
Corsarios e Piratas***.indd 1 17/06/10 14:00:42 Corsarios e Piratas***.indd 2 17/06/10 14:00:43 CORSÁRIOS E PIRATAS PORTUGUESES Aventureiros nos Mares da Ásia Corsarios e Piratas***.indd 3 17/06/10 14:00:43 Corsarios e Piratas***.indd 4 17/06/10 14:00:43 Alexandra Pelúcia CORSÁRIOS E PIRATAS PORTUGUESES Aventureiros nos Mares da Ásia Corsarios e Piratas***.indd 5 17/06/10 14:00:43 A Esfera dos Livros Rua Barata Salgueiro, n.° 30, 1.o esq. 1269 ‑056 Lisboa – Portugal Tel. 213 404 060 Fax 213 404 069 www.esferadoslivros.pt Distribuição: Sodilivros, S.A. Travessa Estêvão Pinto, 6A 1070 ‑124 Lisboa Tel. 213 815 600 Fax 213 876 281 [email protected] Reservados todos os direitos de acordo com a legislação em vigor Nota da autora: A figura representada na capa é a de Bartolomeu Português, que fez carreira como salteador no mar das Caraíbas, durante a década de 1660. Na ausência de iconografia específica sobre o corso e a pirataria levados a cabo por portugueses nos mares da Ásia, a apresentação da referida imagem presta‑se apenas à evocação simbólica de um determinado tipo social e da actividade que lhe era conexa. © Alexandra Pelúcia, 2010 © A Esfera dos Livros, 2010 1.a edição: Julho de 2010 Capa: Compañia Paginação: Segundo Capítulo Impressão e acabamento: Tilgráfica Depósito legal n.° 312 831/10 ISBN 978 ‑989 ‑626 ‑239 ‑6 Corsarios e Piratas***.indd 6 17/06/10 14:00:43 ÍNDICE Siglas e abreviaturas . 10 Mapa da Ásia Marítima . 12 Introdução . 15 I. Gama, Cabral e companhia: Capitães e corsários d’el ‑rei . 23 1. A chegada dos Portugueses ao Índico e os primeiros assaltos . 25 Calecut a ferro e fogo . 25 O ataque à nau Mîrî . 29 A escalada de violência . 33 As origens da guerra de corso portuguesa . 35 A tradição de violência no Índico.......................... 39 2. O mapa, as tácticas e a organização do sistema de assaltos......... 45 O cerco às portas do mar Vermelho........................ 45 O confronto com os rivais muçulmanos..................... 48 Patrulhas entre a costa do Malabar e o mar de Ceilão .......... 50 Surtidas limitadas no golfo de Bengala...................... 54 As presas: repartição e atracção ........................... 60 A Coroa e o corso: políticas e vantagens .................... 66 3. Predadores tornados presas: o embate entre Portugueses e Neerlan­­deses 71 A perda da nau Santa Catarina . 71 Razões do conflito ..................................... 72 Embates navais e reacções possíveis ........................ 75 Corsarios e Piratas***.indd 7 17/06/10 14:00:43 II. Apresamentos no fio da navalha: Corso ou pirataria?................ 81 1. Camaleões: mistos de corsários e de piratas ..................... 83 Corso e pirataria: definição do quadro teórico................ 83 Os desvios do quinto da Coroa . 85 A violação de cartazes . 87 Missões subvertidas .................................... 89 2. Nobreza e pirataria . 95 Descoberta e punição de abusos........................... 95 Gentis ‑homens à margem da lei ........................... 98 Motivações sociais e destino dos levantados . 104 III. Longe da alçada do Estado Português da Índia . 109 1. Da deserção à pirataria . 111 Os problemas da milícia . 111 Rumos de fuga e casos de banditismo marítimo............... 113 2. Os Feringis: salteadores portugueses ao serviço do reino do Arracão.. 123 O pirata da ilha de Sundiva .............................. 123 A região de Bengala, entre o paraíso e o inferno . 125 O reino do Arracão e a ligação aos Portugueses............... 126 Identidade, organização e expedições dos Feringis ............. 131 O fim dos assaltos ..................................... 139 Anexos . 143 1. Vice ‑reis e governadores do Estado da Índia . 143 2. Reis do Arracão (dinastia de Mrauk ‑U) ........................ 145 3. Imperadores mogóis....................................... 146 Mapa da enseada grande e da província de Bengala . 147 Notas . 149 Fontes e bibliografia . 193 Índice remissivo............................................... 207 Corsarios e Piratas***.indd 8 17/06/10 14:00:44 Aos meus pais Corsarios e Piratas***.indd 9 17/06/10 14:00:44 SIGLAS E ABREVIATURAS ACE – Assentos do Conselho de Estado, ed. Panduronga Pissurlencar. AES – Asian Educacional Services. AGC – Agência Geral das Colónias. AHU – Arquivo Histórico Ultramarino. APO – Archivo Portuguez -Oriental, ed. Joaquim Heliodoro da Cunha Rivara. Ásia – Da Ásia, de João de Barros e de Diogo do Couto, citada por década, parte e capítulo. AUC – Acta Universitatis Conimbrigensis. CAA – Cartas de Affonso de Albuquerque Seguidas de Documentos que as Elu- cidam, eds. Raymundo António de Bulhão Pato e Henrique Lopes de Mendonça. CC – Corpo Cronológico. CCCG – Centre Culturel Calouste Gulbenkian. CEHCA – Centro de Estudos de História e Cartografia Antiga. CEHU – Centro de Estudos Históricos Ultramarinos. CHAM – Centro de História de Além ‑Mar. CNCDP – Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. CNRS – Centre National de la Recherche Scientifique. DHMPPO I – Documentação para a História das Missões do Padroado Portu- guês no Oriente -Índia, ed. António da Silva Rego. DHMPPO II – Documentação para a História das Missões do Padroado Portu- guês no Oriente ‑Insulíndia, ed. Artur Basílio de Sá. Corsarios e Piratas***.indd 10 17/06/10 14:00:44 DI – Documenta Indica, ed. José Wicki. DRILM – Documentos Remetidos da Índia ou Livros das Monções, eds. Ray‑ mundo António de Bulhão Pato e António da Silva Rego. DUP – Documentação Ultramarina Portuguesa, eds. António da Silva Rego e Elaine Sanceau. FCG – Fundação Calouste Gulbenkian. FL – Faculdade de Letras. FCSH – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. GTT – Gavetas da Torre do Tombo. HAG – Historical Archives of Goa. História – História do Descobrimento e Conquista da Índia pelos Portugueses, de Fernão Lopes de Castanheda, citada por parte e capítulo. IANTT – Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo. IICT – Instituto de Investigação Científica Tropical. IN ‑CM – Imprensa Nacional ‑Casa da Moeda. JBRS – The Journal of the Burma Research Society. JMGIU – Junta das Missões Geográficas e de Investigações do Ultramar. JPASB – Journal and Proceedings of the Asiatic Society of Bengal. Lendas – Lendas da Índia, de Gaspar Correia. LM – Livros das Monções. LMDRI – Livros das Monções ou Documentos Remetidos da Índia. Obras – Obras Completas de D. João de Castro, eds. Armando Cortesão e Luís de Albuquerque. OUP – Oxford University Press. UL – Universidade de Lisboa. UNL – Universidade Nova de Lisboa. Corsarios e Piratas***.indd 11 17/06/10 14:00:44 Corsarios e Piratas***.indd 12 17/06/10 14:00:45 Corsarios e Piratas***.indd 13 17/06/10 14:00:46 Corsarios e Piratas***.indd 14 17/06/10 14:00:46 INTRODUÇÃO orsários e piratas; navios sulcando as ondas do mar com velas Cdesfraldadas; abordagens e assaltos marítimos; vidas e acções entrecortadas por combates de artilharia e por duelos de esgrima tra‑ vados corpo a corpo; a disputa das fantásticas riquezas da África, da América e da Ásia… Eis um quadro de movimento e de aventura que deixará poucos espíritos insensíveis. Da literatura clássica, alimen‑ tada por autores consagrados como Daniel Defoe (c. 1663 ‑1721)1, Robert Louis Stevenson (1850 ‑1894)2 e Emílio Salgari (1862 ‑1911)3, às películas cinematográficas, que imortalizaram as personagens de Peter Blood4 e Geoffrey Thorpe5, ou mais recentemente do próprio Jack Sparrow6, recebemos um conjunto de influências susceptíveis de nos povoarem o imaginário e de moldarem uma viva atracção pela temática da depredação marítima. Subjacente a este interesse encontra ‑se, obviamente, um fundo his‑ tórico, ligado de modo particular à Idade Moderna e às sucessivas vagas da expansão europeia pelo Mundo, o qual deu origem, além‑ ‑fronteiras, à produção de abundante bibliografia crítica. Em Portu‑ gal, ao invés, o estudo das práticas do corso e da pirataria nunca teve expressão autónoma saliente. São conhecidos, para os complexos histórico‑geográficos do Mediterrâneo e do Atlântico, os relevantes contributos de Luís Adão da Fonseca7, de Vitorino Magalhães Godinho8 e de Ana Maria Fer‑ reira9, se bem que os dois últimos evidenciassem maior tendência Corsarios e Piratas***.indd 15 17/06/10 14:00:46 16 CORSÁRIOS E PIRATAS PORTUGUESES para focar a análise nos problemas que afectaram os interesses portugueses em consequência dos assaltos dinamizados por outros europeus, fosse sob o patrocínio de iniciativas privadas ou de pode‑ res centrais. Atentando no espaço da Ásia marítima, que funcionará como ponto de fulcro para as páginas seguintes, o fraco desenvolvimento historiográfico verificado na matéria chegou a merecer reparos da parte de Auguste Toussaint10 e de Jorge Flores. Declarou este, inclu‑ sive, que «sobre a pirataria, o corso e os cartazes – fenómenos essen‑ ciais quando se estuda um movimento expansionista que se firmou graças ao domínio do mar – o panorama é desolador»11. Entretanto, vieram a lume alguns contributos de Luís Ramalhosa Guerreiro12. Mas foram, sobretudo, os artigos dados à estampa por Luís Filipe Thomaz que tiveram o efeito de relançar um pouco a problemática, com base nas importantes pistas de investigação que neles deixou e no repto lançado para que outros historiadores explorassem o tema13. Foi, aliás, nesse contexto que com ele trabalhei entre 1995 e 1998. Desde então, exceptuando o aparecimento do estudo de André Murteira, cujo ângulo de análise também privilegiou os Por‑ tugueses como alvos e não tanto como protagonistas da violência marítima (em concreto, da guerra de corso seiscentista dinamizada
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