Hidrelétricas Afligem Rikbaktsa E Juruena

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Em defesa da causa indígena Ano XXXVII • N0 388 Brasília-DF • Setembro 2016 Hidrelétricas afligem Rikbaktsa e Juruena Os cenários, tanto presente como futuro, são trágicos. O elevado número de projetos hidrelétricos na bacia do Tapajós, que inclui o Rio Juruena, já determina severos impactos diretos. Se eles forem implementados, povo Rikbaktsa sofrerá os mais intensos e nocivos impactos, afirma pesquisador. Página 8 ENTREVISTA Dorival Gonçalves Junior: “A energia hidrelétrica é tão lucrativa no Brasil que mesmo na recessão econômica a disputa pelos empreendimentos não cessa” Páginas 9, 10 e 11 Três Awá de recente contato decidem voltar para a floresta amazônica, pondo em xeque a suposta superioridade da civilização ocidental Página 6 Foto: Luana Soutos 2 Setembro 2016 Proposta orçamentária da Porantinadas Cimi na ONU Funai é a menor em 10 anos O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) obteve, no início de agosto, status Editorial Cleber César Buzatto, Secretário Executivo mínimas necessárias para dar seguimento às suas tarefas consultivo especial no Conselho Econô- institucionais. mico e Social (Ecosoc) da ONU. Após proposta orçamentária para o ano de 2017, enviada A criação de Grupos de Trabalho (GT) para estudos de dois anos de análise de documentos e pelo governo Temer ao Congresso Nacional há alguns identificação e delimitação de terras indígenas, a indenização relatórios, o Conselho aprovou a conces- dias, estabelece um teto de R$ 110 milhões para a ocupantes de boa-fé de terras demarcadas, a proteção das são do status, afirmando que reconhece A * a competência técnica e especializada despesas discricionárias para a Fundação Nacional do Índio terras indígenas contra invasores, a presença de servidores (Funai). Trata-se do menor valor orçado para esta Fundação junto a comunidades indígenas atacadas por milícias arma- e a experiência prática da entidade na nos últimos 10 anos. das ou abandonadas à própria sorte em beiras de rodovias temática indígena. Desse modo, o Cimi Em 2007, o valor aprovado foi de R$ 120,4 milhões. e os investimento nas terras demarcadas são algumas das poderá ser requerido pelo Conselho da Considerando a inflação acumulada do período, 60,88%, a ações inviabilizadas com o estrangulamento orçamentário ONU, por suas comissões ou por um de previsão de perda orçamentária da Funai para o ano 2017, do órgão indigenista. seus Estados membro para contribuir relativamente a 2007, beira os 70%. Essa queda fica ainda A perspectiva de aprovação da Proposta de Emenda sobre assuntos e situações relacionadas mais expressiva na comparação com o orçamento aprovado Constitucional (PEC) 241/2016, enviada pelo governo aos povos indígenas no Brasil. Infelizmente, para o ano 2013, que foi de R$ 194 milhões. Temer ao Congresso Nacional, agrava ainda mais a situa- violação, violência e omissão em relação O orçamento 2017 está sendo analisado pelo Congresso ção. A referida PEC propõe o congelamento do orçamento aos direitos destes povos, também pelo Nacional, que poderá reduzir ainda mais os recursos des- de todos os poderes da União e dos órgãos federais por Estado, são crescentes por aqui. Ou seja, tinados ao órgão indigenista. A título comparativo, para o um período de 20 anos. Na prática, nas condições que o Cimi tem uma missão hercúlea à frente. ano 2016, o orçamento da Funai sofreu um corte de R$ 38 estão postas, com a aprovação desta PEC, o orçamento milhões ao tramitar no Congresso. Na ocasião, a proposta da Funai ficará estagnado num patamar extremamente Violentos e armados inicial, que era de R$ 150 milhões, foi dilapidada e aprovada baixo pelas próximas duas décadas, o que acarretará na Onze armas (dois revólveres e um com R$ 112 milhões, uma redução de 37,67% relativamente sua inexorável asfixia. rifle calibres 38, uma pistola .380 e sete ao orçamento de 2015. O valor em questão, por óbvio, é Como sabemos, o resultado de tudo isso é o agravamento espingardas), além de 310 cartuchos e insuficiente, e colocará o órgão indigenista em insolvência da situação de demandas represadas, de conflitos e de vio- dois carregadores de pistola. Este foi o financeira caso não ocorra uma suplementação nos próxi- lências contra os povos indígenas no Brasil. resultado de uma apreensão realizada pela mos períodos. A responsabilidade do governo brasileiro e do Congresso Polícia Federal no dia 22 de agosto nas Nesse contexto, desde 2015, a Comissão Parlamentar de Nacional, nesse contexto, é direta e intransferível. Aos povos propriedades dos cinco fazendeiros que Inquérito (CPI) da Funai e do Instituto Nacional de Coloniza- indígenas cabe a tarefa necessária e urgente de incidir poli- haviam sido presos preventivamente quatro ção e Reforma Agrária (Incra) tem sido usada pela bancada ticamente a fim de reverter o quadro tenebroso almejado dias antes por envolvimento no ataque ao ruralista como instrumento para “justificar” as investidas pelo golpismo ruralista contra suas futuras gerações. Aos povo Guarani e Kaiowá da comunidade que vêm dilapidando o orçamento indigenista. aliados, mesmo sendo perseguidos e criminalizados pelos Tey Kuê, em Caarapó (MS). Também foram Como fica evidente, colocar a Funai em estado vegetativo mesmos inimigos, cabe a missão de manterem-se firmes e apreendidos carregadores sem a respec- e matá-la por estrangulamento orçamentário é parte da altivos no apoio à luta dos povos em defesa de seus projetos tiva arma e armamentos registrados em estratégia governo-ruralista no ataque aos direitos indígenas de vida plena. nome dos fazendeiros presos não foram em curso no país. Apesar de tudo, a luta e a esperança continuam. Quanto localizados. Os ataques paramilitares, que Os ruralistas sabem que, com um orçamento extrema- mais luta, maior a esperança. contam com milícia privada, têm sido mente reduzido, mesmo continuando a existir oficialmente, constantes na região. o órgão indigenista do Estado brasileiro perde as condições * Não considera despesas obrigatórias com pessoal e benefícios Pode ficar pior Ladeira abaixo Para o Ministério Público, respon- sável pela força-tarefa, o resultado da apreensão reforça as investigações em curso: “a perícia realizada no local do ataque à comunidade encontrou pro- jéteis deflagrados em calibres similares às munições apreendidas”. Em 10 meses de investigações, doze pessoas já foram denunciadas por formação de milícia privada contra os indígenas em outro caso. Da união da Bancada do Boi com a Bancada da Bala, no Congresso Nacional, surgem diversas propostas que pretendem permitir o acesso às armas praticamente sem qualquer controle. Se o genocídio dos povos indígenas já é uma realidade hoje, como será amanhã? Publicação do Conselho Indigenista EDIÇÃO ASSESSORIA de COMUNICAÇÃO Faça sua assinatura: APOIADORES Missionário (Cimi), organismo Patrícia Bonilha – RP: 28339/SP Patrícia Bonilha, Renato Santana, [email protected] vinculado à Conferência Nacional dos [email protected] Ruy Sposati e Tiago Miotto Setor de Diversões Sul (SDS) Bispos do Brasil (CNBB). ADMINISTRAÇÃO: CONSELHO de REDAÇÃO Marline Dassoler Buzatto Ed. Venâncio III, Salas 309 a 314 ISSN 0102-0625 www.cimi.org.br Dom Roque Paloschi Antônio C. Queiroz, Benedito CEP: 70.393-902 – Brasília-DF Presidente SELEÇÃO de FOTOS: u 55 61 2106-1650 Na língua da nação indígena Prezia, Egon D. Heck, Nello Aida Cruz Sateré-Mawé, PORANTIM Emília Altini Ruffaldi, Paulo Guimarães, significa remo, arma, Vice-Presidente Paulo Suess, Marcy Picanço, EDITORAÇÃO ELETRÔNICA: Saulo Feitosa, Roberto Liebgot, Licurgo S. Botelho 61 99962-3924 memória. Cleber César Buzatto Elizabeth Amarante Rondon e IMPRESSÃO: É permitida a reprodução das matérias e artigos, desde que citada a Secretário Executivo Lúcia Helena Rangel Gráfica e Editora Qualyta 61 3012-9700 fonte. As matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores. 3 Setembro 2016 Teia dos Povos realiza II Marcha, na Bahia, em apoio aos Tupinambá Trabalhadores e trabalhadoras sem terra, quilombolas, estudantes, militantes de diversos movimentos e pastorais sociais e antropólogos participaram de série de eventos em defesa da demarcação da Terra Indígena Tupinambá de Olivença Terra é Vida Renato Santana, Assessoria de Comunicação Trechos de Agroecologia que acontecem desde 2012, no sul da Bahia. Nesse con- acique Ramón Tupinambá cresceu Haroldo Heleno texto o que está em jogo é a defesa das na aldeia Tucum, na região litorâ- terras sagradas Tupinambá, bem como Cnea da Terra Indígena Tupinambá de outros povos originários e o enfrenta- de Olivença. “As mineradoras destroem mento à criminalização e militarização”, nosso território para a construção civil”, asseguram os organizadores da II Marcha. revela ele atrás de seus óculos com lentes A I Marcha de Solidariedade ocorreu “fundo de garrafa”. Ramón é uma jovem em março de 2014. O entendimento, liderança do seu povo e conhece bem o expresso em diversas oportunidades pelos território tradicional tão cobiçado pela Tupinambá, é que não se trata apenas iniciativa privada. da demarcação da terra indígena, mas O cacique lembra de Caboclo Mar- de todo um contexto de classe no sul celino Tupinambá: “Essas pedras, areia e da Bahia, e também no país, que nega minérios retirados da nossa terra estão direitos territoriais a trabalhadores sem servindo pra construir algumas pontes”, terra, quilombolas, demais camponeses diz. Ilhéus e os municípios incidentes e comunidades tradicionais. na terra indígena são divididos por rios, o que sempre obrigou a construção de Contra a criminalização travessias. “Marcelino foi preso e morto Na Praça central de São José, Tupinambá, Pataxó e Pataxó Hã-hã-hãe realizaram o e o racismo justamente porque era contra a cons- ritual que deu início à marcha, marcada pelos cantos e gritos de protestos Todavia, o preço pago por essa união trução dessas pontes, na década de legítima é a criminalização dos envolvidos 1940, usadas para nos retirar da terra”, diz Ramón. O fato é que a reintegração ocorreu. Ao se dirigi- pelo Estado. Um helicóptero da PM dava rasantes na Marcelino desapareceu numa prisão do Rio de rem ao local para averiguar a informação e a situação Serra do Padeiro no fim da caminhada.
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    REPORT Violence Against Indigenous Peoples in Brazil DATA for 2017

    REPORT Violence against Indigenous REPORT Peoples in Brazil DATA FOR Violence against Indigenous Peoples in Brazil 2017 DATA FOR 2017 Violence against Indigenous REPORT Peoples in Brazil DATA FOR 2017 Violence against Indigenous REPORT Peoples in Brazil DATA FOR 2017 This publication was supported by Rosa Luxemburg Foundation with funds from the Federal Ministry for Economic and German Development Cooperation (BMZ) SUPPORT This report is published by the Indigenist Missionary Council (Conselho Indigenista Missionário - CIMI), an entity attached to the National Conference of Brazilian Bishops (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB) PRESIDENT Dom Roque Paloschi www.cimi.org.br REPORT Violence against Indigenous Peoples in Brazil – Data for 2017 ISSN 1984-7645 RESEARCH COORDINATOR Lúcia Helena Rangel RESEARCH AND DATA SURVEY CIMI Regional Offices and CIMI Documentation Center ORGANIZATION OF DATA TABLES Eduardo Holanda and Leda Bosi REVIEW OF DATA TABLES Lúcia Helena Rangel and Roberto Antonio Liebgott IMAGE SELECTION Aida Cruz EDITING Patrícia Bonilha LAYOUT Licurgo S. Botelho COVER PHOTO Akroá Gamella People Photo: Ana Mendes ENGLISH VERSION Hilda Lemos Master Language Traduções e Interpretação Ltda – ME This issue is dedicated to the memory of Brother Vicente Cañas, a Jesuit missionary, in the 30th year Railda Herrero/Cimi of his martyrdom. Kiwxi, as the Mỹky called him, devoted his life to indigenous peoples. And it was precisely for advocating their rights that he was murdered in April 1987, during the demarcation of the Enawenê Nawê people’s land. It took more than 20 years for those involved in his murder to be held accountable and convicted in February 2018.
  • Members of the Munduruku Indigenous People Regarding Brazil1 December 11, 2020 Original: Spanish

    Members of the Munduruku Indigenous People Regarding Brazil1 December 11, 2020 Original: Spanish

    INTER-AMERICAN COMMISSION ON HUMAN RIGHTS RESOLUTION 94/2020 Precautionary Measure No. 679-20 Members of the Munduruku Indigenous People regarding Brazil1 December 11, 2020 Original: Spanish I. INTRODUCTION 1. On July 16, 2020, the Inter-American Commission on Human Rights, (“the Inter-American Commission,” “the Commission” or “the IACHR”) received a request for precautionary measures filed by the Associação das Mulheres Munduruku Wakoborũn et al., in favor of the members of the Munduruku Indigenous People (“the persons proposed as beneficiaries”), urging the IACHR to request that the State of Brazil (“Brazil” or “the State”) adopt the measures necessary to protect their rights to life and personal integrity. According to the request, the persons proposed as beneficiaries are at risk in the context of the COVID-19 pandemic, especially considering their particularly vulnerable situation, flaws in health care and the presence of unauthorized third parties in their territory. 2. The Commission requested information from the State, pursuant to Article 25 of its Rules of Procedure, on August 18 and October 15, 2020. After being granted time extensions, the State submitted reports on September 4, October 30, and November 5 and 13, 2020. The applicants sent additional information on August 24 and October 22, 2020. 3. Having analyzed the submissions of fact and law provided by the parties, the Commission considers that the information submitted shows prima facie that the members of the Munduruku Indigenous People are in a serious and urgent situation,