Transluminura

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GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO | SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA | POIESIS GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO Geraldo Alckmin | Governador Marcelo Mattos Araujo | Secretário de Estado da Cultura Renata Vieira da Motta | Coordenadora da Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico POIESIS – INSTITUTO DE APOIO À CULTURA, À LÍNGUA E À LITERATURA Clovis Carvalho | Diretor Executivo Plinio Corrêa | Diretor Administrativo Maria Izabel Casanovas | Assessora da Direção Executiva Ivanei da Silva | Museólogo Dirceu Rodrigues | Imprensa Angela Kina | Design gráfico CASA DAS ROSAS – ESPAÇO HAROLDO DE CAMPOS DE POESIA E LITERATURA Frederico Barbosa | Diretor Carmem Beatriz de Paula Henrique | Coordenadora Administrativa Márcia Kina | Supervisora Administrativa Fabiano da Anunciação | Assistente Administrativo Neide Silva | Copeira Daniel Moreira | Supervisor Cultural Thaís Feitosa | Técnica Cultural Débora Nazari | Comunicação Annelise Csapo / Luis Felipe Lucena / Kryslei Cipriano Goes | Educativo Waltemir Dantas / Jackson Oliveira / Beto Boing | Produção Marcelo Macedo | Zelador CENTRO DE REFERÊNCIA HAROLDO DE CAMPOS Simone Homem de Mello | Coordenadora Rahile Escaleira | Bibliotecária Mariana Manfredini | Assistente de Organização e Pesquisa Leonice Alves | Assistente de Biblioteca CENTRO DE APOIO AO ESCRITOR Reynaldo Damazio | Coordenador Maria José Coelho | Assistente Mayne Benedetto | Assistente de Biblioteca HAROLDO E OUTROS 1 TRANSLUMINURA Revista de Estética e Literatura Número 1 | 2013 Iniciativa Centro de Referência Haroldo de Campos – Casa das Rosas Editora | Simone Homem de Mello Conselho Editorial: Aurora Bernardini, Claus Clüver, Gonzalo Aguilar, Horácio Costa, Jerusa Ferreira Pires, Leda Tenório da Motta, Lucia Santaella, Luiz Costa Lima, Márcio Seligmann-Silva, Nelson Ascher, Susanna Kampff Lages Capa | Guilherme Mansur Design gráfico e diagramação | Angela Kina e Flávio Cescato Revisão | Roteiro / Armando Olivetti Tradutores deste número Renato Rezende (do inglês) Sérgio Molina (do espanhol) Simone Homem de Mello (do alemão) A revista Transluminura é publicada em frequência anual. A revista TRANSLUMINURA aceita, para publicação, apenas artigos ainda inéditos em língua portuguesa. O título do artigo deve ser claro e objetivo, podendo ser completado por um subtítulo. Os nomes do autor e do tradutor devem ser indicados, por extenso, após o título. A extensão dos artigos pode variar de acordo com o tema abordado, e a Redação se reserva o direito de propor cortes ou sugerir ampliações. As notas devem ser reduzidas ao mínimo e colocadas no final do texto. Todas as referências bibliográficas do artigo, a serem formatadas segundo as normas da ABNT, devem ser incluídas nas notas finais. Os autores devem fornecer informações biobibliográficas em até 600 caracteres (com espaços), destacando suas produções mais diretamente relacionadas ao tema do artigo. ÍNDICE Simone Homem de Mello Apresentação 7 Antônio Sérgio Bessa Ruptura de estilo em Galáxias, de Haroldo de Campos 11 Aurora Bernardini Traduzindo Haroldo: “o anjo esquerdo da história” 31 Charles A. Perrone Laudas, lances, lendas e lembranças: Haroldo na Austineia Desvairada 41 Elisabeth Walther-Bense A relação de Haroldo de Campos com a Poesia Concreta alemã, em especial com Max Bense 65 Horácio Costa Apontamentos sobre o poema longo na América Latina (José Gorostiza e Octavio Paz, Jorge de Lima e Haroldo de Campos) 81 Leda Tenório da Motta Haroldo & Barthes 95 Lucia Santaella Haroldo de Campos: circuito reversível criação-teoria 107 Luiz Costa Lima Haroldo, o multiplicador 119 Márcio Seligmann-Silva Alles ist Samenkorn / Tudo é semente: O germanista Haroldo de Campos 137 Sobre os autores 161 APRESENTAÇÃO Transluminura é a palavra com que Haroldo de Campos nomeia a operação de releitura/reescritura de outros autores em seus próprios livros de poemas ou, nas palavras do autor, o “conjunto de textos ‘reimaginados’ (ainda mais do que transcriados) em português”. Em A educação dos cinco sentidos (1985), a seção “Transluminuras” inclui transcriações de e/ou diálogos com poetas desde Heráclito até Giu- seppe Ungaretti. Suas “Novas Transluminuras”, em Crisantempo (1998), circunscrevem poetas da antiguidade clássica. E no livro póstumo Entre- milênios (2009), a odisseia homérica e outros périplos estão no centro das “Terceiras Transluminuras”. Esse, portanto, o nome escolhido para uma revista que se propõe a abordar, nos desdobramentos da obra haroldiana, o diálogo entre dife- rentes poéticas e da poesia com outros discursos. Lançado no ano que marca o decênio da morte de Haroldo de Campos, o primeiro número de TRANSLUMINURA se compôs pelo acaso. Os artigos aqui publicados provêm, em grande parte, da posta-restante endereçada a Haroldo: estudos ou depoimentos sobre sua obra que foram escritos em épocas diferentes e ainda estavam inéditos em português. Concomitantemente à elaboração deste número da revista, compôs-se o Conselho Editorial, cujos membros também figuram – em parte – como autores dos artigos aqui reunidos. A constituição quase espontânea desta coletânea, com base em textos preexistentes e ainda desconhecidos, levou ao traçado casual de uma constelação de autores e de textos em torno de Haroldo. Sua apreciação crítica de José de Alencar e Guimarães Rosa (Costa Lima), os pontos de afinidade de sua reflexão teórica e poética com Roland Barthes (Bessa, Motta), sua relação com Max Bense e com os poetas da vanguarda europeia dos anos 1950/1960 (Walther-Bense), sua leitura crítico-poética de certo repertório da literatura alemã (Seligmann-Silva) bem como paralelos latino-americanos do gênero do poema longo cul- tivado em A máquina do mundo repensada (Costa) delineiam importantes redes sinápticas da obra haroldiana. A indissociabilidade entre criação poética e teórica em Haroldo (Santaella) se manifesta indicialmente em todas as abordagens deste número, enriquecido por traduções comen- 7 tadas de poemas de Haroldo para o italiano (Bernardini) e para o inglês, além de um depoimento sobre sua passagem por Austin, no Texas, na década de 1980 (Perrone). Em grande parte integrado por autores que cultivaram intenso in- tercâmbio intelectual com Haroldo em vida, este número também repre- senta a continuidade do diálogo ao qual sua obra sempre foi aberta e do qual esta revista pretende se tornar um canal. Todas as ‘transluminu- ras’ dedicadas a Haroldo e incluídas nesta publicação são emolduradas pela composição ‘tipoética’ de Guilherme Mansur, autor do logotipo e do projeto de capa, que compôs – em tipografia de caixa – a primeira edição de Finismundo (1990), entre outras obras haroldianas. “Haroldo e outros” se intitula, portanto, este primeiro número da revista, no qual alguns dos múltiplos perfis do poeta se fazem entrever na escrita de seus interlocutores de antes e de agora. Simone Homem de Mello 8 Ruptura de estilo em Galáxias de Haroldo de Campos Antônio Sérgio Bessa Tradução do inglês: Renato Rezende ... tudo está por deslindar, mas nada está por decifrar.1 Roland Barthes, “A morte do autor” Em 1753, quando Georges-Louis Leclerc, conde de Buffon, proferiu seu “Discourse sur le style” na Académie Française, ele não poderia ima- ginar as implicações de um esforço tão singelo, mas o fato é que colo- cou em movimento um poderoso dínamo que tem engendrado debates ao redor do mundo nos últimos dois séculos. Poderíamos nos arriscar a dizer que depois do famoso provérbio de Buffon, “estilo é o próprio homem”, estilo tornou-se a personificação da própria escrita e que, de- pois dessa formulação, autores têm sido responsabilizados não apenas pelo que escrevem, mas também por como escrevem. Seria precipitado afirmar que Buffon foi o originador desse tema, uma vez que questões relacionadas ao estilo têm ocupado as mentes de escritores (e orado- res) desde que os gregos formularam os elementos da retórica. Mas a equação entre homem e estilo de Buffon introduziu uma nova percep- ção do assunto, que subsequentemente tornou-se2 o foco de escritores como Thomas de Quincey e Rémy de Gourmont no século XIX e, mais notadamente, Jacques Lacan no começo dos anos 1950. Em novembro de 1985, o poeta Haroldo de Campos foi convidado a discursar para a Biblioteca Freudiana Brasileira, um grupo de pesquisa criado em 1981 em São Paulo com o objetivo de promover o estudo de Jacques Lacan no Brasil. Naquela ocasião, Campos proferiu a primeira versão de “O Afreudisíaco Lacan na Galáxia de Lalíngua”, um ensaio no qual ele subsequentemente trabalhou por diversas vezes até que, em 1998, foi publicado em sua forma3 definitiva no Correio, o periódico da Escola Brasileira de Psicanálise. O ensaio foi motivado por uma reunião em Paris no verão de 1985 entre Campos, o psicanalista4 Joseph Attié e Judith Miller nos escritórios do periódico L’Âne, durante a qual os três colegas discutiram seu número seguinte, que deveria ser dedicado ao estilo. No calor da hora, Campos propôs uma epígrafe à edição – “Le stylo c’est l’Âne”. Um curto e elaborado texto lidando com complexas ideias psicana- líticas e literárias, esse ensaio pouco conhecido de Campos fornece um valioso roteiro para atravessar as Galáxias, sua coleção de poemas em prosa escrita entre 1963 e 1976 e publicada pela primeira vez em sua totalidade em 1984. Central ao ensaio é o tema do ‘estilo’, mencionado desde o início por Campos ao comentar a interpretação de Lacan sobre 13 Buffon em sua “Overture” ao Écrits: “O estilo é o homem, acrescenta- ríamos5 à fórmula, somente para alongá-la: o homem a quem nos dirigi- mos?”. Campos adiciona mais um comentário ao de

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