Bol. R. Soc. Esp. Hist. Nat., 112, 2018: 35-45

As plantas tóxicas das escolas, jardins e parques de * Las plantas tóxicas de las escuelas, jardines y parques de Coimbra Poisonous plants in schools, gardens and parks at Coimbra

Natacha Catarina Perpétuo1, Maria da Graça Campos2, Paulo Renato Trincão1,3 & António Pereira Coutinho1 1. Centro de Ecologia Funcional, Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra, Calçada Martim de Freitas, 3000-456 Coimbra, . [email protected]. 2. Centro de Química de Coimbra, Departamento de Química da Universidade de Coimbra, Rua Larga, 3004-535 Coimbra, Portugal. 3. Exploratório – Centro Ciência Viva Coimbra, Rotunda das Lages, Parque Verde do Mondego, 3040- 255 Coimbra, Portugal.

Recibido: 5 de octubre de 2017, Aceptado: 2 de abril de 2018. Publicado electronicamente: 20 de diciembre de 2018.

Palavras-chave: Crianças, Coimbra, Escolas, Jardins e Parques, Plantas Tóxicas. Palabras clave: Coímbra, Escuelas, Jardines y Parques, Niños, Plantas Tóxicas. Key words: Children, Coimbra, Gardens and Parks, Schools, Poisonous Plants.

Resumo Vivemos num meio repleto de plantas perigosas, encontrando-se frequentemente espé- cies tóxicas em escolas, jardins, parques, assim como nas habitações e locais de trabalho e/ou lazer. Apesar desta exposição diária, existe uma grande lacuna de conhecimento acerca delas e dos riscos que representam para a saúde, nomeadamente das crianças. Uma planta tóxica define-se como aquela que pode provocar lesões internas ou externas, a seres humanos ou animais, em caso de ingestão, contacto ou inalação de uma quantidade re- lativamente baixa de alguma(s) das suas partes. Este trabalho pretende promover a literacia científica e a compreensão pública da temáti- ca das plantas tóxicas, sobretudo em contextos urbanos, onde o conhecimento empírico destas plantas é mais limitado. O projecto dividiu-se em duas fases: Parte I) identificação das plantas perigosas presentes em escolas e espaços verdes de Coimbra – através de visitas aos locais para observação, registo fotográfico e identificação das espécies de plantas venenosas encontradas, comparando também com a análise de literatura específica; Parte II) desenvolvimento de material de educação e di- vulgação científica e implementação de iniciativas de promoção da literacia científica e compre- ensão pública das plantas tóxicas. Pretende-se, assim, contribuir para diminuir os acidentes causados pela exposição indevida a estas plantas, especialmente ao nível pediátrico.

Resumen Vivimos en un ambiente repleto de plantas peligrosas, encontrándose especies tóxicas en escuelas, jardines, parques, así como en el hogar, lugares de trabajo y/o ocio. A pesar de esta exposición diaria, existe una gran laguna de conocimiento acerca de ellas y de los riesgos que representan para la salud, especialmente de los niños. Una planta tóxica es aquella que puede provocar lesiones internas o externas, a humanos o animales, en caso de ingestión, contacto o inhalación de una cantidad relativamente baja de alguna(s) de sus partes. Este trabajo pretende promover la alfabetización científica y la comprensión pública de las plantas tóxicas, sobre todo en contextos urbanos, donde el conocimiento de estas es más limitado.

* Presentado en la XXII Bienal de la RSEHN, Coímbra, 2017

doi: 10.29077/bol/112/ce04_perpetuo ISSN: 2659-2703 -35- Perpétuo, N.C., Campos, M.G., Trincão, P.R. & Coutinho, A.P.

El proyecto se divide en dos fases: Parte I) inventario de las plantas peligrosas presentes en escuelas y espacios verdes de Coimbra – a través de visitas a los locales para observación, registro fotográfico e identificación de las especies venenosas y análisis de literatura; Parte II) desarrollo de material educativo e implementación de iniciativas de promoción de la alfabetiza- ción científica y comprensión pública de las plantas tóxicas. Se pretende contribuir así a disminuir los accidentes causados por la exposición indebida a estas plantas, especialmente a nivel pediátrico.

Abstract We live in an environment full of dangerous plants, often with poisonous species in schools, gardens and parks, as well as in homes and places of work and/or recreation. Despite this daily exposure, there is a large gap in knowledge about them and the risks they pose to health, par- ticularly for children. A poisonous plant is defined as one that can cause internal or external injury, to humans or animals, in case of ingestion, contact or inhalation a relatively low amount of some of its parts. This work intends to promote scientific literacy and public understanding of poisonous plants, especially in urban contexts, where the empirical knowledge of these plants is more limited. The project is divided in two phases: Part I) survey of dangerous species of plants present in schools and green spaces of Coimbra – through visits to sites for observation, photographic registration and identification of poisonous species found and analysis of specific literature; Part II) development of educational material and implementation of initiatives to promote scientific literacy and public understanding of poisonous plants. The aim is to help reduce the accidents caused by the imprudent exposure to these plants, especially at the pediatric level.

1. Introdução Uma planta tóxica é, geralmente, definida como aquela que pode provocar lesões internas ou externas, a seres humanos ou animais, em caso de ingestão, contacto ou inalação de uma quantidade relativamente baixa de alguma(s) das suas partes (ex.: raí- zes, caules, folhas, flores, frutos, sementes, etc.). Estas plantas encontram-se represen- tadas mundialmente, destacando-se, entre milhares de espécies, de maior ou menor toxicidade, cerca de 1400 muito perigosas para humanos e/ou animais domésticos, de cativeiro ou selvagens (Crosby, 2004; Wink & van Wyk, 2008). O perigo destas plantas para os seres humanos, tanto por ingestão como através do contacto, não pode ser subestimado (Crosby, 2004; Frohne & Pfänder, 2005; Wink & van Wyk, 2008). Com efeito, em muitos países, uma significativa percentagem das intoxicações é provocada por plantas, sendo anualmente notificados inúmeros casos de envenenamentos vegetais aos diversos Centros Antiveneno mundiais. A título de exemplo, no período compreendido entre 2005 e 2010, foram reportados à American Association of Poison Control Centers aproximadamente 60 mil casos/ano de intoxicações vegetais, sendo que 68-77% corresponderam a intoxicações pediátricas (Bronstein et al., 2011; Gordon & Eddleston, 2013; Lai et al., 2006). Os envenenamentos por plantas podem ocorrer intencional ou acidentalmente, sendo que a principal causa de fitoenvenenamento fortuito se deve ao desconheci- mento do efeito real dos seus compostos tóxicos e, consequentemente, da sua peri- gosidade. Apesar da maioria das situações resultar da ingestão involuntária de plantas tóxicas por crianças, as intoxicações vegetais em adultos são também significativas (Campos & Cunha, 2001). Adicionalmente, existem diversas famílias vegetais com ele- vado número de espécies alergénicas (Anacardiaceae, Apiaceae, Araliaceae, Asteraceae, Cupressaceae) ou irritantes (Alliaceae, Araceae, Brassicaceae, Euphorbiaceae) que po- dem provocar dermatites de contacto ou outras complicações (Crosby, 2004). O uso alimentar e a automedicação com plantas medicinais costumam ser as causas mais frequentes de envenenamento acidental em adultos – nomeadamente as confusões entre plantas, as sobredosagens ou as interacções medicamentosas – assim como a sua utilização voluntária com objectivos suicidas ou homicidas (Campos & Cun- ha, 2001). Por sua vez, no que concerne aos envenenamentos pediátricos, verificou-se que essas situações ocorrem, maioritariamente, em casa, jardins e escolas, o que sugere que resultam de uma exposição acidental decorrente da grande disponibilidade de plantas – incluindo espécies tóxicas – nesses locais (Frohne & Pfänder, 2005; Nelson et al., 2007). O conhecimento científico na área da Botânica, nomeadamente das plantas ve- nenosas, necessita de maior divulgação junto da sociedade. Assim, o reconhecimento

-36- Comunicaciones especializadas As plantas tóxicas das escolas, jardins e parques de Coimbra dos riscos sociais e a identificação das espécies tóxicas do nosso quotidiano é urgente, permitindo um adequado e célere atendimento hospitalar. Ao contrário de países como o Brasil (Bochner et al., 2013), a Bélgica (Jardin Botanique National de Belgique & Centre Antipoisons, 2002), a Itália (Bulgarelli & Fla- migni, 2010) ou o Reino Unido (Dauncey, 2010), que privilegiam os estudos e a literacia científica nesta área, em Portugal foram publicados poucos trabalhos sobre este tema, quer ao nível da identificação das espécies mais frequentes (Campos & Cunha, 2001), quer promovendo a compreensão pública dos seus riscos sociais. Esta situação reforça a importância da promoção da cultura científica da sociedade, através do desenvolvi- mento de iniciativas de comunicação de ciência em museus, centros de ciência, jardins botânicos e públicos, espaços privilegiados para estas actividades (Reis et al., 2014). Embora a definição de literacia científica não seja consensual internacionalmente e tenha evoluído ao longo dos anos, Granado & Malheiros (2015) explicam-na como a capacidade que cada um de nós deve ter para ler a ciência que se encontra à nossa volta, seja nas notícias dos jornais, nas bulas dos medicamentos, nas informações trans- mitidas pelos médicos ou nos conselhos de consumo. Ou seja, é a capacidade que todos os cidadãos devem ter para: compreender o mundo natural e o mundo científico e tecnológico à sua volta; saber formular perguntas e procurar informação que não têm; ter uma opinião sobre o mundo e, finalmente, escolher de forma informada entre as di- ferentes opções disponíveis. Acrescentam que não se ambiciona que façam as escolhas perfeitas, com conhecimento profundo sobre todas as implicações possíveis; mas antes, que saibam interpretar minimamente o mundo que os rodeia de forma a não viver submersos numa realidade sem sentido. Burns et al. (2003) acrescentam que, embora o significado do termo literacia científica não seja claro, esta falta de clareza deve-se à sua natureza complexa e dinâmica e não a uma falta de definição. O conceito de compreensão pública da ciência (“public understanding of science” – PUS) teve origem no Reino Unido, em 1985, com a publicação do relatório intitulado Public Understanding of Science, pela Real Sociedade. A compreensão pública da ciência estuda, por um lado, a forma como “o público” ou “os públicos” acedem e se apro- priam da ciência (suas atitudes, valores, opiniões e comportamentos) e de como a ciên- cia é veiculada para esses públicos e, por outro, o conjunto de actividades concretas que visam promover aquela compreensão (Granado & Malheiros, 2015). Burns et al., (2003:187) destacam a definição apresentada no relatório Ciência e Sociedade, da Câ- mara dos Lordes (2000): “compreensão das questões científicas por não especialistas. Isto não significa, obviamente, um conhecimento abrangente de todos os ramos da ciência. Pode, no entanto, incluir a compreensão da natureza dos métodos científicos… a conscientização dos actuais avanços científicos e suas respectivas implicações”. Os objectivos da compreensão pública de ciência e da literacia e cultura científicas podem ser compilados nas seguintes cinco respostas pessoais à ciência que delimitam os objectivos da comunicação de ciência: 1) percepção e familiaridade com os novos aspectos da ciência; 2) satisfação ou outras respostas afectivas à ciência; 3) interesse evidenciado pelo envolvimento voluntário com a ciência ou a sua comunicação; 4) opi- niões que formam, reformam ou confirmam atitudes para com a ciência e, 5) compre- ensão da ciência, dos seus conteúdos, processos e factores sociais (Burns et al., 2003).

1.1. Objectivos

Sendo que a principal prioridade do presente trabalho é a promoção da literacia científica e da compreensão pública sobre as plantas tóxicas, em ambientes não formais (ex.: centros de ciência, museus, jardins botânicos, parques e jardins públicos, centros comerciais, etc.), os seus principais objectivos são: • Estudar as principais espécies de plantas (espontâneas, subespontâneas, plan- tadas) susceptíveis de provocar acidentes, nomeadamente em crianças, devido à sua toxicidade. • Identificar e reconhecer as plantas tóxicas presentes em escolas e espaços ver- des públicos (parques, jardins, parques infantis, etc.) de Coimbra. • Desenvolver material educativo (livros/bandas desenhadas, jogos, folhetos in- formativos, vídeos divulgativos, etc.), de âmbito nacional, específico para os diferentes públicos-alvo, com especial destaque para crianças (sobretudo entre os 3 e 10 anos de idade), famílias (principalmente pais e avós), educadores e professores (nomeadamente

Bol. R. Soc. Esp. Hist. Nat., 112, 2018 -37- Perpétuo, N.C., Campos, M.G., Trincão, P.R. & Coutinho, A.P. do ensino pré-escolar e do 1º ciclo do ensino básico) e profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, farmacêuticos, etc.). • Implementar actividades de promoção da literacia científica e compreensão pú- blica das plantas tóxicas (especialmente através da Rede Nacional de Centros Ciência Viva), adequadas aos diferentes grupos-alvo, como, por exemplo: conversas científicas informais, exposições itinerantes, passeios de ciência, feiras e festivais de ciência, etc.. • Divulgar e sensibilizar publicamente para esta temática nos meios de comuni- cação social.

2. Materiais e Métodos 2.1. Destinatários

As crianças, nomeadamente as mais pequenas, são um dos principais grupos de risco a envenenamentos vegetais. Esta situação deve-se, por um lado, à curiosidade na- tural própria destas faixas etárias, aliada ao modo espontâneo como as crianças explo- ram o mundo que as cerca (colocando frequentemente objectos na boca) e, por outro, à atractividade das plantas (devido às suas cores apelativas, aos seus aromas agradáveis, às diferentes texturas que podem apresentar, etc.). Assim, definiram-se como principais grupos-alvo: • Crianças – particularmente as que têm idades compreendidas entre os 3 e os 10 anos. • Cuidadores de crianças – com especial destaque para pais, avós e outros fami- liares; professores, educadores e demais funcionários que trabalhem directamente com crianças. • Profissionais de saúde que actuam na primeira linha de atendimento- emsi tuações de intoxicação, ou suspeita de intoxicação, pediátrica – como médicos, enfer- meiros ou farmacêuticos. 2.2. Delimitação da área de estudo

Como se referiu anteriormente, a maioria dos envenenamentos pediátricos oco- rre em casa, jardins e escolas devido à grande disponibilidade de plantas nesses locais (Frohne & Pfänder, 2005; Nelson et al., 2007). Nesse sentido, definiram-se as seguintes áreas de estudo, como prioritárias para a realização do levantamento das espécies de plantas tóxicas: Escolas – incluindo creches, jardins-de-infância (JI), escolas básicas do 1º ciclo (EB1), escolas básicas do 2º e 3º ciclos (EB23) e escolas secundárias (ES). Espaços verdes urbanos – abrangendo os parques e jardins públicos e os parques infantis. Tendo em conta que a vegetação introduzida nestes locais é idêntica ao longo de todo o país, e mesmo a nível internacional (Bochner et al., 2013; Bulgarelli & Flamigni, 2010; Dauncey, 2010; Jardin Botanique National de Belgique & Centre Antipoisons, 2002), delimitou-se a identificação e o reconhecimento das espécies de plantas tóxicas às escolas (públicas e privadas) e espaços verdes urbanos do Município de Coimbra.

2.3. Fases do trabalho

Este trabalho divide-se, essencialmente, em duas fases principais: Parte I: Identificação e reconhecimento das espécies de plantas susceptíveis de provocar acidentes, nomeadamente em crianças, devido à sua toxicidade, em escolas e espaços verdes urbanos de Coimbra. Este levantamento abrange, tanto as espécies espontâneas e subespontâneas da flora portuguesa, como as espécies exóticas que são mais frequentemente cultivadas como ornamentais. Parte II: Desenvolvimento de material de educação e divulgação científica, de âm- bito nacional, e a implementação de iniciativas de promoção da literacia científica e compreensão pública das plantas tóxicas, adequadas aos diferentes públicos-alvo, com especial destaque para as crianças (sobretudo entre os 3 e 10 anos de idade), as famílias (principalmente pais e avós), os educadores e professores (nomeadamente do ensino pré-escolar e do 1º ciclo do ensino básico) e os profissionais de saúde (especialmente médicos, enfermeiros e farmacêuticos). Nesta fase, tem-se recorrido à Rede Nacional

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de Centros Ciência Viva e aos meios de comunicação social, fazendo a sua dissemi- nação a nível nacional, de forma a alcançar um público mais vasto.

2.3.1. Identificação e reconhecimento das plantas venenosas das escolas, jardins e par- ques de Coimbra

A identificação das espécies de plantas – espontâneas e subespontâneas da flora portuguesa e exóticas cultivadas como ornamentais – susceptíveis de provocar aciden- tes, tem sido concretizada através da análise de literatura específica e actualizada sobre este tema, incluindo a compilação de estudos internacionais sobre plantas tóxicas de Wagstaff (2008). Também se analisaram dados, disponíveis online, dos diversos Centros Antiveneno Internacionais (como, por exemplo, os relatórios da American Association of Poison Control Centers e do Centre Antipoisons Belge, entre outros) e do Centro de Infor- mação Antivenenos do Instituto Nacional de Emergência Médica (CIAV–INEM), como forma de reconhecimento das principais espécies envolvidas nos casos reportados. Por sua vez, o levantamento e identificação das espécies de plantas tóxicas pre- sentes em escolas e espaços verdes de Coimbra está a ser realizado através de: visitas aos locais, observação das plantas existentes, registo fotográfico das espécies poten- cialmente perigosas e colheita de material vegetal para análise laboratorial (macro e/ou microscópica), quando necessário (Figura1a-d). O inventário das escolas foi reali- zado recorrendo aos dados acerca da rede escolar municipal, disponíveis no sítio da web da Câmara Municipal de Coimbra (https://www.cm-coimbra. pt/), ao portal das escolas (https:// www.portaldasescolas.pt/) e aos sítios da web dos respectivos agrupamentos escolares. Por sua vez, no que diz res- peito à listagem dos parques, jardins e parques infantis pertencentes ao Mu- nicípio de Coimbra, a informação foi obtida junto da Câmara Municipal de Coimbra e através do sítio da web do Turismo de Coimbra (http://www.tu- rismodecoimbra.pt/). Previamente às visitas que iriam decorrer nos espaços escolares, soli- citaram-se os devidos pedidos de au- torização junto das entidades respon- sáveis, quer das escolas que integram a rede escolar pública do Município de Figura 1. Metodologia utilizada nas visitas a escolas, parques, jardins Coimbra, quer dos estabelecimentos e parques infantis do Município de Coimbra: a) Observação; b) de ensino básico e secundário priva- Identificação, c) Registo e, d) Colheita de material. do e cooperativo e creches e jardins- de-infância da rede privada e solidária. Inicialmente estes contactos foram es- tabelecidos através de correio electrónico e, posteriormente, nomeadamente na fase de agendamento das visitas, via telefone. No caso das escolas pertencentes a agrupa- mentos escolares, foi necessário obter autorização quer da direcção da escola sede de agrupamento, quer da direcção de cada uma das escolas ou jardim-de-infância. Relativa- mente às escolas secundárias não agrupadas ou aos estabelecimentos do ensino básico e secundário privado e cooperativo e creches e jardins-de-infância da rede privada e solidária os pedidos de autorização foram remetidos directamente à direcção de cada uma das instituições.

2.3.2 Promoção da literacia científica e compreensão pública sobre as plantas veneno- sas e seus riscos

Depois de conhecidas as principais espécies de plantas tóxicas susceptíveis de provocar acidentes em crianças e identificadas/inventariadas as mais frequentes no quotidiano está a ser desenvolvido material de educação e promoção de cultura cien- tífica sobre esta temática. O material é produzido em diversos formatos como, por

Bol. R. Soc. Esp. Hist. Nat., 112, 2018 -39- Perpétuo, N.C., Campos, M.G., Trincão, P.R. & Coutinho, A.P. exemplo, livros e bandas desenhadas, jogos, artigos para a imprensa local e nacional, vídeos divulgativos, e específico para os diferentes grupos-alvo: crianças, cuidadores (familiares, professores e educadores) e profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, farmacêuticos) e à sua utilidade social. Relativamente às iniciativas de promoção da literacia científica e compreensão pública das plantas tóxicas, são também específicas para cada grupo (crianças; pais e famílias; educadores e professores; profissionais de saúde) e estão a realizar-se, princi- palmente, em espaços não formais, como centros de ciência, museus, jardins botânicos, parques e jardins públicos, centros comerciais, mas também em escolas, sob a forma de: conversas informais sobre ciência, exposições itinerantes, passeios de ciência, feiras e festivais de ciência, oficinas e actividades práticas. Para alcançar um público mais vasto está articular-se com a Rede Nacional de Centros Ciência Viva e com os meios de comunicação social.

3. Resultados 3.1. identificação e reconhecimento das plantas venenosas das escolas, jardins e par- ques de Coimbra

As visitas aos estabelecimentos escolares de Coimbra realizaram-se entre 2016 e 2017, ou seja, no período que compreende os anos lectivos Tabela I. Organização da rede escolar pública de Coimbra, por tipologia de esco- de 2015-2016 e de 2016- la, assim como o número total de escolas visitadas durante o período do 2017 (Tabela I). presente estudo. O número de escolas públicas, sobretudo no que Ano lectivo Ano lectivo Escolas diz respeito às escolas básicas Escolas Públicas 2015-2016 2016-2017 visitadas do 1º ciclo e aos jardins-de- infância, variou ligeiramente Escolas Secundárias (ES) 7 7 7 de um ano lectivo para o Escolas Básicas do 2º e 9 9 9 seguinte. Assim, a rede 3º Ciclos (EB23) escolar pública do Município Escolas Básicas do 1º Ciclo (EB1) 60 59 60 de Coimbra totalizava 111 Jardins-de-infância (JI) 35 32 32 escolas, no ano lectivo de 2015-2016 tendo sido TOTAL 111 107 108 reduzida para 107 em 2016- 2017. Esta rede escolar municipal está estruturada em cinco escolas secundárias não agrupadas e seis agrupamentos de escolas (onde se incluem 2 escolas secundárias, como sede de agrupamento), Tabela II. No que diz respeito aos estabelecimentos de ensino da rede escolar pública, o nosso pedido de colaboração para a realização deste estudo foi aceite por todas as direcções, quer das cinco escolas secundárias não agrupadas, quer das escolas sede dos seis agrupamentos escolares. Desta forma, visitaram-se todas as escolas (1º, 2º e 3º ciclos e secundárias) e jardins-de-infância em funcionamento no período do presente estudo. As diferenças numéricas apresentadas na Tabela I devem-se ao encerramento de três jardins-de-infância de um ano lectivo para o outro, ou seja, no decurso do período de realização das visitas. Relativamente aos estabelecimentos de ensino básico e secundário privado e coo- perativo e creches e jardins-de-infância da rede privada e solidária, identificaram-se cerca de 72 instituições. Contactou-se a totalidade dos estabelecimentos identificados, tendo obtido resposta de 46 (64%), sendo que 36 (51%) autorizaram a realização das visitas e 10 (14%) recusaram. Visitaram-se todas as instituições que aceitaram colaborar no presente estudo, autorizando o acesso às respectivas instalações. Os motivos apresentados pelos estabelecimentos de ensino para recusar as visitas foram: 1) a ausência de plantas nos espaços interiores e exteriores (6 instituições) e 2) encontrar-se em obras (1 instituição). Noutros casos, os responsáveis afirmaram que não existiam espécies tóxicas nas instalações dos respectivos estabelecimentos (3 ins- tituições), tendo nomeado as espécies presentes (ex.: pinheiro manso, tílias, cameleiras).

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Tabela II. Organização de cada um dos agrupamentos escolares, nos Admitindo que estas identificações estão anos lectivos estudados. correctas, tratam-se de espécies de plan- tas que não apresentam toxicidade. Ano lectivo Ano lectivo Obtivemos confirmação que uma Agrupamento de Escolas 2015-2016 2016-2017 instituição identificada neste levanta- ES 1 1 mento tinha fechado. No entanto, é pos- sível que mais algumas (cerca de 4-5 ins- EB23 2 2 Agrupamento de Escolas tituições) possam ter fechado. Coimbra Centro EB1 16 15 Relativamente aos espaços verdes JI 10 10 urbanos, de acordo com a informação TOTAL 29 28 disponibilizada pela Câmara Municipal de Coimbra, existem 15 jardins e parques ES 1 1 da competência da Câmara Municipal EB23 2 2 Agrupamento de Escolas de Coimbra e 49 parques infantis (PI), Coimbra Oeste EB1 11 11 cuja responsabilidade se distribui pela JI 8 7 Câmara Municipal (24 parques infantis) TOTAL 22 21 e pelas Juntas de Freguesia e União de EB23 2 2 Freguesias (25 parques infantis). A Tabela EB1 8 8 III apresenta a organização dos parques Agrupamento de Escolas infantis do Município de Coimbra, de Coimbra Sul JI 3 3 acordo com a entidade responsável. TOTAL 13 13 Até ao presente momento realiza- EB23 1 1 ram-se 141 visitas a escolas, incluindo a Agrupamento de Escolas EB1 4 4 totalidade dos estabelecimentos escola- Eugénio de Castro JI 2 2 res da rede pública e alguns estabeleci- TOTAL 7 7 mentos de ensino básico e secundário EB23 1 1 privado e cooperativo, bem como cre- ches e jardins-de-infância da rede priva- Agrupamento de Escolas EB1 6 6 da e solidária do Município de Coimbra. Martim de Freitas JI 2 2 Visitaram-se, ainda, os 15 parques e jar- TOTAL 9 9 dins públicos e 49 parques infantis per- EB23 1 1 tencentes ao Município de Coimbra. Os Agrupamento de Escolas EB1 15 14 principais resultados observados encon- Rainha Santa Isabel JI 10 8 tram-se descritos seguidamente. TOTAL 26 23 • Identificaram-se cerca de 120-125 espécies de plantas consideradas perigo- sas, especialmente para as crianças, quer por ingestão, quer por contacto. Apesar de algumas pertencerem a classes de toxicidade1 baixas, destacam-se diversas espé- cies – apresentadas na Tabela IV – pertencentes a classes de toxicidade mais elevadas, incluindo algumas que podem ser mortais, quando ingeridas em pequenas quantidades, quer em escolas, quer em parques, jardins e parques infantis. Alguns exemplos de plan- tas cultivadas como ornamentais de toxicidade muito elevada encontradas em escolas, parques e jardins ou parques infantis são a trombeteira (Brugmansia sp.), o loendro (Ne- rium oleander L.) ou o teixo (Taxus baccata L.) (Figura 2a-d). Por sua vez, também foram encontradas espécies espontâneas, como o jarro-dos-campos (Arum italicum Mill.) (Fi- gura 2e) ou subespontâneas, como a figueira-do-inferno (Datura stramonium L.) (Figura 2f), muito venenosas. • Com excepção de uma Escola Básica do 1º Ciclo, em todos os outros esta- belecimentos de ensino visitados estão presentes espécies vegetais tóxicas, incluindo quer plantas de interior quer de exterior. Embora, em algumas situações, as plantas encontradas não sejam da responsabilidade das instituições (casos em que a vegetação externa, normalmente pertencente a vizinhos, penetra no espaço das escolas (Figura 3a), ficando ao acesso das crianças), na maioria das vezes, as plantas pertencem às próprias escolas, estando cultivadas como ornamentais nos espaços exteriores (Figura 3b) ou em vasos colocados dentro das instalações (Figura 3c). Foram também encon- tradas algumas espécies da flora portuguesa e exóticas, crescendo espontaneamente nas zonas exteriores das escolas, nomeadamente em zonas menos intervencionadas

1. A Organização Mundial de Saúde reconhece 4 classes de toxicidade, de acordo com a

dose letal mediana (LD50) em ratos de cada toxina: Ia: extremamente perigosa (LD50 = <5mg toxina/kg peso corporal); Ib: altamente perigosa (LD50 = 5-50 mg toxina/kg peso corporal); II: moderadamente perigosa (LD50 = 50-500 mg toxina/kg peso corporal) e, III: levemente perigosa (LD50 = >500 mg toxina/kg peso corporal) (WINK & VAN WYK, 2008). Bol. R. Soc. Esp. Hist. Nat., 112, 2018 -41- Perpétuo, N.C., Campos, M.G., Trincão, P.R. & Coutinho, A.P. (Figura 3d). Em algumas escolas as plan- Tabela III. Distribuição dos parques infantis do Município de Coim- tas perigosas identificadas não estão ao bra pelas entidades responsáveis (Câmara Municipal, Juntas de alcance das crianças, encontrando-se em Freguesia e União de Freguesias). varandas, pátios ou zonas exteriores a Entidade responsável pelos parques infantis Total que as crianças não têm acesso ou em locais altos, como parapeitos, estantes Câmara Municipal de Coimbra 24 ou armários, no interior das instalações Freguesia de Almalaguês 1 (Figura 3e). No entanto, na maioria das Freguesia de 1 vezes, estas estão facilmente ao acesso das crianças: em vasos no chão, em can- Freguesia de 2 teiros e jardins exteriores da escola, a Freguesia de 1 circundar os muros e gradeamentos, etc. União de Freguesias de (Figura 3f). Antanhol e 3 • À semelhança das escolas, também União de Freguesias de se identificaram espécies de plantas e 1 tóxicas em todos os parques e jardins do União de Freguesias de Município de Coimbra. A maioria delas Juntas de , e 2 está cultivada como ornamental (Figura Freguesia ou União de Freguesias de Botão e 1 4a), mas existem também casos de espé- União de cies que crescem de forma espontânea Freguesias União de Freguesias de Coimbra 1 ou subespontânea nestes espaços ver- União de Freguesias de Ribeira de 4 des (Figura 4b). Esta situação é bastante Frades e S. Martinho do Bispo problemática porque os jardins, parques União de Freguesias de S. Martinho 2 e espaços verdes urbanos são muito de Árvore e frequentados por famílias com crianças União de Freguesias de S. 2 (sendo particularmente perigoso para Paulo de Frades e as mais pequenas) e por pessoas que União de Freguesias de Santa passeiam os seus animais de estimação Clara e Castelo de Viegas 3 (especialmente cães). Visitaram-se, ainda, União de Freguesias de Torre 49 parques infantis, tendo-se verificado de Vilela e 1 que, no interior de 12 parques infantis não existem plantas (nem ornamentais cultivadas, nem a crescer de forma espontânea ou subespontânea) e nos restantes 37 existem plantas. Relativamente aos parques infantis que não apresentam plantas no seu interior, importa referir que, em 8 deles, se constatou a presença de plantas tóxicas na sua zona envolvente. No que concerne aos parques infantis que possuem plantas no seu interior, podem agrupar-se da seguinte forma: 1) 13 que apresentam plantas orna- mentais tóxicas cultivadas no seu interior; 2) 3 que contêm plantas tóxicas a crescer

Tabela IV. . Distribuição dos géneros de plantas perigosas identificadas em escolas, parques, jardins e parque infantis de Coimbra, de acordo com a classe de toxicidade (segundo a OMS) a que pertencem (baseado em Wink & Van Wyk, 2008).

Classe Ia Classe Ib Classe Ib-II Classe II Arum Aglaonema Euphorbia* Catharanthus Albizia Echium Papaver Brugmansia* Amaryllis Ipomoea Cestrum Alocasia* Fatsia Phytolacca Daphne Buxus Lactuca* Clivia Anagallis Hedera Punica Datura Chamaecyparis Melia Epipremnum Anthurium* Heliotropium Rhamnus Maclura Chenopodium Oenanthe Ilex Begonia* Hydrangea Schefflera Nerium Codiaeum Platycladus Lupinus Berberis* Jacobaea Schinus* Taxus Crinum Pteridium Prunus Catalpa Lantana Senecio* Dieffenbachia Robinia* Rhododendron Chaenomeles Lathyrus Sesbania Ecballium Spartium Ruta* Colocasia Ligustrum* Sorghum Eriobotrya Spathiphyllum* Solanum* Cycas Mahonia Ulex Euonymus Thuja* Cyclamen Monstera Vinca Cytisus Myoporum Wisteria * Géneros que apresentam mais do que uma espécie.

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espontânea e subespontaneamente no seu interior; 3) 6 que possuem, simultaneamen- te, espécies ornamentais tóxicas e plantas tóxicas a crescer de forma espontânea; 4) 5 que exibem plantas no seu interior mas, no entanto, estas não apresentam toxicidade e, consequentemente, não representam um perigo para as crianças que os frequentam e, 5) 10 cuja presença de plantas veneno- sas resulta da interpenetração de vegetação exterior (incluindo espécies ornamentais cultivadas e/ou plantas de surgimento es- pontâneo ou subespontâneo). 3.2. Promoção da literacia científica e com- preensão pública sobre as plantas veneno- sas e seus riscos

No que diz respeito às acções de educação científica e promoção da com- preensão pública sobre a temática das plantas tóxicas implementadas, destacam- se as conversas e passeios de ciência, em ambientes informais “Convivendo com o Ini- migo: as Plantas Tóxicas em Coimbra” (Per- pétuo & Coutinho, 2015), no Exploratório Figura 2. Exemplos de plantas pertencentes a classes de toxicida- – Centro Ciência Viva de Coimbra (Figura de muito elevada encontradas em escolas, parques, jardins e 5a); “Plantas Assassinas” (Perpétuo & Cou- parques infantis do Município de Coimbra: a) Brugmansia sp. tinho, 2016), na Praia de Mira (Figura 5b) (jardim); b) Nerium oleander L. (escola); c) Nerium oleander L. e “Plantas Tóxicas” (Perpétuo & Coutinho, (parque); d) Taxus baccata L. (jardim); e) Arum italicum Mill. 2018), no Departamento de Ciências da (parque) e, f) Datura stramonium L. (escola). Vida da Universidade de Coimbra, assim como a participação na Noite Europeia dos Investigadores 2016 (30.09.2016) e 2017 (29.09.2017), no Jardim Botânico da Uni- versidade de Coimbra. Em todas estas acti- vidades se verificou que, apesar das pessoas reconhecerem claramente a maioria destas plantas do seu quotidiano, desconhecem a sua toxicidade e, consequentemente, a sua verdadeira perigosidade. Estes dados vêm reforçar o que já tinha sido verifica- do, quer em acções desenvolvidas antes do início deste projecto (Campos & Per- pétuo, 2013; Perpétuo & Coutinho, 2013), quer durante a apresentação do mesmo em Congressos e Encontros Científicos como o SciComPT2016 (Perpétuo et al., 2016a) e SciComPT2017 (Perpétuo et al., 2017b), Sinergias em Saúde 2016 (Perpétuo et al., 2016b), 3º Congresso Nacional Conversas de Psicologia | 2ª Conferência Internacional do En- velhecimento Ativo (Perpétuo et al., 2016c) e III Encontro em Ensino e Divulgação das Ciên- cias (Perpétuo et al., 2017a), assim como no decurso da XXII Bienal da Real Sociedade Espanhola de Historia Natural. À semelhança das pessoas com quem temos contactado no decurso deste tra- Figura 3. Exemplos de plantas tóxicas encontradas em escolas: balho ao nível das escolas e jardins-de-in- a) Hedera sp.; b) Lantana camara L.; c) Spathiphyllum wallisii fância (incluindo professores, educadores e Regel.; d) Daphne gnidium L.; e) Monstera deliciosa Liebm. e, outros funcionários), também o público que f) Euonymus japonicus Thunb. tem assistido às acções de educação cien-

Bol. R. Soc. Esp. Hist. Nat., 112, 2018 -43- Perpétuo, N.C., Campos, M.G., Trincão, P.R. & Coutinho, A.P. tífica e promoção da compreensão pública sobre as plantas tóxicas que temos realizado (com especial desta- que para famílias, incluindo crianças e adultos) têm manifestado um grande interesse por esta temática. Além da sua participação activa durante o de- senvolvimento das actividades, têm afirmado a sua intenção de aprender mais sobre a área das plantas veneno- sas e seus riscos. Figura 4. Exemplos de plantas tóxicas encontradas em parques e jardins: a) Robinia pseudoacacia L., cultivada como ornamental; b) Ipomoea 4. Discussão e Conclusões indica (Burm.) Merr., de surgimento subespontâneo. Este trabalho tem vindo a refor- çar a situação, descrita na bibliografia, de que vivemos num meio repleto de plantas perigosas. São frequentemente encontradas espécies tóxicas tanto em escolas, parques, jardins, parques infan- tis e outros espaços verdes públicos; como nas habitações (incluindo espé- cies de interior e de exterior) e locais de trabalho (ex.: escritórios, consultó- rios) e lazer (ex.: centros comerciais, parques infantis). Ao longo da primeira fase con- Figura 5. Exemplos de acções de educação científica e promoção da firmaram-se as situações referidas an- compreensão pública sobre a temática das plantas tóxicas. a) Pas- teriormente de uma forma qualitativa seio de ciência no Parque Dr. Manuel de Braga (Parque da Cida- e quantitativa, tendo-se identificado de) e b) Conversa de ciência na praia de Mira. mais de 100 espécies de plantas po- tencialmente perigosas devido à sua toxicidade (nomeadamente para as crianças, um dos principais grupos de risco a en- venenamentos vegetais), tanto em escolas (públicas e privadas), como em parques, jar- dins, parques infantis e outros espaços verdes do Município de Coimbra. Algumas das espécies tóxicas encontradas apresentam um risco muito elevado de envenenamento, quando ingeridas em pequenas quantidades, podendo resultar em intoxicações muito graves, ou mesmo fatais. Apesar desta exposição diária, existe uma grande lacuna de conhecimento acerca destas espécies e dos riscos que representam para a saúde, nomeadamente no caso das crianças. Verificou-se também que, apesar das pessoas conhecerem estas plantas do seu quotidiano (reconhecem clara e frequentemente que coabitam com elas em casa e/ou locais de trabalho e lazer), desconhecem que são potencialmente perigosas e que, em alguns casos, podem ler letais. Dada a distribuição cosmopolita das plantas venenosas, considera-se que o conhe- cimento científico na área da botânica necessita de maior divulgação junto da socieda- de. Sendo o reconhecimento dos riscos sociais e a identificação das espécies tóxicas do nosso quotidiano urgente, a importância de alertar os cidadãos para esta questão, através de iniciativas de comunicação de ciência, sobretudo, em contexto urbano onde o conhecimento empírico sobre estas plantas é mais limitado, é inegável. Neste sentido, todas as intervenções realizadas foram muito bem aceites pelos grupos-alvo. Consideramos que o presente trabalho irá, certamente, contribuir para diminuir os acidentes causados pelo uso indevido destas plantas, especialmente ao nível pediá- trico.

Agradecimentos

Este trabalho foi desenvolvido no âmbito da Bolsa de Doutoramento SFRH/ BD/109412/2015, atribuída pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, através de fi- nanciamento comparticipado pelo Fundo Social Europeu e por Fundos Nacionais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

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