ESTUDO DE POTENCIALIDADES
DEZEMBRO 2017
FICHA TÉCNICA
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PINHEIRO
Regional Jequitinhonha e Mucuri
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Autores| ANDRÉ JORDANI RODRIGUES DE FREITAS | CLÁUDIO SILVA RAMOS | EWERTHON VELOSO PIRES |TIAGO CISALPINO PINHEIRO
Unidade de Inteligência Empresarial Gerente | FELIPE BRANDÃO DE MELO Equipe Técnica | LUANDER CIPRIANO DE JESUS
FALCÃO
Revisão | JOYCE KYMARCE Projeto Gráfico | STEFANO PANNELA
F866d Freitas, André Jordani Rodrigues de
Estudo de Potencialidades Nanuque. / André Jordani Rodrigues de Freitas; Cláudio Silva
Ramos; Ewerthon Veloso Pires; Tiago Cisalpino Pinheiro. Belo Horizonte: SEBRAE Minas, 2017. 81p.: il.
1. Estudo de Potencialidades Nanuque. 2. DEL. I. Ramos, Cláudio Silva. II. Pires, Ewerthon
Veloso. III. Pinheiro, Tiago Cisalpino. IV. Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais. V. Título.
CDU: 332.1(815.1)
ESTUDO DE POTENCIALIDADES
- Nanuque -
DEZEMBRO 2017
REALIZAÇÃO:
APOIO: EXECUÇÃO:
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Sumário
- 1. Apresentação
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- 2. História Econômica Regional
3. Capital Empreendedor - Posição de Nanuque no Mapa de Desenvolvimento Brasileiro 11 4. Inserção de Nanuque nas redes urbanas 5. Economia
18 28 39 43 49 50 55 62 64 66 69 72 76 80
6. Organização Produtiva 7. Demografia 8. Segurança 9. Saúde 10. Educação 11. Empreendedorismo 12. Tecido Empresarial 13. Governança 14. Principais Achados da Pesquisa 15. Análise SWOT 16. Considerações Finais 17. Referências
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1. APRESENTAÇÃO
Este documento é fruto do contratado celebrado entre o Sebrae Minas Gerais, através de sua Microrregião de Nanuque, e a Esfera Consultoria. Trata-se de um documento consolidado das pesquisas e análises realizadas na 1ª e 2ª Etapa, fazendo uma comparação de variáveis mínimas com municípios que compartilham de características semelhantes a Nanuque. O presente documento contempla ainda, entrevistas com lideranças locais, bem como o apontamento de fragilidades e potencialidades do município, além das conclusões obtidas a partir da análise do frame SWOT. O resultado dessas análises compõe um Estudo de Potencialidades do Município de Nanuque. Mediante a isso, espera-se subsidiar, com informações relevantes e pertinentes o desenvolvimento de um Plano de Desenvolvimento para Nanuque, o qual terá como premissa balisar a criação de condições para a perenidade das
MPE’s no município, por meio de ações que atraiam mais investimentos, reduzam a
dependência e fomentem o empreendedorismo local.
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2. HISTÓRIA ECONÔMICA REGIONAL
A história de Nanuque deve ser entendida a partir do contexto do processo de ocupação regional do Vale do Mucuri. Mesmo localizada a cerca de 100 km da foz do Mucuri, local de fundação das primeiras vilas brasileiras, a região de Nanuque só viria a ser ocupada por colonos quase 400 anos depois, no final do século XIX, conforme apresenta as Figuras 1 e 2, onde podemos identificar as principais Vilas e Sedes Municipais no recorte entre os anos de 1850 e 1912.
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FIGURA 1 – Vilas existentes em 1850 no Vale do Jequitinhonha e Mucuri
Fonte: Elaboração do autor com dados do IBGE. Cartas Internacionais ao Milionésimo.
FIGURA 2 – Sedes Municipais em 1912 no Vale do Jequitinhonha e Mucuri
Fonte: Elaboração do autor com dados do IBGE. Cartas Internacionais ao Milionésimo.
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Essa região se insere por sua vez em um conjunto regional mais amplo, a qual é caracterizada pela região de Mata Atlântica, contemplando toda a porção leste de Minas Gerais, originalmente coberta por uma densa floresta tropical, entretanto, no decorrer dos anos foi perdendo essa característica. Para ter uma ideia do que seria essa floresta, pode-se imaginar uma paisagem similar as áreas ainda preservadas da Amazônia ou aquela que pode ser observada no Parque Estadual do Rio Doce, em Minas Gerais, na reserva Sooretama, no Espírito Santo e no Parque Nacional Pau Brasil, no Sul da Bahia.
Historicamente, a trajetória de Nanuque está intimamente relacionada a esses dois processos mais amplos, a integração tardia entre a região do Alto Jequitinhonha e a fundação das primeiras cidades brasileiras no sul da Bahia no início do século XVI. Cabe destacar que somente com a iniciativa de Teófilo Otoni, no século XIX, o Rio Mucuri seria integrado às zonas mais dinâmicas da economia brasileira com a construção das ferrovias Vitória-Minas no Vale do Rio Doce e Bahia-Minas no Vale do Mucuri. A enciclopédia dos municípios do IBGE de 1956 destaca Nanuque como a principal fornecedora de madeira para abastecimento das locomotivas da Estrada de Ferro Bahia-Minas. A vocação da cidade como polo comercial também já se anunciava, uma vez que a cidade era uma parada importante dessa mesma ferrovia.
Ao se pensar que a região tenha demorado quase 400 anos para ser ocupada, quando esse processo se iniciou, ele transcorreu de forma acelerada. Em aproximadamente 70 anos a cobertura florestal de quase 100% nos territórios de domínio de Mata Atlântica passou aos 10% atuais de cobertura vegetal original, conforme apresenta a Figura 3. A construção das ferrovias foi um dos fatores ao qual favoreceu a ocupação dessas regiões e o acelerado desmatamento da floresta tropical.
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FIGURA 3 – Áreas de remanescentes florestais no sul da Bahia
Fonte: Elaboração do autor com dados do IBGE.
Diante desse cenário, é válido mencionar que os processos de ocupação das regiões de floresta tropical apresentam uma lógica própria e a expansão da fronteira agrícola ocorre nas áreas recém-desmatadas. Em geral as madeiras de lei são aproveitadas para venda e a madeira pequena utilizada para produção de carvão vegetal, o qual abastecia as locomotivas da Ferrovia Bahia-Minas. Com a abertura das áreas de mata abre-se a possibilidade de implantação de uma atividade produtiva nas terras. Na região de Nanuque a pecuária é que vem ocupar as áreas desmatadas.
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As regiões com histórico de ocupação da fronteira agrícola em geral apresentam um padrão de boom and bust. Esse padrão consiste em um crescimento econômico e populacional muito acelerado na fase de ocupação regional, quando os recursos florestais ainda são abundantes. Com o esgotamento dos recursos naturais ocorre uma desaceleração e estagnação do crescimento econômico e populacional. Nesse sentido, a evolução do PIB e da População na região de influência de Teófilo Otoni, a qual representa o Vale do Mucuri, confirma essa tendência. Nota-se um crescimento exponencial da população e da economia a partir dos anos 1950 até a década de 1980 (Gráficos 1 e 2), o qual é seguido por uma reversão na tendência e está associada ao esgotamento do ciclo de extração dos recursos naturais.
Gráficos 1 e 2 - Evolução da População da Região Integrada de Teófilo Otoni 1920-2000
- PIB
- POPULAÇÃO
Fonte: Elaboração do autor com dados do IBGE. Contas regionais e Censos Demográficos
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3. CAPITAL EMPREENDEDOR - POSIÇÃO DE NANUQUE NO MAPA
DE DESENVOLVIMENTO BRASILEIRO
O Brasil é um país marcado pela desigualdade social e heterogeneidade geográfica e socioespacial. Na década de 1970, o economista Edmar Bacha cunhou o termo Belíndia para descrever o cenário socioeconômico de um país, onde conviveriam duas realidades socioeconômicas bastante distintas. De um lado, uma pequena Bélgica rica e próspera circundada por uma grande massa empobrecida similar à Índia (BACHA, 1974). O Brasil passou por inúmeras mudanças no decorrer dos anos, entretanto a desigualdade social ainda assola o país. Essa diferença de nível de desenvolvimento econômico e social entre as regiões do país apresenta um padrão regional relativamente bem definido.
Resumidamente o Brasil está dividido em uma diagonal de desenvolvimento, as regiões
Norte e Nordeste e o Norte de Minas Gerais apresentam quase a totalidade dos seus municípios localizados nos níveis Muito Baixo, Baixos e Médios de Desenvolvimento. Já as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste se encontram em um patamar de desenvolvido classificado pelas Nações Unidas como considerado de Alto (acima de 0.7) e Muito Alto (acima de 0.8). Uma das principais medidas de desenvolvimento da atualidade, o IDH, pode ser usado para mostrar as disparidades espaciais do desenvolvimento brasileiro e a posição relativa de Nanuque na topografia do desenvolvimento brasileiro.
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Entre os estados, poucos apresentam diferenças internas de desenvolvimento como
Minas Gerais que conta com uma divisão interna muito similar ao Brasil e, por esse motivo, resume em alguma medida a desigualdade socioespacial brasileira. A posição geográfica de Nanuque na geografia do desenvolvimento do país pode ser observada no Mapa 1. O município se encontra justamente na fronteira entre esses dois “Brasis” e nesse contexto sintetiza essas características do país. Além disso, o município se destaca ainda em sua posição geográfica por se localizar na fronteira entre três estados, Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo.
Mapa 1 - Índice de Desenvolvimento Humano Municipal 2010
Fonte: Elaboração do autor com dados do Censo 2010
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O Mapa 1 mostra ainda, como as condições de desenvolvimento humano são heterogêneas no Brasil e apresentam um padrão regional relativamente bem definido. De forma complementar, iremos avaliar a evolução do nível de desenvolvimento nas últimas décadas de Nanuque, sendo o IDH calculado para os períodos censitários de 1991, 2000 e 2010.
Para avaliar a posição relativa de Nanuque, a comparação foi realizada com a situação dos municípios que apresentam características socioeconômicas similares. O gráfico 3 confirma a posição intermediária de Nanuque no processo de desenvolvimento no Brasil, sendo que o município está mais próximo do grupo de alto desenvolvimento do que a de baixo desenvolvimento e, além disso, conseguiu crescer a taxas superiores as dos grupos de maior desenvolvimento. As cidades com os piores indicadores, por outro lado cresceram a taxas acima dos demais grupos o que indica uma melhoria nas condições de vida mais acelerada nas cidades com as piores condições de vida. Vale destacar que essa é uma tendência do IDH.
Gráfico 3 - Comparação do IDH de Nanuque 1991, 2000 e 2010 com os 20 melhores e 20 piores IDHs de MG.
Fonte: Elaboração do autor com dados do Censo 2010
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Conforme supracitado, a paisagem da Região Leste de Minas Gerais e da Região Sul da
Bahia são originalmente formados por florestas tropicais. O ambiente natural é perfeito para a formação de florestas, foi assim que a região se tornou um dos maiores polos de produção de Eucalipto do Mundo. Nanuque se beneficiou muito desse crescimento registrado no Espírito Santo e Região Sul da Bahia. Vale ressaltar ainda, que o estado do Espírito Santo cresce acima da média da economia nacional há décadas (CAÇADOR, GRASSI, 2009).
O setor de celulose na região Norte do Espírito Santo e Sul da Bahia recebeu investimentos bilionários nos últimos anos, tanto no plantio de florestas quanto na ampliação das fábricas. As principais fábricas de processamento de celulose da região são localizadas em Eunápolis, São Mateus, Aracruz e Mucuri, das empresas: Veracel, Fibria e Suzano, o que resultou em elevadas taxas de crescimento econômico regional e levou investidores a ampliarem sua produção. Dessa forma, a inserção de Nanuque enquanto um Centro Intermediário de oferta de serviços em uma região a qual apresenta uma atividade de exportação dinâmica favorece, dessa maneira, o crescimento do setor de serviços.
Os gráficos abaixo mostram os municípios escolhidos para comparação em relação às quatro dimensões do Índice de Desenvolvimento Humano: Educação, Longevidade, Renda e o próprio IDH, componente síntese das três dimensões. As cidades localizadas nas regiões mais desenvolvidas, Novo Horizonte - SP e Dom Pedrito - RS, apresentaram como esperado os melhores índices de desenvolvimento humano.
Gráficos 4 a 7 - Dimensões dos Índices de Desenvolvimento Humano Municipal
- Gráfico 4 - IDH Municipal 2010
- Gráfico 5 - IDHM Renda 2010
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- Gráfico 6 - IDHM Longevidade 2010
- Gráfico 7 - IDHM Educação 2010
Fonte: Elaboração do autor com dados do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil
A cidade de Goiás, São Luís de Montes Belos, também se destacou positivamente, como o segundo melhor IDH-M e serviu como representante das melhores que o Centro-Oeste também apresenta. As cidades escolhidas nas regiões de menores índices de desenvolvimento humano apresentaram os piores resultados IDH, Oeiras - PI e Xinguara - PA. É válido salientar que Nanuque, ocupa um lugar intermediário, condizente com sua posição na geografia do desenvolvimento brasileiro, porém concomitantemente, tem uma condição pior que a de cidades muito próximas como Nova Venécia - ES e Barra de São Francisco - ES, e melhor do que cidades também próximas e mais dinâmicas, como Itamaraju - BA.
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Mapa 2 - Inserção de Nanuque na Rede Urbana Regional
Fonte: Elaboração do autor com dados do Atlas Desenvolvimento Humano no Brasil
Perante esse cenário, vale analisar a situação regional do IDH nas Regiões de Influência das Cidades Médias onde se insere Nanuque. O Mapa 2 mostra o IDH dos municípios das Regiões de Influência do IBGE (IBGE, 2017). Algumas informações relevantes podem ser entendidas a partir da observação do referido mapa. Em primeiro lugar as cidades maiores apresentam os melhores Índices de Desenvolvimento Humano. Teixeira de Freitas - BA, Teófilo Otoni - MG e São Mateus - ES são as principais cidades da região, sedes das regiões de influência. É possível observar ainda, que essas cidades apresentam Índices de Desenvolvimento Humano superior ao dos municípios menores do seu entorno. Isso indica que o porte da cidade resulta em um maior dinamismo econômico, traduzindo assim, em melhores condições de vida para as populações das cidades sedes das Regiões de Influência.
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O padrão Norte-Sul de desenvolvimento que o Mapa 1 apresenta, também pode ser observado com mais detalhe no Mapa 2. A diferença do IDH da Bahia e Norte de Minas Gerais para o Espírito Santo é marcante. Nanuque se posiciona justamente na faixa de transição, no patamar de médio desenvolvimento. Essa condição indica que Nanuque tende a apresentar características heterogêneas, de um lado contempla situações onde se assemelha ao perfil socioeconômico das regiões mais desenvolvidas, e de outro apresenta características das regiões menos desenvolvidas.
Cabe destacar, contudo que dentro dos municípios também existem grande diferenças em relação aos níveis de qualidade de vida. A desigualdade de condições de vida que ocorre entre as grandes regiões do país também se manifesta na escala intra-urbana. O mapa a seguir mostra os agrupamentos espaciais de Alta e Baixa Renda de Nanuque. O grupo Alto - Alto consiste nos setores censitários o qual apresenta uma renda mais alta associada aos vizinhos também com renda alta. Já o Baixo - Baixo representa o grupo de setores de baixa renda com vizinhos de baixa renda. Esses dois grupos, um de renda alta e outro de renda baixa, tem o padrão de centro e periferia, com as regiões de maior renda do centro e as de menor renda na periferia.
Mapa 3- Agrupamentos populacionais de baixa e alta renda na área urbana de Nanuque
–2010
Fonte: Elaboração dos autores com dados dos Setores Censitários do Censo Demográfico 2010 IBGE
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4. INSERÇÃO DE NANUQUE NAS REDES URBANAS
A avaliação da inserção de uma cidade nas redes urbanas é fundamental para entender o processo e o potencial de desenvolvimento. Isso porque o grau de desenvolvimento de uma cidade varia diretamente com a posição que ela ocupa nas redes urbanas. A inserção nas redes urbanas tem relação direta com o conceito de área de mercado ou área de influência de uma cidade. Quanto maior o porte e a diversificação das atividades de comércio e serviços de uma cidade, maior é a área de mercado ou área de influência de uma cidade sobre a região no seu entorno que utiliza de sua rede de comércio e serviços.
As pessoas que residem na zona rural ou em cidades pequenas não dispõem de oferta de comércio e serviços na vizinhança dos seus domicílios. Basta visitar uma pequena cidade para notar que a variedade de estabelecimentos de comércio e serviços nesses locais é bem simples, mas dispõe sempre de um bar e restaurante, manicures e cabeleireiras, lojas varejistas
18 de vestuário e mercearias. Já um centro emergente, como Nanuque, por exemplo, já dispõe de estabelecimentos maiores e mais diversificados, com agências bancárias, escritórios de advocacia e contabilidade, supermercados, restaurantes e bares mais sofisticados, serviços de assistência técnica, e etc.
Nos municípios polo se encontram tais atividades, além de inúmeras outras com complexidade ainda maior como, por exemplo, universidades federais, hospitais com serviços de maior complexidade, com exames de maior nível tecnológico e também sedes de comarcas públicas como a justiça federal, entre outros estabelecimentos. Um exemplo disso é o hospital regional que dispõe de grande número de especialidades médicas e funções de maior complexidade como o tratamento de doenças como câncer e enfermidades mais raras e que com isso tem a função de atender diversos municípios de uma mesma região. Nesse contexto, quanto maior a quantidade e variedade de tipos de estabelecimentos de comércio e serviços, maior a área de mercado ou área de influência da cidade, maior será a abrangência do mercado consumidor das atividades de comércio e serviços da cidade.
Nanuque está localizada entre os dois principais corredores rodoviários de ligação entre o Sudeste e o Nordeste do país, as rodovias BR - 101 e BR - 116. A BR - 101 faz a rota pelo litoral passando por Teixeira de Freitas, enquanto a BR - 116, faz a rota do interior do país, passando por Teófilo Otoni, ambas podem ser observadas na Figura 4. Nanuque se encontra na ligação entre esses dois corredores rodoviários e que privilegiaram em relação à rede urbana os polos regionais associados a cada um dos corredores rodoviários citados, Teófilo Otoni e Teixeira de Freitas.
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Figura 4 - Inserção de Nanuque na Rede Urbana Regional
Fonte: Elaboração dos autores com dados dos Setores Censitários do Censo Demográfico 2010 IBGE
A posição de Nanuque nessa rede urbana consiste enquanto um polo de intermediação entre os polos regionais. A localização, à cerca de 150 km dos dois centros, favorece seu papel estratégico como polo de suporte principal aos pequenos municípios da vizinhança. Nota-se, ainda, que próximo à Nanuque estão localizadas 6 sedes municipais de pequenos municípios em seu entorno que apresentam potencial de estarem na área de mercado das atividades de comércio e serviços, são elas: Ponto belo, Montanha, Mucurici, Serra dos
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Aimorés, Lajedão e Ibirapuã. Serra dos Aimorés merece menção especial porque está muito próxima de Nanuque, menos de 15 km, distância que faz com que esses municípios funcionem de forma complementar e o porte na rede urbana das duas cidades somadas, equivaleria ao de uma cidade com maior porte.
Para verificação da oferta de serviços de Nanuque foi elaborada uma tabela para facilitar a análise. Tendo em vista que os dados do censo 2010 podem estar defasados foi desenvolvido o índice de oferta de serviços com uso da técnica estatística de análise de componentes principais. Essa técnica pode ser utilizada para sintetizar um grande número de variáveis em um número pequeno de componentes que resumem adequadamente o conjunto de variáveis. Dessa maneira, foram escolhidas 53 variáveis, as quais representam a oferta de comércio e serviços na cidade e utilizados dados da RAIS do Ministério do Trabalho e Emprego para identificação do porte de cada uma das atividades, representados pelo número de empresas formais registradas. Também foi identificada a presença das unidades de saúde de maior complexidade, que são as unidades que têm função de polarização, e atendem uma demanda regional, para além da população das cidades.
A técnica utilizada permite resumir um grande conjunto de dados em poucas variáveis, que conseguem ainda assim representar bem o conjunto de dados, facilitando a interpretação (HAIR, 2008). Nesse caso, resumimos as variáveis representativas do setor de comércio e serviços, sintetizados em uma única variável que capta 85% da variância dos dados originais, o que nos permite analisar de forma sintética a grande variedade de tipos de características representativas da hierarquia urbana. A tabela a seguir, mostra as variáveis que foram utilizadas para composição do índice. Assim, foram utilizados dados mais atualizados possíveis disponíveis para as variáveis representativas de atividades de comércio e serviços com potencial de atender a demanda regional.