Diogo Álvares, O Caramuru, E a Fundação Mítica Do Brasil
Diogo Álvares, o Caramuru, e a fundação mítica do Brasil Janaína Amado Um tema recorrente da historiografia, da literatura e do imaginário brasileiros é a história de Diogo Álvares, o Caramuru, um dos primeiros habitantes brancos do Brasil, aí chegado, provavel- mente como náufrago, no início da colonização portuguesa1. É certo que Diogo, talvez um minhoto de Viana do Castelo 2, residiu na Bahia durante muitos anos (entre três e seis décadas, não se sabe), parte dos quais sem contato, ou com contato esporádico, com os portugueses. É possível que nessa * Esta é uma versão enriquecida de texto originalmente publicado em: Actas dos IV Cursos Internacionais de Verão de Cascais - Mito e Símbolo na História de Portugal e do Brasil. Portugal, Câmara Municipal de Cascais, 1998, pp. 175- 209. 1 Não há qualquer segurança a respeito da data de chegada à Bahia de Diogo Álvares. Os documentos de época são vagos a respeito, alguns contraditórios, o que leva os his toriadores a adotarem opiniões diferentes, segundo a fonte em que se baseiam. A maioria das fontes conduz para os anos imediatamente posteriores a 1500; algumas, entretanto, apontam para a década de 1530. Embora não se costume levantar dúvidas a res peito da condição de náufrago de Diogo Álvares - de tão repetida, parece hoje «incorporada» ao personagem -, o fato é que ela não é comprovada. Gabriel Soares de Souza refere-se a um naufrágio, porém ocorrido nas costas da Bahia, durante uma viagem entre Ilhéus e Vila Velha, em companhia do donatário Francisco Coutinho. A narrativa do Pe. Simão de Vasconcellos, que dá Diogo como náufrago numa viagem desde Portugal, omite suas fontes, mas documentos posteriores repetiram a informação, também sem indicarem a ori- gem.
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