Percorrer a cidade a >> ações teatrais e performatvas pé no contexto urbano Verônica Gonçalves Veloso São Paulo 2017 pé Percorrer a cidade a >> ações teatrais e performatvas pé no contexto urbano Verônica Gonçalves Veloso São Paulo 2017 UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO ESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTES DEPARTAMENTO DE ARTES CÊNICAS Percorrer a cidade a pé – ações teatrais e performatvas no contexto urbano Verônica Gonçalves Veloso Tese apresentada ao Departamento de Artes Cênicas da Universidade de São Paulo para obtenção do ttulo de Doutora em Artes Cênicas. Versão corrigida (versão original disponível na Biblioteca da ECA/USP) Área de Concentração: Pedagogia do Teatro Orientadora: Profa. Dra. Maria Lucia de Souza Barros Pupo São Paulo 2017 Autorizo a reprodução e divulgação total ou parcial deste trabalho, por qualquer meio convencional ou eletrônico, para fns de estudo e pesquisa, desde que citada a fonte. Catalogação na Publicação Serviço de Biblioteca e Documentação Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo Dados fornecidos pela autora [esta fcha será enviada pela biblioteca (será substtuída) e tem que fcar no verso da pági- na anterior]: Veloso, Verônica G. Percorrer a cidade a pé – ações teatrais e performatvas no contexto urbano / Verôni- ca Gonçalves Veloso; orientadora: Maria Lúcia de S. B. Pupo. - - São Paulo, 2017. 355p.: 80 il. Tese (Doutorado – Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas. Área de Concen- tração: Pedagogia do Teatro) – Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Orientadora: Maria Lucia de Souza Barros Pupo. Bibliografa 1. Teatro Performatvo. 2. Performance. 3. Caminhar 4.Espectador 5. Cidade Diagramação: Papá Fraga FOLHA DE APROVAÇÃO Verônica Gonçalves Veloso Percorrer a cidade a pé – ações teatrais e performatvas no contexto urbano Tese apresentada à Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo para obtenção do ttulo de Doutora em Artes Cênicas. Área de Concentração: Pedagogia do Teatro. Aprovada em:________________ Banca Examinadora: Prof. Dr. ______________________________________________________________ Insttuição:______________________ Assinatura: ____________________________ Prof. Dr. ______________________________________________________________ Insttuição:______________________ Assinatura: ____________________________ Prof. Dr. ______________________________________________________________ Insttuição:______________________ Assinatura: ____________________________ Prof. Dr. ______________________________________________________________ Insttuição:______________________ Assinatura: ____________________________ Profa. Dra. Maria Lúcia de Sousa Barros Pupo Insttuição: ECA/USP Assinatura: ____________________________ Dedico esse trabalho a duas pessoas: Rodrigo e Alice. A ele por criar oportunidades para que eu me dedicasse ao estudo, por compreender minha necessidade de isolamento, minhas horas de biblioteca e meu tempo de revisão profunda de diversos aspectos da vida. E ainda assim, mantendo-se frme e inteiramente, ao meu lado. A ela por inventar brincadeiras silenciosas, que muitas vezes consistam em deslocamentos, em idas e vindas, me mostrando o quanto o caminhar se confgura também como um disparador de processos do imaginário, um poderoso dispositvo de fabricação de histórias. Por aprender outras formas de viver junto, respeitando generosamente o meu modo de estar presente apenas fsicamente. O corpo de sua mãe foi repetdamente representado em seus desenhos de criança, como um corpo visto atrás de uma cadeira, cercado de livros, e olhando fxamente para um computador. Sua aceitação dessa mãe ausente me ajudou a (re)estabelecer nossos limites e a redimensionar minha entrega aos momentos exclusivamente dedicados a ela. Sem esses dois retratos do amor, nada disso seria possível. Agradeço A minha orientadora, Maria Lúcia Pupo, por indicar caminhos e por colocar janelas diante dos meus horizontes tão vastos, por confar nos meus passos e por me dar a mão nos momentos em que eu me senta demasiadamente à deriva. Aos meus pais, meus irmãos e minha família, por me darem suporte para estudar e por acreditarem nos meus sonhos. Ao Coletvo Teatro Dodecafônico, em especial a Beatriz Cruz e Sandra Ximenez, por experi- mentar comigo, por caminhar junto ora se perdendo, ora atravessando territórios que che- gam a toda a extensão dessa cidade-contnente. Lulu Kema, Damyler Cunha, Felipe Julian, Hideo Kushiyama, Monica Galvão, Nathália Imbrizi, Olívia Niculitchef, Papá Fraga, Vânia Medeiros e todos que derivaram com o Coletvo: vocês convocaram o meu corpo, ouviram os meus chamados e me mostraram tanto, que eu não chegaria a ver se eu não andasse acompanhada. A Helena Albuquerque, pelas traduções e correções das minhas traduções do inglês. A Eleonora Fabião e Antonio Araújo, pelas ricas contribuições no Exame de Qualifcação. A Josete Féral, por me receber e orientar meus caminhos em território francês. A Raphaëlle Doyon pelo convite para intervir em seu curso na Paris 8, compartlhando essa pesquisa e transformando a rua em sala de aula. A Universidade de São Paulo e aos professores do Departamento de Artes Cênicas. A Capes, por fnanciar essa pesquisa tanto no Brasil como com a Bolsa de Doutorado Sanduíche no exterior. Aos meus amigos, sem os quais eu não saberia quem sou. A Ana Peta e Paula Klein, pelos nossos sabiás; a Taty Kanter, pelas ajudas incondicionais; a Jorge Wakabara, Kata Lazarini, Paulina Caon e Roberto Borges por nossas redes de suporte e afetos; a André Mourão, Anna Ten, Anne-Sarah Faget, Juliana Jonson, Maria Clara Ferrer, Marina Takami, Regis Mikail Filho e Rodrigo Scalari, pelas derivas parisienses e outras de pensamento; a Andrea Caruso, Julia Guimarães Mendes e Filipe Brancalião, pelas trocas possíveis apenas a quem compartlha dos mesmos caminhos; a Lu Carion e Marcos Bulhões, por me alimentarem sempre; a Ernesto Valença e Joaquim Gama, por me moverem; a Juliana Pugliesi, Marília Rocha e Renata Godoy, por me mostrarem outras formas de estar perto; a Maria Brandão, pelo cuidado; a Rui e Maíra, por me mostrarem o poema do Augusto de Campos. resumo A presente pesquisa visa observar o modo de operar da arte contemporânea fundada no caminhar e investgar o quanto ela se faz acessível ao espectador, o quanto ela é inclusiva, relacional e horizontal. Contrariamente a um entendimento de que a arte contemporânea é de difcil acesso, nosso objetvo é relacionar a dissolução de certos estatutos da cena contemporânea com a aproximação do espectador de sua estrutura de funcionamento, a ponto de ele se tornar mais indispensável para sua realização do que o próprio artsta. No primeiro capítulo, apresento esse contexto de dissolução (como linhas invisíveis do mapa), inicialmente no campo do teatro e, posteriormente, na confguração das perfor- mances, campo no qual as noções de cena, encenação e espectador já não operam. No segundo capítulo apresento o ato de caminhar em relação ao pensar e ao criar; uma prátca estétca e polítca a ser desdobrada nos três capítulos seguintes. Desse modo, do segundo ao quinto capítulo observo modalidades do caminhar: passeios, derivas, fugas, persegui- ções e travessias realizadas por artstas de diversas procedências (do teatro à land art, da dança à arte conceitual, da performance ao real) e, em alguns casos, por espectadores ou passantes. Todas essas ações, sobretudo as performances, resultam em outras materialidades (foto- grafas, vídeos, desenhos e narratvas) que são igualmente compartlhadas com espectado- res ausentes do ato de sua execução. No últmo capítulo, trato desses rastros ou vestgios - bem como do acesso aos programas dessas ações - como um importante material para os espectadores, que conhecendo os “modos de fazer” dessas modalidades artstcas, com- preendem seus “modos de usar”. Assim, caminhar como prátca estétca confgura-se como um ato de transgressão do sistema vigente, uma vez que se trata não apenas de uma ação, mas de uma attude ao alcance de toda e qualquer pessoa. Ao ocupar o contexto urbano por sua dimensão mais baixa, o chão, o sujeito que caminha experimenta outras formas de sociabilidade e outras confgurações para o real, inventando micro-poétcas do devir. palavras-chave: teatro performatvo – performance – caminhar – espectador – cidade abstract This research aims to observe the way contemporary art founded on walking works and to investgate how much it is accessible to the public, how much it is inclusive, relatonal and horizontal. Contrary to an understanding that contemporary art is difcult to access, our goal is to relate the dissoluton of certain contemporary scenes statutes with the specta- tor’s approach of its functonal structure, to the point that he becomes more indispensable for its accomplishment than the artst himself. In the frst chapter, I present this context of dissoluton (as invisible lines of the map) ini- tally in the theater feld and, posteriorly, in the confguraton of the performances, a feld in which the notons of scene, staging and spectator no longer operate. In the second chapter, I present the act of walking in relaton to thinking and creatng; an aesthetc and politcal practce to be deployed in the three following chapters. Thus, from the second to the ffh chapters, I observe walking modalites: strolls, drifs, escapes, persecutons and crossings by artsts of diferent origins (from theater to land art, from dance to conceptual art, from performance to real) and, in some cases, by spectators or bystanders. All these actons, partcularly the performances, result in other materialites (photographs,
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