PROJETO PLANALTO POÇOS DE CALDAS Pesquisa Câncer e Radiação Natural volume I

MINAS GERAIS – BRASIL 2004 a 2009

SECRETARIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA EM SÁUDE Coordenação Geral da Vigilância em Saúde

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER Coordenação de Prevenção e Vigilância

SECRETARIA DE Estado DE SAÚDE DE Subsecretaria de Vigilância em Saúde

COMISSÃO NACIONAL DE ENERGIA NUCLEAR Laboratório de Poços de Caldas O presente projeto foi financiado pelo Projeto de Estruturação do Sistema Estadual de Vigilância em Saúde – VIGISUS II, para a realização da Pesquisa Radiação e Câncer, elaborada pela coordenação do Programa de Avaliação e Vigilância do Câncer e seus fatores de risco de Minas Gerais e instituições parceiras. Essa publicação conclui a meta 4.1 do Planvigi estadual: Validação dos óbitos por câncer e Radiação Natural no Planalto Poços de Caldas. Contou também com apoio financeiro das instituições parceiras em suas atividades técnicas de rotina em face da pesquisa e que muito contribuíram para o seu êxito.

FICHA CATALOGRÁFICA

Minas Gerais. Secretaria de Estado de Saúde. M663p Projeto Planalto de Poços de Caldas. Pesquisa câncer e radiação natural: Minas Gerais- Brasil: 2004 a 2009 / Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. – : SES- MG, 2009. xx, 96 p. ; il. Color. ; 30 cm. + mapas. [v. I]

1. Neoplasias. 2. Neoplasias, Radiação natural. 3. Radiação natural, fator de risco para o câncer. 4. Programa de Avaliação e Vigilância do Câncer e seus Fatores de Risco-PAV-MG. I. Título. II. Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais.

NLM : QZ 266 CDD : 614. 599 9

Tiragem: 2.000 exemplares É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que a fonte seja citada.

Esta publicação é uma produção da Superintendência de Epidemiologia da Subsecretaria de Vigilância em Saúde da SES/MG, com recursos dos Rendimentos do Convênio INCA/MS/SES-MG nº 199/02 – Prevenção e Controle do Câncer – Minas Gerais – Ações de Vigilância. GOVERNO DO Estado DE MINAS GERAIS

GOVERNADOR Aécio Neves da Cunha

SECRETÁRIO DE Estado DE SAÚDE DO Estado DE MINAS GERAIS Marcus Vinícius Caetano Pestana da Silva

SUBSECRETÁRIO DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE Luiz Felipe Almeida Caram Guimarães

SUPERINTENDENTE DE EPIDEMIOLOGIA Francisco Leopoldo Lemos

COORDENADORA ESTADUAL DO PROJETO VIGISUS Norma Sônia Fernandes Dias

GERENTE DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA Jandira Aparecida Campos Lemos

PROGRAMA DE AVALIAÇÃO E VIGILÂNCIA DO CÂNCER E FATORES DE RISCO Berenice Navarro Antoniazzi

GERENTE REGIONAL DE SAÚDE DE Gilberto Carvalho Teixeira

SECRETÁRIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE Elvira Maria Marcon Gessoni

SECRETÁRIO MUNICIPAL DE SAÚDE DE CALDAS Mauricio José Silva Garcia

SECRETÁRIO MUNICIPAL DE SAÚDE DE IBITIÚRA DE MINAS Agenor Benedito Sales

SECRETÁRIO MUNICIPAL DE SAÚDE DE POÇOS DE CALDAS José Júlio Balducci

SECRETÁRIO MUNICIPAL DE SAÚDE DE Antonio Carlos Garcia de Carvalho INSTITUIÇÕES parceiras

MINISTÉRIO DA SAÚDE

MINISTRO José Gomes Temporão

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER

DIRETOR-GERAL Luiz Antonio Santini Rodrigues da Silva

COORDENADOR DE PREVENÇÃO E VIGILÂNCIA Claúdio Pompeiano Noronha

ÁREA DO CÂNCER OCUPACIONAL E AMBIENTAL Silvana Rubano Barreto Turci

SECRETARIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE

SECRETÁRIO Gerson de Oliveira Penna

DIRETOR DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE AMBIENTAL E DO TRABALHO Guilherme Franco Netto

COORDENADORA GERAL DA VIGILÂNCIA EM SAÚDE Daniela Buosi

MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA

MINISTRO Sergio Machado Resende

PRESIDENTE DA COMISSÃO NACIONAL DE ENERGIA NUCLEAR Odair Dias Gonçalves

DIRETOR DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO Marcos Nogueira Martins

COORDENADOR DO LABORATÓRIO POÇOS DE CALDAS DA COMISSÃO NACIONAL DE ENERGIA NUCLEAR Antonio Luiz Quinelato COMISSÃO COORDENADORA INTERINSTITUCIONAL

SUBSECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE DE MINAS GERAIS – PAV/SVS/SES/MG Berenice Navarro Antoniazzi

COORDENAÇÃO DE PREVENÇÃO E VIGILÂNCIA DO INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER – CONPREV/INCA Ubirani Barros Otero

COORDENAÇÃO GERAL DA VIGILÂNCIA EM SAÚDE AMBIENTAL DO MINISTÉRIO DA SAÚDE – CGVAM/SVS/MS Tarcísio Neves da Cunha (2005-2008) e consultor (2009)

LABORATÓRIO POÇOS DE CALDAS DA COMISSÃO NACIONAL DE ENERGIA NUCLEAR – LAPOC/CNEN Moacir Cipriani (2005-2008) Nivaldo Carlos da Silva (2009) Prefácio

A situação da população residente nos municípios sob influência da paleocaldeira vulcânica de Poços de Caldas é de especial interesse para a Vigilância em Saúde relacionada a fatores físicos, porquanto apresenta um quadro rico para estudos que acrescentem conhecimentos sobre a exposição de longa duração à radioatividade natural em regiões dotadas de anomalias geológicas com alta concentração de minerais radioativos.

Esse conhecimento adquirido, ao ser aplicado pela Vigilância em Saúde, age em duas frentes principais, a saber, na elaboração das políticas públicas adequadas à monitoração e à defesa da saúde da população e na criação e fortalecimento de um canal permanente de comunicação com aquela população que opere nos dois sentidos: o de informar, mas também o de ouvir para permitir aos diversos atores uma interação construtiva.

O Brasil envereda pela vida do fortalecimento da capacidade nacional para produzir combustíveis nucleares para consumo próprio e para exportação e também para produção de energia a partir de energia nuclear. Além disso, fortalece sua base de pesquisa e produção autônoma de radiofármacos e outros compostos radioemissores para aplicações em agricultura, indústria, conservação de alimentos e outros. Não é admissível que a Vigilância em Saúde fique à margem desse processo, deixando de prestar à sociedade o valioso serviço de proteção de sua saúde contra possíveis efeitos decorrentes da exposição à radioatividade.

O Projeto apresentado neste volume é, como não poderia ser diferente, um esforço multidisciplinar e intersetorial, como resposta aos desafios apresentados, e serve de modelo a ser replicado nas diversas situações em que impõe a necessidade de monitorar as condições de exposição de populações à radioatividade.

Gerson de Oliveira Penna SECRETÁRIO NACIONAL DE VIGILÂNCIA EM SÁUDE

VI Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 Em 2009, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimou a ocorrência de 466 mil novos casos de câncer, que é a segunda causa de morte no Brasil, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares. Entender a contribuição de diferentes fatores de risco para cada neoplasia tem sido um desafio constante para gestores e pesquisadores da área da saúde.

Cada vez mais as questões ambientais e ocupacionais vêm merecendo destaque na causalidade do câncer. Neste sentido, foi criada no INCA, em 2004, a Área de Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho e ao Ambiente, que tem atuado na elaboração e na execução de estudos que visam ao desenvolvimento de modelos de vigilância para que haja redução da morbidade e da mortalidade decorrentes da exposição a agentes cancerígenos presentes nas atividades laborais e no ambiente.

O Projeto Planalto de Poços de Caldas, realizado entre a Área de Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho e ao Ambiente do Instituto Nacional de Câncer, o Programa de Avaliação e Vigilância do Câncer e seus Fatores de Risco da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais e o Laboratório de Poços de Caldas da Comissão Nacional de Energia Nuclear, com o apoio da Coordenação Geral da Vigilância Ambiental da Secretaria de Vigilância em Saúde e das cinco secretarias municipais de saúde da região estadual pesquisada, demonstra sobremaneira a força que a integração interinstitucional pode realizar em face dos complexos desafios relacionados aos fatores ambientais.

Esta publicação representa um marco na investigação da radiação natural como fator de risco para câncer porque apresenta resultados elaborados a partir da análise dos resultados de várias etapas e que incluem cálculo da razão de mortalidade proporcional, a aplicação da matriz de Corvalan – que avaliou a percepção sobre o risco que a população tem por viver em área com níveis aumentados de radiação - e das medidas de radiação feitas no solo. Estudos semelhantes foram feitos apenas na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Índia, na China e no Irã.

No Brasil, esses resultados apontam para a necessidade de implantação de um modelo permanente de vigilância do câncer e da exposição à radiação natural que possa ser replicado em outras regiões brasileiras com características semelhantes. Desta forma, esperamos contribuir na compreensão desses fatores e na implementação de ações que visem à prevenção e ao controle do câncer em brasileiros.

Luiz Antonio Santini Rodrigues da Silva DIRETOR-GERAL DO INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 VII O Estado de Minas Gerais abriga em seu solo e subsolo imensa riqueza há muito explorada, mas nem sempre em benefício do povo mineiro e do povo brasileiro. Essa realidade tem claramente mudado para melhor na medida em que novas políticas públicas são formuladas com base em ideias esclarecidas, ações objetivas e perseverança.

A primeira mina de urânio do Brasil operou na região do Planalto de Poços de Caldas no Estado de Minas Gerais. Como atividade de competência exclusiva da União por força da Constituição Federal, a lavra e a extração de materiais radioativos daquela região foi empreendida sob o comando federal. Entretanto, as muitas implicações de uma exploração daquele tipo e daquele porte transcendem a esfera da engenharia civil e impactam sobre setores da sociedade local que passam a exigir contrapartidas que são de responsabilidade dos municípios e da Unidade da Federação que as abriga.

Não se absteve, pois, o Estado de Minas Gerais de suas responsabilidades, de modo que passou a entender a questão com a abrangência institucional que lhe é subjacente. Exemplo eloquente é o presente trabalho. Sob a coordenação da Secretaria de Estado de Saúde, foram unidos os esforços e as competências de instituições parceiras com a finalidade de investigar a relação entre a radioatividade natural em regiões ricas em minérios radioativos e a saúde das populações aí assentadas.

O trabalho até aqui desenvolvido é uma prova da capacidade das instituições de se unirem em torno de uma questão-chave e de oferecerem resposta competente à população. É também a consequência da determinação em vencer obstáculos e superar dificuldades por parte de servidores públicos cônscios da alta missão que lhes é confiada pelo povo a quem têm obrigação de servir com qualidade.

Luiz Felipe Almeida Caram Guimarães SUBSECRETÁRIO DA VIGILÂNCIA EM SÁUDE

VIII Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 O Planalto Poços de Caldas possui diversas anomalias radioativas mundialmente conhecidas, sendo que uma delas, o Morro do Ferro, apresenta umas das mais elevadas taxas de dose externa natural do mundo. Está localizada nesse planalto também a primeira mineração de urânio em escala comercial realizada no País e que, neste momento, encontra-se em processo de fechamento. Desta forma, a discussão sobre as radiações, os seus usos e os seus efeitos sobre a saúde humana sempre estiveram presentes na nossa região.

Destaca-se que a ausência de estudos conclusivos acerca de correlações entre agravos à saúde e fatores de riscos ambientais, incluindo a radiação natural, permitiu que o imaginário popular criasse diversos mitos, atribuindo valores elevados de dose a determinadas localizações dentro das cidades, assim como aos efeitos da radiação a ocorrência de diversas enfermidades. Dizia o nosso querido companheiro Moacir Cipriani, que foi o mentor e grande estimulador deste projeto: “Em algumas situações envolvendo riscos, as populações, fortemente influenciadas pelas informações obtidas e pelo imaginário social, constroem coletivamente suas próprias percepções, podendo ter pontos de vista que legitimamente diferem daqueles dos responsáveis diretos pela produção desses riscos, assim como dos órgãos governamentais reguladores dessas atividades”.

Atuando como o representante regional da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), o Laboratório de Poços de Caldas recebe constantemente solicitações dos poderes públicos municipais e estadual, da sociedade civil organizada e da população em geral acerca dos níveis de radiação a que a população do planalto está sujeita e de seus efeitos sobre a saúde humana. A nossa participação neste projeto tem como primeiro objetivo dar respostas a essas perguntas utilizando uma abordagem multidisciplinar e interinstitucional, envolvendo instituições da área de ciência e tecnologia e de saúde, das esferas federal, estadual e municipal.

Para nós, o maior legado deste projeto é o modelo de vigilância de saúde aqui desenvolvido, que, integrando diversas instituições, possibilitou uma visão mais ampla do tema tratado, que poderá ser utilizado em outras regiões do País que apresentem radiação natural similar àquela do Planalto Poços de Caldas. Outro grande legado para as cidades da região é o estabelecimento do Registro de Câncer de Base Populacional, sem o qual qualquer investigação sobre o tema chega a resultado pouco conclusivo.

A lição aqui aprendida demonstra que, para o esclarecimento do público, é necessário que os diversos atores envolvidos nesse contexto possam atuar e expressar os seus pontos de vista, levando as conclusões que sejam aceitas por todos. Essa experiência ocorre em um momento oportuno, dado a retomada do Programa Nuclear Brasileiro, que inevitavelmente irá demandar grandes discussões com a sociedade.

Antonio Luiz Quinelato COORDENADOR DO LABORATÓRIO POÇOS DE CALDAS COMISSÃO NACIONAL DE ENERGIA NUCLEAR

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 IX

IN MEMORIAM

“A percepção dos indivíduos e grupos sobre problemas que ameaçam o bem estar da humanidade nem sempre é homogênea. Em algumas situações a população pode ter pontos de vista que legitimamente diferem daqueles dos responsáveis diretos pela produção dos riscos bem como de órgãos governamentais reguladores dessas atividades. Hoje os governos e os cidadãos estão geralmente melhor e mais rapidamente informados. Porém, como nem sempre se consegue ter controle de qualidade sobre o fluxo de informações, algumas delas podem ser incompletas ou mesmo erradas. Com o crescimento da competição para se obter a atenção do público, certos setores da mídia e determinados grupos de interesse têm, às vezes, sucumbido à tentação de adotar uma abordagem sensacionalista. Os temores nem sempre estão associados a acontecimentos reais. Mudam constantemente e evoluem da mesma forma que a dinâmica da opinião pública. As condições que mais influenciam na percepção de risco são o medo, a insegurança, o desconhecimento. Portanto, os riscos que matam não são necessariamente aqueles que mais aborrecem ou amedrontam.

O Planalto Poços de Caldas é mundialmente conhecido pela sua radioatividade elevada e a ocorrência de minério nuclear. A existência das jazidas do Campo de Cercado (urânio) e Morro do Ferro(tório), além de outras menores espalhadas pela região, influencia o imaginário da sociedade local. A convivência da população com a realidade geológica de sua região mudou em função das mudanças políticas nos últimos 60-70 anos (1950-2005) variando da euforia ao medo. Os fatos demonstram que a população tem medo da radiação e associa a ela elevado número de cânceres na região, de ser frequente o uso político do medo da população, que a empresa produtora e os órgãos reguladores não souberam lidar com o problema e que há o descrédito da população para as avaliações oficiais de segurança. Considerando a necessidade de se obter informações científicas, tecnicamente seguras e eticamente confiáveis sobre os efeitos da radiação na saúde da população e no meio ambiente da região, foi realizada uma cooperação técnica interinstitucional para atender a abrangência e as especificidades dos temas saúde, câncer e radioatividade.”

Texto extraído da pesquisa científica “Percepção de Riscos e de Impactos Sócio-Econômicos da Radioatividade, 2002-2003” – Fapemig/ PUC Minas- Poços de Caldas, em parceria com o Laboratório da Comissão Nacional de Energia Nuclear, que teve na equipe de pesquisadores.

MOACIR CIPRIANI O doutor Moacir Cipriani foi membro da comissão coordenadora do Projeto Planalto Poços de Caldas (2005-2008), como representante do Laboratório de Poços de Caldas – Comissão Nacional de Energia Nuclear. Possuidor de um vasto e profundo conhecimento na área de radiação, realizou importante contribuição na implantação e no desenvolvimento do presente projeto, sendo também seu grande incentivador, por ser antes de tudo morador e admirador dessa cidade. Na sua visão de mestre, acreditava na necessária reprodutibilidade da varredura das medições em outras regiões brasileiras igualmente expostas à radiação natural elevada. Mediante problemas inevitáveis que surgem em um trabalho desse porte, sempre dizia “só sei que tenho pressa”, e eram obrigatórias coragem e solução... e assim tem sido. Nosso agradecimento e eterna homenagem dos seus colegas da comissão coordenadora Berenice Navarro Antoniazzi, Nivaldo Carlos da Silva, Tarcísio Neves da Cunha e Ubirani Barros Otero.

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 XI Doutor Moacir Cipriani

Equipe da publicação (esquerda para direita): Ubirani Barros Otero, Nivaldo Carlos da Silva, Berenice Navarro Antoniazzi, Davidysson Abreu Alvarenga e Tarcísio Neves da Cunha.

XII Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 ELABORAÇÃO Berenice Navarro Antoniazzi Davidysson Abreu Alvarenga Nivaldo Carlos da Silva Tarcísio Neves da Cunha Ubirani Barros Otero COLABORADORES Antonio Luiz Quinelato Heber Luiz Caponi Alberti Renato Azeredo Teixeira Silvana Rubano Barreto Turci Thays Aparecida Leão D’Alessandro MEDIÇÃO DA RADIAÇÃO IONIZANTE NATURAL Laboratório de Poços de Caldas – Comissão Nacional de Energia Nuclear Eder Tadeu Zenun Guerrero Dinarte Ferreira Mendes Moacir Cipriani Nivaldo Carlos da Silva Subsecretaria de Vigilância em Saúde – Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais Carla Souto Garcia Davidysson Abreu Alvarenga Milton dos Santos VALIDAÇÃO DOS ÓBITOS por cÂncer Programa de Avaliação e Vigilância do Câncer e Fatores de Risco – Minas Gerais Coleta de Dados Karina Elizabeth Evangelista Angela Maria do Amparo Davidysson Abreu Alvarenga Cristiane Leal Costa Nivia Rodrigues Alves de Oliveira Raquel Paranhos Nogueira Thays Aparecida Leão D’Alessandro Organização e Digitação dos Questionários da Pesquisa Renato Azeredo Teixeira Paula Bispo Vieira Médica Radioterapeuta Analista dos Exames de Diagnóstico Maria Cristina Viegas Cançado

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 XIII AGRADECIMENTOS

A todos que colaboraram direta ou indiretamente. Em especial:

SECRETARIAS MUNICIPAIS DE SAÚDE DE MINAS GERAIS DE Andradas Caldas Ibitiúra de Minas Poços de Caldas Santa Rita de Caldas

LABORATÓRIO DE ANATOMIA PATOLÓGICA LAPACI – Poços de Caldas

HOSPITAIS DE MINAS GERAIS Hospital Bom Pastor – Hospital da Unimed – Poços de Caldas Hospital das Clínicas da UFMG – Belo Horizonte Hospital e Maternidade Pronto Socorro Santa Lúcia – Poços de Caldas Hospital Pedro Sanches – Poços de Caldas Santa Casa de Misericórdia de Andradas Santa Casa de Misericórdia de Caldas Santa Casa de Misericórdia de Poços de Caldas

PROFISSIONAIS Adinei Pereira de Morais Ivani Negrini da Costa Carvalho Rafael José FurlanRavita Adriana Maria da Silva Costa Jandira Maciel da Silva Nigua da Paz Nascimento Aline Lopes Loures João Carlos da Silva Monteiro Regina Silva Molina Amauri Motta Jose Flávio Macacini Renata de Cassia Cassiano Assad Aun Netto Julia Francisca Guimarães de Moraes Resk Frayha Augusto Celso Amoedo Júnior Juliana Wotzasek Rulli Villardi Roberta Lopes Ferraz Bruna Carvalho Kelli de Freitas Machado Romeu José Nacarato Bruno dos Santos de Almeida Mariano Lene Holanda Sadler Veiga Rosa Maria Pereira Cláudio Pompeiano Noronha Lucas Neto Barbosa Rosemeire Pereira Garcia Cristiana Ferreira Jardim de Miranda Marcelo Moreno dos Reis Sandra Braga Grilo Dayse Carneiro Elian Márcio Ribeiro do Valle Salete Maria Novais Diniz Débora Lemos Marcos Eduardo de Andrade Sebastião Navarro Vieira Filho Dorivalda Alves de Lima Maria José da Ré Selma Donizeti Silverio Ramos Edson Avella Maria Helena Tirollo Taddei Soraia Mariano Perez Eduardo Mendonça Maria Lúcia Ferroni Tânia Cristina Vasconcellos Duarte Prado Elis de Oliveira Lima Filho Mário Roberto de Paiva Ferreira Thais Negrão Fátima Regina Silva de Souza Mário Tarcísio de Faria Uilerson de Oliveira Barboza Fátima Sueli Neto Ribeiro Marise Souto Rebelo Valéria de Melo Rodrigues Oliveira Flávia da Silva Franco Marta Raquel Logato Vanderlei Mauro da Silva Júnior Gulnar Azevedo e Silva Moema Miranda Siqueira Victor Augusto Cardillo Helena Maria Barbosa Nilo Persio Paro Yula Merola Horst Fernandes Odete Maria Gonçalves dos Santos

XIV Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 APRESENTAÇÃO

O presente estudo nasceu da necessidade de dar resposta à população do Planalto Poços de Caldas sobre sua preocupação relacionada com a possível influência das condições ambientais da região sobre a saúde humana. A partir dessa necessidade, um projeto foi elaborado para atender aos diversos interesses técnicos e da população. A formação de uma equipe interinstitucional e multidisciplinar foi uma estratégia de fundamental importância para atender aos vários aspectos dos temas saúde, câncer e radioatividade. Essa integração permitiu que todo o processo fosse acompanhado passo a passo, visando à transparência e à confiabilidade dos dados.

Nesse documento são apresentados os resultados alcançados entre 2004 a 2009, que foram didaticamente divididos em três partes. A Parte I descreve o histórico do projeto, o modelo de vigilância em saúde proposto para populações expostas à radiação natural elevada e os resultados preliminares. Na Parte II encontra-se a revisão de literatura nos vários aspectos da radiação natural, o objetivo do estudo, o território de abrangência, a metodologia, as análises e os resultados das medições da radiação ionizante natural externa gama terrestre. As considerações finais e recomendações são realizadas na Parte III. Os mapas das medições de radiação natural gama terrestre encontram-se no Apêndice.

A persistência na busca por dados seguros, éticos e confiáveis teve como propósito fornecer o embasamento técnico e científico para uma melhor interação humana com o ambiente natural e dar subsídios para o planejamento das ações de saúde e segurança da população. Considerando que a informação é a melhor estratégia para promover uma vida mais saudável, a expectativa é que o conhecimento produzido promova novas posturas no estilo de vida e possa contribuir para uma convivência harmoniosa com a natureza.

Os resultados aqui apresentados não esgotam o assunto. A proposta é que outros aspectos aqui não contemplados sejam abordados em estudos complementares para um cenário mais abrangente e completo.

COMISSÃO COORDENADORA

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 XV

SUMÁRIO

PREFÁCIO ...... VI IN MEMORIAM ...... XI ELABORAÇÃO ...... XIII AGRADECIMENTOS ...... XIV APRESENTAÇÃO ...... XV

PARTE I – CONSIDERAÇÕES INICIAIS

1.1 Histórico ...... 3 1.2 Projeto Planalto Poços de Caldas ...... 5 1.3 Objetivo...... 5 1.4 A Iniciação ...... 6 1.5 Resultados Preliminares ...... 7 1.6 Vigilância do Câncer e seus Fatores de Risco ...... 14

PARTE II – MEDIÇÕES DA RADIAÇÃO NATURAL GAMA EXTERNA EM CINCO MUNICIPIOS DO PLANALTO POÇOS DE CALDAS – MINAS GERAIS – BRASIL

2.1 Introdução ...... 19 2.2 Geologia do Planalto Poços de Caldas ...... 21 2.3 Radiação Natural ...... 23 2.4 Radiação e Câncer ...... 29 2.5 Território de Abrangência do Estudo ...... 30 2.6 Materiais e Métodos ...... 36 2.7 Resultados e Discussão ...... 42 2.8 Resultados por Município ...... 46 2.9 Resultado do Planalto Poços de Caldas ...... 56

PARTE III – CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES

3.1 Considerações Finais...... 65 3.2 Principais Aspectos e Recomendações...... 67 3.3 Comunicação Gerencial dos Resultados...... 68

REFERÊNCIAS ...... 69

APÊNDICE ...... 75

ANEXOS ...... 83

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 XVII LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Estudo de Mortalidade por cânceres selecionados segundo municípios ...... 4 e localizações primárias consideradas como de alta e de altíssima prioridade em futuras investigações. Período: 1998 a 2002. Tabela 2 – Distribuição dos óbitos por cânceres selecionados, por município ...... 11 de residência e sexo, 1999 a 2005 Tabela 3 – Componentes da dose efetiva mundial com base populacional ...... 25 Tabela 4 – Classificação das áreas de radioatividade segundo a dose efetiva ...... 26 média da radiação natural gama terrestre Tabela 5 – Média das medições da radiação gama externa encontradas ...... 28 em estudos – Brasil. Tabela 6 – Número de habitantes e área territorial da malha viária (km²), ...... 36 total e por zonas urbana e rural, dos municípios selecionados – IBGE, ano 2000. Tabela 7 – Total de pontos de medição por município segundo zonas urbana e rural ...... 42 Tabela 8 – Medições da radiação ionizante natural externa gama externa ...... 44 segundo dose média aritmética e ponderada pela população (mSv/ano). Setembro (2002-2008) Projeto Planalto Poços de Caldas, MG. Tabela 9 – Estatísticas descritivas das medições em mSv/ano por município e zona ...... 45

XVIII Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1 – Fluxograma Projeto Planalto Poços de Caldas ...... 5 FIGURA 2 – Localização da área de estudo com destaque para a altitude ...... 22 e a ocorrência de radionuclideos na região. FIGURA 3 – Penetração das radiações ionizantes ...... 24 FIGURA 4 – Imagem de Satélite do Planalto Poços de Caldas ...... 30 FIGURA 5 – Conjunto instalado em um veículo de passeio: detector gama ...... 37 de alta sensibilidade acoplado a um GPS e a um microcomputador. FIGURA 6 – Distribuição percentual das doses anuais (mSv/ano) medidas ...... 43 FIGURA 7 – Boxplot da dose gama em Poços de Caldas, MG - em mSv/ano...... 46 FIGURA 8 – Histograma da dose gama na zona urbana de Poços de Caldas ...... 46 FIGURA 9 – Histograma da dose gama na zona rural de Poços de Caldas ...... 46 FIGURA 10 – Boxplot da dose gama em Andradas, MG - em mSv/ano ...... 48 FIGURA 11 – Histograma da dose gama na zona urbana de Andradas ...... 48 FIGURA 12 – Histograma da dose gama na Zona rural de Andradas ...... 48 FIGURA 13 – Boxplot da dose gama em Caldas, MG - em mSv/ano ...... 50 FIGURA 14 – Histograma da dose gama na zona urbana de Caldas ...... 50 FIGURA 15 – Histograma da dose gama na zona rural de Caldas ...... 50 FIGURA 16 – Boxplot da dose gama em Ibitiúra de Minas, MG - em mSv/ano ...... 52 FIGURA 17 – Histograma da dose gama na zona urbana de Ibitiúra de Minas ...... 52 FIGURA 18 – Histograma da dose dama na zona rural de Ibitiúra de Minas ...... 52 FIGURA 19 – Boxplot da dose gama em Santa Rita de Caldas, MG - em mSv/ano ...... 54 FIGURA 20 – Histograma da dose gama na zona urbana de Santa Rita de Caldas ...... 54 FIGURA 21 – Histograma da dose gama na zona rural de Santa Rita de Caldas ...... 54 FIGURA 22 – Número absoluto de medições de dose, segundo categorias ...... 57 de doses acima de 10 mSv/ano. FIGURA 23 – Dose gama externa – Áreas urbana e rural dos municípios ...... 58 FIGURA 24 – Dose gama externa nos municípios ...... 59

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 XIX LISTA DE MAPAS

Mapa 1 – Dose gama externa no município de Poços de Caldas ...... 47 Mapa 2 – Dose gama externa na zona urbana de Poços de Caldas ...... 47 Mapa 3 – Dose gama externa no município de Andradas ...... 49 Mapa 4 – Dose gama externa na zona urbana de Andradas ...... 49 Mapa 5 – Dose gama externa no município de Caldas ...... 51 Mapa 6 – Dose gama externa na zona urbana de Caldas ...... 51 Mapa 7 – Dose gama externa no município de Ibitiúra de Minas ...... 53 Mapa 8 – Dose gama externa na zona urbana de Ibitiúra de Minas ...... 53 Mapa 9 – Dose Gama Externa no Município de Santa Rita de Caldas ...... 55 Mapa 10 – Dose gama externa na zona urbana de Santa Rita de Caldas ...... 55 Mapa 11 – Densidade demográfica dos cinco municípios do ...... 77 Planalto Poços de Caldas por setores censitários – Minas Gerais Mapa 12 – Doses de radiação gama externa na malha viária ...... 78 dos cinco municípios do Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais Mapa 13 – Doses interpoladas de radiação gama externa na malha viária ...... 79 dos cinco municípios do Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais (por hectare) Mapa 14 – Doses máximas de radiação gama externa na malha viária ...... 80 dos cinco municípios do Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais (por hectare) Mapa 15 – Doses médias interpoladas de radiação gama externa ...... 81 segundo óbitos por câncer e municípios selecionados do Planalto Poços de Caldas Mapa 16 – Doses máximas interpoladas de radiação gama externa ...... 82 segundo óbitos por câncer e municípios selecionados do Planalto Poços de Caldas

XX Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 PARTE I – CONSIDERAÇÕES INICIAIS 2 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 1.1 Histórico

Em 1948 foi detectada radioatividade em minerais de zircônio no Planalto Poços de Caldas. No ano de 1959, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) iniciou uma usina para extração de urânio, encerrada em 1961. Foram descobertas as jazidas no Campo do Agostinho (urânio e molibdênio) em 1965 e a de urânio do Campo do Cercado (atual INB) em 1970, sendo abertas as primeiras galerias em 1974. Nesse mesmo ano foi criado o Laboratório de Poços de Caldas. Em 1982, iniciou-se a exploração comercial de urânio, e em 1995 ocorreu a paralisação da lavra.

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, o Instituto Nacional de Câncer e a Comissão Nacional de Energia Nuclear – Laboratório de Poços de Caldas, a partir das várias solicitações de investigação de aumento do número de casos de câncer em municípios da região sul de Minas Gerais, iniciaram os trabalhos em 2004, para maior esclarecimento sobre o problema. No caso específico dos municípios do Planalto Poços de Caldas, existia uma preocupação quanto a uma associação do suposto aumento na incidência de câncer com a exposição à radiação natural, pelo fato de a região ser mundialmente reconhecida como uma área de radiação natural elevada (CULLEN, 1975; PENNA FRANCA et al., 1965; PENNA FRANCA, 1977; AMARAL, 1992).

Pela inexistência de Registro de Câncer de Base Populacional nesses municípios, não foi possível identificar a incidência de câncer na população. Portanto, o estudo preliminar foi realizado com os dados disponíveis no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) (DATASUS, Ministério da Saúde), para avaliar a mortalidade por cânceres selecionados segundo o município de residência do óbito. A metodologia consistiu no cálculo da Razão de Mortalidade Padronizada (RMP) (Standardized Mortality Ratio – SMR), para cada município, que é a razão entre os óbitos observados e os óbitos esperados, sendo considerado excesso os valores acima de 100%, estatisticamente significativos. Para os cálculos utilizou-se como população padrão a do Estado de Minas Gerais por categoria de idade. Foi evidenciado um excesso de óbitos para algumas localizações primárias de câncer, cujos resultados foram apresentados em um fórum estadual realizado em 19/08/2005, em Belo Horizonte, e em 09 a 11/11/05, no I Fórum Regional em Poços de Caldas.

Em 2007, o estudo foi publicado com aplicação de uma metodologia de screening para avaliar a mortalidade por câncer. Dessa forma, os municípios de Andradas, Poços de Caldas e Pouso Alegre foram categorizados como de altíssima prioridade de investigação.

No I Fórum Regional de Poços de Caldas, foi realizado um importante trabalho com a comunidade, através da construção da Matriz proposta pela Organização Mundial de Saúde (OMS) – Forças Motrizes, Pressões, Estados, Exposições, Efeitos e Ações (FPEEEA), que é uma metodologia que vem sendo adotada no desenvolvimento da vigilância ambiental em saúde no Brasil (CASTRO et al., 2003). O público participante, formado por profissionais de saúde, representantes de associações e outros interessados da sociedade civil organizada, apontou como fatores de risco mais relevantes para o câncer na região os agrotóxicos e a radiação.

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 3 Tabela 1 Estudo de Mortalidade por cânceres selecionados segundo municípios e localizações primárias consideradas como de alta e de altíssima prioridade em futuras investigações. Período: 1998 a 2002.

Masculino Feminino Município/MG Causa de Óbito* RMP (IC95%) Causa de Óbito* RMP (IC95%) Observado Observado Alta Prioridade – RMP entre 100 e 200%** Andradas Todas as neoplasias 92 128 (102-155) - - - Todas as neoplasias 314 121 (107-134) Todas as neoplasias 298 127 (112-141) Poços de Caldas Pulmão 49 147 (106-188) - - - Tabela 1: Estudo de MortalidadeMama por cânceres51 selecionados,168 (122-213) segundo municípios- e - - localizaçõesPouso Alegre primáriasTodas consideradas as neoplasias como de 283alta e de altíssima157 (138-175) prioridadeTodas em asfuturas neoplasias 232 149 (130-168) investigações. Período: 1998 a 2002. Masculino Altíssima Prioridade – RMP acimaFeminino de 200%*** Município MG Causa de Óbito* RMP (IC95%) Causa de Óbito* RMP (IC95%) Observado Observado Andradas PulmãoAlta Prioridade – RMP entre16 100 e 200%**208 (106-310) Fígado 7 403 (104-701) AndradasPoços de CaldasTodas as neoplasiasLeucemia 92 128 (102-155)19 284- (156-412) - Leucemia- 17 211 (111-312) Todas as neoplasias 314 121 (107-134) Todas as neoplsias 298 127 (112-141) Poços dePouso Caldas Alegre Pulmão Leucemia49 147 (106-188)10 333- (127-540) - Hematológicos**- 13 257 (118-396) Mama 51 168 (122-213) - - - PousoFonte: Alegre Otero, AntoniazziTodas as et neoplasias al., 2007. 283 157 (138-175) Todas as neoplasias 232 149 (130-168) * Classificação Internacional de DoençasAltíssima – 10ª Prioridade revisão. ** – LinfomasRMP acima e Mielomasde 200%*** Andradas** Alta prioridade em futurasPulmão investigações: RMP16 entre208 100% (106 e- 310200%) (IC95%)Fígado 7 403 (104-701) Poços***Altíssima de Caldas prioridade Leucemia em futuras investigações:19 RMP284 maior (156 que-412) 200% (IC95%)Leucemia 17 211 (111-312) Pouso Alegre Leucemia 10 333 (127-540) Hematológicos** 13 257 (118-396) Fonte: Otero, Antoniazzi et al, 2007 (Cadernos de Saúde Pública; 23 Sup 4:S537-5548, 2007. )

* Classificação Internacional de Doenças – 10ª revisão. ** Linfomas e Mielomas ** alta prioridadeEm em futuras 2006, investigações: foi elaborado RMP entre 100% um e projeto,200% (IC95%) por uma equipe interinstitucional e multidisciplinar, ***altíssimapara prioridade atender em àsfuturas várias investigaçõ vertenteses: RMP maior de que vigilância200% (IC95%) em saúde em populações expostas à radiação naturalEm 2006,elevada. foi Desta elaborado forma, um proo Programajeto, por uma de Avaliação equipe interinstitucional e Vigilância edo Câncer e seus Fatores multidisciplinar, para atender as várias vertentes de vigilância em saúde em populações exposdetas Risco a radiação (SVS/SES-MG), natural elevada. a DessaÁrea forma,de Vigilância o Programa do de Câncer Avaliação relacionado e Vigilância ao Trabalho e ao Ambiente do (CONPREV/INCA) Câncer e seus fatores ede o riscoLaboratório (SVS/SES de-MG), Poços a Áreade Caldas de Vigilância da Comissão do Câncer Nacional de Energia Nuclear relacionado(LAPOC/CNEN) ao Trabalh ofirmaram e ao Ambiente uma (CONPREV/INCA) importante parceria e o Laboratório técnica. deO apoioPoços da Coordenação Geral de de Caldas da Comissão Nacional de Energia Nuclear (LAPOC/CNEN), firmaram uma importanteVigilância parceria Ambiental técnica. –O CGVAM/Ministérioapoio, da Coordenação da Geral Saúde de Vigilância e das cinco Ambiental secretarias - municipais de saúde CGVAM/Ministériofoi fundamental da para Saúde a consolidaçãoe das cinco secretariasda proposta. municipais O financiamento de saúde, foi foi realizado pelo projeto do fundamentalplano estadual para a do consolidação Vigisus II, da meta proposta. 4.1 – PesquisaO financiamento de Radiação foi realizado e Câncer, pelo e as instituições parceiras projeto do plano estadual do Vigisus II, meta 4.1 – Pesquisa de Radiação e Câncer e as instituiçõesrealizaram parceiras o apoio realizaram técnico o apoio e operacional técnico e operacional nas ações nas relacionadas ações relacionadas às suas às atividades de rotina. suas atividades de rotina.

I Fórum Regional do Planalto Poços de Caldas - Matriz da OMS - Grupo de Discussão de Poços de Caldas. (Em pé): ministrador Marcelo Moreno (INCA) e monitores; Berenice Navarro (SES-MG), Moacir Cipriani (CNEN, ao fundo). Local: Casino Palace – Poços de Caldas – 10/11/2005.

I Fórum Regional do Planalto Poços de Caldas- Matriz da OMS - Grupo de Discussão de Poços de Caldas - (Em pé): Ministrador Marcelo Moreno (INCA) e monitores; Berenice Navarro (SES-MG), Moacir Cipriani (CNEN, ao fundo) Local: Casino Palace - Poços de Caldas - 10/11/2005. 4 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009

4

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil - 2004 a 2009 1.2 Projeto Planalto Poços de Caldas

O projeto foi elaborado com foco em cinco municípios do Planalto Poços de Caldas, sendo composto de três etapas: (1) Vigilância do Câncer: para fortalecer a prevenção dos fatores de risco e o SUS local, identificar a incidência da doença (Registro de Câncer de Base Populacional – RCBP) e a qualidade da assistência (Registro Hospitalar de Câncer – RHC); (2) Pesquisa de Radiação Natural e Saúde: em razão da insuficiência de dados, foi indicada a realização de medições da dose de radiação natural para possibilitar a necessária avaliação de risco à saúde, (3) Estudos Epidemiológicos: para elucidar o cenário da mortalidade e morbidade por câncer na região e a influência dos fatores de risco. (4)Comunicação de risco: visa à clareza dos resultados aos diferentes públicos: profissionais, população estakeholders .

Projeto Planalto Poços de Caldas (Poços de Caldas, Andradas, Caldas, Ibitiúra de Minas, Santa Rita de Caldas)

1. Vigilância do Câncer 2. Radiação Natural e Saúde 3. Estudos Epidemiológicos

1.1. Registros de 1.2 Fortalecimento 2.0. Etapa Preliminar 3.1. de 3.2. de Morbidade Câncer do SUS Levantamento de informações Mortalidade Levantamento de Informações (Valid. óbitos leuc/ hem)

2.1. Medições da Radiação 2.2. Outras ações 1 – Externa 2 – Interna relacionadas

1- Externa 2 - Interna relacionadas

4. Comunicação com o público

População Profissional de Saúde Stakeholders

Figura 1 – Fluxograma Projeto Planalto Poços de Caldas

1.3 Objetivo

Disponibilizar para a população do Planalto Poços de Caldas informações científicas, tecnicamente confiáveis e eticamente seguras sobre a ocorrência de câncer e realizar as medições da radiação ionizante natural externa, em 100% dos cinco municípios pesquisados.

A expectativa foi de as informações geradas servirem de ferramentas para os gestores e órgãos reguladores, na implantação e na implementação de ações, para melhorar a qualidade de vida na região.

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 5 1.4 A Iniciação

1.4.1 Discussão e Apoio dos Municípios – 2006

A comissão coordenadora interinstitucional visitou as secretarias municipais de saúde dos cinco municípios para apresentar, discutir e solicitar adesão ao projeto.

Visitas nas Secretarias Municipais de Saúde de Andradas, Caldas, Ibitiúra de Minas e Santa Rita de Caldas – Maio de 2006

1.4.2 Preparação Técnica

Poços de Caldas, Maio/20007 – Curso de Georreferenciamento das medidas de radiação

Participação técnica: 25 profissionais

5 SMS – GRS Pouso Alegre – INCA – SES-MG LAPOC/CNEN

6 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 1.5 Resultados Preliminares

1.5.1 Vigilância do Câncer e Estudos Epidemiológicos

A Vigilância do Câncer do Estado de Minas Gerais teve como principal foco iniciar na região um sistema permanente de informação de câncer: o Registro de Câncer de Base Populacional (RCBP) e o Registro Hospitalar de Câncer (RHC). O primeiro para a incidência populacional, e o segundo para o perfil da assistência.

O sistema do RCBP, por gerar taxas padronizadas, permite realizar análises epidemiológicas comparativas da incidência com outros registros do País e do mundo, inclusive aqueles que também monitoram populações expostas à radiação natural elevada. O RCBP–Poços de Caldas encontra- se na vigilância epidemiológica da secretaria municipal de saúde, e a infraestrutura física foi propiciada com os recursos financeiros do Vigisus II. Em 2008, os profissionais foram capacitados em registros de câncer. Em 2009, a comissão assessora foi estabelecida pela Portaria GAB Poços de Caldas, em 11/2009, para o suporte técnico e científico do registro. Os trabalhos estão na fase inicial, de coleta dos casos novos nas fontes (hospitais, laboratórios, clínicas).

O Registro Hospitalar de Câncer da Santa Casa de Misericórdia de Poços de Caldas foi implantado em 2006. Em 2008, participou juntamente da publicação estadual de 23 RHC-MG, com os dados do ano de 2005. Em 2009, finalizou a base de dados dos casos novos do ano de 2007. Por ser um dos centros de referência de alta complexidade do SUS-Brasil para assistência do câncer, é obrigatório o envio anual dos dados ao Instituto Nacional de Câncer (INCA) (Portaria MS, SAS nº 62, 11/03/09), para divulgação nacional no portal da vigilância do INCA/MS.

A divulgação das informações dos registros de câncer ocorre em tabulação pública, ou seja, com sigilo dos dados pessoais. Todos os profissionais dos registros de câncer, por meios legais, têm essa obrigatoriedade. No Brasil, o INCA realiza as capacitações técnicas, e os alunos aprovados são certificados pela Coordenação de Ensino e Divulgação Científica – INCA/MS.

Estudos Epidemiológicos: Validação dos óbitos por tipos de câncer, segundo residência em Andradas, Caldas e Poços de Caldas

A Vigilância Estadual de Câncer conduziu a investigação dos 254 casos de óbitos por cânceres selecionados, ocorridos entre 1999 a 2005, nos municípios analisados, cujos resultados são apresentados nos itens 1.5.5 e 1.5.6. 1.5.2 Radiação Natural e Saúde

As informações preliminares foram insuficientes para avaliar a radiação natural e seus efeitos na saúde da população, sendo, portanto indicadas as seguintes ações: (a) medição da radiação ionizante natural gama externa terrestre e a elaboração do mapa de dose da região, (b) análises comparativas com os níveis internacionais, (c) georreferenciamento dos óbitos por cânceres selecionados no mapa de dose.

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 7 1.5.3 Vigilância do Câncer – Implantação do Registro de Câncer de Base Populacional de Poços de Caldas (RCBP-PC) – 2008 e 2009

O Registro de Câncer de Base Populacional (RCBP) é um centro de coleta, processamento e análise, de forma sistemática e contínua, para informação da incidência de câncer na população. O RCBP de Poços de Caldas é o primeiro do interior do Estado de Minas Gerais. Em 2009 foi iniciada a coleta dos casos novos, sendo esses trabalhos monitorados pelo Programa Estadual de Vigilância do Câncer da SVS/SES-MG.

Capacitação em registros de câncer – RCBP. Belo Horizonte (MG), 2008.

Instituições ministradoras: CONPREV/INCA PAV-MG

Em destaque, os cinco profissionais capacitados das secretarias municipais de saúde de Poços de Caldas (1), Andradas (2) e Caldas (2).

Em 07/08/09, o secretário municipal de Saúde de Poços de Caldas (em destaque) apresentou os membros da Comissão Assessora do RCBP para a GRS de Pouso Alegre e comissão do projeto. A comissão é formada por médicos, patologistas, físico nuclear e técnicos da vigilância em saúde (Portaria GABPC nº 11/2009).

8 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009

1.5.4 Vigilância do Câncer: Publicação estadual 23 RHC-MG 1.5.4. Vigilância do Câncer: Publicação estadual 23 RHC-MG

Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Poços de Caldas – Minas Gerais

Irmandade da SantaHospital Casa de da Misericórdia Irmandade da de Santa Poços Casa de Caldas de Misericórdia – Minas Gerais de Poços de Caldas, com sede a Praça Francisco Escobar s/n°, foi fundada em 1904, em um pequeno e modesto prédio doado pela benemérita Dona Maria das Dores do Rosário e instalada inicialmente à Rua O HospitalAssis Figueiredo,da Irmandade com da Santa o nome Casa de de Santa Misericórdia Casa, de onde Poços ficou de Caldas, até 1920. com De sede 1920 na Praça até 1962, Francisco Escobar s/n°,trocou foi fundado o endereço, em 1904, tamanho em um e capacidade pequeno e demodesto atendimento prédio doadopor três pela veze beneméritas, graças aoDona trabalho Maria das Dores do Rosárioincansável e instalado de um inicialmentecem número na de Rua abnegados Assis Figueiredo, beneméritos com cujos o nome nomes de Santa não sãoCasa, citados onde paraficou até 1920. De 1920não atéincorrer 1962 notrocou erro de de endereço, não declinar tamanho alguns. e capacidade Finalmente de em atendimento 20 de maio por de três 1962, vezes, a Santagraças ao Casa foi instalada em seu endereço atual. De lá pra cá, a entidade cresceu a cada dia e hoje trabalho incansávelpodemos de afirmar um sem quenúmero a Santa de abnegados Casa é um beneméritos dos maiores cujos patrimônios nomes não são que citados Poços para de não Caldas incorrer no erro de nãopossui declinar (RHC alguns.-MG, Finalmentev.1, 2008). em 20 de maio de 1962, a Santa Casa foi instalada em seu endereço atual. De lá pra cá, a entidade cresceu a cada dia, e hoje podemos afirmar que a Santa Casa é um dos maiores patrimônios Informaçõesque Poços de doCaldas Registro possui Hospitalar (RHC-MG, v.de 1, Câncer 2008).

Coordenador: Nimeo Rafael Gracete Balbuena InformaçõesR egistrador:do Registro HospitalarKelli de Freitas de Câncer Machado Comissão Assessora: Cláudio Rogério Carneiro, Fabiana Damasceno Bárbara, Kelli de Coordenador:Freitas Nimeo Machado, Rafael Gracete Nimeo BalbuenaRafael Gracete Balbuena. Contato: Oncologia (35) 3729-6121 Registrador: Kelli de Freitas Machado Comissão Assessora:1-Tipo de assistência Cláudio realizada Rogério Carneiro, Fabiana 9Damasceno-Os Técnicos doBárbara, RHC são Kelli de Freitas Machado, Nimeo Geral Sim Rafael Gracetepelo Balbuenahospital capacitados 2-Caráter Filantrópico 10-Sala Exclusiva Não Contato: Oncologia (35) 3729-6121 3-Unacon / Cacon Sim 11 -Linha Telefônica Não 4-Todas as Consultas Ano 10.800 12-Informatizado Sim 1-Tipo(Total) de assistência realizada 9-Os Técnicos do RHC são Geral Sim pelo5- Totalhospital de casos novos no último capacitados 453 13-Quais Anos Consolidados 2005 ano consolidado pelo RHC 2-Caráter Filantrópico 10-Sala Exclusiva Não 6- Primeiras Clínicas de Entrada Clinico e cirúrgico 14-Tipo de Coleta Casos RHC 3-Unacon / Cacon Sim 11 -Linha Telefônica ProntuárioNão 7- Ano de Implantação RHC 2004 15-O RHC tem publicação? Não 4-Todas as Consultas Ano (Total) 10.800 12-Informatizado Sim 8-Os registradores são exclusivos 5-Total de casos novos no último Sim 16-Tipo de Divulgação Nenhuma do RHC? 453 13-Quais Anos Consolidados 2005 ano consolidado pelo RHC Fonte: Questionário de Atualização RHC em 24 de outubro de 2007 (RHC-MG, v.1, 2008) 6- Primeiras ClínicasEquipe deatualizada Entrada emClinico 04 de e novembro cirúrgico de14-Tipo 2009 de Coleta Casos RHC Prontuário

7- Ano de Implantação RHC 2004 15-O RHC tem publicação? Não 8-Os registradores são exclusivos Sim 16-Tipo de Divulgação Nenhuma 9 do RHC? Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil - 2004 a 2009 Fonte: Questionário de Atualização RHC em 24 de outubro de 2007 (RHC-MG, v.1, 2008) Equipe atualizada em 04 de novembro de 2009

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 9 Distribuição do total de casos de câncer, por localização do tumor primário, segundo o sexo - Casos Analíticos e Não Analíticos - 2005 IGNORADO FEMININO MASCULINO TOTAL COD LOCALIZAÇÃO DO TUMOR PRIMÁRIO (CID-O) f ‰ f ‰ f ‰ f ‰ C00 LÁBIO 0 0,000 0 0,000 2 0,009 2 0,004 C01 BASE DA LÍNGUA 0 0,000 1 0,005 1 0,004 2 0,004 C02 OUTRAS PARTES E PARTES NÃO ESPECIFICADAS DA LÍNGUA 0 0,000 1 0,005 2 0,009 3 0,007 C05 PALATO 0 0,000 0 0,000 5 0,022 5 0,011 C06 OUTRAS PARTES E PARTES NÃO ESPECIFICADAS DA BOCA 0 0,000 1 0,005 1 0,004 2 0,004 C06-C00 ********** TOTAL DE TUMORES DE BOCA ********** 0 0,000 3 0,014 11 0,047 14 0,031 C10 OROFARINGE 0 0,000 0 0,000 1 0,004 1 0,002 C11 NASOFARINGE 0 0,000 1 0,005 2 0,009 3 0,007 C13 HIPOFARINGE 0 0,000 0 0,000 2 0,009 2 0,004 C15 ESÔFAGO 0 0,000 1 0,005 13 0,056 14 0,031 C16 ESTÔMAGO 0 0,000 5 0,023 9 0,039 14 0,031 C18 CÓLON 0 0,000 19 0,086 13 0,056 32 0,071 C19 JUNÇÃO RETOSSIGMOIDIANA 0 0,000 2 0,009 7 0,030 9 0,020 C20 RETO 0 0,000 1 0,005 9 0,039 10 0,022 C22 FÍGADO E VIAS BILIARES INTRA-HEPÁTICAS 0 0,000 1 0,005 0 0,000 1 0,002 C25 PÂNCREAS 0 0,000 1 0,005 1 0,004 2 0,004 C31 SEIOS DA FACE 0 0,000 1 0,005 1 0,004 2 0,004 C32 LARINGE 0 0,000 3 0,014 3 0,013 6 0,013 C34 BRÔNQUIOS E PULMÕES 0 0,000 5 0,023 16 0,069 21 0,046 C41 NEOPLASIA MALIGNA DOS OSSOS E DAS CARTILAGENS ARTICULARES DE OUTRAS LOCALIZAÇÕES NÃO-ESPECIFICADAS0 0,000 1 0,005 0 0,000 1 0,002 C42 SISTEMAS HEMATOPOÉTICO E RETICULOENDOTELIAL 0 0,000 14 0,063 14 0,060 28 0,062 C44 PELE 0 0,000 30 0,136 21 0,091 51 0,113 C49 TECIDO CONJUNTIVO, SUBCUTÂNEO E OUTROS TECIDOS MOLES 0 0,000 0 0,000 4 0,017 4 0,009 C50 MAMA 0 0,000 84 0,380 0 0,000 84 0,185 C53 COLO DO ÚTERO 0 0,000 13 0,059 0 0,000 13 0,029 C54 CORPO DO ÚTERO 0 0,000 5 0,023 0 0,000 5 0,011 C55 ÚTERO 0 0,000 2 0,009 0 0,000 2 0,004 C56 OVÁRIO 0 0,000 13 0,059 0 0,000 13 0,029 C58 PLACENTA 0 0,000 3 0,014 0 0,000 3 0,007 C60 PÊNIS 0 0,000 0 0,000 3 0,013 3 0,007 C61 PRÓSTATA 0 0,000 0 0,000 79 0,341 79 0,174 C62 TESTÍCULO 0 0,000 0 0,000 2 0,009 2 0,004 C64 RIM 0 0,000 2 0,009 2 0,009 4 0,009 C67 BEXIGA 0 0,000 3 0,014 8 0,034 11 0,024 C71 ENCÉFALO 0 0,000 0 0,000 2 0,009 2 0,004 C73 GLÂNDULA TIRÓIDE 0 0,000 0 0,000 1 0,004 1 0,002 C74 GLÂNDULA SUPRA-RENAL 0 0,000 1 0,005 0 0,000 1 0,002 C76 OUTRAS LOCALIZAÇÕES E LOCALIZAÇÕES MAL DEFINIDAS 0 0,000 2 0,009 1 0,004 3 0,007 C77 LINFONODOS (GÂNGLIOS LINFÁTICOS) 0 0,000 3 0,014 7 0,030 10 0,022 C80 LOCALIZAÇÃO PRIMÁRIA DESCONHECIDA 0 0,000 2 0,009 0 0,000 2 0,004 T O T A L 0 0,000 221 1,000 232 1,000 453 1,000 Distribuição dos linfomas e leucemias, segundo o tipo histológico, por sexo - - Casos Analíticos e Não Analíticos - 2005 IGNORADO FEMININO MASCULINO TOTAL COD TIPO HISTOLÓGICO (CID-O) f ‰ f ‰ f ‰ f ‰ 959 Linfoma Maligno, SOE ou Difuso 0 0,000 5 0,278 8 0,333 13 0,310 965 Linfoma de Hodgkin, Celularidade Mista ou Deplecção Linfocítica 0 0,000 0 0,000 3 0,125 3 0,071 969 Linfoma de Células B Maduras 0 0,000 1 0,056 0 0,000 1 0,024 973 Tumores de Plasmócitos 0 0,000 6 0,333 3 0,125 9 0,214 980 Leucemias, SOE 0 0,000 0 0,000 1 0,042 1 0,024 982 Leucemias Linfóides 0 0,000 3 0,167 4 0,167 7 0,167 986 Leucemias Mielóides 0 0,000 1 0,056 3 0,125 4 0,095 996 Alterações Mielo Proliferativas Crônicas 0 0,000 2 0,111 1 0,042 3 0,071 998 Síndrome Mielodisplásica 0 0,000 0 0,000 1 0,042 1 0,024 T O T A L 0 0,000 18 1,000 24 1,000 42 1,000 Fonte: PAV-MG / SisRHC versão 2.4 - CNES 00002129469 SANTA CASA DE POÇOS DE CALDAS - posição em 09/09/2008 (271 validados incluídos e nenhum incoerente excluído)

- 453 casos diagnosticados como neoplasia maligna no ano de 2005 foram tratados nesse hospital. Sabe-se que 262 casos (58%) foram após 60 anos de idade; 115 aos 60-69 (25%); 118 aos 70-79 (26%) e 29 acima de 80 (6,4%). - 274 casos (60%) foram por 5 localizações primárias: 84 casos de mama (18,6%), 79 próstata (17,4%), 51 pele (11,3%), 32 cólon (7,1%) e 28 (6,2%) dos sistemas hematopoiéticos e reticuloendotelial. - 42 casos (9,2%) tiveram histologia de linfomas ou leucemias, sendo 29 (6,4%) de 3 tipos: linfoma maligno soe/difuso (13 casos), tumores de plasmócitos (9 casos) e leucemias linfoides (7 casos).

Nota: ressalte-se que os dados hospitalares não representam a incidência populacional, pois os portadores podem tratar-se em outros hospitais, como também nem todos os casos tratados são do mesmo município do hospital. – Apenas o RCBP poderá obter a informação da incidência de câncer na população residente –

10 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 1.5.5 Validação dos Óbitos por Cânceres de Pulmão, Leucemia e Linfoma nos municípios de Andradas, Caldas e Poços de Caldas - MG

A causa específica do óbito muitas vezes não é bem caracterizada na declaração de óbito (INCA, 2008). A validação de óbitos consiste em uma análise de concordância (Método Kappa) entre a causa básica do óbito informada no sistema de mortalidade (D.O.) e os dados obtidos na investigação do óbito (MONTEIRO, KOIFMAN, S. KOIFMAN, R.J., 1997).

Foram buscadas as informações clínicas e os exames de diagnóstico de 254 óbitos (DATASUS, sistema de mortalidade, 1999 a 2005), segundo residência nos municípios citados e a causa básica por um dos cânceres selecionados (TAB. 2).

Uma equipe de registradores de câncer do Registro de Câncer de Base Populacional da SES-MG, sob sigilo ético, foi deslocada para os hospitais de ocorrência dos óbitos investigados, para a coleta de dados em planilhas específicas.

Tabela 2 Distribuição dos óbitos por cânceres selecionados*, por município de residência e sexo, 1999 a 2005 Município (MG) Total Homens Mulheres Andradas 40 26 (65,0%) 14 (35,0%) Caldas 19 13 (68,4%) 6 (31,6%) Ibitiúra de Minas 0 - - Poços de Caldas 195 119 (61,0%) 76 (39,0%) Santa Rita de Caldas 0 - - Total da Região 254** 158 (62,2%) 96 (37,8%)

Fonte: SIM – Sistema de Informação sobre Mortalidade – MG, 1999-2005 *Cânceres selecionados (CID-10): Pulmão (C34), Leucemias (C-90-95) e Linfomas (C81-C85) ** Vide distribuição dos óbitos nos municípios/Apêndice MAPA 15

Após dois anos (2007 a 2009), o percentual de perdas pela falta de exames de diagnóstico do câncer pesquisado ou por insuficiente anotação médica na documentação consultada foi de 49,6%, sendo esgotada a possibilidade de diminuir esse elevado percentual, o que comprometeria as análises. Há de se destacar a importante participação das instituições de saúde no levantamento desses casos de óbitos, da vigilância epidemiológica das secretarias municipais de saúde e dos agentes comunitários de saúde dos PSF de Andradas e Caldas, na busca domiciliar dessas informações.

O grupo de pesquisa optou por apresentar esses resultados para as secretarias municipais de saúde, com vistas à melhoria da informação de saúde e ao acondicionamento da documentação médica, uma vez que o estudo também propunha identificar a qualidade da informação nos serviços de saúde da região e contribuir com a gestão local. A discussão dos resultados preliminares foi realizada em 04/06/08, na Comissão Intergestores Bipartite (CIB) de Poços de Caldas, com os gestores de saúde e posteriormente nas reuniões técnicas com as vigilâncias epidemiológicas dos municípios pesquisados. Em junho de 2009, os trabalhos de investigação foram suspensos definitivamente, sendo enviado um relatório sucinto ao comitê de ética do INCA que realizava o acompanhamento desse estudo.

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 11 Em alguns serviços de saúde evidencia-se a melhoria do arquivo médico e a sensibilização dos profissionais de saúde ao preenchimento correto e completo, dos laudos e prontuários, o que muito contribuirá na qualidade dos sistemas de informação dos registros de câncer em atividade.

1.5.6 Trabalho de Campo da Investigação dos Óbitos – 2007/2008

Os registradores de câncer da SES-MG realizaram a coleta de dados nos hospitais de ocorrência dos óbitos investigados. O RHC da Santa Casa de Misericórdia de Poços de Caldas e o RHC do Hospital Bom Pastor (Varginha), assim como outros hospitais, prestaram importante apoio nos trabalhos.

A B

(A e B) Coleta de dados nas instituições de ocorrência do óbito por cânceres selecionados;

C D

(C) Santa Casa de Misericórdia de Andradas, 2008; (D) Hospital Bom Pastor de Varginha, 2009;

E F

(E) Equipe de campo, médicos da Santa Casa de Poços de Caldas e representante da Vigilância em Saúde; (F) Controle de qualidade – Local: SVS/SES-MG (Superintendência de Epidemiologia).

12 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 1.5.7 Discussão dos resultados preliminares

Os resultados preliminares da Vigilância do Câncer e das Medições de Radiação foram apresentados na CIB-Poços de Caldas, em 04/06/08. Também foram realizadas visitas técnicas locais nas secretarias municipais de saúde para uma melhor interação dos profissionais de saúde sobre a questão.

A B

(A) Reunião SMS-Poços de Caldas; (B) Equipe Coordenadora com o secretário municipal de Saúde de Poços de Caldas Dr. Mário Roberto Ferreira (2008)

C D

(C) Reunião SMS-Andradas, 2008; (D) Reunião SMS-Caldas, 2008;

E

(E) Reunião com os gestores, na CIB-Poços de Caldas – Data: 04/06/2008.

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 13 1.6 Vigilância do Câncer e SEUS FATORES DE RISCO

1.6.1 O que é Vigilância do Câncer

Para descrever a epidemiologia do câncer em uma população é necessário conhecer sua incidência, sua mortalidade e sua sobrevida. A incidência é conhecida por meio dos Registros de Câncer de Base Populacional, e a mortalidade é conhecida por meio do sistema de mortalidade. A sobrevida pode ser estudada por meio de registros populacionais, hospitalares e estudos clínicos (INCA, 2008).

A vigilância do câncer atua em todos os níveis de atenção: promoção de saúde, prevenção dos fatores de risco, detecção precoce, tratamento, cuidados paliativos e mortalidade. O principal objetivo é obter e divulgar a informação epidemiológica da doença para subsidiar a gestão em saúde e outras áreas relacionadas, visando à prevenção e ao controle da doença na população.

1.6.2 Registro de Câncer de Base Populacional – RCBP: Incidência

É o principal componente na vigilância epidemiológica do câncer. O RCBP é um centro de coleta sistemática e contínua de casos novos anuais ocorridos em uma determinada área geográfica. Existem no Brasil 21 RCBP, a maioria nas capitais, que alimentam o sistema nacional de informação de câncer para a realização das estimativas do País, pelo Instituto Nacional de Câncer. O RCBP da Vigilância do Câncer da Subsecretaria de Vigilância em Saúde / Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais realiza a cobertura da população de Belo Horizonte.

1.6.3 Registro Hospitalar de Câncer – RHC: Perfil da Assistência

São centros de coleta sistemática e contínua dos casos de câncer tratados nos hospitais de alta complexidade. A Vigilância do Câncer capacita e monitora 27 registros hospitalares, instalados nos hospitais de alta complexidade de assistência de câncer (Portaria MS, 741/05). As informações subsidiam a avaliação da efetividade da rede assistencial e possibilitam os estudos de sobrevida. A Santa Casa de Misericórdia de Poços de Caldas integra a rede estadual dos RHC-MG.

1.6.4 Estudos Epidemiológicos

A busca de explicações para o aparecimento do câncer tem envolvido cada vez mais pesquisas que integram as várias áreas de conhecimento médico, epidemiológico, entre outras. A investigação científica permite levantar evidências que também resultarão na melhor gestão dos riscos encontrados. A tendência mundial é o maior esclarecimento sobre a interação do processo saúde e meio ambiente que envolve necessariamente a relação das sociedades humanas (INCA, 2006).

14 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 1.6.5 Fatores de Risco de Câncer

O prolongamento da expectativa de vida e o consequente envelhecimento das populações fazem com que doenças crônico-degenerativas destaquem-se no cenário epidemiológico. O câncer é considerado um problema de saúde pública mundial e, por apresentar tendência crescente, continuará a ser prioridade nos próximos anos (MG-PAV, 2008).

Não há dúvida que em vários tipos de câncer a susceptibilidade genética tem papel importante, mas é a interação entre essa susceptibilidade e os fatores ou as condições resultantes do modo de vida e do ambiente que determina o risco do surgimento da doença (INCA, 2006). Desta forma, é possível entender a variação encontrada dos principais tipos de câncer entre os países em desenvolvimento e os desenvolvidos (ANTONIAZZI, D’ALESSANDRO, TEIXEIRA, 2008).

Mais de 75% dos fatores de risco de câncer são evitáveis e modificáveis (ANTONIAZZI, 2007). A mudança individual de comportamento para um estilo de vida mais saudável tem fundamental importância na redução do risco da doença. Nos países em desenvolvimento, 27% dos cânceres são atribuídos à infecção crônica causada por alguns tipos de vírus, bactérias e parasitas (CDC, 2006). Um dos principais agentes é a bactéria Helicobacter pylori, do carcinoma e linfoma gástricos. O emprego inadequado de alguns métodos de conservação de alimentos é fator de risco, principalmente para os cânceres de estômago e esôfago, como: conservas, picles, defumados, por causa de grandes quantidades de nitratos e nitritos. Ao serem consumidos rotineiramente, como hábito alimentar do indivíduo, essas substâncias são capazes de promover a lesão celular e a formação tumoral (BASUALDO, 2009).

Outros agentes infecciosos associados ao câncer são: o vírus Epstein-Barr, associado aos linfomas de Hodgkin e de Burkitt, sendo que o primeiro acomete mais crianças e idosos. O vírus da hepatite B (HBV) e o vírus da hepatite C (HCV) que está associado ao câncer de fígado (hepatocarcinoma). O vírus T-linfotrópico humano tipo I (HTLV-1) associado ao linfoma de células T do adulto; o schistosoma haematobium ao câncer de bexiga; o Opisthorchis viverrini ao câncer das vias biliares e o papilomavírus humano (HPV) ao câncer de colo do útero (INCA, 2006).

O tabaco é responsável por 90% dos casos de câncer de pulmão e por 30% das mortes decorrentes de câncer de laringe, faringe, boca, esôfago, pâncreas, rim, bexiga, leucemia mieloide, além de estar relacionado a várias outras 50 patologias (PINTO, 2008). O álcool aumenta o risco de câncer de boca, faringe, laringe, esôfago, fígado e mama. Esse risco aumenta independentemente do tipo de bebida e é maior para as pessoas que bebem e fumam (INCA, 2002). Mais de 30% dos casos de câncer estão relacionados à alimentação inadequada (BASUALDO, 2009).

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 15 O câncer ocupacional, causado pela exposição, durante a vida laboral, a agentes cancerígenos presentes no ambiente do trabalho, representa cerca de 2% a 4% de todos os casos de câncer, sendo os mais frequentes os cânceres de pulmão, pele, bexiga e leucemias. A International Agency of Câncer (IARC) reconhece 99 substâncias como carcinogênicas. Pode-se citar o alumínio (cânceres de pulmão e de bexiga), a borracha (leucemia e estômago), a coqueria (cânceres de pele, pulmão, rim, intestino e pâncreas), a fundição de ferro e aço (cânceres de pulmão, leucemia, estômago, próstata e rim); a madeira e o mobiliário (cânceres de pulmão, brônquios, nasal, da cavidade oral e mieloma); o couro e sapatos (cânceres de pulmão, cavidade oral, nasal, faringe, estômago, bexiga, adenocarcinoma) (INCA, 2006).

Uma quantidade considerável de fatores de risco conhecidos para o câncer está relacionada a exposições de longa duração. Boa parte desses fatores diz respeito a comportamentos construídos nas duas primeiras décadas de vida, como a ausência da prática regular de exercícios físicos, a alimentação inadequada, o uso do tabaco e de álcool, a não vacinação contra agentes infecciosos como a hepatite B, entre outros (INCA, 2006).

Fatores de Risco combinados

O câncer tem etiologia multifatorial e a combinação dos fatores entre si pode potencializar o desenvolvimento de vários tipos de câncer; por exemplo, o uso do álcool, aumenta em 50% as chances do surgimento do câncer da boca na população exposta ambos os fatores, ou seja, tabaco e álcool (INCA, 2002). A globalização dos fatores de risco é uma realidade, e sabe-se que a redução isolada de apenas um deles pode ser insuficiente para garantir a efetividade das ações preventivas (INCA, 2006).

Radiação

A radiação ionizante na forma natural está presente no mundo e todas as pessoas estão expostas a uma exposição crônica de baixas doses ao longo da vida. Em relação ao câncer, a maior preocupação é a radiação ionizante artificial proveniente dos equipamentos de raios X (CDC, 2006).

16 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 PARTE II – MEDIÇÕES DA RADIAÇÃO NATURAL GAMA EXTERNA EM CINCO MUNICÍPIOS DO PLANALTO POÇOS DE CALDAS – MINAS GERAIS – BRASIL 18 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 2.1. Introdução

A região denominada Planalto Poços de Caldas tem uma história geológica marcada pela existência de um vulcão extinto há cerca de 60 milhões de anos, tendo evoluído para uma formação denominada caldeira. Essa região apresenta não apenas uma riqueza mineral própria, mas também o que se denomina de anomalias radioativas, que são pontos de localização geográfica precisa, com níveis de radioatividade acima daqueles normalmente observados na superfície terrestre (PENNA FRANCA et al., 1965; CULLEN, 1975; SACHETT, 2002).

2.1.1 Radioatividade natural

A presença de minerais emissores de radiação pode implicar a elevação da exposição à radioatividade natural da população da região. Isso ocorre independentemente da exploração mineral, pois é fato geológico presente na região em épocas anteriores mesmo à evolução dos primatas. Com o estabelecimento de empreendimentos mineradores na região, é preciso notar que há duas vertentes: (1) a extração de minério radioativo, cuja atividade intrínseca diminui os riscos à saúde, uma vez que remove do ambiente o elemento radioativo; e (2) a extração de outros minérios, que tende a concentrar nos seus rejeitos a parte radioativa do solo, exigindo atenção especial para sua disposição final (CIPRIANI, 2002).

Partindo-se do pressuposto aceitável de que o manejo de minérios na região esteja dentro das normas de proteção à saúde, permanece apenas a exposição natural. Esta não pode ser comparada com as exposições elevadas causadas por acidentes radiológicos ou nucleares, pois são muito menos intensas. São também menos intensas do que as usadas em radiodiagnóstico e em radioterapia. As exposições acidentais e clínicas são caracterizadas por serem de alta intensidade, porém de muito curta duração. São denominadas agudas. A exposição ambiental proveniente de solos ricos em minérios radioativos é caracterizada por ser de baixa intensidade e de muito longa duração. É denominada exposição crônica (HENDRY et al., 2009).

2.1.2 Vigilância em Saúde

Do ponto de vista da Saúde Pública, a exposição aguda tem seus efeitos bem conhecidos de acordo com a dose absorvida, possibilitando a aplicação de protocolos bem desenvolvidos de mitigação ou atenção à saúde com base em conhecimento científico estabelecido. Para a proteção da saúde cabe a aplicação do Princípio da Prevenção, que indica os meios para redução e, eventualmente, a eliminação de risco (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2007). Por outro lado, a exposição crônica, se produzir efeitos, o faz em prazos muito extensos e, em geral, não possui limites claros de dose associados a cada possível efeito. A proteção da saúde nesses casos se dá sob incerteza científica e se apoia na aplicação do Princípio da Precaução e na adoção de métodos de gestão de risco em saúde. Tais métodos são conhecidos como Vigilância em Saúde.

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 19 2.1.3 Vigilância em Saúde para Populações Expostas à Radioatividade Natural

O tema de Saúde Pública “exposição crônica de populações à radioatividade natural” está ligado ao conhecimento tanto da distribuição territorial das emissões quanto da dinâmica da população que transita pela região. O conhecimento dessas duas variáveis permite que se realize o cálculo da dose anual tipicamente absorvida por um cidadão (UNSCEAR, 2000).

Conhecendo-se a dose anual absorvida típica, é possível: (1) compará-la com os padrões adotados pelo Brasil e, nos casos de excesso de dose, estabelecer mecanismos de controle da saúde dos expostos; (2) que os casos de morbidade e de mortalidade por causas reconhecidamente radioinduzidas possam ser estudados levando em consideração a exposição de longo prazo do paciente; (3) promover e induzir pesquisas científicas de avaliação de risco e prevenção de agravos.

É de fundamental importância entender o papel de muito longo prazo do Setor Saúde perante os grandes empreendimentos, incluindo mineração e processamento de materiais radioativos. Esses empreendimentos frequentemente submetem a população de seu entorno à exposição crônica a fatores ambientais de risco à saúde. As consequências, quando existem, se apresentam muito tardiamente, não raro mesmo após o encerramento do empreendimento causador. A questão central é, portanto, fortalecer o Setor Saúde durante a vida útil do empreendimento para que sobreviva a ele em condições de prestar assistência à população (MINISTÉRIO DA SAÚDE, [200-?]).

Poços de Caldas

20 km

Águas da Prata Caldas 25 km 12 km

15 km

Andradas

20 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 2.2 Geologia do Planalto Poços de Caldas

O Planalto Poços de Caldas está localizado na região Sudeste do Brasil, possui uma formação geológica bem peculiar caracterizada pela enorme intrusão alcalina onde são encontradas anomalias de urânio e tório. A evolução hipotética do Planalto Poços de Caldas foi descrita por Leinz (1998) como sendo um vulcanismo de idade mesozoica, nas rochas encaixantes, gnaisses e granitoides do proterozoico, onde ocorreu colapso da parte central determinando a formação da imensa caldeira com cerca de 30 km de diâmetro.

A FIG. 2 mostra a morfologia da caldeira vulcânica e a localização da malha urbana de Poços de Caldas, Andradas, Caldas e Águas da Prata, sendo os três primeiros municípios localizados no Estado de Minas Gerais, e o último, no Estado de São Paulo.

Trata-se de uma estrutura de formato dômico, individualizada por cristas e escarpas abruptas, de forma externa circular, delimitada por escarpas de falhas que afetaram o embasamento cristalino e facilitaram a intrusão da chaminé em uma zona de fraqueza do embasamento. Está alojado na porção meridional do Escudo Atlântico, próximo à atual borda nordeste da Bacia do Paraná, no âmbito do chamado Maciço Mediano de Guaxupé. Esse complexo é constituído por uma associação sienítica subsaturada, fortemente alcalina, e caracterizado como Província Agpaítica de Poços de Caldas. As rochas encaixantes são gnaisses e granitoides proterozoicos. Na fase da intrusão admite-se que houve colapso da parte central da estrutura, com a formação de fendas radiais e anelares, pelas quais o magma ascendeu e extravasou ocasionando o vulcanismo (COSTA et al., 2001). Os diversos tipos litológicos de origem alcalina podem ser subdivididos em três grupos principais: brechas, tufos e aglomerados; rochas efusivas e hipabissais e rochas plutônicas (FRAENKEL et al., 1985).

Pesquisas para minerais radioativos no complexo alcalino de Poços de Caldas tiveram início em 1952, com os trabalhos executados pelo Conselho Nacional de Pesquisa (FRAYHA, 1962; TOLBERT, 1966). Posteriormente outros estudos podem ser encontrados: Ellert (1959), Tolbert (1966), Oliveira (1974), Almeida e Paradella (1977), Ulbrich (1984), Fraenkel et al. (1985), Almeida Filho (1995).

O complexo alcalino apresenta dois grandes sistemas de falhamentos, com direções predominantes em N60W e N40E, estando o primeiro relacionado com a tectônica regional, e o segundo, com o processo formador da caldeira (FRAENKEL et al., 1985). Almeida Filho e Paradella (1977), através da interpretação de imagens Landsat, identificaram existência de sete estruturas circulares no interior da caldeira de Poços de Caldas, possivelmente associadas à presença de cones vulcânicos. A presença de várias ocorrências minerais radioativas ao longo das bordas dessas estruturas levou aqueles autores a considerarem que essas feições constituíram controle estrutural dessas mineralizações.

As mineralizações radioativas do maciço alcalino podem ser agrupadas em três associações: urânio-zircônio, tório-terras raras e urânio-molibdênio (TOLBERT, 1966; FRAENKEL et al.,1985). As associações urânio-zircônio constituem as mineralizações mais comuns, ocorrendo como depósitos aluviais, eluviais e como veios e lentes.

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 21

As associações tório-terras raras representam o segundo tipo de mineralizações radioativas do maciço sendo o depósito de Morro de Ferro o mais significativo (TOLBERTAs associações,1966). tório-terras Outro aspecto raras litológico representam importante o segundo é a existênciatipo de mineralizações de uma “rocha radioativas do maciço,potássica”, sendo resultante o depósito da alteração de Morro por de processos Ferro o mais hidrotermais significativo e de in (TOLBERT,temperismo do 1966). Outro tinguaíto (FRAENKEL et al., 1985), a qual constitui importante controle das aspectomineralizações litológico importante uraníferas éno a maciço.existência de uma “rocha potássica”, resultante da alteração por processos hidrotermais e de intemperismo do tinguaíto (FRAENKEL et al., 1985), a qual constitui importante controleAs imagens das mineralizações obtidas pelo sensor uraníferas SRTM no (Shuttle maciço. Radar Topographic Mission) auxiliaram na delimitação do Planalto Poços de Caldas e identificação de algumas feiçõesAs imagens estruturais obtidas marcantes pelo sensor no revelo. SRTM As ( Shuttle mineralizações Radar Topographic radioativas doMission maciço) auxiliaram na delimitaçãoalcalino podem do Planalto ser agrupadas Poços em de trêsCaldas associações: e na identificação urânio-zircônio, de algumastório-terras feições raras eestruturais urânio-molibdênio (Tolbert, 1996; Fraenkel ET AL, 1985). Almeida Filho e Paradella marcantes(1977), no através revelo. da As interpretação mineralizações de imagens radioativas Landsat, do maciço identificaram alcalino existência podem ser de agrupadas 7 em trêsestruturas associações: circulares urânio-zircônio, no interior da tório-terras caldeira rarasde Poços e urânio-molibdênio de Caldas, possivelmente (Tolbert , 1996; Fraenkelassociadas et al.à presença, 1985). deAlmeida cones vulcânicos.Filho e Paradella (1977), através da interpretação de imagens Landsat, identificaram existência de sete estruturas circulares no interior da caldeira de Poços de Caldas, possivelmente associadas à presença de cones vulcânicos. Figura 2: Localização da área de estudo com, destaque para a altitude e a ocorrência de radionuclideos na região.

Fonte:Sensor SRTM (Shuttle Radar Topographic Mission) FIGURA 2 – Localização da área de estudo com destaque para a altitude e a ocorrência de radionuclideos na região. Fonte:Sensor SRTM (Shuttle Radar Topographic Mission) As anomalias radioativas presentes no Planalto Poços de Caldas foram localizadas e caracterizadas, pela primeira vez, pelo geólogo Resk Frayha (1962). Este pesquisadorAs anomalias empreendeu radioativas grandes presentes esforços nos no depósito Planalto de Poços minério de de Caldastório e terras foram raras localizadas e caracterizadas,do Morro do Ferro, pela no primeira deposito vez, do Morro pelo do geólogo Taquari Resk e no Campo Frayha do (1962). Cercado, Esse onde pesquisadorfoi empreendeupela primei grandesra vez, esforçosminerado nosurânio depósito em escala de minérioc comercial. de tório e terras raras do Morro do Ferro, no deposito do Morro do Taquari e no Campo do Cercado, onde foi pela primeira vez minerado urânio em escala comercial.

22

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil - 2004 a 2009

22 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 2.3 Radiação NATURAL

2.3.1 Exposição Populacional à Radiação Ionizante

A exposição de seres vivos à radioatividade ou à radiação ionizante a partir de fontes radioativas naturais é uma condição inexorável da existência da vida na terra. Pode-se classificar as radiações ionizantes quanto à sua origem em natural e artificial (ou produzida pelo homem). No que diz respeito à radiação natural, existem dois contribuintes principais na exposição humana: (1) raios cósmicos de alta energia provenientes do espaço sideral e (2) elementos radioativos naturais originados nos primórdios da criação do planeta Terra. Estes são também chamados de isótopos radioativos naturais e fazem parte das séries radioativas naturais do potássio (40K), urânio (238U), tório (232Th) e actínio (235U) presentes em solos, rochas, atmosfera, água e nos organismo dos seres vivos (UNSCEAR, 2000).

2.3.2 Elemento Radioativo Natural

Um elemento químico é um átomo constituído por um núcleo, onde estão as partículas nucleares – prótons e nêutrons –, e uma eletrosfera onde estão os elétrons. A maioria dos elementos químicos são estáveis e, portanto, não emitem radiação. Porém, alguns elementos naturais têm instabilidade no arranjo de prótons e nêutrons de seus núcleos atômicos e, para perderem essa instabilidade e tornarem-se estáveis, emitem parte de seus núcleos na forma de matéria e/ou energia. Essas emissões são as radiações alfa (dois prótons e dois nêutrons) e beta (um elétron). Após uma emissão alfa ou beta podem ocorrer pequenos ajustes de energia, emitidos pelo núcleo na forma de ondas eletromagnéticas e denominadas radiação gama (UNSCEAR, 2000).

2.3.3 O Poder de Penetração das Radiações na Matéria

A radiação alfa, ao ser emitida, não percorre mais que alguns poucos centímetros de ar e não consegue atravessar sequer uma simples folha de papel. A radiação beta pode percorrer alguns metros de ar, porém, não atravessa uma simples folha de papel alumínio. Já a radiação gama tem grande poder de penetração; para atenuar um feixe de raios gama são usadas barreiras ou blindagens construídas de concreto, aço, chumbo, etc. (UNSCEAR, 2000).

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 23 FIGURA 3 – Penetração das radiações ionizantes Figura elaborada por Elis de Oliveira Lima Filho – LAPOC/CNEN

2.3.4 Exposição Interna e Exposição Externa

Neste ambiente de convivência natural de seres vivos com a radioatividade, o corpo humano pode ser atingido pela radiação de duas maneiras diferentes: internamente, através da ingestão, da inalação ou da absorção pela pele, e externamente, em decorrência da radiação recebida do meio ambiente, por morarmos em um planeta naturalmente radioativo.

Dose interna: O decaimento radioativo ocorre dentro do corpo, e a radiação perde sua energia de emissão em partes do nosso organismo.

Dose externa: O decaimento radioativo ocorre no ambiente externo ao nosso corpo, e a radiação pode atingir nosso corpo perdendo sua energia.

Assim a dose é chamada de interna ou externa de acordo com o local em que se encontra a fonte de origem da radioatividade – dentro ou fora do corpo. Devido ao baixo poder de penetração das radioatividades alfa e beta, pode-se afirmar que a dose externa causada por elas é nula. Porém, a radioatividade gama tem alto poder de penetração e, ao incidir sobre um ser vivo, pode transferir para ele sua energia através de um fenômeno físico denominado ionização – daí o termo radiação ionizante. Destaca-se também que as radiações alfa e beta também são denominadas ionizantes (UNSCEAR, 2000).

2.3.5 Dose Efetiva

Do ponto de vista de proteção radiológica, a grandeza física correta a ser utilizada para medir a dose em um indivíduo é a dose efetiva, ou simplesmente dose, que é a soma da dose externa e da interna de uma pessoa decorrente da exposição a fontes naturais e artificiais de radiação (UNSCEAR, 2000).

24 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 A unidade de medida da dose efetiva no Sistema Internacional de Unidades é o Sievert (Sv), e por 1 (um) Sv ser um valor muito grande, foram utilizadas subunidades dessa grandeza, ou seja, a milésima = mSv (10-3 Sv), a bilionésima = µSv (10-6 Sv) ou trilhonésima = nSv (10-9 Sv) parte do Sievert (Sv) (UNSCEAR, 2000).

2.3.6 Fator de Ocupação

No Anexo A do Comitê Científico (UNSCEAR, 2000 – Dose Assessment Methodologies), a exposição por raios gama terrestres é subdividida em duas categorias indoor e outdoor, atribuindo um valor cerca de 40% superior à primeira em relação à segunda. Entretanto, considera também que o fator de ocupação varia conforme o clima do país e ocupação. Por exemplo, o fator de ocupação indoor, estimado em 80%, é considerado baixo para países industrializados de clima frio, enquanto seria alto para os países de clima temperado e muito alto para os países agrícolas de clima quente, sendo que, nesse último caso, pode-se citar o Brasil. Considerando ainda a indisponibilidade dos dados de dose externa indoor, o presente estudo assumiu que esta seja similar à dose recebida outdoor (UNSCEAR, 2000).

2.3.7 Dose Efetiva Mundial

Segundo o Comitê Científico UNSCEAR (2000), a média de dose efetiva mundial é de 2,8 mSv/ano, sendo 2,4 mSv/ano para fontes naturais, distribuída conforme a TAB. 3.

Tabela 3 Componentes da dose efetiva mundial com base populacional Dose média FONTES DE RADIAÇÃO IONIZANTE Variação (mSv/ano) Raios Cósmicos 0,4 0,3 – 1,0 a)Exposição Externa Gama Terrestre 0,5 0,3 – 0,6 a) Subtotal 0,9 –

1. NATURAL Inalação 1,2 0,2 – 10,0 b) Exposição Interna Ingestão 0,3 0,2 – 0,8 b) Subtotal 1,5 – 1 – TOTAL NATURAL (a + b) 2,4 1,0 – 10,0 Procedimentos médicos 0,40 ND* Produção de energia nuclear 0,0002 ND* 2. ARTIFICIAL Testes nucleares na atmosfera 0,005 ND* Acidentes nucleares (Chernobyl e outros) 0,002 ND* 2 – TOTAL ARTIFICIAL 0,4 ND* TOTAL (1 + 2) 2,8

Fonte: Adaptado de UNSCEAR, 2000 – ND* = dado não disponibilizado pela fonte consultada. Nota: O objeto do presente estudo é a determinação da dose efetiva em virtude da radiação gama externa emitida por radionuclídeos naturais (em destaque na TAB. 3), considerando que as exposições fora e dentro do domicílio (fator de ocupação) são iguais.

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 25 Deve-se ressaltar que o valor estimado da exposição média da população mundial de 2,4 mSv/ano não deve ser tomado como um dado exato, uma vez que os valores médios estimados estão baseados em dados não representativos da população mundial como um todo, segundo Sachett (2002). Por outro lado, a UNSCEAR (2000) menciona que a base de dados de exposição à radiação está aumentando e que a caracterização de distribuição de dose na população, com relação às diferentes fontes de radiação natural, está sendo aperfeiçoada.

2.3.8 Média Global da Dose Externa Gama Terrestre

A média global encontrada pela UNSCEAR (2000) foi 0,50 mSv/ano, com base no peso populacional, incluindo países com taxas bem baixas (menos de 0,25 mSv/ano), como Groenlândia, Egito, Holanda e Reino Unido, e outros com taxas mais elevadas (mais de 0,49 mSv/ano), como Austrália, Malásia e Portugal). Da América do Sul, somente as informações do Paraguai e do Chile participaram dessa estatística. O Brasil não foi incluído nesses resultados (UNSCEAR, 2000).

2.3.9 Áreas de Radioatividade Natural Elevada

Uma classificação das áreas de radioatividade segundo a dose efetiva média da radiação natural gama terrestre foi utilizada na TAB. 4, que destaca áreas de radioatividade natural elevada nos seguintes países: Sudão (38,4 mSv/ano), Índia (31,4 mS/ano), Ramsar Irã (20,4 mS/ano), Mahallat (14,0 mSv/ano), China (6,4 mSv/ano) (SOHRABI, 1998; UNSCEAR, 2000; HENDRY et al., 2009).

Tabela 4 Classificação das áreas de radioatividade segundo a dose efetiva média da radiação natural gama terrestre

Dose efetiva média Nívelde Classificação (mSv/ano) Normal < 5 Médio 5-20 Elevado 20-50 Muito elevado > 50

Fontes: SOHRABI (1998), UNSCEAR (2000),\HENDRY, J.H et al.(2009) Adaptação (tabela e cor) pelo Projeto Poços de Caldas, 2009.

Diversos países têm realizado levantamentos radiométricos ambientais para determinar as concentrações de background de radionuclídeos presentes no solo (SACHETT, 2002).

26 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 2.3.10 Valor Genérico de Referência da CNEN

A norma CNEN 3.01/007 preconiza que “uma dose anual existente de 10 mSv/ano deve ser usada como um valor genérico de referência para uma ação de intervenção em situações de exposição crônica de membros do público”, de forma que um valor de 10 mSv/ano sempre demandará uma avaliação para a implementação de medidas de proteção ou de remediação.

COMISSÃO NACIONAL DE ENERGIA NUCLEAR (CNEN)

Órgão de planejamento, orientação, supervisão e fiscalização. Estabelece normas e regulamentos em radioproteção, licencia, fiscaliza e controla a atividade nuclear no Brasil. Desenvolve ainda pesquisas na utilização de técnicas nucleares em benefício da sociedade.

Missão: Garantir o uso seguro e pacífico da energia nuclear, desenvolver e disponibilizar tecnologias nuclear e correlatas, visando ao bem-estar da população.

2.3.11 Médias Encontradas por Estudos Brasileiros

No Brasil, a taxa média de dose gama ambiental natural por habitante ainda é desconhecida. Os poucos dados são de estudos em regiões de mais alta radioatividade natural. Um extenso levantamento radiométrico para caracterização das áreas de elevada radiação ambiental, até então conhecidas no País, foi efetuado nas décadas de 1960 e 1970, por Cullen et al. (1964; 1977; 1980), Eisenbud (1963), Penna Franca et al. (1965, 1977) e Roser et al. (1962; 1964).

A área mais estudada é a região de Poços de Caldas, Rose; Cullen (1962, 1964), Penna Franca (1965, 1977); Cullen (1977), Cullen et al. (1964, 1980)., com o objetivo de caracterização das áreas em relação à exposição gama externa, à ingestão de alimentos cultivados no local e à inalação do radônio e torônio e descendentes. Posteriormente, Amaral (1992) avaliou o aumento da exposição à radioatividade natural, na população rural, em virtude de práticas agrícolas na região de Poços de Caldas. Entretanto, os sistemas de detecção eram tecnologicamente limitados se comparados com os modernos sistemas de rastreamento gama ambiental que possibilitam uma varredura muito mais precisa.

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 27 As pesquisas mais recentes são de Sachett (2002) em áreas urbanas selecionadas, da região do Planalto Poços de Caldas (Andradas, Águas da Prata, Caldas, Poços de Caldas), em Guarapari (praias) e no (em parte do Bairro dos Bandeirantes). Destacam- se também os trabalhos de Oliveira (2001), que investigou os níveis de radiação na região urbana, em 43 distritos da cidade de São Paulo, e o trabalho de Veiga et al. (2003), que investigaram a região urbana de Poços de Caldas para esse tipo de exposição. Esses estudos calcularam a dose média aritmética, e, para fins didáticos, as médias originais foram convertidas em mSv/ano, utilizando a mesma metodologia aplicada no presente estudo (TAB. 5).

Tabela 5 Média das medições da radiação gama externa encontradas em estudos – Brasil.

N (Nº de pontos Médias originais dos Área territorial medida Média convertida medidos) autores

São Paulo, SP* 118 0,52 mSv/ano 0,75 mSv/ano 43 distritos de saúde do município de SP Rio de Janeiro, RJ** Parte do bairro do Recreio Bandeirantes 4.268 106,19 nGy/h 0,65 mSv/ano (nas áreas de preservação) Águas da Prata, SP** 848 106,65 nGy/h 0,65 mSv/ano 15 áreas urbanas

Guarapari, ES** 9.815 119,75 nGy/h 0,73 mSv/ano 24 áreas urbanas

Andradas, MG** 3.546 99,48 nGy/h 0,61 mSv/ano 10 áreas urbanas

Caldas, MG** 345 129,67 nGy/h 0,80 mSv/ano Área urbana

Poços de Caldas, MG** 7.189 145,73 nGy/h 0,89 mSv/ano 15 áreas urbanas

Poços de Caldas, MG*** 7.189 0,91 mSv/ano 0,91 mSv/ano Área Urbana

Notas: * Oliveira (2001) – Este autor considerou que a radiação gama externa sofre influencia dos raios cósmicos, e consequentemente, dos valores encontrados foi descontado 0,23 que seria atribuídos aos raios cósmicos. Na média convertida foi acrescentado 0,23 mSv/ano na média original o que explica a diferença encontradada. ** Sachett (2002) – A conversão se aplicou através da fórmula mSv/ano=nGy/h*24*365*0,7/106 (não foram considerados os fatores de ocupação indoor e outdoor). *** Veiga et al.(2003)

Os valores encontrados pelos estudos brasileiros são mais elevados que 0,5 mSv/ano (UNSCEAR, 2000).

28 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 2.4 Radiação e Câncer

A exposição à radiação pode danificar as células causando morte em algumas delas e modificando outras. Muitos órgãos e tecidos do corpo não são afetados por essas perdas. Contudo, se o número perdido for suficientemente grande, poderá danificar órgãos e conduzir ao óbito. Outra consequência é a modificação celular. O dano às células usualmente é reparado. No entanto, se o reparo não for perfeito, resultará numa modificação que será transmitida a outras células e conduzir eventualmente a um tumor.

Relatos da associação entre radiação e câncer são provenientes de grandes estudos realizados pós-acidentes radioativos, como em sobreviventes de bombas atômicas. O Life Span Study, um grande estudo de coorte, realizado com sobreviventes da bomba atômica mostrou efeitos estatisticamente significativos entre radiação e tumores sólidos de estômago, cólon, fígado, pulmão, mama, ovário e bexiga, bem como excesso de risco para câncer de tireoide e câncer de pele não melanoma. Não foram observadas associação entre câncer de reto, pâncreas, laringe, colo de útero, próstata e rins. Há pouca evidência de associação com linfomas e mielomas múltiplos.

Embora a radiação natural possa ser entendida como exposição em baixas doses (capazes de agir como um potente iniciador mutacional de tumorogênese), é considerada crônica e seus efeitos podem ser cumulativos e, no caso de câncer, manifestarem-se após longos períodos de latência, de acordo com o tipo de tumor. Por exemplo, para leucemia, são necessários apenas de dois a 10 anos de exposição. Para câncer de pulmão são necessários cerca de 50 anos até a manifestação do tumor. No entanto, o câncer radioinduzido não difere dos cânceres que surgem espontaneamente ou são atribuídos a outros carcinógenos (UNSCEAR, 2000).

Efeitos Combinados

Efeitos combinados da radiação e outros agentes físicos, químicos ou biológicos no ambiente são inerentes à vida. O tabaco é uma mistura complexa de agentes químicos e físicos e ainda não há clareza dos mecanismos de interação entre esses dois fatores. No entanto, resultados de estudos epidemiológicos de radônio em minas subterrâneas mostram que existe uma interação (mais que aditiva, menos que multiplicativa) entre tabagismo e radiação – níveis médios ou elevados, relacionados ao câncer de pulmão. Há poucos dados sobre interações entre radiação e outros agentes. Isso não significa que elas não ocorram ou não influenciem o risco da radiação em baixas doses (UNSCEAR, 2000).

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 29 2.5 Território de Abrangência do Estudo

A seleção foi baseada no critério de inclusão numa circunferência, no raio de 20 km a partir 2.5. TERRITÓRIO DE ABRANGÊNCIA DO ESTUDO da mina de urânio. Como essa área intercepta diversos municípios no Estado de Minas Gerais, a expansão permitiu incluirA seleção integralmente foi baseada no critério cinco de municípios:inclusão numa circunferência, Andradas, noCaldas, raio de 20 Ibitiúra de Minas, km a partir da mina de urânio. Como esta área intercepta diversos municípios no Estado Poços de Caldasde e MinasSanta Gerais,Rita de a Caldas. expansão A permitiu cobertura incluir do integralmente estudo corresponde cinco municípios: ao total da extensão territorial dessesAndradas, municípios, Caldas, de Ibitiúra 2.301,87 de Minas, km². Poços de Caldas e Santa Rita de Caldas. A cobertura do estudo corresponde ao total da extensão territorial desses municípios, de 2.301,87 km². Segundo o Plano Diretor de Regionalização da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Segundo o Plano Diretor de Regionalização da Secretaria de Estado da Saúde de Gerais, esses municípiosMinas Gerais, compõem esses municípios a microrregião compõem a microrregião de saúde de sa deúde dePoços Poços de Caldas, Caldas, da Gerência Regional de Saúdeda Gerência de Pouso Regional Alegre, de Saúde região de Pouso Sul Ale dogre, Estado. região sul do Estado.

Figura 4: Mapa do Planalto Poços de Caldas

PPooççooss d dee C Caaldldaass

CCNNEENN-L-LAAPPOOCC CCaallddaass

Águas da ndradas

Águas da A MMininaa d dee

Prata bitiúra de Minas

Prata UUrrâânnioio I

e Caldas

São João daBoa Vista SdSaannttaa RRiittaa anta Rita São João da Boa Vista S ddee CCaallddaass Nota: O território de abrangência do estudo foi delimitado por uma circunferência de 40 km de

diâmetro, tendo como centro a mina de urânio. Dos sete municípios localizados em um raio de até 20 Km

rânio

U Ibitiúra de Minas P ata

da mina: 2r pertencem ao Estado de São Paulo (Águas da Prata e São JoãoIbit i daúr a Boa de Vista) Mina es cinco

ina de

AndradMas guas da pertencemÁ ao Estado de Minas Gerais (Andradas, IbitiúraAndra ddea s Minas, Santa Rita de Caldas, Caldas e Poços de Caldas). As medições de radiação natural gama terrestre foram realizadas nos municípios

mineiros. Caldas

NEN-LAPOC

No Atlas de DesenvolvimentoC Humano do Brasil (2000), esses municípios são categorizados como de elevado (Poços de Caldas e Andradas) e médio (Caldas, Ibitiura Figura 4 – Imagemde Minasde satélite e Santa do Rita Planalto de Caldas) de Poçosdesenvolvimento de Caldas humano. Nota: O território de abrangência do estudo foi delimitado por uma circunferência de 40 km de diâmetro, tendo como centro a mina de urânio. Dos sete municípios localizados

em um raio de até 20 Km da mina, dois Opertencem IDHM ao de Estado Poços de São de Paulo Caldas (Águas (0,841) da Prata ée São o maior João da dentreBoa Vista) os e cinco 853 pertencem municípios ao Estado do de Minas Gerais (Andradas,

oços de Caldas Ibitiúra de Minas, Santa Rita deEstado Caldas, de Caldas Minas e Poços Gerais de Caldas). e o 66º As mediçõesdentre deosP radiação5507 municípiosnatural gama terrestre brasileiros. foram realizadas O de Andradas nos municípios mineiros. (0,812) é o 20º (MG) e 341º (Brasil); Caldas (0,782) é o 107º (MG) e 997º (Brasil); Ibitiura de Minas (0,775) é o 137º (MG) e 1181º (Brasil) e o de Santa Rita de Caldas No Atlas de(0,768) Desenvolvimento é o 182º (MG) e 1181º Humano (Brasil) do. Esses Brasil valores (2000), demonstr essesam um municípios padrão de vida são categorizados como de elevadomuito (Poços superior de a Caldasoutros municípios e Andradas) no mesmo e estadomédio e no(Caldas, país sendo Ibitiúra coerente decom Minas as e Santa Rita de Caldas) desenvolvimentoevidências de envelhecimento humano. populacional nas pirâmides etárias e outras informações que são apresentadas a seguir.

30 O IDHM de Poços de Caldas (0,841) é o maior dentre os 853 municípios do Estado de Minas Gerais e o 66º dentre os 5.507Projeto municípios Planalto Poços brasileiros. de Caldas – Minas O Gerais de Andradas– Brasil - 2004 a(0,812) 2009 é o 20º (MG) e o 341º (Brasil); Caldas (0,782) é o 107º (MG) e o 997º (Brasil); Ibitiúra de Minas (0,775) é o 137º (MG) e o 1181º (Brasil) e o de Santa Rita de Caldas (0,768), o 182º (MG) e o 1181º (Brasil). Esses valores demonstram um padrão de vida muito superior a outros municípios no mesmo Estado e no País sendo coerente com as evidências de envelhecimento populacional nas pirâmides etárias e outras informações que são apresentadas a seguir.

30 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 POÇOS DE CALDAS, MG

2.5.1 Características dos Municípios de Abrangência do Estudo

2.5.1.1 POÇOS DE CALDAS

O município de Poços de Caldas tem uma extensão territorial de 540,87 km2. A temperatura média anual é de 18,2ºC e a altitude máxima é de 1575 metros, na Serra de Poços de Caldas. É uma cidade turística em razão de suas águas minerais, suas termas para os banhos medicinais e a beleza de suas matas e cachoeiras. Nos belos parques e jardins da cidade, são realizadas as tradicionais serestas. Seus vinhos, doces, queijos e conservas são muito apreciados.

Características Valores Estrutura etária populacional de Poços de Caldas - 2009 80 anos + 2.2 1.4 Estimativa População 2009 151.454 75 a 79 1.8 1.4 70 a 74 2.4 2.1 65 a 69 3.0 2.6 População Masculina 74.199 60 a 64 4.1 3.9 55 a 59 5.5 5.0 População Feminina 77.255 50 a 54 6.4 5.8 45 a 49 6.9 6.4 40 a 44 7.1 6.8 IDHM 0,841 35 a 39 7.4 7.3 30 a 34 8.4 8.6 25 a 29 8.8 9.4 IDHM-Renda 0,787 20 a 24 8.1 8.8 15 a 19 7.4 8.1 IDHM-Longevidade 0,85 10 a 14 7.2 7.6 05 a 09 7.1 7.7 IDHM-Educação 0,886 <1 a 04 6.4 7.0 15.0 10.0 5.0 0.0 5.0 10.0 15.0

Esperança de Vida ao Nascer 75,98 Feminino Masculino

Fontes: Perfis dos Municípios Mineiros disponíveis em . Acesso em 04/09/2009. Atlas de Desenvolvimento Humano – PNUD, ano 2000 – IDHM = Índice de Desenvolvimento Humano Médio

• Municípios limítrofes: , Andradas, Caldas, e Campestre. • Principais rios: Represa da Graminha, Represa de Bortolan, Ribeirão das Antas e Rio Pardo. • Principais atividades econômicas: extração de minerais (metálicos e não metálicos), confecções, produção de alimentos e bebidas, de celulose, papel e seus produtos, de equipamentos de transporte, de produtos químicos, de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, de móveis, de artigos de borracha e plástico, de máquinas e equipamentos, metalurgia básica. Agropecuária, agroindústria.

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 31 ANDRADAS, MG

2.5.1.2 ANDRADAS

O município de Andradas tem uma extensão territorial de 467 km2, é conhecido como a Terra do Vinho e possui uma das mais importantes vinícolas do Estado. O clima e a topografias são favoráveis para o cultivo das uvas, e outra atividade é a produção de cerâmicas. A temperatura média anual é de 18,2ºC e a altitude máxima é de 1.657 metros, na Serra do Gavião.

Características Valores Estrutura etária populacional de Andradas - 2009

Estimativa População 2009 36.630 80 anos + 2.3 1.6 75 a 79 2.1 1.8 70 a 74 2.5 2.3 População Masculina 18.164 65 a 69 2.9 2.8 60 a 64 3.6 3.7 55 a 59 4.9 5.0 População Feminina 18.466 50 a 54 5.9 6.1 45 a 49 7.0 6.9 40 a 44 7.4 7.4 IDHM 0,812 35 a 39 7.7 7.4 30 a 34 8.1 8.5 25 a 29 8.5 9.1 IDHM-Renda 0,755 20 a 24 8.2 8.5 15 a 19 7.9 8.0 IDHM-Longevidade 0,851 10 a 14 7.5 7.2 05 a 09 7.0 7.0 IDHM-Educação 0,83 <1 a 04 6.4 6.7 15.0 10.0 5.0 0.0 5.0 10.0 15.0 Esperança de Vida ao Nascer 76,07 Feminino Masculino

Fontes: Perfis dos Municípios Mineiros disponíveis em . Acesso em 04/09/2009. Atlas de Desenvolvimento Humano – PNUD, ano 2000 – IDHM = Índice de Desenvolvimento Humano Médio.

• Municípios limítrofes: Ibitiúra de Minas, Poços de Caldas, Albertina, Jacutinga, e Santa Rita de Caldas. • Principais rios: Jaguari-Mirim e São João. • Reservas minerais: alumínio (bauxita), argila, feldspato, leucita (rochas potássicas), quartzo. • Principais atividades econômicas: extração de minerais (metálicos e não metálicos), confecções, produção de alimentos e bebidas, de móveis, de artigos de borracha e plástico, de maquinário, de equipamentos, indústrias, preparação de couros e fabricação de calçados e artefatos.

32 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 CALDAS, MG

2.5.1.3 CALDAS

O município de Caldas tem uma extensão territorial de 712,1 km2. Suas águas minerais são indicadas para o tratamento de diversas doenças. É conhecido, ainda, por existir na região uma mina de urânio, explorada pela INB (Indústrias Nucleares do Brasil). A temperatura média anual é de 18,2ºC e a altitude máxima, de 1.764 metros, na Serra da Pedra Branca.

Características Valores Estrutura etária populacional de Caldas - 2009

80 anos + 3.0 2.4 Estimativa População 2009 14.656 75 a 79 2.3 2.1 70 a 74 2.9 2.8 População Masculina 7.707 65 a 69 3.9 3.4 60 a 64 4.8 4.5 55 a 59 5.4 5.4 População Feminina 6.949 50 a 54 6.2 6.6 45 a 49 7.4 7.7 40 a 44 8.1 7.8 IDHM 0,782 35 a 39 7.0 7.4 30 a 34 7.0 7.3 25 a 29 7.9 7.7 IDHM-Renda 0,703 20 a 24 7.5 8.5 15 a 19 7.8 7.1 10 a 14 6.7 6.9 IDHM-Longevidade 0,826 05 a 09 6.2 6.8 <1 a 04 6.0 5.8

IDHM-Educação 0,817 15.0 10.0 5.0 0.0 5.0 10.0 15.0 Esperança de Vida ao Nascer 74,57 Feminino Masculino

Fontes: Perfis dos Municípios Mineiros disponíveis em . Acesso em 04/09/2009. Atlas de Desenvolvimento Humano – PNUD, ano 2000 – IDHM = Índice de Desenvolvimento Humano Médio.

• Municípios limítrofes: Bandeira do Sul, Poços de Caldas, Andradas, Ibitiúra de Minas, Santa Rita de Caldas e Campestre. • Principais rios: Verde e Jaguari. • Reservas minerais: alumínio (bauxita), argila, leucita (rochas potássicas), manganês e zircônio • Principais atividades econômicas: extração de minerais não metálicos, fabricação de produtos alimentícios e bebidas, de móveis e indústrias diversas.

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 33 IBITIÚRA DE MINAS, MG

2.5.1.4 IBITIÚRA DE MINAS

O município de Ibitiúra de Minas tem uma extensão territorial de 68,9 km2.

A temperatura média anual é de 18,2ºC e a altitude máxima, de 1690 metros, na Serra da Pedra Branca.

Características Valores Estrutura etária populacional de Ibitiúra de Minas - 2009 80 anos + 2.5 1.9 Estimativa População 2009 3.516 75 a 79 1.6 1.6 70 a 74 2.6 2.4 65 a 69 2.9 3.2 População Masculina 1.836 60 a 64 3.4 4.5 55 a 59 4.6 5.6 População Feminina 1.680 50 a 54 5.7 6.8 45 a 49 6.8 6.3 40 a 44 7.0 7.4 IDHM 0,775 35 a 39 7.3 7.1 30 a 34 7.4 6.6 25 a 29 8.3 8.5 IDHM-Renda 0,697 20 a 24 8.6 7.9 15 a 19 8.4 7.8 IDHM-Longevidade 0,824 10 a 14 7.9 8.0 05 a 09 7.7 7.6 IDHM-Educação 0,803 <1 a 04 7.3 6.9 15.0 10.0 5.0 0.0 5.0 10.0 15.0

Esperança de Vida ao Nascer 74,41 Feminino Masculino

Fontes: Perfis dos Municípios Mineiros disponíveis em . Acesso em 04/09/2009. Atlas de Desenvolvimento Humano – PNUD, ano 2000 – IDHM = Índice de Desenvolvimento Humano Médio.

• Municípios limítrofes: Caldas, Andradas e Santa Rita de Caldas. • Principal rio: Jaguari-Mirim. • Principais atividades econômicas: confecção de artigos de vestuário e acessórios, fabricação de produtos alimentícios e bebidas.

34 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 SANTA RITA DE CALDAS, MG

2.5.1.5 SANTA RITA DE CALDAS

O município de Santa Rita de Caldas tem uma extensão territorial de 502,45 km2.

A temperatura média anual é de 18,2ºC e a altitude máxima, de 1764 metros, na Serra da Pedra Branca

Características Valores Estimativa População 2009 9.322 População Masculina 4.835 População Feminina 4.487 IDHM 0,768 IDHM-Renda 0,687 IDHM-Longevidade 0,79 IDHM-Educação 0,828 Esperança de Vida ao Nascer 72,38

Fontes: Perfis dos Municípios Mineiros disponíveis em . Acesso em 04/09/2009. Atlas de Desenvolvimento Humano – PNUD, ano 2000 – IDHM = Índice de Desenvolvimento Humano Médio.

• Municípios limítrofes: Caldas, Ibitiúra de Minas, Andradas, Ouro Fino, Ipuiuna e Campestre. • Principais rios: Ribeirão São Bento e Rio Pardo. • Principais atividades econômicas: agropecuária e agroindústria. Seus vinhos, doces e conservas são muito conhecidos. Outras atividades: fabricação de produtos têxteis, alimentos e bebidas.

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 35 2.6 Materiais e Métodos

Nos cálculos foram utilizados os dados do IBGE do ano 2000, censo e da malha viária dos cincos municípios de estudo, total e por zonas urbana e rural.

Tabela 6 Número de habitantes e área territorial da malha viária (km²), total e por zonas urbana e rural, dos municípios selecionados – IBGE, ano 2000.

POPULAÇÃO ANO 2000 * ÁREA (km²) MUNICÍPIOS TOTAL Urbana Rural TOTAL Urbana Rural ANDRADAS 32.968 24.087 8.881 469,10 13,570 455,20 CALDAS 12.766 7.232 5.534 715,30 5,486 710,00 IBITIÚRA DE MINAS 3.301 2.049 1.252 68,47 1,744 66,92 POÇOS DE CALDAS 135.627 130.826 4.801 544,90 72,120 476,20 SANTA RITA DE CALDAS 9.278 5.489 3.789 504,10 3,777 500,60 TODOS MUNICÍPIOS 193.940 169.683 24.257 2.301,87 96,697 2.208,92

Fonte população: IBGE – Censo Demográfico, 2000 – Fonte área: IBGE – Malha Digital, 2000. * Nota: vide Apêndice – MAPA 11 – Densidade populacional por setor censitário.

A estimativa de dose de radiação gama proveniente do solo foi realizada sobre toda a malha viária (asfaltada ou não). Os mapas utilizados para percorrer todo o Planalto Poços de Caldas foram: os Mapas Municipais Estatísticos – Ano 2000 do IBGE para a zona rural de todos os municípios; e para as áreas urbanas foi utilizada a planta da Prefeitura de Poços de Caldas e os Mapas de Setores Urbanos do IBGE – MRU – Censo 2000 para todos os municípios. Algumas rodovias desses mapas deixaram de existir e, portanto, não foram monitoradas. Observou-se que foram construídas novas rodovias, principalmente nas áreas rurais, as quais foram percorridas e monitoradas.

Período das medições: - 23/09/2002 a 23/10/2003 (16 dias úteis) Realizada pela CNEN com a mesma metodologia na zona urbana de Poços de Caldas - 21/09/2006 a 19/09/2008 (70 dias úteis) - Total: 86 dias úteis

A diferença nos períodos de medição não interfere na comparabilidade dos dados por ser a radiação do solo um fenômeno estacionário, ou seja, que não apresenta variações a não ser em longos períodos de tempo ou quando ocorrer alterações no uso e na ocupação do solo, que não ocorreu de forma significativa. Entende-se por longos períodos aqueles compatíveis com as meias-vidas dos radionuclídeos naturais, por exemplo, 4,468 bilhões de anos para o urânio e 14,05 bilhões de anos para o tório (UNSCEAR, 2000).

36 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009

2.6.1. Medição de Dose de Radiação Gama 2.6.1 Medição de Dose de Radiação Gama O equipamento utilizado para medir as doses de radiação possui um sistema móvel (Figura 5) de medição da radioatividade gama ambiental (marca Eberline Modelo FHTO equipamento 1376). Este utilizado equipamento para medir é formado as doses por de um radiação detector possui gama um de sistema alta sensibilidade móvel (FIG. 5) de medição(detector da radioatividade cintilador plástico gama ambiental de 5 litros) (marca acoplado Eberline a um GPSModelo (Global FHT Positioning1376). Esse System equipamento) é formadoe a umpor microcomputador,um detector gama que de foialta configura sensibilidadedo para (detector tomar uma cintilador medida plástico de dose de a cadacinco litros) acopladosegundo. a um GPSO conjunto (Global foi Positioning instalado Systemem um )veículo e a um de microcomputador passeio, de tal forma configurado que a altura para tomar do detector se encontrava a 1 metro em relação ao solo. uma medida de dose a cada segundo. O conjunto foi instalado em um veículo de passeio de tal forma que a alturaFigura do detector 5: Conjunto se encontrava instalado em a um um veículo metro de em passeio: relação detector ao solo. gama de alta sensibilidade acoplado a um GPS e a um microcomputador.

37 Figura 5 – Conjunto instalado em um veículo de passeio: detector gama de alta sensibilidade acoplado a um GPS e aProjeto um microcomputador. Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil - 2004 a 2009

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 37

2.6.2 Contribuição da radiação cósmica nas medições 2.6.2. Contribuição da radiação cósmica nas medições Um aspecto importante é a definição da contribuição da radiação cósmica nas medições realizadas.Um aspectoConforme importante Wissamam é a definição(2006), uma da contribuiçãometodologia daadequada radiação para cósmica este nas ensaio consiste emmedições realizar realizada mediçõess. Conforme em uma plataforma Wissamam posicionada (2006), uma sobre metodologia um lago adequada com profundidade para mínima este ensaio consiste em realizar medições em uma plataforma posicionada sobre um delago três com metros profundidade com distância mínima de,de 3no metros mínimo, com 100 distância metros de das no mínimomargens. 100 A metros profundidade das requerida émargens. suficiente A profundidade para absorver requerida totalmente é o suficientea radiação para gama absorver terrestre, totalmente e a distância a radiação das margens visa garantirgama terrestre que radiação e a distância gama das remanescente margens visa emitida garantir nas que margens radiação incida gama sobre remanescente o monitor em pequeno ânguloemitidas sólido, nas margenstal sua contribuição incida sobre que o possa monitor ser em desprezado. pequeno ângulo sólido, tal sua contribuição que possa ser desprezado. Desta forma, foi realizado um experimento na Represa do Cipó (município de Poços de Desta forma foi realizado um experimento na Represa do Cipó (município de Caldas)Poços de emCaldas) uma em região uma região com profundidade com profundidade e distância e distância das da margenss margens superiores superiores a requerida. A altituderequerida. do local A altitude era de do1.300 local metros. era de A foto 1300 a seguir metros. demonstra A foto ao experimento seguir demo nrealizado.stra o Observou- seexperimento que a taxa realizado. de dose média Observou naquele-se que lago a foi taxa de de 10 dose nSv/h média (0,0876 naquele mSv/ano), lago o foi que de corresponde à contribuição10 nSv/h (0,0876 da radiação mSv/ano), cósmica o que nacorresponde medição realizada.a contribuição da radiação cósmica na medição realizada.

Deve-seDeve-se esclareceresclarecer que que a a radiaçãoradiação cósmica cósmica é é dependente dependente da da altitude altitude do do local, local; assim, essa contribuiçãodesta forma não esta é contribuição uniforme sobre não todo é uniforme o planalto, sobre podendo todo ser o planalto, observados podendo valores ser mais elevados, bemobservado como valores de menor mais intensidade elevados, assim. como de menor intensidade.

Teste na Represa do Cipó – Poços de Caldas (MG)

O teste realizado pelos técnicos do Teste na Represa do Cipó – Poços de Caldas (MG) LAPOC-CNEN na represa do Cipó (Poços de Caldas) demonstrou que O teste realizado pelos técnicos do LAPOC-CNEN é muito baixa (0,0876 mSv/ano) a contribuiçãona represa do Cipó da radiação(Poços de cósmicaCaldas) demonstrou nasque medições é muito baixa realizadas.. (0,0876 mSv/ano) a contribuição da radiação cósmica nas medições realizadas.

2.6.3. DescriçãoDescrição dosdos Dados Dados Gerados Gerados pelas pelas Medições Medições

O equipamento equipamento que que coletou coletou os osdados dados da medição, da medição, através através do software do software MobSys MobSys, , gerou gerou os arquivos de cada campanha de medição através do bloco funcional MobiLog osno arquivosformato .BIN de cada (formato campanha proprietário de medição do fabri atravéscante). Foido blocoutilizado funcional o bloco MobiLog funcional no formato .bin (formatoMobiView proprietário para a orientação do fabricante). dos trajetos Foi e utilizadoo bloco funcional o bloco funcional MobiConv MobiView para a conversão para a orientação dos trajetosdos dados e o parabloco o funcional formato .TXTMobiConv (texto). para Os a conversão dados obtidos dos foram:dados para coordenadas o formato de .txt (texto). Os dadoslatitude obtidos e longitude, foram: altitude, coordenadas data, hora de da latitude aquisi çãoe longitude, e a dose emaltitude, nSv/h data,(nano hora Sieverts da aquisição e a dosepor hora) em nSv/h (nano Sievert por hora).

38

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil - 2004 a 2009

38 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 2.6.4 Tratamento dos Dados das Medições

Foi necessário uma adaptação de todos os arquivos gerados pelo MobSys em um único arquivo .dbf, formato aceito pelo o software de geoprocessamento MapInfo. Além disso, foi criada uma coluna adicional com informação da dose convertida de nSv/h para mSv/ano. Como a base de dados das medições apresentou coordenadas de latitude e longitude sobrepostas, devido aos trajetos percorridos de forma coincidente, foi necessário utilizar o aplicativo Microsoft Access 2003 para realizar a seleção de um único ponto por coordenada, mantendo a precisão original das coordenadas do equipamento com cinco dígitos decimais, utilizando como critério de escolha o maior valor de dose encontrada em cada coordenada de latitude e longitude.

2.6.5 Base Cartográfica

A base cartográfica utilizada para este trabalho foi a do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – Malha Digital – Ano 2000, formato shape, utilizado no software MapInfo, com divisões por setores censitários rurais de todos os municípios, e setores censitários urbanos dos municípios de Andradas e Poços de Caldas. A malha digital das zonas urbanas de Caldas, Ibitiúra de Minas e Santa Rita de Caldas, que eram inexistentes na malha digital do IBGE para a malha do ano de 2000, foram obtidas por processo de digitalização e vetorização feita por Alvarenga (2008).

2.6.6 Georreferenciamento das Medições

Os dados de dose da radiação gama terrestre foram georreferenciados pelas coordenadas como pontos sobre o território e sobrepostos aos setores censitários definidos como referência territorial da área de estudo, estabelecida pelo mapa de Setores Censitários do IBGE – Ano 2000, cobrindo separadamente as zonas urbanas e as rurais dos cinco municípios. Além disso, foi criada uma camada adicional contendo todos os dados dos núcleos populacionais e de edificações das zonas rurais de todos os municípios deste trabalho, constando informações da coordenada geográfica com o número aproximado de edificações e outras informações.

Analista de sistemas Davidysson Abreu Alvarenga apresentando o trabalho feito durante o georreferenciamento dos dados.

Programa de Avaliação e Vigilância do Câncer e seus fatores de risco de Minas Gerais – SVS/SES-MG

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 39 2.6.7 Georreferenciamento de Dados dos Óbitos

Os endereços dos óbitos foram obtidos através dos códigos de latitude e longitude do endereço residencial existente no Sistema de Informação sobre Mortalidade da SES-MG, porém, em alguns casos, foi necessário obter a descrição detalhada de cada endereço nas instituições responsáveis pelo preenchimento das declarações de óbitos para uma geocodificação completa. Para o município de Poços de Caldas foi utilizado o software Google Earth para a obtenção das coordenadas desses endereços. Já para os municípios de Andradas e Caldas foi utilizado um aparelho GPS em campo.

2.6.8 Critérios de Análise dos dados

Foram consideradas duas divisões sistemáticas do território: a dos setores censitários e a de grades regulares.

A divisão territorial em quadrículas adotada foi de 100 m x 100 m (um hectare). As quadrículas foram tratadas para captar informação de dados sociodemográficos a partir dos setores censitários, na proporção da área de intersecção. Para essa divisão territorial foi adotado o valor máximo de dose, critério conservativo em benefício da saúde pública. E ainda foi gerado o valor interpolado das doses de acordo com o inverso do quadrado da distância limitado a um raio de 300 m de seu centro. Esse procedimento permitiu que apenas as regiões contíguas aos trajetos recebessem um valor de dose.

O cálculo da dose ponderada pela população segundo o método da UNSCEAR (2000) pode então ser realizado com base na dose média por setor censitário, conforme equação a seguir:

151 * Σ di pi i=1 Dp = pt

Onde: Dp é a dose média populacional, di é a dose média no setor censitário i, pi é o número de habitantes no setor censitário i e pt é o número de habitantes do município. € Para cada região delimitada por setor censitário, zona urbana, zona rural ou área municipal, foi feito o cálculo dos valores mínimos, médios e máximos encontrados tanto por quadrícula (com valores máximos ou interpolados) quanto por pontos, o total de pontos obtidos nos municípios pesquisados, são apresentados segundo os setores censitários, zona urbana, zona rural e área municipal de cada município.

40 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009

2.6.9 Controle de Qualidade 2.6.9. Controle de Qualidade 2.6.9. Controle de Qualidade

Foi realizado o acompanhamento sistemático dos trabalhos de campo pela comissão Foi realizado o acompanhamento sistemático dos trabalhos de campo pela coordenadora,Foi por real parteizado dos o membros acompanhamento da área da sistemático saúde ou dos de trabalhosdosimetria de das campo radiações. pela Essa comissão coordenadora, por parte dos membros da área da saúde ou de dosimetria das comissão coordenadora, por parte dos membros da área da saúde ou de dosimetria das decisãoradiações foi importante. Essa para decisão a interação foi importante de todos para no a desenvolvimento interação de todos da no pesquisa desenvolvimento e na oportunidade da radiações. Essa decisão foi importante para a interação de todos no desenvolvimento da de que pesquisaas opiniões e na fossem oportuni manifestadasdade de que e as discutidas opiniões fossempela equipe. manifestadas e discutidas pela pesquisa e na oportunidade de que as opiniões fossem manifestadas e discutidas pela equipe. equipe.

ControleControle de Qualidade das das Medições Medições Controle de Qualidade das Medições Moacir Cipriani. (em pé); Moacir Cipriani. (em pé); EderMoacir Tadeu Cipriani Zenun (em Guerreropé); (campo de Eder Tadeu Zenun Guerrero (campo de dosimetriaEder Tadeu das Zenun medições), Guerrero, Davidysson campo de dosimetria dosimetria das medições), Davidysson Abreudas medições; Alvarenga Davidysson (geoprocessamento) Abreu Alvarenga, e Abreu Alvarenga (geoprocessamento) e Tarcísiogeoprocessamento; Neves da Cunha e Tarcísio relacionados Neves da Cunha à Tarcísio Neves da Cunha relacionados à baserelacionado cartográfica). à base cartográfica. base(sentados,(sentados, cartográfica). da daesquerda esquerda para para direita): direita). (sentados, da esquerda para direita): Local:Local: Laboratóriolaboratório de dePoços Poços de Caldas-CNEN de Caldas- CNEN– 23/04/08 – Local:23/04/08 laboratório de Poços de Caldas-CNEN – 23/04/08

Conferência do georreferenciamento Conferência do georreferenciamento dos óbitos e medições dos óbitos e medições

Berenice Navarro (E), Ubirani Otero (D) Berenice Navarro (E), Ubirani Otero (D)

Conferência do georreferenciamento

Local:dos laboratórioóbitos e dasde Poços medições de Caldas-CNEN – Local:23/04/08 laboratório de Poços de Caldas-CNEN – 23/04/08 Berenice Navarro (E), Ubirani Otero (D)

Local: Laboratório de Poços de Caldas-CNEN – 23/04/08

A integração dos técnicos da SVS/SES-MG e LAPOC-CNE possibilitou um controle de Aqualidade integração mútuo dos das técnicos medições. da SVS/ Na fotoSES -(E)MG, Eder e LAPOC Guerrero-CNE (LAPOC possibilitou-CNEN) um e Carla controle Souto de qualidadeGarcia (S ES mútuo-MG) das e (D) medições. o percurso Na na foto malha (E) ,viária Eder na Guerrero zona rural (LAPOC de Caldas-CNEN) – Pedra e Carla do Tripuí Souto Garcia– Motorista: (SES- MG)Milton e (D)dos oSantos percurso (SES na-MG). malha viária na zona rural de Caldas – Pedra do Tripuí A integração– Motorista: dos técnicos Milton da SVS/SES-MG dos Santos (SESe do Laboratório-MG). de Poços de Caldas (LAPOC-CNE) possibilitou um controle de qualidade mútuo das medições. Nas fotos, (E) Eder Guerrero (LAPOC-CNEN) e Carla Souto Garcia (SES-MG) e (D) o percurso na malha viária na zona rural de Caldas – Pedra do Tripuí. Motorista: Milton dos Santos (SES-MG). 41 41 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil - 2004 a 2009 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil - 2004 a 2009

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 41

2.7 Resultados e Discussão

2.7.1 Total de Pontos de Medição

Foram percorridos 5.039 km nas diversas campanhas de medição, realizadas nos períodos de 2002-2003 e 2006-2008, na malha viária das zonas urbana e rural dos cinco municípios investigados. O total da área territorial dos cinco municípios, segundo o IBGE (2000), é de 2.301,87 km² (TAB. 6).

Na zona rural foi utilizado o mapa da área viária produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2000) que serviu como base para o deslocamento. No entanto, verificou-se que diversas estradas rurais deixaram de existir e outras foram construídas e não haviam sido acrescidas na malha. Desta forma, decidiu-se investigar todas as localizações em que as condições das estradas permitiam acesso do veículo de monitoração.

Após o tratamento preliminar dos dados foram definidos 417.324 pontos de medição. Os mapas de setores censitários do IBGE (2000) utilizados na definição das zonas urbanas e rurais registraram áreas de sobreposição e áreas não cobertas por nenhuma das duas. Assim, os totais de cada município não corresponderam à soma dos componentes urbano e rural (1,21% dos pontos) e 8.067 pontos foram descartados por estarem fora dos limites dos cinco municípios (TAB. 7).

Portanto, 409.257 pontos de medição formaram a base de cálculo desse estudo e representam toda a extensão territorial dos municípios, uma vez que não foram feitas amostragens. Nos cálculos para os municípios, os pontos sobrepostos foram utilizados. Porém, os resultados por zona urbana e rural não levam em consideração esses pontos.

Tabela 7 Total de pontos de medição por município segundo zonas urbana e rural Em Ambas Município Total Área Rural Área Urbana Não cobertas as Áreas Andradas 93.645 72.125 21.414 173 321 Caldas 113.349 105.692 8.403 1.029 283 Ibitiúra de Minas 14.119 11.493 2.811 244 59 Poços de Caldas 109.854 49.160 62.324 1.936 306 Santa Rita de Caldas 78.290 73.041 5.781 546 14 Subtotal 409.257 311.511 100.732 3.969 983 Fora destes municípios 8.067 - - - - TOTAL 417.324 311.511 100.732 3.969 983

Fonte: Projeto Planalto Poços de Caldas (MG) – 2004 a 2009 – Volume I – SES-MG

A maior concentração dos 409.257 pontos medidos (FIG. 6), ocorre nas duas categorias inferiores, 0,5 mSv/ano e 1,0 mSv/ano, representando aproximadamente 80% do total dos pontos medidos.

42 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 Frequência (%)

Dose Anual (mSv/ano)

FIGURA 6 – Distribuição percentual das doses anuais (mSv/ano) medidas Fonte: Projeto Planalto Poços de Caldas (MG) – 2004 a 2009 – Volume I – SES-MG.

Ressalte-se que o banco de dados das medições obtido pelo presente estudo permite várias possibilidades de cálculos e diversas combinações de espacialização.

2.7.2 Doses Médias Efetivas

Foram utilizadas as informações do censo do ano 2000 (IBGE) e os resultados são apresentados por zonas, urbana e rural, como também de todo o território pesquisado (TAB. 8).

São apresentados dois tipos de cálculos de doses médias efetivas da radiação ionizante natural externa gama terrestre. Um é a dose média aritmética simples, em que o valor resultante, por ser estável nos próximos milhares de anos, torna-se de grande interesse para a ciência e a tecnologia. O segundo é a dose média ponderada pela população, cujo cálculo é baseado no número de habitantes e, portanto, necessita de recálculos a cada censo. A dose média ponderada pela população é de fundamental importância para a vigilância em saúde (UNSCER, 2000).

Comparando os resultados dessa pesquisa (TAB. 8) aos encontrados nos estudos brasileiros (TAB. 5), que se referem apenas a zonas urbanas, observa-se que em Andradas o valor encontrado por Sachett (2002), de 0,6 mSv/ano, foi ligeiramente superior ao desse estudo (0,54 mSv/ano). No entanto, quando a média foi avaliada pelo método da divisão territorial por quadrículas regulares (em que a medida tomada é a máxima dentro de cada quadrícula) foi de 0,68 mSv/ano. O mesmo acontece com Caldas, onde Sachett (2002) apresentou a dose de 0,87 mSv/ano contra 0,75 mSv/ ano deste estudo, com o valor máximo por quadrículas de 0,91 mSv/ano. Em relação a Poços de Caldas, foram encontrados dois valores referidos à mesma campanha de medição: Sachett (2002) com 0,89 mSv/ano e Veiga et al. (2003) com 0,91 mSv/ano, ambos inferiores ao deste estudo, de 0,98 mSv/ano, com máximo por quadrícula de 1,11 mSv/ano. É possível que essas diferenças sejam atribuídas às metodologias adotadas.

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 43 Em relação à dose média ponderada (TAB. 8), foram mais próximas da referência de 0,5 mSv/ano (UNSCEAR, 2000) em Andradas (todas) e em zonas rurais de Ibitiúra de Minas e Santa Rita de Caldas. As demais são ligeiramente mais elevadas e, dentre os municípios, as máximas ocorreram em Poços de Caldas. Segundo Sachett (2002), o valor de referência (UNSCEAR, 2000) com base populacional “não deve ser tomado como exato, uma vez que os valores médios estimados estão baseados em dados não representativos da população mundial”.

Tabela 8 Medições da radiação ionizante natural externa gama externa segundo dose média aritmética e ponderada pela população (mSv/ano). Setembro (2002-2008) Projeto Planalto Poços de Caldas, MG. (a) Dose (b) Dose N (a) (b) média média MUNICÍPIO Área / Zona (nº de Valor Valor aritmética ponderada pontos) mínimo máximo *** pela pop. Município 93.645 0,59 0,19 8,60 0,54 1. Andradas Zona Urbana 21.413 0,54 0,19 1,33 0,54 Zona Rural 72.125 0,61 0,19 8,60 0,53 Município 113.349 0,70 0,13 14,43 0,66 2. Caldas Zona Urbana 8.363 0,75 0,30 4,13 0,71 Zona Rural 105.692 0,69 0,13 14,43 0,59 Município 14.119 0,55 0,23 1,96 0,62 3. Ibitiúra de Minas Zona Urbana 2.810 0,70 0,34 1,65 0,69 Zona Rural 11.493 0,52 0,23 1,96 0,51 Município 109854 1,03 0,15 95,05 0,98 4. Poços de Caldas Zona Urbana* 62.363 0,98 0,30 3,74 0,98 Zona Rural 49.160 1,09 0,15 95,05 0,85 Município 78.290 0,48 0,09 1,70 0,57 5. Santa Rita de Caldas Zona Urbana 5.781 0,64 0,26 1,26 0,64 Zona Rural 73.041 0,47 0,09 1,70 0,47 Fonte: Pesquisa Planalto Poços de Caldas; IBGE (censo 2000); N = Número de medições georeferenciadas; * dados coletados pela CNEN, antes do presente estudo; ** equivale a 0,56 nS/h; *** Vide apêndice (MAPA 12). Em destaque os maiores valores encontrados no estudo.

As doses médias máximas, ponderada e aritmética, apresentam um ranking semelhante nos municípios, mas as doses e o local de ocorrência variam:

Ranking: Dose média ponderada mais elevada encontrada no município (mSv/ano): 0,98: Poços de Caldas – total e zona urbana 0,71: Caldas – zona urbana 0,69: Ibitiúra de Minas – zona rural 0,64: Santa Rita de Caldas – zona urbana 0,54: Andradas – total e zona urbana

Ranking: Dose média aritmética mais elevada encontrada no município (mSv/ano): 1,09: Poços de Caldas – zona rural 0,75: Caldas – zona urbana 0,70: Ibitiúra de Minas – zona urbana 0,64: Santa Rita de Caldas – zona urbana 0,61: Andradas – zona rural

44 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 Em virtude da grande variação entre os valores máximo e mínimo das doses médias aritméticas, foram também calculadas as doses medianas. Pode-se observar que todas as doses medianas tiveram valores inferiores aos encontrados nas doses aritméticas (TAB. 9).

Tabela 9 Estatísticas descritivas das medições em mSv/ano por município e zona Desvio Município Zona N Média Mínimo Q1 Mediana Q3 Máximo Padrão Município 93.645 0,59 0,28 0,19 0,41 0,51 0,68 8,60 Andradas Urbana 21.413 0,54 0,14 0,19 0,43 0,51 0,62 1,33 Rural 72.125 0,61 0,31 0,19 0,41 0,51 0,71 8,60 Município 113.349 0,70 0,60 0,13 0,39 0,53 0,81 14,43 Caldas Urbana 8.364 0,75 0,24 0,30 0,62 0,72 0,83 4,13 Rural 105.692 0,69 0,62 0,13 0,38 0,51 0,81 14,43 Município 14.119 0,55 0,18 0,23 0,43 0,51 0,63 1,96 Ibitiúra de Minas Urbana 2.811 0,70 0,21 0,34 0,54 0,66 0,79 1,65 Rural 11.493 0,52 0,15 0,23 0,42 0,49 0,58 1,96 Município 109.854 1,03 1,19 0,15 0,81 0,97 1,14 95,05 Poços de Caldas Urbana 62.363 0,98 0,18 0,30 0,86 0,97 1,10 3,74 Rural 49.160 1,09 1,77 0,15 0,55 0,95 1,30 95,05 Município 78.290 0,48 0,14 0,09 0,37 0,44 0,55 1,70 Santa Rita de Urbana 5.781 0,64 0,15 0,26 0,54 0,61 0,71 1,26 Caldas Rural 73.041 0,47 0,14 0,09 0,37 0,43 0,53 1,70

Fonte: Projeto Planalto Poços de Caldas (MG) – 2004 a 2009 – Volume I – SES-MG.

2.7.3 Classificação das áreas segundo nível de radioatividade, em dose média.

Todos os valores de doses médias, aritmética ou ponderada, foram inferiores a 5 mSv/ano, o que corresponde à classificação de área de radioatividade normal S( ohrabi, 1998; UNSCEAR, 2000; Hendry et al., 2009). Estudos complementares (exposição indoor) são necessários para que essa classificação preliminar seja confirmada. Destaque-se aqui o comentário de Sachett (2002), ao concluir o seu estudo “as cidades de Andradas, Caldas e Poços de Caldas não apresentam valores elevados, como seria esperado para uma região de elevado nível de radioatividade ambiental”.

Nota: Informações conceituais das técnicas utilizadas na apresentação de resultados (a seguir)

Boxplot: é a representação gráfica do valor mínimo, 1º quartil (1ª linha da caixeta), mediana (linha do meio da caixeta), 3º quartil (parte superior da caixeta) e valor máximo. Os dados representados em asterisco são discrepantes. O boxplot é rico no sentido de informar, entre outras coisas, a variabilidade e simetria dos dados. Estes são apresentados na publicação por município e por zona (urbana e rural).

Histograma de Dose: é a representação gráfica da distribuição das frequências das doses (em mSv/ano) medidas nos municípios agrupados em classes. Nesse estudo, os histogramas são apresentados para cada município por zona, urbana e rural.

Georreferenciamento das Medições (ou mapas): espacialização das doses segundo as coordenadas geográficas.

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 45 2.8 RESULTADOS POR MUNICÍPIO

2.8.1 Poços de Caldas – Minas2.8. RESULTAD Gerais – BrasilOS POR MUNICÍPIO

2.8.1.Para Poços este de município, Caldas - verificou-seMinas Gerais a - doseBrasil média total de 1,03 mSv/ano (urbana= 0,98e rural= 1,09), segundo a TAB. 8. Já a dose ponderada total foi de 0,98 mSv/ano (urbana=0,98 e Para este município,2.8. verificou RESULTAD2.8.-se aRESULTAD dose médiaOS totalPOROS de MUNICÍPIO1,03POR mSv/ano MUNICÍPIO (urbana= rural=0,85).0,98 e rural= Esta 1,09 diferença), segundo decorre a Tabela do 8fato. Já dea dose que ponderada as maiores total doses foi demédias 0,98mSv/ano do município foram localizadas2.8.1(urbana=0,98. Poços2.8.1 a .sudoestede Poços e Caldas rural=0,85 de em Caldas- regiõesMinas). Esta - Gerais diferençacomMinas baixa Gerais- Brasil decorre densidade - Brasil do fatodemográfica, de que as conforme maiores dosesMapa 11. O valor da médias dose ponderada do município foi foramsuperior localizadas em 96% aao sudoeste valor de em referência regiões comda UNSCEAR baixa densidade, de 0,5 mSv/ano. Estedemográfica, municípioPara este conformePara apresentoumunicípio, este município, MAPA verificou os valores 11 verificou-.se O médiosavalor dose-se damédia dea dosedose dose total ponderadamédia mais de 1,03total elevados foimSv/anode superior1,03 entre mSv/ano (urbana= osem demais 96% (urbana= ao investigados, provavelmente0,98valor e rural=de0,98 referência 1,09e rural= por), segundo serda1,09 Unscear, o), segundo únicoa Tabela de a a encontrar-se0,58Tabela. Já mSv/ano. a dose 8. Já ponderada a quaseEste dose município ponderada totalmente total foi apresentoudetotal 0,98mSv/ano dentro foi de daos0,98mSv/ano valores caldeira vulcânica, (urbana=0,98médios( urbana=0,98de dose e rural=0,85 mais e elevados rural=0,85). Esta dentre diferença). Esta os diferença demais decorre investigados, do decorre fato de do que fato provavelmente as de maiores que as maiores doses por ser doses o incluindomédiasúnico a domédias encontrara município sua dosede. -municípiose foram quaseNa zona localizadastotalmente foram rural localizadasencontra-se dentro a sudoeste da a c sudoesteaaldeira em anomalia regiões vulcânica, em Morro com regiões baixaincluindo do com Ferro, densidade baixa a com sua densidade sede.elevada radiação naturaldemográfica,Na zona reconhecidademográfica, rural conforme encontra conforme internacionalmente.MAPA-se a 11MAPA anomalia. O valor 11 . Morro daO Comparando valordose do ponderadada Ferro dose ponderadao com foi valor superior elevada de foi 0,89 superiorem radiação 96% mSv/ano em ao natural 96% (zona ao urbana) obtidovalorreconhecida de no valorreferência estudo deinternacionalmente. referência de da SachettUnscear, da (2002)Unscear, de 0,5Comparando –mSv/ano. deTAB. 0,5 5,mSv/ano. Este oo valor valor município aquiEste de 0,89 municípioencontrado apresentou mSv/ano apresentou foios (zona superiorvalores urbana)os valores em 10%. A FIG. médiosobtido de médiosno dose estudo maisde dedose elevados Sachett mais elevados(2002dentre) os– dentre Tabelademais os investigados, 5demais, o valor investigados, aqui provavelmente encontrado provavelmente foi por superior ser o por emser o 8único e a aFIG. encontrarúnico 9 amostram encontrar-se quase a- setotalmente distribuição quase totalmente dentro das da frequênciasdentro caldeira da vulcânica,caldeira das vulcânica,doses, incluindo entre incluindo a sua as sede.zonas a sua urbanasede. e rural, respectivamente.10%. A Figura 8 Nos e Figura Mapas 9, mostram 1 e 2 são a evidenciadosdistribuição das os freqüênciasvalores acima das dedoses, 1,0 mSv/ano,entre as nas zonas Nazonas zona urbana Na rural zona encontrae rural, rural - encontrarespectivamente.se a anomalia-se a anomalia Morro Nos do M Morro APAS Ferro do com1 Ferroe 2 elevada são com evidenciados radiaçãoelevada radiação natural os valores natural urbanareconhecidaacima edereconhecida rural. 1,0 internacionalmente. mSv/ano, No M internacionalmente.apa nas 12 zonas do Comparando Apêndice, urbana Comparando e observa-serural.o valor No deo Mapa valor0,89 que mSv/ano12deum , 0,89 dodos Apêndice, mSv/ano setores(zona urbana) censitário (zonaobserva urbana)-se rural sul, com densidadeobtidoque umnoobtido estudo dosdemográfica no setores de estudo Sachett censitário de entre(2002 Sachett )1 – rural (2002eTabela 10 sul,)habitantes – 5 Tabela, como valor densidade 5 por,aqui o valorkm², encontrado aqui demográficaapresentou encontrado foi superior oentre foimaior superiorem 1 valor e 10 em médio desse 10%. A Figura10%. A 8 Figura e Figura 8 e 9 Figura, mostram 9, mostrama distribuição a distribuição das freqüências das freqüências das doses, das entre doses, as entre as habitantes por km², apresentou o maior valor médio desse município, de 1,40 mSv/ano, município,zonas urbanazonas de e urbana1,40rural, mSv/ano, respectivamente.e rural, respectivamente. que corresponde Nos MAPAS Nos ao M 1 Morro APASe 2 são do1 evidenciadose Ferro. 2 são evidenciados os valores os valores acimaque corresponde deacima 1,0 mSv/ano, de 1,0 ao mSv/ano,Morro nas zonas do nas Ferro. urbana zonas e urbanarural. No e rural. Mapa No 12 Mapa, do Apêndice, 12, do Apêndice, observa- seobserva -se queFIGURA um que dos7 – Boxplot um setores dos da censitário setores dose gama censitário rural em Poços sul, rural com de sul, Caldas, densidade com MG densidade – demográfica em mSv/ano demográfica entre 1 entre e 10 1 e 10 Figura 7: Boxplot da Dose Gama mSv/Ano vs Zona Ur/Ru de P.Caldas habitantes habitantes por km², porapresentou km², apresentou o maior valoro maior médio valor de médiosse município, desse município, de 1,40 mSv/ano,de 1,40 mSv/ano, que corresponde100 que corresponde ao Morro ao do Morro Ferro. do Ferro. Segundo a classificação a classificação de área dede radioatividade área de (radioatividadeUNSCEAR 2000), em (Unscear mSv/ano: 2000), em Figura80 7Figura: Boxplot 7: Boxplotda Dose daGama Dose mSv/Ano Gama mSv/Ano vs Zona vsUr/Ru Zona de Ur/Ru P.Caldas de P.Caldas ) -mS os v/ano:valores discrepantes (acima de 5 mSv/ano) o n a

100/ 100 ocorrem- os valores apenas na discrepantes zona rural. (acima de 5

v 60

S Segundo Segundo a classificação a classificação de área de de área de

m mSv/ano) ocorrem apenas na zona rural. ( - 100% da zona urbana encontra-se no nível normal de

l radioatividaderadioatividade (Unscear (Unscear 2000), em 2000) , em a 80 80 u - 100% da zona urbana encontra-se no nível

n 40 radioatividade (até 5 mSv/ano). ) )

A mSv/ano: mSv/ano: o o

n n e normal de radioatividade (até 5mSv/ano). a a s / / o - os valores- os discrepantes valores discrepantes (acima de (acima 5 de 5

v 60 v 60 D S 20 S 20

m m mSv/ano) ocorremmSv/ano) apenas ocorrem na zonaapenas rural. na zona rural.

( ( Torna-se necessário um estudo complementar

l l Torna-se necessário um estudo a a

u u - 100% da -zona 100% urbana da zona encontra urbana-se e ncontrano nível-se no nível

n 40 n 40 5 (exposição indoor) para concluir a dose efetiva da

A A complementar (exposição indoor) para 0

e e normal de normalradioatividade de radioatividade (até 5mSv/ano) (até 5mSv/ano). . s s

o o radiaçãoconcluir natural. a dose efetiva da radiação natural. D D Rural Urbana 20 20 20 20 Zona (Ur/Ru) Torna-se Torna necessário-se necessárioum estudoum estudo

5 complementar5 complementar (exposição (exposição indoor) paraindoor ) para 0 0 Figura 8: Histograma da Dose Gama Figuraconcluir 9: aHistograma concluirdose efetiva a dose da daradiaçãoefetiva Dose da natural. radiaçãoGama natural. Rural Rural Urbana Urbana mSv/Ano - ZonaZona Urbana (Ur/Ru) Zona PCaldas (Ur/Ru) * mSv/Ano - Zona Rural P Caldas *

FIGURA4000 8 – Histograma da dose gama na zona FIGURA 9 – Histograma da dose gama na urbanaFigura Poços 8Figura: Histograma de Caldas8: Histograma da Dose daGama Dose GamaFigura 30000 9Figura:zona Histograma rural 9: deHistograma Poços da Dose de Caldas daGama Dose * Gama mSv/AnomSv/Ano - Zona Urbana - Zona UrbanaPCaldas PCaldas * mSv/Ano * 25000mSv/Ano - Zona Rural - Zona P RuralCaldas P * Caldas * – * 3000 4000 4000 30000 20000 30000 a a i i c c n n ê ê

u 25000 u 25000 2000 15000 3000q 3000 q e e r r F F 20000 20000 a a a a

i i i 10000 i c c c c n n n n

ê 1000 ê ê ê

u 2000 u 2000 u 15000 u 15000 q q q q

e e e 5000 e r r r r F F F F

10000 10000 1000 0 1000 0 0,45 0,90 1,35 1,80 2,25 2,70 3,15 3,60 0 13 26 39 52 65 78 91 Dose Anual (mSv/ano) 5000 5000 Dose Anual (mSv/ano)

* Histogramas0 0 com diferentes escalas de frequência 0 0 0,45 0,90 0,451,35 0,901,80 1,352,25 1,802,70 2,253,15 2,703,60 3,15 3,60 0 13 026 1339 2652 3965 5278 6591 78 91 Dose Anual (mSv/ano)Dose Anual (mSv/ano) Dose Anual (mSv/ano)Dose Anual (mSv/ano)

* Histogramas* Histogramas com diferentes com escalasdiferentes de escalasfrequência de frequência

* Histogramas com diferentes escalas de frequência

46

4646 Projeto46 Planalto PoçosProjeto de C aldasPlanalto – M Poçosinas Gdeerais Caldas – B –rasil Minas – 2004Gerais a 2009 – Brasil - 2004 a 2009

Projeto PlanaltoProjeto Poços Planalto de Caldas Poços de– Minas Caldas Gerais – Minas – Brasil Gerais - 2004– Brasil a 2009 - 2004 a 2009 POços de CALDAS, MG

MAPA 1 – Dose gama externa no município de Poços de Caldas

MAPA 2 – Dose gama externa na zona urbana de Poços de Caldas

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 47 ANDRADAS , MG

2.8.2 Andradas – Minas Gerais – Brasil ANDRADAS , MG 2.8.2. Andradas - Minas Gerais - Brasil Para este município, verificou-se a dose médiaANDRADAS totalANDRADAS de 0,59 mSv/ano, MG , MG (urbana=0,54

e rural=0,61), segundo a TAB. 8. Já a dose ponderada total foi de 0,54 mSv/ano (urbana=0,54 e 2.8.22.. 8.2AndradasPara. Andradas este município, - Minas - Minas Geraisverificou Gerais - -Brasilse - aBrasil dose média total de 0,59 mSv/ano rural=0,53), demonstrando que as maiores doses médias do município foram localizadas em regiões (urbana=0,54 e rural=0,61), segundo a Tabela 8. Já a dose ponderada total foi de com0,54 mSv/anobaixaPara densidade Para este(urbana=0,54 este município, demográfica, município, e rural=0,53verificou conformeverificou-)se, demonstrando a-se Apêndice dose a dose média –M queapa média totalas 11. maiores totalConsiderando de 0,59 de doses 0,59mSv/ano médias o valormSv/ano de referência da(urbana=0,54do UNSCEAR município(urbana=0,54 e, foramde rural=0,61), e0,5 rural=0,61), localizadasmSv/ano, segundo o segundo emvalor a regiõesTabela da a doseTabela com8 . ponderadaJá 8 baixa. a Já dose a densidade dmundial ponderadaose ponderada é demográfica,similar total total foiao deverificadofoi de neste município.0,54conformemSv/ano0,54mSv/ano ApêndiceComparando (urbana=0,54 (urbana=0,54 – MAPA os valorese rural=0,53 11 e. rural=0,53 Considerandoobtidos), demonstrando com), demonstrando oo estudo valor que dede referência Sachettasque maiores as maiores(2002) da doses Unscear, – doses TAB.médias demédias5, de 0,61 mSv/ do0,5mSv/ano, municípiodo município o valor foram da foram localizadasdose localizadasponderada em mundial regiõesem regiões é comsimilar com baixa ao verificado baixa densidade densidade neste demográfica, município. demográfica, anoComparando para a zona os urbana, valores os obtidos valores com foram o estudocoerentes. de SaNochett Mapa (2002) 12 (Apêndice) – Tabela observa-se5, de que dois setoresconformeconforme censitários Apêndice Apêndice rurais – MAPA ao– MAPA norte 11 .de Considerando11 Andradas,. Considerando com o valor densidade o valor de referência de demográfica referência da Unscear, da entre Unscear, 10de e 25de habitantes 0,5mSv/ano,0,61mSv/ano0,5mSv/ano, o para valor o a valor zonada dose daurba dosepona,nderada poos nderadavalores mundial forammundial é similar coerentes. é similar ao verificado N aoo MAPAverificado neste 12 neste (município.Apêndice município.) porComparandoobserva km²,Comparando- seapresentaram que os dois val os ores setores val os ores obtidosmaiores censitários obtidos com valores com o rurais estudo médios o aoestudo de nortedo Samunicípio, de chett de Sa Andradas, chett (2002) de (2002) 0,95 – com Tabela mSv/ano– densidadeTabela 5, ede 50,80 , de mSv/ano. Provavelmente0,61mSv/anodemográfica0,61mSv/ano e parantre os paraa10valores zona e a25 zonaurba desseshabitantes na,urba os setoresna, valores por os valoreskm² possam foram, apresentaram foram coerentes.ser atribuídoscoerentes. osN omaiores MAPA àN suao MAPA localizaçãovalores 12 (Apêndice 12 médios (Apêndice geográfica) ) dentro daobservado caldeira município,observa-se vulcânica,que-se de doisque 0 ,95 dois setoresonde mSv setores os /ano censitários valores censitários e 0,80 são rurais mSv/ano.similares rurais ao norte aos ao Provavelmente norte do de município Andradas, de Andradas, osde com valoresPoços com densidade de destes densidade Caldas. demográficasetoresdemográfica possam entre ser e 10ntreatribuídos e 1025 ehabitantes 25 à suahabitantes localização por km² por, km² apresentaramgeográfica, apresentaram dentro os maiores daos maiorescaldeira valores valoresvulcânica, médios médios onde os valores são similares aos do município de Poços de Caldas. do município,doA município,FIG. 11de e 0 a,95de FIG. 0 mSv,95 12 /ano mSv mostram /ano e 0,80 e a 0,80 mSv/ano.distribuição mSv/ano. Provavelmente das Provavelmente frequências os valores das os valoresdoses, destes entre destes as zonas setoressetores possam possam ser atribuídos ser atribuídos à sua à localização sua localização geográfica geográfica dentro dentro da caldeira da caldeira vulcânica, vulcânica, urbanaonde ondeos A evalores rural, Figuraos valores respectivamente.são 11 similares sãoe a similaresFigura aos 12 do Nosaos mostramunicípio doMapas municípiom a de3 di e stribuiçãoPoços 4 de são Poços de evidenciados Caldas. das de Caldas.freqüência os valoress das doses, acima de 1,0 mSv/ ano,entre nasas zonas zonas urbana urbana e rurale rural., respectivamente. Nos MAPAS 3 e 4 são evidenciados os valores Aacima FiguraA deFigura 1,011 mSv/ano,e 11 a Figurae a Figura nas 12 zonas mostra 12 mostraurbanam a m die stribuiçãorua ral. distribuição das freqüência das freqüências dass doses, das doses, entre FIGURAentre as zonas 10 as – zonasBoxplot urbana urbana da e doserural e gama,rural respectivamente ,em respectivamente Andradas,. MGNos .– MAPASNosem mSv/ano MAPAS 3 e 4 3 são e 4 evidenciados são evidenciados os os Figura 10: Boxplot da Dose Gama mSv/Ano vs Zona Ur/Ru de Andradas valores valores acima acima de 1,0 de mSv/ano, 1,0 mSv/ano, nas zonas nas zonas urbana urbana e rural. e ru ral. Segundo a classificação de área de 9 Segundo a classificação de área de radioatividade radioatividade (Unscear 2000), em Figura8 Figura 10: Boxplot 10: Boxplot da Dose da Dose Gama Gama mSv/Ano mSv/Ano vs Zona vs(UNSCEAR Zona Ur/Ru Ur/Ru2000), de Andradasem de mSv/ano: Andradas mSv/ano: 7 ) 9 9 Segundo- ExistemSegundo alguns a classificação pontos a classificação discrepantes de acima área de de área de 5 e de o n

a 6 / 8 8 -radioatividadeinferiores Existemradioatividade a alguns10 mSv/ano, pontos (Unscear na (Unscear discrepanteszona rural 2000) (áreas, 2000) acima emde, nível em v S 5 5 m mSv/ano:mSv/ano:

( demédio 5 e deinferiores radioatividade). a 10 mSv/ano, na zona rural 7 7 l ) ) a o o u 4 n n n (áreas- 100% de da nível zona médiourbana deestá radioatividade). no nível normal, assim

a 6 a 6 A

/ /

e - Existem- Existem alguns alguns pontos pontos discrepantes discrepantes acima acima v 3 v - 100% da zona urbana está no nível normal s S S como a maioria da rural. o 5 5 5 5 m m D ( ( de 5 ede inferiores 5 e inferiores a 10 mSv/ano, a 10 mSv/ano, na zona na ruralzona rural

l 2 l assim como a maioria da rural. a a

u 4 u 4

n n (áreas(áreas de nível de médionível médio de radioatividade). de radioatividade). 1 A A Torna-se necessário um estudo complementar e 3 e 3 - 100%- 100%da zona da urbanazona urbana está no está nível no normalnível normal s s Torna-se necessário um estudo o 0 o D 2 D 2 assim(exposição assimcomo indoor) comoa maioria para a maioria concluirda rural. da a rural.dose efetiva da Rural Urbana complementar (exposição indoor) para Zona (Ur/Ru) radiação natural. 1 1 concluir a dose efetiva da radiação natural. TornaTorna-se -se necessário necessário um um estudo estudo Figura0 0 11: Histograma da Dose Gama Figura 12: Histograma da Dose Gama Rural Rural Urbana Urbana complementarcomplementar (exposição (exposição indoor) indoor) para para mSv/Ano - Zona UrbanaZona (Ur/Ru)Zona Andradas* (Ur/Ru) mSv/Anoconcluirconcluir -a Zona dose a efetiva dose Rural efetiva da Andradas*radiação da radiação natural. natural. FIGURA 11 – Histograma da dose gama na zona FIGURA 12 – Histograma da dose gama na Figura1600 Figura 11: Histograma 11: Histograma da Dose da Dose Gama Gama Figura 20000 Figura 12: Histograma 12: Histograma da Dose da Dose Gama Gama urbana de Andradas* zona rural Andradas* mSv/Ano1400 mSv/Ano - Zona - Zona Urbana Urbana Andradas* Andradas* mSv/AnomSv/Ano - Zona - Zona Rural Rural Andradas* Andradas*

1200 15000 1600 1600 20000 20000 1000 a a i i

c 1400 1400 c n n ê ê

u 800 u 10000 q 1200 1200 q 15000 15000 e e r r F 600 F 1000 1000 a a a a i i i i c c c c

n 400 n n 5000 n ê ê ê ê

u 800 u 800 u 10000 u 10000 q q q q e e e e

r 200 r r r F 600 F 600 F F 0 0 400 4000,32 0,48 0,64 0,80 0,96 1,12 1,28 5000 50001,1 2,2 3,3 4,4 5,5 6,6 7,7 Dose Anual (mSv/ano) Dose Anual (mSv/ano) 200 200 * Histogramas com diferentes escalas de frequência 0 0 0 0 0,32 0,480,32 0,640,48 0,800,64 0,960,80 1,120,96 1,281,12 1,28 1,1 2,21,1 3,32,2 4,43,3 5,54,4 6,65,5 7,76,6 7,7 Dose AnualDose (mSv/ano) Anual (mSv/ano) Dose AnualDose (mSv/ano) Anual (mSv/ano)

* Histogramas* Histogramas com diferentes com diferentes escalas escalas de frequência de frequência * Histogramas com diferentes escalas de frequência

48

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil - 2004 a 2009 48 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 48 48

ProjetoProjeto Planalto Planalto Poços Poços de Caldas de Caldas – Minas – Minas Gerais Gerais – Brasil – Brasil - 2004 - 2004a 2009 a 2009 MAPA 3 – Dose gama externa no município de Andradas

MAPA 4 – Dose gama externa na zona urbana de Andradas

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 49 CALDAS, MG

2.8.3 Caldas – Minas Gerais – Brasil CALDAS, MG

2.8.3. ParaCaldas este - município,Minas Gerais verificou-se - Brasil uma dose média total de 0,70 mSv/ano (urbana=0,75 e

rural=0,69), segundo a TAB. 8. Já a dose ponderada totalCALDAS, foi de 0,66CALDAS, mSv/anoMG (urbana=0,71 MG e rural=0,59),Para demonstrando este município, que verificou as maiores-se uma doses dose médias média do totalmunicípio de 0,70 foram mSv/ano localizadas a oeste 2.(urbana=0,758.3. Caldas2.8.3 e-. MinasCaldas rural=0,69), Gerais - Minas segundo - Brasil Gerais a Tabela - Brasil 8. Já a dose ponderada total foi de em0,66 regiõesmSv/ano com (urbana=0,71 baixa densidade e rural=0,59 demográfica,), demonstrando conforme que Apêndiceas maiores – M dosesapa médias11. Considerando o

valordo município de referência foram da localizadas UNSCEAR ao (2000),oeste em de regiões 0,5 mSv/ano, com baixa o valor densidade da dose demográfica, ponderada foi superior Para este município,Para este município,verificou-se verificou uma dose-se uma média dose total média de 0,70 total mSv/ano de 0,70 mSv/ano em(urbana=0,75conforme 32%. Comparando (urbana=0,75 Apêndice e rural=0,69), – osMAPA e rural=0,69), valores segundo 11 .obtidos Considerandoa segundoTabela com 8a. oTabelaJá estudo o a valor dose 8 de. de ponderadaJá Sachett referência a dose (2002) ponderadatotal da foi – UNSCEAR TAB. de total 5, foi que de foi de 0,80 mSv/ano0,66(2000),mSv/a de nopara0,66 0,5mSv/ano, (urbana=0,71 mSv/aa zonano urbana,( urbana=0,71o evalor rural=0,59 osda valoresdose e) ,rural=0,59 demonstrandopo nderadaforam) ,inferiores. demonstrando foi que superior as maiores em que 32% as doses maiores. Comparando médias doses médiasos doval municípioores obtidosdo forammunicípio com localizadas o foramestudo localizadasao de oeste Sachett em ao regiões (2002) oeste emcom – Tabelaregiões baixa densidade com5, que baixa foi demográfica, densidade de 0,80 mSv/anodemográfica, para a zona urbana, os valores foram inferiores. conformeNo Apêndice conformeMapa 12 – Apêndice (Apêndice)MAPA 11– .MAPA Considerandoobserva-se 11. Considerando que o valor três setores de oreferência valor censitários de da referência UNSCEAR rurais da ao UNSCEAR extremo oeste de (2000), deN o0,5mSv/ano,(2000), MAPA de 0,5mSv/ano,12 o valor(Apêndice da dose o valor) poobservanderada da dose-se foipo que nderadasuperior três foi em setores superior 32%. Comparando censitários em 32%. Comparando ruraisos ao os Caldas,valextremoores obtidos com oesteval oresdensidades comde obtidosCaldas, o estudo com comdemográficas de o densidadesSa estudochett (2002)de Sa entredemográficaschett – Tabela0 (2002)e 25 5 habitantes –,entre queTabela foi0 e de 525 ,por 0,80que habitantes km² foimSv/ano deapresentaram 0,80 por mSv/anokm² os maiores níveisparaapresentaram a zona do município, paraurbana, osa zona maioresos valores urbana,com níveisvalores foram os valores doinferiores. médios município, foram de inferiores. 2,50 com mSv/ano valores médios(Campo de do 2,50 Cercado mSv/ano e Mineração de Urânio),(CampoN o comdo MAPA Cercado 1,36N 12omSv/ano MAPAe( ApêndiceMineração (Morro12 ) (Apêndiceo debserva do Urânio), Taquari)-se) oquebserva com e três 0,98-1,36se setores que mSv/anomSv/ano três censitários setores (Setor(Morro censitários rurais rural do Taquari) Oeste). ao rurais e ao extremo0,98 mSv/ano oesteextremo de (Setor Caldas, oeste rural comde Caldas,Oeste). densidades com densidadesdemográficas demográficas entre 0 e 25 entre habitantes 0 e 25 porhabitantes km² por km² apresentaramAplicamapresentaram os maiores-se os mesmosos níveis maiores do argumentos município, níveis do município, com de Andradas valores com médios para valores os de médiosvalores2,50 mSv/ano de encontrados 2,50 mSv/ano (CampoquantoAplicam-se do à localização(CampoCercado do eos Mineração Cercado geográficamesmos e deMineração argumentos dentroUrânio), da de com caldeiraUrânio), de 1,36 Andradas mSv/ano vulcânica,com 1,36 para(Morro mSv/ano al émos do devalores Taquari)(Morro incluir encontradosdo e as Taquari) duas e quanto à localização0,98anomalias mSv/ano0,98 geográfica de(Setor mSv/ano elevada rural (SetorOeste). dentro radi rural ação da Oeste). caldeira natural vulcânica, reconhecidas além de internacionalmente incluir as duas anomalias neste de elevada Aplicam-se Aplicam os mesmos-se os argumentos mesmos argumentos de Andradas de para Andradas os valores para osencontrados valores encontrados radiaçãomunicípio. natural reconhecidas internacionalmente neste município. A FIG. 14 e a FIG. 15 mostram quanto à localizaçãoquanto à localização geográfica dentrogeográfica da caldeira dentro da vulcânica, caldeira al vulcânica,ém de incluir além as de duas incluir as duas aanomalias distribuiçãoA anomaliasFigura de daselevada 14 frequências dee a radi Figuraelevadaação das 15 natural radi mostramdoses,ação reconhecidas naturalentre a distribuição as reconhecidas zonas internacionalmente dasurbana freqüências internacionalmente e rural, neste das respectivamente. doses, neste Nos Mmunicípio.entreapas as 5zonas município.e 6 são urbana evidenciados e rural, respectivamente. os valores acima Nos de MAPAS 1,0 mSv/ano, 5 e 6 são nas evidenciados zonas urbana os e rural. valoresA acimaFigura de 14 A1,0 eFigura mSv/ano,a Figura 14 e15 nasa mostramFigura zonas 15 urbanaa mostramdistribuição e rural. a distribuição das freqüências das freqüênciasdas doses, das doses,

entreFIGURA as zonas 13entre – Boxploturbana as zonas eda rural, doseurbana re gamaspectivamente. e rural, em Caldas, respectivamente. Nos MG MAPAS– em mSv/ano Nos 5 MAPASe 6 são evidenciados 5 e 6 são evidenciados os os valoresFigura acima 13valores: Boxplot de 1,0 acima mSv/ano, da deDose 1,0 nas mSv/ano,Gama zonas mSv/Ano urbana nas zonas e rural.vs urbana Zona eUr/Ru rural. de Caldas

16 SegundoSegundo a a classificação classificação de área de de radioatividade área de (UNSCEAR Figura14 13: FiguraBoxplot 13 da: Boxplot Dose Gama da Dose mSv/Ano Gama vs mSv/Ano Zonaradioatividade Ur/Ru vs Zona de (UnscearCaldas Ur/Ru 2000)de Caldas, em mSv/ano 2000), em mSv/ano 1612 16 - Existem alguns pontos discrepantes acima ) Segundo a Segundo classificação a classificação de área de de área de o

n - Existem alguns pontos discrepantes acima de 5 e inferiores a

14a 14 radioatividadede 5 e inferioresradioatividade (Unscear a 2000) 15 (UnscearmSv/ano,, em mSv/ano 2000) na zona , em rural,mSv/ano / 10 v S sendo15 mSv/ano, as na áreas zona rural, com sendo esses as áreas valores com esses valores 12m 12 - Existem alguns- Ex istem pontos alguns discrepantes pontos acima discrepantes acima ) ) (

8 o o l n n a classificadas como de nível médio de radioatividade. a a de 5 eclassificadas inferioresde a5 15e inferiores comomSv/ano, de a na 15 nívelzonamSv/ano, rural, médio na zona de rural, u

/ 10 / 10 n v 6 v A S S sendoradioatividade. as sendo áreas com as áreas esses com valores esses valores

m m - 100% da zona urbana está no nível normal, assim como a e

( ( 5 s

8 8 l l o

a 4 a D classificadas classificadas como de nível como médio de nível de médio de u u - 100%maioria da da zona rural. urbana está no nível normal, n 6 n 6 A A radioatividade.radioatividade. e 2 e 5 assim5 como a maioria da rural. s s o 4 o 4 D D - 100%Torna da zona-se- 100% urbananecessário da está zona no urbana nível normal,estáum no nível estudo normal, 0 Torna-se necessário um estudo complementar (exposição indoor) 2 2 assimcomplementar como a assimmaioria como da (exposição rural. a maioria daindoor) rural. para Rural Urbana Torna-separa concluirTornanecessário- ase dose efetivanecessárioum da radiação estudoum natural. estudo 0 0 Zona (Ur/Ru) concluir a dose efetiva da radiação natural. Rural Rural Urbana Urbana complementar complementar (exposição indoor) (exposição para indoor) para Figura 14: HistogramaZona (Ur/Ru) da DoseZona (Ur/Ru) Gama concluirFigura a dose 15concluir efetiva: Histograma ada dose radiação efetiva da natural. da Dose radiação Gama natural. FIGURA 14 – Histograma da dose gama na zona FIGURA 15 – Histograma da dose gama na FiguramSv/Ano 14: FiguraHistograma- Zona 14 Urbana: Histograma da Dose de Caldas Gama da Dose * GamaFigura mSv/Ano 15: FiguraHistograma - Zona15: Histograma da Rural Dose de Gama daCaldas Dose * Gama urbana de Caldas* zona rural de Caldas* mSv/Ano1200 - mSv/AnoZona Urbana - Zona de UrbanaCaldas* de CaldasmSv/Ano* 25000 - mSv/AnoZona Rural - Zona de Caldas Rural* de Caldas*

1200 1200 25000 25000 1000 20000

1000 1000 800 20000 20000 a a i i 15000 c 800 800 c n n ê ê a a a a i i i i u 600 15000 u 15000 c c c c q q n n n n e e ê ê ê ê r r u u u u F 600 600 F 10000 q q q q e e e e

r 400 r r r F F F 10000 F 10000 400 400 5000 200 5000 5000 200 200

0 0 0 0,5 1,0 0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 0 0,0 1,90 3,8 5,7 7,6 9,5 11,4 13,3 15,2 0,5 1,0 1,5 0,5Dose2,0 Anual1,0 2,5 (mSv/ano)1,5 3,0 2,0 3,5 2,5 4,0 3,0 3,5 4,00,0 1,9 3,8 0,05,7 1,97,6Dose3,8 Anual9,5 (mSv/ano)5,711,4 7,613,3 9,515,2 11,4 13,3 15,2 Dose Anual (mSv/ano) Dose Anual (mSv/ano) Dose Anual (mSv/ano) Dose Anual (mSv/ano) * Histogramas com diferentes escalas de frequência. * Histogramas* comHistogramas diferentes com escalas diferentes de frequência. escalas de frequência. * Histogramas com diferentes escalas de frequência.

5050 50

50 Projeto Planalto PProjetooçosProjeto de Planalto C PlanaltoaldasProjeto Poços – PlanaltoPoçosM inasde Caldas deG Poçoserais Caldas – Minas de – B –Caldasrasil Minas Gerais – Gerais Minas2004– Brasil a Gerais –2009 -Brasil 2004 – Brasil a- 20092004 - 2004 a 2009 a 2009 MAPA 5 – Dose gama externa no município de Caldas

MAPA 6 – Dose gama externa na zona urbana de Caldas

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 51 IBITIÚRA DE MINAS, MG

2.8.4 Ibitiúra de Minas – Minas Gerais IBITIÚRA – Brasil DE MINAS, MG IBITIÚRAIBITIÚRA DE MINAS,DE MINAS, MG MG 2.8.4. ParaIbitiúra este demunicípio, Minas -verificou-se Minas Gerais uma -dose Brasil média total de 0,55 mSv/ano (urbana=0,70 e 2. 8.4.2. Ibitiúra8.4. Ibitiúra de Minas de Minas - Minas - Minas Gerais Gerais - Brasil - Brasil rural=0,52), Para segundo este município, a TAB. verificou8. Já a -dosese uma ponderada dose média total foi total de de0,62 0,55 mSv/ano mSv/ano (urbana=0,69 e rural=0,51),(urbana=Para0,70 demonstrando estePara e rural=0,52), município, este município, que segundoverificou não verificou houve a-se Tabela uma uma-se dose uma8concentração. Já dosemédia a dose média total ponderadade doses detotal 0,55 deelevadas total mSv/ano 0,55 foi mSv/ano segundo de a zona (urbana=de0,62 residência.mSv/ano(urbana=0,70 e 0,70 (Considerandourbana=0,69 rural=0,52), e rural=0,52), segundo eo parâmetro rural=0,51), segundo a Tabela dea Tabela0,5demonstrando 8 . mSv/ano Já 8 a. dose Já da a que ponderada doseUNSCEAR não ponderada houve total (2000), foi total uma deo foi valor de da dose 0,62ponderadaconcentraçãomSv/ano0,62mSv/ano foi desuperior (urbana=0,69 do (sesurbana=0,69 em elevadas 24%. e rural=0,51), segundo e rural=0,51), a demonstrando zona demonstrando de residência que . não que Consider houve não ando houve uma o uma concentraçãoparâmetroconcentração de de 0,5 do mSv/ano deses do elevadasses d a elevadas UNSCEAR segundo segundo a (2000), zona a zona deo valor residência de da residência dose. Consider po. nderada Considerando foiando o o superior em 24%. parâmetroparâmetroNão d forame 0,5 d eobtidos mSv/ano 0,5 mSv/ano valores da UNSCEAR ddea UNSCEARreferência (2000), na (2000), literatura o valor o valor dapara dose este da podose município,nderada ponderada foi uma foi vez que a superiorsuperior em 24 em%. 24%. maior parte Não foramde sua obtidos localização valores geográfica de referência está nafora literatura da caldeira para vulcânica,este município mas , serveuma de parâmetro devez comparação queNão a maior foramNão partepara foramobtidos asde obtidossuademais valores localização valores regiões. de referência degeográfica Ressalte-se referência na literaturaestá na que fora literatura a da parainclusão caldeira este para municípiodesse vulestecânica, município município, umamas , umano presente vezestudoserve que vezde deve-sea parâmetroquemaior a maiorparteà sua de de parte localizaçãocomparação sua de localização sua dentrolocalização para geográficaas de demais um geográfica raio estáregiões. de fora20 está km, Ressalteda fora caldeiraa partirda- secaldeira dovulque centrocânica, a vulinclusãocânica, damas mina mas de urânio, serveconformedesse servedemunicípio parâmetro a demetodologia parâmetro no depresente comparação eleita.de comparaçãoestudo paradeve as-parase demais à suaas demais localização regiões. regiões. Ressalte dentro Ressalte- sede queum-se araio queinclusão de a inclusão20 dessekm, a dessemunicípiopartir municípiodo centro no presente dano mina presente estudo de urânio, estudo deve conforme- sedeve à sua-se àlocalizaçãoa suametodologia localização dentro eleita dentro de. um de raio um de raio 20 de 20 km, a km,partir a dopartir centro do centro da mina da demina urânio, de urânio, conforme conforme a metodologia a metodologia eleita. eleita . A FIG.Figura 17 17e ae FIG.a Figura 18 mostram 18 mostram a distribuição a distribuição das dasfrequências freqüências das das doses, doses, entre as zonas urbanaentre asA e zonas Figurarural,A urbanaFigurarespectivamente. 17 e a e17 Figura rural, e a Figura respectivamente. 18 Nos mostram 18M apasmostram a distribuição 7Nos e a8 distribuição MAPASsão evidenciados das 7freqüências edas 8 sãofreqüências onde evidenciados das ocorreram doses, das doses, os valores entrepontuaisonde asentreocorreram zonasacima as zonas urbana de os 1,0 valores urbana ee rural,abaixo pontuais e rural, respectivamente. de 3,0 respectivamente. acima mSv/ano de 1,0 Nos (os e MAPAS abaixomaisNos elevadosMAPAS de 7 3,0e 8 mSv/ano 7nessesão e 8 evidenciados sãomunicípio). (os evidenciados mais ondeelevados ocorreramonde nesse ocorreram município). os valores os valores pontuais pontuais acima acima de 1,0 de e 1,0 abaixo e abaixo de 3,0 de mSv/ano 3,0 mSv/ano (os m (osais mais elevadosFIGURAelevados nesse16 – Boxplot nessemunicípio). damunicípio). dose gama em Ibitiúra de Minas, MG – em mSv/ano Figura 16: Boxplot da Dose Gama mSv/Ano vs Zona Ur/Ru de Ibitiúra de Minas

Figura2,0 Figura 16: Boxplot 16: Boxplot da Dose da GamaDose Gama mSv/Ano mSv/Ano vsSegundo Zona vs ZonaUr/Ru a classificaçãoUr/Ru de Ibitiúra de Ibitiúra de de áreaMinas de deMinas Segundo a classificação de área de radioatividade SegundoradioatividadeSegundo a (Unscear classificação a classificação 2000) ,de em mSv/ano: área de de área de 2,0 2,0 (UNSCEAR 2000), em mSv/ano: radioatividade- 100%radioatividade das zonas (Unscear urbana (Unscear 2000) e , ruralem2000) mSv/ano: estão, em mSv/ano:no ) 1,5 o - 100% das zonas urbana e rural estão no nível normal n nível normal (até 5 mSv/ano).

a - 100%- das100% zonas das urbana zonas urbana e rural e estão rural no estão no / v ) 1,5 ) 1,5

S - Na zona rural ocorrem os valores extremos

o o (até 5 mSv/ano). n n

m nível normalnível normal(até 5 mSv/ano). (até 5 mSv/ano). ( a a

l / 1,0 / mais elevados do município. a v v - Na zona rural ocorrem os valores extremos mais u

S S - Na zona- Na rural zona ocorrem rural ocorrem os valores os valoresextremos extremos n m m A ( ( - A zona urbana apresenta doses mais

l l

e 1,0 1,0 maiselevados elevadosmais do elevados município. do município. do município. a a s u u o

n n elevadas que a zona rural. D

A 0,5 A - A zona- A urbana zona urbana apresenta apresenta doses doses mais mais

- A zona urbana apresenta doses mais elevadas que a e e

s s o o elevadaselevadas que a zona que rural.a zona rural. D 0,5 D 0,5 zona rural. É desejável um estudo complementar 0,0 (exposição indoor). Rural Urbana É desejávelÉ desejável um estudoum estudo complementar complementar Zona (Ur/Ru) É desejável um estudo complementar (exposição indoor). 0,0 0,0 (exposição(exposição indoor) indoor). . Rural Rural Urbana Urbana Zona (Ur/Ru)Zona (Ur/Ru) Figura 17: Histograma da Dose Gama Figura 18: Histograma da Dose Gama FiguramSv/AnoFigura 17 :- HistogramaZona 17: HistogramaUrbana da de Dose Ibitiúra da GamaDose de Gama FiguramSv/AnoFigura 18: -Histograma Zona 18: Histograma Rural da de DoseIbitiúra da GamaDose de Gama FIGURA 17 – Histograma da dose gama na zona FIGURA 18 – Histograma da dose gama na mSv/AnoMinasmSv/Ano* - Zona - ZonaUrbana Urbana de Ibitiúra de Ibitiúra de demSv/Ano mSv/Ano - Zona Minas- ZonaRural* Rural de Ibitiúra de Ibitiúra de de urbana de Ibitiúra de Minas* zona rural de Ibitiúra de Minas* Minas180 Minas* * 1200 MinasMinas* *

160 180 180 1200 1200 1000 140 160 160 120 1000800 1000 140 140 a a i i c c

n 100 n

ê 120 120 ê 800 800

u u 600 q q a a a a i i i i

e 80 e c c c c r r n n n n

F 100 100 F ê ê ê ê u u u u 600 600

q 60 q q 400 q

e 80 e 80 e e r r r r F F F F 40 60 60 400 400 200 20 40 40 200 200 0 0 20 0,350 200,525 0,700 0,875 1,050 1,225 1,400 1,575 0,225 0,450 0,675 0,900 1,125 1,350 1,575 1,800 Dose Anual (mSv/ano) Dose Anual (mSv/ano) 0 0 0 0 0,350 0,5250,350 0,7000,525 0,8750,700 1,0500,875 1,2251,050 1,4001,225 1,5751,400 1,575 0,225 0,4500,225 0,6750,450 0,9000,675 1,1250,900 1,3501,125 1,5751,350 1,8001,575 1,800 * Histogramas com diferentesDose Anual (mSv/ano)Dose escalas Anual (mSv/ano) de frequência. Dose Anual (mSv/ano)Dose Anual (mSv/ano)

* Histogramas Histogramas* Histogramas com diferentes com diferentes escalas com diferentesde frequência.escalas escalas de frequência. de frequência.

52

52 52 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil - 2004 a 2009 52 P rojeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 ProjetoProjeto Planalto Planalto Poços dePoços Caldas de Caldas– Minas – GeraisMinas Gerais– Brasil – -Brasil 2004 -a 2004 2009 a 2009 MAPA 7 – Dose gama externa no município de Ibitiúra de Minas

MAPA 8 – Dose gama externa na zona urbana de Ibitiúra de Minas

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 53

SANTA RITA DE CALDAS, MG

SANTA2.8.5. S RITAanta Rita DE CALDAS,de Caldas MG- Minas Gerais - Brasil

2.8.5 Santa Rita de Caldas – Minas Gerais – Brasil Para este município, verificou-se uma dose média total de 0,48 mSv/ano

(urbana=0,64 e rural=0,47), segundo a Tabela 8. Já a dose ponderada total foi de Para este município, verificou-seSANTA umaSANTA dose RITA média RITA DE total CALDAS DEde 0,48 CALDAS mSv/ano, MG , (urbana=0,64MG e rural=0,47),0,57mSv/ano segundo (urbana=0,64 a TAB. 8. Já e rural=0,47),a dose ponderada demonstrando total foi de que0,57 mSv/ano este município (urbana=0,64 não e apresentou concentrações de doses elevadas, segundo a zona de residência. rural=0,47), demonstrando que este município não apresentou concentrações de doses elevadas, Considerando2.8.5. S2.anta8.5. SRita anta o parâmetro de Rita Caldas de Caldas d-e Minas 0,5 - mSv/ano Minas Gerais Gerais - dBrasila UNSCEAR - Brasil (2000), o valor da dose segundopo nderada a zona foi superiorde residência. em 14 Considerando%. o parâmetro de 0,5 mSv/ano da UNSCEAR (2000), o valor da dose ponderada foi superior em 14%. Para estePara município, este município, verificou verificou-se uma-se dose uma média dose tomédiatal de to tal 0,48 de mSv/ano 0,48 mSv/ano (urbana=0,64(urbana=0,64Não foram e rural=0,47), obtidos e rural=0,47), segundo valores segundo a deTabela referência a Tabela8. Já ana 8 d. oseliteraturaJá a ponderada dose ponderadapara total este foi totalmunicípio de foi de , uma vez0,57 mSv/anoqueNão0,57 a forammaiormSv/ano (urbana=0,64 obtidos parte (urbana=0,64 de valores sua e rural=0,47), lo decalização e referência rural=0,47), demonstrando geográfica na demonstrando literatura fica que parafora este que esteda município estecaldeira município, município nãovulcânica, uma não vez mas que a maiorserveapresentou parte deapresentou parâmetro de concentrações sua localização concentrações de comparação de geográfica dos dees eldosparaevadas,es fica as el evadas,forademais segundo da segundocaldeira regiões. a zona vulcânica, a Ressalte de zona residência. de- semas residência.que serve a inclusãode parâmetro dedesseConsiderando comparação municípioConsiderando opara parâmetro no as opresente demais parâmetro de 0,5 regiões.estudo dmSv/anoe 0,5 deve Ressalte-se mSv/ano da- se UNSCEAR à dsuaa que UNSCEAR localização a (2000), inclusão (2000), o dentro valordesse o da valormunicípiode dose um da raio dose no depresente 20 km,ponderada a po partirnderada foi superior do foi centro superior em 14 % da em. min 14%a. de urânio, conforme a metodologia anteriormente estudo deve-se à sua localização dentro de um raio de 20 km, a partir do centro da mina de urânio, conformeapresentada.Não a metodologia foram Não obtidos foram anteriormente obtidosvalores valoresde referência apresentada. de referência na literatura na literatura para este para município este município, uma , uma vez quevez a maior que aparte maior de parte sua lodecalização sua localização geográfica geográfica fica fora fica da foracaldeira da caldeira vulcânica, vulcânica, mas mas Aserve Figura Ade serveFIG. parâmetro 20 de20 e parâmetro ea aFigurade FIG. comparação 21de 21 comparaçãomostram mostram para asa paradistribuiçãoademais distribuição as demaisregiões. das regiões. Ressaltedas frequências freqüências Ressalte-se que das -ase inclusão dasquedoses, doses,a inclusão entre entre as zonasas zonasdesse município urbanadesse município eno rural,presente no r espectivamente.presente estudo deveestudo-se deveà suaNos-se localização àMAPAS sua localização dentro 9 e de 1dentro0 um são raiode evidenciadosum de raio20 de 20 onde urbanakm, a e partirkm, rural, a dorespectivamente. partir centro do dacentro min a da Nos demin urânio,Maapas de urânio, conforme 9 e 10 conforme são a metodologiaevidenciados a metodologia anteriormente onde anteriormenteocorreram os valores pontuaisocorreram acima os devalores 1,0 e pontuaisabaixo de acima 3,0 mSv/ano de 1,0 (ose abaixo mais elevados de 3,0 mSv/ano nesse município), (os mais elevadosa maioria na nesseapresentada. município)apresentada. , a maioria na zona urbana. zona urbana. A FiguraA Figura20 e a Figura20 e a Figura21 mostram 21 mostram a distribuição a distribuição das freqüências das freqüências das doses, das entredoses, as entre as

FIGURAzonas urbana zonas19 – Boxplot urbanae rural, da e dose respectivamente. rural, gama respectivamente. em Santa Nos Rita MAPAS deNos Caldas, MAPAS 9 eMG 10 – 9 sãoem e 1mSv/ano evidenciados0 são evidenciados onde onde Figuraocorreramocorreram 19 os: Boxplotvalores os valorespontuais da Dose pontuais acima Gama de acima 1,0 mSv/Ano e de abaixo 1,0 e de abaixovs 3,0 Zo mSv/ano dena 3,0 Ur/Ru mSv/ano (os demais S.(os elevados Rita mais deelevados Caldas nesse município)nesse município), a maioria, a maioriana zona naurbana. zona urbana. Segundo a classificação de área de radioatividade 1,8 Segundo a classificação de área de radioatividade (UNSCEAR, 2000), em mSv/ano 1,6 (Unscear, 2000), em mSv/ano 1,4 - 100% das zonas urbana e rural estão no nível normal

) - 100% das zonas urbana e rural estão no nível o

n (até 5 mSv/ano.).

Figuraa 1,2 Figura19: Boxplot 19: Boxplot da Dose da Gama Dose mSv/AnoGama mSv/Ano vs Zona vs Ur/Ru Zona deUr/Ru S. Rita de S.de RitaCaldas de Caldas / normal (até 5 mSv/ano.). v S 1,81,0 1,8 - A zona rural ocorre valores extremos mais elevados m

( Segundo Segundo a classificação a classificação de área de de radioatividade área de radioatividade - A zona rural ocorre valores extremos mais l

a 1,6 1,6 u 0,8 (Unscear,(Unscear 20no00) município., em, 20 mSv/ano00) , em mSv/ano n elevados no município. A

1,4 1,4 e ) 0,6 ) - 100% das- 100%- A zonas zona das urbana zonas apresenta e urbana rural estãomaior e rural variabilidadeno estão nível no e nível também s o o o n n - A zona urbana apresenta maior variabilidade e

a 1,2 a 1,2 D

/ / normal (atnormalé 5 mSv/ano.). (até 5 mSv/ano.). v 0,4 v média de doses mais elevadas que a zona rural. S 1,0 S 1,0 m m também média de doses mais elevadas que a zona ( (

- A zona- A rural zona ocorre rural valores ocorre extremos valores extremos mais mais l 0,2 l a a

u 0,8 u 0,8 n n elevadosrural elevadosno município.. no município. A A 0,0 e 0,6 e 0,6 É desejável um estudo complementar para verificar a s s

o o Rural Urbana - A zonaÉ- desejável urbanaA zona apresenta urbana um estudo apresenta maior complementar variabilidade maior variabilidade e para verificar e D D 0,4 0,4 Zona (Ur/Ru) também amédiatambém exposiçãoexposição de média doses indoor.indoor demais doses .elevadas mais elevadasque a zona que a zona 0,2 0,2 rural. rural. 0,0Figura0,0 20: Histograma Dose Gama Figura 21: Histograma Dose Gama Rural Rural Urbana Urbana É desejávelÉ desejável um estudo um complementar estudo complementar para verificar para verificar mSv/Ano-ZonaZona Urbana (Ur/Ru) Zona (Ur/Ru)–S.Rita Caldas a exposição* a exposição indoormSv/Ano. indoor-. Zona Rural-S.Rita Caldas* F igura 20 – Histograma da dose gama na zona Figura 21 – Histograma da dose gama na Figura Figura20: Histograma 20: Histograma Dose Gama Dose Gama Figura Figura21: Histograma 21: Histograma Dose Gama Dose Gama urbana500 de Santa Rita de Caldas* zona5000 rural de Santa Rita de Caldas* mSv/AnomSv/Ano-Zona Urbana-Zona Urbana–S.Rita– CaldasS.Rita *Caldas mSv/Ano* mSv/Ano-Zona Rural-Zona-S.Rita Rural -CaldasS.Rita *Caldas *

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** Histogramas* Histogramas com com diferentes diferentes com diferentes escal escalas de escal asfrequência. deas defrequência. frequência. * Histogramas com diferentes escalas de frequência.

5454 54

54 Projeto Planalto PoçosProjeto de Caldas PlanaltoProjeto – M PlanaltoPoçosinas Gdeerais Poços Caldas – de B–rasil CaldasMinas – Gerais –2004 Minas a – 2009 BrasilGerais - – 2004 Brasil a 2009- 2004 a 2009 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil - 2004 a 2009 MAPA 9 – Dose gama externa no município de Santa Rita de Caldas

MAPA 10 – Dose gama externa na zona urbana de Santa Rita de Caldas

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 55 2.9 Resultado do Planalto Poços de Caldas

Considerando que a radiação ionizante natural externa gama terrestre, proveniente do solo, não deve sofrer alteração ao longo de muitos anos, as medições realizadas poderão subsidiar novos estudos, uma vez que os dados estão disponíveis tanto em valores médios de dose como também em medições de dose.

Os valores da dose populacional dependem da evolução quantitativa da população, fornecida pelo IBGE, ressaltando-se a necessidade de novos cálculos a cada atualização do censo. O presente estudo assumiu que as doses externas indoor e outdoor sejam equivalentes, e as melhorias que podem ser realizadas são as medições da dose externa indoor, do Fator de Ocupação – que define o tempo de exposição diário e as medições da dose interna – através da medição de radônio, permitindo assim realizar análise fidedigna do risco à saúde. Para a Saúde Pública, a forma de cálculo com base no tamanho da população é a mais indicada (TAB. 3).

Em relação à dose média ponderada pela população, cujo valor de referência da radiação ionizante natural externa gama terrestre é de 0,5 mSv/ano, segundo UNSCEAR (2000), os resultados encontrados não foram superiores ao dobro desse parâmetro. Não é possível afirmar se esses valores são elevados (ou não) considerando a limitação na representatividade da população mundial no cálculo da estimativa da dose global (Sachett, 2002). Por outro lado, o comitê admite que muitos locais apresentam níveis típicos de exposição à radiação natural que excedem os níveis médios mundiais, em fatores de 10 e até mesmo de 100 mSv/ano.

Foram encontrados três locais com doses bastante elevadas, todos no interior da caldeira vulcânica: no Morro do Ferro (95,5 mSv/ano), zona rural de Poços de Caldas; no Campo do Cercado – Mina de Urânio (14,43 mSv/ano) e no Morro do Taquari (13,56 mSv/ano), o primeiro na zona rural de Poços de Caldas e os dois últimos na zona rural de Caldas. Essas áreas possuem baixa (ou nula) densidade demográfica.

Os valores levantados até o momento neste projeto respondem por apenas uma parcela da dose total. Os futuros levantamentos a se realizarem dentro das residências fornecerão doses que serão ponderadas com o tempo de permanência média da população em cada ambiente. Por esse motivo, os pontos alterados, encontrados em áreas despovoadas, contribuirão apenas com a dose outdoor, podendo ser atenuados pela ausência de dose indoor.

As áreas no interior da caldeira vulcânica apresentaram os maiores valores de dose aritmética, entretanto, na área urbana, as doses populacionais foram mais altas somente para o município de Poços de Caldas (0,98 mSv/ano), por estar totalmente contido na referida caldeira, enquanto Caldas, que está na borda, apresentou 0,71 mSv/ano. Andradas – 0,54 mSv/ano, Santa Rita de Caldas – 0,64 mSv/ano e Ibitiúra de Minas – 0,69 mSv/ano, que estão mais distantes. Caldas e Ibitiúra de Minas apresentam valores bem próximos, o que aponta para uma situação de não relação entre valor de dose média e distância da caldeira.

56 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 Embora Andradas e Santa Rita de Caldas tenham apresentado valores em torno da média mundial, devem receber atenção especial devido aos pontos com doses elevadas que neles foram constatados.

Percebe-se que independentemente dos níveis de radônio que corresponderiam à dose interna (ainda não medidos), pode-se dizer que alguma regiões do planalto se enquadrariam nas categorias de média (dose entre 5-10 mSv/ano), de elevada (dose entre 20 e 50 mSv/ano) e muito elevada radiação natural (dose superior a 50 mSv/ano). Ressalta-se que essas regiões não são habitadas demandando ações do poder público para que não ocorra construção de moradia nestas áreas.

Considerando a norma CNEN 3.01/007 que estabelece em 10 mSv/ano o valor genérico de referência para uma ação de intervenção em situações de exposição crônica da população a radiação natural, pode-se destacar os valores individuais analisados por município, acima desse valor de referência dos picos das três anomalias já conhecidas, todos na área rural, na ordem: Morro do Ferro em Poços de Caldas (46 pontos), Mina de Urânio (8 pontos) e Morro do Taquari (5 pontos), esses últimos em Caldas. Além desses, há um ponto isolado na área periurbana de Poços de Caldas. Na área urbana, todos ficaram abaixo desse valor de referência, exceto em Caldas, que apresentou um pico de 4,13 mSv/ano, e Poços de Caldas, com um pico de 3,74 mSv/ano.

Das 60 medições com valores acima de 10 mSv/ano (FIG. 22), observa-se que a maior parte desses pontos apresenta valor menor do que 20 mSv/ano. Note-se que essa análise se refere aos valores medidos em pontos específicos e não representam doses médias de exposição. A vigilância em saúde deve monitorar a movimentação de pessoas nessas imediações. Em relação à Mina de Urânio, a CNEN cumpre seu papel fiscalizador, monitorando os níveis de radiação dos trabalhadores e do ambiente do entorno.

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Dose Anual (mSv/ano)

FIGURA 22 – Número absoluto de medições de dose, segundo categorias de doses acima de 10 mSv/ano

Comparando com estudos anteriores, o atual contribuiu com um levantamento sistemático e não amostral dos valores de dose, classificados por município e por zona urbana e rural. Todos os pontos levantados (mais de 417.324) estão georreferenciados, podendo ser tomados pontualmente ou agrupados por qualquer critério. Também aponta exatamente os locais que merecem maior atenção quanto à vigilância em saúde.

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 57

Na Figura 23, observa-se na zona urbana que a maior variabilidade ocorre, em CaldasNa FIG. e Poços 23, observa-se de Caldas entretanto, na zona urbana mesmo queos valores a maior discr variabilidadeepantes, encontram ocorre - emse no Caldas e Poços nívelde Caldas; normal deentretanto, radioatividade. mesmo os valores discrepantes encontram-se no nível normal de radioatividade. Na zona rural, a maior discrepância é verificada em Poços de Caldas, com valores tão elevados que foi preciso usar uma escala mais elevada de doses do que a utilizadaNa zona para rural, a zonaa maior urbana. discrepância Observe-se é queverificada esses valores em Poçosdiscrepantes de Caldas, correspondem com valores tão elevadosàs que duas foi anomalias,preciso usar do uma Morro escala do mais Taquari elevada e de Morro doses do do Ferro,que a utilizada reconhecidas para a zona urbana.internacionalmente. Observe-se que esses valores discrepantes correspondem às duas anomalias, do Morro do Taquari e Morro do Ferro, reconhecidas internacionalmente. Figura 23: Dose Gama Externa – Áreas urbana e rural dos municípios

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Andradas Caldas Ibitiúra de Minas Poços de Caldas Santa Rita de Caldas Município - Zona Rural

FIGURA 23 – Dose gama externa – Áreas urbana e rural dos municípios 58

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil - 2004 a 2009

58 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009

Na Figura 24, considerando todas as áreas dos municípios, apenas em Poços de Caldas a medição de dose ultrapassou o valor de 20 mSv/ano, de elevada radioatividade Na(20 -FIG.50 mSv/ano) 24, considerando e muito elevada todas as(>50 áreas mSv/ano). dos municípios, Nos outros apenas municípios, em Poços as maiores de Caldas a mediçãovariabilidades de dose ultrapassou foram, por o valororde m:de Caldas20 mSv/ano, e Andradas, de elevada que tiveram radioatividade valores (20-50discrepantes mSv/ano) e muito elevadaque correspondem (> 50 mSv/ano). a área Nosde radioatividade outros municípios, média. as Em maiores Ibitiúra variabilidades de Minas e Santa foram, Rita por de ordem: Caldas Caldase Andradas, não são que observadas tiveram valores variações, discrepantes com todos queos valores correspondem no nível anormal. área de Todos radioatividade os média. municípiosEm Ibitiúra apresentaramde Minas e Santa os valo Ritares de medianos Caldas denão doses são correspondentesobservadas variações, às áreas com de todos radioatividade normal (< 5 mSv/ano). os valores no nível normal. Todos os municípios apresentaram os valores medianos de doses correspondentes às áreasFigura de radioatividade 24: Dose Gama normal Externa (< 5 mSv/ano). nos municípios

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Andradas Caldas Ibitiúra de Minas Poços de Caldas Santa Rita de Caldas Município

FIGURADos 24 – Mapas Dose gama externa nos municípios

Em relação à espacialização vários mapas foram produzidos em diferentes combinações de variáveis e o banco de dados, permite que inúmeros outros sejam Dos Mapascriados, conforme a necessidade. Foram aqui selecionados 16 mapas por serem considerados os mais representativos desse estudo. Com o acesso por meio digital a Emvisualização relação à espacialização, dos mapas poderá vários ser mapas melhorada foram produzidos significativamente em diferentes (zoom), combinações o que de variáveis,facilitará e o banco a observação de dados dos permite pequenos que inúmeros detalhes. outros sejam criados, conforme a necessidade. Foram aqui selecionados 16 mapas por serem considerados os mais representativos desse estudo. Torna-se importante destacar que os mapas aqui apresentados tiveram sete Com o acessocategorias por segundo meio digital, os valores a visualização das medições dos pormapas ser essa poderá estratégia ser melhorada mais apropriada significativamente para (zoom),uma o que melhor facilitará visualização a observação da localização dos pequenos dos pontos detalhes. mais elevados, intermediários ou baixos. Portanto um valor pode ser considerado elevado se comparado com as outras Torna-semedições importante da pesquisa destacar e contrariamente que esses mapas ser con tiveramsiderado sete como categorias, “normal” segundo segundo os a valores das medições,classificaç porão ser das essa áreas estratégia de radioatividade mais apropriada proposta para por umaSohrabi melhor (1998). visualização Unscear (2000) da localização e Hendry (2009). dos pontos mais elevados, intermediários ou baixos. Portanto, um valor pode ser considerado elevado se comparado com as outras medições da pesquisa e, contrariamente, ser considerado como “normal” segundo a classificação das áreas de radioatividade proposta por Sohrabi (1998), UNSCEAR (2000) e Hendry et al. (2009). 59

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil - 2004 a 2009

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 59 Se a categorização das cores fosse realizada com base nessa última classificação, em torno de 99% dos pontos estariam no mesmo nível (normal, até 5 mSv/ano) e numa mesma cor, o que conferiria um padrão visual homogêneo e faria perder o detalhamento conferido na espacialização dos pontos da pesquisa. Essa técnica também facilitou a visualização do parâmetro de 0,5 mSv/ ano, que é a fração atribuída pela UNSCEAR (2000) à radiação natural externa gama terrestre na dose efetiva mundial com base populacional, que foi o parâmetro adotado para as análises.

Outro aspecto é o uso da tecnologia atual com o GPS, que possibilitou obter um mapa com muito mais detalhes do que aquele produzido na década de 1950, relatado por Resk Fraya (1962), por levantamento aéreo, na época da descoberta dos elementos radioativos na região, antes do início da mineração. Pela precisão das medições atuais, torna-se necessária a retificação da frequente citação encontrada na literatura, de que a região do Planalto Poços de Caldas é de elevada radiação natural.

Em relação aos mapas apresentados no Apêndice desse documento, são ressaltadas as seguintes considerações:

MAPA 11 – Densidade demográfica dos cinco municípios do Planalto Poços de Caldas por setores censitários – Minas Gerais – População Ano 2000 (IBGE)

Observa-se que, em todos os municípios pesquisados, as áreas mais densamente povoadas são as zonas urbanas e ocorre uma variação nas zonas rurais. Em Poços de Caldas observa-se um território praticamente dividido em duas partes, de maior densidade demográfica no centro (zona urbana) e no norte da zona rural e menor (sul). Em Andradas e Ibitiúra de Minas ocorre uma distribuição mais homogênea da população nas zonas rurais, enquanto em Santa Rita de Caldas e Caldas a população rural concentra-se em algumas áreas específicas. A distribuição populacional provavelmente se deve às atividades econômicas e ao relevo da região (vide TAB. 6).

MAPA 12 – Doses de radiação gama externa na malha viária dos cinco municípios do Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Períodos: 2002/2003 e 2006/2008

Há uma visualização diferenciada na área que compreende a caldeira vulcânica, que concentra os pontos de maior dose. Essa área abrange a quase totalidade do município de Poços de Caldas e parte de Caldas e Andradas. Estão destacados em cor vermelha e preta os pontos de maior valor, no Morro do Ferro, na Mina de Urânio e no Morro do Taquari. Os valores máximos de dose encontrados em Ibitiúra de Minas e Santa Rita de Caldas não podem ser visualizados por serem pontos isolados e de valores relativamente baixos.

MAPA 13 – Doses interpoladas de radiação gama externa na malha viária dos cinco municípios do Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Períodos: 2002/2003 e 2006/2008 – Por hectare

A importância dessa técnica no presente estudo foi propiciar o cálculo das doses médias populacionais. A diferença com o Mapa 12 é o maior destaque visual obtido pelo espalhamento da dose pelas áreas contíguas aos pontos levantados, refletindo basicamente as mesmas feições já observadas, apenas realçando a influência de cada ponto no seu entorno.

60 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 Mapa 14 – Doses máximas de radiação gama externa na malha viária dos cinco municípios do Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Períodos: 2002/2003 e 2006/2008 – Por hectare.

Este mapa mostra o maior valor de dose gama externa encontrado em cada hectare do Planalto Poços de Caldas. Observa-se que os níveis encontrados são superiores aos mostrados no Mapa 13 em diversas regiões, demonstrando anomalias pontuais não encontradas no mapa anterior. Este mapa é fundamental para a vigilância da saúde da população residente muito próximo a essas anomalias. No entanto, é necessário frisar que a dose registrada em cada hectare é do maior ponto encontrado, e não de sua área total, pois foram desconsiderados todos os demais pontos.

Mapa 15 – Doses médias interpoladas de radiação gama externa segundo óbitos por câncer e municípios selecionados do Planalto Poços de Caldas Períodos das medições: 2002/2003 e 2006-2008 – Período dos óbitos: 1999-2005

Observa-se que há um distanciamento entre os óbitos e as anomalias que concentram os valores mais elevados de dose. Entretanto, apenas os estudos epidemiológicos de correlação poderão responder cientificamente à questão.

Ressalte-se que em Ibitiúra de Minas e Santa Rita de Caldas não ocorreram óbitos pelos cânceres selecionados, entre 1999 a 2005 e, consequentemente, eles não são observados nesses municípios.

Mapa 16 – Doses máximas interpoladas de radiação gama externa segundo óbitos por câncer e municípios selecionados do Planalto Poços de Caldas Períodos das medições: 2002/2003 e 2006-2008 – Período dos óbitos: 1999-2005

Mesmo considerando as doses pelo seu valor máximo, que configura a pior das hipóteses, observa-se uma visualização próxima à dos valores médios e ainda à distância entre óbitos e regiões de medições mais elevadas (Mapas 15 e 16).

PRINCIPAIS DESTAQUES NOS RESULTADOS DAS MEDIÇÕES

As medições da radiação natural gama terrestre realizadas no presente estudo demonstraram que existe uma variação espacial coerente com a geologia da região. Devido à cobertura total da malha viária, foi possível identificar pontualmente onde existem os maiores valores de dose, ou seja, onde podem ser planejados monitoramentos especiais e ações de proteção, sendo esse o diferencial em relação aos estudos anteriores que foram baseados em amostras.

Os pontos mais elevados indicam os locais que merecem maior atenção quanto à vigilância em saúde. Por outro lado, ao demonstrar que o problema é pontual e não geral na região, é provável que a conhecida citação região de elevada radiação natural venha a ser alterada para alguns locais da região, uma vez que a maioria dos valores até agora encontrados são muito inferiores a 5 mSv/ ano, classificado como de baixa radiação natural.

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 61 Comparando com estudos anteriores, o atual contribuiu com um levantamento sistemático, e não amostral, dos valores de dose, classificados por município e por zona urbana e rural. Todos os pontos levantados estão georreferenciados, podendo ser tomados individualmente ou agrupados por qualquer critério. O banco de medições obtido é uma conquista que deve ser atribuída à integração interinstitucional em virtude da complexidade técnica, operacional, custo, tempo de duração, entre outros fatores envolvidos. Essa realização era necessária, uma vez que esse tipo de radiação pode variar entre pontos muito próximos.

O banco de dados das medições, com 417.324 pontos medidos, permite várias possibilidades de análise e diversas combinações de espacialização. Foram apresentadas nesse documento algumas dessas técnicas, por exemplo, dois tipos de cálculos de dose efetiva da radiação natural gama terrestre baseadas na média aritmética dos valores medidos e na média ponderada pela população. A primeira de inegável valor devido à sua estabilidade ao longo dos anos, por depender apenas da concentração dos elementos radioativos do solo. A segunda por estar associada à exposição populacional e, por esse motivo, ser de maior interesse para a gestão da vigilância em saúde.

Até o momento, o presente estudo encontrou apenas três locais, a mina de urânio, o Morro do Ferro e o Morro do Taquari, que se enquadram na classificação proposta por Sohrabi (1998), sendo considerado como nível de muita elevada radioatividade (20-50 mSv/ano) e os últimos de nível médio (5-20 mSv/ano). Os 60 pontos mais elevados (acima de 10 mSv/ano) representam 0,01% do total de medições realizadas. Para os demais locais, a medição da dose interna (radônio) e da dose externa indoor é de fundamental importância para seja calculada a dose efetiva global.

O alerta é que esses locais de pontos mais elevados de cada município sejam monitorados sistematicamente pela vigilância em saúde, sendo desejável uma ação conjunta com a CNEN. Os pontos com valores superiores a 10 mSv/ano, o Morro do Ferro (zona rural de Poços de Caldas), a Mina de Urânio e o Morro do Taquari (ambos na zona rural de Caldas) estão sujeitos a ações de intervenção estabelecida na norma CNEN 3.01/007, de janeiro de 2007. Os Morros do Ferro e do Taquari não são habitados, o que não exclui a possibilidade de ocorrer alguma movimentação de pessoas nesses locais, sendo necessárias, portanto, medidas de proteção. Em relação à mina de urânio, a CNEN a fiscaliza desde 1959, o que não exclui que ocorra futura ocupação e uso da terra após a conclusão do seu processo de fechamento.

Como precaução, recomenda-se que as áreas com valores de dose acima de 1,0 mSv/ano sejam reconhecidas e monitoradas pela vigilância de saúde municipal.

62 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 PARTE III – CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES 64 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 3.1 Considerações Finais

Muitas vezes, o local reconhecido como área de radioatividade natural elevada causa receio na população, a qual atribui à radiação possíveis aumentos da incidência de câncer e outras doenças radioinduzidas. O medo do risco evidente gera o descrédito nas avaliações oficiais de segurança.

O perfil populacional aqui apresentado evidenciou elevados indicadores de desenvolvimento humano e uma expectativa de vida superior à média nacional. O envelhecimento aumenta as chances do surgimento de doenças crônicas, entre as quais o câncer. Outros fatores de risco não menos importantes também foram citados, como o uso do tabaco, ingestão de bebidas alcoólicas, alimentação inadequada, etc. Portanto, não é possível atribuir a um risco isolado a causalidade do câncer nessas populações.

O Projeto Planalto Poços de Caldas foi criado para obter informações científicas confiáveis, tecnicamente precisas e eticamente seguras sobre os efeitos da radiação na saúde da população. Os resultados aqui apresentados apenas iniciam uma longa trajetória para atender aos vários e complexos aspectos relacionados à saúde, ao câncer e à radiação. Portanto, várias etapas foram realizadas e outras serão necessárias.

Os estudos realizados fazem parte de um processo que visa ao alcance dos objetivos propostos assim como à divulgação dos resultados encontrados. A investigação dos óbitos por cânceres de pulmão, leucemia e linfoma, denominado estudo de validação, apesar de não ter concretizado o seu principal objetivo teve resultados não menos importantes, pois fundamentou ações para a melhoria dos sistemas de informação, cuja qualidade interfere diretamente no planejamento gerencial fidedigno com a realidade local e no planejamento de ações preventivas no controle das doenças.

Do estudo epidemiológico, o principal resultado foi o fortalecimento da vigilância em saúde nesses municípios, através da implantação dos registros de câncer, de base populacional e hospitalar. Outro importante aspecto foi a sensibilização dos profissionais de saúde para um correto e completo preenchimento dos laudos de diagnóstico e prontuários médicos. Várias instituições também promoveram a melhoria na guarda e segurança da documentação médica.

A implantação do Registro de Câncer de Base Populacional de Poços de Caldas (RCBP) é um importante passo para se estabelecer o cenário do câncer. Apenas esse tipo de registro gera dados de incidência, que é uma informação ainda inexistente nesses municípios. Apenas o RCBP poderá responder sobre a real ocorrência da doença na população e das condições relacionadas à sua causalidade.

O Registro Hospitalar de Câncer da Santa Casa de Misericórdia de Poços de Caldas já está gerando bases de dados para subsidiar os estudos clínicos e avaliar a efetividade da assistência. Ambos os registros de câncer fazem parte da rede estadual e nacional do sistema de informação da doença.

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 65 Em relação ao estudo da radiação ionizante natural externa gama terrestre, o presente estudo identificou três locais com valores de doses médias acima de 10 mSv/ano: o Morro do Ferro (zona rural de Poços de Caldas), a Mina de Urânio e o Morro do Taquari (ambos na zona rural de Caldas).

Para esses locais deve-se cumprir a determinação federal Norma CNEN 3.01/007, por ser “valor genérico de referência para uma ação de intervenção em exposição crônica de membros do público”. Os Morros do Ferro e do Taquari não são habitados, o que não exclui a possibilidade de ocorrer alguma movimentação de pessoas nesses locais; portanto, são cabíveis medidas de proteção. Em relação à mina de urânio, desde 1959 há uma fiscalização pela CNEN, o que não exclui que ocorra uma melhor comunicação com o público sobre o assunto.

Os demais locais apresentam valores de doses inferiores a 5 mSv/ano, e as áreas correspondentes são consideradas como de nível normal de radioatividade. Para esses locais serão necessários novos estudos da radiação ionizante natural interna por inalação (radônio), nos domicílios.

Uma das maiores contribuições desse estudo foi a produção de um banco de dados de 417.334 pontos de medição de dose não amostral, cujos valores são classificados por município e zona de residência, que podem ser tomados individualmente ou agrupados por qualquer critério. Portanto, permite várias possibilidades de análise e de diversas combinações de espacialização. Algumas dessas técnicas foram aqui apresentadas, como os mapas de dose, cuja perspectiva de utilização se estenderá futuramente durante muitos anos.

É importante mencionar que, após a complementação do estudo da radiação natural (radônio), novas abordagens poderão ser propostas, para outros tipos de radiação ou para avaliação de risco à saúde, considerando a importância de se obter um cenário mais abrangente e esclarecedor.

A integração de várias instituições possibilitou reunir profissionais de várias especialidades para atender aos objetivos desse projeto. Nos últimos cinco anos, cerca de cem pessoas estiveram envolvidas nessa realização e contribuíram para o êxito dos resultados aqui apresentados.

Pretende-se que a divulgação desses resultados ao público promova um novo olhar na necessária mudança de hábitos para a conquista de um estilo de vida saudável, sendo essa atitude tão prioritária na saúde humana quanto o respeito e o cuidado com a natureza.

A COMISSÃO COORDENADORA

66 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 3.2 principais aspectos e recomendações

Os resultados apontaram para:

1) A necessidade de melhora dos registros médicos em laudos e prontuários, bem como o adequado arquivamento dessa documentação por constituírem a comprovação legal do histórico de saúde do paciente. Com isso, o Sistema de Informações sobre Mortalidade ganhará maior qualidade e cumprirá a sua finalidade em informar e subsidiar estudos sobre a doença e no embasamento das ações gerenciais e de vigilância.

2) A necessidade de se obterem informações detalhadas sobre a incidência da doença através da implantação do Registro de Câncer de Base Populacional nos municípios, tendo em vista a demanda de esclarecimento sobre a questão por parte da população e dos profissionais de saúde locais.

3) A importância da integração do setor saúde com o Laboratório de Poços de Caldas - CNEN, responsável pela medição da radiação na região e que possibilitou uma realização conjunta desde a elaboração do projeto, o trabalho de campo, a análise e a divulgação dos resultados, que gerou informações científicas confiáveis, tecnicamente precisas e eticamente seguras nos vários aspectos da saúde, câncer e radioatividade.

4) A importância do banco de dados com medições detalhadas que permitirá trabalhos pontuais nas áreas de interesse, com inegável ganho para a região. Por outro lado, com a abrangência dada, poderá também ser utilizado de forma municipal ou regional. Um dos aspectos que passa a ser da responsabilidade da vigilância em saúde municipal é o monitoramento das áreas atualmente despovoadas e que se apresentam com maiores níveis de radiação natural externa.

5) A CNEN e o setor saúde local passam a identificar pontualmente as áreas que necessitam de um maior monitoramento, seja nos pontos elevados (acima de 20 mSv/ano), cujas ações já são definidas pela Norma CNEN 3.01/007, seja naqueles outros que demandem estudos complementares (radiação natural indoor), o que permitirá o cálculo da totalidade da dose média efetiva. Antes disso, não é possível afirmar que exista necessidade de ações especiais.

6) Um aproveitamento de longuíssimo prazo, uma vez que as medições de radiação natural gama externa são estáveis ao longo do tempo. Dessa forma, o cálculo da dose média aritmética será constante.

7) Atualização dos cálculos a cada novo censo, em razão da variação esperada da população residente.

Essa realização é uma iniciativa pioneira no Brasil e cuja metodologia poderá ser replicada em outras áreas similares do País. Esse método já é amplamente utilizado em outros países que apresentam características semelhantes.

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 67 3.3 comunicação gerencial dos resultados

(À esquerda) Reunião da equipe coordenadora com os secretários municipais de saúde (E) de Andradas, Caldas e Ibitiúra de Minas. (À direita) com o secretário municipal de saúde de Poços de Caldas e a comissão assessora do RCBP-Poços de Caldas.

Subsecretário de Vigilância em Saúde, Dr. Luiz Felipe Almeida Caram (ao centro) e Superintendência de Epidemiologia: Francisco Leopoldo Lemos (à direita), Norma Sônia Fernandes Dias, coordenadora estadual do VIGISUS (centro), e Berenice Navarro Antoniazzi. Preparação do lançamento da publicação, em 04/11/09.

68 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 REFERÊNCIAS

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Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 73

APÊNDICE

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 75 76 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 MAPA 11 – Densidade demográfica dos cinco municípios do Planalto Poços de Caldas por setores censitários – Minas Gerais População: Ano 2000

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, 2000

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 77 MAPA 12 – Doses de radiação gama externa na malha viária dos cinco municípios do Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais Períodos: 2002/2003 e 2006/2008.

Fonte: Projeto Planalto Poços de Caldas – Malha digital IBGE, 2000

78 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 MAPA 13 – Doses interpoladas de radiação gama externa na malha viária dos cinco municípios do Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais (por hectare) Períodos: 2002/2003 e 2006/2008

Fonte: Projeto Planalto Poços de Caldas – Malha digital IBGE, 2000

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 79 MAPA 14 – Doses máximas de radiação gama externa na malha viária dos cinco municípios do Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais (por hectare) Períodos: 2002/2003 e 2006/2008

Fonte: Projeto Planalto Poços de Caldas – Malha digital IBGE, 2000

80 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 MAPA 15 – Doses médias interpoladas de radiação gama externa segundo óbitos por câncer e municípios selecionados do Planalto Poços de Caldas Períodos das medições: 2002/2003 e 2006-2008 – Período dos óbitos: 1999-2005

Fonte: SIM, 1999-2005; Medições 2002-2003/2006-2008; Malha digital IBGE, 2000

Tamanho da célula: 0,3 km Dimensões da Grade: 232 x 199 Expoente: 2 Radio de busca: 9,9 km Fronteira da Grade: 0 km Agregação: Média

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 81 MAPA 16 – Doses máximas interpoladas de radiação gama externa segundo óbitos por câncer e municípios selecionados do Planalto Poços de Caldas Períodos das medições: 2002/2003 e 2006-2008 – Período dos óbitos: 1999-2005

Fonte: SIM, 1999-2005; Medições 2002-2003/2006-2008; Malha digital IBGE, 2000

Tamanho da célula: 0,3 km Dimensões da Grade: 232 x 199 Expoente: 2 Radio de busca: 9,9 km Fronteira da Grade: 0 km Agregação: Máximo

82 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 ANEXOS

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 83 84 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 I Fórum Regional dos Cânceres Relacionados ao Meio Ambiente e da Ocupação do Planalto Poços de Caldas

Período: 09 a 12 de Novembro de 2005 Local: Cassino Palace – Poços de Caldas – Minas Gerais

Detalhamento das atividades

Realização: Secretaria Municipal de Saúde de Poços de Caldas

A Comissão Organizadora do evento foi composta por:

• Nível local: Moacir Cipriani (LAPOC/ CNEN) • Nível estadual: Berenice Navarro Antoniazzi (PAV/SE/SES/MG) • Nível federal: Área de Vigilância do Câncer Ocupacional e Ambiental – INCA/ CONPREV, sob a responsabilidade técnica de Silvana Rubano Turci.

O evento de Poços de Caldas foi aberto para outros municípios vizinhos, iniciativa que possibilitou uma importante participação de Andradas, Caldas e Ibitiúra de Minas. Outras representações também se fizeram presentes, como os municípios de Pouso Alegre, Catalão (Goiás), Caitité (Bahia) e membros da sociedade civil organizada. Observe-se que Catalão e Caitité são municípios expostos ao mesmo fator de risco ambiental.

Dia 08/11/05 – 3ª. Feira – Atividade preliminar

Visita ao laboratório da CNEN em Poços de Caldas e à Indústria Nacional Brasileira (INB), pelos técnicos da SE/SES-MG, Ministério da Saúde/Secretaria da Vigilância em Saúde/CGVAM e da área da Vigilância do Câncer Ocupacional e Ambiental/ CONPREV do Instituto Nacional de Câncer. O fiscal da CNEN Dr. Moacir Cipriani conduziu o grupo técnico da SE/SES-MG: Berenice, Ângela, João e Flávia da Diretoria do Meio Ambiente, os três primeiros do Programa de Avaliação e Vigilância do Câncer (PAV-MG) e de seus fatores de riscos e os dois últimos da Diretoria do Meio Ambiente. A equipe estadual solicitou a realização de fotos na visita da mina, o que foi autorizado pela gerência. Posteriormente foram realizadas as visitas dos técnicos da Divisão do Meio Ambiente e da Ocupação do INCA (Silvana e Ubirani) e do Ministério da Saúde/SVS/CGVAM – Vigilância Ambiental (Tarcísio).

Dia 09/11/05 – 4ª. Feira – Fórum/palestras

A abertura foi realizada pelo senhor prefeito de Poços de Caldas, Dr. Sebastião Navarro Vieira Filho. As autoridades que proferiram palavra na solenidade foram o secretário municipal de Saúde (Dr. Márcio Ribeiro do Valle), o coordenador do CNEN (Dr. Antonio Luiz Quinelato), a representante da CONPREV/Instituto Nacional de Câncer (Dra. Silvana Rubano Turci) e a coordenadora do Programa de Avaliação e Vigilância do Câncer do Estado de Minas Gerais (Dra. Berenice Navarro Antoniazzi), que expressaram sobre as expectativas da realização do evento.

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 85 Após a solenidade, a Dra. Berenice coordenou os trabalhos do dia, que consistiram na ministração de palestras e discussões dos temas, nos períodos da manhã e da tarde. Os palestrantes responderam a todas as perguntas realizadas pelo público presente de aproximadamente 150 pessoas.

Ministradores convidados e temas, por sequência de apresentação:

(Manhã)

• Silvana Rubano Turci (Área de Câncer Ocupacional e Ambiental CONPREV/INCA/ MSaúde): Vigilância dos Fatores de Riscos de Câncer; Ubirani B. Otero (epidemiologista do INCA/ CONPREV) e Berenice N. Antoniazzi (epidemiologista PAV/SE/SES/MG): Estudo da Mortalidade por Cânceres relacionados ao Meio Ambiente e Ocupação no Planalto Poços de Caldas, entre 1998 a 2002; • Lene Holanda Sadler Veiga (epidemiologista do IRD): Riscos Associados à Radiação Ionizante.

Discussão

• Marcos Eduardo de Andrade (médico oncologista do CACON SCMC – Poços de Caldas) Aspectos da Saúde no Planalto Poços de Caldas em relação ao Câncer; • Resk Fraya (geólogo pesquisador do Departamento Nacional de Tradução Mineral): Radioatividade Natural do Planalto Poços de Caldas; • Moema Miranda Siqueira (socióloga e doutora em Administração Pública) Radioatividade Natural, Imaginário Social e Gestão de Risco; • Moacir Cipriani (pesquisador, Laboratório CNEN – Poços de Caldas) Projeto Planalto Poços de Caldas; • Berenice Navarro Antoniazzi (epidemiologista Vigilância Câncer e Riscos, SE/SES-MG) Registros de Câncer, de base hospitalar e de base populacional; • Tarcísio Neves Cunha (coordenador Geral da Vigilância Ambiental do Ministério da Saúde/ CGEVAM/SVS)

Análise de Risco.

Durante as discussões foi possível verificar uma preocupação dos presentes nos vários aspectos relacionados à radiação e os enfoques principais dos temas apresentados foram:

1. A necessidade de se criar um mecanismo pelos órgãos competentes para disponibilizar as informações sobre as medições realizadas da radioatividade na região, visando à clareza do processo para eliminar ou suavizar o medo imaginário, pernicioso à saúde mental e social da população, normalmente aumentados pelas dúvidas ou pelos fatos irreais criados pela cultura popular

86 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 Esse cenário imaginário foi coerente aos Estudos da Percepção do Risco (perspectiva socioantropológica) apresentados que também considerou são os fatores intervenientes da gestão: a credibilidade das informações, a capacidade do controle da informação, a credibilidade nas autoridades, a política de divulgação e estudantes como multiplicadores. Outro enfoque foi dado para que o risco objetivo não se oponha ao risco subjetivo, de acordo o risco e responsabilidade social.

Esse tema foi complementado com outra palestra, sobre um estudo de caso sobre a Percepção de Risco no Planalto Poços de Caldas que encontrou os seguintes fatos:

• A população tem medo da radiação e associa a ela elevado número de cânceres na região; • Frequente uso político do medo da população; • A empresa produtora e os órgãos reguladores não souberam lidar com o problema; • A empresa foi considerada segura por todas as comissões de avaliação, formadas ao longo de sua vida.

Por razão dos fatos citados, foi apresentada uma proposta de desdobramento do Projeto Planalto Poços de Caldas, com o objetivo geral de disponibilizar para população do Planalto Poços de Caldas informações científicas, tecnicamente seguras e eticamente confiáveis, sobre os efeitos da radiação na saúde da população e sobre o meio ambiente da região e que possam servir de ferramentas para os decisores e órgãos reguladores na implementação de ações para melhorar a qualidade de vida.

2. Outros Estudos apresentados:

Radiação e Câncer:

 A pesquisadora do IRD Lene Veiga apresentou as pesquisas epidemiológicas mundiais sobre a radiação natural que concluíram que os riscos são inconsistentes e muito pequenos perante outros fatores de risco ambientais para câncer, como fumo, álcool, dieta, exposição ocupacional, entre outros.  Do estudo realizado em Poços de Caldas (1998), pela mesma pesquisadora, apenas a zona rural de Poços de Caldas pode ser classificada como área de médio nível de radiação natural.  Não existem evidências científicas de que os níveis de radiação ambiental encontrados nestas áreas possam causar dano à saúde da população.

Estudo da Mortalidade por cânceres relacionados ao Meio Ambiente e Ocupação:

 As pesquisadoras do INCA (Ubirani Otero) e da SES-MG (Berenice Navarro) apresentaram o estudo de excessos de óbitos por cânceres considerados nas macrorregiões e municípios selecionados.

Foram relatadas as limitações dos resultados e a conclusão de que outros estudos complementares são necessários, para maior fidedignidade (como novas medições da radiação natural ou validação dos óbitos avaliados) ou para produzir dados ainda inexistentes, como a incidência do câncer no município.

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 87 3. Um importante momento ocorreu com o respeitado palestrante Dr. Resk Fraya, geólogo, que falou sobre a radioatividade natural do Planalto Poços de Caldas, destacando a radiação artificial como a mais importante, e também discorreu sobre a necessidade que sejam diferenciados o que é lixo nuclear de resíduo. Esse palestrante mereceu um grande respeito do público presente.

4. Foram colocadas as dificuldades encontradas pelo CACON de Poços de Caldas, desde a sua implantação até o momento atual. A população de abrangência desse centro é de aproximadamente um milhão de habitantes, referenciadas pelos municípios de Guaxupé, Machado, Alfenas, Poços de Caldas e Pouso Alegre.

5. Foi apresentado que a gestão do risco atualmente tem uma nova abordagem, pois acresce à avaliação clássica do risco estabelecido (estudos, análises, etc.) o risco percebido, que incorpora as informações culturais. Desta forma, a comunicação de risco tem como princípio a precaução com o envolvimento de todas as partes interessadas, que define o modelo atual de Vigilância em Saúde em três pilares: Direito à Saúde, Direito à Informação e o Princípio da Precaução.

Após a finalização dos trabalhos do primeiro dia, os presentes foram convidados a participar do segundo dia, sobre a realização da Matriz da O.M.S.

Dias 10 e 11/ 11/ 05 – 5ª. Feira – Fórum: Matriz da O.M.S.: F.P.E.E.E.A. Força motriz, pressão, estado, exposição, efeito, ações.

O início das atividades foi uma breve palestra sobre o objetivo da realização da matriz com o público presente, proferida pelo coordenador desses trabalhos, Marcelo Moreno dos Reis, da Área do Câncer Ocupacional e Ambiental, INCA/ CONPREV, para a construção de indicadores da saúde ambiental. O público formado por técnicos e representantes da sociedade civil organizada foi dividido em dois grupos, que contou com colaboradores de outros municípios também presentes:

1. Grupo de Poços de Caldas: Facilitadores: Marcelo Moreno dos Reis e Ubirani Barros Otero (INCA) 2. Grupo de Andradas, Caldas e Ibitiúra de Minas: Facilitadores: Fátima Sueli Neto Ribeiro e Tarcísio Cunha (INCA e CEGEVAM)

O Grupo 2 solicitou uma reunião com os secretários municipais ou seus representantes, que foi realizada no dia 11/11/05 (6ª. Feira), tendo como pauta a criação de uma Comissão Intermunicipal de Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho e ao Meio Ambiente.

Os facilitadores dos Grupos 1 e 2 realizaram posteriormente os relatórios preliminares.

Dia 12/11/05 – Relatório consolidado do evento.

88 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 Portaria gab. poços de caldas nº 11/2009

Cria a Comissão Assessora de Registro de Câncer de Base Populacional, define responsabilidades da Secretaria Municipal de Saúde referentes ao sigilo dos dados contidos nos registros das incidências de câncer, dá outras providências. O Secretário de Saúde, gestor do Sistema Único de Saúde do município de Poços de Caldas, no uso de suas atribuições, tendo em vista o disposto no inciso X do artigo 15 da Lei nº 13317 de 24 de setembro de 1999 e considerando:

• Que o câncer é um problema de saúde publica e uma das principais causas de morte por doença no País; • Que é competência da SMS a coleta das ocorrências de câncer verificadas no município, para o conhecimento da prevalência e incidência da patologia; • A necessidade de desenvolver no município o “Programa Nacional de Avaliação e Vigilância do Câncer e seus fatores de riscos” pela institucionalização dos Registros de Câncer de Base Populacional-RCBP/MG. Consoante os termos do convênio celebrado nº. 761/99 celebrado entre o Ministério da Saúde/MS, Instituto Nacional do Câncer/INCA e a SES/SU/MG; • A necessidade de padronizar os dados a serem coletados nos estabelecimentos de saúde do município, que subsidiarão os RCBP/MG; • A necessidade de gerar informações por meio da coleta de dados, para posterior analises do INCA/MS; • A necessidade de desenvolver um trabalho visando à sensibilização dos profissionais de saúde, dos conselhos e associações regionais de classe das áreas afins, para o fornecimento e preenchimento dos dados de forma legível, completa e correta; • A necessidade de garantir o sigilo médico, fora do âmbito administrativo dos RCBP/MG, quanto às informações coletadas, não identificando as fontes notificadoras e a identidade do paciente e • A necessidade de garantir a confidencialidade dos dados coletados pela equipe técnica dos RCBP/MG em observância ao disposto parte final do art. 108 do Código de Ética Médica

Resolve:

Art. 1º- Fica criada a Comissão Assessora de Registros de Câncer de Base Populacional, com a finalidade de desenvolver estudos referentes à implementação de normas e procedimentos complementares ao “Manual de Normas e procedimentos para Registros de Câncer de Base Populacional-INCA/MS”, verificando a qualidade da informação das ocorrências de câncer geradas pelos RCBP/MG, em consonância com o disciplinado no item 1.3 do referido Manual, com a seguinte composição, sob a coordenação do primeiro:

Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 89 I- Yula de Lima Merola – Coordenadora da Divisão de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde; II- Rosimere Garcia – Técnica em Laboratórios da Divisão de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde III- Reinaldo Lima – Digitador da Divisão de Vigilância Epidemiológica IV- Helena Maria L Barbosa – Médica Oncologista V- Victor Cardillo – Hospital da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Poços de Caldas VI- Rosane Aterje – Médica Pediatra VII- André Almeida Schenka – Médico Patologista VIII- Nivaldo Carlos da Silva – Físico do Departamento de Pesquisas em Radioatividade Natural da Comissão Nacional de Energia Nuclear IX- Romeu Nacarato – Cirurgião Geral

Parágrafo único: Os profissionais identificados nos incisos IV, V, VI, VII, VIII e IX deste artigo exercerão suas funções a título de colaboração, sem ônus para o município.

Art. 2º A comissão terá a seu cargo, além de atribuições contidas no artigo anterior, o monitoramento da questão ética e legal nos trabalhos a serem desenvolvidos pelos RCBP/MG-Programa BASEPOP, inclusive quando necessária à publicidade dos dados dos registros das ocorrências de câncer, bem como os trabalhos necessários à sensibilização dos Conselhos e das Associações Regionais de Medicina e Odontologia.

Art. 3º- Fica instituída a ficha de coleta de dados padronizados pelo INCA/MS, como instrumento oficial para registros das ocorrências de câncer de base populacional-RCBP/MG – Programa BASEPOP.

§1º os dados da ficha de coleta das ocorrências poderão ser complementadas de acordo com as necessidades locais; § 2º Os estabelecimentos de saúde, bem como os profissionais das áreas de oncologia, deverão ser cadastrados pelos RCBP/MG como fontes notificadoras das ocorrências de câncer; § 3º Serão sempre mantidos em sigilo a identidade dos pacientes e de fontes notificadoras, inclusive quando necessária a publicidade dos dados estatísticos por parte da Divisão de Vigilância Epidemiológica do Departamento de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal Saúde.

Art. 4º Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação e revogadas as disposições em contrário.

90 Projeto Planalto Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil – 2004 a 2009 GOVERNO DO Estado DE MINAS GERAIS SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE SUPERINTENDÊNCIA DE EPIDEMIOLOGIA Minas: Aqui se constrói um país

Programa de Avaliação e Vigilância do Câncer e seus Fatores de Riscos de Minas Gerais – PAV-MG Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais – SES-MG Subsecretaria de Vigilância em Saúde - SVS Superintendência de Epidemiologia - SE Gerência de Vigilância Epidemiológica - GVE Novembro de 2009

Coordenadora BERENICE NAVARRO ANTONIAZZI (epidemiologista) Estatísticos RENATO AZEREDO TEIXEIRA THAYS APARECIDA LEÃO D’ALESSANDRO Analista de Sistemas DAVIDYSSON ABREU ALVARENGA Supervisão do Registro de Câncer de Base Populacional KARINA ELIZABETH EVANGELISTA Registradores de Câncer – Trabalho de campo do RCBP-BH CARLA CRISTIANA DE SOUZA EVANDRO BRÍGIDO DAMASCENO GILCÉA APARECIDA MARTINHO MARIA ELIZA DE MATOS SALDANHA ROSA MARIA HELENA OLIVEIRA SILVA NIVIA RODRIGUES ALVES DE OLIVEIRA MARCONDES SOARES DE AZEVEDO PAULA BISPO VIEIRA Supervisão de Registros Hospitalares de Câncer de Minas Gerais MARIA CRISTINA VIEGAS CANÇADO (médica) CLAUDINA AGNESE CASALE (supervisão de campo) Codificação do RCBP-BH – Supervisão de Inquéritos - Apoio Administrativo ANGELA MARIA DO AMPARO

Esta publicação é uma produção da Superintendência de Epidemiologia da Subsecretaria de Vigilância em Saúde da SES/MG, com recursos dos Rendimentos do Convênio INCA/MS/SES-MG nº 199/02 – Prevenção e Controle do Câncer – Minas Gerais – Ações de Vigilância.

CONTATO Av. Afonso Pena, 2300 – 15º andar – CEP 30130-130 – Belo Horizonte, MG Telefone/Fax: (31) 3215-7246 / 3215-7247 E-mail: [email protected]

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