Waltel Ou Walter? Branco Ou Blanco? a Trajetória Profissional Do Músico (Re)Construída Pelas Notas De Periódicos Paranaenses Entre 1950 E 1975.1

Waltel Ou Walter? Branco Ou Blanco? a Trajetória Profissional Do Músico (Re)Construída Pelas Notas De Periódicos Paranaenses Entre 1950 E 1975.1

Anais eletrônicos - XVI ENCONTRO REGIONAL DE HISTÓRIA – Tempos de transição - 1 ISSN 1808-9690 WALTEL OU WALTER? BRANCO OU BLANCO? A TRAJETÓRIA PROFISSIONAL DO MÚSICO (RE)CONSTRUÍDA PELAS NOTAS DE PERIÓDICOS PARANAENSES ENTRE 1950 E 1975.1 Thiago Rafael de Souza2 Universidade Estadual de Ponta Grossa. Resumo: Nascido em 22 de novembro 1929, na cidade de Paranaguá (PR), Waltel Branco é um maestro, músico, multi-instrumentista de formação clássica e erudita. Detentor de uma musicalidade plural, tem uma carreira marcada por contribuições em canções expressivas e de grande circulação dentro da história da música brasileira, trabalhando com artistas aos quais pode-se destacar: João Gilberto, Elis Regina, Dorival Caymmi, Tim Maia, Alceu Valença, Odair José, entre tantos outros. Sua trajetória também é marcada por trilhas sonoras em telenovelas e programas da Rede Globo de televisão, tais como: Irmãos Coragem, Selva de Pedra, O Bem- amado, Escrava Isaura, Roque Santeiro, Ti Ti Ti, Vila Sésamo e Sítio do Pica-pau Amarelo. Tido como uma grande promessa musical, a carreira profissional do músico paranaense iniciou-se em pequenos concertos, programas de rádio e em casas noturnas de Curitiba, sendo noticiado e tendo grande destaque em periódicos. Posteriormente, com sua mudança para o Rio de Janeiro e com trabalhos em âmbito nacional, as notas sobre suas atividades foram perdendo espaço nos jornais. Atualmente, a mídia e setores ligados a cultura retratam o músico como uma das personalidades paranaenses mais importante no cenário nacional, com uma sucessão de informações repetidas e sem verificações para revalidar e/ou reafirmar a trajetória do maestro. Este resumo tem por objetivo (re)construir parte da trajetória profissional de Waltel Branco através das notas de jornais, tais como: Diário do Paraná, A Tarde, Correio de Notícias, Correio do Paraná, Diário da Tarde, A Divulgação e O Dia, afim de compreender a importância do músico para o cenário paranaense. Como esses jornais retratavam o músico? Como derem visibilidade a sua carreira em âmbito nacional? Pensando em demonstrar a trajetória profissional de Waltel através de sua contribuição narrada pelas notas dos jornais, tal (re)construção é pautada por apontamentos de Pierre Bourdieu ao refletir questões sobre trajetória, na qual não se apresenta algo retilíneo. Dessa maneira, pretende-se refletir sobre o percurso profissional de um artista, transeunte, plural, com qualidade e referências múltiplas. Palavras-chave: Waltel Branco; Trajetória Profissional; Música Popular Brasileira. 1 O presente trabalho tem como recorte parte da pesquisa de mestrado em história, ainda em andamento, sobre a trajetória profissional de Waltel Branco entre os anos de 1963 e 1985. 2 Mestrando em história pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) – PR. E-mail: [email protected]. Anais eletrônicos - XVI ENCONTRO REGIONAL DE HISTÓRIA – Tempos de transição - 2 ISSN 1808-9690 Introdução: apresentando o conhecido artista “Walter” Branco.3 Foi através de seu pai, Ismael Branco, então maestro e clarinetista de banda militar, que Waltel teve seus primeiros contatos com a música, podendo dedicar-se aos estudos em violão clássico e erudito e, posteriormente, ao canto gregoriano no seminário que frequentou em Curitiba e ao violoncelo na Escola Nacional de Música no Rio de Janeiro durante a adolescência.4 Sua carreira profissional iniciou-se em Curitiba, apresentando-se em pequenos concertos, shows em casas noturnas e na programação da Rádio Clube PRB-2, Rádio Líder e Rádio Colombo.5 Dessa maneira, manteve-se no cenário artístico da capital paranaense entre 1950 e 1956, mudando-se para a cidade do Rio de Janeiro, o final de 1956, dando sequência a uma rica trajetória musical, sendo que, a partir de 1958 que os créditos por seus trabalhos começam a ser registrados em contracapas de LPs e suas “trajetórias” apresentam novas e inúmeras possibilidades em sua carreira. As conexões estabelecidas por Waltel Branco estendem-se por diferentes meios profissionais (sua carreira solo, trabalhos para outros artistas e para a música televisiva), exercendo diferentes funções técnicas (instrumentista, compositor, arranjador, orquestrador, produtor e diretor), assim, dentre as balizas temporais propostas por esse texto, pode-se destacar trabalhos com os principais nomes da música brasileira, entre eles estão: Djalma Ferreira e Os Milionários do Ritmo, Carminha Mascarenhas, Haroldo Eiras, Mariza Gata Mansa, Elisete Cardoso, Moacyr Silva, Elis Regina, Orlann Divo, Radamés Gnatalli, Dom Um Romão, J.T. Meirelles, Orquestra Românticos de Cuba, Flora Purim, Trio Surdina, Bossa Três, Hermínio Bello de Carvalho, Juca Chaves, Tim Maia, Waldir Calmon, Toni Tornado, Evaldo Braga, Os Diagonais, Odair José, Marcos Valle, Antônio Carlos & Jocafi, Alcecu Valença, Agepê, entre outros. Referente a música televisiva, Waltel foi um dos principais agentes de produção de trilhas sonoras, sendo que, desde 1965 integrou, como funcionário, o departamento musical da Rede Globo de Televisão, trabalhando em grandes produções da emissora, no qual destacam-se trilhas para novelas nacionais e internacionais, além de programas e especiais, dentre elas estão: Irmãos Coragem (1970); Assim na terra como no céu (1970); Selva de Pedra (1971); O Bofe (1972); Vila Sésamo (1972); O Bem-Amado (1973); Cavalo de Aço (1973); O Semideus (1973); Os ossos do Barão (1973); Satiricom (1973); Chico City (1973); Supermanoela (1974); Fogo sob a terra (1974); Cuca Legal (1975); A Moreninha (1975); Senhora (1975); entre tantas outras. Lançando-se como artista, Waltel Branco gravou discos com diferentes estéticas musicais, os quais ajudaram a caracterizar sua pluralidade enquanto compositor e intérprete. Dentre os LPs/Compactos lançados pelo paranaense estão: Mr. Lucky (1962), Guitarras em Fogo (1962) e Guitarra Bossa Nova (1963) ambos trabalhos lançados pela gravadora Musidisc; Violão/Recital 3 Concerto de violão. Correio do Paraná, Curitiba, 22 mar. 1961. P. 07. 4 COLLAÇO, Álvaro; LEITE, Zeca Corrêa. Waltel, que pensava ser Walter. In: BRANCO, Waltel; MENANDRO, Cláudio (org.). A obra para violão de Waltel Branco. Curitiba: Fundação Cultural de Curitiba, 2008, p. 07. 5 COLLAÇO, Álvaro; LEITE, Zeca Corrêa. Waltel, que pensava ser Walter. In: BRANCO, Waltel; MENANDRO, Cláudio (org.). A obra para violão de Waltel Branco. Curitiba: Fundação Cultural de Curitiba, 2008, p. 08. Anais eletrônicos - XVI ENCONTRO REGIONAL DE HISTÓRIA – Tempos de transição - 3 ISSN 1808-9690 (1965), gravado pela CBS; Mancini também é samba (1965) lançado pela Mocambo; Músicas do século XVI ao século XX (1968) pelo selo Itamaraty (relançado em 1974 pelo selo Magic Music); Waltel Branco apresenta músicas da novela Assim na terra como no céu (1970) pela Fermata e; Meu balanço (1975) novamente pela CBS. A produção musical do maestro paranaense se desenvolveu em um cenário que passou por diferentes processos de mudanças, reinvenção e de readaptação da MPB, em um panorama cheio de alternativas estéticas, no qual, como destacado por Marco Napolitano, a música popular brasileira pode ser compreendida como um movimento que combinou “uma série de tendências e estilos musicais que tinham em comum a vontade de ‘atualizar’ a expressão musical do país (...).”,6 e possibilitou a conexão entre os gêneros da tradição e os modernos. Cabe ressaltar que, esse período também foi marcado por um grande crescimento do mercado fonográfico, no qual os bens culturais, passaram a ser consumidos em escala industrial, indicando novas tendências mercadologias da produção em massa, marcada pela difusão dos produtos de entretenimento.7 Sendo assim, a partir do conjunto musical produzido por Waltel Branco, é possível relacionar e entender aspectos de uma determinada época, uma vez que a música faz parte de um contexto articulado a diversos elementos políticos, culturais, econômicos, entre outros.8 Por conseguinte, a música acompanha o cotidiano dos indivíduos, “como autêntica trilha sonora de nossas vidas, manifestando-se sem distinção nas experiências individuais ou coletivas.”9 A partir dos diferentes ambientes de trabalho os quais Waltel transitou, é possível pensar em sua trajetória profissional, sendo que pelo termo trajetória, entende-se como espaços ocupados sucessivamente, com um ponto inicial e final. Sendo, para Erivan Karvat, o uso corrente do termo nas Ciências Sociais, é fundamentador de sentido a uma dada experiência atribuída a relação individual e social, determinando a relação entre sujeito, em relação a seus deslocamentos.10 Assim, a trajetória, a partir de “colocações” e “deslocamentos”, possibilita compreender o indivíduo conforme as posições que assumem no espaço. Dentro da perspectiva de (re)construção de uma trajetória, como interação social, e definida por Pierre Bourdieu como “a série das posições sucessivamente ocupadas por um mesmo agente ou por um mesmo grupo de agentes em espaços sucessivos.”,11 as “colocações e deslocamentos” 6 NAPOLITANO, Marcos. Seguindo a canção: Engajamento político e indústria cultural da MPB (1959-1969). São Paulo: Annablume/Faspesp, 2001, p. 12. 7 NAPOLITANO, Marcos. 1964: História do Regime Militar Brasileiro. São Paulo: Contexto, 2014, p. 173-174. 8 SARAIVA, Daniel Lopes. A música brasileira em pessoa: trajetória, engajamento e movimentos musicais na obra da intérprete Nara Leão. 170 f. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal de São João del- Rei. São João del-Rei, 2015, p. 13. 9 MORAES, José Geraldo Vinci de. História e música: canção popular e conhecimento

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