UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO MESQUITA FILHO” CAMPUS EXPERIMENTAL DE

EMERSON CARLOS DE ALMEIDA

RISCOS E ALTERAÇÕES AMBIENTAIS NO ALTO PARANAPANEMA - SP

OURINHOS-SP NOVEMBRO-2012 UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “Júlio de Mesquita Filho”

Campus de Ourinhos

RISCOS E ALTERAÇÕES AMBIENTAIS NO ALTO PARANAPANEMA - SP

Emerson Carlos de Almeida

Orientador: Dr. Salvador Carpi Júnior

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à banca examinadora para obtenção do título de Especialista em Gerenciamento de Recursos Hídricos e Planejamento Ambiental em Bacias Hidrográficas pela UNESP – Campus de Ourinhos.

Ourinhos - SP Novembro/2012

UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “Júlio de Mesquita Filho”

Campus de Ourinhos

RISCOS E ALTERAÇÕES AMBIENTAIS NO ALTO PARANAPANEMA - SP

Emerson Carlos de Almeida

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à banca examinadora para obtenção do título de Especialista em Gerenciamento de Recursos Hídricos e Planejamento Ambiental em Bacias Hidrográficas pela UNESP – Campus de Ourinhos.

Ourinhos – SP Novembro/2012

UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “Júlio de Mesquita Filho”

Campus de Ourinhos

Banca examinadora

Prof. Dr. Salvador Carpi Júnior (orientador)

______

Ourinhos - SP Novembro/2012

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho aos meus pais por terem sempre me apoiado em todos os momentos de minha vida. A minha família, em geral, pelo carinho e apoio dispensados em todos os momentos que precisei.

AGRADECIMENTOS

A Deus por ter me dado forças e iluminado meu caminho para que pudesse concluir mais uma etapa da minha vida; A todos os professores do curso, pela paciência, dedicação e ensinamentos disponibilizados nas aulas, cada um de forma especial contribuiu para a conclusão desse trabalho e, consequentemente, para minha formação profissional.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA ...... 3 OBJETIVOS ...... 4 Gerais ...... 4 Específicos ...... 4 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ...... 5 POLUIÇÃO E EROSÃO ...... 5 Poluição da água ...... 5 Poluição do solo ...... 6 Poluição atmosférica ...... 7 Erosão ...... 7 MATERIAIS E MÉTODOS ...... 9 Localização e caracterização da área...... 9 Procedimentos metodológicos ...... 12 RESULTADOS E DISCUSSÃO ...... 18 Cabeceira do Alto Paranapanema ...... 18 Mapa Alto Paranapanema Infraestrutura (Recorte) ...... 20 Ourinhos ...... 21 Mapa de riscos dos Município de Ourinhos e Canitar ...... 22 Município de Piraju ...... 23 Mapa de riscos do município de Piraju - SP ...... 24 Município de ...... 25 Mapa Riscos e Alterações Ambientais na Bacia Hidrográfica do Rio Itapetininga ...... 26 APA Tejupá ...... 27 Mapa APA Tejupá: Análise de Riscos Ambientais – Mapa 1 ...... 28 Mapa APA Tejupá: Análise de Riscos Ambientais – Mapa 2 ...... 29 Bacia do Alto Paranapanema ...... 30 Mapa Alto Paranapanema Riscos Ambientais ...... 31 Mapa de Riscos do Alto Paranapanema ...... 32 Mapa Alto Paranapanema Recursos Naturais (Recorte) ...... 33 Mapa Ambiental Participativo do Alto Paranapanema ...... 34 ESTUDO DE CASO DO MUNICÍPIO DE FARTURA – SP...... 35 Dados do município ...... 35 Situações de Riscos e Vulnerabilidade no município de Fartura - SP ...... 35 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...... 46 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...... 47

LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Localização da UGRHI 14 no estado de ...... 9 Figura 2: Localização das sedes municipais na UGRHI 14...... 10 Quadro 1: Subbacias, áreas de drenagem e municípios integrantes da UGRHI 14...... 11 Quadro 2: Glossário Imagens Básicas para Identificação de Riscos (GIBI - R)...... 13 Figura 3: Grupo identificando situações de riscos no GIBI-R...... 14 Quadro 3: Relação de participantes do curso, cidade de origem e área profissional...... 14 Figura 4: Localização dos municípios de origem dos integrantes dos grupos...... 16 Figura 5: Confecção do mapa de riscos ambientais no município de Piraju...... 16 Figura 6: Representação do mapa do município de Piraju feito pelos alunos ...... 17 Figura 7: Mapa do Estado de São Paulo e a localização de Fartura...... 35 Figura 8: Cerâmica localizada no município...... 36 Figura 9: Queima de vegetação em beira de estrada...... 36 Figura 10: Estação de tratamento de esgoto...... 37 Figura 11: Lançamento de esgoto tratado...... 37 Figura 12: Estação de tratamento de água ...... 38 Figura 13: Ponto de captação de água da estação de tratamento água...... 38 Figura 14: Alagamento em Fartura...... 39 Figura 15: Animais tentaram atravessar o rio e ficaram submersos durante a enchente...... 39 Figura 16: Jazida de argila em Fartura...... 40 Figura 17: Jazida de cascalho em Fartura...... 40 Figura 18: Erosão na serra de Fartura...... 41 Figura 19: Erosão nas margens da represa de Chavantes, em Fartura...... 41 Figura 20: Preenchimento das valas no aterro sanitário de Fartura...... 42 Figura 21: Setor de triagem de lixo no aterro controlado de Fartura...... 42 Figura 22: Produção de mudas para arborização urbana...... 43 Figura 23: Plantio de mudas de árvores na zona urbana...... 43 Figura 24: Plantio de mudas de árvores na zona urbana em Fartura...... 44 Figura 25: Mexilhões dourado encontrados próximos à estação de coleta de água da SABESP em Fartura ...... 44 Figura 26: Encanamento infestado de mexilhão dourado encontrado na estação de coleta de água da SABESP, em Fartura – SP...... 45

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ALMEIDA, Emerson Carlos de. Riscos e Alterações Ambientais no Alto Paranapanema - SP, 2012, 47 f. – Monografia de especialização – Universidade Estadual Paulista, Campus Experimental de Ourinhos. Ourinhos – SP.

RESUMO

Este trabalho foi realizado com objetivo de mapear as áreas de situação de risco ambiental na Bacia Hidrográfica do Alto Paranapanema, utilizando a metodologia do mapeamento participativo através do conhecimento técnico e empírico com relação a pontos regionais de riscos, alterações ambientais e ações positivas. Os pós-graduandos do curso de especialização em Gerenciamento de Recursos Hídricos e Planejamento Ambiental em Bacias Hidrográficas, realizado pela Universidade Estadual Paulista “Júlio Mesquita Filho”, campus experimental de Ourinhos puderam demarcar em cartolina pontos tais pontos das seguintes regiões: Ourinhos, APA Tejupá, Piraju, Itapetininga, Bacia do Alto Paranapanema e Cabeceira do Alto Paranapanema. Foram traçados mapas em cartolina e os pontos de risco, alterações e ações positiva com relação ao meio ambiente foram localizados no mapa. Posteriormente os mapas foram digitalizados pelo grupo GADIS (Gestão Ambiental e Dinâmica Socioespacial), possibilitando demarcar tais pontos em toda a área da Bacia Hidrográfica do Alto Paranapanema. Posteriormente, pontos de risco e alterações ambientais presentes no município de Fartura foram fotografados e descritos para exemplificar os pontos citados nos mapas digitalizados.

Palavras – chave: Mapeamento, Riscos, Impactos.

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ALMEIDA, Emerson Carlos de. Risks and Environmental Change in the Upper Paranapanema - SP, 2012, 47 f. - Monograph of specialization - Universidade Estadual Paulista, Experimental Ourinhos Campus. Ourinos - SP.

ABSTRACT

This study was conducted to map the areas of environmental risk in the Upper Basin Paranapanema, using the methodology of participatory mapping through technical knowledge and empirical points with respect to regional risks, environmental change and positive actions. The post -graduate specialization course in Water Resources Management and Environmental Planning in Watershed, held by Universidade Estadual Paulista "Júlio Mesquita Filho" experimental Ourinhos campus could demarcate cardboard points such points in the following regions: Ourinhos, APA Tejupá, Piraju , Itapetininga, Paranapanema Upper Basin and the Upper Pillow Paranapanema. Maps were drawn on cardboard and risk points, positive changes and actions regarding the environment were located on the map. Later maps were digitized by the group Gadis (Environmental and Socio-Spatial Dynamics), enabling such demarcation points throughout the area of the Upper Basin Paranapanema. Later, points of risk and environmental change present in the municipality of Plenty were photographed and described to exemplify the points mentioned in digitized maps.

Keywords: Mapping, Risk, Impacts.

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INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA

A pressão antrópica sobre o planeta torna-se cada vez mais importante a realização de estudos para a solução de problemas que atingem o meio ambiente. As bacias hidrográficas são consideradas unidades naturais para estudos e para manejo e conservação dos recursos naturais como o solo e a água. Dessa forma, o gerenciamento de bacias hidrográficas está se tornando cada vez mais importante para a preservação dos recursos hídricos, visto que há uma necessidade crescente de disponibilidade de água em quantidade e qualidade. (CARPI JR, 2001). Uma das formas de se fazer estudos de riscos ambientais em bacias hidrográficas é através do mapeamento participativo, cujo objetivo desse trabalho é aplicar tal metodologia, construindo mapas que demonstrem áreas de situações de risco ambiental da Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos nº.14 – UGRHI, correspondente à Bacia Hidrográfica do Alto Paranapanema, localizada na região sudoeste do Estado de São Paulo, região que possui como principais atividades econômicas as indústrias de papel e celulose, alimentícias, mineração, engenhos e destilarias, agricultura (grãos e fruticultura) e da qual fazem parte 34 municípios (CBH Paranapanema, 2012). Através da parceria com os alunos do curso de Pós Graduação em Gerenciamento de Recursos Hídricos e Planejamento Ambiental em Bacias Hidrográficas, da UNESP – Campus de Ourinhos, foi utilizado o conhecimento empírico dos pós-graduando com relação aos fatores de riscos das regiões em análise, possibilitando confeccionar mapas temáticos demonstrando pontos de riscos ambientais relacionados com o ar, solo e água assim como ações positivas.

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OBJETIVOS

Gerais

O objetivo geral desse trabalho é divulgar uma experiência de metodologia do mapeamento participativo como forma eficiente de demarcar em mapas situações de riscos ambientais, impactos ambientais e ações positivas.

Específicos

Os objetivos específicos desse trabalho são, através do mapeamento participativo, localizar em mapas pontos de riscos ambientais da UGRH 14 – Alto Paranapanema, nas seguintes áreas: Cabeceira do Alto Paranapanema, município de Itapetininga, APA Tejupá, , município de Piraju e Ourinhos e, de forma geral, em toda a Bacia do Alto Paranapanema e citar como exemplo pontos de riscos, impactos ambientais e ações positivas presente no município de Fartura-SP.

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FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Há fatores que colaboram para a ocorrência do desequilíbrio da paisagem, podendo ser destacados a intervenção humana, através de um planejamento inadequado que acaba interferindo na configuração do espaço, além de se manifestarem sobre a fauna e flora local, e consequentemente, levando ao aumento da taxa de incidência de processos naturais, como a erosão, causando prejuízos relacionados ao meio ambiente e atividades econômicas. Percebe- se então, que há uma urgência de estudos em relação ao ambiente apontando soluções para determinados problemas. Mapear os locais atingidos pelo risco ambiental ajuda na prevenção de seu desenvolvimento e de sua manifestação em outras áreas, sendo prejudicial a inúmeros componentes que se relacionam ao meio ambiente, como o meio físico, social e econômico. Uma das formas me localizar situações de risco ambiental é através do mapeamento participativo, onde os processos para serem mapeados são designados como, de inicio, visitas técnicas para reconhecerem e estudarem o local, elaboração de mapas base, levantamento de pontos de riscos, o contato e cadastramento de pessoas que residem ou que constantemente estão presentes na área de estudo e a divulgação dos resultados e possíveis consequências causadas pelos pontos de riscos mapeados. Posteriormente, após um conhecimento sobre a área a ser estudada, a identificação da área sujeitas ao processo de riscos ambientais no mapa base. Em seguida, as informações adquiridas são compiladas e averiguadas em trabalhos de campo, para um melhor desenvolvimento e compreensão do tema. Um desenvolvimento computacional, incluindo digitalização e georeferenciamento e tratamento das informações recolhidas durante analise feita possibilita a formação um banco de dados, que são analisados para uma elaboração de propostas recomendações para evitar as situações constatadas e orientar ações de recuperação e planejamento ambiental (CARPI JR, 2012).

POLUIÇÃO E EROSÃO

Poluição da água

A poluição da água pode ser definida como a alteração das suas características físicas, químicas ou biológicas. Ela pode ter muitas formas de poluição. Bassoi (2005) descreve as poluições hídricas nas seguintes categorias: 6

Poluição natural: Decorrente do arraste pelas águas das chuvas, de partículas orgânicas e inorgânicas do solo, de vegetação em decomposição, de resíduos de animais silvestres, de folhas e galhos de árvores. Poluição devida aos esgotos domésticos: Os esgotos tratados ou não, quando lançados num corpo de água, irão provocar alterações nas características químicas, físicas e biológicas da água. Além do esgoto doméstico, podem ser incorporados esgotos provenientes de atividade econômicas como: postos de combustíveis, laboratórios, hospitais, etc., agravando ainda mais o problema da poluição. Poluição devida aos efluentes industriais: Os efluentes industriais podem conter elevadas taxas de materiais poluentes, como matéria orgânica, sólidos em suspensão microrganismos patogênicos, substâncias tetranogências, cancerígenas, metais pesados, etc. Poluição devida à drenagem de áreas agrícolas e urbanas: Consiste no deflúvio superficial, onde materiais presentes em locais acumuladores como valas e bueiros são levados pela água da chuva. O deflúvio de áreas agrícolas pode provocar a poluição de corpos hídricos por agroquímicos, como agrotóxicos e fertilizantes, ocasionando problemas como mortandade da fauna e flora, eutrofização, indisponibilidade da água para tratamento e consumo, etc. No Brasil, as principais doenças de veiculação hídrica, causadas pela precariedade do saneamento básico são a cólera, infecções gastrointestinais, febre tifóide, poliomielite, amebíase, esquistossomose e shigelose.

Poluição do solo

De acordo com Günther (2005), em termos ambientais, a disposição inadequada dos resíduos sólidos pode contribuir para: Poluição natural (não associada à atividade humana): como erosão, desastres naturais (terremotos, inundações), atividades vulcânicas, áreas com elementos inorgânicos (principalmente metais) ou com irradiação natural. Poluição artificial (origem antrópica): urbanização e ocupação do solo; atividades ligadas à agricultura e pecuária (agropastoris); atividades extrativas, como mineração; armazenamento de produtos e resíduos, principalmente os perigosos; derrame ou vazamento de resíduos perigosos causados por acidentes no transporte de cargas; lançamento de águas residuárias: efluentes industriais e esgotos sanitários; disposição inadequada de resíduos sólidos. 7

A disposição inadequada de resíduos sólidos pode provocar uma série de consequências, como: poluição do ar através de poeira, gases e fumaça, provindos de tais resíduos; poluição das águas superficiais ou subterrâneas e do solo através da percolação do chorume e outros líquidos; degradação do solo, tornando-o inadequado para usos futuros; poluição visual, causando desconforto para as populações vizinhas; impactos negativos sobre a flora e fauna locais; desvalorização de áreas do entorno, riscos de desabamento e assoreamento do leito de escoamento de córregos ou entupimento do sistemas de drenagem, causando enchentes.

Poluição atmosférica

Malheiros e Assunção (2005) descrevem a poluição atmosférica como qualquer forma de matéria sólida, líquida ou gasosa e de energia, que pode tornar a atmosfera poluída, e podem ser divididos em material particulado e gases. A poluição atmosférica pode ser classificada em: Naturais: sem a interferência do homem, como erupções vulcânicas, decomposição de vegetais e animais, incêndios florestais, etc. Antrópicas: provindas da ação do homem, como indústrias, automóveis, construção civil, comercialização e armazenamento de produtos voláteis, etc. A poluição atmosférica pode trazer muitas consequências, como agravo à saúde através de doenças do sistema respiratório, redução da capacidade de atenção, irritação nos olhos, etc. Há também a possibilidade de haverem alterações e materiais, através da deposição de partículas, corrosão de metais por gases ácidos como o dióxido de enxofre (SO2), por chuva ácida, etc. A poluição atmosférica também pode provocar danos à vegetação, como envelhecimento, alteração do crescimento, redução da absorção da luz, mudança de coloração, etc. A redução da camada de ozônio, alterações climáticas e aquecimento global também estão relacionados com a poluição atmosférica.

Erosão

Outro problema citado pelos pós-graduandos no mapeamento participativo foi a erosão, que é um fenômeno natural desencadeado pela desagregação dos materiais da crosta terrestre por agentes exógenos como águas dos rios (erosão fluvial), chuvas (erosão pluvial), 8

ventos (erosão eólica), ação de geleiras (erosão glacial), alterações químicas do solo (erosão química), movimentação de rochas pela força da gravidade (erosão por gravidade) sendo transportados para as regiões mais baixas do terreno e também causada pelo homem (erosão antrópica) (Francisco, 2010). A modificação do meio natural de forma desastrosa causada por fatores como impermeabilização do solo, queimadas, desmatamentos, urbanização e linhas de plantio tem causado a erosão acelerada ocasionando problemas socioambientais como assoreamento de rios, morte de espécies de fauna e flora, empobrecimento do solo, redução da biodiversidade, redução da área de plantio, deslizamentos, enchentes, danos econômicos, etc.

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MATERIAIS E MÉTODOS

Localização e caracterização da área

A área de estudo desse trabalho foi a Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos nº 14 – UGRHI 14 (figura 1) a qual corresponde a porção paulista da bacia hidrográfica do Alto Paranapanema, localizada na região Sudeste do Estado de São Paulo.

Figura 1: Localização da UGRHI 14 no estado de São Paulo. Fonte: http://comitealpa.com/cobranca/alpacobrancaroteiro. Acesso em 12/10/2012.

A UGRHI 14 possui 34 municípios (figura 2) : Angatuba, Arandu, Barão de Antonina, Bernardino da Campos, Bom Sucesso de Itararé, Buri, Campina do Monte Alegre, Capão Bonito, Coronel Macedo, Fartura, Guapiara, Guareí, Ipauçu, Itaberá, Itaí, Itapetininga, Itapeva, Itaporanga, Itararé, Manduri, Nova Campina, Paranapanema, Pilar do Sul, Piraju, Ribeirão Branco, Ribeirão Grande, Riversul, São Miguel Arcanjo, Sarutaiá, Taguaí, Taquarituba, Taquarivaí, Tejupa e Timburi. As maiores cidades localizadas na UGRHI são Itapetininga (120.455 hab), Itapeva (80.636 hab.), Itararé (47.096 hab.), Capão Bonito (46.428 hab.), São Miguel Arcanjo (29.107 10

hab) e Piraju (26.605 hab.), valores correspondentes à população total segundo o Censo Demográfico de 2000 (CBH Paranapanema, 2012).

Figura 2: Localização das sedes municípais na UGRHI 14. Fonte: http://www.lplengenharia.com.br/cbhCobranca/alpacobrancaroteiro . Acesso em 10/10/2012.

Segundo a Minuta Preliminar do Relatório Técnico Final, a UGRHI 14 possui uma área de drenagem de 22.550 Km2, compreendendo a Bacia Hidrográfica do Alto Paranapanema, cujos principais cursos d'água são o Rio Paranapanema, Rio Apiaí-Guaçu, Rio Taquari, Rio Itapetininga, Rio Verde, Rio Capivari, Rio Itararé e Ribeirão das Almas. No território da bacia, encontram-se os reservatórios Boa Vista, Jurumirim, Piraju e Chavantes. O quadro abaixo relaciona as subbacias, áreas de drenagem e municípios que elas integram.

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Quadro 1: Subbacias, áreas de drenagem e municípios integrantes da UGRHI 14 Fonte: Plano de Bacia UGRHI 14.

A Minuta Preliminar do Relatório Técnico Final Situação dos Recursos Hídricos do Alto Paranapanema apontou que a região é caracterizada por colinas come morros conexos, morros baixos, com altitudes entre 600 e 700 metro (presentes nas áreas com rochas sedimentares) e morros baixos, com altitude entre 600 e 800 metros. Com relação ao uso e ocupação do solo, o documento também apontou principalmente pastagens, culturas temporárias, culturas perenes, áreas de reflorestamento, 12

áreas urbanizadas e estradas, coberturas vegetal contemplando diferentes espécies nativas e ocupações naturais diversas. Como cobertura vegetal natural, segundo CRESTANA et al (2006) a Bacia do Alto Paranapanema possui aproximadamente 234.318 hectares de Mata Atlântica, 15.484 hectares de Cerradão e 30.344 hectares de Cerrado, biomas muito susceptíveis devido a intensa exploração agropecuária. O plano de Bacia UGRHI 14 apontou como principais atividades agrícolas grãos e fruticultura e como recursos minerais mais significativos os não metálicos, principalmente as massas carbonáticas, para a extração de cal, fabricação de cimento, ou britagem, quando impuros e, quanto ao clima, o documento apontou que o clima da UGRHI do Alto Paranapanema pode ser classificado, de um modo geral, como tropical úmido com ligeira variação entre as regiões entre a serra de Paranapiacaba e o interior. O Detalhamento das Unidades de Gerenciamentos de Recursos Hídricos – UGRHI 14 – Alto Paranapanema apontou que o IPRS (Índice Paulista de Responsabilidade Social), caracterizado por três dimensões: longevidade, riqueza municipal, escolaridade, da maioria dos municípios dessa unidade tem população abaixo de 30 mil habitantes, sendo esses enquadrados predominantemente nos Grupos 4 (20,6%) e 5 (70,6%), sendo que o Grupo 4 é caracterizado por municípios com nível intermediário de escolaridade, longevidade pouco abaixo da média do Estado e baixo nível de riqueza municipal, enquanto que o Grupo 5 é constituído por municípios que apresentam baixos níveis longevidade, de riqueza municipal e escolaridade. No Relatório da Qualidade Ambiental 2010, foi destacado que as principais atividades econômicas da UGRHI 14 estão voltadas às de mineração e agropecuária. Em 2008, a presença de cana de açúcar ocupou 4,17% da área total do território, ou seja 945 km² de área e vem ocorrendo um aumento de 10% ao ano. As pastagens no mesmo ano ocupavam 32% do território , equivalente a 7.440 km². As áreas legalmente protegidas -– Florestas Estaduais, Áreas de Proteção Ambiental, Estações Experimentais, Florestas Nacionais, Estações Ecológicas, e Parques Estaduais - ocupam 15% do seu território.

Procedimentos metodológicos

O estudo buscou levantar os pontos de vulnerabilidade através do mapeamento participativo nas seguintes regiões da Bacia Hidrográfica do Alto Paranapanema: Cabeceira 13

do Alto Paranapanema, município de Itapetininga, APA Tejupá, , município de Piraju, município de Ourinhos (apesar de não fazer parte da UGRHI 14) e, de forma geral, em toda a Bacia Hidrográfica do Alto Paranapanema. Utilizou-se para fazer tal levantamento os seguintes materiais: bibliografia e cartografia do município, estudos de alguns conteúdos e conceitos a respeito de mapeamento de risco e o principal que foi o que foi o mapeamento participativo realizado durante o curso de Especialização em Gerenciamento de Recursos Hídricos e Planejamento Ambiental em Bacias Hidrográficas, realizado pela Universidade Estadual Paulista, Campus Experimental de Ourinhos. No módulo Riscos e Impactos Ambientais em Bacias Hidrográficas, realizado no município de Piraju – SP, realizados nos dias 7, 8, 20 e 21 de outubro de 2011, foram levantados os conceitos básicos sobre riscos ambientais e mapeamento participativo, posteriormente, foi analisado em grupo o Glossário de Imagens Básicas para Identificação de Risco (GIBI-R) (quadro 2), cujo objetivo foi o desenvolvimento de habilidades para que os grupos pudessem identificar situações de riscos ambientais nos espaços geográficos a serem analisados (figura 3).

Quadro 2: Glossário Imagens Básicas para Identificação de Riscos (GIBI - R). Fonte: http://www.ifch.unicamp.br/profseva/pdf_gibi_color_legenda.pdf .

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Figura 3: Grupo identificando situações de riscos no GIBI-R. Fonte: Luiz Ângelo Pansanato. 08/10/2011.

Posteriormente, com a participação de trinta e cinco alunos do curso de especialização, levantaram-se muitos pontos de risco nas regiões em estudo. Os participantes eram de cidades e áreas profissionais diversificadas (quadro 3).

Nome Cidade/Região Área profissional

Anderson Mateus Piacenço Piraju Biólogo Furlan

Mariano Ribeiro Filho Piraju Agrônomo

José Alfredo Noronha Viana Piraju Comunicação

Maria Adriana de Barros Garrote Piraju Pedagoga Paschoarelli

Ana Carolina Guttier Faria Piraju Psicóloga (DAEE) Biachini

Luiz Ângelo Cardinali Pansanato Piraju Administração

José Lourenço Ribeiro Júnior Piraju Biólogo

João Vitor Assafi Navarro Ayub Piraju Engenheiro. Civil

Felipe Assafi Navarro Ayub Piraju Arquiteto

Pedro Augusto Assafi Navao Piraju Arquiteto Ayub

Mauro Tadeu Resende Nalesso Itapetininga Engenheiro Civil

Roseli da Costa Ribeiro Itapetininga Engenheira Civil Castagnoli

Cristina Rincón Tamanini Itapetininga Engenheira Civil 15

Aderson Sartori Itapetininga Engenheiro Civil

Dirceu Micheli Itapetininga Geólogo

José Benedito Neto Coronel Macedo Geógrafo

João André da Cruz Junior Itararé Administração

Francine Tomaz de Jesus Itararé Engenheira Agrônoma

Daniel José de Marco Piraju/Ourinhos Geógrafo

Natalia Camila Minucci Bonatto Ourinhos Bióloga

Viviane Parra Formigone Ourinhos Administração

Fernando Mazzini Santa Cruz/Piraju Engenheiro Civil

Emerson Carlos de Almeida Fartura Biólogo

André Franco Guerra Taquarituba Engenheiro Ambiental

Raphael David Bérgamo Tejupá Engenheiro Civil

Verusa Alvim Castalfim e Souza Manduri Engenheira Agrônoma

Priscila Silvério Sleutjes Paranapanema Engenheira Agrônoma

Marcos Antônio Alves de Geógrafo

Lúcio Augusto Pimentel Lopes Lins Engenheiro Civil

Raquel Regina Scudeller Silva Ribeirão Grande Engenheiro Agrônomo

Denise Cristina Bigaran Jacarezinho Bióloga

Vitor Moraes Ribeiro Itapira Geógrafo

Luiz Sertório Teixeira Geógrafo

Quadro 3: Relação de participantes do curso, cidade de origem e área profissional.

Um mapa de localização dos municípios (figura 4) de origem dos pós-graduandos foi elaborado para auxiliar na separação dos grupos, onde passaram a pesquisar os riscos e impactos ambientais localizados nas bacias hidrográficas do Alto Paranapanema.

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Figura 4: Localização dos municípios de origem dos integrantes dos grupos.

Seis grupos foram formados de acordo com as cidades de origem dos alunos: o grupo 1 ficou responsável pela Cabeceira do Alto Paranapanema; o grupo 2 pelo município de Itapetininga; o grupo 3 a APA Tejupá; o grupo 4 pelo município de Ourinhos e o grupo 6 por toda a Bacia do Alto Paranapanema. Os grupos confeccionaram mapas com legendas com seus respectivos pontos de riscos e impactos ambientais, além de ações positivas (Figuras 5 e 6).

Figura 5: Confecção do mapa de riscos ambientais no município de Piraju. Fonte: Ricardo Cury. 22/10/2011 17

F

Figura 6: Representação do mapa do município de Piraju feito pelos alunos.

Autor: Regina Célia Batista 22/10/2011.

Posteriormente, o Grupo de Pesquisa Gestão Ambiental e Dinâmica Socioespacial – GADIS, produziram os mapas de forma digitalizada através do programa Arc Gis. Em seguida foram identificados e fotografados pontos de vulnerabilidade e situações de risco ambiental que foram citados pelos grupos no município de Fartura – SP.

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RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os grupos apresentaram os seguintes levantamentos de pontos de riscos, impactos ambientais e ações positivas.

Cabeceira do Alto Paranapanema

O grupo que representou a cabeceira do Alto Paranapanema levantou os riscos e impactos ambientais de acordo com as seguintes categorias:

Ar e poluição: Atividades industriais com emissão de gases, queima de palha da cana de açúcar, incêndios florestais, queima de lixo doméstico, gasoduto Brasil-Bolívia, poeiras de mineradoras em Ribeirão Grande, Itapira, Nova , Guapiara e Capão Bonito. Poluição sonora: Detonações nas mineradoras. Poluição eletromagnética: Linha de transmissão de Itaipu. Uso do solo/agricultura/mineração: Assoreamento dos rios em pontos isolados, aglomerações urbanas e problemas de infraestrutura, exploração de areia e argila nos rios Taquari, Itapeva e Ribeirão Grande, exploração de calcário, mineração não metálica em Guapiara, Ribeirão Grande, Itapeva e Nova Campinas, Cultivo agrícola com uso de agroquímicos em toda área estudada. Resíduos sólidos: Coletores autônomos e sucateiros, ferro velho, descarte irregular de lixos e entulhos no solo em áreas agrícolas, deficiência no serviço de coleta pública de resíduos em Ribeirão Grande e Itapeva, área contaminada por antigo lixão em Itapeva, postos de gasolina em todos os municípios e resíduos inertes de mineração. Vegetação/animais: Desmatamento de vegetação nativa e mata ciliar; riscos associados com animais silvestres, domésticos e errantes, cães abandonados, presença de insetos em função da destruição de habitats e proliferação de Aedes spp, arborização urbana com falta de adequações, criação irregular de animais domésticos (cabra, ovelha, porco, galinha, etc) do campo em área urbana de Ribeirão Grande e Itapeva. O grupo também apontou que a região é cortada por rodovias com grande tráfego de cargas perigosas, a existência de pontos de lançamento de esgoto clandestino e o fato de os municípios de Itapeva, Ribeirão Grande e Nova Campina terem problemas de inundação. O grupo também descreveu que na região central há presença maciça de exploração mineral não metálica, reflorestamentos/culturas anuais, hortaliças, cereais e que na parte norte 19

possui presença de culturas anuais – Trigo, milho, algodão, cana de açúcar e uso intensivo de irrigações com pivô central. Os seguintes pontos positivos foram apontados pelo grupo: Triagem e armazenamento de recicláveis em Guapiara, Ribeirão Grande, Itapira, São Miguel Arcanjo, Ribeirão Branco, Taquarivaí (cooperativa); vacinação maciça contra febre amarela em Ribeirão Grande, São Miguel Arcanjo, Guapiara e Capão Bonito. Foi ressaltada a presença das seguintes explorações minerais: calcário, rochas ornamentais areia e argila. Através das informações fornecidas por esse grupo foi possível a elaboração pelo GADIS do Mapa Alto Paranapanema Infraestrutura (Recorte). Veja a seguir:

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Mapa Alto Paranapanema Infraestrutura (Recorte)

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Ourinhos

O grupo que estava representando o município de Ourinhos inicialmente delimitou os contornos do município, seus principais cursos d’água (Rio Paranapanema, Rio Pardo e Rio Turvo) e as principais rodovias (BR 153, SP 270, Raposo Tavares, SP 237 e Orlando Quagliato). Foram identificados os riscos conforme o roteiro proposto pela disciplina (água, ar, solo, resíduos sólidos e contaminantes, vegetação e animais) simbolizada diretamente no mapa os seguintes itens de risco ambiental: Área de extração de argila, área de extração mineral, dragas, barragem, depósitos de combustíveis, pontes, esgoto in natura, aterro controlado, depósitos de recicláveis, aeroporto, pecuária, área industrial, usina de açúcar/álcool, cultivo de cana-de-açúcar, erosão, ETE ( Estação de tratamento de esgoto), ETA (Estação de tratamento de água), cemitério, área agricultável. O grupo ressaltou que a captação de água é feita no Rio Pardo e a estação de tratamento se localiza nas proximidades do mesmo rio. O tratamento de esgoto é feito através de lagoas de decantação localizadas muito próximas ao Rio Pardo e Rio Paranapanema. O grupo também apontou que o lixo doméstico é recolhido pela prefeitura e depositado em aterro controlado próximo ao aeroporto e que existe programa de coleta seletiva em local de depósito e seleção de materiais nas proximidades da zona urbana. Foi ressaltado o fato de que a área rural possui grandes extensões de cana-de-açúcar, além da existência de atividade pecuária em menor quantidade. Foram apontados processos erosivos ativos nas proximidades da zona urbana em decorrência de novos loteamentos e aumento de áreas impermeabilizadas e exploração de areia nas margens do Rio Pardo e do Rio Paranapanema. No município também ocorre extração de basalto e na zona urbana há depósito de combustíveis. Através de tais informações, foi elaborado pelo GADIS o mapa de riscos dos Município de Ourinhos e Canitar a seguir:

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Mapa de riscos dos Município de Ourinhos e Canitar

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Município de Piraju

O grupo que representou o município de Piraju fez a demarcação do Rio Paranapanema e do município. Demarcou-se então fatores de risco através das seguintes categorias e seus fatores de risco: Ar: O grupo mostrou no mapa os seguintes problemas ambientais: queima da cana- de-açúcar em algumas áreas da zona rural, área do distrito industrial, torrefação de café e a poluição gerada pelos automóveis. Água: Lagoa de tratamento de esgoto com deficiência no tratamento; a estação de tratamento de água que necessita de investimento no controle da qualidade da água, zonas de cultivo que ocasiona o carregamento de agroquímicos pela chuva para o Rio Paranapanema. Solo: Poluição por fertilizantes e agrotóxicos às margens do Rio Paranapanema. Também foram citados loteamentos que desrespeitaram legislação ambiental provocando degradação da mata ciliar, além de destacar o lançamento de esgoto no Rio Paranapanema por falta de infraestrutura. Resíduos: Foi destacada através da localização do aterro sanitário. Animais e vegetação: Degradação de mata ciliar, animais em extinção, falta de corredores ecológicos, ausência de áreas de preservação de espécies e mortes de animais na estrada. Vulnerabilidade social: Falta de moradias, presença de vetor de febre amarela e o hospital do município que necessita de melhores equipamentos para atendimento mais eficiente nos casos de emergência. Através de tais informações, o Mapa de Riscos do Município de Piraju – SP a seguir foi elaborado pelo GADIS:

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Mapa de riscos do município de Piraju - SP

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Município de Itapetininga

O grupo que levantou os dados de Itapetininga apontou os seguintes riscos e impactos ambientais: Estação de tratamento de esgoto, captação de água superficial, captação de água subterrânea, mineração, aterro sanitário, rodovia, ferrovia, núcleos urbanos, atividades agrícolas, fontes móveis de poluição, áreas ameaçadas (desmatamento) e queima de área de cana de açúcar. O grupo também apontou algumas unidades de preservação e a represa Jurumirim. Com tais dados, o GADIS elaborou o mapa Riscos e Alterações Ambientais na Bacia Hidrográfica do Rio Itapetininga a seguir:

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Mapa Riscos e Alterações Ambientais na Bacia Hidrográfica do Rio Itapetininga

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APA Tejupá

O grupo que representou a Área de Proteção Ambiental – perímetro Tejupá (APA Tejupá) apontou florestas nativas, rios, cuestas, estradas principais. O grupo descreveu as situações da região através das seguintes categorias: Resíduos sólidos: Aterro sanitário ou controlado, centrais de triagem de reciclagem, e lixo/bota fora. Vegetação/animais: Grandes contínuos de florestas nativas, potenciais novas UCs com maior proteção, arborização urbana, atropelamento de fauna, espécies exóticas invasoras (Pinnus elliot) e padronização genética de sementes. Água: Captação, inundação, lançamento de esgoto tratado, lançamento de esgoto não tratado e efluente industrial. Poluição atmosférica: Queima de cana e queima em beira de estrada Uso do solo: Erosão e mineração. Tais informações serviram para a elaboração de dois mapas de análise de riscos ambientais da APA Tejupá. Veja a seguir:

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Mapa APA Tejupá: Análise de Riscos Ambientais – Mapa 1

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Mapa APA Tejupá: Análise de Riscos Ambientais – Mapa 2

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Bacia do Alto Paranapanema

O grupo que integrou toda a área da Bacia do Alto Paranapanema descreveu de forma geral os pontos relevantes à região do Alto Paranapanema. Percebe-se que todos os grupos destacaram fatores de risco e impactos que envolvem a poluição da água, solo, ar, além de ações positivas. Foram citadas as seguintes situações: Captação superficial de água, criação irregular de animais, educação ambiental, pintura rupestre, foco de febre amarela, poluição sonora, aglomeração urbana sem infraestrutura adequada, ausência de cooperativa de catadores, caldeiras, cemitérios, coleta de lixo total em zona urbana e rural, cooperativa de catadores de recicláveis, lixão, poluição eletromagnética, resíduos sólidos provindos de rejeitos de mineração, animais/vegetação, ar, barramentos, efluentes industriais de papel e celulose, emissões atmosféricas provindas da queima de cana, emissões atmosféricas provindas de poeira de mineração, inundação, mineração, resíduos, solo/loteamentos, turismo, pontos de vulnerabilidade social (prostituição e drogas) e poluição hídrica. Com tais informações, foi possível a elaboração pelo GADIS os mapas de riscos ambientais e recursos naturais do Alto Paranapanema. Veja a seguir:

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Mapa Alto Paranapanema Riscos Ambientais

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Mapa de Riscos do Alto Paranapanema

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Mapa Alto Paranapanema Recursos Naturais (Recorte)

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Mapa Ambiental Participativo do Alto Paranapanema

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ESTUDO DE CASO DO MUNICÍPIO DE FARTURA – SP

Dados do município

Localizado no sudoeste do Estado de São Paulo (figura 7), o município de Fartura possui as seguintes coordenadas geográficas: 23° 23’ 16” S 49° 30’ 36’. Possui os municípios de Sarutaiá, Timburi, Piraju, Itaporanga, Barão de Antonina, Taguaí e Carlópolis como limítrofes e está localizado a 357 km de São Paulo. Possui uma área de área de 429, 464 km². Sua população está estimada em 15 324 hab. Censo IBGE 2010 . Sua densidade demográfica é de 35,68 hab./km² e possui uma altitude de 516m e clima subtropical.

Figura 7: Mapa do Estado de São Paulo e a localização de Fartura. Disponível em: http://www.fartura.sp.gov.br/media/2.jpg. Acesso em 10/10/2012

Situações de Riscos e Vulnerabilidade no município de Fartura - SP

No município de Fartura, pode – se encontrar as seguintes situações de risco e impactos ambientais, as quais foram mapeadas no mapa APA Tejupá: Análise de riscos ambientais: 36

-Situações de risco que envolvem poluição atmosférica, causada por olarias (figura 8), o qual não foi citado no mapa APA Tejupá: Análise de riscos ambientais e queima de vegetação em beira de asfalto (figura 9).

Figura 8: Cerâmica localizada no município. Fonte: Acervo pessoal. 10/10/2012 O município de Fartura possui três cerâmicas: Cerâmica Coutinho, Cerâmica João Batista e Cerâmica Meneguel.

Figura 9: Queima de vegetação em beira de estrada. Fonte: acervo pessoal. 11/10/2012

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A queima de vegetação à beira do asfalto ainda é uma prática bastante comum no município e região.

-Situações de risco que envolve a água: Estação de tratamento de esgoto (figuras 10 e 11) e tratamento de esgoto, com lançamento de esgoto tratado e inundação (figuras 12 e 13).

Figura 10: Estação de tratamento de esgoto. Fonte: Acervo pessoal. 01/10/2012.

Figura 11: Lançamento de esgoto tratado. Fonte: Acervo pessoal. 01/10/2012.

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Figura 12: Estação de tratamento de água. Fonte: acervo pessoal. 01/10/2012.

Figura 13: Ponto de captação de água da estação de tratamento de água. Fonte: Acervo pessoal. 01/10/2012

A forte chuva que caiu nos dias 19 e 20 de junho de 2012 fez vários estragos no município, pois o rio que leva o mesmo nome da cidade transbordou entre os bairros Nossa Senhora de Fátima e Parque das Flores e a estrada vicinal que dá acesso ao bairro Areias 39

(figura 14). Muitos animais ficaram ilhados ou submersos ao tentar atravessar o rio, que começou a transbordar (Figura 15) (G1, 2012). .

Figura 14: Alagamento em Fartura. Fonte: http://g1.globo.com/sao- paulo/itapetininga-regiao/noticia/2012/06/chuva-deixa-37-familias- desalojadas-em-fartura-sp.html. Acesso em 20/10/2012.

Figura 15: Animais tentaram atravessar o rio e ficaram submersos durante a enchente. Fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/itapetininga- regiao/noticia/2012/06/animais-lutam-contra-correnteza-apos-forte-chuva- em-fartura-sp.html . Acesso em 20/10/2012

-Situações de risco que envolvem mineração e erosão: O município conta com 3 pontos de extração de argila próximos às margens da represa de Chavantes para o uso nas olarias e também com pontos para a extração de cascalho (figuras 16 e 17).

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Figura 16: Jazida de argila em Fartura. Fonte: Acervo pessoal. 10/09/2012.

Figura 17: Jazida de cascalho, em Fartura - SP. Fonte: Acervo pessoal. 10/09/2012.

Vários pontos de erosão (figuras 18 e 19) são encontrados na zona rural, principalmente às margens da represa de Chavantes, provocados pela ausência de mata ciliar.

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Figura 18: Erosão na serra de Fartura. Fonte: Acervo pessoal. 10/09/2012.

Figura 19: Erosão nas margens da represa de Chavantes, em Fartura - SP. Fonte: Acervo pessoal. 10/09/2012.

-Situações de risco que envolve resíduos sólidos: aterro controlado (figura 20) e estação de triagem (figura 21).

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Figura 20: Preenchimento das valas no aterro sanitário de Fartura com lixo que sobrou da triagem. Fonte: Acervo pessoal. 05/10/2011.

Figura 21: Setor de triagem de lixo no aterro controlado de Fartura. Fonte: acervo pessoal. 05/10/2011.

Como o município está inserido no Programa Município Verde Azul, promovido pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, o qual visa a participação, democratização e descentralização dos municípios, trabalhando juntos na efetivação da agenda ambiental paulista, é necessário possuir um programa de arborização urbana, pois tal requisito é uma das diretrizes desse programa, sendo assim o município conta com projetos através da capacitação de técnicos, plantio e produção de mudas (figuras22, 23 e 24).

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Figura 22: Produção de mudas para arborização urbana. Fonte: Prefeitura Municipal de Fartura, 2011.

Figura 23: Plantio de mudas de árvores na zona urbana. Fonte: Prefeitura Municipal de Fartura, 2011.

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Figura 24: Plantio de mudas de árvores na zona urbana. Fonte: Prefeitura Municipal de Fartura, 2010.

- Situações de risco que envolvem espécies exóticas invasoras: Houve o aparecimento do mexilhão dourado (Limnoperna fortunehai) (figuras25 e 26) na região da represa de Chavantes que banha o município de Fartura. O mexilhão dourado é um molusco bivalve, aquático, nativo do sudeste asiatico, da família Mitilidae. Possui grande capacidade adaptativa e se fixa em qualquer substrato. Pode possuir densidades de até 150.000 indivíduos/m2. Nos reservatórios do Estado de São Paulo, tal molusco já pode ser encontrado em grande densidade em várias regiões e vem causando prejuízos nas usinas hidrelétricas por causar problemas nas turbinas.

Figura 25: Mexilhões dourado encontrados próximos à estação de coleta de água da SABESP, em Fartura - SP. Fonte: Acervo pessoal. 10/09/2012. 45

Figura 26: Encanamento infestado de mexilhão dourado encontrado na estação de coleta de água da SABESP, em Fartura - SP. Fonte: Acervo pessoal. 10/09/2012.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através do mapeamento participativo podem-se levantar muitas situações de risco na região na UGRHI 14. Através dessa metodologia podem-se confeccionar mapas com informações relevantes com relação a situações de risco das áreas de estudo, como aterros controlados, áreas de mineração, erosão, poluição atmosférica por queima de cana, etc., que podem ser usados para análises mais aprofundadas da região. O mapeamento participativo possibilita uma análise mais integrada com a comunidade local, valorizando a memória coletiva e as experiências vivenciadas. Através do módulo Riscos e Impactos Ambientais em Bacias Hidrográficas, do curso de Especialização em Gerenciamento de Recursos Hídricos e Planejamento Ambiental de Bacias Hidrográficas, foi possível os pós-graduandos terem o conhecimento dessa metodologia. Conclui-se que o método de mapeamento participativo abre perspectivas para práticas mais integradas, envolvendo a comunidade local e ajuda a desvendar a história das transformações ocorridas na paisagem, valorizando as experiências vivenciadas e a memória coletiva das pessoas. Para isso, é necessário á elaboração de um roteiro adaptado com a realidade local.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BASSOI, K. L. Poluição das águas. In: PHILIPPI JÚNIOR, A.; PELICIONI, M. C. F. Educação ambiental e sustentabilidade. São Paulo: Manole, 2005. cap. 7, p. 175-194.

GUNTHER, W.M.R. Poluição das águas. In: PHILIPPI JÚNIOR, A.; PELICIONI, M. C. F. Educação ambiental e sustentabilidade. São Paulo: Manole, 2005. cap. 8, p. 194-216. Disponível em: www.ifch.unicamp.br/profseva/. Acesso em: 20 de set. 2012.

CARPI JR, Salvador. Processos erosivos, riscos ambientais e recursos hídricos na Bacia do Rio Mogi-Guaçu. Tese de Doutorado em Geociências e Meio Ambiente. Rio Claro: IGCE/UNESP, 2001. 188 p.

CARPI JR, Salvador. Experiências de mapeamento de riscos ambientais no Estado de São Paulo com utilização de método participativo. In: Congresso Brasileiro sobre Desastres Naturais, 2012, Rio Claro-SP. Congresso Brasileiro sobre Desastres Naturais., 2012. p. 1-12.

CBH PARNAPANEMA. Breve caracterização da área do Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Paranapanema. Disponível em: http://paranapanema.org/index.php?option=com_content&view=article&id=76&Itemid=71. Acesso em: 20 de set. de 2012.

CRESTANA, Marcelo de Souza Machado (org) et al. Florestas – Sistemas de Recuperação com Essências Nativas, Produção de Mudas e Legislações. 2ª Ed. (atualizada), 248p. Campinas, CATI, 2006.

Minuta Preliminar do Relatório de Situação dos Recursos Hídricos da UGRHI 14. CETEC. Centro Tecnológico da Fundação Paulista de Tecnologia e Educação, 1999, 317 p. Disponível em: http://www.sigrh.sp.gov.br/sigrh/ARQS/RELATORIO/CRH/CBH- ALPA/136/relalpaseg.pdf. Acesso em 22 de set. de 2012.

Plano de Bacia UGHI 14. CETEC-Centro Tecnológico, S/D, 36 p. Disponível em:http://www.sigrh.sp.gov.br/sigrh/ARQS/RELATORIO/CRH/CBH- ALPA/629/planoalpa1.pdf. Acesso em 22 de set. de 2012.