 0.0 Litoral Plataforma Regadio Serra Interesse para conservação 41.5 28.5 9.2 23.1 médio (1958) Interesse para conservação 26.9 18.4 8.4 17.6 médio (2005)

Figura 94 – Evolução do valor de interesse para conservação médio entre 1958 e 2005 no Sector 2, de acordo com o zonamento proposto.

Na origem deste comportamento está a expansão das áreas ocupadas por culturas permanentes (e.g. laranjais), acompanhadas da expansão das manchas de ‘mosaico de culturas hortofrutícolas e edificado’ (no qual se incluíram as culturas em estufa). Uma vez mais, dada a redução da densidade habitacional da região, assiste-se ao abaixamento do interesse para conservação médio em todas as zonas do sector 3 (Figura 96).

220

Sector 3 - Evolução do valor biológico médio (valor/m2)

50.0

40.0

30.0

20.0

10.0

0.0 Litoral Plataforma Regadio Serra Valor biológico médio (1958) 21.3 16.1 9.6 12.9 Valor biológico médio (2005) 23.9 16.2 8.9 13.9

Figura 95 – Evolução do valor biológico médio entre 1958 e 2005 no Sector 3, de acordo com o zonamento proposto.

Sector 3- Evolução do interesse para a conservação médio (valor/m2)

60.0 50.0 40.0 30.0 20.0 10.0 0.0 Litoral Plataforma Regadio Serra Interesse para conservação 53.5 36.9 8.2 28.8 médio (1958) Interesse para conservação 44.4 30.9 6.4 25.0 médio (2005)

Figura 96 – Evolução do valor de interesse para conservação médio entre 1958 e 2005 no Sector 3, de acordo com o zonamento proposto.

Em síntese, fazendo uma reflexão global sobre as causas que determinam a variação da qualidade ecológica na paisagem, em especial no decurso das últimas décadas, conclui-se que estas correspondem em boa medida aos processos de alteração do uso do solo identificados pelo Millenium Ecosystem Assessment (Pereira et al. 2010), nomeadamente:

1. Florestação;

2. Abandono Agrícola e Rural;

3. Intensificação [dos sistemas agrícolas];

4. Crescimento urbano e de infra-estruturas.

221

Verifica-se também que na área de estudo seleccionada, apesar de geograficamente restrita (cerca de 675 km2), ocorrem todos os quatro processos de alteração de uso do solo, pelo que discutem os efeitos de cada um dos processos anteriormente referidos na qualidade ecológica da paisagem do Sudoeste Alentejano:

Florestação: como pode ser observado no sector 1, a actividade da florestação apresenta-se como uma oportunidade para lograr o aumento do valor ecológico das áreas da plataforma litoral menos produtivas e anteriormente ocupadas por culturas arvenses, pousios e pastagens pobres. Noutras áreas, como no caso das colinas sublitorais, a actividade florestal pode constituir um constrangimento à manutenção do valor ecológico do coberto vegetal e da sua fitodiversidade, dado que os actuais modelos de instalação e exploração florestal fortemente mecanizada, nomeadamente no caso dos eucaliptais, contribuem para a perda de solo florestal e redução de diversidade biológica no subcoberto (Figura 97), ocupando áreas que naturalmente estariam revestidas por bosques ou montados de sobro, formações de maior interesse no que respeita ao seu valor natural.

Figura 97 – Instalação de eucaliptais na serra de São Luís, com recurso a maquinaria pesada.

Um constrangimento à actividade florestal, em especial no que respeita ao cultivo de espécies florestais de coníferas, resultou da introdução acidental do nemátodo da madeira do pinheiro (NMP), Bursaphelenchus xylophilus (Steiner & Bührer) Nickle, causador da doença da murchidão dos pinheiros. Trata-se de um dos organismos com grande potencial destrutivo sobre florestas de coníferas, tendo sido detectado em Portugal em 1999 (apud

222

Decreto-Lei n.º 95/2011 de 8 de Agosto). Na região do Sudoeste Alentejano, tal como noutras regiões no nosso país, os danos produzidos por este organismo são evidentes e aumentam de forma visível de ano para ano. Tal circunstância constitui, a curto e médio prazo, um considerável constrangimento que acarreta dois tipos de problemas: a) que espécies florestais poderão constituir alternativa ao uso do Pinus pinaster, uma espécie florestal de grande robustez e particularmente adaptada às condições ecológicas da plataforma litoral alentejana; b) Que tipos de cobertura do solo poderão substituir os talhões florestais, sebes e cortinas de abrigo maioritariamente constituídas por pinheiros-bravos e que se encontram em claro declínio na região (Figura 98) e quais as consequências desta alteração no valor ecológico do local.

Figura 98 – Sebe de pinheiros-bravos em declínio provocado pela doença da murchidão dos pinheiros, resultante da infecção do lenho pelo nemátodo Bursaphelenchus xylophilus. Foto do Autor.

Abandono Agrícola e Rural: a actividade agrícola no Sudoeste Alentejano tem sofrido nas últimas duas a três décadas várias alterações de natureza socioeconómica. Por um lado regista-se uma diminuição da população na região, com excepção do concelho de Sines cujo aumento populacional se deve ao crescimento do Porto de Sines e da sua zona industrial e logística. Por outro lado, a par das alterações na estrutura fundiária verificadas na região e que se descrevem com um pouco mais de detalhe no parágrafo seguinte, verificou-se o abandono do uso agrícola nos terrenos mais declivosos da região como sejam as encostas das serras sublitorais e as vertentes do rio Mira e seus afluentes. Como resultado desta dinâmica

223

surgiram as faixas contínuas de esteval que se observam no troço final do vale do rio Mira, revestindo a bordadura da plataforma litoral. O favorecimento dos processos de sucessão natural (progressiva) nestas áreas constitui uma oportunidade para tentar elevar a qualidade ecológica do local, assegurando em simultâneo o aumento da fitodiversidade local. A recuperação do coberto florestal de tais locais também pode ser um processo a considerar, mediante a utilização de técnicas correntemente em investigação, conhecidas como técnicas de ‘nurse-planting’ (Rey, Siles & Alcántara 2009; Gómez-Aparicio et al. 2004), nas quais a plantação de essências lenhosas características da vegetação natural local são utilizadas e plantadas sem a supressão do coberto arbustivo local, mas antes utilizando-o como elemento promotor de processos de facilitação ecológica da fase de instalação e desenvolvimento inicial das espécies arbóreas plantadas.

Intensificação [dos sistemas agrícolas]: Como foi anteriormente referido a estrutura fundiária da região sofreu ajustamentos recentes que resultaram na redução do número de explorações agrícolas na plataforma litoral, acompanhado do aumento da sua dimensão média e da intensificação da produção agrícola nas áreas servidas pelo perímetro de rega do Mira (vd. Lima Santos et al. (2006, p. 136)). Consequentemente é na área do perímetro de rega do Mira que se agudiza o conflito entre a actividade agrícola (actividade economicamente sustentável mas ambientalmente agressiva) e a gestão dos recursos naturais e da diversidade biológica locais (Figura 99).

Figura 99 – Actividade agrícola intensiva da plataforma litoral alentejana. Foto do Autor.

224

Assim, do ponto de vista da qualidade ecológica dos espaços agrícolas a sua recuperação será bastante difícil dado que a actividade agrícola intensiva pode gerar problemas ambientais significativos, designadamente pela lixiviação de agro-químicos (Stoate et al. 2009), drenagem e ocupação agrícola de charcos temporários (Pinto-Cruz et al. 2009) e redução drástica da biomassa vegetal natural, com a consequente redução da sua fitodiversidade (Deil 2003). Consequentemente, é na zona da plataforma litoral servida pelo aproveitamento hidroagrícola do Mira, na qual foi possível proceder à intensificação da produção agrícola, que se observam os valores mais baixos no que respeita ao valor biológico médio (por m2) em toda a área de estudo.

Crescimento urbano e de infra-estruturas: Dentro da área de estudo a zona mais afectada no que respeita à redução da qualidade ecológica como consequência directa da expansão das áreas urbanas e da implantação de infraestruturas foi a faixa litoral, nomeadamente na envolvente às povoações costeiras (Sines, Porto Côvo, Vila Nova de Milfontes, Almograve, Zambujeira e Odeceixe). Particularmente relevante para a referida redução da qualidade ecológica da região foi também a construção do Porto de Sines e da Zona Industrial Logística de Sines (ZILS), esta última com impactes assinaláveis também no sector setentrional da plataforma litoral alentejana. Por outro lado, verificou-se também o surgimento de um importante foco de edificação em espaço rural na área de Brunheiras e Foros do Galeado (a nordeste de V. N. de Milfontes), um espaço onde se verificou a redução simultânea dos valores de qualidade ecológica e também da qualidade visual da paisagem. O sector meridional da plataforma litoral foi o que menos foi afectado, dado que nessa região o fenómeno de expansão urbana e implantação de infraestruturas ocorreu em muito menor escala do que na restante área estudada.

Finalmente, salienta-se que do ponto de vista da análise do índice de interesse para conservação das unidades cartografadas, este apresentou um comportamento heterogéneo no período em causa, que se pode descrever em termos genéricos pelo aumento no caso do sector setentrional da área de estudo e pela sua diminuição nos sectores central e meridional da área de estudo. Este comportamento foi em grande medida condicionado pela flutuação populacional registada na área de estudo, dado que esta apresentou saldo positivo (logo, induzindo o aumento do índice de interesse para

225

conservação dentro as unidades territoriais em que se observou o incremento populacional) no concelho de Sines, por contraposição com o saldo negativo verificado no concelho de Odemira (o que acarretou a minoração do índice de interesse para conservação). Alerta-se para o facto dos valores de densidade populacional considerados se basearem em informação censitária que utiliza o conceito estatístico de ‘população residente’75 e que não corresponde ao pico de densidade populacional ocorrido durante a época balnear, cujo valor não foi possível obter de fonte fidedigna, mas que a ser considerados iriam certamente resultar na majoração do índice de interesse para conservação, ao contrário do verificado no concelho de Odemira.

75 Por ‘População residente entende-se o “conjunto de pessoas que, independentemente de estarem presentes ou ausentes num determinado alojamento no momento de observação, viveram no seu local de residência habitual por um período contínuo de, pelo menos, 12 meses anteriores ao momento de observação, ou que chegaram ao seu local de residência habitual durante o período correspondente aos 12 meses anteriores ao momento de observação, com a intenção de aí permanecer por um período mínimo de um ano” (INE - Instituto Nacional de Estatística 2011, p. 31).

226

5 RELAÇÕES ENTRE QUALIDADE VISUAL, QUALIDADE ECOLÓGICA E FITODIVERSIDADE DO SUDOESTE ALENTEJANO – CONTRIBUTO PARA O ORDENAMENTO E GESTÃO DE ÁREAS COSTEIRAS DE ELEVADO VALOR NATURAL E PAISAGÍSTICO

“… many fields are defined by a specific set of methodologies. Yet planning commonly borrows the diverse methodologies from many different fields, and so its theoretical base cannot be easily drawn from its tools of analysis. Taken together, this considerable disagreement over the scope and function of planning and the problems of defining who is actually a planner obscure the delineation of an appropriate body of theory.” (Kay & Alder 2005, p. 57)

A passagem acima reproduzida remete para a dificuldade de formalização de uma teoria do planeamento, salientando que a actividade do planeamento não se socorre de um conjunto específico de metodologias mas antes utiliza e adapta conhecimento científico e técnico na tomadas de decisões e na acção sobre o território (Friedmann 1987).

O objectivo deste capítulo é apresentar de forma estruturada as principais conclusões obtidas pelos estudos levados a cabo no âmbito da presente tese, propondo a partir destes um conjunto de objectivos estratégicos no que respeita à evolução futura da paisagem do Sudoeste Alentejano que assegurem a coexistência das actividades económicas em curso no território com a adopção de medidas eficazes de protecção do valor ecológico e da diversidade da sua cobertura vegetal natural e seminatural, no sentido de se obter e / ou contribuir para uma paisagem de qualidade em que as decisões de planeamento não entrem em conflito com as actividades humanas e a expectativa das populações e visitantes.

5.1 QUESTÕES RELEVANTES IDENTIFICADAS PELO ESTUDO DE CASO

A área de estudo considerada neste trabalho corresponde a uma área costeira de elevado valor natural e paisagístico. Com excepção da área considerada a norte da ribeira da Junqueira, toda a área restante se insere na metade

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setentrional do SIC da Rede Natura 2000 designado “PTCON0012 – Costa Sudoeste”, sendo que cerca de 60% desta área se encontra também classificado como ZPE NATURA 2000 “PTZPE0015 – Costa Sudoeste”. Cerca de 75% da área do SIC encontra-se também classificada como Parque Natural e integra a Rede Nacional de Áreas Protegidas. Apesar desta sobreposição de regimes legais de protecção da natureza observa-se a existência de áreas de grande vitalidade económica, designadamente nos sectores primário (produção agrícola e florestal e também pescas) e terciário (turismo), dentro da área de estudo. A existência de actividades económicas de grande vitalidade num contexto de elevado valor natural gera inevitavelmente conflitos entre os proprietários e a administração central, dado que os primeiros pretendem dispor dos seus terrenos da forma mais eficaz e rentável possível, mas vêem a sua actividade condicionada pela actuação da administração, no exercício da defesa do bem comum e dos valores naturais da região. Por outro lado, a região oferece condições de grande aptidão para a instalação de actividades económicas turísticas alicerçadas na qualidade da paisagem, gerando fluxos populacionais sazonais de grande magnitude e que podem também produzir impactes ambientais significativos. Estes serão indubitavelmente os principais problemas no que respeita à gestão deste território.

No que respeita ao estudo sobre a qualidade visual da paisagem, as seguintes questões foram também identificadas:

a. As paisagens de qualidade visual mais elevada são as mais susceptíveis à procura para actividades de recreio. Consequentemente a procura para recreio constitui uma pressão antrópica geradora de impactes ambientais potencialmente importantes, nomeadamente sobre as zonas do litoral que apresentam elevado valor ecológico e baixa resiliência e também ao longo do vale do rio Mira. No caso da linha de costa a referida pressão é já uma realidade, particularmente durante a época balnear, ao passo que no caso do vale do rio Mira essa pressão não tem ainda grande significado;

b. Os factores que explicam a preferência do cidadão leigo em matéria de ecologia e conservação da natureza centram-se em aspectos físicos da paisagem, com grande destaque para a presença de planos de água

228

no campo visual, ao qual se associam aspectos da paisagem cultural. Os aspectos relativos à componente biótica da paisagem e que se referem especificamente a características da cobertura vegetal da região revelaram ter um peso na apreciação menor que o dos restantes factores. Já no que respeita aos profissionais com formação ecológica e directamente envolvidos na defesa dos valores naturais, os factores associados à componente biótica da paisagem assumem maior importância na apreciação efectuada. É evidente a existência de diferenças nos critérios de avaliação utilizados, principalmente no que respeita à estrutura fisionómica das comunidades vegetais: para o cidadão comum as formações mais densas e elevadas (bosquetes e matagais fechados) são consistentemente subavaliadas quando comparadas com as apreciações produzidas pelos profissionais com formação ecológica. Esta décalage entre as apreciações expressas pelos dois grupos considerados evidencia que as apreciações de qualidade visual de paisagem efectuadas por profissionais com formação ecológica não substituem a apreciação efectuada pela opinião do público dado que ambas não coincidem;

c. As apreciações produzidas por cada indivíduo são condicionadas pela sua experiência de vida e contexto cultural, pelo que ainda que exista um padrão comum (relembra-se que o modelo obtido por regressão linear apresenta um poder explicativo de cerca de 80% das preferências expressas) existe alguma variabilidade na apreciação da qualidade visual da paisagem. Exemplificando este aspecto, os resultados obtidos corroboram a opinião expressa por Buijs, Pedroli & Luginbühl (2006) segundo os quais quanto mais novos os inquiridos, maior a preferência por paisagens naturais.

Por outro lado, o estudo sobre a qualidade ecológica da paisagem também identificou questões relevantes para a gestão da paisagem, designadamente:

a. A qualidade ecológica da paisagem apresenta grande variabilidade espacial. Os valores mais elevados podem ser observados em contextos ecológicos bem determinados: a) ao longo do litoral, tanto em sistemas dunares (complexos de vegetação dunar) como no topo das arribas rochosas (estevais de Cistus palhinhae) e também nas margens do rio Mira (sapais); b) nos vales

229

encaixados das ribeiras tributárias do Mira (bosques tempori- higrófilos de carvalho cerquinho e respectivos contactos catenais); c) nas serras sublitorais do Sudoeste Alentejano, em particular nas áreas de substratos do Complexo Vulcano-Silicioso do Cercal (matos baixos da aliança Quercion broteroi, ricos em endemismos); b. Mesmo nas áreas de menor valor ecológico [médio] podem existir pequenos focos de valor ecológico, como sejam as áreas de ocorrência dos charcos temporários mediterrânicos, os quais constituem um património natural de elevado valor científico, correntemente sob grande pressão antrópica (Cruz 2010); c. Com respeito à evolução temporal da qualidade ecológica, esta sofreu a sua diminuição mais pronunciada na primeira metade do século XX, evoluindo de forma heterogénea no decurso dos últimos decénios:

i. Ao longo da linha de costa assiste-se à lenta recuperação de áreas outrora ocupadas por culturas agrícolas, nas quais a recuperação da vegetação natural e adaptada às condições do meio se traduz na subida do valor ecológico dessas áreas. No entanto a expansão dos perímetros urbanos das povoações litorais, fenómeno predominantemente associado ao crescimento da actividade turística na região, constitui um factor que altera negativamente o valor ecológico da linha de costa e cuja progressão não foi ainda contrariada;

ii. Na plataforma litoral do Sudoeste Alentejano observa-se também a existência de dois processos de alteração do uso do solo com consequências divergentes no que respeita à qualidade ecológica do local: nas áreas servidas pelo aproveitamento hidroagrícola do Mira verifica-se a intensificação da actividade agrícola e a consequente redução do valor ecológico dessas áreas, ao passo que nas áreas de agricultura de sequeiro observa-se a extensificação e abandono agrícola em algumas áreas marginais, resultando frequentemente numa ligeira subida do valor ecológico dos locais afectados.

230

iii. Nas colinas sublitorais que limitam a nascente a plataforma litoral observa-se o aumento da área florestal, factor que seria à partida promotor da qualidade ecológica da região, no entanto a expansão da actividade florestal baseada no uso de espécies alóctones de crescimento rápido (e.g. eucalipto) e modelos de exploração fortemente mecanizados e exigentes em energia nas fases de instalação e corte, resultam na redução da qualidade ecológica da região dado que apresentam efeitos negativos ao nível da conservação do solo e da flora local, rica em espécies endémicas.

Em termos gerais pode pois afirmar-se que apesar de se ter verificado ao longo das últimas décadas uma forte desaceleração das dinâmicas de degradação da qualidade ecológica da paisagem do Sudoeste Alentejano, este processo não foi ainda totalmente revertido. Regista-se no entanto a existência de situações localizadas em que é nítida a recuperação dos ecossistemas naturais e seminaturais (e.g. recolonização de parcelas agrícolas marginais por vegetação psamófila; abandono das culturas arvenses de sequeiro nas áreas de maior declive, etc.).

5.2 IMPORTANCIA DA DEFINIÇÃO DE PROPOSTAS DE INTERVENÇÃO

Diversas têm sido as propostas de intervenção no âmbito do ordenamento do território, visando promover a harmonização das actividades económicas com a defesa da qualidade da paisagem nas suas diversas vertentes. Ribeiro (1998) propôs uma metodologia de traçado de corredores verdes com base no estudo integrado dos recursos visuais da paisagem e do seu património cultural. Também Ribeiro & Barão (2006) utilizaram a figura do corredor verde como estratégia de planeamento e desenho da paisagem através da qual é possível conciliar o desenvolvimento urbano e a salvaguarda da qualidade da paisagem, potenciando simultaneamente a criação de novas oportunidades de recreio e educação ambiental. Mais recentemente Pena et al. (2009) defenderam que para o planeamento sustentável de uma paisagem é essencial o estudo do seu contexto ecológico e também cultural. Torna-se então patente que as paisagens contemporâneas devem ser pensadas numa perspectiva que permita conciliar a exploração económica com a preservação

231

da sua qualidade ambiental. Esta estratégia deve atender aos valores e necessidades definidos pela sociedade, isto é, considerar de forma simultânea e interligada os três pilares da sustentabilidade (viabilidade económica, justiça social e qualidade ambiental) na actividade do planeamento.

Ideias semelhantes têm também sido expressas por investigadores que reclamam a necessidade de subordinar as actividades de planeamento a áreas de conhecimento baseadas no funcionamento ecológico da paisagem, como a Ecologia da Paisagem (vd. Nassauer & Opdam (2008)). Gobster et al. (2007) vão mais longe defendendo a existência de uma ligação estrita destas mesmas áreas de conhecimento com a Estética Ambiental.

Na presente tese reafirma-se que o planeamento da paisagem deve ser conduzido através da adopção de estratégias adequadas de protecção e gestão sustentável da paisagem que garantam a salvaguarda da sua qualidade visual e a conservação do seu valor ecológico e fitodiversidade, num quadro de desenvolvimento económico e de preservação da identidade cultural das populações locais. Para tal, o gestor da paisagem deve ter a capacidade de desenvolver quatro tarefas fundamentais para o planeamento sustentável da paisagem (Figura 100):

a. Optimização da localização de infraestruturas e edificações;

b. Avaliação da aptidão e capacidade produtiva do território;

c. Conservação da Natureza e da biodiversidade;

d. Avaliação da atractividade e capacidade de suporte para turismo e lazer;

Optimização da localização Avaliação da aptidão e de infraestruturas e capacidade produtiva do edificações território

Planeamento

Avaliação da atractividade e Conservação da Natureza capacidade de suporte e da biodiversidade para turismo e lazer

Figura 100 – Tarefas fundamentais a desenvolver no âmbito do planeamento sustentável da paisagem.

232

Para cada uma das tarefas consideradas o gestor deverá recorrer às metodologias de avaliação e apoio à decisão eficazes, de fácil implementação e capazes de produzir informação útil no apoio à decisão:

ƒ No que respeita à optimização da localização de infraestruturas e edificações são metodologias de referência as correntemente utilizadas no âmbito dos processos de estudo de impacte ambiental (EIA) (vd. Garmendia Salvador et al. (2005)) e de avaliação ambiental estratégica (AAE) (vd. Partidário (2007) e Direcção-Geral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano – DGOTDU (2008));

ƒ No que respeita à avaliação da aptidão e capacidade produtiva do território as abordagens possíveis são inúmeras, como o atestam as revisões publicadas por Hopkins (1977) e mais tarde por Malczewski (2004; 2006). No plano nacional é de referir a metodologia decorrente dos estudos de planeamento da estrutura ecológica efectuados por Magalhães et al. (2007);

ƒ No campo da avaliação do valor ecológico e estabelecimento de prioridades de conservação da natureza e da protecção da biodiversidade ficou demonstrada, no presente estudo, a utilidade das abordagens de base fitossociológica e a sua aplicabilidade ao estudo desta temática. Destaca-se, pela sua aplicabilidade, o sistema de Loidi (2008);

ƒ No que se refere à avaliação da atractividade e capacidade de suporte para turismo e lazer, destacam-se as metodologias de avaliação da qualidade visual da paisagem e de avaliação da capacidade de carga como ferramentas imprescindíveis ao exercício desta tarefa. Nesta área destacam-se os estudos de qualidade visual com base na abordagem Q- sort (Pitt & Zube 1979; Steinitz & Muñoz Criado 2009) e as abordagens ‘paramétricas’ (sensu Fabos (2004)) de avaliação da sensibilidade da paisagem (vd. também Ribeiro et al. (2003)). Em relação ao estudo da capacidade de carga, Stankey & Manning (1986) recomendam o estabelecimento de objectivos de gestão de acordo com a sua capacidade de carga para todas as áreas com utilização recreativa. No contexto nacional têm também sido exploradas diversas metodologias de avaliação da capacidade de carga dos espaços naturais, quer no que se refere à ‘capacidade de carga social’ (vd. Silva, Alves & Rocha (2007)), quer à ‘capacidade de carga ecológica’ (vd. Ribeiro et al. (2003) e também Monteiro (2010)).

233

Regressando ao estudo de caso do Sudoeste Alentejano foram consideradas algumas estratégias de gestão, devidamente enquadradas no âmbito das tarefas fundamentais anteriormente enunciadas e cuja adopção deve ser ponderada no quadro dos indicadores de qualidade da paisagem considerados, nomeadamente de qualidade visual de paisagem e de qualidade ecológica de paisagem (Figura 101).

Qualidade Visual da Paisagem Baixa Alta

Alta Conservação estrita Gestão (Reservas integrais adaptativa de e micro-reservas) ecossistemas

Promoção da sucessão ecológica e restauro de Recreio passivo ecossistemas

Florestação Extensi- Recreio ficação activo Intensificação agrícola

Qualidade Ecológica da Paisagem agrícola

Edificação e infraestruturação Baixa

Figura 101 – Estratégias de gestão propostas com vista à gestão simultânea da qualidade ecológica e da qualidade da paisagem do Sudoeste Alentejano.

A figura anterior indica as situações potencialmente mais adequadas para implementação de cada estratégia. Tome-se o exemplo da conservação estrita dos recursos naturais: esta deve ser a estratégia a implementar em locais de elevada qualidade ecológica e qualidade visual baixa, pois nesta situação, em princípio, a pressão antrópica decorrente da procura para recreio é baixa, pelo que o gestor se pode concentrar na tomada de medidas que visam exclusivamente a salvaguarda dos valores naturais em presença.

Os charcos temporários mediterrânicos bem conservados e não ameaçados pela actividade agrícola intensiva localizados dentro da área de estudo são um caso em que se pode aplicar a conservação estrita. Nestes, a adopção de medidas que visam a sua correcta gestão pode implicar a proposta de

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celebração de contratos de prestação de serviços ambientais com os proprietários locais ou a própria delimitação de micro-reservas. No caso dos referidos charcos se encontrarem em mau estado de conservação (i.e. com menor qualidade ecológica) poder-se-á optar por medidas no âmbito do restauro de ecossistemas (uma vez mais, procurando a colaboração e participação voluntária dos proprietários) de forma a promover a subida do valor ecológico do local.

Por outro lado, pensando na gestão das actividades de recreio, defende-se que a proposta de localização de actividades de recreio activo (actividades desportivas exigentes em equipamentos e actividades envolvendo o uso de veículos motorizados, por exemplo) deve incidir sobre áreas de menor valor ecológico e que naturalmente podem beneficiar de uma qualidade de paisagem maior, destinando as áreas de maior valor ecológico para receber apenas actividades de recreio passivo (pedestrianismo, birdwatching, fotografia de natureza, etc.).

No que respeita à ocupação agrícola e florestal do solo é de prever que estas actividades afectem as qualidades ecológica e paisagística do local. No entanto, dada a diversidade de regimes de exploração (incluíndo nível de mecanização, etc.), estrutura da cobertura vegetal e natureza mais intensiva ou extensiva da actividade em causa, estas podem produzir alterações com sentidos diversos no que respeita aos resultados ambientais e visuais (ou paisagísticos) da sua implantação. Caberá pois aos técnicos gestores da paisagem a definição das estratégias de gestão mais adequadas no que respeita a este conjunto de usos do solo, fazendo uso de metologias como as discutidas nesta tese.

Finalmente, relativamente à localização de edificações e infraestruturas estas devem localizar-se preferencialmente em áreas de baixa qualidade ecológica, independentemente da qualidade visual que o local apresenta, sendo admitida a sua construção noutras áreas por razões imperativas de reconhecido interesse público ou comprovada necessidade, as quais devem ser apresentadas de forma fundamentada pelos técnicos encarregues da gestão da paisagem em causa.

A implementação das estratégias de gestão a que se refere a Figura 101 poderá ser levada a cabo por um conjunto de medidas tais como as expressas no Quadro 20. O referido quadro não pretende apresentar um programa

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coerente e completo de intervenções na área de estudo, mas apenas ilustrar o modo como se pode proceder ao planeamento da paisagem considerando de forma integrada e simultânea as diversas concepções de qualidade estudadas.

Quadro 20 – Conjunto de medidas de gestão que visam a protecção simultânea das qualidades ecológica e visual da paisagem do Sudoeste Alentejano. Estratégias de Medidas a implementar Efeito na Efeito na gestão qualidade qualidade propostas ecológica visual do do local local Conservação Protecção estrita dos sistemas dunares estrita do litoral (esta medida não é incompatível com o uso balnear das praias, devendo prever o acesso a estas nos casos em que tal se justifique)

Extensificação Faixa de protecção ao litoral – agrícola exclusão do regadio nos primeiros 150 metros de faixa litoral (contados a partir do topo da arriba)

Extensificação Protecção e gestão dos charcos agrícola temporários, por pagamento de green services (medida agro-ambiental de adesão voluntária)

Florestação Instalação e manutenção de cortinas de abrigo e bosquetes na plataforma litoral

Florestação Plantação de quercíneas nas áreas de pastagem extensiva mais interiores (Bosquetes de protecção e ensombramento)

Gestão Gestão dos trilhos pedestres ao longo adaptativa de da linha de costa, de acordo com a ecossistemas sua sensibilidade ambiental e capacidade de carga

Infraestruturas e Traçado e implementação de rede de ∅ Recreio Passivo caminhos pedestres ao longo do vale do Mira, priveligiando a sua passagem pela interface entre terrenos

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Quadro 20 (cont.) agrícolas e esteval, com acesso pontual ao Vale do Mira

Promoção da Reconversão das áreas de montado sucessão em situação de abandono agrícola ecológica para situações de maior naturalidade, mas fazendo a gestão da biomassa combustível quando necessário

Recreio activo Incorporação de critérios de ∅ qualidade ecológica e paisagística na selecção das áreas previstas na Carta de Desporto da Natureza a elaborar

Recuperação de Reformulação da rede de aceiros ecossistemas florestais, considerando a criação de áreas de exclusão do eucaliptal em algumas áreas de afloramentos rochosos e na proximidade das rodovias - efeito muito positivo; - efeito positivo; - efeito variável; - efeito negativo; - efeito muito negativo; ∅ - efeito nulo.

Fica deste modo discutida a importância da definição de propostas de intervenção devidamente enquadradas por estratégias que considerem simultaneamente os efeitos da intervenção humana na paisagem, tanto na sua qualidade ecológica como na sua qualidade visual. Conforme foi afirmado anteriormente, as propostas acima enunciadas (vd. Quadro 20) apenas pretendem contribuir para a melhoria das metodologias de suporte ao ordenamento e gestão de áreas costeiras de elevado valor natural, bem como da generalidade das paisagens rurais. Nesta perspectiva, torna-se evidente a aptidão do arquitecto paisagista para a prossecussão da tarefa de gerir as referidas paisagens rurais, dado que este possui a formação indicada para não apenas aplicar as metodologias discutidas nesta tese, mas proseguir com o seu aprofundamento e melhoria.

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238

6 CONCLUSÕES E PROPOSTA DE TRABALHOS FUTUROS

Ao longo da presente tese foi possível, no seguimento da pesquisa bibliográfica efectuada, avançar com uma proposta de definição do conceito de paisagem com base na abordagem ontológica, opção que se revelou acertada e útil para as aplicações subsequentemente desenvolvidas.

No seguimento dessa proposta foi possível desenvolver um modelo de interpretação da qualidade visual da paisagem, com propostas inovadoras de utilização de fontes de informação provenientes da detecção remota e cujos resultados produziram interessantes conclusões no que respeita à forma como o público em geral aprecia a qualidade visual das paisagens. Foi ainda possível desenvolver um modelo descritivo da vegetação do Sudoeste Alentejano, o qual foi de vital importância para a aplicação com sucesso de um sistema de avaliação da qualidade ecológica da paisagem.

No que respeita ao estudo da vegetação são referidos outros resultados cientificamente relevantes e cuja obtenção se encontra associada de forma directa ou indirecta aos trabalhos desenvolvidos no âmbito da presente tese:

ƒ Foi descoberta uma população de Sphagnum auriculatum na área de estudo, a qual ampliou a área de distribuição do briófito cerca de 100 km para sul (vd. Neto et al. (2009));

ƒ Foram também descobertas populações desconhecidas do endemismo costeiro vicentino Chaenorhinum serpyllifolium subsp. lusitanicum (vd. descrição da Localidade 2 – Ribeira da Azenha (Corgo dos Aivados), no capítulo 4.5.2.1.2 da presente tese);

ƒ Foram desenvolvidos estudos sobre a sinecologia, estrutura e composição florística das comunidades de vegetação halófila dominada pela espécie alóctone e com carácter invasor Cotula coronopifolia (vd. Costa et al. (2009b);

ƒ Contribuiu-se para a caracterização climática e biogeográfica dos sapais do Sudoeste Ibérico (vd. Costa et al. (2009a));

ƒ Foram propostos quatro novos sintáxones, designadamente o zambujal Viburno tini-Oleetum sylvestris ephedretosum fragilis J.C. Costa, Arsénio & Neto, a comunidade camefítica de arribas rochosas Dittrichietum

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maritimae J.C. Costa, Arsénio & Neto, a comunidade de sapal alto Limonietum lanceolati Arsénio, J.C. Costa, Neto & Monteiro-Henriques (vd. Neto, Arsénio & Costa (2009)) e também o carvalhal marcescente e tempori-higrófilo Ulici welwitschiani-Quercetum broteroi [sin: Teucrio baetici-Quercetum suberis centauretosum crocatae J.C. Costa, Arsénio & Neto, in Neto, Arsénio & Costa 2009] (vd. Temporihygrophilous Quercus broteroi forests in Southern Portugal: Analysis and conservation, artigo submetido para publicação na revista Plant Biosystems por Carlos Vila- Viçosa, Paula Mendes, Sara del Rio, Catarina Meireles, Ricardo Quinto- Canas, Pedro Arsénio & Carlos Pinto-Gomes).

Finalmente, são revisitadas as questões científicas fundamentais apresentadas na introdução do presente estudo, de forma a poder enunciar as principais conclusões obtidas e apontar futuros desenvolvimentos no âmbito das questões estudadas:

1. Como se pode avaliar a qualidade visual da paisagem e quais os factores determinantes nessa avaliação?

A revisão bibliográfica efectuada no capítulo 2.2 permitiu conhecer as questões científicas subjacentes ao estudo da qualidade visual da paisagem, e perceber como se implementam as principais metodologias desenvolvidas entre a década de 1960 e a actualidade. Procedeu-se ao estudo da qualidade visual da paisagem do Sudoeste Alentejano utilizando um método psicométrico de interpretação das preferências expressas pela opinião do público por meio de inquéritos (Método Q-sort). Como factores explicativos da preferência expressa pelos inquiridos no que respeita à qualidade visual da paisagem optou-se por utilizar características referentes às três componentes da paisagem (física, biótica e cultural, respectivamente). O modelo obtido por regressão linear demonstrou possuir elevado poder explicativo (R2≈0.8), e os factores que demonstraram encontrar-se mais correlacionados com a apreciação positiva da qualidade visual da paisagem foram a visibilidade para massas de água e o carácter tradicional da paisagem, seguidos do gradiente de movimentação das formas do relevo. O estudo evidenciou ainda que inquiridos com diferentes perfis psicológicos produzem apreciações de qualidade de paisagem diferentes, sendo especialmente importantes neste aspecto as diferenças de idade, nível de instrução e nível de conhecimento em ecologia e conservação da natureza.

240

Sugere-se o desenvolvimento de estudos de qualidade de paisagem à escala nacional, direccionando a pesquisa para o estudo da influência do perfil psicológico dos inquiridos na apreciação da qualidade visual da paisagem e para a pesquisa de outras características físicas, bióticas ou culturais da paisagem que possam constituir-se como factores explicativos da preferência expressa pelo público.

2. Pode uma análise fitossociológica detalhada da cobertura vegetal da paisagem constituir uma fonte de informação necessária e suficiente para a apreciação da qualidade ecológica dessa paisagem?

Apresentou-se ao longo do capítulo 2.3 um conjunto de argumentos teóricos que fundamentam a convicção expressa pelo autor de que os estudos fitossociológicos76 do coberto vegetal constituem uma mais-valia no que respeita ao conhecimento do funcionamento dinâmico da paisagem. Pelo carácter holístico da abordagem fitossociológica dinâmico-catenal a aplicação desta ciência resulta na obtenção de informação não apenas relativa à estrutura, diversidade e composição da vegetação de uma região, mas também relativa ao seu contexto ecológico: regime climático, geologia e geomorfologia, características do substrato edáfico e grau de naturalidade das comunidades vegetais. A informação reunida por este meio possibilita então a elaboração de metodologias robustas de avaliação da qualidade ecológica, aplicáveis a diversas escalas de observação e com a possibilidade de estudo da sua variação temporal.

No que respeita a possíveis áreas de aperfeiçoamento da metodologia utilizada sugere-se: a incorporação de informação relativa a comunidades vegetais com elevado valor natural e ocorrência pontual na paisagem (i.e. ocorrendo em manchas cuja dimensão se encontra abaixo da área mínima representável, de acordo com a escala de trabalho escolhida); o aumento da robustez do índice de interesse para conservação tornando-o menos sensível ao índice de densidade populacional da região.

3. Em que medida existem relações entre a qualidade visual da paisagem e a sua qualidade ecológica?

76 i.e., de acordo com os fundamentos teóricos da Fitossociologia Dinâmico-Catenal.

241

A partir dos estudos realizados ficou patente que as relações entre a qualidade visual da paisagem e a sua qualidade ecológica são pouco evidentes, apesar de se observar frequentemente uma sobreposição entre áreas de elevado valor ecológico e áreas de elevada qualidade visual da paisagem.

Várias são as razões que se podem apontar como concorrentes para a situação observada:

ƒ As áreas de interface entre terra e as grandes massas de água (oceano e rio Mira) apresentam elevada qualidade visual e uma especificidade ecológica que determina o elevado grau de especialização da vegetação que coloniza esses espaços, factor que contribui positivamente para a avaliação da qualidade ecológica dessas formações;

ƒ A existência de factores de stress ambiental nesses locais produz um ambiente propício à rápida produção de alterações genéticas que constituem a base dos fenómenos de vicariância e especiação. Estes últimos contribuem para a existência de uma elevada taxa de endemicidade entre alguns dos géneros mais comuns nas fitocenoses litorais (e.g. géneros Limonium, Armeria, Linaria e Thymus). As características referidas (endemicidade e vicariância, tal como a especificidade ecológica acima comentada) constituem aspectos de elevado interesse científico mas cuja compreensão escapa ao utente leigo destes espaços, daí que seja difícil estabelecer correlações entre valor ecológico e apreciações de qualidade visual da paisagem.

ƒ Os indícios obtidos quanto à forma como o público leigo interpreta a componente biótica da paisagem, nomeadamente a sua cobertura vegetal, apontam para a prevalência de critérios bastante genéricos e pragmáticos, fundamentalmente associados às questões da produtividade (factor associado à ‘quantidade de verde’ das paisagens) e facilidade de progressão no espaço natural (factor associado à estrutura da vegetação).

Finalmente, o estudo da qualidade visual da paisagem sugere também a existência provável de uma forte preferência por paisagens culturais em detrimento das paisagens naturais pelo que se sugere, no âmbito de futuros trabalhos a desenvolver nesta temática, que se teste esta hipótese de forma objectiva e estatisticamente bem suportada.

242

4. Pode a adopção de estratégias adequadas de ordenamento e gestão da paisagem favorecer simultaneamente a salvaguarda / valorização da qualidade visual e a conservação do valor ecológico e fitodiversidade das paisagens?

No decurso do capítulo 5 foi esboçada uma metodologia cujo objectivo fundamental é o estabelecimento de um conjunto de estratégias de intervenção na paisagem visando a salvaguarda simultânea da qualidade visual e ecológica da paisagem. De acordo com a referida metodologia será então possível propor um programa de intervenção que, baseado na adopção de medidas, possibilite: a exploração da capacidade produtiva da paisagem respeitando as suas características e aptidões; preveja a localização de infraestruturas e edificações com o menor impacte ambiental, económico e social possível; controle os efeitos da utilização recreativa; e assegure a protecção dos valores naturais em presença. Poderá pois afirmar-se que a valorização ecológica da paisagem pode conduzir a um aumento da sua qualidade paisagística, na medida em que determinadas estratégias de gestão podem conduzir a um aumento simultâneo da qualidade visual e ecológica da paisagem.

243

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272

ANEXOS

273

274

ANEXO I

Esboço interpretativo da proposta biogeográfica para Portugal continental de Rivas-Martínez (2007)

275

Região Sub-Região Província Subprovíncia Sector Subsector Distrito Conteúdo Geográfico

6g. Distrito Cabreira-Alturas* Serras de Cabreira e Alturas

Serras de Gerês, Amarela e Planalto de 6B. Subsector 6h. Distrito Geresiano Mourela Juresiano Serras da Peneda, Quinxo (Es), Soajo e 6i. Distrito Penedano Laboreiro

Ib. Província Atlântica Iba. Subprovíncia 6. Sector Galaico- Minho: troço inferior das bacias dos rios 6j. Distrito Durimínico * Europeia Cantabro-Atlântica Português Lima, Cávado e foz do Minho

Douro Litoral: Costa de Aveiro a Guardeiras 6C. Subsector 6k. Distrito Duriense Litoral Galaico-Português e troço inferior da bacia do Douro

Meridional 6l. Distrito Alvão-Marão* Serras do Alvão e do Marão

6m. Distrito Montemuro- Serras de Montemuro e do Caramulo e IB. Sub-Região Caramulo* troço médio da bacia do Vouga I. Região Atlântico- Eurossiberiana 10a. Distrito Ilha de Santa Centroeuropeia Ilha de Santa Maria 10. Sector Ilhas de Santa Maria e Formigas* Maria*

10b. Distrito Ilhas Formigas* Ilhas Formigas

11. Sector Ilha de São Miguel* 11a. Distrito Ilha de São Miguel* Ilha de São Miguel

12. Sector Ilha Terceira* 12a. Distrito Ilha Terceira* Ilha Terceira

Ic. Província Açoriana* 13. Sector Ilha do Pico* 13a. Distrito Ilha do Pico* Ilha do Pico

14. Sector Ilha do Faial* 14a. Distrito Ilha do Faial* Ilha do Faial

15a. Distrito Ilha de São Jorge* Ilha de São Jorge 15. Sector Ilhas de São Jorge e Graciosa* 15b. Distrito Ilha Graciosa* Ilha Graciosa

16a. Distrito Ilha das Flores* Ilha das Flores 16. Sector Ilhas das Flores e Corvo* 16b. Distrito Ilha do Corvo* Ilha do Corvo

La Cabrera (Es), Serra Segundera (Es), Peña 33. Sector Berciano-Sanabriense 33b. Distrito Sanabriense Trevinca (Es) e Serra de Teleno (Es) II. Região IIA. Sub-Região IIc. Província IIca. Subprovíncia Mediterrânica Mediterrânica Mediterrânica Ibérica Carpetano-Leonesa Bacias dos rios Tuela (Es) e Sabor, Macedo 34. Sector Lusitano 34a. Distrito Bragançano Ocidental Ocidental de Cavaleiros Duriense 34A. Subsector Transmontano 34b. Distrito Vila-Realense e Vila real e Verín (Es): Vales do rio Corgo,

Verinense Rabaçal e médio Tâmega

276

Região Sub-Região Província Subprovíncia Sector Subsector Distrito Conteúdo Geográfico

34. Sector Lusitano Terra Quente, Abadengo (Es) e Arribes del 34c. Distrito da Terra Quente Duriense Duero (Es) IIca. Subprovíncia 34B. Subsector Carpetano-Leonesa Ribaduriense Troço inferior da bacia do rio Douro, entre 34d. Distrito do Baixo Douro* os rios Tua e Corgo

35A. Subsector Salamanca (Es): Pinhel, Serra da Marofa,

Salmantino 35a. Distrito Baixosalmantino Vitigudino (Es), Ciudad Rodrigo (Es), Setentrional Yeltes (Es) e Sayago (Es) 35. Sector Salmantino 35B. Subsector Las Batuecas (Es), Serras de Malcata, Gata

Salmantino 35d. Distrito Batuecas e Malcata (Es) e Peña de Francia (Es), Las Hurdes Meridional Altas (Es)

38a. Distrito Egitaniense* Guarda

38. Sector Estrelense* Serra da Estrela: de Covilhã a Seia e de 38b. Distrito Alto Estrelense* Unhais a Manteigas

Cáceres (Es): de Trujillo (Es) a Membrio

39f. Distrito Cacerense (Es), Serras de Montánchez (Es) e San Pedro 39. Sector Toledano- 39B. Subsector II. Região IIA. Sub-Região IIc. Província (Es) Mediterrânica Mediterrânica Mediterrânica Ibérica Tagano Oretano Serra de São Mamede, Marvão e Valência de Ocidental Ocidental 39g. Distrito São Mamede Alcântara (Es)

Beira Alta: Viseu, bacias dos rios Dão, Alva e 40a. Distrito Altobeirense* 40A. Subsector Mondego até Sobral da Serra

Beirense

Beira Litoral: planícies arenosas do cabo Setentrional 40b. Distrito Beirense Litoral* Mondego ao Porto 40. Sector Beirense IIcb. Subprovíncia Luso- Rio Zêzere: Serras da Lousã, Açor, Alvelos e 40c. Distrito Zezerense* Estremadurense 40B. Subsector Gardunha

Beirense Meridional 40d. Distrito Beirense Beira Meridional: Castelo Branco, Meridional Monsanto e bacias do Pônsul e Erges

41e. Distrito Terrabarrense Tierra de Barros (Es)

41. Sector Mariânico- 41B. Subsector 41f. Distrito Badajozense Planícies de Badajoz

Monchiquense Araceno-Pacense Aracena (Es): Parque Natural da Serra de 41g. Distrito Aracenense Aracena (Es) e Picos de Aroche (Es)

41. Sector Mariânico- 41C. Subsector 41i. Distrito Alentejano Alto e Baixo Alentejo, Serra de Mértola

277

Região Sub-Região Província Subprovíncia Sector Subsector Distrito Conteúdo Geográfico Monchiquense Alentejano- IIc. Província IIcb. Subprovíncia Luso- Monchiquense Serras de Monchique, Malhão e Caldeirão, Mediterrânica Ibérica Estremadurense 41j. Distrito Monchiquense* I. Região rios Mira e Odeceixe Ocidental Mediterrânica

51a. Distrito Estremenho Planícies e serras calcárias de Montejunto e

Português* Aire, até Coimbra 51A. Subsector Divisório Português 51b. Distrito Estremenho Costa arenoso-calcária estremenha desde a Setentrional* Litoral* Ericeira à Figueira da Foz IIA. Sub-Região 51. Sector Divisório Mediterrânica Português* 51c. Distrito Berlenguense* Ilhas Berlengas Ocidental 51B. Subsector 51d. Distrito Sintrano* Serra granítica de Sintra e cabo da Roca IIfa. Subprovíncia Divisório Português Lisboa: colinas calcárias e vulcânicas, de Divisória Portuguesa- 51e. Distrito Olisiponense* Meridional* Sadense* Sacavém a Cascais e Mafra

Ribatejo: troço inferior da bacia do rio Tejo 52a. Distrito Ribatagano* Iif. Província Lusitano- desde Abrantes, Sorraia e Muge Andaluza Litoral Serra da Arrábida: desde Setúbal ao cabo 52. Sector Ribatagano-Sadense* 52b. Distrito Arrabidense* Espichel

Rio Sado: bacia arenosa e estuário do rio 52c. Distrito Sadense* Sado, costa de Melides e Tróia

Costa Vicentina ocidental arenosa do 53a. Distrito Costeiro Vicentino* Algarve e Alentejo de Bordeira a Sines

IIfb. Subprovíncia 53b. Distrito Promontório Cabos de São Vicente e de Sagres, de 53. Sector Algarvio* Gaditano-Algarvia* Vicentino* Almádena a Bordeira

Algarve: costa desde o Guadiana a 53c. Distrito Algarvio* Almádena e Baixo Algarve

IIga. Subprovíncia IIg. Província Canarina 60. Sector de Lanzarote 60a. Distrito das Ilhas Selvagens Ilhas Selvagens Canarina Oriental IIB. Sub-Região Canário- 58. Sector Porto-Santense* 58a. Distrito Porto-Santense Ilha de Porto Santo

Madeirense IIh. Província Madeirense* 59a. Distrito Madeirense* Ilha da Madeira 59. Sector Madeirense* 59b. Distrito das Ilhas Desertas* Ilhas Desertas

* - Unidades biogeográficas exclusivamente portuguesas

278

279

280

Esboço interpretativo da proposta biogeográfica para Portugal continental de Rivas- Martínez (2007)

– Distritos Biogeográficos (legenda) –

281

282

ANEXO II

Esquema sintaxonómico da vegetação do Sudoeste Alentejano (adaptado de Neto, Arsénio & Costa 2009)

283

Tipologia sintaxonómica

Apresenta-se em seguida o modelo descritivo da vegetação (numa perspectiva fitossociológica clássica, ou ‘sigmatista’), usualmente designado por ‘esquema sintaxonómico’, para a região em estudo, cujo âmbito geográfico corresponde a todo o distrito biogeográfico Costeiro Vicentino, acrescido de uma parte na metade setentrional do distrito biogeográfico Monchiquense e que corresponde à quase totalidade da bacia hidrográfica da Ribeira do Torgal. A fonte primordial de informação para a elaboração desta tipologia foi o trabalho por Neto, Arsénio & Costa (2009), mas merecem também referência os trabalhos desenvolvidos por um grupo alargado de fitossociólogos espanhóis e portugueses, cujo trabalho permitiu a preparação do catálogo ibérico de sintáxones até ao nível de associação e no qual constam cerca de 76 classes de vegetação, 141 ordens, 413 alianças e 2500 associações (vd. Rivas- Martínez, Fernández-González & Loidi (1999); Rivas-Martínez et al. (2001); Rivas-Martínez et al. (2002)).

O modo de apresentação do modelo foi inspirado no trabalho de Sýkora (2007), o qual não adopta a forma canónica de um esquema sintaxonómico, tomando um formato mais próximo de uma ‘chave de campo’ para o reconhecimento de comunidades vegetais e facilita a leitura e interpretação da mesma por pessoas sem formação específica em Fitossociologia. Em termos genéricos, as comunidades vegetais encontram-se organizadas por Classes de Vegetação (correspondentes aos quadros que se apresentam em seguida, identificados por um numeral romano), reconhecíveis pela presença do sufixo “-etea” na sua designação. Os referidos quadros são identificados apenas pelo referido numeral romano, omitindo-se propositadamente a palavra ‘Quadro’, para que a tipologia não se torne demasiado distante da representação típica do esquema sintaxonómico. Dentro de cada classe de vegetação, os sintáxones encontram-se hierarquicamente organizados em 3 colunas que equivalem, da esquerda para a direita, a ordens (sufixo “-etalia”), alianças (sufixo “-ion”) e associações (sufixo “-etum”). Quando existam subunidades em qualquer dos níveis hierárquicos (i.e., subclasses, subordens, subalianças ou subassociações, às quais correspondem os sufixos “-enea”, “-enalia”, “-enion” e “-etosum”, respectivamente), essas serão referidas dentro das colunas das unidades do nível hierárquico correspondente, à excepção das subclasses, às quais correspondem quadros separados.

Os pisos bioclimáticos (termotipos e ombrotipos) ocupados pelos sintáxones em causa e, quando conhecidos, os das classes, ordens e alianças, serão indicados, bem como a sua distribuição biogeográfica, seguindo a proposta de tipologia biogeográfica até ao nível de distrito de Rivas-Martínez (2007).

Finalmente indica-se para cada sintáxone, sempre que possível, um conjunto de espécies características (e por vezes também diferenciais) dentro do território em estudo e ainda a sua correspondência com os habitat da Directiva 92/43/CEE (conhecida por “Directiva Habitats”).

I QUERCETEA ILICIS Br.-Bl. ex A. & O. Bolòs 1950

Bosques, pré-bosques e matagais densos, de folha persistente, esclerofila, normalmente sombrios, criadores de húmus de tipo mull florestal. São indiferentes à natureza química do substrato e prosperam em qualquer tipo de solo, sendo no entanto limitados pela hidromorfia permanente ou temporal deste. Constituem a vegetação climácica bem como a sua orla arbustiva e o matagal de substituição daquelas, nos territórios mediterrânicos de ombroclima desde seco até húmido dos bioclimas inframediterrânico, termomediterrânico e mesomediterrânico e por vezes de algumas áreas semiárido a sub-húmido supramediterrânico, podendo atingir territórios eurossiberianos meridionais submediterrânicos.

Características no território: Arisarum simorrhinum (=Arisarum vulgare var. clusii), Asparagus acutifolius, Carex halleriana, Clematis cirrhosa subsp. cirrhosa, Daphne gnidium, Lonicera etrusca var. etrusca, Lonicera implexa, Neotinea maculata, Olea europaea var. sylvestris, Phillyrea latifolia subsp. media, Pulicaria odora, Rhamnus alaternus, Rubia peregrina subsp. longifolia, Rubia peregrina subsp. peregrina, Smilax aspera var. aspera, Vincetoxicum nigrum.

A. Quercetalia ilicis Br.-Bl. ex Molinier 1934 em. Rivas-Martínez 1975 A.1. Querco rotundifoliae-Oleion sylvestris Barbéro, Quézel & Rivas-Martínez 1. Asparago aphylli-Quercetum suberis J.C. Costa, Capelo, Lousã & Espírito in Rivas-Martínez, Costa & Izco 1986 Santo 1996 Bosques climácicos, perenifólios ou marcescentes, em territórios chuvosos, criadores de sombra e de húmus florestal. O sub-bosque é rico Zambujais (Olea europaea var. sylvestris), azinhais (Quercus rotundifolia), Sobrais silicícolas. em arbustos e lianas de folhas persistentes e esclerofilas com excepção dos sobrais (Q. suber), alfarrobais (Ceratonia siliqua) e carrascais arbóreos (Q. Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico superior a territórios frios supramediterrânicos. coccifera subsp. rivasmartinezii). São dominados por árvores perenifólias e mesomediterrânico inferior (oceânico), sub-húmido a húmido. esclerofilas, raramente marcescentes, com um sub-bosque sombrio onde Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a supramediterrânico, hiper- abundam ervas vivazes, lianas e arbustos. Distribuição biogeográfica: Sectores Divisório Português, Ribatagano- húmido a seco. Sadense e Distritos Costeiro Vicentino e Alentejano. Piso(s) bioclimático(s): Têm o óptimo no andar termomediterrânico, Distribuição biogeográfica: Região Mediterrânica. podendo alcançar o andar mesomediterrânico inferior pelo menos nos Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 9330 da Rede NATURA Características no território: Anemone palmata, Asplenium onopteris, territórios de ombroclima seco. 2000. Bupleurum paniculatum, Carex distachya, Carex oedipostyla, Doronicum Distribuição biogeográfica: Distribui-se pelo Norte de África e litoral 2. Oleo sylvestris-Quercetum suberis Rivas Goday, F. Galiano & Rivas-

284

plantagineum, Limodorum trabutianum, Moehringia pentandra, Phillyrea Sudoeste da Península Ibérica. Martínez in Rivas-Martínez 1987 latifolia subsp. latifolia, Quercus canariensis, Quercus rotundifolia, Quercus Características no território: Deschampsia stricta, Gennaria diphylla, Quercus Sobrais esparsos, silicícolas, psamófilos. Para o Distrito Costeiro Vicentino suber, Quercus x mixta, Rosa sempervirens, Ruscus aculeatus, Smilax aspera coccifera subsp. rivasmartinezii, Scilla monophyllos, Teucrium scorodonia foi proposta a subassociação juniperetosum navicularis (Capelo 2007, p. var. altissima (= Smilax mauritanica), Viburnum tinus. subsp. baeticum. 448).

Diferenciais da aliança: Asparagus albus, Asparagus aphyllus, Ceratonia Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, sub-húmido a seco. siliqua, Chamaerops humilis, Myrtus communis, Osyris lanceolata, Rhamnus Distribuição biogeográfica: Tem distribuição Tingitana (Marrocos), oleoides. atingindo a Província Lusitano-Andaluza Litoral.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 9330 da Rede NATURA A.2.a. Querco rotundifoliae-Oleenion sylvestris 2000.

Subaliança típica. 3. Viburno tini-Oleetum sylvestris J.C. Costa, Capelo & Lousã 1994

Características no território: Osyris lanceolata, Ceratonia siliqua. Zambujais em vertissolos (barros). Para o Distrito Costeiro Vicentino foi proposta a subassociação ephedretosum fragilis, cujas diferenciais são

Ephedra fragilis e Osyris lanceolata (Neto, Arsénio & Costa 2009, p. 46).

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, sub-húmido.

Distribuição biogeográfica: Distritos Olissiponense, Arrabidense e Alentejano, ocorrendo pontualmente no Distrito Costeiro Vicentino.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 9320pt1 da Rede NATURA 2000.

4. Ulici welwitschiani-Quercetum broteroi

Cercal intermédio entre Arisaro-Quercetum broteroi e Quercetum alpestris- broteroi, não podendo ser incluído em qualquer um porque se encontra em coluviossolo ácido derivado de xistos, no andar termomediterrânico seco. Vila-Viçosa et al. (inéd.) caracterizaram a associação Ulici welwitschiani-Quercetum broteroi, de distribuição Lusitano-Andaluza Litoral.

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, seco superior a sub-húmido.

Distribuição biogeográfica: Província Lusitano-Andaluza Litoral.

Estatuto de conservação: Defende-se a sua filiação no habitat 9240 da Rede NATURA 2000.

A.1.b. Quercenion rivasmartinezii-suberis Capelo 2007 5. Lavandulo viris-Quercetum suberis Quinto-Canas, Vila-Viçosa, Meireles, Paiva-Ferreira, Martínez-Lombardo, Cano & Pinto-Gomes 2010 Comunidades florestais de Quercus suber e Quercus rivasmartinezii, assentes sobre substratos siliciosos compactos. Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, sub-húmido a húmido.

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico ou, excepcionalmente, Distribuição Biogeográfica: Subsector Alentejano-Monchiquense.

285

mesomediterrânico inferior, sub-húmido superior a húmido, de carácter Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 9330 da Rede NATURA muito oceânico (hiperoceânico a euoceânico) 2000. Características no território: Quercus rivasmartinezii.

B. Pistacio lentisci-Rhamnetalia alaterni Rivas-Martínez 1975 B.1. Asparago albi-Rhamnion oleoidis Rivas Goday ex Rivas-Martínez 1975 6. Asparago aphylli-Myrtetum communis Rivas-Martínez, Cantó, Fernández- González & Sánchez-Mata ex J.C. Costa, Lousã & Espírito Santo 1997 Bosquetes e matagais densos mediterrânicos, perenifólios e esclerofilos, Comunidades arbustivas (carrascais, espinhais, lentiscais, zimbrais, etc.), indiferentes à natureza química do solo, formadores de húmus de tipo perenifólias. Murteiras de solos arenosos ligeiramente edafo-higrófilos, subseriais do mull florestal e criadores de escassa sombra. Normalmente representam Oleo sylvestris-Quercetum suberis e Asparago aphylli-Quercetum suberis (em Piso(s) bioclimático(s): Com o óptimo no andar termomediterrânico e uma etapa de substituição dos bosques da Quercetea ilicis, mas nos situação edafófila). ombroclima seco a húmido, podem atingir de forma relicta os territórios territórios de ombroclima árido ou semiárido representam o clímax e nos mesomediterrânicos termófilos. Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, seco a sub-húmido. locais de ombroclima húmido, em estações desfavoráveis (areias, solos esqueléticos) representam comunidades permanentes. Distribuição biogeográfica: Sul da Península Ibérica. Distribuição biogeográfica: Sector Ribatagano-Sadense e Distritos Algarvio, Monchiquense e Onubense Litoral. Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico, árido a Características no território: Aristolochia baetica, Asparagus aphyllus, húmido. Phlomis purpurea, Rhamnus oleoides subsp. oleoides. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 5330pt6 da Rede NATURA 2000. Distribuição biogeográfica: Sub-Região Mediterrânica Ocidental. 7. Querco cocciferae-Juniperetum turbinatae (Rivas-Martínez 1975) Rivas- Características no território: Asparagus albus, Barlia robertiana, Bupleurum Martínez, Lousã, T.E. Díaz, Fernández-González & J.C. Costa 1990 fruticosum, Ceratonia siliqua, Chamaerops humilis, Coronilla glauca, Ephedra fragilis var. fragilis, Euphorbia characias, Jasminum fruticans, Juniperus Zimbrais-carrascais nano- a micro-fanerofíticos, litorais e sublitorais, das turbinata subsp. turbinata, Melica minuta subsp. arrecta, Myrtus communis, arribas calcárias. Osyris alba, Osyris lanceolata (= O. quadripartita), Phillyrea angustifolia, Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, seco a sub-húmido. Pinus halepensis, Pistacia lentiscus, Prasium majus, Quercus coccifera, Teucrium fruticans. Distribuição biogeográfica: Litoral desde o cabo Mondego até ao Algarve, podendo também ocorrer no Barrocal Algarvio.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 5210pt2 da Rede NATURA 2000.

B.2. Juniperion turbinatae Rivas-Martínez 1975 corr. 1987 8. Daphno gnidii-Juniperetum navicularis Rivas-Martínez, Lousã, T.E. Díaz, Fernández-González & J.C. Costa 1990 Comunidades de dunas fixas, recentes ou antigas e de areias litorais que sofrem influência de ventos marítimos, onde predominam arbustos do Matagais nano- a micro-fanerofíticos dominados pelo Juniperus navicularis género Juniperus. Representam a etapa madura de séries edafoxerófilas (= J. oxycedrus subsp. transtagana); ou “zimbro-galego”, que correm como psamófilas. vegetação permanente e madura em topos secos de paleodunas profundas, sem água freática e secundariamente em alguns areais indiferenciados Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a semiárido, seco a sub- com pouca capacidade de retenção de água. húmido. Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, sub-húmido. Distribuição biogeográfica: Província Lusitano-Andaluza Litoral e Sector Galaico-Português. Distribuição biogeográfica: Distritos Sadense e Costeiro-Vicentino.

Características no território: Juniperus navicularis. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat prioritário 2250pt2* da

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Rede NATURA 2000.

9. Osyrio quadripartitae-Juniperetum turbinatae (Rivas-Martínez 1975) Rivas- Martínez, Lousã, T.E. Díaz, Fernández-González & J.C. Costa 1990

Sabinais (ou zimbrais) micro-fanerofíticos das dunas litorais estabilizadas (dunas terciárias), constituindo o clímax da sucessão ecológica (ecossistema maduro) nestes biótopos.

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, seco a sub-húmido.

Distribuição biogeográfica: Província Lusitano-Andaluza Litoral.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat prioritário 2250pt1* da Rede NATURA 2000.

B.3. Rubio longifoliae-Coremation albi Rivas-Martínez in Rivas-Martínez, 10. Rubio longifoliae-Corematetum albi Rivas-Martínez in Rivas-Martínez, Costa, Castroviejo & E. Valdés 1980 Costa, Castroviejo & E. Valdés 1980

Comunidades de dunas litorais, dominadas por camarinha (Corema Camarinhais que constituem a orla e etapa de substituição do Osyrio album). quadripartitae-Juniperetum turbinatae.

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico e mesomediterrânico, seco a Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, seco a sub-húmido. sub-húmido. Distribuição biogeográfica: Província Lusitano-Andaluza Litoral. Distribuição biogeográfica: Província Lusitano-Andaluza Litoral e Sector Estatuto de conservação: Embora não tenham correspondência directa Galaico-Português. com nenhum habitat da Rede NATURA 2000, encontram-se intimamente Características no território: Antirrhinum majus subsp. cirrhigerum, Corema associados ao habitat prioritário 2250pt1* da Rede NATURA 2000, dado album. que constituem a sua orla e única etapa de substituição.

B.4. Quercion lusitanicae Rothmaler 1954 em. Rivas-Martínez, Lousã, T.E. 11. Centaureo crocatae-Quercetum lusitanicae Capelo, J.C. Costa & Lousã in Díaz, Fernández-González & J.C. Costa 1990 nom. mut. Capelo, J.C. Costa, Lousã & Mesquita 2002

Comunidades dominadas por carvalhiça (Quercus lusitanica), que se Matagais de carvalhiça. Resultam da degradação dos sobreirais do desenvolvem em solos siliciosos pobres em bases, e representam etapas Lavandulo viridis-Quercetum suberis. regressivas de sobreirais termófilos e ombrófilos. Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, sub-húmido a húmido. Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico Distribuição biogeográfica: Distrito Monchiquense. inferior, sub-húmido a húmido. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 5330pt4 da Rede Distribuição biogeográfica: Província Lusitano-Andaluza Litoral e Sector NATURA 2000. Tangerino.

Características no território: Centaurea africana, Centaurea crocata, Centaurea vicentina, Euphorbia transtagana, Quercus lusitanica, Scorzonera transtagana, Serratula monardii var. monardii, Serratula monardii var. algarbiensis.

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B.5. Ericion arboreae Rivas-Martínez (1975) 1987 12. Cisto popullifolii-Arbutetum unedonis Br.-Bl., P. Silva & Rozeira 1964 nom. inver. Comunidades arbustivas, perenifólias, de folhas lustrosas, principalmente de solos profundos, siliciosos (excepcionalmente, alcalinos). Constituem [bas. Arbuto-Cistetum populifolii Br.-Bl., P. Silva & Rozeira 1964, sin os pré-bosques, orlas ou substituem bosques climácicos ombrófilos. Nas Phillyreo angustifoliae-Arbutetum unedonis Rivas Goday & Galiano in estações xerofíticas podem representar comunidades permanentes de Rivas Goday et al. 1959 rhododendretosum baeticae Rivas-Martínez, séries edafoxerófilas. Lousã, T.E. Díaz, Fernández-González & J.C. Costa 1990]

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico, sub- Medronhal, silicícola, subserial do Lavandulo viridis-Quercetum suberis. húmido, húmido e hiper-húmido. Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico, Distribuição biogeográfica: Região Mediterrânica e Subprovíncia húmido a hiper-húmido. Cantabro-Atlântica. Distribuição biogeográfica: Distrito Monchiquense. Características no território: Arbutus unedo, Erica arborea. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 5330pt3 da Rede NATURA 2000.

B.6. Arbuto unedonis-Laurion nobilis Rivas-Martínez, Fernández-González 13. Vinco difformis-Lauretum nobilis Capelo, J. C. Costa & Rivas-Martínez & Loidi 1999 2002

Comunidades arbustivas e subarbóreas, ricas em elementos lauróides de Loureirais em solos calcários com elevada compensação edáfica. folha larga, de características ombrófilas e atlânticas. Ocorrem em solos Representam a orla e a etapa regressiva mais húmida da comunidade de calcários. Quercus broteroi.

Piso(s) bioclimático(s): Termotemperado a mesotemperado e Piso(s) bioclimático(s): Mesomediterrânico. mesomediterrânico. Distribuição biogeográfica: Sector Divisório Português. Pontualmente no Distribuição biogeográfica: Cordilheira Cantábrica e Subprovíncia Distrito Monchiquense. Divisória Portuguesa-Sadense. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 5230pt1 da Rede Características no território: Myrica faya (dif. al.), Laurus nobilis, Prunus NATURA 2000. lusitanica, Rhododendron ponticum. 14. Bupleuro fruticosi-Arbutetum unedonis Capelo & J.C. Costa in J.C. Costa, C. Lopes, Capelo & Lousã 2000

[sin Phillyreo angustifoliae-Arbutetum unedonis viburnetosum tini sensu auct. lusit. pl. non Pérez-Chiscano 1976, sin Phillyreo angustifoliae Arbutetum unedonis variante de Bupleurum fruticosum sensu Rivas- Martínez et. al. 1990, sin Phillyreo angustifoliae-Arbutetum unedonis variante de Coronilla glauca sensu Rivas-Martínez et. al. 1990]

Medronhais ricos em lianas, co-dominados por Arbutus unedo, Laurus nobilis, Bupleurum fruticosum, Rosa sempervirens e Vinca difformis, indiferentes edáficos (de arenitos cretácicos, basaltos e calcários dolomíticos muito descarbonatados pelas elevadas precipitações estacionais), podendo ocorrer sobre outros substratos oligo-mesotróficos,

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como depósitos argilosos, margas e depósitos mio-pliocénicos.

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico inferior, sub-húmido superior (quase hiperoceânico).

Distribuição biogeográfica: Província Lusitano-Andaluza Litoral.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 5230pt3 da Rede NATURA 2000.

II SALICI PURPUREAE-POPULETEA NIGRAE (Rivas-Martínez & Cantó ex Rivas-Martínez, Báscones, T.E. Díaz, Fernández-González & Loidi) Rivas-Martínez & Cantó 2002

Bosques caducifólios, húmidos, ripícolas, edafo-higrófilos, eurossiberianos e mediterrânicos.

Características no território: Alnus glutinosa, Brachypodium sylvaticum, Equisetum telmateia, Frangula alnus subsp. alnus, Humulus lupulus, Populus nigra, Saponaria officinalis, Vitis vinifera subsp. sylvestris.

A. Populetalia albae Br.-Bl. ex Tchou 1948 A.1. Populion albae Br.-Bl. ex Tchou 1948 1. Ficario ranunculoidis-Fraxinetum angustifoliae Rivas-Martínez & Costa in Rivas-Martínez, Costa, Castroviejo & E. Valdés 1980 Comunidades ribeirinhas, de meso-microfanerófitos que se desenvolvem Bosques mediterrânicos, em solos ricos em nutrientes, que colonizam as em fluvissolos (aluviossolos), húmidos com a toalha freática à superfície. margens de rios de corrente lenta e águas eutróficas. Freixiais silicícolas.

Piso(s) bioclimático(s): Características no território: Arum italicum subsp. italicum, Arum italicum Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico. subsp. neglectum, Bryonia cretica subsp. dioica, Celtis australis, Iris Distribuição biogeográfica: Distribuição biogeográfica: Província Mediterrânica Ibérica Ocidental. foetidissima. Características no território: Aristolochia paucinervis, Carex pendula Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 91B0 da Rede NATURA

Osmunda regalis, Polystichum setiferum, Populus alba, Ranunculus ficaria 2000. subsp. ficaria, Ranunculus ficaria subsp. ficariiformis, Salix atrocinerea, A.1.a. Fraxino angustifoliae-Ulmenion minoris Rivas-Martínez 1975 Ulmus minor, Vinca difformis. Comunidades das zonas mais elevadas das margens dos rios e que raramente são inundadas.

Características no território: Fraxinus angustifolia subsp. angustifolia.

A.2. Osmundo-Alnion (Br.-Bl., P. Silva & Rozeira 1956) Dierschke & Rivas- 2. Campanulo primulifoliae-Alnetum glutinosae Br.-Bl., P. Silva & Rozeira ex Martínez in Rivas-Martínez 1975 J.C. Costa, Capelo & Lousã 2004

Amiais e salgueirais de Salix atrocinerea de rios oligotróficos, em solos Amiais. pobres arenosos e siliciosos. Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico, Distribuição biogeográfica: Região Mediterrânica e Sector Galaico- húmido a hiper-húmido. Português. Distribuição biogeográfica: Distritos Monchiquense e Costeiro Vicentino. Características no território: Campanula primulifolia, Scrophularia Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 91E0pt1 da Rede scorodonia. NATURA 2000.

3. Viti viniferae-Salicetum atrocinereae Rivas-Martínez & Costa in Rivas- Martínez, Costa, Castroviejo & E. Valdés 1980

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[Carici lusitanicae-Salicetum atrocinereae Neto, Capelo, J.C. Costa & M. Lousã 1996]

Salgueirais de borrazeira-negra.

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico.

Distribuição biogeográfica: Sudoeste da Península Ibérica.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 91E0pt3 da Rede NATURA 2000.

III. NERIO-TAMARICETEA Br.-Bl. & O. Bolòs 1958

Vegetação ripícola ou freatófila, formada por microfanerófitos e nanofanerófitos dos géneros Tamarix ou Nerium, acompanhados de algumas gramíneas altas. Colonizam solos higrófilos de linhas de água temporárias, rios temporariamente secos, margens de lagunas e salgados de ombroclima seco, semiárido a árido das regiões Mediterrânica, Saaro-Arábica e Irano-Turaniana, substituindo os bosques da Populetalia albae.

A. Tamaricetalia africanae Br.-Bl. & O. Bolòs 1958 em Izco, Fernández- A.1. Tamaricion africanae Br.-Bl. & O. Bolòs 1958 1. Polygono equisetiformis-Tamaricetum africanae Rivas-Martínez & Costa in González & Molina 1984 Rivas-Martínez, Costa, Castroviejo & E. Valdés 1980 Tamargais de água doce ou sub-halófilos com forte estiagem, próprios de Ordem única. águas ricas em bases, submetidos a períodos de grande aridez e Tamargais de rios e ribeiras que sofrem uma forte estiagem. temperaturas elevadas. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico.

Distribuição biogeográfica: Distribuição biogeográfica: Sudoeste da Península Ibérica.

Características no território: Nerium oleander, Panicum repens, Polygonum Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 92D0pt1 da Rede equisetiforme, Tamarix africana var. africana. NATURA 2000. Quando encontradas num contexto ecológico de depressões dunares húmidas, onde a água doce sofre infiltrações de água salgada, estas comunidades integram o habitat 2190pt3 da Rede NATURA 2000.

IV. RHAMNO-PRUNETEA Rivas Goday & Borja ex Tüxen 1962

Sebes, silvados e formações arbustivas pré-florestais marginais, de folha caduca ou substituintes de bosques geralmente caducifólios, higrófilos da Salici-Populenea nigrae ou mesófilos da Querco-Fagetea em solos ricos em nutrientes. Também podem ser comunidades permanentes em solos pedregosos e peliculares, em arribas, escarpas, ravinas de montanhas e picos nevados, eurossiberianos e mediterrânicos, principalmente em zonas chuvosas ou estações ripícolas.

Características no território: Prunus insititia, Rosa canina, Sambucus nigra, Tamus communis.

A. Prunetalia spinosae Tüxen 1952 A.1. Pruno-Rubion ulmifolii O. Bolòs 1954 1. Lonicero hispanicae-Rubetum ulmifolii Rivas-Martínez, Costa, Castroviejo & Valdés 1980 Sebes e silvados que constituem orlas ou etapas de substituição dos Associações que constituem o sub-bosque ou a primeira etapa de bosques caducifólios, higrófilos ou mesófilos. substituição dos bosques higrófilos ou mesófilos, caducifólios ou Silvados. perenifólios. Prosperam em solos desde ligeiramente ácidos até alcalinos. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico.

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Distribuição biogeográfica: Regiões Mediterrânica e Eurossiberiana. Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a supramediterrânico e a Distribuição biogeográfica: Província Lusitano-Andaluza Litoral e supratemperado inferiores. Subprovíncia Luso-Estremadurense.

Distribuição biogeográfica: Províncias Mediterrânica Ocidental e Estatuto de conservação: Não tem. Cantabro-Atlântica.

Características no território: Lonicera periclymenum subsp. hispanica, Rosa pouzinii, Rosa micrantha, Rubus ulmifolius.

A.1. Rosenion carioti-pouzinii Arnaiz ex Loidi 1989

Silvados e sebes de solos mesófilos e indiferentes à natureza química do solo.

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a supramediterrânico.

Distribuição biogeográfica: Província Mediterrânica Ibérica Ocidental e iberolevantinas

Características no território: Crataegus monogyna subsp. brevispina.

V. CYTISETEA SCOPARIO-STRIATI Rivas-Martínez 1974

Comunidades dominadas por arbustos da família das Leguminosas da tribo das Genisteae. Geralmente constituem as orlas naturais ou a primeira etapa de substituição de diversos bosques climácicos mesotróficos a oligotróficos, que crescem em solos siliciosos profundos com húmus de tipo mull e sem hidromorfia temporal. Tem óptimo na Península Ibérica encontrando-se nas Províncias Mediterrânica Ibérica Ocidental, Lusitano-Andaluza Litoral, Subprovíncia Cantabro-Atlântica e Subsector Pirenaico Ocidental, em bioclima termomediterrânico a supramediterrânico e termotemperado a supratemperado, árido a hiper-húmido.

Características no território: Pteridium aquilinum var. aquilinum.

A. Cytisetalia scopario-striati Rivas-Martínez 1974 A.1. Retamion monospermae Rivas-Martínez & Cantó 2002 1. Cytisetum cabezudoi J.C. Costa, Lousã, Capelo & Ladero in J.C. Costa, Aguiar, Capelo, Lousã, Castro Antunes, Honrado, Izco & Ladero 2004 Giestais silicícolas. Piornais (Retama spp.) e giestais (Cytisus spp.) em solos arenosos. Giestal psamofílico, dominado por Cytisus grandiflorus subsp. cabezudoi, Piso(s) bioclimático(s): atlânticas, subatlânticas e mediterrânicas. Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, seco a sub-húmido. subserial do Oleo sylvestris-Quercetum suberis. Distribuição biogeográfica: Península Ibérica. Distribuição biogeográfica: lusitano-andaluzes litorais Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, seco. Características no território: Cytisus grandiflorus subsp. cabezudoi, Retama Distribuição biogeográfica: Distritos Algarvio, Costeiro Vicentino, monosperma. Sadense e Ribatagano.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 5330pt2 da Rede NATURA 2000.

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VI. CALLUNO-ULICETEA Br.-Bl. & Tüxen ex Klika & Hadac 1944

Urzais e tojais da Província Mediterrânica Ibérica Ocidental e Tingitanos, ombrófilos, acidófilos e humícolas. Prosperam em solos pobres, siliciosos, cambissolos districos erodidos ou podzóis férricos com húmus muito ácido e ocasionalmente propriedades gleicas. Representam uma etapa avançada da degradação dos bosques, com distribuição Atlântica, Subatlântica, Ceveana-Pirenaica e Mediterrânica Ocidental, em bioclima termotemperado a supratemperado e termomediterrânico a supramediterrânico, sub-húmido a hiper-húmido, oceânico e hiperoceânico.

Características no território: Agrostis curtisii, Allium ericetorum, Avenula lodunensis subsp. lodunensis (=Avenula sulcata subsp. sulcata), Calluna vulgaris, Erica scoparia, Simethis mattiazzi, Tuberaria lignosa, Ulex minor.

A. Ulicetalia minoris Quantin 1935 A.1. Ericion umbellatae Br.-Bl., P. Silva, Rozeira & Fontes 1952 em. Rivas- 1. Cisto-Ulicetum minoris Br.-Bl., P. Silva & Rozeira 1964 Martínez 1979 Ordem única. Tojal baixo dominado por Ulex minor, subserial dos carvalhais de Tojais e urzais. Euphorbio monchiquensis-Quercetum canariensis e sobrais do Lavandulo Piso(s) bioclimático(s): viridis-Quercetum suberis. Piso(s) bioclimático(s): Mediterrânico, sub-húmido a hiper-húmido. Distribuição biogeográfica: Piso(s) bioclimático(s): Mesomediterrânico, hiper-húmido. Distribuição biogeográfica: Centro e oeste da Península Ibérica,

Distribuição biogeográfica: Distrito Monchiquense. Características no território: Cistus psilosepalus, Erica australis subsp. australis, Erica umbellata, Genista triacanthos, Halimium ocymoides, Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 4030pt3 da Rede Lavandula viridis, Polygala microphylla. NATURA 2000.

2. Erico umbellatae-Ulicetum welwitschiani Capelo, J.C. Costa, Neto & Lousã in J.C. Costa, Capelo, Neto, Espírito Santo & Lousã 1997 A.1.a. Ericenion umbellatae Rivas-Martínez 1979 Tojal de Ulex australis subsp. welwitschianus em solos arenosos ou Urzais, frequentemente de baixo porte. derivados de arenitos, subserial do Asparago aphylli-Quercetum suberis ou Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico do Oleo sylvestris-Quercetum suberis. (submediterrânico) sub-húmido a hiper-húmido, euoceânico e semi- Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, sub-húmido a seco. hiperoceânico. Distribuição biogeográfica: Sector Ribatagano-Sadense e Distrito Costeiro Distribuição biogeográfica: Subprovíncia Divisória Portuguesa-Sadense, e Vicentino. Distritos Beirense litoral e Miniense. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat prioritário 2150pt1* da Características no território: Pterospartum tridentatum subsp. tridentatum, Rede NATURA 2000. Stauracanthus spectabilis subsp. vicentinus, Thymelaea villosa, Thymus lusitanicus, Thymus villosus, Ulex australis subsp. welwitschianus. 3. Genisto triacanthi-Stauracanthetum vicentini Rivas-Martínez, Lousã, T.E. Díaz, Fernández-González & J.C. Costa 1990

Associação de Stauracanthus spectabilis subsp. vicentinus, em solos arenosos ou limosos, bem como em podzóis decapitados (com ortstein), subserial do Oleo sylvestris-Quercetum suberis.

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, sub-húmido.

Distribuição biogeográfica: Distrito Costeiro Vicentino.

Estatuto de conservação: Não tem (só se for o 4030pt5, mas não me parece)

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A.2. Stauracanthion boivinii (Rivas-Martínez 1979) Rivas-Martínez, 4. Genisto triacanthi-Cistetum palhinhae Rivas-Martínez, Lousã, T.E. Díaz, Fernández-González & Loidi 1999 Fernández-González & J.C. Costa 1990

Urzais e urzais/estevais ombrófilos, sobre ortstein, com nascentes Associação formada por Cistus palhinhae, em litossolos paleopodzólicos, estacionais. ferruginosos e hidromórficos (com ortstein). Comunidade permanente ou subserial do Querco cocciferae-Juniperetum turbinatae. Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico, sub- húmido a hiper-húmido, mas podendo ser assinalados localmente em Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, seco. áreas de ombroclima seco. Distribuição biogeográfica: Distritos Costeiro-Vicentino e Promontório Distribuição biogeográfica: Distritos Monchiquense e Algarvio, Sectores Vicentino. Gaditano-Onubense Litoral, Algíbico e Tangerino. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat prioritário 5140pt1* da Características no território: Avenula sulcata subsp. albinervis, Rede NATURA 2000. Drosophyllum lusitanicum, Halimium lasianthum, Pedicularis sylvatica subsp. 5. Querco lusitanicae-Stauracanthetum boivinii Rothmaler 1954 corr. Rivas- lusitanica, Stauracanthus boivinii. Martínez, Lousã, T.E. Díaz, Fernández-González & J.C. Costa 1990

Associação dominada por Stauracanthus boivinii, que prospera em solos decapitados de xistos e granitos, sendo subserial de Lavandulo viridis- Quercetum suberis.

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, sub-húmido a hiper- húmido.

Distribuição biogeográfica: Distrito Monchiquense.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 4030pt5 da Rede NATURA 2000.

A.3. Genistion micrantho-anglicae Rivas-Martínez 1979 6. Cirsio welwitschii-Ericetum ciliaris Neto, Capelo, J.C. Costa & Espírito Santo in Neto, Capelo, J.C. Costa & Lousã 1996 Urzais higrofílicos que vivem sobre solos com gley, com matéria orgânica de tipo mor. Urzal-tojal palustre, dominado por Erica ciliaris e Ulex minor var. lusitanicus. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico. Distribuição biogeográfica: Províncias Lusitano-Andaluza Litoral, Mediterrânica Ibérica Ocidental, Subprovíncia Cantabro-Atlântica e Distribuição biogeográfica: Distrito Sadense, atingindo pontualmente territórios tingitanos. locais paludosos dentro do Sector Divisório Português.

Características no território: Cirsium welwitschii, Erica lusitanica, Genista Estatuto de conservação: Estas comunidades integram o mosaico de ancistrocarpa. comunidades a que corresponde ao habitat 4020pt2 da Rede NATURA 2000.

7. Cisto psilosepali-Ericetum lusitanici Ladero ex Rivas-Martínez 1979

Urzais de Erica lusitanica, que se assinalam em margens de linhas de água com pseudogley.

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Piso(s) bioclimático(s):

Distribuição biogeográfica: Subprovíncia Luso-Estremadurense.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 4020pt2 da Rede NATURA 2000.

VII. CISTO-LAVANDULETEA Br.-Bl. in Br.-Bl., Molinier & Wagner 1940

Estevais mediterrânicos em que predominam nanofanerófitos e caméfitos xerofíticos e silicícolas especialmente do géneros Cistus, Halimium e Lavandula. Tem o seu óptimo em solos siliciosos, erodidos ou imaturos da Sub- Região Mediterrânica Ocidental e em bioclima termomediterrânico a supramediterrânico, sub-húmido a semiárido. Constitui uma etapa avançada de degradação dos bosques e pré-bosques mesotróficos a oligotróficos pouco exigentes em precipitação.

Características no território: Cistus salviifolius, Cytinus hypocistis subsp. macranthus, Lavandula luisieri, Orchis mascula subsp. olbiensis, Orchis morio subsp. champagneuxii, Orchis morio subsp. picta.

A. Lavanduletalia stoechadis Br.-Bl. 1940 em. Rivas-Martínez 1968 A.1. Ulici argentei-Cistion ladaniferi Br.-Bl., P. Silva & Rozeira 1964 1. Cisto ladaniferi-Ulicetum argentei Br.-Bl., P. Silva & Rozeira 1964

Matos e estevais mediterrânicos de solos siliciosos coesivos, com Tojais-estevais de solos siliciosos. Tojais-estevais de Ulex argenteus subsp. argenteus e Cistus ladanifer, textura areno-cascalhenta ou limosa e relativamente rica em silicícolas, subseriais dos sobrais Lavandulo viridis-Quercetum suberis. Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico, seco a sub-húmido nutrientes. inferior. Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, seco a sub-húmido. Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: Província Mediterrânica Ibérica Ocidental. Distribuição biogeográfica: Distrito Monchiquense. Distribuição biogeográfica: Sub-Região Mediterrânica Ocidental. Características no território: Astragalus lusitanicus, Genista hirsuta subsp. hirsuta, Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 4030pt5 da Rede Características no território: Cistus crispus, Cistus ladanifer, Cistus Lithodora lusitanica, Ulex argenteus. NATURA 2000. monspeliensis, Cistus populifolius, Cytinus hypocistis subsp. hypocistis.

Ulici argentei-Cistenion ladaniferi

Subaliança típica.

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico, seco a sub-húmido inferior.

Distribuição biogeográfica: Província Mediterrânica Ibérica Ocidental.

Lavandulo luisieri-Cistenion albidae J.C. Costa, Pinto-Gomes, Lopes, Neto, Monteiro- 2. Thymetum congesti Henriques, Arsénio, V. Silva, Lousã & Rivas-Martínez Comunidade em dunas consolidadas dominadas por Thymus Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico, seco a hiper- camphoratus subsp. congestus, de difícil de posição sintaxonómica, húmido. contudo foi proposta a sua filiação na Coremation albi devido à presença de Halimium calycinum. Distribuição biogeográfica: Província Lusitano-Andaluza Litoral e Subprovíncia Luso- Estremadurense. Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, seco a sub-húmido inferior. Características no território: Cistus albidus (diff. subal: Ulex airensis, Thymus camphoratus

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ssp. congestus e Cistus × pulverulentus (Cistus crispus × C. albidus)). Distribuição biogeográfica: Distrito Costeiro Vicentino.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 2260 da Rede NATURA 2000.

B. Stauracantho genistoidis-Halimietalia commutati Rivas- B.1. Coremation albi Rothmaler 1943 3. Thymo capitellati-Stauracanthetum genistoidis (Rothmaler 1954) Martínez, Lousã, T.E. Díaz, Fernández-González & J.C. Costa 1990 Rivas-Martínez, T.E. Díaz & F. Fernández-González 1990 Aliança única. Matos psamofílicos perenifólios, que se desenvolvem em solos Comunidade psamófílica de Stauracanthus genistoides, Thymus Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico. arenosos pobres em nutrientes (charneca seca), em dunas antigas. capitellatus, Armeria rouyana, Armeria pinifolia, Ulex welwitschianus, Representam etapas de degradação do Oleo sylvestris-Quercetum Distribuição biogeográfica: Província Lusitano-Andaluza Litoral. Halimium halimifolium, Lavandula lusitanica, Halimium calycinum, suberis ou das comunidades da Juniperion turbinatae. subserial do Oleo sylvestris-Quercetum suberis. Características no território: Armeria pinifolia, Armeria rouyana, Cistus libanotis (=C. Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, raramente bourgaeanus), Dianthus broteri subsp. hinoxianus, Halimium calycinum, Halimium Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, sub-húmido. mesomediterrânico inferior. halimifolium, Helichrysum picardii var. virescens, Iberis welwitschii, Lavandula sampaioana Distribuição biogeográfica: Sector Ribatagano-Sadense. subsp. lusitanica, Stauracanthus genistoides, Stauracanthus spectabilis subsp. spectabilis, Distribuição biogeográfica: Ocorrem maioritariamente na Thymus camphoratus, Thymus capitellatus, Ulex australis subsp. australis (dif. al.). Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 2260 da Rede Província Lusitano-Andaluza Litoral. NATURA 2000.

4. Thymo camphorati-Stauracanthetum spectabilis (Rothmaler 1954)

Rivas-Martínez, T.E. Díaz & F. Fernández-González 1990

Comunidade psamófílica de Stauracanthus spectabilis, Thymus camphoratus, Corema album, Ulex welwitschianus, Halimium halimifolium, Lavandula lusitanica, subserial do Oleo sylvestris- Quercetum suberis e Osyrio quadripartitae-Juniperetum turbinatae.

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico inferior, seco a sub- húmido.

Distribuição biogeográfica: Distrito Costeiro Vicentino.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 2260 da Rede NATURA 2000.

VIII. MOLINIO-ARRHENATHERETEA Tüxen 1937

Vegetação de prados densos e juncais que crescem em solos profundos, húmidos e raramente submersos. É constituída por espécies vivazes que na sua maioria são hemicriptófitos e que em certas ocasiões podem ser exploradas pelo homem. Normalmente representam uma etapa de substituição antrópica dos bosques ripícolas caducifólios da Salici-Populenea nigrae. As comunidades desta classe distribuem-se pela região Eurossiberiana, mas conseguem alcançar a região Mediterrânica, ainda que de uma forma empobrecida.

Características no território: Carex distans, Carex flacca, Holcus lanatus, Lotus corniculatus subsp. corniculatus, Oenanthe lachenalii, Plantago lanceolata, Prunella vulgaris, Schoenus nigricans, Senecio jacobea, Trifolium resupinatum, Trifolium pratense.

A. Molinietalia caeruleae Koch 1926 A.1. Juncion acutiflori Br.-Bl. in Br.-Bl. & Tüxen 1952 1. Cirsio palustris-Juncetum rugosi Neto, Capelo, J.C. Costa & Lousã 1996

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Prados temperados, higrófilos, de solos húmidos com gley. Prados/juncais, instalados em solos oligotróficos e pouco Juncais de turfeiras degradadas ou semi-secas em condições de oligotrofia e anoxia explorados. intensa. Subserial do Viti viniferae-Salicetum atrocinereae. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): termotemperado a supratemperados e Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico. Distribuição biogeográfica: de óptimo eurossiberiano, mas que podem mediterrânicos oceânicos ocorrer, também, no ocidente da região Mediterrânica. Distribuição biogeográfica: Distrito Sadense, atingindo o Costeiro Português. Distribuição biogeográfica: de distribuição atlântica e Província Características no território: Cirsium palustre, Equisetum palustre, Juncus Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 6410pt3 da Rede NATURA 2000. Mediterrânica Ibérica Ocidental. acutiflorus subsp. acutiflorus, Juncus articulatus, Juncus effusus, Lobelia urens, 2. Juncetum rugoso-effusi Rivas-Martínez & Costa in Rivas-Martínez, Costa, Lotus pedunculatus, Ranunculus flammula. Características no território: Carum verticillatum, Hypericum Castroviejo & E. Valdés 1980 undulatum, Juncus acutiflorus subsp. rugosus, Scutellaria minor,

Serapias cordigera, Silene laeta. Juncais de Juncus effusus e Juncus acutiflorus subsp. rugosus, em solos arenosos, hidromórficos, com gley, estagnação permanente de água freática e pobre em nutrientes.

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico.

Distribuição biogeográfica: Província Lusitano-Andaluza Litoral.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 6410pt3 da Rede NATURA 2000.

B. Holoschoenetalia vulgaris Br.-Bl. ex Tchou 1948 B.1. Molinio-Holoschoenion vulgaris Br.-Bl. ex Tchou 1948 3. Galio palustris-Juncetum maritimi Rivas-Martínez & Costa in Rivas-Martínez, Costa, Castroviejo & E. Valdés 1980 Prados junceiformes, tipicamente mediterrânicos, que crescem em solos Prados e juncais de hemicriptófitos, sobre solos húmidos, húmidos e profundos. permeáveis, que mantêm o nível freático muito próximo da Juncal de Juncus maritimus, que se desenvolve em solos arenosos temporariamente superfície. encharcados por água doce. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): termomediterrânico a Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico. Distribuição biogeográfica: supramediterrânicos, Distribuição biogeográfica: Província Lusitano-Andaluza Litoral. Características no território: Blackstonia perfoliata, Cyperus eragrostis, Distribuição biogeográfica: Festuca arundinacea subsp. mediterranica, Hypericum pubescens, Melilotus Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 6420 da Rede NATURA 2000. indicus, Oenanthe pimpinelloides, Scirpoides holoschoenus, Trifolium Características no território: Cochlearia glastifolia, Dorycnium 4. Holoschoeno-Juncetum acuti Rivas-Martínez & Costa in Rivas-Martínez, Costa, lappaceum. rectum, Erica erigena, Euphorbia hirsuta, Hypericum tomentosum, Castroviejo & E. Valdés 1980 Linum tenue, Lysimachia ephemerum, Molinia caerulea subsp. arundinacea, Ranunculus bulbosus subsp. aleae, Sonchus aquatilis. Juncal de Juncus acutus e Scirpoides holoschoenus, a desenvolver-se em solos arenosos mesotróficos a oligotróficos, cujo lençol freático, no Inverno, está a poucos

centímetros da superfície (solo com pseudogley). B.1.a. Brizo-Holoschoenenion (Rivas Goday 1964) Rivas-Martínez in Piso(s) bioclimático(s): termomediterrânico. Rivas-Martínez, Costa, Castroviejo & E. Valdés 1980 Distribuição biogeográfica: Província Lusitano-Andaluza Litoral. Comunidades características de solos pobres, oligotróficos a mesotróficos. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 6420 da Rede NATURA 2000.

Diferenciais no território: Scirpoides holoschoenus, Serapias vomeracea.

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C. Crypsio-Paspaletalia distichi Br.-Bl. in Br.-Bl., Roussine & Nègre 1952 C.1. Paspalo-Polypogonion viridis Br.-Bl. in Br.-Bl., Roussine & 5. Ranunculo scelerati-Paspaletum paspalodis Rivas Goday 1964 corr. Peinado, nom. mut. Nègre 1952 nom. mut. Bartolomé, Martínez-Parras & Ollala 1988

[Paspalo-Heleochloetalia Br.-Bl. in Br.-Bl., Roussine & Nègre 1952] [Paspalo-Agrostion verticillati Br.-Bl. in Br.-Bl., Roussine & Arrelvado de Paspalum paspalodes que cobrem depósitos limosos, arenosos e por Nègre 1952] vezes cascalhentos, que ficam inundados pelas águas dos rios mediterrânicos. Prados ricos em gramíneas vivazes, rizomatosas, alóctones, neotropicais, temporariamente inundados ou submersos, nas margens de rios, em solos Arrelvados dominados por gramíneas reptantes, que ocorrem em Piso(s) bioclimático(s): com azoto mineralizado. solos muito húmidos, temporariamente encharcados, Distribuição biogeográfica: eutrofizados e nitrofilizados. Piso(s) bioclimático(s): termomediterrânico a mesomediterrânico e Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 3290 da Rede NATURA 2000. Esta termotemperada a mesotemperada Piso(s) bioclimático(s): comunidade pode coincidir espacialmente com o habitat 1130pt1 da Rede NATURA Distribuição biogeográfica: Apresentam distribuição, Cantabro-Atlântica Distribuição biogeográfica: de óptimo mediterrânico, 2000 (Estuários mediterrânicos), embora não contribua para esse facto – é, aliás, e Província Lusitano-Andaluza Litoral. considerada uma comunidade dominada por plantas alóctones pouco agressivas e Características no território: Lythrum junceum, Paspalum “embora se estruturem em comunidades estáveis admite-se que têm um impacte pouco dilatatum, Paspalum distichum (=P. paspalodes), Polypogon viridis. significativo nas comunidades vegetais vasculares indígenas” (ALFA 2006, p. 304).

D. Plantaginetalia majoris Tüxen & Preising in Tüxen 1950 D.2. Trifolio fragiferi-Cynodontion Br.-Bl. & O. Bolòs 1958 7. Trifolio resupinati-Caricetum chaetophyllae Rivas-Martínez & Costa in Rivas- Martínez, Costa, Castroviejo & E. Valdés 1980 Prados e arrelvados vivazes, pastoreados, pisoteados, de humidade Arrelvados de cobertura elevada, em solos profundos, elevada, muitas vezes temporariamente inundados, em solos enriquecidos compactados pelo pisoteio ou pastoreio, suportando a secura Prados densos formados por Carex divisa, Trifolium resupinatum, Cynodon dactylon, em azoto orgânico e mineral. estival. Agrostis stolonifera entre outras, que se desenvolvem solos arenosos húmidos, algo nitrofilizados. Resultam do pastoreio do Holoschoeno-Juncetum acuti, Galio palustris- Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): , termomediterrânico a Juncetum maritimi e Juncetum rugoso-effusi. supramediterrânicos Distribuição biogeográfica: Apresentam distribuição mediterrânica e Piso(s) bioclimático(s): temperada. Distribuição biogeográfica: Distribuição biogeográfica: Províncias Lusitano-Andaluza Litoral e Mediterrânica Características no território: Agrostis stolonifera, Festuca arundinacea subsp. Características no território: Carex divisa subsp. divisa, Cynodon Ibérica Ocidental. arundinacea, Hypochoeris radicata subsp. radicata, Lolium perenne, Plantago dactylon, Lactuca saligna, Medicago arabica, Trifolium fragiferum. major subsp. major, Potentilla reptans, Ranunculus repens, Rumex Estatuto de conservação: Não tem. Forma com frequência mosaicos com juncais conglomeratus, Rumex crispus, Teucrium scordium subsp. scordioides, Verbena mediterrânicos não halófilos e não nitrófilos da aliança Molinio-Holoschoenion officinalis. vulgaris, os quais correspondem ao habitat 6420 da Rede NATURA 2000.

D.3. Mentho-Juncion inflexi De Foucault 1984 8. Mentho suaveolentis-Juncetum inflexi Rivas-Martínez in Sánchez-Mata 1989

Prados e juncais, em solos hidromórficos, frequentemente Juncal de Juncus inflexus com Mentha suaveolens que ocorre em lugares encharcados e fortemente nitrificados. permanentemente encharcados e fortemente nitrificados, como sejam ao redor de fontes, margens de charcos e ribeiras frequentadas pelo gado. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: Distribuição biogeográfica: Características no território: Cyperus longus subsp. badius, Epilobium tetragonum subsp. tetragonum, Juncus inflexus, Mentha Estatuto de conservação: Não tem. longifolia, Mentha suaveolens.

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IX. STIPO GIGANTEAE-AGROSTIETEA CASTELLANAE Rivas-Martínez, Fernández-González & Loidi 1999

Arrelvados vivazes, silicícolas, ricos em endemismos, subseriais dos bosques da Quercion broteroi e da Quercion pyrenaicae, mesomediterrânicos e supramediterrânicos, secos a húmidos e submediterrânicos, de distribuição mediterrânica ocidental e madeirense.

Características no território: Agrostis castellana, Dactylis glomerata subsp. lusitanica, Gaudinia fragilis var. fragilis, Sanguisorba verrucosa.

A. Agrostietalia castellanae Rivas-Martínez in Rivas-Martínez, Costa, A.1. Agrostio castellanae-Stipion giganteae Rivas Goday ex Rivas-Martínez & 1. Euphorbio trastaganae-Celticetum giganteae P. Gomes, P. Ferreira, Mendes Castroviejo & Valdés-Bermejo 1980 Fernández-González 1991 & Cano in P. Gomes, P. Ferreira & Meireles 2007

Pastos e arrelvados vivazes, ricos em terófitos, em solos profundos, pobres Comunidades dominadas por gramíneas vivazes do género Stipa, em Arrelvado vivaz de Stipa gigantea, em solos arenosos profundos, subserial em bases, de zonas chuvosas. cambissolos profundos. do Oleo sylvestris-Quercetum suberis.

Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): mesomediterrânico a supramediterrânico, seco a Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, seco a sub-húmido. sub-húmido, Distribuição biogeográfica: Província Mediterrânica Ibérica Ocidental e Distribuição biogeográfica: Distritos Sadense e Costeiro Vicentino. orocantabrica, atingindo localmente o norte de África Distribuição biogeográfica: Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat prioritário 6220pt4* da Características no território: Carex divisa var. chaetophylla, Linum bienne, Características no território: Arrhenatherum baeticum, Avenula hackelii Rede NATURA 2000. Ranunculus gramineus, Rumex angiocarpus, Serapias lingua, Serapias subsp. hackelii, Avenula hackelii subsp. stenophylla, Margotia gummifera, parviflora, Thapsia villosa. Euphorbia oxyphylla, Stipa gigantea (=Celtica gigantea).

X. LYGEO-STIPETEA Rivas-Martínez 1978 nom. conserv.

Vegetação mediterrânica, herbácea, densa, constituída por gramíneas vivazes, de folhas rijas, com porte elevado e profundamente enraizadas. Apresentam carácter xerofílico e colonizam solos ricos em bases, sem hidromorfia e salinidade. Ecologicamente representam uma das primeiras etapas subseriais dos microbosques e matagais xerofílicos e esclerofilos da Quercetea ilicis.

Características no território: Allium pallens, Allium sphaerocephalon, Arrhenatherum album, Bituminaria bituminosa (=Psoralea bituminosa), Brachypodium retusum, Convolvulus althaeoides, Dactylis hispanica, Dipcadi serotinum, Gladiolus italicus, Phagnalon saxatile subsp. saxatile.

A. Hyparrhenietalia hirtae Rivas-Martínez 1978 A.1. Hyparrhenion sinaicae Br.-Bl., P. Silva & Rozeira 1956 corr. J.C. Costa, 1. Dauco criniti-Hyparrhenietum sinaicae Rivas-Martínez in Rivas-Martínez, Capelo, Espírito Santo & Lousã 2002 Fernández-González & Sánchez-Mata 1986 corr. Díez Garretas & Asensi Arrelvados ricos em gramíneas vivazes e altas, seminitrófilos, 1999 principalmente em solos ricos, situados em escarpas rochosas ou argilosas Aliança única no território. e em campos de cultura abandonados em que haja alguma nitrificação. Associação de encostas de rochas siliciosas, dominada por Hyparrhenia Piso(s) bioclimático(s): sinaica e Daucus crinitus. Piso(s) bioclimático(s): inframediterrânicos a mesomediterrânicos, Distribuição biogeográfica: semiáridos a sub-húmidos. Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico, seco. Características no território: Allium subvillosum, Andryala integrifolia var. Distribuição biogeográfica: Distribuição biogeográfica: Subprovíncia Luso-Estremadurense. integrifolia, Andryala laxiflora, Daucus crinitus, Hyparrhenia sinaica, Lathyrus clymenum. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat prioritário 6220pt3* da Rede NATURA 2000.

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XII. KOELERIO-CORYNEPHORETEA Klika in Klika & Novák 1941

Arrelvados vivazes, pioneiros, abertos, com secura estival, mesotemperados a supratemperados e termomediterrânico a supramediterrânicos, ricos em terófitos efémeros, desenvolvendo-se em solos arenosos incipientes, pobres em nutrientes e com distribuição eurossiberiana e mediterrânica ocidental em territórios oceânicos e subcontinentais pluviestacionais.

A. Corynephoretalia canescentis Klika 1934 A.1. Corynephorion canescentis Klika 1931 1. Herniario maritimae-Corynephoretum maritimi P. Gomes, P. Ferreira, Cano & S. Mendes 2006 Ordem única. Comunidades mediterrânicas, de dunas litorais e areias sublitorais. Arrelvado de Corynephorus maritimus com Herniaria maritima, em dunas. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, seco. Distribuição biogeográfica: Distribuição biogeográfica: Distribuição biogeográfica: Distritos Olissiponense, Sadense e Costeiro Características no território: Corynephorus canescens var. maritimus. Características no território: Anagallis monelli var. linifolia, Herniaria Vicentino. maritima, Herniaria scabrida var. unamunoana, Sesamoides spathulifolia. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 2330 da Rede NATURA 2000.

XIII. TUBERARIETEA GUTTATAE (Br.-Bl. in Br.-Bl., Roussine & Nègre 1952) Rivas Goday & Rivas-Martínez 1963 em. Rivas-Martínez 1978 nom. mut.

Vegetação de terófitos primaveris e do princípio do Verão, pioneiros efémeros, de pequeno tamanho e de carácter xerofílico, indiferente à composição química do substrato, que ocupa biótopos não nitrificados e sem hidromorfia, nos quais a competição é pequena para as plantas vivazes. Estes meios costumam ser pobres em matéria orgânica não humificada. De distribuição mediterrânica em bioclima termomediterrânico a oromediterrânico inferior xérico e pluviestacional, consegue atingir os territórios eurossiberianos e termotemperado a supratemperados submediterrânicos ou estépicos.

Características no território: Arenaria conimbricensis, Arenaria leptoclados, Asterolinon linum-stellatum, Brachypodium distachyon, Evax ramosissima, Leontodon taraxacoides subsp. longirostris, Medicago littoralis, Medicago minima, Mibora minima, Petrorhagia nanteuilii, Scorpiurus muricatus, Silene colorata, Silene conica, Trifolium campestre, Trifolium stellatum, Vicia disperma.

A. Tuberarietalia guttati Br.-Bl. in Br.-Bl., Molinier & Wagner 1940 em. A.1. Tuberarion guttatae Br.-Bl. in Br.-Bl., Molinier & Wagner 1940 nom. 1. Trifolio cherleri-Plantaginetum bellardii Rivas Goday 1958 Rivas-Martínez 1978 num. mut. mut. Associação terofítica fugaz, de fenologia primaveril, em solos silícios Comunidades terofíticas, siliciosas e pioneiras que se desenvolvem em Associações silicícolas, em solos areno-limosos, de desenvolvimento oligotróficos ou em litossolos, onde participam Plantago bellardii, solos oligotróficos geralmente pouco profundos e às vezes pouco ácidos, primaveril, tornando-se secas no Verão. Trifolium cherleri, Tuberaria guttata, Ornithopus pinnatus, Ornithopus de textura superficial pedregosa, arenosa, ou limosa, com alguma compressus, Ornithopus perpusillus, Aira caryophyllea, Tolpis barbata, Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a supramediterrânico consolidação. Coronilla dura, Teesdalia coronopifolia, subserial de Asparago aphylli-Querco inferior. suberis S. Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: e distribuição mediterrânica Piso(s) bioclimático(s): Mesomediterrânico, sub-húmido. Distribuição biogeográfica: Características no território: Airopsis tenella, Coronilla dura, Galium Distribuição biogeográfica: Subprovíncia Luso-Estremadurense. Características no território: Aira caryophyllea subsp. caryophyllea, Aira divaricatum, Hypochoeris glabra, Jasione montana subsp. montana, Lathyrus cupaniana, Andryala integrifolia var. corymbosa, Anthoxanthum aristatum, angulatus, Linum trigynum, Molineriella minuta subsp. australis, Molineriella Estatuto de conservação: Não tem. Aphanes australis (=A. microcarpa), Briza maxima, Briza minor, Campanula minuta subsp. minuta, Ononis cintrana, Ornithopus pinnatus, Paronychia lusitanica subsp. lusitanica, Filago lutescens, Hymenocarpos lotoides cymosa, Paronychia echinulata, Plantago bellardii, Pterocephalus diandrus, (=Anthyllis lotoides), Jasione montana subsp. gracilis, Lathyrus sphaericus, Teesdalia coronopifolia, Vulpia muralis. Linaria spartea, Logfia gallica, Logfia minima, Lotus conimbricensis,

Micropyrum tenellum, Moenchia erecta, Molineriella laevis, Ornithopus

299 compressus, Ornithopus perpusillus, Psilurus incurvus, Rumex bucephalophorus A.1.a. Tuberarienion guttatae num. mut. subsp. bucephalophorus, Rumex bucephalophorus subsp. gallicus, Silene portensis, Silene psammitis subsp. psammitis, Silene scabriflora subsp. Comunidades em solos areno-limosos. scabriflora, Teesdalia nudicaulis, Tolpis barbata, Trifolium arvense, Trifolium striatum, Trifolium strictum, Tuberaria guttata, Vulpia bromoides, Vulpia myuros.

B. Malcolmietalia Rivas Goday 1958 B.1. Hymenocarpo hamosi-Malcolmion trilobae Rivas Goday 1958 em. Rivas- 2. Corynephoro macrantheri-Arenarietum algarbiensis P. Silva & Teles ex Martínez 1978 nom. mut. Rivas-Martínez & Izco 2002 Comunidades terofíticas, psamófilas e pioneiras, de floração primaveril, que se desenvolvem em solos arenosos profundos não consolidados. [Anthyllido hamosae-Malcolmion lacerae Rivas Goday 1958 em. Rivas- Associação psamófila, caracterizada por Corynephorus macrantherus, Martínez 1978] Loeflingia baetica var. micrantha, Rumex bucephalophorus subsp. hispanicus, Piso(s) bioclimático(s): Malcolmia lacera subsp. gracillima, Coronilla repanda subsp. repanda, Comunidades psamófilas costeiras, sem influência da salsugem. Distribuição biogeográfica: subserial de Oleo sylvestris-Quercetum suberis. Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico, Características no território: Agrostis tenerrima, Coronilla repanda, Erodium Piso(s) bioclimático(s): termomediterrânico, seco a sub-húmido. euoceânico. bipinnatum, Evax lusitanica, Hymenocarpos hamosus, (=Anthyllis hamosa), Distribuição biogeográfica: Sector Ribatagano-Sadense. Leucojum trichophyllum, Lotus castellanus, Lotus hispidus, Malcolmia Distribuição biogeográfica: Lusitano-Andaluza litorais ramosissima, Ononis diffusa, Ornithopus isthmocarpus, Ornithopus sativus, Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 2230pt2 da Rede Características no território: Arenaria algarbiensis, Corynephorus Pimpinella villosa, Romulea ramiflora subsp. gaditana, Rumex NATURA 2000. fasciculatus, Corynephorus macrantherus, Linaria algarviana, Loeflingia bucephalophorus subsp. hispanicus, Vulpia membranacea. baetica var. baetica, Loeflingia baetica var. micrantha, Loeflingia baetica var. tavaresiana, Lotus arenarius, Malcolmia triloba subsp. gracillima, Malcolmia triloba subsp. triloba (=Malcolmia lacera subsp. lacera), Ononis baetica, Ononis broteriana, Ononis dentata, Ononis hackelii, Scilla odorata.

C. Cutandietalia maritimae Rivas-Martínez, Díez Garretas & Asensi 2002 C.1. Linarion pedunculatae Díez Garretas, Asensi & Esteve in Díez Garretas 3. Herniario algarvicae-Linarietum ficalhoanae Díez Garretas 1984 1984 Comunidades das dunas costeiras, submetidas à influência da salsugem. Associação psamófila dunar, caracterizada pelos endemismos Linaria Associações de dunas litorais semifixas. ficalhoanae, Herniaria algarvica. Nas dunas consolidadas do território Piso(s) bioclimático(s): observa-se a subassociação chaenorhinetosum lusitanicae J.C. Costa, Espírito Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: Mediterrânica e Cantabro-Atlântica. Santo & Lousã 1994. Distribuição biogeográfica: Lusitano-Andaluza litorais, Miniense, Características no território: Cutandia maritima, Polycarpon alsinifolium, Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, seco. murciano-almerienses e tingitanas. Pseudorlaya pumila, Silene nicaeensis. Distribuição biogeográfica: Distritos Costeiro Vicentino, Promontório Características no território: Chaenorhinum serpyllifolium subsp. Vicentino e Sadense. lusitanicum, Hedypnois arenaria, Herniaria algarvica, Linaria ficalhoana, Ononis cossoniana, Pseudorlaya minuscula, Silene littorea subsp. littorea. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 2230pt1 da Rede NATURA 2000.

300

XIV TRIFOLIO-GERANIETEA Müller 1962

Vegetação herbácea vivaz da orla natural, semi-sombria, húmicola e não nitrófila dos bosques climácicos e seus mantos pré-florestais, tanto eurossiberianos como mediterrânicos, chuvosos, termotemperado a supratemperados e termomediterrânico a supramediterrânicos.

Características no território: Agrimonia eupatoria, Campanula rapunculus, Carex muricata subsp. lamprocarpa, Clinopodium vulgare, Lathyrus sylvestris, Silene latifolia, Vicia tenuifolia.

A. Origanetalia vulgaris Müller 1962 A.1. Origanion virentis Rivas-Martínez & O. Bolòs in Rivas-Martínez, T.E. 1. Senecio lopezii-Cheirolophetum sempervirentis Capelo 1996 Díaz, F. Prieto, Loidi & Penas Comunidades calcícolas, ou mesotróficas, em solos ricos. Associação silicícola, constituída por Cheirolophus sempervirens, Senecio Comunidades lopezii, Origanum virens, Centaurea crocata, Stachys germanica subsp. Piso(s) bioclimático(s): lusitanica, Stachys officinalis subsp. algeriensis, orla sombria do Lavandulo Piso(s) bioclimático(s): termomediterrânico a mesomediterrânico de Distribuição biogeográfica: com distribuição europeia central, alpino- viridis-Quercetum suberis e Euphorbio monchiquensis-Quercetum canariensis. ombroclima seco a húmido, caucasiana, orocantábrica temperada e submediterrânico e ibérico Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico, sub- mediterrânica Distribuição biogeográfica: Províncias Mediterrânica Ibérica Ocidental e húmido a hiper-húmido. béticas. Características no território: Carex divulsa subsp. divulsa Geranium Distribuição biogeográfica: Distrito Monchiquense. sanguineum. Características no território: Arabis stenocarpa, Calamintha baetica, Clinopodium arundanum, Origanum virens, Silene mellifera subsp. mellifera. Estatuto de conservação: Não tem.

A.1.a. Stachyo lusitanicae-Cheirolophenion sempervirentis Capelo 1996

Orlas neutro-acidófilas a basófilas, em calcários descalcificados,

Piso(s) bioclimático(s): termomediterrânico a mesomediterrânico inferiores,

Distribuição biogeográfica: portuguesas sadenses, costeiras vicentinas, monchiquenses e algarvias.

Características no território: Cheirolophus sempervirens, Picris algarbiensis, Picris spinifera, Stachys germanica subsp. lusitanica, Stachys officinalis subsp. algeriensis.

XV . GALIO-URTICETEA Passarge ex Kopecký 1969

Vegetação perene, hemicriptofítica de trepadeiras e de ervas altas de orlas de bosques nitrofilizados e de outras comunidades em biótopos semi-sombreados, de origem antrópica. Ocorre em locais mésicos, de solos húmidos, ricos em nutrientes, na margem de rios e áreas palustres em que a dessecação não existe ou é muito atenuada. Apresenta distribuição holártica, em bioclima temperado, mediterrânico chuvoso e termoboreal.

Características no território: Galium aparine, Lamium maculatum, Stellaria neglecta.

A. Galio aparines-Alliarietalia petiolatae Görs & Müller 1969 A.1. Galio-Alliarion petiolatae Oberdorfer & Lohmeyer in Oberdorfer, 1. Urtico membranaceae-Smyrnietum olusatri A. & O. Bolòs in O. Bolòs & Görs, Korneck, Lohmeyer, Müller, Philippi & Seibert 1967 Molinier 1958 Vegetação nitrófila vivaz, escionitrófila de orlas semi-sombrias de biótopos antrópicos. Comunidades hemicriptofíticas, humícolas que vivem nas orlas florestais Comunidade, nitrófila, megafórbica, de fenologia invernal, em solos

301

e à beira de muros sombrios. profundos, próximo de agregados habitacionais, base de rochedos e Piso(s) bioclimático(s): sobretudo em locais sombrios de permanência de animais, dominada por Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico pluviestacional e Distribuição biogeográfica: Smyrnium olusatrum, que se observa nas margens e interior de bosques termotemperado a mesotemperado submediterrânico, sub-húmido a nitrofilizados. Características no território: Alliaria petiolata, Anthriscus sylvestris, Conium húmido. maculatum, Geum urbanum, Lapsana communis. Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico, sub- Distribuição biogeográfica: húmido a hiper-húmido. Características no território: Arabis glabra, Silene dioica, Smyrnium Distribuição biogeográfica: Sub-região Mediterrânica Ocidental. perfoliatum, Torilis japonica. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 6430pt1 da Rede

NATURA 2000. A.1.a. Smyrnienion olusatri Rivas Goday ex Rivas-Martínez, Fernández- González & Loidi 1999

Comunidades

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico inferior, termotemperado submediterrânico.

Distribuição biogeográfica: Cantabro-Atlântica e mediterrânicas.

Características no território: Smyrnium olusatrum, Tradescantia fluminensis, Urtica membranacea.

A.2. Balloto-Conion maculati Brullo in Brullo & Marcenò 1985 2. Galio aparines-Conietum maculati Rivas-Martínez ex G. López 1978

Orlas de bosques e locais semi-sombrios em biótopos antrópicos, Associação de solos profundos e húmidos, de orlas de bosques, húmidos. proximidade de muros ou paredes, presidida por Conium maculatum, Galium aparine, Urtica dioica. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico. Distribuição biogeográfica: , com distribuição mediterrânica e submediterrânico Distribuição biogeográfica:

Características no território: Ballota nigra subsp. foetida, Magydaris Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 6430pt1 da Rede panacifolia. NATURA 2000.

B. Calystegietalia sepium Tüxen 1950 em. Mucina 1993 nom. mut. B.1. Calystegion sepium Tüxen ex Oberdorfer 1957 nom. mut. 3. Arundini donacis-Convolvuletum sepium Tüxen & Oberdorfer ex O. Bolòs 1962 Vegetação vivaz, nitrófila sobre solos hidromórficos, geralmente Comunidades mediterrânicas de margens de linhas de água ricas em encharcados, (margens de locais com água estagnada ou de corrente plantas perenes e trepadeiras. Canavial que ocupa margens de ribeiras nitrofilizadas e campos agrícolas lenta), onde predominam hemicriptófitos helofíticos e escandentes. abandonados com alguma humidade edáfica. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: Distribuição biogeográfica: Tem o seu óptimo na Região Eurossiberiana Distribuição biogeográfica: Região Eurossiberiana, penetrando na região Características no território: Arundo donax, Calystegia sepium. mas atinge, ainda que de forma empobrecida, os grandes rios da Região Mediterrânica em biótopos com água permanente ou estiagem pouco Mediterrânica. acentuada.

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Características no território: Epilobium hirsutum, Epilobium parviflorum, Estatuto de conservação: Não tem. Pulicaria dysenterica var. dysenterica, Scrophularia auriculata.

XVI GERANIO PURPUREI-CARDAMINETEA HIRSUTAE Rivas-Martínez, Fernández-González & Loidi (1999) 2002

Comunidades de terófitos efémeros que prosperam no interior e margem dos bosques ou matagais ligeiramente nitrofilizados (escionitrófilas), e ocasionalmente ao pé de muros sombrios, em solos ricos em matéria orgânica. Apresentam distribuição mediterrânica e temperada submediterrânico.

Características no território: Anthriscus caucalis, Cardamine hirsuta, Centranthus calcitrapae, Draba muralis, Fumaria capreolata, Galium spurium, Geranium dissectum, Geranium purpureum, Geranium rotundifolium, Ranunculus parviflorus, Torilis arvensis subsp. neglecta, Torilis leptophylla, Torilis nodosa.

A. Geranio purpurei-Cardaminetalia hirsutae Brullo in Brullo & Marcenò A.1 Parietarion lusitanico-mauritanicae Rivas-Martínez & Cantó 2002 1. Anogrammo leptophyllae-Parietarietum lusitanicae Rivas-Martínez & 1985 Ladero in Rivas-Martínez 1978 Comunidades escionitrófilas. Ordem única. Associação de fendas de rochas ácidas (granitos, xistos) muito sombrias, Piso(s) bioclimático(s): termomediterrânico a mesomediterrânico profundas e terrosas, dominada por Parietaria lusitanica acompanhada de Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: de distribuição mediterrânica ocidental Anogramma leptophylla, Anthriscus caucalis, Cardamine hirsuta. Distribuição biogeográfica: Características no território: Galium minutulum, Mercurialis elliptica, Piso(s) bioclimático(s): Mesomediterrânico. Características no território: Rhagadiolus edulis. Parietaria lusitanica, Parietaria mauritanica. Distribuição biogeográfica: Subprovíncia Luso-Estremadurense.

Estatuto de conservação: Não tem.

2. Geranio purpurei-Galietum minutuli Rivas-Martínez, Costa, Castroviejo & E. Valdés 1980

Associação escionitrófila de desenvolvimento invernal e floração primaveril, em solos arenosos costeiros sob coberto de sabinas-da-praia, e presidida por Galium minutulum, Myosotis ramosissima, Geranium purpureum, Cardamine hirsuta, Centranthus calcitrapae, Urtica membranacea.

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico.

Distribuição biogeográfica: Província Lusitano-Andaluza Litoral.

Estatuto de conservação: Não tem.

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XVII ARTEMISIETEA VULGARIS Lohmeyer, Preising & Tüxen in Tüxen 1950 ex von Rochow 1951

Vegetação nitrófila vivaz de tamanho e biomassa variáveis, frequentemente formada por grandes herbáceas, cardos bienais ou perenes ou outras plantas de porte elevado, que prosperam em solos profundos nitrofilizados e mais ou menos húmidos. Apresentam distribuição mediterrânica pluviestacional, temperada, holártica e são citadas em áreas tropicais como neófitos.

Características no território: Artemisia vulgaris, Daucus carota, Dipsacus comosus, Lactuca serriola, Marrubium vulgare, Reseda lutea subsp. lutea, Rumex pulcher subsp. divaricatus, Salvia verbenaca subsp. verbenaca.

XVIII A. ONOPORDENEA ACANTHII Rivas-Martínez, Báscones, T.E. Díaz, Fernández-González & Loidi 2002

Comunidades nitrófilas ou subnitrófilas, dominadas por grandes cardos, bem como de outras plantas bienais ou vivazes arrosetadas, características de solos removidos, bermas de caminhos e estradas ou locais de repouso de animais. Apresentam desenvolvimento tardivernal ou estival e distribuição mediterrânica e eurossiberiana.

Características no território: Allium ampeloprasum, Carduus pycnocephalus, Carduus tenuiflorus, Carlina corymbosa subsp. hispanica, Centaurea calcitrapa, Chondrilla juncea, Cichorium intybus, Eryngium campestre, Hyoscyamus niger, Reseda luteola, Verbascum pulverulentum.

A. Carthametalia lanati Brullo in Brullo & Marcenò 1985 A.1. Onopordion castellani Br.-Bl. & O. Bolòs 1958 corr. Rivas-Martínez, 1. Carlino hispanicae-Carthametum lanati Ladero, F. Navarro & C. J. Valle T.E. Díaz, Fernández-González, Izco, Loidi, Lousã & Penas 2002 1983 corr. Rivas-Martínez, T.E. Díaz, Fernández-González, Izco, Loidi, Cardais e comunidades de ervas altas. Lousã & Penas 2002 Cardais mediterrânicos ocidentais, indiferentes edáficos, em solos secos Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a supramediterrânico profundos. [Carlino corymbosae-Carthametum lanati Ladero, F. Navarro & C. J. inferior. Valle 1983] Piso(s) bioclimático(s): termomediterrânico e mesomediterrânicos, que Distribuição biogeográfica: de distribuição mediterrânica ocasionalmente alcançam o horizonte inferior do andar Cardal de Carthamus lanatus, subnitrófilo, silicioso, a desenvolver-se em Características no território: Atractylis gummifera, Carduus bourgeanus, supramediterrânico, margens de caminhos. Carlina corymbosa, Carthamus lanatus subsp. lanatus, Centaurea aspera, Distribuição biogeográfica: Piso(s) bioclimático(s): Mesomediterrânico. Centaurea collina, Cynoglossum creticum, Foeniculum vulgare subsp. piperitum, Scolymus hispanicus, Verbascum sinuatum, Verbascum thapsus Características no território: Cynara humilis, Daucus maximus, Echinops Distribuição biogeográfica: Subprovíncias Luso-Estremadurense e subsp. thapsus. strigosus, Notobasis syriaca, Scolymus maculatus. Carpetano-Leonesa.

Estatuto de conservação: Não tem.

2. Galactito tomentosae-Cynaretum humilis Rivas Goday 1964 nom. invers.

Comunidade silicícola ao longo de caminhos, estradas e pastos com abundante pastoreio, presidida por Cynara humilis e Galactites tomentosa.

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico atingindo o supramediterrânico.

Distribuição biogeográfica:

Estatuto de conservação: Não tem.

A.2. Urtico piluliferae-Silybion mariani Sissingh ex Br.-Bl. & 1958 nom 3. Carduo bourgeani-Silybetum mariani Rivas-Martínez ex Rivas-Martínez, invers. Costa & Loidi 1992

[Silybo-Urticion Sissingh ex Br.-Bl. & O. Bolòs 1958] Cardal presidido pelo Silybum marianum, de fenologia primaveril, própria de zonas com muito gado bovino. Comunidades primaveris temporãs, formadas por grandes cardos,

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próprias de solos profundos, bem arejados, removidos e indiferentes à Piso(s) bioclimático(s): Mesomediterrânico, podendo atingir natureza química do substrato. Necessitam de alguma humidade no solo pontualmente o termomediterrânico e supramediterrânico superior. até à entrada do Verão e suportam bem o encharcamento e a hidromorfia temporal. Distribuição biogeográfica: Região Mediterrânica.

Piso(s) bioclimático(s): Estatuto de conservação: Não tem.

Distribuição biogeográfica:

Características no território: Cynara algarbiensis, Cynara cardunculus, Silybum marianum.

A.3. Bromo-Piptatherion miliacei O. Bolòs 1970 nom. mut. 4. Inuletum revolutae O. Bolòs ex Rivas-Martínez 2002

Comunidades subnitrófilas, de entulhos e campos agrícolas abandonados Associação indiferente edáfica, bem caracterizada por Dittrichia revoluta. ricos em caméfitos e hemicriptófitos. Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, seco. Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico. Distribuição biogeográfica: costeira vicentina, promontória vicentina e Distribuição biogeográfica: mediterrânicas algarvia.

Características no território: Centaurea aspera subsp. stenophylla, Dittrichia Estatuto de conservação: Não tem. revoluta, Dittrichia viscosa, Piptatherum miliaceum subsp. miliaceum, 5. Inulo viscosae-Piptatheretum miliaceae O. Bolòs 1957 nom. mut. Scabiosa atropurpurea, Verbascum litigiosum. Comunidade viária e de campos agrícolas abandonados, formada por Dittrichia viscosa, Piptatherum miliaceum, Foeniculum piperitum, Cichorium intybus, Picris echioides, Conyza spp. etc.

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, sub-húmido.

Distribuição biogeográfica:

Estatuto de conservação: Não tem.

6. Verbasco litigiosi-Ononidetum ramosissimae Galán de Mera, I. Sánchez & Vicente Orellana 1997

Associação de dunas nitrofilizadas presidida por Ononis ramosissima e Verbascum litigiosum.

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, seco.

Distribuição biogeográfica: costeira portuguesa, olissiponense, sadense, costeira vicentino e promontório vicentino.

Estatuto de conservação: Não tem.

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XIX. ORYZETEA SATIVAE Miyawaki 1960

Comunidades de infestantes dos arrozais, onde predominam terófitos, e hemicriptófitos hidrofílicos, de distribuição tropical, mediterrânica e temperada de verões quentes.

Características no território: Schoenoplectus supinus.

A. Cypero difformis-Echinochloetalia oryzoidis O. Bolòs & Masclans 1955 A.1. Oryzo sativae-Echinochloion oryzoidis O. Bolòs & Masclans 1955 1. Oryzo sativae-Echinochloetum crus-galli Soó ex Ubrizsy 1948

Associações infestantes dos arrozais mediterrânicos. Aliança única Comunidade de infestante dos arrozais.

Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico.

Distribuição biogeográfica: Distribuição biogeográfica: Distribuição biogeográfica:

Características no território: Ammannia coccinea, Cyperus difformis, Estatuto de conservação: Não tem. Echinochloa crus-galli subsp. hispidula, Echinochloa oryzoides subsp. oryzicola, Echinochloa oryzoides subsp. oryzoides, Rotala indica, Schoenoplectus mucronatus (Scirpus mucronatus).

XX PEGANO-SALSOLETEA Br.-Bl. & O. Bolòs 1958

Vegetação nitrófila ou halonitrófila, arbustiva, composta por caméfitos e nanofanerófitos suculentos, incluindo arbustos tropicais alóctones. Distribui-se pelos andares termomediterrânico a oromediterrânico inferior, desértico, xérico e pluviestacional nas regiões Mediterrânicas e Saariana Oceânica.

Características no território: Ballota hirsuta, Fagonia cretica, Lycium intricatum, Ruta angustifolia, Solanum sodomeum.

A. Salsolo vermiculatae-Peganetalia harmalae Br.-Bl. & O. Bolòs 1958 ou A.1. Carthamo arborescentis-Salsolion oppositifoliae Rivas Goday & Rivas- 1. Cynomorio coccinei-Lycietum intricati Rivas-Martínez, Lousã, T.E. Díaz, 1954 Martínez 1963 Fernández-González & J.C. Costa (1990) 2002

Vegetação camefítica e nanofanerofítica, nitrófila e halonitrófila. Matos halonitrófilos (ou aero-halinos), em solos profundos, [Salsolo vermiculatae-Lycietum intricati Rivas-Martínez, Lousã, T.E. Díaz, ocasionalmente com a toalha freática superficial. Fernández-González & J.C. Costa 1990] Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a supramediterrânico, semiárido, árido e seco inferior Piso(s) bioclimático(s): termomediterrânico semiárido Associação halonitrófila de arribas, caracterizada por Lycium intricatum, Salsola vermiculata, Suaeda vera, Atriplex halimus. Distribuição biogeográfica: Sub-Região Mediterrânica Ocidental Distribuição biogeográfica: Murciano-almerienses e Lusitano-Andaluza litorais Piso(s) bioclimático(s): Inframediterrânico a termomediterrânico, seco. Características no território: Artemisia arborescens, Atriplex halimus, Lavatera arborea, Plumbago europaea, Salsola vermiculata subsp. vermiculata. Características no território: Suaeda vera (dif. al.) Distribuição biogeográfica: Distritos Algarvio e costeira vicentina.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 1430 da Rede NATURA 2000.

2. Frankenio laevis-Salsoletum vermiculatae J.C. Costa in J.C. Costa, Lousã & Espírito Santo 1997

Comunidade baixa halonitrófila de margem de sapais, salinas e arribas, caracterizada por Salsola vermiculata, Suaeda vera, Frankenia laevis, Atriplex halimus.

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Piso(s) bioclimático(s):

Distribuição biogeográfica:

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 1430 da Rede NATURA 2000.

B. Helichryso stoechadis-Santolinetalia squarrosae Peinado & Martínez- B.1. Artemisio glutinosae-Santolinion rosmarinifoliae Costa 1975 3. Santolinetum impressae Rivas-Martínez ex Neto, Capelo, J.C. Costa & Parras 1984 Lousã 1997 Comunidades em solos siliciosos arenosos e areno-limosos. Comunidades camefíticas ricas em espécies subnitrófilas de Santolina e Associação nitrófila, psamófila, de margem de caminhos e areias Piso(s) bioclimático(s): Helichrysum, características de campos agrícolas abandonados e margens removidas, caracterizada pelo endemismo Santolina impressa. de caminhos e estradas e subserial de bosques. Distribuição biogeográfica: Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, seco. Piso(s) bioclimático(s): Características no território: Santolina impressa. Distribuição biogeográfica: Lusitano-Andaluza litoral, sadense, Distribuição biogeográfica: pontualmente...(Praia das Furnas)

Características no território: Helichrysum italicum subsp. serotinum, Estatuto de conservação: Não tem. Helichrysum stoechas subsp. stoechas, Thymus mastichina.

XXI POLYGONO-POETEA ANNUAE Rivas-Martínez 1975

Comunidades terofíticas nitrófilas, com frequentes plantas perenes, rasteiras, adaptadas a solos pisoteados, em caminhos de áreas urbanas e rurais, de distribuição cosmopolita.

A. Polygono arenastri-Poetalia annuae Tüxen in Géhu, Richard & Tüxen A.1. Polycarpion tetraphylli Rivas-Martínez 1975 1. Solivetum stoloniferae Rivas-Martínez 1975 1972 corr. Rivas-Martínez, Báscones, T.E. Díaz, Fernández-González & Comunidades de solos pisoteados, mediterrânicas, com desenvolvimento Comunidade que coloniza as gretas de passeios e locais empedrados, de Loidi 1991 estival-vernal e de óptimo em áreas de invernos frescos ou quentes, em núcleos urbanos e locais próximos, presidida pelo neófito Gymnostyles Comunidades holárticas e de territórios extratropicais. solos não argilosos. stolonifera.

Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s):

Distribuição biogeográfica: Distribuição biogeográfica: Distribuição biogeográfica: Províncias Lusitano-Andaluza Litoral, Bética e Subprovíncia Luso-Estremadurense. Características no território: Coronopus didymus, Cotula australis, Plantago Características no território: Crassula tillaea, Crepis pusilla, Gymnostyles coronopus subsp. coronopus, Poa annua, Polygonum arenastrum, Polygonum stolonifera, Polycarpon tetraphyllum, Spergularia purpurea. Estatuto de conservação: Não tem. aviculare, Sagina apetala, Spergularia rubra var. rubra. A.2. Chamaesycion prostratae Rivas-Martínez 1976 nom. mut. 2. Euphorbietum chamaesyco-prostratae Rivas-Martínez 1976

Comunidades com neófitos tropicais e subtropicais, desenvolvendo-se no Comunidade vernal-outonal, de passeios e locais empedrados pisoteados, Verão em territórios holárticos quentes e frios. termófilos presidida por Chamaesyce prostrata, Chamaesyce serpens.

Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s):

Distribuição biogeográfica: Distribuição biogeográfica:

Características no território: Chamaesyce prostrata (=Euphorbia prostrata), Estatuto de conservação: Não tem. Chamaesyce serpens (=Euphorbia serpens).

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XXII STELLARIETEA MEDIAE Tüxen, Lohmeyer & Preising ex von Rochow 1951

Vegetação nitrófila ou subnitrófila, constituída por terófitos ou pequenos geófitos que povoam durante um período do ano diversos meios ricos em matérias azotadas. Com muita frequência ocupam os solos removidos de áreas urbanas e agrícolas, como as margens de caminhos e estradas, culturas agrícolas, etc., e de uma maneira geral todos os ecótipos submetidos à acção humana. Consegue normalmente suportar a competição com outros tipos de vegetação vivaz ou anual de grande biomassa. Ampla classe de distribuição holártica com irradiação cosmopolita.

Características no território: Amaranthus retroflexus, Anthemis cotula, Atriplex patula, Bromus hordeaceus, Bromus sterilis, Bromus tectorum, Calendula arvensis, Capsella rubella, Cardaria draba, Cerastium glomeratum, Chenopodium album, Erodium malacoides, Eruca vesicaria subsp. sativa, Filago pyramidata, Matricaria recutita, Melilotus segetalis subsp. segetalis, Mercurialis ambigua, Oxalis corniculata, Senecio vulgaris, Sinapis arvensis, Solanum nigrum, Sonchus asper subsp. asper, Sonchus oleraceus, Stellaria media, Veronica arvensis, Viola arvensis subsp. arvensis.

XXIIA. STELLARIENEA MEDIAE

Vegetação arvense e infestante das culturas.

Características no território: Anagallis arvensis, Anagallis foemina, Arabidopsis thaliana Coleostephus myconis, Fallopia convolvulus, Fumaria muralis, Lamium amplexicaule, Lamium purpureum, Lathyrus aphaca, Lathyrus cicera, Papaver hybridum, Papaver somniferum subsp. setigerum, Raphanus raphanistrum, Vicia angustifolia, Vicia sativa, Vicia villosa.

A. Aperetalia spicae-venti J. Tüxen & Tüxen in Malato-Beliz, J. Tüxen & A. 1. Scleranthion annui (Kruseman & Vlieger 1939) Sissingh in Westhoff, 1. Chrysanthemo myconis-Anthemidetum fuscatae Rivas Goday 1964 Tüxen 1960 Dijk & Passchier 1946 Associação de pousios, culturas cerealíferas, vinhas e pomares, em solos Comunidades messícolas de desenvolvimento invernal ou primaveril de Comunidades messícolas de solos pobres em bases. siliciosos arenosos ou limosos, caracterizada por Coleostephus myconis, solos arenosos e areno-limosos, pobres em bases. Chamaemelum fuscatum, Chrysanthemum segetum. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico. Distribuição biogeográfica: eurossiberianas e mediterrânicas Distribuição biogeográfica: eurossiberianas e mediterrânicas Distribuição biogeográfica: Subprovíncia Luso-Estremadurense, atingindo Características no território: Anthemis arvensis, Aphanes arvensis, Bromus o Divisório Português. secalinus, Chamaemelum mixtum, Papaver argemone, Scleranthus annuus, Spergula arvensis, Spergularia purpurea. Estatuto de conservação: Não tem.

A.1.a. Spergulo pentandrae-Arabidopsienion thalianae Rivas Goday 1964

Associações silicícolas em solos areno-limosos mesotróficos.

Piso(s) bioclimático(s):

Distribuição biogeográfica: centro, oeste e sul da Península Ibérica

Características no território: Chamaemelum fuscatum, Mibora minima.

B. Solano nigri-Polygonetalia convolvuli (Sissingh in Westhoff, Dijk & B.1. Polygono-Chenopodion polyspermi Koch 1926 2. Setario glaucae-Echinochloetum colonae O. Bolòs 1956 Passchier 1946) O. Bolòs 1962 Comunidades de culturas estivo-outonais, Associação de infestantes de fenologia estival de culturas de verão, Comunidades de infestantes de culturas de verão. caracterizada pela presença de Echinochloa colonum, Digitaria sanguinalis, Piso(s) bioclimático(s): Echinochloa crus-galli, Amaranthus hybridus, Setaria pumila. Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: com distribuição atlântico-medioeuropeia e Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico Distribuição biogeográfica: eurossiberianas e mediterrânicas, mediterrânica. inferior.

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Características no território: Amaranthus albus, Amaranthus cruentus, Características no território: Digitaria ischaemum, Digitaria sanguinalis, Distribuição biogeográfica: Sul e Sudoeste da Península Ibérica. Amaranthus hybridus, Ammi visnaga, Chrysanthemum segetum, Diplotaxis Euphorbia helioscopia, Euphorbia peplus, Fumaria officinalis, Fumaria Estatuto de conservação: Não tem. erucoides, Misopates orontium, Myosotis arvensis, Polygonum persicaria, vaillantii, Galinsoga parviflora. Setaria verticillata, Setaria viridis, Stachys arvensis, Veronica persica, 3. Setario verticillatae-Echinochloetum cruris-galli Peinado, Bartolomé &

Xanthium strumarium. Martínez-Parras 1985 C.1.a. Digitario ischaemi-Setarienion viridis (Sissingh in Westhoff, Dijk & Comunidade de infestantes onde predominam gramíneas (=Echinochloa Passchier 1946) Oberdorfer 1957 crus-galli, Digitaria sanguinalis, Setaria verticillata) de fenologia verno- Comunidades de plantas infestantes de culturas de Verão em solos outonal em solos areno-limosos de aluvião. arenosos pobres. Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a supramediterrânico. Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: Província Mediterrânica Ibérica Ocidental. Distribuição biogeográfica: Estatuto de conservação: Não tem. Características no território: Echinochloa colona, Echinochloa crus-galli subsp. crus-galli, Leersia oryzoides.

B.2. Diplotaxion erucoidis Br.-Bl. in Br.-Bl., Gajewski, Wraber & Walas 1936 4. Heliotropio europaei-Amaranthetum albi Rivas Goday 1964

Comunidades mediterrânicas de plantas infestantes de culturas e pousios Associação medianamente nitrificada, a prosperar em solos siliciosos ou de verão não cerealíferas e floração estivo-outonal. pobre em carbonatos, pouco ou nada irrigados e pouco adubados, caracterizada por Heliotropium europaeum, Amaranthus albidus. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: Distribuição biogeográfica: Subprovíncias Luso-Estremadurense, Características no território: Cyperus rotundus, Euphorbia segetalis, Carpetano-Leonesa e castelhano-manchega. Heliotropium europaeum, Kickxia lanigera, Platycapnos spicata. Estatuto de conservação: Não tem.

B.3. Fumarion wirtgenii-agrariae Brullo in Brullo & Marcenò 1985 5. Citro-Oxalidetum pedis-caprae O. Bolòs 1975

Associações de floração hemivernal. Comunidade, dominada por Oxalis pes-caprae própria de culturas de regadio com o óptimo em citrinos. Piso(s) bioclimático(s): termomediterrânico Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico Distribuição biogeográfica: inferior.

Distribuição biogeográfica: Sul da Península Ibérica.

Estatuto de conservação: Não tem.

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XXIIB. CHENOPODIO-STELLARIENEA Rivas Goday 1956

Vegetação ruderal e viária, nitrófila e subnitrófila de distribuição holártica, de óptimo mediterrânico e irradiação cosmopolita.

Características no território: Crepis foetida, Erodium moschatum, Rhagadiolus stellatus subsp. stellatus, Senecio lividus.

C. Chenopodietalia muralis Br.-Bl. in Br.-Bl., Gajewski, Wraber & Walas C.1. Chenopodion muralis Br.-Bl. in Br.-Bl., Gajewski, Wraber & Walas 1936 6. Chenopodietum muralis Br.-Bl. in Br.-Bl., Gajewski, Wraber & Walas 1936 em. Rivas-Martínez 1977 1936 Vegetação muito nitrófila, urbana e rural, de óptimo mediterrânico, com Comunidades vegetais anuais, acentuadamente nitrófilas, rica em espécies irradiações eurossiberianas. Comunidade estivo-outonal, própria de entulhos e imediações de casas, anuais cosmopolitas. dominada por Chenopodium murale. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): maioritariamente termomediterrânico a Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico. Distribuição biogeográfica: supramediterrânico, seco a semiárido Distribuição biogeográfica: Sul da Península Ibérica e Norte de África. Características no território: Amaranthus muricatus, Amaranthus viridis, Distribuição biogeográfica: comuns nos territórios mediterrânicos, Chenopodium murale, Chenopodium opulifolium, Chenopodium urbicum, Estatuto de conservação: Não tem. podendo alcançar áreas temperadas ou tropicais frias, Chenopodium vulvaria, Cnicus benedictus, Conyza bonariensis, Conyza Características no território: Amaranthus blitoides, Amaranthus deflexus, sumatrensis (=Conyza albida), Datura stramonium, Malva nicaeensis, Amaranthus graecizans, Amaranthus hypochondriacus, Atriplex prostrata, Portulaca oleracea, Tribulus terrestris, Xanthium spinosum. Chenopodium ambrosioides, Conyza canadensis, Ecballium elaterium, Emex spinosa, Lamarckia aurea, Sisymbrio irio, Urtica urens. D.1.a. Chenopodienion muralis

Termomediterrânico a supramediterrânico e submediterrânico com

floração no Verão

C.1.b. Malvenion parviflorae Rivas-Martínez 1978 7. Emici spinosae-Malvetum parviflorae Rivas-Martínez in Rivas-Martínez, Costa, Castroviejo & E. Valdés 1980 Associações, começando a aparecer após as chuvas outonais e invernais. Associação de solos arenosos muito nitrofilizados, de áreas urbanas ou Piso(s) bioclimático(s): termomediterrânico a mesomediterrânico, rurais submetidas a uma forte acção antrópica, caracterizada por Malva semiárido a sub-húmido. parviflora, Emex spinosa, Urtica urens, Arctotheca calendula. Distribuição biogeográfica: Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico. Características no território: Lavatera cretica, Lavatera mauritanica subsp. Distribuição biogeográfica: Sudoeste da Península Ibérica. davaei, Malva parviflora. Estatuto de conservação: Não tem.

8. Hyoscyamo albi-Malvetum parviflorae (Rivas Goday 1964) Rivas-Martínez 1978

Comunidade de entulhos e vazadouros muito soalheiros, constituída por Malva parviflora, Hyoscyamus albus, Urtica urens, Urtica membranacea.

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico.

Distribuição biogeográfica: Ocidente peninsular.

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Estatuto de conservação: Não tem.

9. Sisymbrio irionis-Lavateretum creticae (Mateo & M.B. Crespo 1988) Carretero & Aguilella 1995

Comunidade dominada por Lavatera cretica, própria de solos muito nitrificados e compensados hidricamente.

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico.

Distribuição biogeográfica: Sul e oeste da Península Ibérica.

Estatuto de conservação: Não tem.

C.2. Mesembryanthemion crystallini Rivas-Martínez, Wildpret, Del Arco, O. 10. Spergulario bocconei-Mesembryanthemetum nodiflori J.C. Costa in J.C. Rodríguez, Pérez de Paz, García Gallo, Acebes, T.E. Díaz & Fernández- Costa, Lousã & Espírito Santo 1996 González 1993 Comunidade dominada por Mesembryanthemum nodiflorum, que povoa Associações dominadas por terófitos prostrados e suculentos do género margens de salinas e caminhos salgados. Mesembryanthemum, que crescem em estações rochosas e em solos Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, seco a sub-húmido. removidos ou alterados, mas geralmente bastante ruderalizados e em algumas ocasiões enriquecidos em sais solúveis. Em zonas mais chuvosas Distribuição biogeográfica: Província Lusitano-Andaluza Litoral. só ocorre em estações litorais. Estatuto de conservação: Não tem. Piso(s) bioclimático(s): ombroclima árido a seco.

Distribuição biogeográfica: Regiões Mediterrânica, Macaronésica e Saaro- Arábica.

Características no território: Mesembryanthemum crystallinum, Mesembryanthemum nodiflorum.

D. Thero-Brometalia (Rivas Goday & Rivas-Martínez ex Esteve 1973) O. D.1. Echio plantaginei-Galactition tomentosae O. Bolòs & Molinier 1969 11. Rumici angiocarpi-Coleostephetum myconis Vicente Orellana & Galán de Bolòs 1975 Mera 2008 Comunidades subnitrófilas, de grande biomassa, própria de pousios e Comunidades terofíticas, primaveris e subnitrófilas, instaladas campos agrícolas abandonados em solos ricos, mesotróficos. [sensu auct. lus. Galactito tomentosae-Vulpietum membranaceae O. Bolòs preferencialmente em campos agrícolas abandonados. & Molinier 1969 corr. O. Bolòs, Molinier & P. Montserrat 1970 Galactito- Piso(s) bioclimático(s): euoceânicos, termomediterrânicos a Vulpietum incrassatae O. Bolòs & Molinier 1969] Piso(s) bioclimático(s): mesomediterrânicos, maioritariamente sub-húmidos de invernos temperados e chuvosos Arrelvado denso, que se desenvolve em olivais e pousios, indiferente Distribuição biogeográfica: mediterrânicas ocidentais, edáfica, caracterizada por Galactites tomentosa, Echium plantagineum, Distribuição biogeográfica: Sub-Regiões Mediterrânica Ocidental e Características no território: Astragalus hamosus, Avena barbata subsp. Vulpia geniculata. Canária. barbata, Avena barbata subsp. lusitanica, Avena sterilis subsp. sterilis, Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico, sub- Bellardia trixago, Bromus diandrus, Bromus lanceolatus, Bromus madritensis, Características no território: Echium plantagineum, Galactites tomentosa, húmido. Bromus rigidus, Bromus rubens, Bromus squarrosus, Centaurea pullata, Gastridium ventricosum, Medicago ciliaris, Medicago murex, Melilotus elegans, Hedypnois cretica, Lolium rigidum, Lotus edulis, Lupinus angustifolius, intermedia, Silene fuscata, Silene scabriflora subsp. tuberculata, Vulpia Distribuição biogeográfica: Ocidente da Península Ibérica. Lupinus luteus, Malva hispanica, Medicago orbicularis, Medicago rigidula, geniculata. Estatuto de conservação: Não tem.

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Medicago truncatula, Melilotus sulcatus, Nonea vesicaria, Phalaris D.2. Linario polygalifoliae-Vulpion alopecuroris Br.-Bl., Rozeira & P. Silva in 12. Chamaemelo mixti-Vulpietum alopecuroris Rivas-Martínez in Rivas- brachystachys, Phalaris canariensis, Phalaris minor, Plantago afra, Reichardia Br.-Bl., G. Br.-Bl., Rozeira & P. Silva 1972 Martínez, Costa, Castroviejo & Valdés ex J.C. Costa, Lousã, Capelo, picroides, Senecio gallicus, Silene gallica, Trifolium angustifolium, Trifolium Espírito Santo, Izco & Arsénio 2000 cherleri, Trifolium hirtum, Trigonella monspeliaca, Trigonella polyceratia, Comunidades subnitrófilas e psamófilas. Urospermum picroides, Vulpia ciliata. Comunidade de dunas nitrofilizadas de solos arenosos removidos, sendo Piso(s) bioclimático(s): termomediterrânico e termotemperado caracterizada pela presença de Vulpia alopecurus, Chamaemelum mixtum. submediterrânicos, Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico. Distribuição biogeográfica: costeiras Lusitano-Andaluza litorais, Cantabro-Atlântica, béticas, murciano-almerienses e tingitanas Distribuição biogeográfica: Desde o Costeiro Português até ao Sector Onubense. Características no território: Avena longiglumis, Brassica oxyrrhina, Carduus meonanthus, Lagurus ovatus, Linaria viscosa, Ononis pinnata, Reichardia Estatuto de conservação: Não tem. gaditana, Silene longicaulis, Vulpia alopecuros.

D.3. Taeniathero-Aegilopion geniculatae Rivas-Martínez & Izco 1977 13. Bromo tectorum-Stipetum capensis Rivas-Martínez & Izco 1977

Aliança de comunidades subnitrófilas, indiferentes à natureza química do Arrelvados de carácter termófilo, subnitrófilo, em solos siliciosos de substrato e ao grau de trofia, onde predominam gramíneas de pequenas textura areno-limosa, dominada por Stipa capensis. dimensões de floração no início de Verão. Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico. Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a supramediterrânico. Distribuição biogeográfica: Subprovíncias Luso-Estremadurense. e Distribuição biogeográfica: mediterrânicas ocidentais Carpetano-Leonesa.

Características no território: Aegilops geniculata, Aegilops neglecta, Aegilops Estatuto de conservação: Não tem. triuncialis, Stipa capensis, Taeniatherum caput-medusae.

E. Sisymbrietalia officinalis J. Tüxen in Lohmeyer & al. 1962 em. Rivas- E.1. Hordeion leporini Br.-Bl. in Br.-Bl., Gajewski, Wraber & Walas 1936 14. Anacyclo radiati-Hordeetum leporini O. Bolòs & Rivas-Martínez in Rivas- Martínez, Báscones, T.E. Díaz, Fernández-González & Loidi 1991 corr. O. Bolòs 1962 Martínez 1978

Comunidades subnitrófilas de floração primaveril que começam a Vegetação viária? Associação, viária, em que são comuns Hordeum leporinum, Anacyclus desenvolver-se a seguir às chuvas outonais, em meios antrópicos, como radiatus, Lolium rigidum, Erodium moschatum, Bromus diandrus, Plantago Piso(s) bioclimático(s): margens de caminhos e de estradas. lagopus, Chrysanthemum coronarium (em solos calcários), Arctotheca Distribuição biogeográfica: Região Mediterrânica. calendula (em solos arenosos), etc. Piso(s) bioclimático(s): Características no território: Anacyclus clavatus, Anacyclus radiatus, Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, sub-húmido. Distribuição biogeográfica: com uma grande distribuição geográfica, tem Asphodelus fistulosus, Bromus scoparius, Chrysanthemum coronarium var. o seu óptimo na região Mediterrânica, mas pode ser encontrada na região Distribuição biogeográfica: Sudoeste da Península Ibérica. coronarium, Chrysanthemum coronarium var. discolor, Daucus muricatus, Eurossiberiana. Diplotaxis virgata, Erodium chium, Hirschfeldia incana, Hordeum leporinum, Estatuto de conservação: Não tem. Características no território: Arctotheca calendula, Crepis vesicaria subsp. Plantago lagopus, Rostraria cristata, Rumex pulcher subsp. woodsii. haenseleri, Geranium molle, Lamarckia aurea, Malva sylvestris, Medicago polymorpha, Rumex pulcher subsp. pulcher, Sisymbrium officinale.

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XXIII ADIANTETEA Br.-Bl. in Br.-Bl., Roussine & Nègre 1952

Comunidades de paredes e penhascos ressumantes de águas carbonatadas, termomediterrânico a supramediterrânico ou temperado submediterrânicos.

Características no território:

A. Adiantetalia capilli-veneris Br.-Bl. ex Horvatic 1939 A.1. Adiantion capilli-veneris Br.-Bl. ex Horvatic 1934 1. Didymodon spadicei-Adiantetum capilli-veneris Neto, Capelo, C. Sérgio & J.C. Costa 2007 Ordem única. Aliança única. Associação das arribas litorais. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico. Distribuição biogeográfica: Distribuição biogeográfica: Distribuição biogeográfica: Litoral a sul da Ericeira. Características no território: Adiantum capillus-veneris, Eucladium Características no território: Didymodon spadiceum, Eurhynchium verticillatum. speciosum. Estatuto de conservação: A Directiva 92/43/CEE é omissa no que respeita à classe de vegetação Adiantetea. Como tal, não é possível estabelecer uma correspondência entre estas comunidades e um habitat da Rede NATURA 2000, no entanto, dada a importância ecológica e o valor natural da comunidade em causa, defende-se a sua inclusão no habitat 7140pt3 (Turfeiras sublitorais), aplicando a flexibilidade prevista para integração das especificidades regionais, à semelhança do efectuado aquando da inclusão das comunidades da Calendulo lusitanicae-Antirrhinion linkiani (classe Phagnalo-Rumicetea indurati) no habitat 6110* (Ramos Pereira 1990).

XXIV PARIETARIETEA Rivas-Martínez in Rivas Goday 1964

Vegetação nitrófila, rupícola mural, por vezes epifítica, formada por casmófitos exigentes em nitratos e sais amoniacais. Apresenta distribuição holártica e prospera bem, em ambientes urbanos e rurais.

Características no território:

A. Parietarietalia Rivas-Martínez in Rivas Goday 1964 A.1. Parietario-Galion muralis Rivas-Martínez in Rivas Goday 1964 1. Parietarietum judaicae K. Buchwald 1952

Comunidades. Comunidades de paredes urbanas e de refúgios de animais em superfícies Associação urbana e rural, caracterizada por Parietaria judaica e Erigeron rochosas. karwinskianus. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a supramediterrânico e Distribuição biogeográfica: holárticas termotemperado a supratemperado, de seco a sub-húmido. Distribuição biogeográfica: Características no território: Cymbalaria muralis, Erigeron karwinskianus, Distribuição biogeográfica: Ampla distribuição holártica. Ficus carica, Hyoscyamus albus, Lavatera maritima, Parietaria judaica, Sonchus tenerrimus, Umbilicus rupestris. Estatuto de conservação: Não tem.

A.2. Asplenion marini Rivas-Martínez & Izco 2002 2. Asplenietum marini Br.-Bl. & Tüxen 1952

Comunidades casmofíticas dominadas por fetos, em rochas litorais Associação fissurícola dos rochedos atlânticos litorais salpicados por batidas por ventos carregados de sal. ventos carregados de sal.

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Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s):

Distribuição biogeográfica: Distribuição biogeográfica:

Características no território: Asplenium marinum. Estatuto de conservação: Não tem.

XXV ANOMODONTO-POLYPODIETEA Rivas-Martínez 1975

Vegetação epifítica de sombra, brio-pteridofítica, própria de rochedos húmidos e sombrios ou de taludes terrosos compactados e grandes fissuras de rochas com uma fina camada de terra (exocomófitos) e que mantêm a humidade. Distribui-se por locais de clima temperado e mediterrânico, oceânico e hiperoceânico.

Características no território:

A. Anomodonto-Polypodietalia O. Bolòs & Vives in O. Bolòs 1957 A.1. Selaginello denticulatae-Anogrammion leptophyllae Rivas-Martínez, 1. Selaginello denticulatae-Anogrammetum leptophyllae Molinier 1937 Fernández-González & Loidi 1999 Ordem única. Associação cosmofítica, rupícola, esciófila dominada pela Selaginella Comunidades cosmofíticas, efémeras, brio-pteridofíticas e herbáceas denticulata. Piso(s) bioclimático(s): próprias de orlas de bosques, taludes e muros sombrios, ricos em matéria Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: orgânica. Distribuição biogeográfica: Características no território: Polypodium cambricum. Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico, pluviestacional e termotemperado a mesotemperado, submediterrânico. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 8220pt3 da Rede NATURA 2000. Distribuição biogeográfica: Região Mediterrânica e Província Cantabro- Atlântica.

Características no território: Anogramma leptophylla.

XXVI PHAGANALO-RUMICETEA INDURATI (Rivas Goday & Esteve 1972) Rivas-Martínez, Izco & Costa 1973

Vegetação saxícola e casmocomofítica que coloniza gretas e fissuras grandes de rochas, assim como taludes rochosos e terrosos, termomediterrânico a oromediterrânica e temperada submediterrânico da Península Ibérica e norte de África magrebino.

Características no território:

A. Phagnalo saxatilis-Rumicetalia indurati Rivas Goday & Esteve 1972 A.1. Rumici indurati-Dianthion lusitani Rivas-Martínez, Izco & Costa ex V. 1. Phagnalo saxatilis-Rumicetum indurati Rivas-Martínez ex F. Navarro & Fuente 1986 C.J. Valle 1984 Ordem única. Associações heliófilas e xerófilas, colonizadoras de grandes fendas de Comunidade saxícola, primocolonizadora em taludes de estradas, de Piso(s) bioclimático(s): rochedos siliciosos. locais pedregosos de quartzitos, de granitos, xistos ou calcários estando Distribuição biogeográfica: presentes Rumex induratus, Phagnalon saxatile e Dianthus lusitanus. Piso(s) bioclimático(s): Características no território: Phagnalon saxatile (dif.), Rumex induratus, Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: Província Mediterrânica Ibérica Ocidental, Sedum mucizonia. nevadenses e oroibérico-sorianos Distribuição biogeográfica: Tem o óptimo na Subprovíncia Luso- Estremadurense.

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Características no território: Anarrhinum bellidifolium, Coincya Estatuto de conservação: Não tem. pseudoerucastrum subsp. pseudoerucastrum, Conopodium marizianum, Dianthus lusitanus, Erysimum linifolium.

XXVII AMMOPHILETEA Br.-Bl. & Tüxen ex Westhoff, Dijk & Passchier 1946

Vegetação de dunas costeiras móveis ou semifixas dominada por gramíneas rizomatosas e caméfitos psamófilos. Distribui-se pelas costas atlânticas e mediterrânicas da Europa, penetra ligeiramente nas dunas embrionárias do Báltico e atinge o arquipélago da Madeira.

Características no território: Anthemis maritima, Cyperus capitatus, Euphorbia paralias, Lotus creticus, Medicago marina, Pancratium maritimum, Polygonum maritimum.

A. Ammophiletalia Br.-Bl. 1933 A.1. Ammophilion australis Br.-Bl. 1921 corr. Rivas-Martínez, Costa & Izco 1. Loto cretici-Ammophiletum australis Rivas-Martínez 1965 corr. Rivas- in Rivas-Martínez, Lousã, T.E. Días, Fernández-González & J.C. Costa Martínez, T.E. Díaz, Fernández-González, Izco, Loidi, Lousã & Penas Vegetação dominada por gramíneas vivazes que povoam as dunas litorais 1990 2002 móveis influenciadas pela salsugem. Comunidades de dunas móveis dominadas pelo estorno. Associação das cristas dunares móveis dominada pela Ammophila australis Piso(s) bioclimático(s): acompanhada de Lotus creticus. Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: Colonizam as costas ocidentais, atlânticas da Características no território: Calystegia soldanella, Eryngium maritimum, Europa e norte de África (até ao cabo Mogador, Marrocos) e do Mar Distribuição biogeográfica: Litoral a sul de Peniche. Otanthus maritimus. Mediterrâneo. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 2120 da Rede NATURA 2000.

A.1.a. Ammophilenion australis

Comunidades dominadas por Ammophila arenaria subsp. australis características das dunas móveis.

Piso(s) bioclimático(s):

Distribuição biogeográfica:

Características no território: Ammophila arenaria subsp. australis.

A.2. Honckenyo peploidis-Elytrigion boreoatlanticae Tüxen in Br.-Bl. & 2. Elytrigietum junceo-boreoatlantici J.C. Costa, Neto, Lousã, Capelo & Tüxen 1952 nom. invers. et nom. mut. Rivas-Martínez 2005

Comunidades colonizadoras das dunas embrionárias. Associação das dunas embrionárias em que participam Elytrigia boreoatlantica e Elytrigia juncea. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: das praias mediterrânicas e eurossiberianas europeias Podem ser observadas desde o cabo Mogador até ao sul da Distribuição biogeográfica: Litoral a sul de Quiaios. Noruega e ainda em zonas meridionais do Báltico. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 2110 da Rede NATURA Características no território: Elytrigia juncea subsp. juncea (=Elymus farctus 2000.

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subsp. farctus) (dif. al.).

A.2.a. Elytrigienion boreoatlanticae Rivas-Martínez & Géhu in Rivas- Martínez, Costa Castroviejo & E. Valdés 1980 nom. mut.

Vegetação de dunas embrionárias.

Piso(s) bioclimático(s):

Distribuição biogeográfica: atlânticas

Características no território: Elytrigia juncea subsp. boreoatlantica (Elymus farctus subsp. boreali-atlanticus).

B. Crucianelletalia maritimae Sissingh 1974 B.1. Helichrysion picardii (Rivas-Martínez, Costa & Izco in Rivas-Martínez, 3. Artemisio crithmifoliae-Armerietum pungentis Rivas Goday & Rivas- Lousã, T.E. Días, Fernández-González & J.C. Costa 1990) ex Rivas- Martínez 1958 Comunidades dominadas por caméfitos que crescem nas dunas litorais Martínez, Fernández-González & Loidi 1999 semifixas (dunas cinzentas). Associação das dunas fixadas por caméfitos. Comunidades de caméfitos psamófilos, ricas em endemismos que Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): colonizam as dunas litorais semifixas. Distribuição biogeográfica: Tem distribuição mediterrânica, Cantabro- Distribuição biogeográfica: Litoral entre o Tejo e Tarifa. Piso(s) bioclimático(s): Atlântica e franco-atlântica. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat prioritário 2130pt1* da Distribuição biogeográfica: Província Mediterrânica Ibérica Ocidental e Características no território: Aetheorhiza bulbosa subsp. bulbosa, Rede NATURA 2000. galaico-asturiana (entre Punta Palomas (Cádis) e cabo Prior (Astúrias) Crucianella maritima, Euphorbia portlandica, Malcolmia littorea Ononis ramosissima, Scrophularia frutescens, Seseli tortuosum. Características no território: Anagallis monelli var. microphylla, Anthemis maritima, Armeria pungens, Armeria welwitschii subsp. welwitschii, Artemisia crithmifolia, Echium gaditanum, Euphorbia boetica, Helichrysum picardii var. picardii, Iberis procumbens, Linaria lamarckii, Thymus carnosus.

XXVIII CAKILETEA MARITIMAE Tüxen & Preising in Tüxen 1950

Vegetação halonitrófila e psamófila pioneira, dominada por terófitos migradores, que possuem normalmente caules e folhas algo suculentos. Colonizam areias litorais, principalmente em zonas onde se acumulam restos orgânicos trazidos pelo mar durante as marés vivas. São comunidades anuais pobres em espécies que podem, também, colonizar as dunas litorais submetidas a forte acção antrópica e ainda as orlas dos sapais.

Características no território: Atriplex prostrata (dif.), Beta maritima var maritima, Euphorbia peplis, Glaucium flavum, Salsola kali subsp. kali.

A. Cakiletalia integrifoliae Tüxen ex Oberdorfer 1950 corr. Rivas- A.1. Cakilion maritimae Pignatti 1953 1. Salsolo kali-Cakiletum maritimae Costa & Mansanet 1981 nom. mut. Martínez, Costa & Loidi 1992 Comunidades Comunidade halonitrófila mediterrânica, formada por Cakile maritima Comunidades dominadas por terófitos, que ocupam estações ricas em que ocorre na praia alta, onde o mar deposita os detritos. Piso(s) bioclimático(s): azoto, das praias e sapais das costas europeias e norte africanas. Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: mediterrânicas que colonizam as praias para Piso(s) bioclimático(s): sul do cabo Carvoeiro. Distribuição biogeográfica: Litoral a sul de Peniche.

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Distribuição biogeográfica: Características no território: Cakile maritima (=Cakile maritima subsp. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 1210 da Rede NATURA aegyptiaca). 2000.

XXIX CRITHMO-LIMONIETEA Br.-Bl. in Br.-Bl., Roussine & Nègre 1952 nom. mut.

Vegetação casmófítica mediterrânica, das arribas marítimas, constituída por geófitos, hemicriptófitos e alguns caméfitos sujeitos a uma forte secura edáfica e a uma permanente influência dos ventos marítimos carregados de sal.

Características no território: Asteriscus maritimus, Crithmum maritimum, Limonium virgatum, Plantago macrorhiza.

A. Crithmo-Limonietalia Molinier 1934 nom. mut. A.1. Crithmo-Daucion halophili Rivas-Martínez, Lousã, T.E. Días, 1. Spergulario rupicolae-Limonietum virgati Neto, J.C. Costa, Capelo, Caraça Fernández-González & J.C. Costa 1990 Rivas-Martínez, Lousã, T.E. Días, & M.D. Pereira 2005 Comunidades das arribas marítimas. Fernández-González & J.C. Costa 1990 Comunidade de arribas xistosas do, em que são comuns Limonium Piso(s) bioclimático(s): Comunidades das arribas litorais. virgatum, Spergularia rupicola, Plantago occidentalis, Crithmum maritimum, Distribuição biogeográfica: mediterrânicas Dactylis marina e Daucus halophilus. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: Lusitano-Andaluza Distribuição biogeográfica: Distrito Costeiro Vicentino, a norte do cabo Características no território: Armeria pungens subsp. major, Calendula Sardão. algarbiensis, Calendula incana, Carlina corymbosa, Daucus halophilus, Helichrysum decumbens, Limonium multiflorum, Plantago coronopus subsp. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 1240 da Rede NATURA occidentalis, Spergularia australis. 2000.

2. Dittrichietum maritimae J.C. Costa, Arsénio & Neto ass. nova hoc loco

Comunidade das arribas xistosas elevadas, expostas aos ventos carregados de salsugem, dominada pelo endemismo Dittrichia maritima, acompanhado de diversas plantas da Crithmo-Staticetea.

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico, seco.

Distribuição biogeográfica: Litoral a sul do cabo Sardão.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 1240 da Rede NATURA 2000.

3. Comunidade de Plantago almogravensis

Comunidade muito rara, ocorrendo sobre arenitos vermelhos do Pliocénico (Ramos Pereira 1990), e dominada por Plantago almogravensis, acompanhado por diversas espécies de Crithmo-Limonietea.

Piso(s) bioclimático(s):

Distribuição biogeográfica: A sul de Vila Nova de Milfontes.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 1240 da Rede NATURA

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2000.

XXX JUNCETEA MARITIMI Br.-Bl. in Br.-Bl., Roussine & Nègre 1952

Vegetação constituída por prados e juncais halófilos, instalados normalmente em solos arenosos litorais, em esteiros, em rias, em alcantilados e em depressões continentais. Normalmente não suporta salinidades tão elevadas como a Sarcocornietea fruticosae. Distribui-se pelas costas atlânticas, mediterrânicas e depressões salgadas do continente europeu.

Características no território: Apium graveolens, Aster tripolium subsp. pannonicus, Carex extensa, Juncus maritimus, Spergularia marina.

A. Juncetalia maritimi Br.-Bl. ex Horvatic 1934 A.1. Juncion maritimi Br.-Bl. ex Horvatic 1934 1. Cotulo coronopifoliae-Triglochinetum barrelieri J.C. Costa, Neto, Arsénio & Capelo inéd. Comunidades Juncais e prados halófilos, Associação que ocorre em pequenas depressões inundadas por águas Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): salobras, junto a juncais halófilos, onde predominam Triglochin barrelieri e Distribuição biogeográfica: mediterrânicas Distribuição biogeográfica: litorais e continentais. Cotula coronopifolia.

Características no território: Elytrigia elongata (=Elymus elongatus), Juncus Características no território: Centaurium tenuiflorum, Juncus subulatus. Piso(s) bioclimático(s): acutus, Puccinellia tenuifolia, Spartina versicolor. Distribuição biogeográfica:

A.1.a. Juncenion maritimi Estatuto de conservação: Não tem. Pode formar mosaicos com habitat 1410 da Rede NATURA 2000. Juncais litorais, euoceânicos. 2. Polygono equisetiformis-Juncetum maritimi J.C. Costa in J.C. Costa, Lousã & Espírito Santo 1997

Juncal dominado por Juncus maritimus.

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico.

Distribuição biogeográfica: Desde o Guadalquivir até ao Mondego.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 1410 e integra também o conjunto de comunidades correspondentes ao habitat 1130pt1 da Rede NATURA 2000.

3. Comunidade de Spartina patens

Comunidade monoespecífica constituída pela invasora Spartina patens.

Piso(s) bioclimático(s):

Distribuição biogeográfica:

Estatuto de conservação: Não tem.

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XXXI SAGINETEA MARITIMAE Westhoff, Van Leeuwen & Adriani 1962

Vegetação terofítica e halonitrófila de distribuição eurossiberiana e mediterrânica, que suporta inundação durante certo período de tempo e em alguns locais é submetida a uma forte maresia. É constituída por diversas espécies de pequeno tamanho e fraca biomassa. O enriquecimento em azoto pode provir da acção humana ou da rápida mineralização dos restos orgânicos presentes na superfície do solo.

Características no território: Catapodium marinum, Centaurium spicatum, Parapholis incurva, Parapholis strigosa, Sagina maritima, Spergularia bocconei, Spergularia marina.

A. Frankenietalia pulverulentae Rivas-Martínez ex Castroviejo & Porta A.1. Frankenion pulverulentae Rivas-Martínez ex Castroviejo & Porta 1976 1. Parapholido incurvae-Catapodietum marini Rivas-Martínez, Lousã, T.E. 1976 Díaz, Fernández-González & J.C. Costa 1990 Associações halonitrófilas formadas por terófitos efémeros e de pequena Vegetação terofítica, halonitrófila, constituída plantas de pequeno porte e biomassa, que prosperam em estações antrópicas, litorais e interiores, Associação de terófitos efémeros, que colonizam estações litorais biomassa, por vezes com caules e folhas carnudas. Necessitam de um submetidas a uma longa submersão por águas salgadas. humedecidas pela maresia e antropizadas pelo pisoteio, caracterizada por grande período de secura durante o ano, de uma época de inundação ou Catapodium marinum, Parapholis incurva, Sagina maritima. Piso(s) bioclimático(s): encharcamento superficial que elimine a competição de outras plantas Piso(s) bioclimático(s): nitrófilas, e finalmente de um enriquecimento da superfície do solo em Distribuição biogeográfica: mediterrânicas sais solúveis e elementos azotados provenientes da rápida mineralização Distribuição biogeográfica: mediterrânica ocidental desde Peniche até às Características no território: Catapodium rigidum subsp. spicatum. da matéria orgânica fresca geralmente originada a partir de algas. Ilhas Baleares.

Piso(s) bioclimático(s): Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 1310pt6 da Rede NATURA 2000. Distribuição biogeográfica: mediterrânica A.2. Hordeion marini Ladero, F. Navarro, C.J. Valle, Marcos, Ruiz Téllez & 2. Polypogono maritimi-Hordeetum marini Cirujano 1981 Características no território: Parapholis filiformis. M.T. Santos 1984 Arrelvado terofítico subnitrófilo de salinas e depressões inundadas por Comunidades graminóides, halonitrófilas, de fenologia primaveril, águas salobras, dominada por Hordeum marinum, Polypogon maritimus, próprias de lugares submersos por águas salinas durante um curto período Parapholis filiformis. de tempo e nitrificados como consequência da actividade humana ou do Piso(s) bioclimático(s): pastoreio. Distribuição biogeográfica: Oeste e Sudoeste da Península Ibérica. Piso(s) bioclimático(s): Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat prioritário 1150pt2* da Distribuição biogeográfica: mediterrânicas Rede NATURA 2000.

XXXII SARCOCORNIETEA FRUTICOSAE Br.-Bl. & Tüxen ex A. & O. Bolòs 1950 nom. mut.

Vegetação perene e vivaz em que predominam os arbustos suculentos e plantas em roseta. Cresce em solos geralmente húmidos, fortemente salinos, ricos em sais de sódio, e sujeitos a inundações de águas salobras de origem marinha ou continental. Forma grande parte da biomassa fundamental dos salgados costeiros e interiores da região Mediterrânica e de forma discreta e empobrecida penetra nas costas atlânticas eurossiberianas até ao sector Normando.

Características no território: Artemisia gallica subsp. gallica (=A. caerulescens), Inula crithmoides.

A. Sarcocornietalia fruticosae Br.-Bl. 1933 nom. mut. A.1. Sarcocornion fruticosae Br.-Bl. 1933 nom. mut. 1. Cistancho phelypaeae-Sarcocornietum fruticosae Géhu ex Géhu & Géhu- Franck 1977 nom. mut. Vegetação formada por caméfitos e nanofanerófitos suculentos, pobres Associações características de sapais, inundados durante as marés, com em espécies, que prospera em solos salinos húmidos submetidos pelo período variável, dominadas por nanofanerófitos e caméfitos suculentos Associação litoral, visitada bidiariamente pelas águas do mar, menos temporariamente a inundações por água salgada ou salobra. dos géneros Sarcocornia e Arthrocnemum. caracterizada por Sarcocornia fruticosa, Cistanche phelypaea, Halimione

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portulacoides. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico. Distribuição biogeográfica: Distribuição biogeográfica: de distribuição mediterrânica e Cantabro- Atlântica (até ao sul de Inglaterra) Distribuição biogeográfica: ibérica meridional e tingitana atlântica a sul Características no território: Cistanche phelypaea, Halimione portulacoides, do estuário do Tejo. Triglochin bulbosa subsp. barrelieri. Características no território: Sarcocornia fruticosa. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 1420pt2 e integra

também o conjunto de comunidades correspondentes ao habitat 1130pt1 A.1.a. Sarcocornienion fruticosae Rivas-Martínez & Costa 1985 nom. mut. da Rede NATURA 2000.

Comunidades em solos sempre húmidos, que sofrem inundações por águas salobras e onde predomina o caméfito Sarcocornia fruticosa.

Piso(s) bioclimático(s):

Distribuição biogeográfica: de distribuição mediterrânica, Cantabro- Atlântica que alcançam o sul da Bretanha.

A.1.b. Sarcocornienion perennis Rivas-Martínez in Rivas-Martínez & Costa 2. Puccinellio ibericae-Sarcocornietum perennis J.C. Costa in J.C. Costa, 1985 nom. mut. Lousã & Espírito Santo 1997 corr. Rivas-Martínez, T.E. Díaz, Fernández- González, Izco, Loidi, Lousã & Penas 2002 & nom. invers. Comunidades de rias, estuários e salgados costeiros submetidos ao fluxo diário das marés, em que domina o caméfito rizomatoso Sarcocornia Associação mediterrânica, submersa bidiariamente pelas águas das marés, perennis subsp. perennis. Ocupam as posições mais baixas do sapal. dominada por Sarcocornia perennis subsp. perennis acompanhada de Puccinellia iberica e Limonium vulgare. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: Província Mediterrânica Ibérica Ocidental e Cantabro-Atlântica até ao sul de Inglaterra e marroquina ocidental. Distribuição biogeográfica: Sudoeste da Península Ibérica, a sul do estuário do Tejo. Características no território: Limonium vulgare (dif. subal.), Puccinellia iberica, Sarcocornia perennis subsp. perennis. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 1420pt1 e integra também o conjunto de comunidades correspondentes ao habitat 1130pt1 da Rede NATURA 2000.

A.2. Arthrocnemion macrostachyi Rivas-Martínez & Costa 1984 nom. mut. 3. Inulo crithmoidis-Arthrocnemetum macrostachyi Fontes ex Géhu & Géhu- Franck 1977 Comunidades mediterrânicas litorais que crescem em solos fortemente salinos só ocasionalmente inundados e suportam uma grande dessecação Associação fortemente halófila de zonas altas dos sapais sujeitas a grandes ocupa posição mais elevada que as anteriores. variações de salinidade no lençol freático, mas que não suporta inundações prolongadas, caracterizada por Arthrocnemum macrostachyum. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): termomediterrânico. Distribuição biogeográfica: Distribuição biogeográfica: Litoral desde o Tejo até Cádis. Características no território: Arthrocnemum macrostachyum, Limonium daveaui, Limonium ferulaceum, Limonium lanceolatum. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 1420pt4 e integra também o conjunto de comunidades correspondentes ao habitat 1130pt1

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da Rede NATURA 2000.

4. Limonio vulgaris-Juncetum subulati J.C. Costa, Neto, T. Almeida & Lousã A.2.a. Arthrocnemenion macrostachyi Rivas-Martínez, Lousã, T.E. Díaz, in J.C. Costa, P. Arsénio, T. Monteiro-Henriques, C. Neto, E. Pereira, T. Fernández-González & J.C. Costa 1990 Almeida & J. Izco 2009 Piso(s) bioclimático(s): Comunidade de Juncus subulatus, em solos salinos que sofreram uma Distribuição biogeográfica: inundação mais ou menos prolongada por aulas salobras.

Comunidades mediterrânicas ao sul do estuário do Tejo. Piso(s) bioclimático(s):

Distribuição biogeográfica:

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 1410 e integra também o conjunto de comunidades correspondentes ao habitat 1130pt1 da Rede NATURA 2000.

A.2.b. Sarcocornienion alpini Rivas-Martínez, Lousã, T.E. Díaz, Fernández- 5. Halimiono portulacoidis-Sarcocornietum alpini Rivas-Martínez & Costa González & J.C. Costa 1990 1984

Comunidades que ocorrem em áreas só ocasionalmente atingidas pelas Associação que ocupa posição mais elevada nos sapais costeiros que as águas das marés e são dominadas pelo caméfito Sarcocornia perennis subsp. comunidades de Sarcocornia perennis subsp. perennis do sudoeste da alpini. Península Ibéria e costas atlânticas de Marrocos dominada por Sarcocornia perennis subsp. alpini, Halimione portulacoides. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: principalmente mediterrânicas, que atingem o sector Galaico-Português. Distribuição biogeográfica:

Características no território: Sarcocornia perennis subsp. alpini. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 1420pt3 e integra também o conjunto de comunidades correspondentes ao habitat 1130pt1 da Rede NATURA 2000.

A.3. Suaedion verae (Rivas-Martínez, Lousã, T.E. Díaz, Fernández- 6. Cistancho phelypaeae-Suadetum verae Géhu & Géhu-Franck 1977 González & J.C. Costa 1990) Rivas-Martínez, Fernández-González & Loidi Comunidade de locais altos dos sapais costeiros nitrofilizados pelo 1999 depósito de detritos trazidos pela preia-mar, caracterizada por Suaeda vera Associações de locais nitrofilizados que ocupam a posição mais elevada subsp. vera, Cistanche phelypaeae. dos salgados costeiros, só ligeiramente inundadas pelas águas salgadas. Piso(s) bioclimático(s): Pode ser ainda observado em arribas fortemente salpicadas pelas águas salgadas, taludes, muros das salinas e solos salgados remexidos. Distribuição biogeográfica: Litoral desde o Tejo até à Província Murciano- Almeriense. Piso(s) bioclimático(s): Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 1420pt5 e integra Distribuição biogeográfica: também o conjunto de comunidades correspondentes ao habitat 1130pt1 Características no território: Suaeda vera subsp. vera. da Rede NATURA 2000.

B. Limonietalia Br.-Bl. & O. Bolòs 1958 B.1. Limonion confusi (Br.-Bl. 1933) Rivas-Martínez & Costa 1984 7. Limonietum lanceolati Arsénio, J.C. Costa, Neto & Monteiro-Henriques

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Comunidades halófilas próprias de solos fortemente salinos, mas que não Comunidades camefíticas, halófilas, costeiras, em solos arenosos bem Comunidade hemicriptofítica em que dominam Limonium lanceolatum, se encontram submetidas a inundações temporárias por águas salgadas ou drenados. Limonium ferulaceum acompanhadas de diversas plantas da Sarcocornietea salobras. Em alguns casos podem ser inundadas durante as marés fruticosae, em solos com muitas pedras soltas e cascalhos de xisto, Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico. equinociais. inundada nas marés equinociais. Distribuição biogeográfica: Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Características no território: Limonium diffusum. Distribuição biogeográfica: Distribuição biogeográfica: Sapais do rio Mira e da ribeira da Cerca (Aljezur).

Estatuto de conservação: Defende-se a sua integração no habitat prioritário 1510*. Integra o conjunto de comunidades correspondentes ao habitat 1130pt1 da Rede NATURA 2000.

XXXIII SPARTINETEA MARITIMAE Tüxen in Beeftink & Géhu 1973

Vegetação higrófita, constituída por gramíneas vivazes halófitas, mono ou pauciespecíficas, que ocupam os ambientes de baixa energia nos estuários ou costas baixas. São comunidades pioneiras instaladas em sedimentos marinhos ou fluvio-marinhos mais ou menos finos (vasas ou areias), sujeitos à influência diária das marés. A classe encontra-se assinalada nas costas holárticas.

Características no território:

A. Spartinetalia maritimae Conard ex Beeftink & Géhu 1973 A.1. Spartinion maritimae Conard ex Beeftink & Géhu 1973 1. Spartinetum maritimae Corillion 1953

Comunidades halófilas. Aliança única na Europa. Associação de sapais e estuários atlânticos, sedimentos marinhos ou fluvio-marinhos mais ou menos finos (vasas ou areias) saturados e Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): dominada por Spartina maritima. Distribuição biogeográfica: distribuição europeia e norte africana Distribuição biogeográfica: Piso(s) bioclimático(s): Características no território: Spartina maritima. Distribuição biogeográfica:

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 1320 da Rede NATURA 2000.

XXXIV. THERO-SALICORNIETEA Tüxen in Tüxen & Oberdorfer ex Géhu & Géhu-Franck 1984 nom. conserv.

Vegetação pioneira, constituída por terófitos suculentos, que prospera em solos salinos, inundados temporariamente e sapais costeiros e continentais, de distribuição holártica.

Características no território: Suaeda albescens (=S. maritima).

A. Thero-Suaedetalia Br.-Bl. & O. Bolòs 1958 A.1. Thero-Suaedion Br.-Bl. in Br.-Bl., Roussine & Nègre 1952 1. Suaedo splendentis-Salsoletum sodae Br.-Bl. ex Br.-Bl., Roussine & Nègre 1952 Comunidades litorais ou interiores, de plantas anuais, halonitrófilas, Aliança única. carnudas, de desenvolvimento estival. Ocorrem em solos salinos, Associação de terófitos suculentos, de fenologia vernal-outonal, em solos Piso(s) bioclimático(s): enriquecidos em compostos azotados, quer pela decomposição de restos argilosos salinos húmidos revolvidos e nitrificados, caracterizada por

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orgânicos acumulados nas margens dos salgados, quer pela acção Salsola soda, Suaeda splendens. Distribuição biogeográfica: humana. Piso(s) bioclimático(s): Características no território: Salsola soda, Suaeda albescens (=S. maritima), Piso(s) bioclimático(s): Suaeda spicata, Suaeda splendens. Distribuição biogeográfica: Distribuição Mediterrânica, com o seu limite Distribuição biogeográfica: setentrional no Estuário do Tejo.

Características no território: Cressa cretica var. villosa, Salsola soda, Suaeda Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 1310pt2 da Rede splendens. NATURA 2000 e integra também o conjunto de comunidades correspondentes ao habitat 1130pt1 da Rede NATURA 2000.

2. Cressetum villosae Rothmaler 1943 corr. Rivas-Martínez, T.E. Díaz, Fernández-González, Izco, Loidi, Lousã & Penas 2002

Associação halonitrófila, dominada por Cressa cretica var. villosa.

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico.

Distribuição biogeográfica: Sudoeste da Península Ibérica.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 1310pt2 da Rede NATURA 2000 e integra também o conjunto de comunidades correspondentes ao habitat 1130pt1 da Rede NATURA 2000.

B. Thero-Salicornietalia Tüxen in Tüxen & Oberdorfer ex Géhu & Géhu- B.1. Salicornion dolichostachyo-fragilis Géhu & Rivas-Martínez in Géhu & 3. Salicornietum fragilis Géhu & Géhu-Franck 1984 Franck 1984 Géhu-Franck 1984 Vegetação de fenologia precoce (Julho a Agosto), em solos limosos ou Vegetação pioneira de terófitos suculentos (=Salicornia spp.), que prospera Comunidades que colonizam as costas atlânticas da Europa, geralmente limo-arenosos salinos a níveis baixos, sofrendo inundação diária, em solos desprovidos de vegetação vivaz, inundados temporariamente nas formadas por espécies tetraplóides do género Salicornia. Ocupam as dominada por Salicornia fragilis. clareiras de sapais e costas planas arenosas ou limosas. Pode ser observada posições mais baixas dos sapais e todos os dias são submersas durante a Piso(s) bioclimático(s): nos níveis mais baixos do sapal ou nas zonas mais interiores dos salgados. preia-mar. Distribuição biogeográfica: Litoral atlântico e Algarve. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 1310pt1 da Rede Distribuição biogeográfica: distribuição holártica Distribuição biogeográfica: NATURA 2000 e integra também o conjunto de comunidades Características no território: Salicornia fragilis. correspondentes ao habitat 1130pt1 da Rede NATURA 2000.

B.2. Salicornion europaeo-ramosissimae Géhu & Géhu-Franck 1984 4. Halimiono portulacoidis-Salicornietum ramosissimae J.C. Costa in J.C. Costa, Lousã & Espírito Santo 1996 corr. J.C. Costa 2004 Comunidades atlânticas dominadas por espécies diplóides (2n = 18) do género Salicornia, próprias do nível médio e mais elevado dos esteiros e [Halimiono portulacoidis-Salicornietum patulae J.C. Costa in J.C. Costa, dos salgados litorais e interiores. Lousã & Espírito Santo 1996]

Piso(s) bioclimático(s): Associação pioneira mediterrânica, em locais planos arenosos ou limosos saturados dos níveis baixos dos sapais inundados diariamente, Distribuição biogeográfica: caracterizada por Salicornia ramosissima, Suaeda albescens, Puccinellia iberica.

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico.

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Distribuição biogeográfica: do sudoeste da Península desde o Tejo até ao Guadalquivir.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 1310pt1 da Rede NATURA 2000 e integra também o conjunto de comunidades correspondentes ao habitat 1130pt1 da Rede NATURA 2000.

B.3. Salicornion patulae Géhu & Géhu-Franck 1984 5. Suaedo splendentis-Salicornietum patulae Rivas-Martínez, Costa, Castroviejo & E. Valdés 1980 corr. Rivas-Martínez 1990 Comunidades mediterrânicas, formadas por espécies diplóides e tetraplóides nas posições mais elevadas dos sapais. Estes biótopos podem Associação pioneira em solos salinos argilosos ou arenosos desnudados de ser inundados no Inverno por água pluvial, mas são submetidos a uma depressões ou canais inundados ou encharcados durante o Inverno ou forte dessecação no Verão. Primavera do nível alto do sapal ou em salinas abandonadas, dominada pela Salicornia patula. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico. Distribuição biogeográfica: , que se estendem até à entrada do Mar do Norte Distribuição biogeográfica: Litoral sudoeste da Península Ibérica até ao Tejo e interior da Península Ibérica. Características no território: Salicornia patula. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat prioritário 1510* da Rede NATURA 2000.

XXXV. PHRAGMITO-MAGNOCARICETEA Klika in Klika & Novák 1941

Vegetação hidrófila constituída por helófitos, de distribuição cosmopolita, característica das margens de cursos de água, zonas pantanosas, lagoas e lodos húmidos que em grande parte do ano ou mesmo todo o ano está localizada em estações cobertas de água.

Características no território: Alisma plantago-aquatica, Carex pseudocyperus, Eleocharis palustris subsp. vulgaris, Lycopus europaeus, Lythrum salicaria, Phragmites australis, Sparganium erectum subsp. erectum, Veronica anagallis-aquatica.

A. Phragmitetalia Koch 1926 em. Pignatti 1954 A.1. Phragmition communis Koch 1926 1. Typho angustifoliae-Phragmitetum australis (Tüxen & Preising 1942) Rivas- Martínez, Báscones, T.E. Díaz, Fernández-González & Loidi 1991 Comunidades de grandes helófitos rizomatosos de distribuição Única aliança na Europa. cosmopolita., que colonizam as margens de rios de baixa energia ou Comunidade do norte, oeste e sudoeste da Península Ibérica, própria de Piso(s) bioclimático(s): lagoas de águas doces meso-oligotróficas temporárias ou permanentes. águas meso-eutróficas, que não suportam grandes períodos de seca. A Distribuição biogeográfica: fácies de Scirpus lacustris desenvolve-se nas margens de rios e linhas de Piso(s) bioclimático(s): água em solos grosseiros ou rochosos; a fácies de Typha spp. prefere águas Características no território: Typha latifolia. Distribuição biogeográfica: tranquilas sendo por isso comum nas margens de lagoas, charcos e remansos de rios em solos limosos; a fácies de Phragmites australis tem um Características no território: Iris pseudacorus, Mentha aquatica, grau ecológico mais amplo, mas é nas margens das albufeiras que se Schoenoplectus lacustris (=Scirpus lacustris), Schoenoplectus tabernaemontani, A.1.a. Phragmitenion communis mostra mais competitivo, porque o caniço suporta uma maior dessecação. Typha domingensis. Comunidades de grandes helófitos rizomatosos de água doce. Piso(s) bioclimático(s):

Distribuição biogeográfica:

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Estatuto de conservação: Quando encontradas num contexto ecológico de depressões dunares húmidas, onde a água doce sofre infiltrações de água salgada, estas comunidades integram o habitat 2190pt2 da Rede NATURA 2000.

2. Typho-Schoenoplectetum tabernaemontani Br.-Bl. & O. Bolòs 1958 nom. mut.

Associação mediterrânica de águas eutróficas muito rica em iões (alcalinas ou salobras), em solos compactados argilo-limosos, que podem sofrer uma dessecação temporária no final do Verão, caracterizada por Schoenoplectus tabernaemontani, Typha spp., Phragmites australis, Bolboschoenus maritimus var. maritimus.

Piso(s) bioclimático(s):

Distribuição biogeográfica:

Estatuto de conservação: Quando encontradas num contexto ecológico de depressões dunares húmidas, onde a água doce sofre infiltrações de água salgada, estas comunidades integram o habitat 2190pt3 da Rede NATURA 2000.

B. Nasturtio-Glycerietalia Pignatti 1954 B.1. Glycerio-Sparganion Br.-Bl. & Sissingh in Boer 1942 3. Glycerio declinatae-Eleocharitetum palustris Rivas-Martínez & Costa in Rivas-Martínez, Costa, Castroviejo & E. Valdés 1980 Comunidades de macrófitos erectos ou decumbentes, de distribuição Associações de helófitos características de águas profundas com flutuações holártica, onde são comuns algumas gramíneas de folhas flutuantes do de nível em ambientes de baixa a média energia. Comunidades helófitas de águas doce pobres em bases, em que são género Glyceria. comuns Eleocharis palustris e Glyceria declinata. Ocorre em águas Piso(s) bioclimático(s): tranquilas de lagoas e margens de rios que suportam uma estiagem Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: de distribuição europeia e norte africana prolongada. Distribuição biogeográfica: Características no território: Eleocharis palustris subsp. palustris, Myosotis Piso(s) bioclimático(s): Características no território: Alisma lanceolatum. caespitosa, Oenanthe fistulosa, Sparganium erectum subsp. neglectum. Distribuição biogeográfica: Províncias Lusitano-Andaluza Litoral, Mediterrânica Ibérica Ocidental, orocantábrica e Cantabro-Atlântica.

B.1.a. Glycerienion fluitantis (Géhu & Géhu-Franck 1987) J.A. Molina 1996 Estatuto de conservação: Não tem.

B.1.b Phalaridenion arundinaceae (Kopecký 1961) J.A. Molina 1996 4. Glycerio declinatae-Oenanthetum crocatae Rivas-Martínez, Belmonte, Fernández-González & Sánchez-Mata in Sánchez-Mata 1989 Comunidades helofíticas, constituídas por gramíneas erguidas ou megafórbios que colonizam biótopos submetidos a inundações Comunidade helofítica, silicícola, dominada por Oenanthe crocata, a periódicas. desenvolver-se sobre solos aluvionares pouco evoluídos, arenosos, nos leitos e margens de rios e linhas de água rápidos e oligotróficos. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: Distribuição biogeográfica: Centro e oeste da Península Ibérica.

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Características no território: Oenanthe crocata. Estatuto de conservação: Não tem.

B.2. Rorippion nasturtii-aquatici Géhu & Géhu-Franck 1987 nom. mut. 5. Glycerio declinatae-Apietum nodiflori J.A. Molina 1996

Associações constituídas por helófitos latifólios tenros, que prosperam em Comunidade helofítica própria de leitos de rios e linhas de água com águas com pequena profundidade, ricas em azoto. corrente moderada e com estiagem, dominada por Apium nodiflorum acompanhado de Glyceria declinata. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: Distribuição biogeográfica: Norte e oeste da Península Ibérica. Características no território: Apium nodiflorum, Apium repens, Rorippa nasturtium-aquaticum (=Nasturtium officinale). Estatuto de conservação: Não tem.

C. Magnocaricetalia Pignatti 1954 C.1. Magnocaricion elatae Koch 1926 6. Irido pseudacori-Polygonetum salicifolii O. Bolòs 1957

Comunidades de grandes helófitos de aspecto graminóide, Comunidades de pântanos, lagos e margens de rios. Associação termófila dulçiaquícola de margens de lagoas e charcos em principalmente do género Carex spp. que domina Polygonum salicifolium, Iris pseudacorus acompanhado de Carex Piso(s) bioclimático(s): riparia, Typha spp., Equisetum palustre, Rorippa nasturtium-aquaticum, Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: eurossiberianos e mediterrânicos Oenanthe crocata. Distribuição biogeográfica: Características no território: Carex hispida, Cyperus longus subsp. longus, Piso(s) bioclimático(s): Características no território: Galium palustre. Polygonum salicifolium. Distribuição biogeográfica:

Estatuto de conservação: Quando encontradas num contexto ecológico de depressões dunares húmidas, estas comunidades integram o habitat 2190pt1 da Rede NATURA 2000.

C.2. Caricion reuterianae Rivas-Martínez, Fernández-González & Sánchez- 7. Galio palustris-Caricetum lusitanicae Rivas-Martínez, Belmonte & Mata) J.A. Molina 1996 nom. mut. Sánchez-Mata in Sánchez-Mata 1989

Comunidades dominadas por espécies do género Carex spp., que se Associação dominada por Carex paniculata subsp. lusitanica, própria de encontram nas margens de cursos de água sobre substratos oligo- solos compactados com pseudogley de margens de rios e linhas de água. mesotróficos. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: Províncias Lusitano-Andaluza Litoral e Distribuição biogeográfica: Província Mediterrânica Ibérica Ocidental. Mediterrânica Ibérica Ocidental.

Características no território: Carex paniculata subsp. lusitanica. Estatuto de conservação: Integra o habitat 2190pt2.

D. Bolboschoenetalia compacti Dahl & Hadač 1941 corr. Rivas-Martínez, D.1. Bolboschoenion compacti Dahl & Hadač 1941 corr. Rivas-Martínez, 8. Bolboschoeno compacti-Scirpetum litoralis (Br.-Bl. in Br.-Bl., Roussine & Costa, Castroviejo & E. Valdés 1980 nom. mut. Costa, Castroviejo & E. Valdés 1980 nom. mut. Nègre 1952) O. Bolòs 1962 nom. mut.

[Scirpetalia compacti Dahl & Hadač 1941 corr. Rivas-Martínez, Costa, [Scirpion compacti Dahl & Hadač 1941 corr. Rivas-Martínez, Costa, [Scirpetum compacto-litoralis (Br.-Bl. in Br.-Bl., Roussine & Nègre 1952) Castroviejo & E. Valdés 1980 Castroviejo & E. Valdés 1980] O. Bolòs 1962 corr. Rivas-Martínez, Costa, Castroviejo & E. Valdés 1980]

Comunidades holárticas, que se observam sobre solos salobros, em sapais Comunidades de sapais e salinas presididas por Bolboschoenus maritimus Comunidade mediterrânica ocidental, dominada por Scirpus compactus, de

326

ou salinas, presididas por ciperáceas helófitas. var. compactus. depressões e salinas abandonadas que sofreram um período longo de inundação por água salobras. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: Distribuição biogeográfica: mediterrânicas Distribuição biogeográfica: Litoral a sul do Tejo. Características no território: Bolboschoenus (=Scirpus) maritimus var. compactus. Estatuto de conservação: Integra o conjunto de comunidades correspondentes ao habitat 1130pt1 da Rede NATURA 2000.

XXXVI ISOETO-LITTORELLETEA Br.-Bl. & Vlieger in Vlieger 1937

Vegetação anfíbia vivaz constituída por helófitos junceiformes e isoetídeos ou hidrogeófitos, própria de águas doces, lênticas, oligotróficas ou ligeiramente mesotróficas de nível variável. Apresenta distribuição holártica e ocorre com maior frequência em lodos e solos com gley inicial, mineralizados

Características no território:

A. Littorelletalia Koch 1926 A.1. Hyperico elodis-Sparganion Br.-Bl. & Tüxen ex Oberdorfer 1957 1. Junco emmanuelis-Eleocharitetum multicaulis Rivas-Martínez & Costa in Rivas-Martínez, Costa, Castroviejo & E. Valdés 1980 Ordem única. Comunidades de distribuição atlântica e Mediterrânica-Iberoatlântica, constituídas por hidrófitos e helófitos que ocupam leitos de regatos e Associação formada por helófitos vivazes de aspecto junceiforme, de Características no território: Hydrocotyle vulgaris, Juncus bulbosus, margens de charcos submetidos a submersão periódica por águas meso- margem de lagoas de águas meso-oligotróficas, permanecendo Myriophyllum alterniflorum, Littorella uniflora, Potamogetum polygonifolius. oligotróficas. encharcados ou submersos durante vários meses do ano, constituída por Eleocharis multicaulis, Hypericum elodes, Juncus bulbosus, Baldellia Características no território: Apium inundatum, Baldellia ranunculoides, ranunculoides, Hydrocotyle vulgaris, Juncus emmanuelis. Eleocharis multicaulis, Hypericum elodes, Juncus emmanuelis, Juncus heterophyllus, Myosotis lusitanica, Rhynchospora modesti-lucennoi Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico. (=Rhynchospora rugosa). Distribuição biogeográfica: Distritos Sadense, Costeiro Vicentino e Marismenho.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 3110 da Rede NATURA 2000.

2. Scirpo fluitantis-Juncetum heterophylli Rivas-Martínez & Costa in Rivas- Martínez, Costa, Castroviejo & E. Valdés 1980

Associação de helófitos vivazes flutuantes e decumbentes (Juncus heterophyllus, Baldellia ranunculoides, Eleogiton fluitans (= Isolepis fluitans), Hypericum helodes, etc.) de águas doces, requerendo períodos de submersão mais longos do que a comunidade Junco emmanuelis- Eleocharitetum multicaulis, em solos lodosos com horizonte gley e sem acumulação aparente de matéria orgânica não humificada, chegando a dessecar completamente no verão.

Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico.

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Distribuição biogeográfica: Distritos Costeiro Vicentino e Marismenho.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 3110 da Rede NATURA 2000.

XXXVI SCHEUCHZERIO PALUSTRIS-CARICETEA NIGRAE Tüxen 1937 nom. mut.

Comunidades holárticas de turfeiras baixas, planas, em áreas encharcadas, formadas por hemicriptófitos e geófitos de carácter hidrófilo acompanhados de musgos.

Características no território:

A. Caricetalia nigrae Koch 1926 nom. mut. A.1. Anagallido tenellae-Juncion bulbosi Br.-Bl. 1967 1. Anagallido tenellae-Juncetum bulbosi Br.-Bl. 1967

Vegetação de turfeiras planas oligotróficas, holárticas. Aliança que reúne comunidades de turfeiras oligotróficas. Associação de solos oligotróficos higroturfosos, de nível freático elevado (turfeiras baixas planas), de inclinação escassa ou nula e de difícil Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): termotemperado drenagem em solos siliciosos, termotemperada, Cantabro-Atlântica Distribuição biogeográfica: Distribuição biogeográfica: de carácter atlântico constituída por Anagallis tenella, Juncus bulbosus, Sphagnum auriculatum, Carex demissa, Wahlenbergia hederacea, Carex viridula, Carex demissa, Isolepis Características no território: Anagallis tenella, Arnica montana subsp. setacea, Pedicularis sylvatica subsp. lusitanica, Scutellaria minor, Hypericum atlantica, Pedicularis sylvatica subsp. lusitanica (dif.), Pinguicula lusitanica, elodes, Juncus articulatus, Hydrocotyle vulgaris, Baldellia ranunculoides. Scutellaria minor. Piso(s) bioclimático(s): Termotemperado a mesotemperado e termomediterrânico a mesomediterrânico.

Distribuição biogeográfica: Litoral ocidental português até ao Distrito Costeiro Vicentino.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 7140pt3 da Rede NATURA 2000. Este habitat não está referenciado para o SIC da Costa Sudoeste. Neste contexto a comunidade é dada como co-ocorrendo com as comunidades dos habitat 3120 da Rede NATURA 2000.

XXXVII BIDENTETEA TRIPARTITAE Tüxen, Lohmeyer & Preising ex von Rochow 1951

Vegetação formada por plantas anuais efémeras que crescem sobre depósitos ripícolas ou lacustres ricos em substâncias azotadas que emergem no Verão e Outono, holártica.

Características no território:

A. Bidentetalia tripartitae Br.-Bl. & Tüxen ex Klika & Hadač 1944 A.1. Bidention tripartitae Nordhagen 1940 em. Tüxen in Poli & J. Tüxen 1. Xanthio italici-Polygonetum persicariae O. Bolòs 1957 1960 Ordem única [Chenopodio ambrosioidis-Polygonetum lapathifolii Peinado, Bartolomé, Vegetação nitrófila de áreas húmidas de águas paradas ou de corrente Martínez-Parras & Andrade 1988] Piso(s) bioclimático(s): lenta, muito perturbadas, que coloniza sedimentos de textura fina Comunidade tardiestival, herbácea de macroterófitos, de leito de rios Distribuição biogeográfica: emersos no Verão. arenosos mediterrânicos de que se destacam Polygonum lapathifolium,

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Polygonum persicaria, Polygonum aviculare, Xanthium strumarium subsp. Características no território: Polygonum hydropiper, Polygonum Piso(s) bioclimático(s): italicum, Atriplex prostrata, Echinochloa crus-galli, Solanum nigrum, lapathifolium, Ranunculus sceleratus, Xanthium strumarium subsp. italicum. Distribuição biogeográfica: Chenopodium ambrosioides.

Características no território: Bidens frondosa. Piso(s) bioclimático(s):

Distribuição biogeográfica:

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 3270 da Rede NATURA 2000.

XXXVIII. ISOETO-NANOJUNCETEA Br.-Bl. & Tüxen ex Westhoff, Dijk & Passchier 1946

Vegetação de distribuição holártica dominada por terófitos e pequenos geófitos efémeros, pioneiros, que se desenvolve em solos periodicamente encharcados ou cobertos de água doce.

Características no território: Centaurium pulchellum, Hypericum humifusum, Juncus bufonius, Juncus sphaerocarpus, Lythrum hyssopifolia, Lythrum portula, Lythrum thymifolia, Mentha pulegium, Ranunculus muricatus, Veronica anagalloides.

A. Isoetetalia Br.-Bl. 1936 A.1. Isoetion Br.-Bl. 1936 1. Lythro thymifoliae-Crassuletum vaillantii Rivas Goday ex Ruiz & A. Valdés 1987 Comunidades de floração primaveril ou pré-estival, em que o período de Associações ricas em Isoetes e outros geófitos, bem como em musgos e inundação não se prolonga até meio do Verão. hepáticas, de pequenos charcos ou depressões inundadas Associação terofítica em depressões, sulcos e rodados de veículos em temporariamente por águas superficiais no Inverno ou princípio da caminhos e estradas de terra encharcadas que secam rapidamente, em Piso(s) bioclimático(s): termomediterrânico a supramediterrânico com Primavera. solos limosos ou areno-limosos sobre xistos e granitos, presidida por irradiações temperado (submediterrânico), Crassula vaillantii, Lythrum thymifolia, Juncus bufonius, Illecebrum Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico. Distribuição biogeográfica: Europa Atlântica e Mediterrâneo Ocidental. verticillatum, Pulicaria paludosa. Distribuição biogeográfica: Mediterrâneo Ocidental. Características no território: Crassula vaillantii, Juncus capitatus, Juncus Piso(s) bioclimático(s): Mesomediterrânico. hybridus, Juncus pygmaeus. Características no território: Centaurium maritimum, Isoetes duriaei, Isoetes Distribuição biogeográfica: Subprovíncia Luso-Estremadurense. histrix, Lythrum borysthenicum, Pilularia minuta, Solenopsis laurentia. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 3120 da Rede NATURA 2000. Quando integrada em geopermassigmeta edafo-higrófilos (não costeiros, no sentido restrito), pode também integrar o habitat 3170 da Rede NATURA 2000.

2. Solenopsio laurentiae-Juncetum hybridi Rivas Goday & Borja in Rivas Goday 1968 corr. V. Silva & Galán de Mera in V. Silva, Galán de Mera & Sérgio 2008

[Laurentiae-Juncetum tingitanae Rivas Goday & Borja in Rivas Goday 1968]

Associação, de solos arenosos, assente em arenitos, caracterizado por Solenopsis laurentia, Juncus hybridus, Exaculum pusillum, Kickxia cirrosa e Radiola linoides.

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Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico.

Distribuição biogeográfica: Sudoeste da Península Ibérica.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 3120 da Rede NATURA 2000.

A.2. Menthion cervinae Br.-Bl. ex Moor 1937 nom. mut. 3. Eryngio corniculati-Preslietum cervinae Rivas Goday 1957

Associações de terófitos altos, estivais, de meios inundados por águas Associação de fenologia primoestival, de charcos e depressões com águas relativamente profundas durante um período longo, na Primavera e que profundas de solos limosos ou argilo-limosos, que secam no início do secam no Verão. Verão, caracterizada por Eryngium corniculatum, Mentha pulegium, Mentha cervina, Eryngium galioides, Isoetes velatum, Isoetes setaceum, Juncus bufonius, Piso(s) bioclimático(s): Lythrum borysthenicum, Antinoria agrostidea. Distribuição biogeográfica: Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico. Características no território: Eryngium corniculatum, Isoetes setaceum Distribuição biogeográfica: Província Lusitano-Andaluza Litoral, (=Isoetes delilei), Isoetes velatum subsp. velatum, Mentha cervina, Sisymbrella Subprovíncia Luso-Estremadurense, com irradiações na Subprovíncia aspera. Carpetano-Leonesa e Província Bética.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 3130pt5 da Rede NATURA 2000.

A.3. Agrostion pourretii Rivas Goday 1958 nom. mut. 4. Loto hispidi-Chaetopogonetum fasciculati Rivas-Martínez & Costa in Rivas-Martínez, Costa, Castroviejo & E. Valdés 1980 nom. mut. Aliança de prados terofíticos dominados por gramíneas. Ocupa depressões húmidas inundadas durante um período curto e que ficam com cor de Arrelvado terofítico do fim do Inverno início da Primavera, em solos palha no Verão devido à secura do solo. arenosos, siliciosos que sofreram inundação invernal, presidido por Chaetopogon fasciculatus. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico. Distribuição biogeográfica: Província Mediterrânica Ibérica Ocidental. Distribuição biogeográfica: Província Lusitano-Andaluza Litoral e Características no território: Agrostis pourretii, Carlina racemosa, Subprovíncia Luso-Estremadurense. Chaetopogon fasciculatus, Lotus parviflorus, Pulicaria paludosa. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 3120 da Rede NATURA 2000. Quando integrada em microgeossigmeta edafo-higrófilos (não costeiros, no sentido restrito), pode também integrar o habitat 3170 da Rede NATURA 2000.

5. Pulicario paludosae-Agrostietum pourretii Rivas Goday 1956 nom. mut.

Arrelvado primaveril, em solos siliciosos de textura franco-limosa, temporariamente inundado de inverno por águas meso-oligotróficas, dominado por Agrostis pourretii acompanhado de Pulicaria paludosa, Juncus bufonius, Lotus parviflorus e diversas plantas da Tuberarietea guttatae.

330

Piso(s) bioclimático(s): Mesomediterrânico.

Distribuição biogeográfica: Província Mediterrânica Ibérica Ocidental.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 3120 da Rede NATURA 2000. Quando integrada em microgeossigmeta edafo-higrófilos (não costeiros, no sentido restrito), pode também integrar o habitat 3170 da Rede NATURA 2000.

A.4 Cicendion (Rivas Goday in Rivas Goday & Borja 1961) Br.-Bl. 1967 6. Hyperico humifusi-Cicendietum filiformis Rivas Goday (1964) 1971

[Cicendienion Allorge ex Rivas Goday in Rivas Goday & Borja 1961, [Cicendietum filiformis sensu Rivas Goday 1964 non Allorge ex Moor Nanocyperion atlanticum Rivas Goday 1954, Radiolion linoidis Rivas 1937, ass. prov., Ophioglosso lusitanici-Cicendietum filiformis Rivas Goday ex Pietsch 1973] Goday 1971, ass. prov. Antinorio-Cicendietum Rivas Goday 1971 p.p.]

Comunidades de microterófitos, submetidas a encharcamento superficial Piso(s) bioclimático(s): durante o Inverno e começo da Primavera e que secam no início do Distribuição biogeográfica: Províncias Lusitano-Andaluza Litoral e Verão. Mediterrânica Ibérica Ocidental. Piso(s) bioclimático(s): Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 3130pt4 da Rede Distribuição biogeográfica: ibero atlânticas, temperadas com irradiações NATURA 2000. mediterrânicas,

Características no território: Cicendia filiformis, Exaculum pusillum, Illecebrum verticillatum, Isolepis pseudosetacea, Juncus tenageia subsp. perpusillus, Kickxia cirrhosa, Radiola linoides, Ranunculus longipes, Sedum maireanum, Trifolium ornithopodioides.

B. Nanocyperetalia Klika 1935 B.1. Nanocyperion Koch ex Libbert 1933 7. Gnaphalio-Isolepidetum pseudosetacei Rivas Goday 1970

Comunidades de fraca cobertura e floração tardiestival ou outonal, Arrelvados acidófilos a neutrófilos característicos de locais que estiveram Comunidade de desenvolvimento pré-estival, de meios com humidade submetidas a períodos de inundação que se prolongam até ao Verão. submersos por água doce. edáfica constante, sem inundações na época de estiagem de margens de Apresentam um certo carácter nitrófilo. rios e lagoas, caracterizada por Isolepis pseudosetacea, Gnaphalium Piso(s) bioclimático(s): uliginosum, Pseudognaphalium luteo-album, Cyperus fuscus, Juncus bufonius, Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: Hypericum humifusum, Veronica anagalloides, Pulicaria paludosa. Distribuição biogeográfica: Características no território: Centaurium chloodes, Cyperus fuscus, Elatine Piso(s) bioclimático(s): Características no território: Cyperus flavescens, Gnaphalium uliginosum, alsinastrum, Isolepis cernua, Isolepis setacea, Ludwigia palustris. Distribuição biogeográfica: Província Mediterrânica Ibérica Ocidental. Lythrum tribracteatum, Pseudognaphalium luteo-album, Riccia crystallina. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 3130pt4 da Rede NATURA 2000.

B.2. Verbenion supinae Slavnic 1951 8. Damasonio alismatis-Crypsietum aculeatae Rivas-Martínez & Costa in Rivas-Martínez, Costa, Castroviejo & E. Valdés 1980 Comunidades tardiestivais ou outonais, instaladas em solos mais ou menos argilosos, que secam tardiamente e que estiveram submersos por Associação, de pequenos terófitos, dominada por Crypsis aculeata, que se

331

águas eutrofizadas ou nitrificadas (sempre ricas em sais minerais). desenvolve em solos mais ou menos salinos algo argilosos de margem de salinas e sapais e que secam de Verão. Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: de óptimo mediterrânico, Distribuição biogeográfica: Província Lusitano-Andaluza Litoral. Características no território: Blackstonia imperfoliata, Crypsis aculeata, Heliotropium supinum, Verbena supina. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 3130pt4 da Rede NATURA 2000.

XXXIX ZOSTERETEA MARINAE Pignatti 1954

Vegetação formada por monocotiledóneas vivazes vivendo em águas marinhas eu-halinas ou poli-halinas, pouco profundas (0,3 a 4 metros), submersas e enraizadas em substrato arenoso ou limoso móvel, de costas ou estuários, às quais frequentemente se unem várias algas epifíticas. Classe com distribuição holártica.

Características no território: Zostera noltii.

A. Zosteretalia Béguinot 1941 A.1. Zosterion Christiansen 1934 1. Zosteretum noltii Harmsen 1936

Ordem única. Aliança única. Comunidade monoespecífica de Zostera noltii, de estuários e costas arenosas ou limosas pouco profundas que ficam a descoberto durante a

preia-mar.

Piso(s) bioclimático(s):

Distribuição biogeográfica: Litoral atlântico.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 1110pt4 da Rede NATURA 2000, quando em bancos de areia permanentemente cobertos por água do mar pouco profunda ou ao habitat 1140 da Rede NATURA 2000, quando se encontre em bancos de sedimentos (lodaçais ou areais) intermareais. Integra ainda o conjunto de comunidades correspondentes ao habitat 1130pt1 da Rede NATURA 2000

XL HALODULO WRIGHTII-THALASSIETEA TESTUDINUM Den Hartog ex Rivas-Martínez, Fernández-González & Loidi 1999

Comunidades de monocotiledóneas vivazes submersas (bentónicas e cormófitas), vivendo em substratos arenosos, limosos ou em resíduos e despojos de corais de águas salgadas, eu-halinas ou poli-halinas, costeiras e de mares quentes e temperado-quentes tropicais e subtropicais, que atingem os 15-20 m de profundidade e sobre as quais vivem algas epifíticas.

Características no território: Cymodocea nodosa.

A. Thalassio-Syringodietalia filiformis Borhidi, Muñiz & Del Risco in A.1. Syringodio-Thalassion testudinum Borhidi 1996 1. Cymodoceetum nodosae Feldmann 1937 Borhidi 1996 Comunidades primocolonizadoras de substratos marinhos pouco Associação dominada por Cymodocea nodosa, de fundos arenosos, sempre Ordem única no território. coesivos, instaladas desde o nível do mar até águas sublitorais e podem submersa por águas pouco profundas (3-4 m de profundidade) e com atingir os 10-12 m de profundidade. corrente mais ou menos forte.

332

Distribuição biogeográfica: Mares tropicais e subtropicais, atingindo o Distribuição biogeográfica: Litoral mediterrânico e subtropical. Mediterrâneo. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 1110pt2 da Rede NATURA 2000. Integra também o conjunto de comunidades correspondentes ao habitat 1130pt1 da Rede NATURA 2000

XLI POTAMETEA Klika in Klika & Novák 1941

Comunidades de hidrófitos enraizados e grandes pleustófitos de água doces ou ligeiramente salinas.

Características no território: Callitriche brutia, Callitriche lusitanica, Myriophyllum spicatum, Potamogetum pectinatus.

A. Potametalia Koch 1926 A.1. Nymphaeion albae Oberdorfer 1957 1. Nymphaeetum albo-luteae Nowinski 1928

Comunidades holárticas, de ninfídeos (plantas com caules ramificados e Comunidades de grandes plantas dulciaquícolas enraizadas, constituídas Associação formada por Nuphar luteum, Nymphaea alba ou Potamogeton folhas flutuantes com grandes pecíolos), elodeídeos (plantas com folhas fundamentalmente por ninfídeos e alguns elodeídeos, de águas natans, que se desenvolvem em águas profundas mesotróficas a eutróficas. submersas indivisas e sem folhas flutuantes especializadas), miriofilídeos e relativamente profundas e sem ondulação. Piso(s) bioclimático(s): batraquídeos enraizados, de águas doces, ou ligeiramente salinas. Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: Comunidade de óptimo Centro-Europeu, Piso(s) bioclimático(s): Distribuição biogeográfica: atingindo a Província Lusitano-Andaluza Litoral e Subprovíncia Luso- Distribuição biogeográfica: Estremadurense. Características no território: Myriophyllum verticillatum, Nuphar lutea, Características no território: Callitriche palustris. Nymphaea alba, Polygonum amphibium, Potamogeton natans. Estatuto de conservação: Pode integrar o mosaico de comunidades correspondente ao habitat 3150 da Rede NATURA 2000.

A.2. Ranunculion aquatilis Passarge 1964 2. Callitricho stagnalis-Ranunculetum saniculifolii Galán in A.V. Pérez,

Galán, P. Navas, D. Navas, Y. Gil & Cabezudo 1999 Comunidades de pequenas plantas dulciaquícolas enraizadas, dominadas por batraquídeos. Ocorrem em biótopos de águas lentas ou paradas, Comunidade, de batraquídeos aquáticos, em águas paradas ou de corrente pouco profundas e ocasionalmente secos. lenta, pouco profundas, neutras ou ligeiramente ácidas, meso- oligotróficas, caracterizada por Ranunculus saniculifolius, Callitriche Piso(s) bioclimático(s): stagnalis, Callitriche brutia. Distribuição biogeográfica: Piso(s) bioclimático(s): Termomediterrânico a mesomediterrânico. Características no território: Callitriche cribosa, Callitriche stagnalis, Distribuição biogeográfica: Província Mediterrânica Ibérica Ocidental. Ranunculus peltatus, Ranunculus saniculifolius, Ranunculus tripartitus. Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 3260 da Rede NATURA

2000.

3. Ranunculetum tripartiti Galán in A.V. Pérez, Galán, P. Navas, D. Navas, Y. Gil & Cabezudo 1999

Comunidade aquática turfófila, de águas térmicas quietas, dominadas por Ranunculus tripartitus.

Piso(s) bioclimático(s):

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Distribuição biogeográfica: Sudoeste da Península Ibérica e Norte de África.

Estatuto de conservação: Corresponde ao habitat 3260 da Rede NATURA 2000.

XLII LEMNETEA Tüxen ex O. Bolòs & Masclans 1955

Comunidades dulciaquícolas de plantas macroscópicas não enraizadas, flutuantes ou submersas, de distribuição cosmopolita.

Características no território:

A. Lemnetalia minoris Tüxen ex O. Bolòs & Masclans 1955 A.1. Lemnion minoris Tüxen ex O. Bolòs & Masclans 1955 1. Lemnetum minoris Oberdorfer ex Müller & Görs 1960

Ordem única na Europa, subcosmopolita. Comunidades de plantas macroscópicas não enraizadas, que vivem Comunidade de águas represadas, oligotróficas a mesotróficas pouco flutuando em águas (acropleustófitos) eutrofizadas, ricas em iões e nitrofilizadas e ocasionalmente em charcas e poças residuais, dominada Piso(s) bioclimático(s): frequentemente microbiologicamente contaminadas. por Lemna minor. Distribuição biogeográfica: Piso(s) bioclimático(s): Piso(s) bioclimático(s): Características no território: Azolla filiculoides, Lemna minor. Distribuição biogeográfica: Distribuição biogeográfica:

Características no território: Lemna gibba. Estatuto de conservação: Em lagos eutróficos naturais pode integrar o mosaico de comunidades correspondente ao habitat 3150 da Rede NATURA 2000.

2. Lemno-Azolletum filiculoidis Br.-Bl. in Br.-Bl., Roussine & Nègre 1952

Comunidade quase extreme do pteridófito Azolla filiculoides, em águas represadas ou estagnadas, mesotróficas fortemente eutrofizadas. De fenologia primaveril atingindo a máxima extensão no início de Verão quando o nível de água diminui.

Piso(s) bioclimático(s):

Distribuição biogeográfica:

Estatuto de conservação: Em lagos eutróficos naturais pode integrar o mosaico de comunidades correspondente ao habitat 3150 da Rede NATURA 2000.

334

ANEXO III

Flora do Sudoeste Alentejano

335

336

PTERIDOPHYTA Hemicriptófito ou epífito rizomatoso (Anomodonto-Polypodietalia)

ADIANTACEAE EQUISETACEAE

Adiantum capillus-veneris L. Equisetum palustre L. Hemicriptófito rizomatoso Geófito (Adiantetalia capilli-veneris) (Molinietalia caeruleae)

ASPIDIACEAE Equisetum ramosissimum Desf. Geófito rizomatoso

Polystichum setiferum (Forssk.) Woynar (Populetalia albae)

Hemicriptófito (Populetalia albae) Equisetum telmateia Ehrh. Geófito rizomatoso (Salici purpureae-Populetea nigrae) ASPLENIACEAE

HEMIONITIDACEAE Asplenium marinum L.

Hemicriptófito rizomatoso (Asplenion marini) Anogramma leptophylla (L.) Link Geófito

Asplenium onopteris L. (Selaginello denticulatae-Anogrammion leptophyllae)

Hemicriptófito rizomatoso (Quercetalia ilicis) HYPOLEPIDACEAE

AZOLLACEAE Pteridium aquilinum (L.) Kuntze var. aquilinum Geófito rizomatoso

Azolla filiculoides Lam. (Cytisetea scopario-striati)

Hidrófito [América Tropical] ISOETACEAE (Lemnetalia minoris)

Isoetes duriaei Bory

DAVALLIACEAE Hemicriptófito (Isoetion)

Davallia canariensis (L.) Sm. Isoetes histrix Bory

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Hemicriptófito THELYPTERIDACEAE (Isoetion)

Thelypteris palustris Schott

Isoetes setaceum Lam. Geófito rizomatoso Hidrófito (Alnion glutinosae) (Menthion cervinae) (= I. delilei Rothm.)

Isoetes velatum A. Braun in Bory & Durieu subsp. SPERMATOPHYTA velatum

Hemicriptófito anfíbio (Menthion cervinae) ACANTHACEAE

Acanthus mollis L. subsp. platyphyllos Murb. MARSILIACEAE Hemicriptófito

Pilularia minuta Durieu in Bory & Durieu Helófito cespitoso ou rastejante AIZOACEAE (Isoetion) Anexo I da Convenção de Berna Carpobrotus edulis (L.) N.E. Br.

Caméfito [África do Sul] OSMUNDACEAE (= Mesembryanthemum edule L.)

Osmunda regalis L. Mesembryanthemum nodiflorum L. Hemicriptófito Terófito (Populetalia albae) (Mesembryanthemion crystallini)

Tetragonia tetragonoides (Pallas) O. Kuntze POLYPODIACEAE Terófito

Polypodium australe Fée

Geófito rizomatoso ou caméfito ALISMATACEAE (Polypodion cambrici) (= P. cambricum L.) Alisma lanceolatum Willd.

Hidrófito ou helófito (Nasturtio-Glycerietalia) SELAGINELLACEAE

Alisma plantago-aquatica L. Selaginella denticulata (L.) Spring Hidrófito ou helófito Hemicriptófito (Phragmito-Magnocaricetea) (Anomodonto-Polypodietalia)

Baldellia ranunculoides (L.) Parl.

338

Helófito ou hidrófito Amaranthus viridis L.

(Hyperico elodis-Sparganion) Terófito (Chenopodion muralis)

AMARANTHACEAE

AMARYLLIDACEAE Amaranthus albus L. Terófito Leucojum autumnale L.

[América do Norte] Geófito bolboso (Solano nigri-Polygonetalia convolvuli) (Poetea bulbosae)

Amaranthus blitoides S. Watson Leucojum trichophyllum Schousb.

Terófito Geófito bolboso [América do Norte] Endemismo ibero-mauritânico (Chenopodietalia muralis) (Malcolmietalia)

Amaranthus deflexus L. Narcissus bulbocodium L. subsp. bulbocodium

Hemicriptófito Geófito (Chenopodietalia muralis) Anexo(s) B-V da Directiva 92/43/CEE

Amaranthus graecizans L. Narcissus bulbocodium L. subsp. obesus (Salisb.) Terófito Maire

(Chenopodietalia muralis) Geófito Endemismo ibero-mauritânico Amaranthus hybridus L. (Brachypodion phoenicoidis) Terófito Anexo(s) B-V da Directiva 92/43/CEE [América Tropical] (Solano nigri-Polygonetalia convolvuli) Narcissus calcicola Mendonça

Geófito Amaranthus hypochondriacus L. Endemismo lusitano Terófito (Asplenion petrarchae) [América do Norte] Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE (Chenopodietalia muralis) Pancratium maritimum L.

Amaranthus muricatus (Moq.) Hieron. Geófito Caméfito (Ammophiletea) (Chenopodion muralis)

Amaranthus retroflexus L. ANACARDIACEAE

Terófito [América do Norte] Pistacia lentiscus L. (Stellarietea mediae) Hemicriptófito (Pistacio lentisci-Rhamnetalia alaterni)

339

APIACEAE Bupleurum semicompositum L.

Terófito Anthriscus caucalis M. Bieb. (Brachypodietalia distachyi)

Terófito (Cardamino hirsutae-Geranietea purpurei) Cachrys libanotis L. Hemicriptófito Anthriscus sylvestris (L.) Hoffm.

Hemicriptófito Carum verticillatum (L.) Koch (Galio aparines-Alliarietalia petiolatae) Hemicriptófito (Molinio-Arrhenatheretea) Apium inundatum (L.) Rchb.

Hidrófito Conium maculatum L. (Hyperico elodis-Sparganion) Terófito ou hemicriptófito (Galio aparines-Alliarietalia petiolatae) Apium nodiflorum (L.) Lag.

Helófito Conopodium majus (Gouan) Loret in Loret & (Rorippion nasturtii-aquatici) Barrandon subsp. marizianum (Samp.) López Udias & G. Mateo Apium repens (Jacq.) Lag. Geófito

Helófito Endemismo ibérico (Rorippion nasturtii-aquatici) (Rumici indurati-Dianthion lusitani) Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE; Anexo I da Convenção de Berna Crithmum maritimum L.

Hemicriptófito Bupleurum acutifolium Boiss. (Crithmo-Limonietea) Hemicriptófito Endemismo ibérico Daucus carota L.

(Lavandulo viridis-Quercetum suberis) Terófito ou hemicriptófito (Artemisietea vulgaris) Bupleurum fruticosum L. Nanofanerófito Daucus crinitus Desf.

(Pistacio lentisci-Rhamnetalia alaterni) Hemicriptófito (Hyparrhenion sinaicae) Bupleurum lancifolium Hornem. Terófito Daucus halophilus Brot.

(Ridolfion segeti) Hemicriptófito bienal Endemismo lusitano Bupleurum paniculatum Brot. (Crithmo-Daucion halophili) Hemicriptófito (= D. carota subsp. halophilus (Brot.) A. Pujadas) Endemismo ibero-mauritânico (Quercetalia ilicis) Daucus maximus Desf.

(= B. rigidum L. subsp. paniculatum (Brot.) H. Wolff in Engl.) Terófito ou hemicriptófito bienal (Onopordion castellani)

340

(= D. carota subsp. maximus (Desf.) Ball) Endemismo ibérico

Daucus muricatus (L.) L. Foeniculum vulgare Mill. subsp. piperitum (Ucria)

Terófito Cout. (Hordeion leporini) Hemicriptófito (Carthametalia lanati) Elaeoselinum gummiferum (Desf.) Tutin

Hemicriptófito Hydrocotyle vulgaris L. Endemismo ibero-mauritânico Helófito (Agrostio castellanae-Stipion giganteae) (Littorelletalia) (= Margotia gummifera (Desf.) Lange) Magydaris panacifolia (Vahl) Lange

Elaeoselinum tenuifolium (Lag.) Lange Hemicriptófito Hemicriptófito (Balloto-Conion maculati) Endemismo ibérico (Rosmarinetea officinalis) Oenanthe crocata L.

(= Distichoselinum tenuifolium (Lag.) García Martín & Geófito Silvestre) (Phalaridenion arundinaceae)

Eryngium campestre L. Oenanthe fistulosa L. Hemicriptófito Helófito (Onopordenea acanthii) (Glycerio-Sparganion)

Eryngium corniculatum Lam. Oenanthe lachenalii G. Gmel. Hemicriptófito Hemicriptófito (Menthion cervinae) (Molinio-Arrhenatheretea)

Eryngium dilatatum Lam. Oenanthe pimpinelloides L. Hemicriptófito Hemicriptófito Endemismo ibero-mauritânico (Holoschoenetalia vulgaris) (Thero-Brachypodion retusi)

Pimpinella villosa Schousb. Eryngium galioides Lam. Hemicriptófito Terófito (Malcolmietalia) Endemismo ibérico (Agrostion pourretii) Pseudorlaya minuscula (Pau) M. Laínz

Terófito Eryngium maritimum L. Endemismo ibero-mauritânico Hemicriptófito (Linarion pedunculatae) (Ammophiletalia) (= P. pycnacantha H. Lindb.)

Ferula communis L. subsp. catalaunica (Pau ex C. Pseudorlaya pumila (L.) Grande Vicioso) Sánchez Cuxart & Bernal Terófito Hemicriptófito

341

(Cutandietalia maritimae) APOCYNACEAE (= Orlaya maritima (Gouan) Koch; = Daucus pumilus (L.) Hoffmanns. & Link; = P. maritima (L.) Murb.; incl. P. Nerium oleander L. bubania (Philippe) Murb.) Microfanerófito

Ridolfia segetum Moris (Tamaricetalia africanae)

Terófito Vinca difformis Pourr. (Ridolfion segeti) Caméfito herbáceo

Seseli tortuosum L. (Populetalia albae)

Hemicriptófito (Crucianelletalia maritimae) ARACEAE (incl. S. pauciradiatum Schischkin)

Arisarum simorrhinum Durieu Smyrnium olusatrum L. Geófito tuberoso Hemicriptófito bienal (Quercetea ilicis) (Smyrnienion olusatri)

Arum italicum Mill. subsp. italicum Smyrnium perfoliatum L. Geófito tuberoso Hemicriptófito bienal (Populion albae) (Galio-Alliarion petiolatae)

Arum italicum Mill. subsp. neglectum (Townsend) Thapsia villosa L. Prime Hemicriptófito Geófito tuberoso Endemismo ibero-mauritânico (Populion albae) (Agrostietalia castellanae)

Torilis arvensis (Hudson) Link subsp. neglecta Thell.

Terófito Hedera maderensis K. Koch subsp. iberica (Cardamine hirsutae-Geranietea purpurei) McAllister

Fanerófito escandente Torilis japonica (Houtt.) DC. Endemismo ibérico Terófito (Quercion broteroi) (Galio-Alliarion petiolatae)

Torilis leptophylla (L.) Rchb. f. ARISTOLOCHIACEAE Terófito (hirsutae-Geranietea purpurei) Aristolochia baetica L.

Fanerófito escandente Torilis nodosa (L.) Gaertn. Endemismo ibero-mauritânico Terófito (Asparago albi-Rhamnion oleoidis) (Cardamine hirsutae-Geranietea purpurei) Aristolochia paucinervis Pomel

342

Hemicriptófito Andryala integrifolia L. var. integrifolia

(Populetalia albae) Hemicriptófito (= A. longa L.) (Hyparrhenion sinaicae)

Aristolochia pistolochia L. Anthemis arvensis L.

Hemicriptófito Terófito ou proto-hemicriptófito bienal (Rosmarinetalia officinalis) (Scleranthion annui)

Anthemis cotula L. ASCLEPIADACEAE Terófito (Stellarietea mediae) Vincetoxicum nigrum (L.) Moench

Proto-hemicriptófito escandente Anthemis maritima L. Endemismo europeu Caméfito lenhoso (Quercetea ilicis) (Ammophiletea)

Arctotheca calendula (L.) Levyns ASTERACEAE Terófito [África do Sul] Achillea ageratum L. (Sisymbrietalia officinalis) Caméfito lenhoso (= Cryptostemma calendulacea (Hill) R. Br.) (Holoschoenetalia vulgaris)

Arnica montana L. subsp. atlantica A.Bolòs Aetheorhiza bulbosa (L.) Cass. subsp. bulbosa Geófito rizomatoso Geófito bolboso Endemismo ibérico (Crucianelletalia maritimae) Anexo(s) B-V da Directiva 92/43/CEE (= Crepis bulbosa (L.) Tausch.)

Artemisia arborescens L. Anacyclus clavatus (Desf.) Pers. Caméfito lenhoso Terófito (Salsolo vermiculatae-Peganetalia harmalae) (Hordeion leporini)

Artemisia campestris L. subsp. glutinosa (J. Gay ex Anacyclus radiatus Loisel. Besser) Batt. in Batt. & Trab. Terófito Caméfito lenhoso (Hordeion leporini) (Pegano-Salsoletea)

Andryala arenaria (DC.) Boiss. & Reuter subsp. Artemisia crithmifolia L. arenaria Caméfito lenhoso Terófito Endemismo europeu Endemismo ibero-mauritânico (Helichrysion picardii)

Andryala corymbosa Lam. Artemisia gallica Willd. subsp. gallica Hemicriptófito bienal Caméfito lenhoso (Tuberarietalia guttatae)

343

(Sarcocornietea fruticosae) Endemismo ibérico (= Artemisia caerulescens L. subsp. caerulescens) (Astragalion tragacanthae)

Artemisia vulgaris L. Calendula suffruticosa Vahl subsp. lusitanica

Proto-hemicriptófito (Boiss.) Ohle (Artemisietea vulgaris) Caméfito sublenhoso Endemismo ibérico Aster squamatus (Spreng.) Hiern. (Calendulo lusitanicae-Antirrhinion linkiani)

Terófito [América Central e do Sul] Carduus bourgeanus Boiss. & Reut. (Elytrigietalia repentis) Terófito Endemismo ibero-mauritânico Asteriscus maritimus (L.) Less. (Carthametalia lanati)

Caméfito lenhoso (Crithmo-Limonietea) Carduus meonanthus Hoffmanns & Link Terófito Atractylis cancellata L. Endemismo ibero-mauritânico

Terófito (Linario polygalifoliae-Vulpion alopecuroris) (Brachypodietalia distachyi) Carduus pycnocephalus L. Atractylis gummifera L. Terófito

Geófito tuberoso (Onopordenea acanthii) (Carthametalia lanati) Carduus tenuiflorus Curtis Bellis annua L. subsp. annua Terófito

Terófito (Onopordenea acanthii) (Poetea bulbosae) Carlina corymbosa L. subsp. corymbosa Bellis sylvestris Cyr. Geófito rizomatoso

Hemicriptófito (Carthametalia lanati) (Poetea bulbosae) (= C. hispanica Lam.)

Calendula algarbiensis Boiss. Carlina corymbosa L. var. major Lange

Caméfito sublenhoso Geófito rizomatoso Endemismo ibérico (Crithmo-Daucion halophili) (Crithmo-Daucion halophili) Carlina racemosa L. Calendula arvensis L. Terófito ou hemicriptófito subarrosetado

Terófito Endemismo ibero-mauritânico (Stellarietea mediae) (Agrostion pourretii)

Calendula incana Willd. Carthamus lanatus L. subsp. lanatus

Caméfito sublenhoso Terófito

344

(Carthametalia lanati) Centaurea sphaerocephala L. subsp. sphaerocephala

Hemicriptófito subarrosetado Centaurea africana Lam. Endemismo ibero-mauritânico Hemicriptófito subarrosetado Endemismo ibero-mauritânico Centaurea vicentina Mariz

(Quercion lusitanicae) Hemicriptófito subarrosetado Endemismo lusitano Centaurea aspera L. subsp. aspera (Quercion lusitanicae) Hemicriptófito subarrosetado Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE (Carthametalia lanati) (= C. fraylensis Schultz Bip. ex Nyman)

Centaurea aspera L. subsp. stenophylla (Dufour) Chamaemelum fuscatum (Brot.) Vasc.

Nyman Terófito Hemicriptófito subarrosetado (Spergulo-Arabidopsienion thalianae) Endemismo ibero-mauritânico (Bromo-Piptatherion miliacei) Chamaemelum mixtum (L.) All.

Terófito Centaurea calcitrapa L. (Scleranthion annui) Hemicriptófito subarrosetado (= Anthemis mixta L.; = Ormenis mixta (L.) Bumort.) (Onopordenea acanthii) Chamaemelum nobile (L.) All.

Centaurea collina L. Proto-hemicriptófito Hemicriptófito subarrosetado (Potentillion anserinae) (Carthametalia lanati) Chamaemelum nobile (L.) All. var. discoideum Centaurea crocata Franco (Boiss.) P. Silva

Hemicriptófito subarrosetado Proto-hemicriptófito Endemismo lusitano (Potentillion anserinae) (Quercion lusitanicae) Cheirolophus sempervirens (L.) Pomel

Centaurea melitensis L. Caméfito lenhoso Terófito Endemismo ibérico (Thero-Brometalia) (Stachyo lusitanicae-Cheirolophenion sempervirentis)

Centaurea pullata L. Chondrilla juncea L.

Terófito Hemicriptófito (Thero-Brometalia) (Onopordenea acanthii) (incl. C. acantholepis Boiss.; = C. brevirostris Fischer & C. A. Centaurea sphaerocephala L. subsp. polyacantha Meyer; = C. canescens Ker. & Kir.; = C. graminea Bieb.; = C. latifolia Bieb.) (Willd.) Dostál

Hemicriptófito Chrysanthemum coronarium L. Endemismo ibérico Terófito (Sporobolion arenarii) (Hordeion leporini)

345

Chrysanthemum coronarium L. var. coronarium [América Central e do Sul]

Terófito (= Conyza floribunda Kunth) (Hordeion leporini) Conyza sumatrensis (Retz.) E. Walker Chrysanthemum coronarium L. var. discolor d’Urv. Terófito

Terófito [América do Sul] (Hordeion leporini) (Chenopodion muralis) (= C. albida Spreng.)

Chrysanthemum segetum L. Conyza x mixta Fouc. & Neyr. Terófito (Solano nigri-Polygonetalia convolvuli) Terófito (Conyza bonariensis x Conyza canadensis)

Cichorium intybus L. Cotula australis (Sieb. ex Spreng.) Hook f. Hemicriptófito (Onopordenea acanthii) Terófito [Austrália e Nova Zelândia]

Cirsium palustre (L.) Scop. (Polygono arenastri-Poetalia annuae)

Hemicriptófito subarrosetado Cotula coronopifolia L. (Molinietalia caeruleae) Terófito

Cnicus benedictus L. [África do Sul]

Terófito Crepis foetida L. (Chenopodion muralis) Terófito

Coleostephus myconis (L.) Rchb. f. (Chenopodio-Stellarienea)

Terófito Crepis pusilla (Sommier) Merxm. (Stellarienea mediae) Terófito

Conyza bonariensis (L.) Cronq. (Polycarpion tetraphylli)

Terófito Crepis vesicaria L. subsp. haenseleri (Boiss. ex DC.) [América do Sul] P.D. Sell (Chenopodion muralis) (= C. crispa (Pourret) Rubr.; = C. ambigua DC.; = Erigeron Terófito ou hemicriptófito bonariensis L.) (Sisymbrietalia officinalis)

Conyza canadensis (L.) Cronq. Cynara algarbiensis Mariz

Terófito Hemicriptófito subarrosetado [América do Norte] Endemismo ibérico (Chenopodietalia muralis) (Urtico piluliferae-Silybion mariani) (= Erigeron canadensis L.) Cynara cardunculus L.

Conyza rouyana Sennen Hemicriptófito subarrosetado

Terófito (Urtico piluliferae-Silybion mariani)

346

Cynara humilis L. [América do Norte]

Hemicriptófito Endemismo ibero-mauritânico Evax lusitanica Samp. (Onopordion castellani) Terófito acaule (= Bourgaea humilis (L.) Cosson) Endemismo ibérico (Malcolmietalia) Daveaua anthemoides Mariz

Terófito Evax pygmaea (L.) Brot. subsp. ramosissima Endemismo ibero-mauritânico (Mariz) R. Fern & Nogueira Terófito Dittrichia maritima Brullo & De Marco Endemismo ibero-mauritânico

Caméfito lenhoso (Hymenocarpo hamosi-Malcolmion trilobae) Endemismo lusitano (Dittrichietum maritimae) Filago lutescens Jord. Terófito Dittrichia viscosa (L.) Greuter subsp. revoluta Endemismo ibero-mauritânico (Hoffmanns. & Link) P. Silva & Tutin (Tuberarietalia guttatae)

Caméfito lenhoso Endemismo lusitano Filago pyramidata L. (Bromo-Piptatherion miliacei) Terófito (Stellarietea mediae) Dittrichia viscosa (L.) Greuter subsp. viscosa

Caméfito lenhoso Galactites tomentosa Moench (Bromo-Piptatherion miliacei) Terófito (= Inula viscosa (L.) Ait.) (Echio plantaginei-Galactition tomentosae)

Doronicum plantagineum L. Galinsoga parviflora Cav.

Geófito rizomatoso Terófito Endemismo europeu [América do Sul] (Quercetalia ilicis) (Polygono-Chenopodion polyspermi)

Echinops strigosus L. Gnaphalium uliginosum L.

Terófito Terófito Endemismo ibero-mauritânico (Nanocyperetalia) (Onopordion castellani) Gymnostyles stolonifera (Brot.) Tutin

Erigeron karwinskianus DC. Terófito

Caméfito herbáceo (Polycarpion tetraphylli) [México e Sul da América Tropical] (Parietarietalia) Hedypnois arenaria (Schousb.) DC.

Terófito Eupatorium adenophorum Spreng. Endemismo ibero-mauritânico

Hemicriptófito subarrosetado (Linarion pedunculatae)

347

Hedypnois cretica (L.) Dumont-Courset (Sarcocornietea fruticosae)

Terófito (Thero-Brometalia) Lactuca chondrilliflora Boreau (= H. rhagadioloides (L.) F. W. Schmidt; = H. polymorpha DC.) Hemicriptófito (Andryaletalia ragusinae) Helichrysum decumbens Cambess.

Caméfito lenhoso Lactuca saligna L. Endemismo ibérico Terófito ou hemicriptófito bienal (Crithmo-Daucion halophili) (Trifolio fragiferi-Cynodontion)

Helichrysum italicum (L.) Moench subsp. Lactuca serriola L. serotinum (Boiss.) P. Fourn. Terófito ou hemicriptófito bienal

Caméfito lenhoso (Artemisietea vulgaris) (Helichryso stoechadis-Santolinetalia squarrosae) Lapsana communis L.

Helichrysum picardii (Roth) G. Don fil. var. Terófito picardii (Galio aparines-Alliarietalia petiolatae)

Caméfito lenhoso Endemismo ibero-mauritânico Leontodon taraxacoides (Vill.) Mérat subsp. (Helichrysion picardii) longirostris Finch & P.D. Sell

(= H. italicum (Roth) G.Don subsp. picardi (Boiss. & Reut.) Terófito Franco) (Tuberarietea guttatae)

Helichrysum picardii Boiss. & Reut. var. virescens Leontodon taraxacoides (Vill.) Mérat subsp. Rivas Mart. taraxacoides Caméfito lenhoso Hemicriptófito vivaz ou bienal Endemismo ibero-mauritânico (Crucianelletalia maritimae) (Coremation albi)

Leontodon tuberosus L. Helichrysum stoechas (L.) Moench subsp. stoechas Geófito tuberoso Caméfito lenhoso (Poetea bulbosae) (Helichryso stoechadis-Santolinetalia squarrosae) (= Thrincia tuberosa (L.) DC.)

Hypochoeris glabra L. Logfia gallica (L.) Coss. & Germ. Terófito Terófito (Tuberarion guttatae) (Tuberarietalia guttatae) (= Filago gallica L.; inc. L. tenuifolia (C. Presel) Coste) Hypochoeris radicata L. subsp. radicata

Hemicriptófito subarrosetado Logfia minima (Sm.) Dumort. (Plantaginetalia majoris) Terófito (Tuberarietalia guttatae) Inula crithmoides L.

Caméfito lenhoso Mantisalca salmantica (L.) Briq. & Cavill.

348

Hemicriptófito subarrosetado (= Gnaphalium luteo-album L.) (Brachypodietalia phoenicoidis) Pulicaria dysenterica (L.) Bernh. var. dysenterica

Matricaria recutita L. Hemicriptófito subarrosetado Terófito (Calystegietalia sepium) (Stellarietea mediae) (= Chamomilla recutita (L.) Rauschert) Pulicaria odora (L.) Rchb.

Hemicriptófito Notobasis syriaca (L.) Cass. (Quercetea ilicis) Terófito (Onopordion castellani) Pulicaria paludosa Link

Terófito Otanthus maritimus (L.) Hoffmanns. & Link Endemismo ibero-mauritânico Caméfito lenhoso (Agrostion pourretii) (Ammophiletalia) (= Diotis maritima (L.) Desf. Ex Cass.) Reichardia gaditana (Will.) Cout.

Hemicriptófito Phagnalon rupestre (L.) DC. Endemismo ibero-mauritânico Caméfito lenhoso (Linario polygalifoliae-Vulpion alopecuroris) (Asplenietalia petrarchae) (= Picridium gaditanum Willk.)

Phagnalon saxatile (L.) Cass. subsp. saxatile Reichardia picroides (L.) Roth

Caméfito lenhoso Hemicriptófito (Lygeo-Stipetea) (Thero-Brometalia) (= Picridium vulgare Desf.; = R. macrophylla Vis. & Pancic) Picris algarbiensis Franco

Hemicriptófito subarrosetado Rhagadiolus edulis Gaertn. Endemismo lusitano Terófito (Stachyo lusitanicae-Cheirolophenion sempervirentis) (Geranio purpurei-Cardaminetalia hirsutae)

Picris echioides L. Rhagadiolus stellatus (L.) Gaertn. subsp. stellatus

Terófito ou hemicriptófito bienal Terófito (Elytrigietalia repentis) (Chenopodio-Stellarienea)

Picris spinifera Franco Santolina impressa Hoffmanns & Link

Hemicriptófito bienal Caméfito lenhoso Endemismo ibérico Endemismo lusitano (Stachyo lusitanicae-Cheirolophenion sempervirentis) (Artemisio glutinosae-Santolinion rosmarinifoliae) Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE Pseudognaphalium luteo-album (L.) Hilliard & Burtt Scolymus hispanicus L.

Terófito Hemicriptófito (Nanocyperetalia) (Carthametalia lanati)

349

Scolymus maculatus L. (Quercion lusitanicae)

Terófito (Onopordion castellani) Serratula monardii Dufour var. monardii Geófito rizomatoso Scorzonera baetica (Boiss.) Boiss. Endemismo ibérico

Proto-hemicriptófito (Quercion lusitanicae) Endemismo ibérico Silybum marianum (L.) Gaertn. Scorzonera transtagana Cout. Terófito ou hemicriptófito bienal

Proto-hemicriptófito (Urtico piluliferae-Silybion mariani) Endemismo lusitano (Quercion lusitanicae) Sonchus aquatilis Pourr. Geófito rizomatoso Senecio gallicus Vill. (Molinio-Holoschoenion vulgaris)

Terófito (Thero-Brometalia) Sonchus asper (L.) Hill. subsp. asper (incl. S. coronopifolius Desf., non Burm. fil.) Terófito (Stellarietea mediae) Senecio jacobea L.

Hemicriptófito subarrosetado Sonchus oleraceus L. (Molinio-Arrhenatheretea) Terófito (Stellarietea mediae) Senecio lividus L.

Terófito Sonchus tenerrimus L. (Chenopodio-Stellarienea) Terófito ou proto-hemicriptófito (Parietarietalia) Senecio lopezii Boiss.

Hemicriptófito subarrosetado Staehelina dubia L. Endemismo ibérico Caméfito lenhoso (Quercenion broteroi) (Rosmarinetea officinalis)

Senecio vulgaris L. Tolpis barbata (L.) Gaertn.

Terófito Terófito (Stellarietea mediae) (Tuberarietalia guttatae)

Serratula alcalae Coss. subsp. aristata Franco Urospermum picroides (L.) Scop. ex F.W. Schmidt

Hemicriptófito subarrosetado Terófito Endemismo lusitano (Thero-Brometalia) (Quercion lusitanicae) Xanthium spinosum L.

Serratula monardii Dufour var. algarbiensis Cantó Terófito Geófito rizomatoso (Chenopodion muralis) Endemismo lusitano

350

Xanthium strumarium L. subsp. italicum (Moretti) Cynoglossum creticum Mill.

D. Löve Hemicriptófito Terófito (Carthametalia lanati) (Bidentetalia tripartitae) (= C. pictum Aiton)

Xanthium strumarium L. subsp. strumarium Echium creticum L. subsp. coincyanum (Lacaita) R.

Terófito Fernandes (Solano nigri-Polygonetalia convolvuli) Hemicriptófito subarrosetado (Carthametalia lanati)

BETULACEAE Echium gaditanum Boiss.

Hemicriptófito subarrosetado Alnus glutinosa (L.) Gaertn. Endemismo ibero-mauritânico Mesofanerófito (Helichrysion picardii) (Salici purpureae-Populetea nigrae) Echium plantagineum L.

Terófito BORAGINACEAE (Echio plantaginei-Galactition tomentosae) (= E. lycopsis L.; = E. maritimum Willd.) Anchusa calcarea Boiss.

Hemicriptófito Echium rosulatum Lange subsp. rosulatum Endemismo ibérico Hemicriptófito subarrosetado Endemismo ibérico Anchusa italica Retz. (Dauco-Melilotion) Hemicriptófito (Roemerion hybridae) Echium tuberculatum Hoffmanns & Link

Hemicriptófito subarrosetado Anchusa undulata L. subsp. granatensis (Boiss.) Endemismo ibero-mauritânico Valdés (Alysso granatensis-Brassicion barrelieri) Hemicriptófito Endemismo ibérico Heliotropium europaeum L.

Terófito Anchusa undulata L. subsp. undulata (Diplotaxion erucoidis) Hemicriptófito subarrosetado Endemismo ibérico Heliotropium supinum L.

Terófito Cerinthe gymnandra Gasparr. (Verbenion supinae) Terófito Lithodora lusitanica (Samp.) Holub.

Cynoglossum cheirifolium L. Caméfito lenhoso Hemicriptófito subarrosetado (Ulici argentei-Cistion ladaniferi) (Carthametalia lanati) Myosotis baetica (Pérez Lara) Rocha Afonso

351

Hemicriptófito subarrosetado (= Iberis sempervirens L. subsp. vicentina (Samp.) Malag.)

Myosotis debilis Pomel Brassica nigra (L.) W.D.J. Koch in Röhl.

Terófito ou helófito bienal Terófito Endemismo ibero-mauritânico (Glycerio-Sparganion) Brassica oxyrrhina Coss.

Terófito Myosotis lusitanica Schuster Endemismo ibero-mauritânico Hemicriptófito subarrosetado (Linario polygalifoliae-Vulpion alopecuroris) Endemismo lusitano (Hyperico elodis-Sparganion) Cakile maritima Scop. subsp. maritima

Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE Terófito (Cakilion maritimae) Myosotis ramosissima Rachel subsp. ramosissima (= C. maritima ssp. aegyptica (L.) Nyman) Terófito (Geranio pusilli-Anthriscion caucalidis) Capsella rubella Reut.

Terófito Myosotis retusifolia Rocha Afonso (Stellarietea mediae) Terófito Endemismo lusitano Cardamine hirsuta L.

Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE Terófito (Cardamine hirsutae-Geranietea purpurei) Nonea vesicaria (L.) Rchb. Terófito ou hemicriptófito subarrosetado Cardaria draba (L.) Desv.

(Thero-Brometalia) Geófito (Stellarietea mediae)

BRASSICACEAE Cochlearia glastifolia L.

Terófito Alliaria petiolata (M. Bieb.) Cavara & Grande Endemismo ibérico Hemicriptófito (Molinio-Holoschoenion vulgaris) (Galio aparines-Alliarietalia petiolatae)

Coincya pseudoerucastrum (Brot.) Greuter & Arabidopsis thaliana (L.) Heynh. Bourdet subsp. pseudoerucastrum Terófito Caméfito (Stellarienea mediae) (Rumici indurati-Dianthion lusitani) (= Arabis thaliana L.; = Sisymbrium thalianum (L.) J. Gay; = Stenophragma thalianum (L.) Celak.) Coronopus didymus (L.) Sm.

Terófito Biscutella vicentina (Samp.) Rothm. ex Guinea [América do Sul] Hemicriptófito (Polygono arenastri-Poetalia annuae) Endemismo ibérico (Eryngio-Ulicenion erinacei) Coronopus squamatus (Forssk.) Asch. Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE

352

Terófito (Helichrysion picardii) (Sclerochloo durae-Coronopodion squamati) (= I. procumbens Lange subsp. microcarpa Franco & P. Silva)

Diplotaxis vicentina (Welw. ex Samp.) Rothm. Iberis sampaiana Franco & P. Silva

Terófito ou hemicriptófito Terófito ou hemicriptófito Endemismo lusitano Endemismo ibérico Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE (= I. pectinata Boiss.)

Diplotaxis virgata (Cav.) DC. Iberis welwitschii Boiss.

Terófito Caméfito herbáceo Endemismo ibérico Endemismo ibérico (Hordeion leporini) (Coremation albi) (= I. ciliata All. subsp. welwitschii (Boiss.) Moreno; = I. linifolia Draba muralis L. L. subsp. welwitschii (Boiss.) Franco & P.Silva)

Terófito (Cardamino hirsutae-Geranietea purpurei) Jonopsidium acaule (Desf.) Rchb. Terófito

Eruca vesicaria (L.) Cav. subsp. sativa (Mill.) Endemismo lusitano Thell. in Hegi Anexo(s) B-II* e B-IV da Directiva 92/43/CEE; Anexo I da Convenção de Berna Terófito (Stellarietea mediae) Lepidium latifolium L.

Geófito rizomatoso Erysimum linifolium (Pourr. ex Pers.) J. Gay (Plantaginetalia majoris) Caméfito herbáceo Endemismo ibérico Lobularia maritima (L.) Desv. subsp. maritima (Rumici-Dianthion lusitani) Caméfito (= Clypeola maritima L.; = Koniga maritima (L.) R. Br.; = L. Hirschfeldia incana (L.) Lagr.-Foss. strigulosa (Kunze) Willk.) Hemicriptófito

(Hordeion leporini) Malcolmia alyssoides (Pers.) DC. (= Sinapis incana L.; = Erucastrum incanum (L.) W. D. I. Koch; Caméfito herbáceo = H. adpressa Monch.; = Erucastrum heterophyllum (Lag.) Nyman) Endemismo lusitano (Crucianelletalia maritimae)

Iberis microcarpa (Franco & P. Silva) Rivas Mart. (= M. littorea (L.) R. Br. in W.T. Aiton) subsp. microcarpa

Caméfito lenhoso Malcolmia littorea (L.) Br. Endemismo lusitano Caméfito herbáceo (Serratulo estremadurensis-Thymenion sylvestris) (Crucianelletalia maritimae) Anexo(s) B-II da Directiva 92/43/CEE (= Cheiranthus littoreus L.)

Iberis procumbens Lange Malcolmia ramosissima (Desf.) Thell.

Caméfito lenhoso Terófito Endemismo ibérico (Cutandietalia maritimae)

353

Malcolmia triloba (L.) Spreng. subsp. gracillima CALLITRICHACEAE (Samp.) Franco ex I. Nogueira Terófito ou hemicriptófito Callitriche brutia Petagna

Endemismo lusitano Hidrófito (Hymenocarpo hamosi-Malcolmion trilobae) (Potametea)

Malcolmia triloba (L.) Spreng. subsp. triloba Callitriche cribosa Schotsman

Caméfito herbáceo Hidrófito ou helófito (Hymenocarpo hamosi-Malcolmion trilobae) Endemismo ibero-mauritânico (= M. triloba (L.) Spreng.) (Ranunculion aquatilis)

Raphanus raphanistrum L. Callitriche lusitanica Schotsman

Terófito Hidrófito submerso (Stellarienea mediae) Endemismo ibero-mauritânico (Potametea) Rapistrum rugosum (L.) All. subsp. rugosum Terófito Callitriche palustris L.

(Centaureetalia cyani) Hidrófito (Potametalia) Rorippa nasturtium-aquaticum (L.) Hayek Helófito Callitriche stagnalis Scop.

(Rorippion nasturtii-aquatici) Hidrófito, helófito ou terófito (= Nasturtium officinale R. Br. in W.T. Aiton) (Ranunculion aquatilis)

Sinapis arvensis L.

Terófito CAMPANULACEAE (Stellarietea mediae) Campanula erinus L. Sisymbrium irio L. Terófito

Terófito (Brachypodion distachyi) (Chenopodietalia muralis) Campanula lusitanica L. subsp. lusitanica Sisymbrium officinale (L.) Scop. Terófito

Terófito Endemismo ibero-mauritânico (Sisymbrietalia officinalis) (Tuberarietalia guttatae)

Teesdalia coronopifolia (J.P. Bergeret) Thell. Campanula primulifolia Brot.

Terófito Hemicriptófito subarrosetado (Tuberarion guttatae) Endemismo lusitano (Osmundo-Alnion) Teesdalia nudicaulis (L.) R. Br.

Terófito Campanula rapunculus L. (Tuberarietalia guttatae) Hemicriptófito subarrosetado

354

(Trifolio-Geranietea) Fanerófito escandente (Quercetea ilicis) Jasione blepharodon Boiss. & Reut.

Terófito ou hemicriptófito subarrosetado Lonicera periclymenum L. subsp. hispanica (Boiss. (Brachypodion distachyi) & Reut.) Nyman Fanerófito escandente Jasione montana L. subsp. gracilis (Lange) Rivas Endemismo ibero-mauritânico Mart. (Pruno-Rubion ulmifolii)

Terófito ou hemicriptófito subarrosetado (Tuberarietalia guttatae) Sambucus nigra L. Microfanerófito Jasione montana L. subsp. montana (Rhamno-Prunetea)

Terófito ou hemicriptófito subarrosetado (Tuberarion guttatae) Viburnum tinus L. Microfanerófito Lobelia urens L. (Quercetalia ilicis)

Hemicriptófito subarrosetado (Molinietalia caeruleae) CARYOPHYLLACEAE

Solenopsis laurentia (L.) C. Presl Arenaria algarbiensis Welw. ex Willk. Terófito (Isoetion) Terófito Endemismo ibérico

Wahlenbergia hederacea (L.) Rchb. (Hymenocarpo hamosi-Malcolmion trilobae)

Caméfito herbáceo Arenaria conimbricensis Brot. Endemismo europeu (Anagallido-Juncion bulbosi) Terófito Endemismo ibérico (Tuberarietea guttatae)

CANNABACEAE Arenaria leptoclados (Rchb.) Guss. Humulus lupulus L. Terófito

Hemicriptófito escandente (Tuberarietea guttatae) (Salici purpureae-Populetea nigrae) Arenaria montana L.

Caméfito herbáceo CAPRIFOLIACEAE (Quercetalia roboris)

Lonicera etrusca G. Santi var. etrusca L. Cerastium glomeratum Thuill.

Fanerófito escandente Terófito (Quercetea ilicis) (Stellarietea mediae) (= C. viscosum auct. Mult.) Lonicera implexa Aiton

355

Dianthus broteri Boiss. & Reut. subsp. hinoxianus (Hymenocarpo hamosi-Malcolmion trilobae) (Galego) Rivas Mart.

Caméfito lenhoso Loeflingia baetica Lag. var. tavaresiana (Samp. ex Endemismo ibérico Nobre) Rivas Mart. (Coremation albi) Terófito Endemismo ibérico Dianthus lusitanus Brot. (Hymenocarpo hamosi-Malcolmion trilobae)

Caméfito lenhoso Endemismo ibero-mauritânico Loeflingia hispanica L. (Rumici indurati-Dianthion lusitani) Terófito Endemismo ibero-mauritânico Herniaria algarvica Chaudri (Corynephoro articulati-Malcolmion trilobae)

Terófito Endemismo lusitano Moehringia pentandra J. Gay (Linarion pedunculatae) Terófito Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE; Anexo I da (Quercetalia ilicis) Convenção de Berna

Moenchia erecta (L.) P. Gaertn., B. Mey & Soherb.

Herniaria maritima Link Terófito Hemicriptófito (Tuberarietalia guttatae) Endemismo lusitano

(Corynephorion canescentis) Paronychia argentea Lam. Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE; Anexo I da Hemicriptófito Convenção de Berna (Poetalia bulbosae)

Herniaria scabrida Boiss. var. unamunoana Paronychia cymosa (L.) DC. (Sennen) Chaudri Terófito Hemicriptófito ou caméfito (Tuberarion guttatae) Endemismo ibérico (= Chaetonychia cymosa (L.) Sweet.) (Corynephorion canescentis)

Polycarpon alsinifolium (Biv.) DC. Illecebrum verticillatum L. Hemicriptófito Terófito (Cutandietalia maritimae) (Cicendion)

Polycarpon tetraphyllum (L.) L. Loeflingia baetica Lag. var. baetica Terófito Terófito (Polycarpion tetraphylli) Endemismo ibero-mauritânico (Hymenocarpo hamosi-Malcolmion trilobae) Sagina apetala Ard.

Terófito Loeflingia baetica Lag. var. micrantha (Boiss. & (Polygono arenastri-Poetalia annuae) Reuter) Samp.

Terófito Sagina maritima G. Don Endemismo ibero-mauritânico

356

Terófito Endemismo ibero-mauritânico (Saginetea maritimae) (Linarion pedunculatae)

Saponaria officinalis L. Silene mellifera Boiss. & Reut. subsp. mellifera

Hemicriptófito Hemicriptófito (Salici purpureae-Populetea nigrae) Endemismo ibérico (Origanion virentis) Scleranthus annuus L.

Terófito Silene micropetala Lag. (Scleranthion annui) Terófito Endemismo ibero-mauritânico Silene colorata Poir. (Malcolmietalia)

Terófito (Tuberarietea guttatae) Silene nicaeensis All. Terófito Silene conica L. (Cutandietalia maritimae)

Terófito (Tuberarietea guttatae) Silene nocturna L. subsp. nocturna Terófito Silene dioica (L.) Clairv. (Centaureetalia cyani)

Hemicriptófito (Galio-Alliarion petiolatae) Silene portensis L. Terófito Silene fuscata Link ex Brot. (Tuberarietalia guttatae)

Terófito (Echio plantaginei-Galactition tomentosae) Silene psammitis Link ex Spreng. subsp. psammitis Terófito Silene gallica L. Endemismo ibérico

Terófito (Tuberarietalia guttatae) (Thero-Brometalia) (= S. anglica L.) Silene scabriflora Brot. subsp. scabriflora Terófito Silene laeta (Aiton) Godron Endemismo ibero-mauritânico

Terófito (Tuberarietalia guttatae) (Juncion acutiflori) Silene scabriflora Brot. subsp. tuberculata (Ball) Silene latifolia Poir. Talavera

Hemicriptófito Terófito (Trifolio-Geranietea) Endemismo ibero-mauritânico (= S. alba subsp. mariziana (Gand.) Franco) (Echio plantaginei-Galactition tomentosae)

Silene littorea Brot. subsp. littorea Silene sclerocarpa Dufour

Terófito Terófito

357

(Malcolmietalia) Stellaria neglecta Weihe

Terófito Silene vulgaris (Moench) Garcke (Galio-Urticetea) Hemicriptófito Velezia rigida Loefl. ex L.

Spergula arvensis L. Terófito Terófito (Brachypodion distachyi) (Scleranthion annui)

Spergularia australis (Samp.) Prain in B.D. CHENOPODIACEAE Jackson

Caméfito herbáceo Arthrocnemum macrostachyum (Moric.) Morris Endemismo ibérico Caméfito lenhoso (Crithmo-Daucion halophili) (Arthrocnemion macrostachyi)

Spergularia bocconei (Scheele) Graeben. Atriplex halimus L.

Terófito Nanofanerófito (Saginetea maritimae) (Salsolo vermiculatae-Peganetalia harmalae)

Spergularia marina (L.) Besser Atriplex patula L.

Terófito, ou raramente hemicriptófito Terófito (Saginetea maritimae) (Stellarietea mediae) (= S. salina J. Presl. & C. Presl.) Atriplex prostrata Boucher ex DC.

Spergularia media (L.) C. Presl Terófito Hemicriptófito ou caméfito herbáceo (Chenopodietalia muralis) (= A. hastata auct. non L.) Spergularia purpurea (Pers.) G. Don f.

Terófito Beta maritima L. var. maritima (Polycarpion tetraphylli) Terófito ou hemicriptófito (Cakiletea maritimae) Spergularia rubra (L.) J. Presl & K. Presl var. rubra

Terófito Chenopodium album L. (Polygono arenastri-Poetalia annuae) Terófito (Stellarietea mediae) Spergularia rupicola Lebel ex Le Jolis

Caméfito herbáceo Chenopodium ambrosioides L. (Crithmo-Armerion maritimae) Terófito (Chenopodietalia muralis) Stellaria media (L.) Vill.

Terófito Chenopodium murale L. (Stellarietea mediae) Terófito (Chenopodion muralis)

358

Chenopodium opulifolium Schrad. ex Koch & Ziz Caméfito

Terófito (Sarcocornienion perennis) (Chenopodion muralis) Suaeda albescens Lázaro Ibiza Chenopodium urbicum L. Terófito

Terófito (Thero-Suaedion) (Chenopodion muralis) Suaeda spicata (Willd.) Moq. Chenopodium vulvaria L. Terófito

Terófito (Thero-Suaedion) (Chenopodion muralis) Suaeda splendens (Pourr.) Gren. & Godr. Halimione portulacoides (L.) Aellen Terófito

Caméfito lenhoso (Thero-Suaedion) (Sarcocornietalia fruticosae) Suaeda vera Forssk. ex J.F. Gmel. Salicornia ramosissima J. Woods Nanofanerófito

Terófito (Suaedion verae) (Salicornion europaeo-ramosissimae)

CISTACEAE Salsola kali L. subsp. kali

Terófito Cistus albidus L. (Cakiletea maritimae) Nanofanerófito (Rosmarinetea officinalis) Salsola soda L.

Terófito Cistus crispus L. (Thero-Suaedion) Nanofanerófito (Lavanduletalia stoechadis) Salsola vermiculata L. subsp. vermiculata

Caméfito lenhoso Cistus ladanifer L. (Salsolo vermiculatae-Peganetalia harmalae) Nanofanerófito (Lavanduletalia stoechadis) Sarcocornia fruticosa (L.) A.J. Scott

Caméfito lenhoso Cistus libanotis L. (Sarcocornion fruticosae) Nanofanerófito Endemismo ibérico Sarcocornia perennis (Mill.) A.J. Scott subsp. alpini (Coremation albi) (Lag.) Castrov.

Caméfito Cistus monspeliensis L. (Sarcocornienion alpini) Nanofanerófito (Lavanduletalia stoechadis) Sarcocornia perennis (Mill.) A.J. Scott subsp. perennis

359

Cistus palhinhae Ingram Halimium halimifolium (L.) Willk. subsp.

Nanofanerófito multiflorum (Salzm. ex Dunal) Maire Endemismo lusitano Nanofanerófito (Eryngio-Ulicenion erinacei) Endemismo ibero-mauritânico Anexo(s) B-II* e B-IV da Directiva 92/43/CEE (Coremation albi) (= C. ladanifer L. subsp. sulcatus (Demoly) P. Monts.) Halimium ocymoides (Lam.) Willk.

Cistus populifolius L. subsp. major (Dunal) Nanofanerófito Heywood Endemismo ibero-mauritânico Microfanerófito (Ericion umbellatae) Endemismo ibero-mauritânico Helianthemum marifolium (L.) Mill.

Cistus populifolius L. subsp. populifolius Caméfito Nanofanerófito (Rosmarinetalia officinalis) (Lavanduletalia stoechadis) Helianthemum origanifolium (Lam.) Pers.

Cistus psilosepalus Sweet Caméfito Nanofanerófito Endemismo ibero-mauritânico Endemismo europeu (Saturejo-Thymbrion capitatae) (Ericion umbellatae) Tuberaria guttata (L.) Fourr.

Cistus salviifolius L. Terófito Nanofanerófito (Tuberarietalia guttatae) (Cisto-Lavanduletea) (= T. bupleurifolia (Lam) Willk.)

Cistus x hybridus Pourret Tuberaria lignosa (Sweet) Samp.

Nanofanerófito Hemicriptófito (Cisto populifoliae-Arbutetum unedonis) (Calluno-Ulicetea) (Cistus salviifolius x C. populifolius)

Cistus x platysepalus Sweet COMMELINACEAE

Nanofanerófito (Cistus monspeliensis x C. psilosepalus) Tradescantia fluminensis Velloso Caméfito herbáceo Fumana thymifolia (L.) Spach ex Webb [América do Sul]

Caméfito (Smyrnienion olusatri) (Rosmarinetea officinalis)

CONVOLVULACEAE Halimium calycinum (L.) K. Koch

Nanofanerófito Calystegia sepium (L.) R. Br. Endemismo ibero-mauritânico Proto-hemicriptófito escandente (Coremation albi) (Calystegion sepium) (= H. commutatum Pau)

360

Calystegia soldanella (L.) R. Br. Caméfito ou hemicriptófito

Proto-hemicriptófito (Querco-Fagetea) (Ammophiletalia) (= Convolvulus soldanella L.) Sedum mucizonia (Ortega) Raym.-Hamet Terófito Convolvulus althaeoides L. Endemismo ibero-mauritânico

Proto-hemicriptófito (Phagnalo saxatilis-Rumicetalia indurati) (Lygeo-Stipetea) Sedum sediforme (Jacq.) Pau Convolvulus arvensis L. Caméfito

Hemicriptófito rastejante (Sedion micrantho-sediformis) (Elytrigietalia repentis) (= Sempervivum sediforme Jacq.; = S. altissimum Poir. In Lam.)

Convolvulus meonanthus Hoffmanns & Link Umbilicus rupestris (Salisb.) Dandy

Terófito ou proto-hemicriptófito Hemicriptófito (Cerintho majoris-Fedion cornucopiae) (Parietarietalia)

Cressa cretica L. var. villosa Hoffmanns. & Link CUCURBITACEAE Terófito, ou raramente hemicriptófito (Thero-Suaedion) Bryonia cretica L. subsp. dioica (Jacq.) Tutin

Geófito escandente Cuscuta planiflora Ten. (Populion albae) Terófito (= B. dioica Jacq.)

CRASSULACEAE Ecballium elaterium (L.) A. Rich. Hemicriptófito

Crassula tillaea Lest.-Garl. (Chenopodietalia muralis)

Terófito (Polycarpion tetraphylli) CUPRESSACEAE (= Tillaea muscosa L.)

Juniperus navicularis Gand Crassula vaillantii (Willd.) Roth Microfanerófito Terófito Endemismo lusitano (Isoetetalia) (Juniperion turbinatae) (= J. oxycedrus L. ssp. transtagana Franco) Sedum album L.

Caméfito herbáceo Juniperus turbinata Guss. subsp. turbinata (Alysso-Sedetalia) Microfanerófito (= S. micranthum DC.; = S. album ssp. micranthum (DC.) Syme in Sm.) (Pistacio lentisci-Rhamnetalia alaterni)

Sedum forsterianum Sm. CYNOMORIACEAE

361

Cynomorium coccineum L. Carex paniculata L. subsp. lusitanica (Schkuhr ex

Holoparasito Willd.) Maire (Carthamo arborescentis-Salsolion oppositifoliae) Hemicriptófito bienal (Caricion reuterianae)

CYPERACEAE Carex pendula Huds.

Helófito Bolboschoenus maritimus (L.) Palla var. compactus (Populetalia albae) (Hoffm.) Hejny Geófito rizomatoso Carex pseudocyperus L.

(Bolboschoenetalia compacti) Helófito (Phragmito-Magnocaricetea) Carex demissa Hoernm Hemicriptófito subarrosetado Carex riparia Curtis

(Caricion fuscae) Helófito ou geófito rizomatoso (Magnocaricion elatae) Carex distachya Desf. Hemicriptófito subarrosetado Carex viridula Michx. subsp. viridula

(Quercetalia ilicis) Hemicriptófito subarrosetado (Agrostion stoloniferae) Carex distans L. Hemicriptófito subarrosetado Cyperus capitatus Vandelli

(Molinio-Arrhenatheretea) Geófito (Ammophiletea) Carex divisa Huds. subsp. divisa (= C. schoenoides Griseb.; = Galilea mucronata (L.) Parl.) Geófito rizomatoso (Trifolio fragiferi-Cynodontion) Cyperus difformis L.

Terófito cespitoso Carex flacca Schreb. (Oryzo sativae-Echinochloion oryzoides) Hemicriptófito subarrosetado (Molinio-Arrhenatheretea) Cyperus eragrostis Lam.

Geófito rizomatoso Carex hallerana Asso [America do Norte] Hemicriptófito subarrosetado (Holoschoenetalia vulgaris) (Quercetea ilicis) Cyperus flavescens L.

Carex muricata L. subsp. lamprocarpa Celak. Terófito cespitoso Hemicriptófito subarrosetado (Nanocyperetalia) (Trifolio-Geranietea) (= Pycreus favescens (l.) P. Beauv.)

Carex oedipostyla Duval-Juve Cyperus fuscus L.

Hemicriptófito subarrosetado Terófito cespitoso (Quercetalia ilicis) (Nanocyperion)

362

Cyperus longus L. subsp. badius (Desf.) Bonnier & Schoenoplectus mucronatus (L.) Palla

Layens Helófito cespitoso Helófito ou geófito rizomatoso (Oryzo sativae-Echinochloion oryzoides) (Mentho-Juncion inflexi) Schoenoplectus tabernaemontani (C.C. Gmelin) Cyperus rotundus L. Palla

Helófito Geófito rizomatoso ou helófito (Diplotaxion erucoidis) (Phragmitetalia) (= S. lacustris (L.) Palla subsp. glaucus (Sm. ex Hartm.) Bech.) Eleocharis multicaulis (Sm.) Desv.

Helófito Schoenus nigricans L. (Hyperico elodis-Sparganion) Hemicriptófito subarrosetado (Molinio-Arrhenatheretea) Eleocharis palustris (L.) Roem. & Schult. subsp. palustris Scirpoides holoschoenus (L.) Soják subsp.

Helófito rizomatoso ou estolhoso holoschoenus (Glycerio-Sparganion) Geófito rizomatoso (Holoschoenetalia vulgaris) Eleocharis palustris (L.) Roem. & Schult. subsp. vulgaris Walters DIOSCORACEAE Helófito rizomatoso ou estolhoso (Phragmito-Magnocaricetea) Tamus communis L. Isolepis cernua (Vahl) Roem. & Schult. Geófito

Terófito ou helófito (Rhamno-Prunetea) (Nanocyperion)

DIPSACACEAE Isolepis pseudosetacea (Duveau) Vasc.

Terófito Dipsacus comosus Hoffmanns & Link (Cicendion) Hemicriptófito subarrosetado Endemismo ibérico Isolepis setacea (L.) R. Br. (Artemisietea vulgaris) Helófito ou terófito cespitoso (Nanocyperion) Pterocephalilium diandrum (Lag.) G. López

Terófito Rhynchospora modesti-lucennoi Castrov. Endemismo ibérico Helófito (Tuberarion guttatae) Endemismo ibero-mauritânico (= Pterocephalus diandrus (Lag.) Lag.) (Hyperico elodis-Sparganion)

Pterocephalus intermedius (Lag.) Coutinho Schoenoplectus lacustris (L.) Palla Caméfito lenhoso Geófito rizomatoso ou helófito Endemismo ibérico (Phragmitetalia) (= Pycnocomon intermedium (Lag.) Greuter & Burdet)

363

Scabiosa atropurpurea L. Erica arborea L.

Hemicriptófito Nanofanerófito ou microfanerófito (Bromo-Piptatherion miliacei) (Ericion arboreae) (= S. maritima L.) Erica australis L. subsp. australis

Nanofanerófito DROSERACEAE Endemismo ibero-mauritânico (Ericion umbellatae) Drosera intermedia Hayne Helófito ou hemicriptófito Erica ciliaris Loefl. ex L.

(Rhynchosporion albae) Caméfito lenhoso ou nanofanerófito (Daboecion cantabricae) Drosophyllum lusitanicum (L.) Link Caméfito Erica cinerea L.

Endemismo ibero-mauritânico Caméfito lenhoso ou nanofanerófito (Calluno-Ulicetea)

EMPETRACEAE Erica erigena R. Ross

Nanofanerófito Corema album (L.) D. Don (Molinio-Holoschoenion vulgaris) Nanofanerófito Endemismo ibérico Erica lusitanica Rudolphi (Rubio longifoliae-Coremation albi) Nanofanerófito (= Empetrum album L.) (Genistion micrantho-anglicae)

Erica scoparia L. EPHEDRACEAE Nanofanerófito ou microfanerófito (Calluno-Ulicetea) Ephedra fragilis Desf. var. fragilis

Fanerófito escandente Erica umbellata L. (Pistacio lentisci-Rhamnetalia alaterni) Caméfito lenhoso Endemismo ibero-mauritânico

ERICACEAE (Ericion umbellatae)

Arbutus unedo L. Rhododendron ponticum L. subsp. baeticum (Boiss. Reuter) Hand.-Mazz Nanofanerófito (Ericion arboreae) Microfanerófito Endemismo ibérico

Calluna vulgaris (L.) Hull. (Arbuto unedonis-Laurion nobilis)

Caméfito lenhoso (Calluno-Ulicetea) EUPHORBIACEAE (= Erica vulgaris L.)

364

Chamaesyce peplis (L.) Prokh. (Ammophiletea)

Terófito (Cakiletea maritimae) Euphorbia peplus L. Terófito Chamaesyce prostrata (Aiton.) Small (Polygono-Chenopodion polyspermi)

Terófito [Caribe] Euphorbia portlandica L. (Chamaesycion prostratae) Hemicriptófito (Crucianelletalia maritimae) Chamaesyce serpens (Kunth) Small (= E. imbricata Vahl)

Terófito [América Tropical] Euphorbia segetalis L. (Chamaesycion prostratae) Terófito (Diplotaxion erucoidis) Euphorbia boetica Boiss. (= E. tetraceras Lange; = E. pinea L.; = E. segetalis ssp. pinea (L.) Hayek) Hemicriptófito Endemismo ibérico (Helichrysion picardii) Euphorbia terracina L. Hemicriptófito

Euphorbia characias L.

Caméfito Euphorbia transtagana Boiss. (Pistacio lentisci-Rhamnetalia alaterni) Hemicriptófito Endemismo lusitano

Euphorbia exigua L. (Quercion lusitanicae) Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE Terófito (Brachypodietalia distachyi) Mercurialis ambigua L. f.

Euphorbia helioscopia L. Terófito (Stellarienea mediae) Terófito (Polygono-Chenopodion polyspermi) Mercurialis elliptica Poir. in Lam.

Euphorbia hirsuta L. Hemicriptófito Endemismo ibero-mauritânico Hemicriptófito (Parietarion lusitanico-mauritanicae) (Molinio-Holoschoenion vulgaris) (= E. pubescens Vahl)

FABACEAE Euphorbia monchiquensis Franco & P. Silva

Caméfito Acacia longifolia (Andrews) Willd. Endemismo lusitano Microfanerófito (Quercenion broteroi) [Austrália] (= Mimosa longifolia Andrews) Euphorbia paralias L.

Caméfito Acacia mearnsii De Wild.

365

Mesofanerófito (Pistacio lentisci-Rhamnetalia alaterni) [Austrália] Coronilla glauca L.

Acacia pycnantha Bentham Nanofanerófito Microfanerófito ou mesofanerófito (Pistacio lentisci-Rhamnetalia alaterni) [Austrália] Coronilla repanda (Poir.) Guss. subsp. dura (Cav.) Acacia saligna (Labill.) H.L.Wendl. Cout.

Microfanerófito Terófito [Austrália] Endemismo ibero-mauritânico (Tuberarion guttatae) Adenocarpus anisochilus Boiss.

Nanofanerófito ou microfanerófito Coronilla repanda (Poir.) Guss. subsp. repanda Endemismo lusitano Terófito (Ulici europaei-Cytision striati) (Malcolmietalia)

Anthyllis vulneraria L. subsp. maura (G. Beck) Cytisus grandiflorus (Brot.) DC. subsp. cabezudoi Lindb. Talavera

Hemicriptófito Nanofanerófito (Rosmarinetea officinalis) Endemismo ibérico (Retamion monospermae) Astragalus hamosus L.

Terófito Cytisus striatus (Hill) Rothm. subsp. striatus (Thero-Brometalia) Nanofanerófito (Ulici europaei-Cytision striati) Astragalus lusitanicus Lam.

Hemicriptófito Dorycnium hirsutum (L.) Ser. in DC. Endemismo ibero-mauritânico Caméfito lenhoso (Ulici argentei-Cistion ladaniferi) (= Erophaca baetica Boiss.) Dorycnium rectum (L.) Ser.

Caméfito lenhoso Biserrula pelecinus L. (Molinio-Holoschoenion vulgaris) Terófito (Periballio-Trifolion subterranei) Genista ancistrocarpa Spach

(= Astragalus pelecinus (L.) Barneby) Nanofanerófito Endemismo ibero-mauritânico Bituminaria bituminosa (L.) C.H. Stirt. (Genistion micrantho-anglicae) Caméfito (Lygeo-Stipetea) Genista hirsuta Vahl subsp. algarbiensis (Cout.) (= Psoralea bituminosa L.) Rivas Mart., T.E. Díaz & Fern. Gonz.

Nanofanerófito Ceratonia siliqua L. Endemismo ibérico Microfanerófito (Saturejo-Thymbrion capitatae)

366

Genista hirsuta Vahl subsp. hirsuta Terófito

Nanofanerófito (Tuberarietalia guttatae) Endemismo ibérico (Ulici argentei-Cistion ladaniferi) Lathyrus sylvestris L. Hemicriptófito Genista tournefortii Spach (Trifolio-Geranietea)

Nanofanerófito Endemismo ibérico Lotus arenarius Brot. (Quercion broteroi) Terófito Endemismo ibero-mauritânico Genista triacanthos Brot. (Hymenocarpo hamosi-Malcolmion trilobae)

Nanofanerófito Endemismo ibero-mauritânico Lotus castellanus Boiss. & Reut. (Ericion umbellatae) Terófito (= G. scorpioides Spach) (Malcolmietalia)

Hymenocarpos hamosus (Desf.) Vis. Lotus conimbricensis Brot.

Terófito Terófito Endemismo ibero-mauritânico (Tuberarietalia guttatae) (Malcolmietalia) Lotus corniculatus L. subsp. carpetanus (Lacaita) Hymenocarpos lotoides (L.) Vis. Rivas Mart.

Terófito Hemicriptófito Endemismo ibero-mauritânico Endemismo ibérico (Tuberarietalia guttatae) (Molinio-Arrhenatheretea)

Lathyrus angulatus L. Lotus creticus L.

Terófito Hemicriptófito (Tuberarion guttatae) (Ammophiletea)

Lathyrus aphaca L. Lotus edulis L.

Terófito Terófito (Stellarienea mediae) (Thero-Brometalia)

Lathyrus cicera L. Lotus hispidus Desf. ex DC. in Lam. & DC.

Terófito Terófito (Stellarienea mediae) (Malcolmietalia)

Lathyrus clymenum L. Lotus parviflorus Desf.

Terófito Terófito (Hyparrhenion sinaicae) (Agrostion pourretii)

Lathyrus sphaericus Retz. Lotus pedunculatus Cav.

367

Hemicriptófito Medicago truncatula Gaertn.

(Molinietalia caeruleae) Terófito (Thero-Brometalia) Lupinus angustifolius L. Terófito Melilotus elegans Salzm. ex Ser.

(Thero-Brometalia) Terófito (Echio plantaginei-Galactition tomentosae) Medicago arabica (L.) Huds. Terófito Melilotus indicus (L.) All.

(Trifolio fragiferi-Cynodontion) Terófito (Holoschoenetalia vulgaris) Medicago ciliaris (L.) All. Terófito Melilotus segetalis (Brot.) Ser. subsp. segetalis

(Echio plantaginei-Galactition tomentosae) Terófito (= M. intertexta (L.) Mill.) (Stellarietea mediae)

Medicago littoralis Rohde ex Loisel. Melilotus sulcatus Desf.

Terófito Terófito (Tuberarietea guttatae) (Thero-Brometalia)

Medicago marina L. Onobrychis peduncularis (Cav.) DC.

Caméfito lenhoso Hemicriptófito (Ammophiletea) Endemismo ibero-mauritânico (Periballio-Trifolion subterranei) Medicago minima (L.) L. Terófito Ononis baetica Clemente

(Tuberarietea guttatae) Terófito Endemismo ibero-mauritânico Medicago murex Willd. (Hymenocarpo hamosi-Malcolmion trilobae) Terófito (Echio plantaginei-Galactition tomentosae) Ononis broteriana DC.

Terófito Medicago orbicularis (L.) Bartal. Endemismo ibero-mauritânico Terófito (Hymenocarpo hamosi-Malcolmion trilobae) (Thero-Brometalia) Ononis cintrana Brot.

Medicago polymorpha L. Terófito Terófito Endemismo ibero-mauritânico (Sisymbrietalia officinalis) (Tuberarion guttatae)

Medicago rigidula (L.) All. Ononis dentata Sol. ex Lowe

Terófito Terófito (Thero-Brometalia) (Hymenocarpo hamosi-Malcolmion trilobae)

368

Ononis diffusa Ten. Ornithopus sativus Brot.

Terófito Terófito (Malcolmietalia) (Malcolmietalia)

Ononis hackelii Lange Pterospartum tridentatum (L.) Willk. subsp.

Terófito tridentatum Endemismo lusitano Nanofanerófito (Hymenocarpo hamosi-Malcolmion trilobae) Endemismo ibérico Anexo(s) B-II* e B-IV da Directiva 92/43/CEE (Ericenion umbellatae)

Ononis hirta Poir. in Lam. Retama monosperma (L.) Boiss.

Terófito Nanofanerófito Endemismo ibero-mauritânico Ononis mitissima L. (Retamion monospermae)

Terófito (= Lygos monosperma (L.) Heywood; = Spartium monospermum L.)

Ononis natrix L. Retama sphaerocarpa (L.) Boiss. Nanofanerófito Nanofanerófito Endemismo ibero-mauritânico Ononis pinnata Brot. (Cytisetea scopario-striati) Hemicriptófito Endemismo ibero-mauritânico Scorpiurus muricatus L. (Linario polygalifoliae-Vulpion alopecuroris) Terófito (Tuberarietea guttatae) Ononis ramosissima Desf.

Nanofanerófito Scorpiurus vermiculatus L. (Crucianelletalia maritimae) Terófito (Poetalia bulbosae) Ononis reclinata L.

Terófito Spartium junceum L. (Brachypodietalia distachyi) Microfanerófito [Mediterrâneo Oriental] Ornithopus compressus L.

Terófito Stauracanthus boivinii (Webb) Samp. (Tuberarietalia guttatae) Nanofanerófito Endemismo ibero-mauritânico Ornithopus isthmocarpus Coss. (Stauracanthion boivinii) Terófito (Malcolmietalia) Stauracanthus genistoides (Brot.) Samp.

Nanofanerófito Ornithopus pinnatus (Mill.) Druce Endemismo ibérico Terófito (Coremation albi) (Tuberarion guttatae) (= S. genistoides (Brot.) Samp.; = Genista lusitanicus L.; = S.

369

lusitanicus (L.) Cubas; = S. spartioides Webb; = S. aphyllus Trifolium hirtum All. Link) Terófito (Thero-Brometalia) Stauracanthus spectabilis Webb subsp. spectabilis

Nanofanerófito Trifolium incarnatum L. Endemismo ibero-mauritânico Terófito (Coremation albi)

Trifolium lappaceum L. Stauracanthus spectabilis Webb subsp. vicentinus Terófito (Daveau ex Cout.) T.E. Días, Rivas Mart. & Fern. (Holoschoenetalia vulgaris) Gonz.

Nanofanerófito Trifolium ligusticum Balb. ex Loisel. Endemismo lusitano Terófito (Ericenion umbellatae)

Trifolium pratense L. Trifolium angustifolium L. Hemicriptófito Terófito (Molinio-Arrhenatheretea) (Thero-Brometalia)

Trifolium repens L. Trifolium arvense L. Hemicriptófito ou caméfito Terófito (Cynosurion cristati) (Tuberarietalia guttatae)

Trifolium resupinatum L. Trifolium bocconei Savi Terófito Terófito (Molinio-Arrhenatheretea) (Periballio-Trifolion subterranei)

Trifolium scabrum L. Trifolium campestre L. Terófito Terófito (Astragalo sesamei-Poion bulbosae) (Tuberarietea guttatae) (= T. agrarium L.) Trifolium stellatum L.

Trifolium cherleri L. Terófito (Tuberarietea guttatae) Terófito (Thero-Brometalia) Trifolium striatum L.

Trifolium fragiferum L. Terófito (Tuberarietalia guttatae) Hemicriptófito (Trifolio fragiferi-Cynodontion) Trifolium subterraneum L. subsp. subterraneum

Trifolium glomeratum L. Terófito (Periballio-Trifolion subterranei) Terófito (Periballio-Trifolion subterranei) Trigonella monspeliaca L.

370

Terófito Vicia sativa L.

(Thero-Brometalia) Terófito (Stellarienea mediae) Trigonella polyceratia L. Terófito Vicia tenuifolia Roth

Endemismo ibero-mauritânico Hemicriptófito (Thero-Brometalia) (Trifolio-Geranietea)

Ulex argenteus Welw. ex Webb Vicia vicioides (Desf.) Cout.

Nanofanerófito Terófito Endemismo lusitano

(Ulici argentei-Cistion ladaniferi) Vicia villosa Roth

Terófito Ulex australis Clemente subsp. welwitschianus [Sudoeste da Ásia] (Planche) Espírito Santo, Cubas, Lousã, C. Pardo (Stellarienea mediae) & J.C. Costa

Nanofanerófito Endemismo lusitano FAGACEAE (Ericenion umbellatae) Quercus canariensis Willd.

Ulex minor Roth Mesofanerófito Nanofanerófito Endemismo ibero-mauritânico (Calluno-Ulicetea) (Quercetalia ilicis)

Vicia angustifolia L. Quercus coccifera L. subsp. coccifera

Terófito Nanofanerófito ou microfanerófito (Stellarienea mediae) (Pistacio lentisci-Rhamnetalia alaterni) (= V. sativa L. ssp. nigra (L.) Ehrh.; = V. cuneata Guss.; = V. debilis Pérez Lara; = V. lanciformis Lange; = V. lusitanica Freyn) Quercus coccifera L. subsp. rivasmartinezii J.H. Capelo & J.C. Costa Vicia disperma DC. Mesofanerófito Terófito Endemismo lusitano (Tuberarietea guttatae) (Querco rotundifoliae-Oleion sylvestris)

Vicia ervilia (L.) Willd. Quercus faginea Lam. subsp. broteroi (Cout.) A. Terófito Camus [Sudoeste da Ásia] Mesofanerófito Endemismo ibero-mauritânico Vicia laxiflora Brot. (Quercion broteroi) Terófito Quercus lusitanica Lam.

Vicia lutea L. var. lutea Nanofanerófito Terófito Endemismo ibero-mauritânico

371

(Quercion lusitanicae) Centaurium erythraea Rafn. subsp. erythraea

Hemicriptófito subarrosetado Quercus pyrenaica Willd. (Festuco-Brometea) Mesofanerófito (Quercion pyrenaicae) Centaurium erythraea Rafn. subsp. grandiflorum (Biv.) Melderis

Quercus rotundifolia Lam. Hemicriptófito subarrosetado (Festuco-Brometea) Mesofanerófito (Quercetalia ilicis) Quercus suber L.

Mesofanerófito Centaurium erythraea Rafn. subsp. majus (Quercetalia ilicis) (Hoffmanns. & Link) Melderis Hemicriptófito subarrosetado Quercus x marianica C. Vicioso (Festuco-Brometea)

Mesofanerófito (Quercenion broteroi) Centaurium maritimum (L.) Fritsch (Quercus canariensis x Q. faginea subsp. broteroi) Terófito (Isoetion) Quercus x mixta Villalobos ex Colmeiro (= Erythraea maritima (L.) Pers.)

Mesofanerófito (Quercetalia ilicis) Centaurium pulchellum (Sw.) Druce (Quercus rotundifolia x Q. suber) Terófito (Isoeto-Nanojuncetea) Quercus x neomairei A. Camus

Mesofanerófito Centaurium spicatum (L.) Fritsch (Quercus pyrenaica x Q. faginea subsp. broteroi) Terófito ou hemicriptófito (Saginetea maritimae)

FRANKENIACEAE Centaurium tenuiflorum (Hoffmanns. & Link) Fritsch

Frankenia laevis L. Terófito Caméfito (Juncion maritimi) (Limonio ovalifolii-Frankenion laevis)

GERANIACEAE GENTIANACEAE Erodium bipinnatum Willd.

Blackstonia imperfoliata (L. f.) Samp. Terófito Terófito (Malcolmietalia) (Verbenion supinae) Erodium botrys (Cav.) Bertol.

Blackstonia perfoliata (L.) Huds. Terófito Terófito (Poetalia bulbosae) (Holoschoenetalia vulgaris)

372

Erodium chium (L.) Willd. Myriophyllum spicatum L.

Terófito Hidrófito (Hordeion leporini) (Potametea)

Erodium lebelii Jordan subsp. lebelii Myriophyllum verticillatum L.

Terófito Hidrófito (Nymphaeion albae) Erodium malacoides (L.) L’Hér.

Terófito HYPERICACEAE (Stellarietea mediae)

Erodium moschatum (L.) L’Hér. Hypericum elodes L.

Terófito Helófito (Chenopodio-Stellarienea) Endemismo europeu (Hyperico elodis-Sparganion)

Geranium dissectum L. Hypericum humifusum L. Terófito (Cardamine hirsutae-Geranietea purpurei) Caméfito (Isoeto-Nanojuncetea)

Geranium molle L. Hypericum pubescens Boiss. Terófito (Sisymbrietalia officinalis) Hemicriptófito (Holoschoenetalia vulgaris)

Geranium purpureum Vill. Hypericum tomentosum L. Terófito (Cardamino hirsutae-Geranietea purpurei) Hemicriptófito (= G. robertianum L. var. purpureum (Villars.) Pers.) (Molinio-Holoschoenion vulgaris)

Geranium rotundifolium L. Hypericum undulatum Schousb. ex Willd.

Terófito Hemicriptófito (Cardamine hirsutae-Geranietea purpurei) (Molinio-Arrhenatheretea)

Geranium sanguineum L. IRIDACEAE Hemicriptófito (Origanetalia vulgaris) Gladiolus italicus Mill.

Geófito bolboso

HALORAGACEAE (Lygeo-Stipetea) (= G. segetum Ker-Gawler)

Myriophyllum alterniflorum DC. Gynandriris sisyrinchium (L.) Parl. Hidrófito (Littorelletalia) Geófito bolboso (Poetea bulbosae)

373

Iris foetidissima L. Terófito cespitoso

Caméfito (Isoeto-Nanojuncetea) (Populion albae) Juncus bulbosus L. Iris pseudacorus L. Hemicriptófito subarrosetado

Helófito (Littorelletalia) (Phragmitetalia) Juncus capitatus Weigel Iris xiphium L. Terófito

Geófito bolboso (Isoetetalia)

Romulea bulbocodium (L.) Sebastiani & Mauri Juncus effusus L. subsp. bulbocodium Hemicriptófito subarrosetado

Geófito bolboso (Molinietalia caeruleae) (Poetea bulbosae) Juncus emmanuelis A. Fernandes & Garcia Romulea ramiflora Ten. subsp. gaditana (G. Proto-hemicriptófito Kuntz) Marais Endemismo ibérico

Geófito bolboso (Hyperico elodis-Sparganion) Endemismo ibérico (Malcolmietalia) Juncus heterophyllus Dufour Hidrófito ou helófito (Hyperico elodis-Sparganion) JUNCACEAE Juncus hybridus Brot.

Juncus acutiflorus Ehrh. ex Hoffmanns. subsp. Terófito cespitoso acutiflorus (Isoetetalia) Proto-hemicriptófito (Molinietalia caeruleae) Juncus maritimus Lam.

Hemicriptófito rizomatoso Juncus acutus L. subsp. acutus (Juncetea maritimi) Hemicriptófito subarrosetado (Juncetalia maritimi) Juncus maritimus Lam.

Geófito rizomatoso Juncus acutus L. subsp. leopoldi (Parl.) Snogerup (Juncion maritimi) Hemicriptófito rizomatoso (Juncetalia maritimi) Juncus pygmaeus Rich.

Terófito Juncus articulatus L. (Isoetetalia) Proto-hemicriptófito (Molinietalia caeruleae) Juncus rugosus Steud.

Proto-hemicriptófito Juncus bufonius L. Endemismo ibérico

374

(Juncion acutiflori) Clinopodium arundanum (Boiss.) Nyman

Proto-hemicriptófito Juncus sphaerocarpus Nees Endemismo ibero-mauritânico Terófito (Origanion virentis) (Isoeto-Nanojuncetea) Lamium amplexicaule L.

Juncus subulatus Forssk. Terófito Geófito rizomatoso (Stellarienea mediae) (Juncion maritimi) Lamium maculatum L.

Luzula forsteri (Sm.) DC. subsp. baetica P. Monts. Proto-hemicriptófito Hemicriptófito subarrosetado (Galio-Urticetea) (Quercion broteroi) Lamium purpureum L.

Terófito JUNCAGINACEAE (Stellarienea mediae)

Triglochin bulbosa L. subsp. barrelieri (Loisel.) Lavandula luisieri (Rozeira) Rivas Mart. Rouy Caméfito lenhoso Helófito ou hemicriptófito subarrosetado Endemismo ibérico (Sarcocornietalia fruticosae) (Cisto-Lavanduletea) (= L. stoechas L. ssp. lusitanica (Chaytor) Rozeira)

LAMIACEAE Lavandula sampaioana (Rozeira) Rivas Mart., T.E. Días & Fern. Gonz. subsp. lusitanica (Chaytor) Ajuga iva (L.) Schreb. Rivas Mart., T.E. Días & Fern. Gonz. Caméfito lenhoso Caméfito lenhoso (Brachypodietalia distachyi) Endemismo ibero-mauritânico (Coremation albi) Ballota hirsuta Benth.

Caméfito lenhoso Lavandula viridis L’Hér. Endemismo ibero-mauritânico Caméfito lenhoso (Pegano-Salsoletea) Endemismo ibérico (Ericion umbellatae) Calamintha baetica Boiss. & Reut.

Caméfito lenhoso Lycopus europaeus L. (Origanion virentis) Proto-hemicriptófito (= C. nepeta (L.) Savi subsp. nepeta) (Phragmito-Magnocaricetea)

Cleonia lusitanica (L.) L. Marrubium vulgare L. Terófito Proto-hemicriptófito Endemismo ibero-mauritânico (Artemisietea vulgaris) (Brachypodion distachyi)

375

Mentha aquatica L. Rosmarinus palaui (O. Bolòs & Molin.) Rivas

Proto-hemicriptófito Mart. & M.J. Costa (Phragmitetalia) Nanofanerófito Endemismo ibérico Mentha cervina L. (Rosmarinetalia officinalis)

Proto-hemicriptófito (Menthion cervinae) Salvia argentea L. Hemicriptófito subarrosetado Mentha pulegium L. (Carthametalia lanati)

Proto-hemicriptófito (Isoeto-Nanojuncetea) Salvia sclareoides Brot. Hemicriptófito subarrosetado Mentha suaveolens Ehrh. Endemismo ibérico

Proto-hemicriptófito (Brachypodion phoenicoidis) (Mentho-Juncion inflexi) (= M. rotundifolia (L.) Hudson; = M. macrostachya Ten.; = M. Salvia verbenaca L. subsp. verbenaca insularis Req.) Hemicriptófito subarrosetado (Artemisietea vulgaris) Nepeta tuberosa L. Proto-hemicriptófito Satureja graeca L. var. micrantha (Brot.) Briq.

(Brachypodietalia phoenicoidis) Caméfito lenhoso (Saturejo-Thymbrion capitatae) Phlomis lychnitis L. (= S. graeca subsp. micrantha (Brot.) Greuter & Burdet; = Hemicriptófito Micromeria graeca (L.) Benth.) (Thero-Brachypodion retusi) Scutellaria minor Huds. Phlomis purpurea L. Proto-hemicriptófito

Nanofanerófito (Juncion acutiflori) Endemismo ibero-mauritânico (Asparago albi-Rhamnion oleoidis) Sideritis hirsuta L. var. hirtula (Brot.) Briq. Caméfito lenhoso Prasium majus L. Endemismo lusitano

Nanofanerófito (Serratulo estremadurensis-Thymenion sylvestris) (Pistacio lentisci-Rhamnetalia alaterni) Stachys arvensis (L.) L. Prunella vulgaris L. Terófito

Hemicriptófito (Solano nigri-Polygonetalia convolvuli) (Molinio-Arrhenatheretea) Stachys germanica L. subsp. lusitanica Rosmarinus officinalis L. (Hoffmanns. & Link) Cout.

Nanofanerófito Hemicriptófito subarrosetado (Rosmarinetea officinalis) (Stachyo lusitanicae-Cheirolophenion sempervirentis)

376

Stachys officinalis (L.) Trevisan subsp. algeriensis (Coremation albi) (De Noé) Franco Anexo(s) B-II* e B-IV da Directiva 92/43/CEE; Anexo I da Convenção de Berna Hemicriptófito subarrosetado Endemismo ibero-mauritânico Thymus camphoratus Hoffmanns & Link subsp. (Stachyo lusitanicae-Cheirolophenion sempervirentis) congestus Pinto Gomes, Vasquez, Paiva Ferreira, Ramos & Doncel Teucrium capitatum L. subsp. capitatum Caméfito lenhoso Caméfito lenhoso Endemismo lusitano (Rosmarinetalia officinalis)

Thymus carnosus Boiss. Teucrium fruticans L. Caméfito lenhoso Nanofanerófito Endemismo ibérico (Pistacio lentisci-Rhamnetalia alaterni) (Helichrysion picardii) Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE; Anexo I da Teucrium haenseleri Boiss. Convenção de Berna Caméfito lenhoso

Endemismo ibérico Thymus mastichina (L.) L. (Rosmarinetalia officinalis) Caméfito sublenhoso Endemismo ibérico Teucrium lusitanicum Schreber (Helichryso stoechadis-Santolinetalia squarrosae) Caméfito lenhoso

Endemismo ibérico Thymus villosus L. subsp. villosus (Saturejo-Thymbrion capitatae) Caméfito lenhoso Endemismo lusitano Teucrium scordium L. subsp. scordioides (Schreb.) (Ericenion umbellatae) Maire & Petitmenglin Anexo(s) B-IV da Directiva 92/43/CEE Proto-hemicriptófito (Plantaginetalia majoris)

LAURACEAE Teucrium scorodonia L. subsp. baeticum (Boiss. & Reut.) Tutin Laurus nobilis L.

Proto-hemicriptófito Microfanerófito ou mesofanerófito Endemismo ibero-mauritânico (Arbuto unedonis-Laurion nobilis) (Querco rotundifoliae-Oleion sylvestris)

Teucrium scorodonia L. subsp. scorodonia LEMNACEAE

Proto-hemicriptófito (Quercetalia roboris) Lemna minor L.

Hidrófito Thymus camphoratus Hoffmanns & Link subsp. (Lemnetalia minoris) camphoratus

Caméfito lenhoso Endemismo lusitano LENTIBULARIACEAE

377

Pinguicula lusitanica L. Asparagus aphyllus L.

Hemicriptófito Nanofanerófito difuso (Anagallido-Juncion bulbosi) (Asparago albi-Rhamnion oleoidis)

Utricularia australis R. Br. Asphodelus aestivus Brot.

Hidrófito Geófito rizomatoso (Utricularion) Endemismo ibérico (Agrostion castellanae) Utricularia gibba L. subsp. exoleta (R. Br.) P. Taylor Asphodelus fistulosus L.

Hidrófito Terófito ou hemicriptófito (Utricularion) (Hordeion leporini) (= A. tenuifolius Cav.)

LILIACEAE Asphodelus lusitanicus Cout. var. lusitanicus

Geófito rizomatoso Allium ampeloprasum L. Endemismo lusitano Geófito bolboso (Brachypodion phoenicoidis) (Onopordenea acanthii) Dipcadi serotinum (L.) Medik.

Allium baeticum Boiss. Geófito Geófito bolboso (Lygeo-Stipetea) Endemismo ibero-mauritânico (= Uropetalum serotinum (L.) Ker-Gawler)

Allium pallens L. Fritillaria lusitanica Wikström var. lusitanica

Geófito bolboso Geófito bolboso (Lygeo-Stipetea) Endemismo ibérico

Allium sphaerocephalon L. subsp. sphaerocephalon Hyacinthoides hispanica (Mill.) Rothm.

Geófito bolboso Geófito bolboso (Lygeo-Stipetea) (Quercion broteroi)

Allium subvillosum Salzm. ex Schult. & Schult. f. Hyacinthoides vicentina (Hoffmanns. & Link) Geófito bolboso Rothm. subsp. transtagana Franco & Rocha (Hyparrhenion sinaicae) Afonso

Geófito bolboso Asparagus acutifolius L. Endemismo lusitano

Nanofanerófito difuso Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE (Quercetea ilicis) Hyacinthoides vicentina (Hoffmanns. & Link) Asparagus albus L. Rothm. subsp. vicentina

Nanofanerófito Geófito bolboso (Pistacio lentisci-Rhamnetalia alaterni) Endemismo lusitano

378

(Eryngio-Ulicenion erinacei) Geófito bolboso Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE Endemismo ibérico (Hymenocarpo hamosi-Malcolmion trilobae) Muscari comosum (L.) Miller Anexo(s) B-IV da Directiva 92/43/CEE; Anexo I da Convenção de Berna Geófito (Stellarietea mediae) Simethis mattiazzi (Vand.) Sacc. (= M. pharmacusanum (Heldr.) Boiss.; = M. tubiflorum Steven; = M. tenuiflorum ssp. charrelii (Heldr. Ex Rouy) Geófito rizomatoso Hayek) (Calluno-Ulicetea)

Ornithogalum bourgaeanum Jourd. Urginea maritima (L.) Baker

Geófito Geófito bolboso (= U. Scilla Steinh.; = U. anthericoides (Poiret) Steinh.) Ornithogalum broteroi M. Laínz

Geófito bolboso LINACEAE Endemismo ibero-mauritânico (Sedion anglici) Linum bienne Mill. Ornithogalum orthophyllum Ten. subsp. baeticum Hemicriptófito (Boiss.) Zahar. (Agrostietalia castellanae)

Geófito bolboso (= L. angustifolium Hudson) Endemismo ibero-mauritânico (Poetea bulbosae) Linum strictum L. (= O. baeticum Boiss.) Terófito (Brachypodietalia distachyi) Ornithogalum pyrenaicum L.

Geófito Linum tenue Desf. Terófito Ruscus aculeatus L. Endemismo ibero-mauritânico

Geófito rizomatoso (Molinio-Holoschoenion vulgaris) (Quercetalia ilicis) Anexo(s) B-V da Directiva 92/43/CEE Linum trigynum L. (incl. R. ponticus Woronow) Terófito (Tuberarion guttatae) Scilla autumnalis L.

Geófito bolboso Radiola linoides Roth (Poetea bulbosae) Terófito (Cicendion) Scilla monophyllos Link

Geófito LYTHRACEAE Endemismo ibero-mauritânico (Querco rotundifoliae-Oleion sylvestris) Ammannia coccinea Rottb.

Scilla odorata Link Terófito

379

[América do Norte] Nanofanerófito (Oryzo sativae-Echinochloion oryzoides) (Parietarietalia)

Lythrum borysthenicum (Schrank) Litv. Lavatera mauritanica Durieu subsp. davaei

Terófito (Cout.) Cout. (Isoetion) Terófito Endemismo ibero-mauritânico Lythrum hyssopifolia L. (Malvenion parviflorae)

Terófito (Isoeto-Nanojuncetea) Lavatera olbia L. Nanofanerófito Lythrum junceum Banks & Sol.

Hemicriptófito Lavatera trimestris L. (Paspalo-Polypogonion viridis) Terófito (Cerintho majoris-Fedion cornucopiae) Lythrum portula (L.) D.A. Webb

Terófito Malva hispanica L. (Isoeto-Nanojuncetea) Terófito Endemismo ibero-mauritânico Lythrum salicaria L. (Thero-Brometalia)

Hemicriptófito ou helófito (= M. spithamea Cav.) (Phragmito-Magnocaricetea) Malva nicaeensis All. Lythrum thymifolia L. Hemicriptófito

Terófito (Chenopodion muralis) (Isoeto-Nanojuncetea) Malva parviflora L. Lythrum tribracteatum Spreng. Terófito

Terófito (Malvenion parviflorae) (Nanocyperetalia) Malva sylvestris L.

Hemicriptófito MALVACEAE (Sisymbrietalia officinalis)

Lavatera arborea L. ORACEAE Hemicriptófito M (Salsolo vermiculatae-Peganion harmalae) Ficus carica L. Lavatera cretica L. Microfanerófito

Terófito (Parietarietalia) (Malvenion parviflorae)

MYRICACEAE Lavatera maritima Gouan

380

Myrica faya Aiton Hemicriptófito

Microfanerófito (Pistacio lentisci-Rhamnetalia alaterni) (Pruno hixae-Lauretea novocanariensis) Phillyrea latifolia L. subsp. latifolia

Microfanerófito ou mesofanerófito MYRTACEAE (Quercetalia ilicis)

Eucaliptus globulus Labill. Phillyrea latifolia L. subsp. media (L.) Fourn.

Mesofanerófito Microfanerófito ou mesofanerófito [Sudeste da Austrália e Tasmânia] (Quercetea ilicis)

Myrtus communis L. NAGRACEAE Hemicriptófito O (Pistacio lentisci-Rhamnetalia alaterni) Epilobium hirsutum L.

Hemicriptófito NYMPHAEACEAE (Calystegietalia sepium)

Nuphar lutea (L.) Sm. Epilobium parviflorum Schreb.

Hidrófito Hemicriptófito (Nymphaeion albae) (Calystegietalia sepium)

Nymphaea alba L. Ludwigia palustris (L.) Elliott

Hidrófito Helófito ou hemicriptófito (Nymphaeion albae) (Nanocyperion)

Oenothera affinis Camb. OLEACEAE Hemicriptófito [América do Sul] Fraxinus angustifolia Vahl subsp. angustifolia (Elytrigietalia repentis) Mesofanerófito (Fraxino angustifoliae-Ulmenion minoris) ORCHIDACEAE Jasminum fruticans L.

Nanofanerófito Barlia robertiana (Loisel) Greut.

(Pistacio lentisci-Rhamnetalia alaterni) Geófito (Pistacio lentisci-Rhamnetalia alaterni) Olea europaea L. var. sylvestris (Mill.) Rouy ex Anexo II da Convenção de Washington (CITES) Hegi (= Orchys longibracteata Biv.; = Aceras longibracteata (Biv.) Reichenb; = Himantoglossum longibracteatum (Biv.) Mesofanerófito Schlechter) (Quercetea ilicis)

Epipactis lusitanica Tyteca Phillyrea angustifolia L. Geófito

381

Endemismo ibero-mauritânico Geófito (Quercion broteroi) (Festuco-Brometea) Anexo II da Convenção de Washington (CITES) Epipactis tremolsii C. Pau

Geófito Serapias cordigera L. (Quercion broteroi) Geófito (Juncion acutiflori) Gennaria diphylla (Link) Parl. Anexo II da Convenção de Washington (CITES)

Geófito (Querco rotundifoliae-Oleion sylvestris) Serapias lingua L. Anexo II da Convenção de Washington (CITES) Geófito (Agrostietalia castellanae) Limodorum trabutianum Batt. Anexo II da Convenção de Washington (CITES)

Geófito (Quercetalia ilicis) Serapias parviflora Parl. (= L. lusitanicum J.A. Guim.) Geófito (Agrostietalia castellanae) Neotinea maculata (Desf.) Stearn. Anexo II da Convenção de Washington (CITES)

Geófito (= S. occultata J. Gay) (Quercetea ilicis) (= N. intacta (Link) Reichenb. fil.; = Aceras densiflorum (Brot.) Spiranthes aestivalis (Poir.) Rich. Boiss.) Geófito Anexo(s) B-IV da Directiva 92/43/CEE Ophrys apifera Huds.

Geófito (Festuco-Brometea) OROBANCHACEAE Anexo II da Convenção de Washington (CITES) Cistanche phelypaea (L.) Coutinho

Ophrys bombyliflora Link in Schrad. Geófito

Geófito (Sarcocornietalia fruticosae) (Thero-Brachypodion retusi) Anexo II da Convenção de Washington (CITES) Orobanche calendulae Pomel

Terófito Ophrys fusca Link in Schrad. Endemismo ibero-mauritânico

Geófito (Brachypodietalia phoenicoidis) Orobanche gracilis Sm.

Anexo II da Convenção de Washington (CITES) Geófito (Festuca-Brometea) Ophrys scolopax Cav. Geófito Orobanche sanguinea C. Presl

(Brachypodietalia phoenicoidis) Geófito Anexo II da Convenção de Washington (CITES)

Orchis morio L. subsp. morio OXALIDACEAE

382

Oxalis corniculata L. Terófito

Caméfito herbáceo (Centaureetalia cyani) (Stellarietea mediae) Papaver dubium L. Oxalis pes-caprae L. Terófito

Geófito (Centaureetalia cyani) [África do Sul] (Fumarion wirtgenii-agrariae) Papaver hybridum L. (= O. cernua Thunb.) Terófito (Stellarienea mediae) Oxalis purpurea L. (= P. hispidum Lam.; = P. siculum Guss.)

Geófito [África do Sul] Papaver rhoeas L. Terófito (Centaureetalia cyani) PAPAVERACEAE Papaver somniferum L. subsp. setigerum (DC.) Fumaria capreolata L. Arcang.

Terófito Terófito (Cardamino hirsutae-Geranietea purpurei) (Stellarienea mediae)

Fumaria muralis Sonder ex Koch Platycapnos spicata (L.) Bernh. subsp. spicata

Terófito Terófito (Stellarienea mediae) (Diplotaxion erucoidis) (= F. media sensu Merino)

Fumaria officinalis L. PINACEAE

Terófito (Polygono-Chenopodion polyspermi) Pinus halepensis Mill. Mesofanerófito Fumaria sepium Boiss. & Reut. (Pistacio lentisci-Rhamnetalia alaterni)

Terófito Endemismo ibero-mauritânico Pinus pinaster Aiton Macrofanerófito Fumaria vaillantii Loisel in Desv. (= P. maritima Lam.)

Terófito (Polygono-Chenopodion polyspermi) Pinus pinea L. Megafanerófito Glaucium flavum Crantz

Hemicriptófito PLANTAGINACEAE (Cakiletea maritimae)

Hypecoum procumbens L. Littorella uniflora (L.) Asch.

383

Hidrófito (Plantaginetalia majoris) (Littorelletalia) Plantago serraria L.

Plantago afra L. Hemicriptófito subarrosetado Terófito (Plantaginion serrariae) (Thero-Brometalia) (= P. psyllium L.) PLUMBAGINACEAE Plantago almogravensis Franco

Caméfito lenhoso Armeria pinifolia (Brot.) Hoffmanns. & Link Endemismo lusitano Caméfito lenhoso (Crithmo-Daucion halophili) Endemismo lusitano Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE (Coremation albi)

Plantago bellardii All. Armeria pungens (Link) Hoffmanns. & Link

Terófito subsp. major (Daveau) Franco (Tuberarion guttatae) Caméfito lenhoso (Crithmo-Daucion halophili) Plantago coronopus L. subsp. coronopus

Terófito ou hemicriptófito subarrosetado Armeria pungens (Link) Hoffmanns. & Link (Polygono arenastri-Poetalia annuae) subsp. pungens Caméfito lenhoso Plantago coronopus L. subsp. occidentalis (Pigler) (Helichrysion picardii) Franco

Terófito ou hemicriptófito subarrosetado Armeria rouyana Dav. Endemismo ibérico Caméfito lenhoso (Crithmo-Daucion halophili) Endemismo lusitano (Coremation albi) Plantago lagopus L. Anexo(s) B-II* e B-IV da Directiva 92/43/CEE; Anexo I da Convenção de Berna Hemicriptófito (Hordeion leporini) Limonium echioides (L.) Mill. (incl. P. lusitanica L.) Terófito

Plantago lanceolata L. (Brachypodietalia distachyi)

Hemicriptófito subarrosetado Limonium ferulaceum (L.) Chaz. (Molinio-Arrhenatheretea) Caméfito lenhoso

Plantago macrorhiza Poir. (Arthrocnemion macrostachyi)

Hemicriptófito subarrosetado Limonium lanceolatum (Hoffmanns. & Link) (Crithmo-Limonietea) Franco

Plantago major L. subsp. major Hemicriptófito Endemismo lusitano Hemicriptófito subarrosetado (Arthrocnemion macrostachyi)

384

Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE Endemismo europeu (Calluno-Ulicetea) Limonium ovalifolium (Poir.) Kuntze

Hemicriptófito Agrostis pourretii Willd. (Crithmo-Daucion halophili) Terófito cespitoso (Agrostion pourretii) Limonium sinuatum (L.) Miller

Hemicriptófito Agrostis stolonifera L. var. pseudopungens (Lange) Kerguélen Limonium virgatum (Willd.) Fourr. Proto-hemicriptófito

Hemicriptófito (Elytrigion athericae) (Crithmo-Limonietea) (= L. oleifolium Miller; = Statice virgata Willd.) Agrostis stolonifera L. var. stolonifera Hemicriptófito Limonium vulgare Mill. (Plantaginetalia majoris)

Hemicriptófito (Glauco-Puccinellietalia) Agrostis tenerrima Trin. Terófito Plumbago europaea L. (Malcolmietalia)

Caméfito herbáceo (Salsolo vermiculatae-Peganetalia harmalae) Aira caryophyllea L. subsp. caryophyllea Terófito (Tuberarietalia guttatae) POACEAE Aira cupaniana Guss.

Aegilops geniculata Roth Terófito Terófito cespitoso (Tuberarietalia guttatae) (Taeniathero-Aegilopion geniculatae) Airopsis tenella (Cav.) Aschers. & Graebn.

Aegilops neglecta Bertol. Terófito Terófito cespitoso (Tuberarion guttatae) (Taeniathero-Aegilopion geniculatae) Ammophila arenaria (L.) Link subsp. arundinacea Aegilops triuncialis L. H.Lindb.

Terófito cespitoso Proto-hemicriptófito (Taeniathero-Aegilopion geniculatae) (Ammophilenion australis)

Agrostis castellana Boiss. & Reut. Anthoxanthum aristatum Boiss.

Proto-hemicriptófito Terófito (Stipo-Agrostietea castellanae) (Tuberarietalia guttatae)

Agrostis curtisii Kerguélen Antinoria agrostidea (DC.) Parl.

Geófito Terófito

385

(Isoetetalia) Hemicriptófito cespitoso Endemismo ibero-mauritânico Arrhenatherum album (Vahl) W.D. Clayton (Calluno-Ulicetea)

Proto-hemicriptófito (= A. sulcata subsp. sulcata) (Lygeo-Stipetea) (= A. erianthum Boiss. & Reuter) Brachypodium distachyon (L.) Beauv. Terófito Arundo donax L. (Brachypodietalia distachyi)

Microfanerófito (= Bromus distachios L. Amoen.; = Trachynia distachya (L.) Link) [Europa oriental, Ásia temperada e tropical] (Calystegion sepium) Brachypodium phoenicoides (L.) Roem. & Schult.

Avena barbata Pott ex Link subsp. barbata Hemicriptófito subarrosetado (Brachypodietalia phoenicoidis) Terófito (Thero-Brometalia) Brachypodium sylvaticum (Hudson) Beauv.

Avena barbata Pott ex Link subsp. lusitanica (Tab. Hemicriptófito subarrosetado Morais) Romero Zarco (Salici purpureae-Populetea nigrae)

Terófito (Thero-Brometalia) Briza maxima L. Terófito

Avena longiglumis Durieu (Tuberarietalia guttatae)

Terófito (Linario polygalifoliae-Vulpion alopecuroris) Briza minor L. Terófito

Avena sterilis L. subsp. ludoviciana (Durieu) (Tuberarietalia guttatae) Nyman

Terófito Bromus diandrus Roth (Centaureetalia cyani) Terófito (Thero-Brometalia)

Avena sterilis L. subsp. sterilis (= B. diandrus Roth)

Terófito (Thero-Brometalia) Bromus hordeaceus L. Terófito

Avenula hackelii (Henriq.) Holub subsp. (Stellarietea mediae) stenophylla (Franco) Franco Bromus lanceolatus Roth Hemicriptófito cespitoso Endemismo lusitano Terófito (Agrostio castellanae-Stipion giganteae) (Thero-Brometalia) Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE; Anexo I da Convenção de Berna Bromus madritensis L.

Terófito Avenula lodunensis (Delastre) Kerguélen. subsp. (Thero-Brometalia) lodunensis

386

Bromus rigidus Roth (Corynephoretalia canescentis)

Terófito (Thero-Brometalia) Corynephorus canescens (L.) Beauv. var. maritimus Godr. Bromus rubens L. Hemicriptófito subarrosetado

Terófito (Corynephoretalia canescentis) (Thero-Brometalia) Corynephorus fasciculatus Boiss. & Reut. Bromus scoparius L. Terófito

Terófito (Hymenocarpo hamosi-Malcolmion trilobae) (Hordeion leporini) Corynephorus macrantherus Boiss. & Reut. Bromus secalinus L. Terófito

Terófito Endemismo ibero-mauritânico (Scleranthion annui) (Hymenocarpo hamosi-Malcolmion trilobae)

Bromus squarrosus L. Crypsis aculeata (L.) Aiton

Terófito Terófito (Thero-Brometalia) (Verbenion supinae)

Bromus sterilis L. Cutandia maritima (L.) W. Barbey

Terófito Terófito (Stellarietea mediae) (Cutandietalia maritimae)

Bromus tectorum L. Cynodon dactylon (L.) Pers.

Terófito Hemicriptófito (Stellarietea mediae) (Trifolio fragiferi-Cynodontion)

Catapodium marinum (L.) C.E. Hubb. Dactylis glomerata L. subsp. hispanica (Roth)

Terófito Nyman (Saginetea maritimae) Hemicriptófito (Lygeo-Stipetea)

Catapodium rigidum (L.) C.E. Hubb. subsp. spicatum (Trab. in Batt. & Trab.) Rivas Mart. Dactylis glomerata L. subsp. lusitanica (Stebbins &

Terófito Zohary) Rivas Mart. & Izco (Frankenion pulverulentae) Hemicriptófito subarrosetado (Stipo-Agrostietea castellanae)

Chaetopogon fasciculatus (Link) Hayek Dactylis marina Borril Terófito (Agrostion pourretii) Hemicriptófito subarrosetado (Crithmo-Armerietalia)

Corynephorus canescens (L.) Beauv. var. canescens

Hemicriptófito subarrosetado Deschampsia stricta Hackel

387

Hemicriptófito subarrosetado Elytrigia juncea (L.) Nevski subsp. juncea

Endemismo ibérico Proto-hemicriptófito (Querco rotundifoliae-Oleion sylvestris) (Elytrigienion boreoatlanticae)

Digitaria ischaemum (Schreb.) Muhl. Festuca arundinacea Schreb. subsp. arundinacea

Terófito Hemicriptófito subarrosetado [Ásia e Sul e Sudeste da Europa] (Agrostion stoloniferae) (Polygono-Chenopodion polyspermi)

Festuca arundinacea Schreb. subsp. mediterranica Digitaria sanguinalis (L.) Scop. (Hack.) K. Richt.

Terófito cespitoso Hemicriptófito subarrosetado [Ásia e Sudeste da Europa, Norte de África] (Holoschoenetalia vulgaris) (Polygono-Chenopodion polyspermi)

Gaudinia fragilis (L.) P. Beauv. var. fragilis P. Echinochloa colonum (L.) Link Beauv.

Terófito Terófito [Regiões Tropicais] (Stipo-Agrostietea castellanae) (Digitario ischaemi-Setarienion viridis)

Holcus lanatus L. Echinochloa crus-galli (L.) P. Beauv. subsp. Proto-hemicriptófito hispidula (Retz) Honda (Molinio-Arrhenatheretea) Terófito

(Oryzo sativae-Echinochloion oryzoides) Hordeum murinum L. subsp. leporinum (Link) Arcang. Echinochloa oryzoides (Ard.) Fritsch subsp. Terófito oryzicola (Vasinger) Rivas Mart. (Hordeion leporini) Terófito

(Oryzo sativae-Echinochloion oryzoides) Hyparrhenia sinaica (Delile) Llauradó ex G. López

Proto-hemicriptófito cespitoso Echinochloa oryzoides (Ard.) Fritsch subsp. (Hyparrhenion sinaicae) oryzoides

Terófito Lagurus ovatus L. (Oryzo sativae-Echinochloion oryzoides) Terófito (Linario polygalifoliae-Vulpion alopecuroris) Elytrigia elongata (Host) Nevski

Hemicriptófito Lamarckia aurea (L.) Moench (Juncetalia maritimi) Terófito (Chenopodietalia muralis) Elytrigia juncea (L.) Nevski subsp. boreoatlantica (= Cynosurus aureus L.) (Simonet & Guin.) Hyl.

Proto-hemicriptófito Leersia oryzoides (L.) Sw. (Elytrigienion boreoatlanticae) Helófito estolhoso (Digitario ischaemi-Setarienion viridis)

388

Lolium perenne L. Proto-hemicriptófito cespitoso

Hemicriptófito [América do Sul] (Plantaginetalia majoris) (Paspalo-Polypogonion viridis)

Lolium rigidum Gaudin Paspalum vaginatum Sw.

Terófito Proto-hemicriptófito estolhoso ou geófito rizomatoso (Thero-Brometalia) [América Tropical] (Paspalo-Polypogonion viridis)

Melica minuta L. subsp. arrecta (G. Kunz) Breistr. Phalaris arundinacea L. Proto-hemicriptófito (Pistacio lentisci-Rhamnetalia alaterni) Helófito rizomatoso (Phalaridenion arundinaceae)

Mibora minima (L.) Desv. Phragmites australis (Cav.) Trin. ex Steud. Terófito (Tuberarietea guttatae) Helófito ou hidrófito (Phragmito-Magnocaricetea)

Micropyrum tenellum (L.) Link Piptatherum miliaceum (L.) Coss. subsp. Terófito (Tuberarietalia guttatae) miliaceum Proto-hemicriptófito cespitoso

Molineriella laevis (Brot.) Rouy (Bromo-Piptatherion miliacei)

Terófito cespitoso (Tuberarietalia guttatae) Piptatherum miliaceum (L.) Coss. subsp. thomasii (Duby) Freitag

Molineriella minuta (Brot.) Rouy subsp. australis Proto-hemicriptófito cespitoso (Paunero) Rivas Mart. (Bromo-Piptatherion miliacei)

Terófito cespitoso (Tuberarion guttatae) Poa annua L. Terófito

Molineriella minuta (Brot.) Rouy subsp. minuta (Polygono arenastri-Poetalia annuae)

Terófito cespitoso (Tuberarion guttatae) Poa bulbosa L. Hemicriptófito

Molinia caerulea (L.) Moench subsp. arundinacea (Poetalia bulbosae) (Schrank) Soják

Hemicriptófito subarrosetado Poa trivialis L. subsp. sylvicola (Guss.) H. Lindb. (Molinio-Holoschoenion vulgaris) Hemicriptófito subarrosetado (Molinietalia caeruleae)

Panicum repens L.

Proto-hemicriptófito Polypogon maritimus Willd. (Tamaricetalia africanae) Terófito (Hordeion marini)

Paspalum dilatatum Poir. in Lam. (= Chaetopogon creticus (Coust. & Gand.) Hayek)

389

Polypogon viridis (Gouan) Breistr. (Agrostio castellanae-Stipion giganteae)

Proto-hemicriptófito estolhoso (= Macrochloa arenaria (Brot.) Kunth) (Paspalo-Polypogonion viridis) Taeniatherum caput-medusae (L.) Nevski Psilurus incurvus (Gouan) Schinz & Thell. Terófito

Terófito (Taeniathero-Aegilopion geniculatae) (Tuberarietalia guttatae) Vulpia alopecuros (Schob.) Dumort. Puccinellia iberica (Wolley-Dod) Tzvelev Terófito

Hemicriptófito (Linario polygalifoliae-Vulpion alopecuroris) (Sarcocornienion perennis) Vulpia bromoides (L.) S.F. Gray Puccinellia tenuifolia (Boiss. & Reut.) H.Lindb. Terófito cespitoso

Hemicriptófito (Tuberarietalia guttatae) (Juncetalia maritimi) Vulpia ciliata Dumort Rostraria cristata (L.) Tzvelev Terófito

Terófito cespitoso (Thero-Brometalia) (Hordeion leporini) (= Festuca ciliata Danth.)

Setaria pumila (Poir.) Roem. & Schult. Vulpia geniculata (L.) Link

Terófito Terófito (Polygono-Chenopodion polyspermi) (Echio plantaginei-Galactition tomentosae) (= Loretia geniculata (L.) Duval-Jouve)

Spartina maritima (Courtis) Fernald

Proto-hemicriptófito cespitoso Vulpia membranacea (L.) Durmort. (Spartinion maritimae) Terófito cespitoso (Malcolmietalia)

Spartina versicolor Fabre

Proto-hemicriptófito rizomatoso Vulpia muralis (Kunth) Nees [América do Norte] Terófito cespitoso (Juncetalia maritimi) (Tuberarion guttatae)

Sporobolus arenarius (Gouan) Duval-Juve Vulpia myuros (L.) C.C. Gmel.

Proto-hemicriptófito rizomatoso ou estolhoso Terófito cespitoso (Sporobolion arenarii) (Tuberarietalia guttatae)

Stipa capensis Thunb. POLYGALACEAE Terófito (Taeniathero-Aegilopion geniculatae) Polygala microphylla L.

Stipa gigantea Link Caméfito Endemismo ibérico Proto-hemicriptófito

390

(Ericion umbellatae) (Solano nigri-Polygonetalia convolvuli)

Polygala monspeliaca L. Polygonum salicifolium Brouss. ex Willd.

Terófito Hemicriptófito (Brachypodietalia distachyi) (Magnocaricion elatae)

Rumex angiocarpus Murb. POLYGONACEAE Hemicriptófito (Agrostietalia castellanae) Emex spinosa (L.) Campd. Terófito Rumex bucephalophorus L. subsp. bucephalophorus

(Chenopodietalia muralis) Terófito (Tuberarietalia guttatae) Fallopia convolvulus (L.) A. Löve Terófito Rumex bucephalophorus L. subsp. gallicus (Steinh.) (Stellarienea mediae) Rech.f.

Terófito Polygonum amphibium L. (Tuberarietalia guttatae) Hidrófito ou geófito (Nymphaeion albae) Rumex bucephalophorus L. subsp. hispanicus (Steinh.) Rech.f.

Polygonum arenastrum Boreau Terófito Terófito Endemismo ibérico (Polygono arenastri-Poetalia annuae) (Malcolmietalia)

Polygonum aviculare L. Rumex conglomeratus Murray

Terófito Hemicriptófito (Polygono arenastri-Poetalia annuae) (Plantaginetalia majoris)

Polygonum equisetiforme Sibth. & Sm. Rumex crispus L.

Caméfito Hemicriptófito (Tamaricetalia africanae) (Plantaginetalia majoris)

Polygonum lapathifolium L. Rumex induratus Boiss. & Reut.

Terófito Caméfito (Bidentetalia tripartitae) Endemismo ibero-mauritânico (Phagnalo saxatilis-Rumicetalia indurati) Polygonum maritimum L. Caméfito Rumex intermedius DC. subsp. lusitanicus Franco

(Ammophiletea) Hemicriptófito Endemismo lusitano Polygonum persicaria L. (Calendulo lusitanicae-Antirrhinion linkiani)

Terófito

391

Rumex pulcher L. subsp. pulcher Terófito

Hemicriptófito (Stellarienea mediae) (Sisymbrietalia officinalis) (= A. arvensis ssp. latifolia (L.) Arcang.; = A. caerulea L.; = A. platyphylla Baudo)

Rumex pulcher L. subsp. woodsii (De Not.) Anagallis foemina Mill. Arcang. Terófito Hemicriptófito (Stellarienea mediae) (Hordeion leporini)

Anagallis monelli L. var. linifolia (L.) Samp. Rumex roseus L. Caméfito lenhoso Hemicriptófito (Corynephorion canescentis) (Malcolmietalia)

Anagallis monelli L. var. microphylla (Ball) Vasc. Rumex thyrsoides Desf. Caméfito lenhoso Hemicriptófito (Helichrysion picardii) (= A. monelli var. maritima (Mariz) Sampaio)

PORTULACAEAE Anagallis tenella (L.) L.

Portulaca oleracea L. Caméfito lenhoso (Anagallido-Juncion bulbosi) Terófito [Índia e Médio Oriente] (Chenopodion muralis) Asterolinon linum-stellatum (L.) Duby Terófito (Tuberarietea guttatae) POTAMOGETONACEAE Lysimachia ephemerum L. Potamogeton natans L. Geófito rizomatoso

Hidrófito (Molinio-Holoschoenion vulgaris) (Nymphaeion albae) Primula acaulis (L.) L. subsp. acaulis Potamogetum pectinatus L. Hemicriptófito

Hidrófito (Querco-Fagetea) (Potametea) (= P. vulgaris Hudson)

Potamogetum polygonifolius Pourr. Samolus valerandi L.

Hidrófito Hemicriptófito (Littorelletalia) (Adiantetea)

PRIMULACEAE PROTEACEAE

Anagallis arvensis L. Hakea salicifolia (Vent) B.L. Burtt Microfanerófito

392

[Sudeste da Austrália e Tasmânia] Delphinum nanum DC.

Terófito Hakea sericea Schrader Nanofanerófito [Sul da Austrália] Delphinum pentagynum Lam.

Hemicriptófito Endemismo ibero-mauritânico RAFFLESIACEAE (Roemerion hybridae)

Cytinus hypocistis (L.) L. subsp. hypocistis Nigella atlantica (Murb.) Rivas-Mart. Holoparasito Terófito (Lavanduletalia stoechadis) (Roemerion hybridae)

Cytinus hypocistis (L.) L. subsp. macranthus Nigella damascena L. Wettst. Terófito Holoparasito (Centaureetalia cyani) Endemismo ibero-mauritânico (Cisto-Lavanduletea) Nigella papillosa G. López

Terófito Endemismo ibérico RANUNCULACEAE (Ridolfion segetum)

Adonis annua L. Ranunculus bulbosus L. subsp. adscendens (Brot.) Terófito Neves (Ridolfion segeti) Geófito (Molinio holoschoenion vulgaris) Anemone palmata L. (= R. bulbosus L. subsp. aleae (Wilk.) Rouy & Fouc.) Geófito rizomatoso (Quercetalia ilicis) Ranunculus ficaria L. subsp. ficaria

Geófito Clematis cirrhosa L. subsp. cirrhosa (Populetalia albae) Fanerófito escandente (Quercetea ilicis) Ranunculus ficaria L. subsp. ficariiformis (F.W. Schult.) Rouy & Foucaud Clematis flammula L. Geófito Fanerófito escandente (Populetalia albae) (Quercetea ilicis)

Ranunculus flammula L. Delphinium gracile DC. Helófito Terófito (Molinietalia caeruleae) Endemismo ibero-mauritânico

Ranunculus gramineus L. Delphinum halteratum Sm. subsp. halteratum Hemicriptófito Terófito (Agrostietalia castellanae)

393

Ranunculus gregarius Brot. Endemismo ibero-mauritânico

Geófito (Molinio-Holoschoenion vulgaris) Endemismo ibérico (= T. flavum subsp. glaucum (Desf.) Batt.)

Ranunculus muricatus L. RESEDACEAE Terófito (Isoeto-Nanojuncetea) Reseda lutea L. subsp. lutea

Ranunculus ophioglossifolius Vill. Terófito ou hemicriptófito (Artemisietea vulgaris) Terófito ou helófito (Glycerio-Sparganion) Reseda luteola L.

Ranunculus parviflorus L. Hemicriptófito (Onopordenea acanthii) Terófito (Cardamine hirsutae-Geranietea purpurei) Sesamoides purpurascens (L.) G. López

Ranunculus peltatus Schrank Caméfito lenhoso (Corynephorion canescentis) Hidrófito ou helófito (Ranunculion aquatilis) Sesamoides spathulifolia (Relevière ex Boreau) Rothm. Ranunculus penicillatus (Dumort.) Bab. Caméfito lenhoso Helófito (Corynephorion canescentis) (Ranunculion fluitantis)

Ranunculus repens L. RHAMNACEAE Hemicriptófito estolhoso (Plantaginetalia majoris) Frangula alnus Mill. subsp. alnus

Microfanerófito Ranunculus saniculifolius Viv. (Salici purpureae-Populetea nigrae) Hidrófito ou helófito Endemismo ibero-mauritânico Rhamnus alaternus L. var. alaternus (Ranunculion aquatilis) Microfanerófito (Quercetea ilicis) Ranunculus trilobus Desf.

Terófito Rhamnus oleoides L. subsp. oleoides (Cypero micheliani-Ranunculetum trilobi) Nanofanerófito (Asparago albi-Rhamnion oleoidis) Ranunculus tripartitus DC.

Helófito

(Ranunculion aquatilis) ROSACEAE

Thalictrum speciosissimum L. Agrimonia eupatoria L. subsp. eupatoria Hemicriptófito Hemicriptófito

394

(Trifolio-Geranietea) Nanofanerófito (Rhamno-Prunetea) Agrimonia procera Wallr.

Hemicriptófito Rosa micrantha Borrer ex Sm. (Trifolio-Geranietea) Nanofanerófito (Pruno-Rubion ulmifolii) Aphanes arvensis L.

Terófito Rosa pouzinii Tratt. (Scleranthion annui) Nanofanerófito (Pruno-Rubion ulmifolii) Aphanes australis Rydb. in Britton & Undew.

Terófito Rosa sempervirens L. (Tuberarietalia guttatae) Fanerófito escandente (= A. microcarpa auct.) (Quercetalia ilicis)

Crataegus monogyna Jacq. subsp. brevispina (G. Rubus ulmifolius Schott

Kunze) Franco Fanerófito escandente Microfanerófito (Pruno-Rubion ulmifolii) Endemismo ibero-mauritânico (Rosenion carioti-pouzinii) Sanguisorba hybrida (L.) Font Quer

Hemicriptófito Geum urbanum L. Endemismo ibérico Hemicriptófito (Quercenion broteroi) (Galio aparines-Alliarietalia petiolatae) Sanguisorba verrucosa (Link ex G. Don) Ces.

Potentilla erecta (L.) Raeusch. Hemicriptófito Hemicriptófito (Stipo-Agrostietea castellanae) (Nardetalia strictae)

Potentilla reptans L. RUBIACEAE

Hemicriptófito (Plantaginetalia majoris) Asperula hirsuta Desf. Proto-hemicriptófito Prunus insititia L. Endemismo ibero-mauritânico

Microfanerófito (Saturejo-Thymbrion capitatae) (Rhamno-Prunetea) Crucianella angustifolia L. Pyrus bourgaeana Decne. Terófito

Microfanerófito (Tuberarietea guttatae) Endemismo ibero-mauritânico (Quercion broteroi) Crucianella maritima L. Caméfito lenhoso Rosa canina L. (Crucianelletalia maritimae)

395

Galium aparine L. (Geranio pusilli-Anthriscion caucalidis)

Terófito (Galio-Urticetea) RUTACEAE

Galium debile Desv. Ruta angustifolia Pers. Geófito rizomatoso Caméfito (Brizo-Holoschoenenion) (Pegano-Salsoletea)

Galium divaricatum Pourr. ex Lam. Ruta chalepensis L. Terófito Caméfito (Tuberarion guttatae) (Rosmarinetalia officinalis)

Galium minutulum Jord.

Terófito SALICACEAE (Parietarion lusitanico-mauritanicae)

Populus alba L. Galium palustre L. Mesofanerófito Geófito rizomatoso (Populetalia albae) (Magnocaricetalia)

Populus nigra L. Galium spurium L. Mesofanerófito Terófito (Salici purpureae-Populetea nigrae) (Cardamine hirsutae-Geranietea purpurei)

Salix atrocinerea Brot. Galium verrucosum Huds. Microfanerófito Terófito (Populetalia albae) (Centaureetalia cyani)

Salix salviifolia Brot. subsp. australis Franco Rubia peregrina L. subsp. longifolia (Poir.) O. Microfanerófito Bolòs Endemismo ibérico Caméfito escandente (Salicion salviifoliae) (Quercetea ilicis) Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE

Rubia peregrina L. subsp. peregrina Salix salviifolia Brot. subsp. salviifolia Caméfito escandente Microfanerófito (Quercetea ilicis) Endemismo ibérico (Salicion salviifoliae) Sherardia arvensis L.

Terófito

(Centaureetalia cyani) SANTALACEAE

Valantia muralis L. Osyris alba L.

Terófito Nanofanerófito

396

(Pistacio lentisci-Rhamnetalia alaterni) Cymbalaria muralis Gaertn., B. Mey. & Schreb.

Caméfito herbáceo Osyris lanceolata Hochst. & Steud. (Parietarietalia) Nanofanerófito (Pistacio lentisci-Rhamnetalia alaterni) Cymbalaria muralis P. Gaertner, B. Meyer & Scherb.

Caméfito SAXIFRAGACEAE [Sudeste Europeu] (Parietarietea) Saxifraga granulata L. subsp. granulata Hemicriptófito Kickxia cirrhosa (L.) Fritsch (Phagnalo saxatilis-Rumicetalia indurati) Terófito (Cicendion)

SCROPHULARIACEAE Kickxia lanigera (Desf.) Hand.-Mazz.

Terófito Anarrhinum bellidifolium (L.) Willd. (Diplotaxion erucoidis) Hemicriptófito subarrosetado Endemismo europeu Linaria algarviana Chav. (Rumici indurati-Dianthion lusitani) Terófito Endemismo lusitano Antirrhinum cirrhigerum (Welw. ex Ficalho) (Hymenocarpo hamosi-Malcolmion trilobae) Rothm. Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE; Anexo I da Caméfito herbáceo Convenção de Berna Endemismo ibérico (Rubio longifoliae-Coremation albi) Linaria ficalhoana Rouy

Proto-hemicriptófito Bartsia aspera (Brot.) Lange Endemismo lusitano Geófito (Linarion pedunculatae) Endemismo ibero-mauritânico Anexo(s) B-II* e B-IV da Directiva 92/43/CEE (Saturejo-Thymbrion capitatae) (= Nothobartsia asperrima (Link) Benedí & Herrero) Linaria lamarckii Rouy

Caméfito lenhoso Bellardia trixago (L.) All. Endemismo ibérico Terófito (Helichrysion picardii) (Thero-Brometalia) (= Bartsia trixago L.) Linaria spartea (L.) Chaz.

Terófito Chaenorhinum serpyllifolium (Lange) Lange Endemismo europeu subsp. lusitanicum R. Fern. (Tuberarietalia guttatae) Terófito Endemismo lusitano Linaria viscosa (L.) Chaz. (Linarion pedunculatae) Terófito Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE Endemismo ibérico

397

(Linario polygalifoliae-Vulpion alopecuroris) Verbascum sinuatum L.

Hemicriptófito Parentucellia viscosa (L.) Caruel (Carthametalia lanati) Terófito (= Bartsia viscosa L.) Verbascum thapsus L. subsp. thapsus

Hemicriptófito subarrosetado Pedicularis sylvatica L. subsp. lusitanica (Atropetalia belladonae) (Hoffmanns. & Link) Cout. Proto-hemicriptófito Veronica anagallis-aquatica L.

Endemismo ibero-mauritânico Helófito (Stauracanthion boivinii) (Phragmito-Magnocaricetea)

Scrophularia auriculata Loefl. ex L. Veronica anagalloides Guss.

Caméfito herbáceo Helófito (Calystegietalia sepium) (Isoeto-Nanojuncetea)

Scrophularia canina L. Veronica arvensis L.

Caméfito Terófito (Andryaletalia ragusinae) (Stellarietea mediae)

Scrophularia frutescens L.

Caméfito lenhoso SMILACACEAE Endemismo ibero-mauritânico (Crucianelletalia maritimae) Smilax aspera L. var. altissima Moris & De Not

Fanerófito escandente Scrophularia scorodonia L. (Quercetalia ilicis) Caméfito herbáceo (Osmundo-Alnion) Smilax aspera L. var. aspera

Fanerófito escandente Scrophularia sublyrata Brot. (Quercetea ilicis) Caméfito lenhoso Endemismo lusitano Anexo(s) B-V da Directiva 92/43/CEE SOLANACEAE

Verbascum litigiosum Samp. Datura stramonium L.

Hemicriptófito Terófito Endemismo lusitano [América Tropical] (Bromo-Piptatherion miliacei) (Chenopodion muralis) Anexo(s) B-II e B-IV da Directiva 92/43/CEE (= D. tatula L.)

Verbascum pulverulentum Vill. Hyoscyamus albus L.

Hemicriptófito subarrosetado Terófito ou hemicriptófito subarrosetado (Onopordenea acanthii) (Parietarietalia)

398

Hyoscyamus niger L. THYMELAEACEAE

Terófito ou hemicriptófito subarrosetado (Onopordenea acanthii) Daphne gnidium L.

Nanofanerófito Lycium europaeum L. (Quercetea ilicis) Nanofanerófito (Pegano-Salsoletea) Thymelaea villosa (L.) Endel.

Caméfito lenhoso Lycium intricatum Boiss. Endemismo ibero-mauritânico Nanofanerófito (Ericenion umbellatae) (Pegano-Salsoletea)

Physalis ixocarpa Brot. TYPHACEAE

Terófito [América Central e México] Typha domingensis (Pers.) Steud. Helófito Solanum nigrum L. (Phragmitetalia)

Terófito (Stellarietea mediae) ULMACEAE

Solanum sodomeum L. Celtis australis L. Nanofanerófito Mesofanerófito [África do Sul] (Populion albae) (Pegano-Salsoletea)

Ulmus minor Mill.

SPARGANIACEAE Mesofanerófito (Populetalia albae) Sparganium erectum L. subsp. erectum

Helófito ou hidrófito URTICACEAE (Phragmito-Magnocaricetea)

Sparganium erectum L. subsp. neglectum (Beeby) Parietaria judaica L. K. Richt. Terófito (Parietarietalia) Helófito ou hidrófito (= P. punctata Willd.) (Glycerio-Sparganion)

Parietaria lusitanica L.

TAMARICACEAE Terófito (Parietarion lusitanico-mauritanicae) Tamarix africana Poir. var. africana

Microfanerófito Parietaria mauritanica Durieu (Tamaricetalia africanae) Terófito

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(Parietarion lusitanico-mauritanicae) Viola arvensis Murray subsp. arvensis

Terófito Urtica dioica L. (Stellarietea mediae) Hemicriptófito (Galio-Urticetea) VITACEAE Urtica membranacea Poir. in Lam.

Terófito Vitis vinifera L. subsp. sylvestris (C.C. Gmel.) Hegi (Smyrnienion olusatri) Fanerófito escandente (= U. dubia Forskäl) (Salici purpureae-Populetea nigrae)

Urtica urens L. ZANNICHELLIACEAE Terófito (Chenopodietalia muralis) Cymodocea nodosa (Ucria) Asch.

Hidrófito VALERIANACEAE (Halodulo wrightii-Thalassietea testudinum) Anexo I da Convenção de Berna Centranthus calcitrapae (L.) Dufresne

Terófito ZOSTERACEAE (Cardamine hirsutae-Geranietea purpurei)

Fedia cornucopia (L.) Gaertn. Zostera noltii Hornem. Hidrófito Terófito (Zosteretea marinae) (Cerintho majoris-Fedion cornucopiae)

ZYGOPHYLLACEAE VERBENACEAE

Verbena officinalis L. Fagonia cretica L. Caméfito Caméfito herbáceo (Pegano-Salsoletea) (Plantaginetalia majoris)

Verbena supina L. Tribulus terrestris L. Terófito Terófito (Chenopodion muralis) (Verbenion supinae)

VIOLACEAE

Viola arborescens L.

Caméfito (Rosmarinetalia officinalis)

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